A PALAVRA DO EDITOR

Embora seja aceito e vendido na Europa com tecnologia de última geração, o veículo elétrico ainda não está acessível no mercado brasileiro, embora existam opções de venda no país. O que invalida as vendas do veículo elétrico em território nacional é o alto preço de venda, puxado pelos caros impostos de importação. Então, em virtude desse impedimento, sobra para o brasileiro a obrigação de comprar carros que utilizam os tradicionais combustíveis vendidos nona praça que utilizam uma mistura de gasolina com álcool. São dois os tipos de combustível. O derivado de combustíveis fósseis e o bioetanol. Dos combustíveis fósseis surgem a gasolina, oriunda de recursos não renováveis, descoberta no início do século 20. O combustível de álcool é obtido pelo uso da cana-de-açúcar, mandioca, batata, milho e beterraba como matéria-prima para a fabricação do produto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha utilizou o álcool combustível, produzido a partir da batata. Os Estados Unidos, ao contrário, usam o milho para produzir o etanol. Apesar do elevado custo de produção, os “isteites” figuram como o maior produtor desse tipo de biocombustível. O Brasil, permanece como o segundo maior produtor mundial de álcool combustível, atrás dos Estados Unidos, utilizando como matéria prima a cana de açúcar, cujas usinas de moagem ficam concentradas no Nordeste e na região do Centro-Sul. Predominam no mercado automotivo, os veículos leves fabricados para trabalhar com o motor flex, onde o etanol entra na combustão do motor, desde 2003. Tanto que nos Estados Unidos, Brasil e Europa, com destaque para a Suécia, circulam milhares de carros flexíveis consumindo o etanol como combustível.

Combustível é a substância que, através do contato com o oxigênio, libera energia. A energia pode aparecer sob a forma de calor, chamas e gases. Dentre as substâncias mais comuns utilizadas como combustível estão o carvão, a madeira e a turfa. O carvão é reservado para as caldeiras. Já a madeira e a turfa destinam-se a aquecer os ambientes doméstico e industrial. No passado, as locomotivas queimavam madeira para gerar energia. Aliás, a combustão da madeira foi usada pela primeira vez há dois milhões de anos, posteriormente substituída pelo carvão vegetal. Acontece que, em virtude do desmatamento de florestas europeias verificado a partir do século 18, surgiram automaticamente a substituição sucessiva por outros tipos de combustíveis, como os de origem animal e mineral. Considerados fósseis, os combustíveis minerais, incluídos os gasosos, tipo gás natural ou GLP, indicados como combustíveis reservas para os momentos de escassez, são explorados na forma de gasolina, óleos diesel e querosene que passaram a ser consumidos pelos motores de combustão interna. Porém, diante do largo consumo, poucas reservas e elevado custo de produção, A ciência prevê que os combustíveis fósseis deverão ser extintos até o ano de 2025. Época em que os veículos elétricos, por serem baratos, vão predominar no mercado automotivo.

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Queira ou não, os países de primeiro mundo, consideradas potências, não se misturam com as economias emergentes, em processo de desenvolvimento. Por um simples motivo. Agem de modo bem diferente. Enquanto as nações desenvolvidas costumam valorizar os profissionais, os técnicos, os países atrasados não gostam de dispensar atenção a quem exerce uma profissão. Tem qualificação profissional. Na Alemanha, por exemplo, que não se guia pelas ideologias populistas, mas segue uma diretriz política/social vigorando há duzentos anos, o professor, como executa uma profissão pública, é considerado funcionário público, recebe atençao. Por isso tem valor. É reconhecido como profissional de primeira linha. Como adota um esquema de ensino gratuito desde a 1ª série até a universidade, as escolas alemãs são públicas. Embora existam escolas e universidades privadas destinadas exclusivamente às altas camadas sociais, as ricas, que podem pagar caras mensalidades. Nas universidades públicas da Alemanha, o estudante paga um preço simbólico mensal que lhe garante semestralmente transporte livre, seguro saúde, biblioteca, restaurante e equipamentos esportivos.

Dependendo do local de trabalho, evidentemente, o docente alemão goza de estabilidade profissional e financeira. É vacinado contra crises. O bom em ser professor na Alemanha é poder espichar o salário, desde que comprove ter mais de 15 anos dedicados ao ensino e apresente excelente experiência profissional. Lógico que existem as exceções. Dependendo da região onde o professor é lotado. Pra começo de conversa, para ser um educador ou educadora de creche, o professor germano é obrigado a comprovar formação técnica de no mínimo três anos de duração de curso. Mesmo ser tem graduação universitária. Já nas universidades, a estrutura salarial de um docente é diferente. Depende de acordo tarifário estadual.

No Brasil, ser professor é questionável. Apesar do país possuir 8 mil cursos de licenciatura na área educacional, a formação de professor peca por alguns deslizes. Nem todas as faculdades de formação de docentes tem qualidade. Outra falha diz respeito à atualização dos currículos, raramente solicitada, de modo a assegurar competência e habilidades no exercício da profissão. É desestimulante a procura pelos cursos de docência em virtude de o profissional do ensino ficar preso a currículos altamente burocratas. Sem dar chances ao professor se estender em aperfeiçoamentos, pesquisas, leituras ou troca e conhecimentos com colegas do mesmo nível ou superior. Faz uns 50 anos que a profissão de professor no Brasil é desvalorizada em dois aspectos. O nível salarial é baixo e, socialmente, o mestre não tem valor. Lamentável situação, porque, afinal de contas, o professor pertence à classe dos profissionais que formam a juventude para atuar na política, na economia e na sociedade com determinação e conhecimento de causa. Impressiona acompanhar o excesso de candidatos a vagas no curso de medicina. Enquanto sobram vagas nos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, geralmente desprezadas.

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Incomoda ver a política gastar bilhões nas campanhas eleitorais, na comilança em mordomias e benefícios e não sobrar um níquel sequer, nem a boa vontade dos candidatos e atuais parlamentares para suprir a carência nos hospitais públicos. Insatisfeitos com os descasos, e a obrigação de chegar de madrugada para tentar a sorte na fila, quando não dormem ao relento no chão, os pacientes reclamam, com razão, contra a dificuldade para marcar exames, obter consultas ou ser internado. No hospital Pelópidas Silveira, no Curado, Recife, uma paciente teve de aguardar sete meses para conseguir vaga. Enquanto isso, o ministro da Saúde, da época, comentou sobre o excesso de hospitais no Brasil. Segundo o ex-ministro, 1.500 hospitais seriam suficientes para cuidar da saúde pública no país. Sem atropelos. Mas, a falta de gestão atrapalha a estrutura hospitalar.

Até as unidades básicas de pronto atendimento servem de moeda de troca para a política explorar a seu bel prazer o descalabro na saúde. Sem lembrado nas horas de precisão. Quanto maior a fila, melhor é a chance de conseguir votos para a reeleição. Na visão dos gestores da Saúde brasileira, lamentável é observar um paciente ocupar um leito sem, no entanto, usar o tomógrafo, a ressonância magnética e o centro cirúrgico de um hospital público disponíveis, que sem uso, ficam parados. Enquanto dezenas de pacientes passam horas deitados em macas improvisadas nos corredores hospitalares, reclamando a falta de atendimento, equipamentos médicos ficam parados com defeito, esperando bom tempo pelo conserto. Situação perfeitamente desconhecida nos bastidores pelos administradores da saúde pública.

Tudo bem que o Sistema Único de Saúde, quando bem executado apresenta resultados. Justamente porque o SUS foi criado com esta finalidade. Resolver as dificuldades, reparar os erros, eliminar as deficiências na saúde oferecida ao povo. Não é mole deixar 75% da população brasileira dependente de um serviço de saúde deficiente e precário. Apesar do país investir mais de R$ 103 bilhões por ano. Sabe-se que apenas 25% da sociedade, por ter dinheiro, tem condições de pagar consultas e exames à vista nos consultórios e laboratórios médicos ou pagar caros planos de saúde, gozam de outro tipo de atendimento na saúde privada. Na saúde suplementar, cuja receita chega bem próxima, pelo menos os últimos dados revelam que na saúde privada os pacientes investem R$ 90,5 bilhões anuais. Relata o Conselho Federal de Medicina que o contingente médico brasileiro, depois da abertura de novas faculdades de medicina, a partida da década de 70, registra mais de 450 mil médicos em atuação no país para atender a população que se danou a envelhecer mais depressa. O problema é a concentração de médicos em centros evoluídos, desprezando o interior, sempre carente de tudo. Uma questão encabula. No preceito defendido pela Organização Mundial de Saúde, órgão integrante da ONU, que recomenda ser imprescindível a presença de um médico para cada mil habitantes da localidade. O Brasil, atualmente, dispõe de 2,11 médicos para cada mil habitantes. Então. alguma coisa tá errada. Tá, não?

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Todo governo que se preza, pensa no coletivo. Mas, quando tem segundas intenções, o executivo tenta enrolar para não perder o espaço na mídia. Doido por manchetes. No entanto, por mais que planeje trabalhar pelo país, em prol do social, o gestor tem de se agarrar ao orçamento. Quando dispõe de recursos suficientes, dá para investir no essencial. Infraestrutura, saúde e educação. Todavia, quando o caixa público anda meio liso, por incompetência administrativa, o executivo tem de escolher onde aplicar o dinheiro para não iludir o povo. Não enganar. Infelizmente, nos últimos governos, as despesas públicas cresceram demais, o desperdício agigantou-se por conta de exageradas gastanças, forçando o dinheiro público sumir, desaparecer. Por outro lado, a pesada carga tributária comprime a arrecadação, baixa o investimento, corrói a massa salarial e o consumo. Em consequência, o resultado não poderia ser diferente, senão travar a economia, produzir estagnação, paralisar obras, reduzir as políticas públicas. Avolumar as necessidades.

Como a desgraça não aparece repentinamente, da noite pro dia, o Brasil entrou em parafuso. Ver tudo bagunçado. Desordenado, fora do trilho. Faz tempo. Como não gosta de perder oportunidades, a oposição aproveita a ocasião para se mostrar. Sai da toca, manda brasa, senta a pua, critica tudo de errado, como se seus representantes fossem a salvação da lavoura. Ajudassem a solucionar problemas. Muito pelo contrário, a oposição faz é jogar gasolina na fogueira para assistir da arquibancada a desgraceira explodir de canto a canto do país. Depois jogar a culpa nos atuais gestores por incompetência. Acontece que o maior problema crônico brasileiro não começou agora. A corrupção política nasceu lá atrás e veio se aprimorando e se ramificando ao longo dos tempos. Modificando o sentido de decoro parlamentar, a imoralidade em vários campos, a ilegalidade e a usurpação de bens público pelos agentes públicos. Incentivando empresários, funcionários do governo e políticos a praticar ações ilícitas, ativa ou passiva, visando obter vantagens, ganhar propinas. Enriquecer fácil às custas da improbidade administrativa. Incrível como tem pessoas ricas à custa de corrupção política no país.

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