A PALAVRA DO EDITOR

Já virou clichê nessa pandemia o bordão “ciência, ciência, ciência”, que o ex-ministro Mandetta popularizou. A esquerda tenta a todo custo monopolizar a fala em nome da ciência, mas falta apresentar as tais provas científicas, ou aceitar como a ciência de fato funciona. Não é repetindo que o adversário é um “negacionista”, vale notar. Isso é papo de ideólogo, do tipo que acredita no aquecimento global que estaria na iminência de derreter o planeta – o que já deveria ter ocorrido há anos, segundo os alarmistas.

O historiador Victor Davis Hanson publicou um excelente artigo sobre o assunto, expondo as fraudes da “ciência”, como o governador democrata de Nova York, Andrew Cuomo, e o Dr. Fauci, uma espécie de Mandetta americano. Diz ele logo na abertura:

“Na verdade, esquerdistas se tornaram os defensores da superstição. Sua criação de um mundo de fantasia não é pq eles não acreditam na ciência per se, mas pq eles acreditam mais na primazia da ideologia que deve moldar e distorcer a ciência da maneira adequada para o bem maior.”

Sobre o todo-poderoso médico por trás do CDC, diz o autor: “Ou seja, Fauci rejeitou a ciência, como a conhecia, para enganar o público. Para nossos próprios interesses, ele adotou a ‘nobre mentira’ platônica na ocasião. Então, por exemplo, ele admitiu que havia minimizado o valor das máscaras (ele agora parece aprovar o uso de uma em cima da outra) para evitar que muitos as usem e, assim, o público reduza o suprimento disponível para os funcionários mais importantes das áreas de saúde”.

Já sobre o governador de NY, Hanson resumiu: “Em sua adesão à ciência, Cuomo recebeu um Emmy por suas entrevistas coletivas narcisistas e sua habilidade em transferir a culpa. O fato de ele ter sido rebaixado não por sua politicagem letal, mas por alegações em série de ser rude e abusado com funcionárias do sexo feminino sugere que suas abordagens não científicas da pandemia pouco preocupavam seus apoiadores ‘científicos'”.

A mesma esquerda que ignora todo um campo da ciência, a biologia, para afirmar a ideologia de gênero, quer agora bancar a porta-voz exclusiva da ciência. E a mídia, com seu escancarado viés esquerdista, embarca na mesma cruzada ideológica, sob o manto da ciência. Vejam essas chamadas em destaque no Estadão de hoje, e observem o grau abjeto de politização das reportagens:

Enquanto isso, no Globo, vemos um esforço para explicar o que parece pouco lógico segundo as narrativas dos próprios “isolacionistas”:

Mas nada disso importa, pois agora todos são “especialistas” – ao menos aqueles que fazem coro com os “isolacionistas”. É o caso de Gilmar Mendes.

Não, não se trata de um especialista, de um epidemiologista, sequer de um médico ou enfermeiro, mas de um ministro do STF! Vai ver é por isso fica soltando tanto bandido e arquivando tanto processo: o foco está em outro lugar.

O mantra tem que ser espalhar o pânico e pregar a “solução única”. Eis como a Folha dá o destaque sobre a situação americana. O CDC também faz alertas e a diretora pede mais restrições, apesar de 100 milhões de vacinados!

Mas vejam agora o gráfico de óbitos, na média diária, no Texas, que abriu tudo e retirou todas as restrições, inclusive o uso de máscara:

Entrevistei o prefeito de Sorocaba no Jornal da Manhã hoje cedo e ele acabou se esquivando de responder a pergunta que fiz sobre se as barreiras sanitárias impostas por ele tinham algum respaldo científico. Minha colega reforçou a pergunta, mas ele novamente saiu pela tangente. Ciência?

No fundo, a politização nessa pandemia tem sido seu maior problema desde o começo. Isso simplesmente interditou o debate sério, maduro, focado em custos e benefícios, em medidas que levem em conta todas as dimensões da crise. O intuito é demonizar aqueles que ousam discordar das medidas drásticas e arbitrárias pregadas pelos “isolacionistas”.

E vale notar que, no caso brasileiro, a pandemia é apenas mais um foco de ataque, ainda que o principal. Mas existem muitos outros, como podemos ver nesse tipo de narrativa que seduz a elite “progressista”:

Já a realidade costuma ser bem diferente, como apontou Leandro Ruschel:

Aqueles que querem salvar nossas vidas, a democracia, o planeta, parecem ser os mais dispostos a ignorar qualquer limite ético e constitucional nesse processo. Tudo em nome da ciência, claro. Nem pense em acusá-los de defender uma ideologia centralizadora, estatizante, arrogante e coletivista, pois será logo rotulado de “negacionista”, quiçá “genocida”.

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