ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Pindorama, na semana passada estava agitada. Acho que foi essa onda de calor que andou mordiscando o cangote, o toitiço (este preciosismo é para minha querida Violante Pimentel) dos arariboias de plantão, bem como para toda a indiaiada que se assenta ao redor da fogueira irracional que não permitimos que se apague, nem quando o sol traz uma sensação de 59 graus Celsius em nosso quengo.

A mais nova invenção construída pelos “Donos do Poder”, relembrando um grande homem chamado Raymundo Faoro, atende pelo nome de CIEDDE, ou Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia. Nome garboso, de uma elegância que mais parece firma de doutor médico, nas palavras do Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, que, para ser escrito por extenso, pegaria quase toda a fachada do Tribunal Superior Eleitoral. Mas o curiboca deve estar pensando, afinal, que catzo significa isso? Nas palavras de seu mentor, o ministro supremo Alexandre Magno da Macedônia, digo, de Moraes, seria o órgão do Estado que combateria as feiquinius contra os órgãos estatais e monitoraria o processo eleitoral de 2024 para que essas feiquinius não se espalhassem e prejudicassem a vontade das urnas eletrônicas.

Quando vi esse nome exclamei de mim para mim mesmo…. xiiii…. vai dar caca. E explico. Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia. É um nome bonito, mas quem pensou nisso se esqueceu da preguiça caeté, da moleza tupinambá, do jeitinho Ñhambiquara.

Mas nunca o curiboca nacional vai gastar energia seja para pronunciar CIEDDE, ou o seu nome no geral. A princípio pensei que fosse maluquice. Quem sabe o sol quente havia mexido com os miolos do povo lá de Brasilha, mas não. A estrovenga existe mesmo. Sou caeté, mas também sou patriota. E, como patriota não posso fugir às minhas responsabilidades de ajudar nossos caciques a darem um pouco mais de estrutura à Pindorama. Tanto que sugeri trocar de nome. CIEDDE é complicado demais, longo demais e esquisito de mais. Um nome mais fácil de ser identificado, de ser lido e de ser compreendido traria mais impacto e mais compreensão de que vivemos em um regime democrático, que vivemos em um regime de amplas liberdades e precisamos demonstrar isso para todos aqueles que querem empastelar nossa democracia.

Então sugeri, mas até hoje não recebi resposta. Em vez de CIEDDE – até pronunciar essas siglas dá preguiça na língua -, propus GESTAPO. Vejam, é simples, direto, flui quase como um rio sereno pela boca, possui uma tranquilidade e uma sonoridade de um órgão de ar. GESTAPO é muito mais sonoro, muito mais direto, e além do mais permite aos tupinambás compreenderem, logo de cara, a preocupação de nossos governantes com a seriedade de informações, as verdades ditas pelos governantes, a intenção de proteção da nossa democracia, e a intolerância contra as mentiras, contra os ataques e conspirações que ousam manchar nossas liberdades.

GESTAPO…. GESTAPO. Vejam como esse /g/ – pronuncia-se /gue/ velar sai pela lateral da boca, friccionando-se pelas bochechas, e toma todo o espaço oral em uma figuração omnipresente, total, pleno. Além de transmitir seriedade, compromisso com a verdade, compromisso com a nobreza de ações e de atitudes daqueles que lutam pela tranquilidade do país e pela lisura dos processos que envolvem a relação dos caciques e pajés com o resto da bugrada.

GESTAPO, em vez de CIEDDE traz outra vantagem. Sabe-se que o curiboca nacional possui uma “paúra” natural que o impede de gravar na mente um nome tão grande. Imaginem a seguinte situação. Você encontra um amigo na rua e ele te diz: fui chamado ao Centro Integrado de Combate à Desinformação e Defesa da Democracia. Até ele terminar de articular esse nomão, o seu interlocutor já terá ido embora. Agora vejam bem, como seria bem mais fácil e direto: Fui chamado à GESTAPO. Pronto. Com quatro palavras ele diz tudo o que precisa ser dito, o seu interlocutor compreende o que ele quer dizer e todos ficam felizes.

Eu penso que, quando nossos arariboias e pajés de plantão, na ânsia de salvar nossa democracia, deveam refletir com mais cuidado na escolha do nome. Para quê ficar inventando um nome quilométrico para uma repartição, lotada de servidores que devotarão quase que de maneira sacrificial seus serviços em prol do bem de Pindorama? GESTAPO é mais direto, mais simples e com apenas sete letras já dá, de cara, seu nome, sua atuação e a natureza de seu serviço. Muito mais simples, muito mais assertivo e mais claro.

Assim meus caros patrícios de outras tribos pindoramense, e demais botocudos desta nação. Fica aqui a minha sugestão e meu protesto contra essa burocratização de nomes e agências criadas para a proteção da democracia tupinambá. CIEDDE não presta para nada. GESTAPO, além de ser mais direto, mais preciso e mais ao gosto de nossa democracia, é um serviço mais do que útil, principalmente para aqueles que não concordam com a nossa democracia e vevem sonhando em dar golpes com Bíblia nas mãos e bandeiras do país.

6 pensou em “CIEDDE

  1. Hoje fiquei decepcionado com o Dr. Roque Nunes.
    GESTAPO? Um nome que chega arrepia advindo logo das “alimanias”.
    Não, Dr. Roque Nunes, não tinham é que abrasileirar o nome e colocar logo DOI-CODI, não? Tudo bem, vamos dar uma aliviada: que tal NEW DOI-CODI?
    Parabéns e obrigado pelo texto.

    • Talvez, meu caro Nonato…. mas GESTAPO fica bem mais direto DOI-CODI, ou NEW DOI=CODI, ainda é muito longo e não passa toda a informação sobre patriotismo e democracia. GESTAPO, numa única palavra passa essa mensagem.

  2. Bom demais, Roque Nunes! Texto excelente!
    Obrigada pela referência à minha pessoa, ao falar em “cangote e toitiço”
    dos arariboias de plantão, e de toda indiaiada, mordiscada pela forte onda de calor que assolou Pindorama na semana passada.
    Fiquei imaginando o belo cenário do assentamento de todos ao redor da fogueira irracional, que vocês não permitem que se apague, nem quando o sol traz uma sensação de 59 graus Celsius no quengo de vocês.

    Bom final de semana!

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