CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Uma simples análise sobre o desenrolar econômico do Brasil leva a gente a uma conclusão lógica. Diante das constantes baixas de consumo durante os últimos vinte anos, os dados atestam que o tamanho da economia, em vez de crescer e se manter em evolução, encolheu. Diminuiu. Na avaliação, o PIB brasileiro levou a nona queda, desde 1996, quando o quadro econômico começou a emborcar. Desmoronar. Foram 9 trimestres de queda. Na comparação do segundo trimestre de 2016 com o de 2015, o IBGE constatou uma derrubada do PIB brasileiro em 3,8%. Foi a maior queda desde 1996. Foi um ano de retração econômica. Os setores da indústria e serviços não suportaram a falta de investimentos. Em consequência, registraram queda de 6,2% e 2,7%, respectivamente. No ano, 2015, o único setor que não fez vergonha, comportou-se direitinho, foi o da agropecuária, que cresceu 1,8%.

A relação dos baques, levou ribanceira abaixo, o emprego e a renda. Houve rebeldia de juros e da inflação, bem como a retração de crédito. Até a construção civil despencou no abismo de retração. Chegado a instabilidades políticas e a rebeldia inflacionária, o Brasil tem se contorcido para tentar encontrar o Norte do progresso. Mas, tá difícil. Na década de 60, com o intuito de acelerar o processo de desenvolvimento, mediante os incentivos à industrialização, o governo Kubitschek fechou a economia ao mercado externo, preferindo concentrar as atenções na substituição das importações e no elevado investimento nas estatais. Mas, como se esqueceu de fincar sólidas bases institucionais, o programa esfriou. Resultado, nos anos seguintes a economia estagnou. Ficou problemática, endêmica. Na década de setenta, o país, consertou os erros e obteve uma boa fase de expansão. A indústria cresceu, a produção doméstica foi na onda, a inflação caiu, as exportações cresceram, a balança de pagamentos alcançou superávit, elevando as reservas internacionais.

Mas, o sonho foi passageiro. O aumento do preço do barril de petróleo foi a gota d’água. O endividamento externo, o aumento dos gastos e a precária política de distribuição de renda atrapalharam. Nos anos 80, houve a troca do regime militar pelo democrático. Os quatro planos heterodoxos, o congelamento de apreços e as alterações nos programas de investimentos trouxeram fracassos. A década de 90 ficou marcada como o período de turbulência e de transformações. A inflação acelerou, chegou a hiperinflação, o confisco financeiro perturbou, a recessão encostou a economia na parede e o congelamento de preços e de salários foi doloroso.

As novidades foram a privatização de estatais de a abertura às importações. A salvação foi o Plano Real em 1994. Aliviou as tensões. Na década de 2000, o Brasil entrou no boom de commodities, a economia mundial cresceu até receber o impacto da crise internacional que refletiu drasticamente no Brasil. Todavia, no início de 2010, o país festejou a taxa de crescimento de 7,5%. Todavia, recebeu a rebordosa da braba recessão, a maior da história econômica do país. Aí, junto com a corrupção, o país entrou em parafuso. Rodopia constantemente, sem encontrar o rumo. Comparativamente, os PIBS dos Estados Unidos, China e Brasil fecharam o ano de 2016, nas seguintes posições. EUA, US$ 17,7 trilhões, a maior economia do mundo, China, US$ 10,3 trilhões, a segunda, e o Brasil, com apenas US$ 6,2 trilhões, a nona mundial.

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A natureza é fantástica. Dota o ser vivente, homem e animais de qualidades para se adaptar ao meio ambiente, mesmo sofrendo adversidades. O verde das matas beneficia o organismo, fortalecendo as células que respondem pela saúde do corpo. Melhora a oxigenação, reduz o estresse, tira o cansaço mental. Na Sibéria, terra de renas e de ursos polares, lugar mais gelado da Terra, onde a temperatura pode chegar a 60 graus negativos, os moradores da região, afirmam que o frio não é problema. Não impede que o desenvolvimento faça de Novosibirsk, a terceira maior cidade da Rússia, a fonte para oferecer boas condições de vida saudável. Por outro lado, viver no deserto, tipo Saara, Kalahari, Atacama, locais secos e quentes, também não tem empecilho. Apesar do solo arenoso, a vegetação ser rasteira e ressecada, a vida no deserto tem compensações. As plantas têm raízes que acumulam água, embora rara. Matam a sede de gente, camelos, gazelas, serpentes e lagartos. Quem mora no deserto sabe que de dia o clima é quentíssimo, porém à noite a temperatura despenca para zero grau. Dá pra viver.

No Oriente Médio, ao longo do Mar Mediterrâneo, localiza-se Israel. Um pequeno país com 470 quilômetros de extensão e largura de apenas 135 km, onde mais da metade do território é deserto. A população é superior a 9 milhões de habitantes. O país é dotado de algumas distinções. Jerusalém é a capital israelense, enquanto Telavive é o centro financeiro do Estado Judeu que conseguiu a independência no ano de 1948. Nas montanhas da Galileia, compostas de rochas calcárias, com altura que chegam a 1 200 metros, existem córregos que conservam o verde na região durante todo o ano. Transforma o Vale de Jizreel, na região mais agrícola de Israel. Por incrível que pareça, a fauna e a flora israelense são diversificadas. A vida animal registra muitas espécies, ao passo que a vegetação possui mais de 2 800 tipos de plantas.

O importante em Israel é o desenvolvimento econômico, industrial e agrícola, apesar dos limitados recursos naturais. Embora seja importador de combustíveis fósseis e de matérias primas, muitas empresas têm cotação na bolsa Nasdaq. O PIB é o 41º mais alto do mundo. Satisfatoriamente, Israel exporta frutas, vegetais, produtos químicos e farmacêuticos, softwares, equipamentos de comunicação, tecnologia militar e diamantes. Na agropecuária, o país é autossuficiente na produção de alimentos, particularmente grãos e carne. Por isso, reúne um grande aglomerado de indústrias de tecnologia de ponta. Todavia, é no aproveitamento da água que Israel impacta. Aproveita a água condensada do ar-condicionado, através do sistema de condensação, dos rios, mar e da chuva.

No Estado judeu, tem água potável em qualquer lugar. Não importa se a água é salobra, do mar ou de esgoto. Graças aos altos investimentos em estudos e em centros de desenvolvimento, a água salobra fica potável, a do mar, o israelense dessaliniza. Do esgoto, purifica a água para reuso na irrigação da lavoura. Na educação, a frequência escolar é obrigatória dos 5 aos 18 anos. O turismo religioso é outra respeitável fonte de receita, de empregos e de renda. No turismo religioso, Israel chega perto do Brasil. Em 2018, recebeu mais de 4 milhões de visitantes. Então, em decorrência dessas particularidades, Israel é um Estado industrializado, utiliza alta tecnologia para eliminar a pobreza e as desigualdades, via desenvolvimento.

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O dinheiro público é um bem sagrado. Por pertencer ao povo brasileiro, devia ser usado com parcimônia. Dedicação. No entanto, tem muita gente que não valoriza os valores pertencentes ao cidadão. Como essa gente destrambelhada considera o Estado como a “viúva” rica, que nunca quebra, os fominhas danam-se a esbanjar a fortuna do povo. Cego, por natureza, o poder público não manja que está sendo surrupiado na parte financeira. Ignora lembrar que o uso do dinheiro público, por ser escasso, deve ser usado apenas dentro dos limites orçamentários.

Ora, dinheiro público, sob todos os aspectos, é imprescindível para aquecer a economia. Representa um fator, embora simbólico, para garantir o desenvolvimento sustentável, amanhã. Infelizmente, o desperdício na cultura brasileira é rotina, generalizada. Faz parte do cotidiano os gastos excessivos. Por isso, raramente se encontra alguém destinado a evitar os desequilíbrios. O costume é gastar à toa. Sem remorsos. Por isso, na maioria das vezes, as verbas públicas são escassas e muito mal-empregadas. Inadequadamente utilizadas. É como diz a lenda. “As injustiças se pagam”. Mas, caso não sejam cobradas, serão esquecidas, prevalecendo o poder de força, que na verdade é povo. Embora o cidadão nem desconfie que tem força no país.

O que deixa o Brasil liso de grana é a ganância da política. Embora a sociedade desconheça, mas nas eleições realizadas no período 2014 e 2018, as despesas de campanhas dispararam. Foram gastas exageradamente. Na campanha de 2014, os partidos usaram apenas R$ 189 milhões. Mas, como a fiscalização é cega, o financiamento político disparou. Em 2018, o financiamento do pleito saltou para R$ 2,82 bilhões no primeiro turno. Impressionante, as despesas subiram excessivamente. Os estudiosos eleitorais apontam que, em virtude de as prestações sobre cada pleito serem feitas por amostragem, sem a Justiça Eleitoral receber todas as informações necessárias para fazer uma análise precisa, é difícil saber o gasto real feito por cada um dos 28 mil candidatos. Então, para dar uma satisfação à sociedade, a fiscalização se restringe verificar somente os gastos dos candidatos eleitos. Deixando o caminho livre para os partidos políticos jogarem a culpa nos cabos eleitorais que raramente recebem dinheiro de campanha. Daí as candidaturas laranjas, os candidatos de fachada, os escândalos, a corrupção nos bastidores das campanhas.

Quando empossado no mandato, o parlamentar brasileiro recebe uma cota mensal para custear despesas. É a ajuda de custo chamada de Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). A cota é polpuda. Abrange alimentação, transporte, hospedagem, consultoria técnica, combustíveis e mais outros penduricalhos. Outra vantagem que favorece o parlamentar é que, embora o país enfrente braba crise econômica, “ele” não é penalizado. Gasta demais. Em 2016, os gastos dos parlamentares foram de R$ 221 milhões. Fazem festa com combustível e passagens aéreas. Lógico. O pior é que até os suplentes são beneficiados com mordomias. Na hora de pensar em privilégios, os parlamentares se esquecem das promessas ao eleitor. Abandonam o povo. Nem se comparam com a Alemanha, onde as regalias dos parlamentares são menores. Humildes, os deputados alemães só recebem o salário, ajuda geral e passes para o transporte público. Também pudera.

Para assessorar 594 deputados e senadores, o Congresso brasileiro emprega mais de 18 mil funcionários. Do total de servidores legislativos, 70% recebem comissão. Os gastos com despesas médicas e odontológicas, dos deputados e servidores, no semestre passado, somaram R$ 93 milhões. Achando pouco, o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) gastou com tratamento dentário, a bagatela de R$ 157 mil. Enquanto o luxo reina no Congresso, torna o Legislativo o mais caro do mundo, mulheres humildes dormem nas filas dos hospitais pensando garantir uma ficha de atendimento. Mas, às vezes sobram. Retornam pra casa, lamentando o precário sistema de atendimento na saúde pública. Pobre país, cheio de desigualdades.

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