CIRO GOMES E FERNANDO HADDAD, A DUPLA DINÂMICA

Há momentos em que é preciso deixar que se vão os anéis.

Se eu dissesse isso na minha mesa de cervejeiros, eles protestariam imediatamente, porque são muito sacanas e vêem safadeza em tudo. Por eles, os anéis ficam, haja o que hajar.

Nem adiantaria completar dizendo que fiquem os dedos – aliás, pioraria ainda mais as ideias naquelas cabeças sujas.

Eu teria de começar logo pela conclusão: Lula será descartado nas eleições presidenciais de 22, de modo que será necessário, já, que ele indique candidatos a presidente e vice.

Como um dedo já se foi, fiquem os nove.

Por mais que evidente seja a facciosidade nos processos contra Lula e claríssima tenha ficado a quantidade de irregularidades neles praticadas, que deveriam levar à nulidade geral, teremos por um lado os juízes que pendem para o justiçamento, ainda que com as melhores das intenções; por outro, o medo nos tribunais de que suas decisões favoráveis a Lula repercutam como comprometimento político.

Lula fora diretamente da disputa, cumpre formar o quadro.

Pois bom, só há um cabra nas esquerdas, neste momento, que tem presença, carisma, força, vigor, arrojo e destempero comparáveis a Lula, e esse é o Ciro Gomes.

Ciro tem luz própria, ao passo que Haddad, por melhor que possa ser, depende em grande parte do nome de Lula.

Por isso, a dobradinha teria de ser Ciro Gomes encabeçando a chapa e Haddad como vice.

Com o crescimento de Lula, enquanto Bolsonaro despenca, a imagem de Lula entre Ciro e Haddad seria como Super-Homem abraçado a Batman e Robin, a representação do poder dos super-heróis.

Para chegar a isso, dependeríamos da retirada de alguns obstáculos: a renúncia de Lula à candidatura, a aceitação de Haddad de participar em posição menos importante e o amansamento de Ciro Gomes, que é mais bravo do que cachorro doido.

Se esse quadro vier a ser composto, bye bye, Brazil, o comunismo será implantado novamente no País, cairão as armas, as bandeiras e os barões assinalados, a religião vai para as cucuias e a família estará lascada.

Foge, gente! Corre tudo pra Miami!

27 pensou em “CIRO GOMES E FERNANDO HADDAD, A DUPLA DINÂMICA

  1. Ciro Gomes é uma vela ao sabor do vento. Num mundo mais realista diria que Ciro “vai com quem der mais”. Ele afirmou que Lula era preso político, que o ajudaria fugir, que se fosse eleito indultava, etc e quando viu a o eleitor estava se colocando anti Lula, mudou o discurso. Passou a dizer que Lula não era inocente, que conhecia bem Lula, que ele não era preso político e depois da eleição disse: PT nunca mais. Se oferecerem a cabeça da chapa, ele dirá que Lula foi vítima da trama ardilosa de Calabar.

  2. Nessa analogia, Gleisi seria a mulher gato ou a batgirl? ahahahah

    Na verdade, seria a cena inversa ao Cristo na cruz: O ladrão entre os dois super heróis.

    Goiano. Pode esquecer! É Bolsonaro 2022, seja quem for o vice. E essa tua corja imunda todinha na cadeia. Talkey???

  3. Goiano, quando você começou “só há um cabra nas esquerdas, neste momento, que tem presença, carisma, força, vigor, arrojo e destempero comparáveis a Lula, e esse é o…” eu jurava que leria a seguir o nome de Ricardo Coutinho.
    Combinaria muito mais.
    Quando li Ciro, eu broxei na hora!

    • Às vezes é preciso ser fisiológico, Jesus.
      Lembras que são considerados fisiológicos os que apoiam qualquer governo?
      É por aí.
      Política è um mar de porcaria.
      A gente paga para os caras meterem a mão nela.

  4. Esqueça Goiano,
    O cara do momento é Bolsonaro e a chapa Bolsonaro e Moro é invencível em 2022.
    A sua turma jogou fora a gramde oportunidade quando sacaneou o Ciro em 2018, lançou a candidatura fantasma de Lula ao invés de se unir com a esquerda, agora é tarde.

    • Beradero, isso lá é verdade.
      Na época manifestei-me, escrevi para o Lula, mas ele não me ouviu.
      Devo ter escrito sobre isso aqui no JBF, mas não me lembro.
      Só que, quanto ao futuro, o futuro nos dirá.
      Minhas bolas não são de cristal.

  5. Maurício, quando a União Soviética teve seu território invadido pela Alemanha nazista, ela se juntou aos aliados para lutar contra os alemães.
    Assim é a guerra.
    Ou,
    Guerra é guerra.

    • Tenho plena convicção de que os interesses particulares superam os coletivos. O que me preocupa é o discurso de bêbado. Lembra de Nezinho do jegue de O bem amado? Quando estava sóbrio gritava “viva Odorico” e quando estava bêbado “morra Odorico, filho do cão”. Bêbado é lasca!

  6. Maurício, quando a URSS se uniu aos aliados, não foi, absolutamente, por interesses particulares.
    Acho que não me fiz entender.
    Mas, tocaste num ponto delicado: Ciro Gomes também gosta de uma boa cachaça.
    Aliás, eu também aprecio uma pinga – dou preferência a uma excelente branquinha.
    Lula gosta. O pessoal da esquerda é ligado.
    Acho que Bolsonaro, Moro e Guedes, Sales e Damares são abstêmios e Ernesto Araújo entorna socialmente, por obrigação dos coquetéis oficiais.
    Há um provérbio escocês que diz: Nunca confie em um homem que não bebe.
    Hoje mesmo, para que confiem em mim, tomei uma dose modesta de Boi Parido, seguida de uma cerveja Itaipava.

      • Pô, Chatonildo, quem conta um conto aumenta um ponto, não é mesmo?
        No caso, por conveniência se criou a lenda em torno de Lula ter dito: “Eu duvido ter um brasileiro que diga que depois de 1974 me viu bêbado. Duvido. Sabe por quê? A última vez que bebi mesmo foi Brasil e Holanda, no Sindicato dos Metalúrgicos”.
        Há alguns elementos a serem considerados na fala de Lula por quem seja capaz de interpretar textos, algo que as pesquisas indicam não ser o forte de boa parte das pessoas.
        Lula disse isso quando quis expulsar o jornalista que escreveu que ele tinha um problema com o álcool.
        Ele disse duvidar de ter alguém que pudesse tê-lo visto bêbado depois de 1974.
        E informou que nesse ano foi a última vez que ele bebeu “mesmo”.
        Vou acentuar: “m-e-s-m-o”.
        E vou interpretar: Beber m-e-s-m-o quer dizer, “beber pra valer”.
        Como interessa aos adversários tachar Lula de mentiroso, os adversários criam uma mentirinha, tipo fake news, boato, falsidade bobinha, para desmoralizar.
        Quem repete dá seguimento, vira parceiro da mentira.

        • “Ele disse duvidar de ter alguém que pudesse tê-lo visto bêbado depois de 1974.” . Se você acha que só se está bêbado quando se está andando de quatro então você e ele têm razão. Porém, se você der uma procurada na internet pode ter certeza que vais encontrar o Lula bebaço nas festas juninas lá no planalto. Ele não bebe assim como não cumpre o que promete e também não conta mentiras à não ser quando lhe interessa! Mas, me explica porque sempre tens que explicar o que ele falou? Ele não consegue falar de modo que qualquer um entenda? Quem torce os fatos é mentiroso!

  7. Em tempo, Chatonildo: Um dos ídolos do ataquismo a Lula é, sabidamente, Augusto Nunes.Tomou isso como profissão de fé, mantem-se ativo com esse objetivo persecutório, a ponto de omitir, da fala de Lula, o elemento importante para atribuir-lhe, a Lula, a qualidade, ou defeito, de mentiroso.
    É um recurso desonesto.

  8. ***
    Irônico Goiano.
    É bom ler esta heresia “Lula renunciar de sua candidatura”, ainda que precedida pela afirmação de que ele antes “indique” um sucessor. Assegurando, desta forma, a pertença de um escudo de vassalagem ante as coléricas imprecações que virão dos fanáticos da seita PT a esta proposta muito sensata e que, se tivesse sido implementada no pleito passado, teria sobremaneira dificultado a vitória de Bolsonaro, pois carrearia os partidos mais ao centro e os que não queriam lidar com o baixo clero do qual o clã miliciano é egresso.
    Os donos do PIB cercaram-no (Bolsonaro) de Generais, providenciaram um primeiro-ministro informal (Maia), um judiciário atento, o Moro… mas está sendo osso tampar o sol com a peneira e evitar que se desvele a verdade a respeito da estatura moral do Presidente e seu entorno.
    Vejo o esforço heróico da equipe governante ser solapado pelas peculiaridades “velha-política” do 1° magistrado da nação.
    Peço a Deus que, apesar de alguns excessos, este presidente consiga fazer um bom governo e nos legue um estado menos perdulário e corrupto.
    ***
    Como Saniasin relevo os discursos laudatórios e os difamatórios, considerando-os desonestos. Uns por esconderem as excrecências do elogiado e outros por desmerecem as excelências dos difamados.
    Tais discursos revelam mais a respeito de quem os proferem do que sobre o objeto do seu palavrório vazio de significado, posto que, em nenhum dos dois casos, corresponde a verdade.
    Isto dito, quero me referir a Marilena Chauí, nibre filósoda que me conduziu ao significado da palavra dialética, através do livreto O Que é Dialetica.
    Nesta obra, ela mostrou que o conflito existente numa partida de futebol não altera a identidade dos oponentes. Flamengo continua Flamengo e Liverpol idem, e, portanto, não é dialética, pois os entes não se modificam enquanto seres coletivos futebolísticos que são.
    Numa relação dialética, no entanto, o conflito entre dois seres iguais os transforma em diferentes, posto que é a relação quem condiciona suas identidades.
    É a lógica impessoal da relação quem aliena os participantes de si mesmos, submetendo-os a sua teleologia a qual, no caso do capitalismo, é a obtenção de impossíveis lucros infinitos.
    Essa relação dialética, cujo símbolo máximo é a etiqueta de preço, lembrete sempre exposto do seu caráter segregacionista, leva a inevitáveis crises, fruto de suas contradições internas.
    E é também uma relação de extrema ineficiência, haja visto o desperdício dos fabulosos recursos gerados pela ciência moderna, dada a sua mania de direcionar-se pela lucratividade pontual e mediata de qualquer empreendimento humano. Subalterna que é ao mercado.
    Pois bem, o tal cabra “Ciro” propõe soluções heterodoxas na gestão das contas públicas sem nunca questionar a validade da mediação social pelo dinheiro, que é, ontologicamente, a responsável pela disfuncionalidade atual do mundo do trabalho, via desemprego estrutural.
    Ciro, embora não diga, acha que o dinheiro ainda tem um papel virtuoso na sociedade.
    E faz, portanto, parte da relação dialética capitalista que é fundamentalmente segragacionsta e ineficiente.
    Todos farinha do mesmo saco.
    ***

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