JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

Onze de dezembro é o dia do Engenheiro. A data dedicada ao profissional da Engenharia acontece num mês de festas, na época apropriada a comemorações. Período em que sentimentos de paz e fraternidade afloram de nossas almas e explodem com a alegria induzida pela proximidade da natividade.

Nessa data, engenheiros aproveitam para comemorar mais um ano de formatura e para se envolver com a grata satisfação de rever colegas que compartilharam os mesmos bancos de faculdade. Velhos e queridos amigos protagonistas de momentos inesquecíveis repletos de dificuldades e ansiedades, mas também de superações e divertimentos.

Faço parte da sexta turma de engenheiros civis da UFRN, diplomados em 1969. “Fera em 64, doutor em 69” foi o lema jocoso escolhido para designar àqueles concluintes. E que turma a de 1969! Vinte e três homens e uma mulher. Prevalecia ainda na Universidade o sistema de turmas sequenciadas. Os alunos aprovados no vestibular, se não fossem reprovados, seriam os mesmos a concluir o curso. Daí a razão de proliferarem turmas coesas, cúmplices e solidárias.

Daqueles que terminaram o curso comigo poucos deixaram Natal. Mesmo assim é difícil reunir os aqui residentes nas comemorações do nosso dia. Existem os fiéis participantes do encontro, que desmarcam qualquer compromisso para cumprir o ritual de confraternização; existem, também, os ingratos, que se comprometem a comparecer, mas quebram a palavra na última hora.

Nessas ocasiões nos transformamos em jovens para incorporar a época e a vida de universitários nos anos 60. Relatamos as histórias tantas vezes repetidas em encontros anteriores, como se as contássemos pela primeira vez. Histórias revestidas do mesmo humor e encantamento da época em que os fatos aconteceram.

E não poderia ser diferente. São as nossas histórias. As nossas recordações. É parte de nossa existência reconduzida ao momento presente, diante dos coadjuvantes dos fatos. Ri-se de tudo e ri-se de nada. Não importa. Desde que, naquelas horas, permaneça acesa a chama criadora do clima mágico da convivência passada.

Um dos quatro colegas que se anteciparam aos demais e encetou a última viagem, chamava-se Odemar Guilherme Caldas Júnior – os outros três foram Remarque, Paulo e Jovelino. Odemar tinha o dom de ironizar sem ferir ninguém, e esgrimia com gáudio o seu humor fino e inteligente. Triste de quem cometesse alguma gafe e essa lhe chegasse ao conhecimento; logo o fato estaria registrado numa charge.

Um desses momentos ficou gravado na minha memória. O assunto do papo era cinema, e Odemar pergunta a Valmir Freire – o Maxixe:

– Maxixe, qual a sua atriz favorita?

– Boris Day – responde Valmir referindo-se à estadunidense Doris Day.

– Por dedução, o ator de sua preferência de ver Doris Karloff – sapeca Odemar, sem piedade, aludindo ao britânico Boris Karloff, protagonista do filme Frankenstein. E nada mais foi dito ou perguntado.

Odemar viveu para a profissão e foi um engenheiro respeitado.

Lamentavelmente, neste ano de 2020, devido a pandemia da Covid-19, não comemoramos a nossa data. Fica para 2021 esse encontro, se assim a graça do Deus Supremo permitir.

À turma de 1969, minha saudação!

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