J.R. GUZZO

Bolsonaro se defiende de las acusaciones de golpismo ante miles de seguidores en São Paulo

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante ato Avenida Paulista, em São Paulo

A grande maioria dos jornalistas brasileiros, mesmo os que não lidam com o noticiário político, arrumou um problema: obrigaram a si próprios, e por sua livre e espontânea vantagem, a dizer todos os dias para o público que o ex-presidente Jair Bolsonaro vai ser condenado e preso por “golpe de Estado”. Não havia a menor necessidade de se meterem nisso.

O Supremo Tribunal Federal, pelo que dizem e fazem os ministros-chefes, já decidiu condenar o ex-presidente, seja lá o que ele tenha feito ou deixado de fazer. A célula do PT em que se transformou a Polícia Federal, ao mesmo tempo, passou a operar como uma linha de montagem na produção das provas encomendadas pelos juízes do caso; tudo serve, tudo é “prova”. Mas isso é o projeto deles, e não dos jornalistas. Passou a ser um projeto de todos.

Jornalistas profissionais não têm projetos. Têm a função de mostrar os fatos para o público, tais como eles se apresentam, e de oferecer alternativas sobre o seu possível significado. Não foi isso o que aconteceu até agora. Em vez de dizer aos leitores e ouvintes que as alegações da polícia são o que realmente são – alegações da polícia – disseram que são “provas”.

Agora, para sustentar o que disseram ontem, e anteontem, e desde o primeiro dia, publicam como fatos consumados, líquidos e certos, qualquer coisa que a polícia conta para eles. Vai tudo, é claro, exatamente para onde a PF e o STF querem. Virou uma espécie de manchete única: “Investigações fornecem mais uma prova que Bolsonaro deu o golpe”. Que “prova”? Qualquer coisa. A última é um certificado de vacina que não foi tomada e não foi mostrada a ninguém. Vacina e golpe – tudo a ver, para a mídia.

Salvo uma ou outra exceção, não houve até agora a preocupação de publicar exatamente o que disseram as testemunhas de “acusação” ou os “delatores premiados” que a polícia ouviu. Em vez disso, publica-se: “Novo depoimento traz mais provas do golpe” e “enterra Bolsonaro de vez”. Não é exagero; é o que a imprensa diz todos os dias.

Não se entrevista advogados criminalistas experientes a respeito da validade ou da qualidade técnica de qualquer dessas “provas”. A Gazeta do Povo, a propósito, é possivelmente o único veículo diário que usa a expressão “suposto golpe” ao tratar do assunto no seu noticiário político – a única conduta profissional a tomar diante de um golpe cuja característica mais evidente é o fato de que nunca foi dado.

Os jornalistas poderiam ter tido o cuidado elementar de publicar o que o coronel Mauro Cid realmente disse em sua “delação premiada”, nem mais e nem menos – as suas palavras, tais como foram ditas, e não o que a polícia achou que ele disse. Esse depoimento foi o ponto de partida das acusações de golpe, e a maior parte da imprensa, já aí, tomou o seu lado. “Delação de Cid vai levar Bolsonaro à prisão”, disseram – e continuam dizendo até hoje.

Acham que agora não dá mais para passar essa história a limpo, e a única opção que veem é dobrar a aposta a cada notícia. Cada notícia é uma “prova” a mais; podem acabar dizendo, um dia desses, que a PF vê “mais um elo do golpe” no caso da baleia que o ex-presidente é acusado de assediar em São Paulo. É um momento ruim.

Um comentário em “COM RARAS EXCEÇÕES, JORNALISMO APOIA PROJETO DA PF PARA CONDENAR BOLSONARO

  1. Guzzo, até pouco antes de 2022 fez parte desta imprensa que crucificava Bolsonaro.

    Mas, diriam alguns “isentistas”, não podia criticar Bolsonaro?

    Podia, podia sim; o que não podia é ser hipócrita, ou seja, criticar em Bolsonaro o que jamais criticaram no Bandido, ou fazer equivalência entre os dois.

    Eu mesmo critiquei muito Bolsonaro aqui neste espaço. Exemplo? Quando ele quis nomear Eduardo para a Embaixador em Washington eu disse que foi um erro. Mas isso equivale ao mensalão ou petrolão do Barba? Jamais.

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