CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Como a compra de carros elétricos é um desafio para o futuro, ainda um pouco distante, o jeito é o brasileiro de classe média se contentar com os veículos disponíveis, que usam tecnologia um pouco ultrapassada em relação ao mundo.

Quem não puder pagar altos impostos de importação, por ora os veículos elétricos e híbridos, já comuns na Europa e países ricos, passa de um sonho restrito apenas a um reduzido grupo de endinheirados. Neste país de desocupados por falta de emprego.

Então, sobra para o brasileiro a obrigação de comprar carros que utilizam somente os tradicionais combustíveis, uma mistura de gasolina com álcool. São dois os tipos de combustível comuns no Brasil. O derivado de combustíveis fósseis e o bioetanol.

Dos combustíveis fósseis, surge a gasolina, oriunda de recursos não renováveis, descoberta no início do século 20. O combustível de álcool é obtido pela utilização da cana-de-açúcar, mandioca, batata, milho e beterraba como matéria-prima para a fabricação do produto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha utilizou o álcool combustível, produzido a partir da batata. Os Estados Unidos, ao contrário, usam o milho para produzir o etanol. Apesar do elevado custo de produção, os “isteites” figuram como o maior produtor desse tipo de biocombustível.

O Brasil, permanece como o segundo maior produtor mundial de álcool combustível, atrás dos Estados Unidos, utilizando como matéria prima a cana de açúcar, cujas usinas de moagem ficam concentradas no Nordeste e na região do Centro-Sul.

Predominam no mercado automotivo, os veículos leves fabricados para trabalhar com o motor flex, onde o etanol entra na combustão do motor, desde 2003. Tanto que nos Estados Unidos, Brasil e Europa, com destaque para a Suécia, circulam milhares de carros flexíveis consumindo o etanol como combustível.

Combustível é a substância que, através do contato com o oxigênio, libera energia. A energia pode aparecer sob a forma de calor, chamas e gases. Dentre as substâncias mais comuns utilizadas como combustível estão o carvão, a madeira e a turfa. O carvão é reservado para as caldeiras. Já a madeira e a turfa destinam-se a aquecer os ambientes doméstico e industrial.

No passado, as locomotivas queimavam madeira para gerar energia. Aliás, a combustão da madeira foi usada pela primeira vez há dois milhões de anos, posteriormente substituída pelo carvão vegetal no período de 6 mil anos a.C.

Acontece que em virtude do desmatamento de florestas europeias verificado a partir do século 18, surgiram automaticamente a substituição sucessiva por outros tipos de combustíveis, como os de origem vegetal, animal e minerais.

Considerados fósseis, os combustíveis minerais, incluídos os gasosos, tipo gás natural ou GLP, indicados como combustíveis reservas para os momentos de escassez, são explorados na forma de gasolina, óleos diesel e querosene.

Apesar da Petrobrás ser a produtora nacional de parte do combustível consumido no país, o preço final do produto comprado nos postos é composto pela soma de 4 fatores independentes.

Na composição do preço da gasolina, cuja pequena parcela cabe à Petrobrás, apesar de monopolizar o produto desde 2002, são incluídas as parcelas que cabem aos demais agentes do setor de comercialização. Importadores, distribuidores, revendedores e produtores de biocombustíveis.

Começa pelo preço cobrado pelas refinarias ou pelo importador do combustível. Depois vem a carga tributária, a parcela mais pesada no cálculo do preço de venda, que é composta pelo ICMS, atualmente em torno de 18%. Em seguida, é acrescentada a parcela do custo do etanol que, obrigatoriamente é adicionado à gasolina, e mais o valor de margem da distribuição e revenda. Por isso, é que a gasolina no Brasil é tão cara. No cálculo dessa parcela, a porcentagem de cobrança chega a 25%.

Comparada ao resto do mundo, a gasolina brasileira não é a mais cara. Está colocada na 77ª posição, encostado na China e Canadá. Portanto, o preço em vigor no Brasil está dentro da média mundial. A cidade-estado que vende o combustível mais caro no mundo é Hong Kong, ao contrário da Venezuela que mantém o preço mais barato.

Num ponto, o Brasil tem acertado. Há 20 anos, o petróleo consumido no país era quase que totalmente importado. Atualmente, com a produção em torno de 2 milhões de barris diários, o país dá-se ao luxo de produzir o suficiente para suprir o mercado interno. Na América Latina, a produção brasileira fica apenas atrás da Venezuela.

A importação de petróleo do Brasil é para atender critérios econômicos e técnicos. As jazidas de petróleo da camada do Pré-Sal, localizada na Bacia de Santos, presta aquela ajuda desde 2005. Junto às nove bacias petrolíferas, a camada do pré-sal coloca o Brasil em posição de destaque no ranking mundial.

10 pensou em “COMBUSTIVEL

  1. Boa explanação, Carlos. Bom Dia. Duas dúvidas ou questões me assolam há muito: porque este país complica tudo ? Dois tipos de álcoois combustíveis, o anidro, adicionado à gasolina, e o hidratado ? Para que ? Somente para adulteração de combustíveis e sonegação por parte de revendas e usinas. Outra: porque não tenho a liberdade de possuir um carro movido à óleo diesel, o qual tem durabilidade superior e um consumo infinitamente menos que que os movidos à gasolina ou etanol. Pobre país.

    • Caro Xará, boas perguntas. Com relação à diferença entre o álcool anidro e o hidratado a resposta é simples, Trata-se apenas da quantidade de água acrescentada à mistura. O anidro é mais puro, contém mais álcool, menos água. Vc acertou em cheio. Porém, .quanto ao direito de possuir um veículo a óleo diesel, a questão acho que meramente política. Concordo com vc, pobre país.

  2. Então, sobra para o brasileiro a obrigação de comprar carros que utilizam somente os tradicionais combustíveis, uma mistura de gasolina com álcool. Esquece o colunista um terceiro componente: qualquer substância que o criminoso dono do posto de combustível acrescenta para obter mais lucros e phodder com o motor do carro do cliente.

    Escreve o colunista: Acontece que em virtude do desmatamento de florestas europeias verificado a partir do século 18…
    Ora, ora, ora, os caras devastaram suas florestas para poluir o ar com madeira queimada para as locomotivas ? Interessante… Muito ecológicos e politicamente corretos, pois não?!

    E quanto ao carlos querer carros a diesel…
    A Europa apostou forte nos motores diesel nas últimas décadas. De 10% em 1995, passaram a representar 60% das a venda de carros em 2011. Mas o já cenário começou a mudar: a venda de carros a diesel caiu 7,9% (ou 600 mil unidades), quando a de carros a gasolina subiu 10,9% (760 mil carros) em 2017.

    Fabricantes também começam a desistir do óleo combustível. A Toyota anunciou em março, durante o Salão de Genebra, que vai iniciar a eliminação gradual da oferta de motores diesel em sua linha.

    A Alemanha já autorizou pelo menos 70 cidades a proibir a circulação de carros diesel mais poluentes. Roma, na Itália, tomou decisão parecida.

    Isso vai de encontro com países europeus que querem banir carros com motor a combustão (gasolina ou diesel). A França estabeleceu 2040 e a Alemanha quer fazer o mesmo em 2030. Mas ninguém supera a Noruega, que quer ter apenas carros elétricos à venda a partir de 2025.

    • Caríssimo Sancho vc é tampa. Sempre em cima do lance, falou verdades. Sou frequentador assíduo de seus pormenorizados e abalizados comentários. Aquele abraço, campeão. ..

  3. Sóbre consumo de energia pelo mundo, sendo que combustíveis fósseis ou não é apenas parte do problema, sou cético em relação ao futuro senão não pensarmos com mais abrangência. Eletricidade e boa, mas precisa ser produzida também. Seja por hidrelétricas que inundam terra, por termoelétrica, nuclear ou não ou fontes renováveis. E os carros vão consumir eletricidade e vão gerar resíduos químicos das baterias. Imaginem a frota mundial totalmente eletrica e imaginem a quantas baterias de celular isto equivalera .

  4. Os comentários foram lançados no panos verde da Besta. Agora, segundo Berto, o nosso querido Carlos Ivan, terá que escolher entre , ser contra, a favor ou, muito pelo o contrário ! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

      • O colunista foi colocado no meio do mato sem cachorro.
        E o mato está em chamas no Brasil, florão da América.
        É uma cilada, Bino!

        • Caro Jairo Juruna dá pena ver o matagal brasileiro arder em chamas e não se ver solução para acabar com essa criminalidade, colocando quem toca fogo no mato na merecida cadeia,.

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