GUILHERME FIUZA

Um rebanho humano é feito de autômatos. Eles têm a faculdade do pensamento, mas são capazes de desativá-la para seguir sem desvios os passos da manada. Rebanho ou manada, você escolhe. Nesse direito ninguém toca.

A característica mais impressionante de um rebanho humano não é a descrita acima. A adesão individual férrea e olimpicamente burra às passadas dos que estão em volta não é nada comparada a outro fator decisivo de aglomeração mental: a vigilância implacável do passo do outro.

Podemos até dizer que uma das principais motivações para a desativação do pensamento e adesão mecânica ao bando é a conquista do poder de patrulhar o próximo. Você nem gosta tanto de ser um autômato na manada. O que você curte mesmo é tomar o seu carimbo para poder olhar em volta e sair caçando quem não está marcado, ou não está no mesmo passo. Dedurar é a sua glória.

E foi assim que populações inteiras aderiram ao experimento mais sórdido da história da humanidade em tempos de paz. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes baixou um decreto totalitário obrigando os cidadãos a comprovarem estar vacinados contra a covid para entrar em espaços públicos como clubes, academias, museus, cinemas, estádios e outros. A brincadeira dos tiranetes é convidar todas as cobaias a esquecer que são vacinas experimentais. E elas esquecem de bom grado. Bom gado.

É claro que todo contrabando ético de primeiro mundo já surge devidamente “legalizado” – ou esquentado pelas autoridades competentes e complacentes. Por que não aprovar para uso emergencial vacinas sem estudos suficientes para os grupos mais vulneráveis a essa emergência? Problema nenhum. O rebanho está devidamente amaciado pela propaganda das fake news de grife, que os autômatos ainda chamam respeitosamente de imprensa.

Depois, é só descolar um registro definitivo para essas substâncias que continuam sendo experimentais, porque não tiveram todas as suas fases de desenvolvimento concluídas – mas quem está ligando para esses detalhes? Se colar, colou. E tudo cola, porque rebanho amaciado é rebanho compreensivo.

Tão compreensivo que aceita como ética de proteção coletiva uma vacinação que não impede a infecção, nem mesmo a transmissão do vírus. E se a vacina não impede o contágio, a obrigatoriedade dela para entrar nos ambientes supracitados protege quem de quê?

Protege o rebanho de virar gente. Para virar gente, ele teria que pensar. E se ele pensasse, descobriria em alguns segundos que essas vacinas foram feitas em poucos meses, e isso não tem paralelo na história das boas vacinas, todas desenvolvidas ao longo de anos. Aí o rebanho descobriria que corre uma série de riscos ainda não inteiramente dimensionados – e constataria que para a imensa maioria da população mundial os riscos de morte por covid não são suficientemente altos para justificar uma loteria no perigoso universo das tromboses, enfermidades cardiovasculares, neuropatias e doenças autoimunes. Todos esses males já foram detectados em pós-vacinados.

Qual a sua chance de ter um desses efeitos adversos depois de se vacinar? Qual o seu risco de morte após a vacina? Você não sabe. Ninguém sabe. Os registros espontâneos de problemas vacinais são historicamente uma fração do universo total. E essas vacinas estão sendo feitas na pele da população. O rebanho aceitou uma vacinação em massa experimental para ver o que acontece. É preciso reconhecer que a decisão de não pensar remove montanhas de dúvidas.

A mãe de Bruno Graf, morto aos 28 anos depois de se vacinar contra a covid, é uma pessoa indesejável para vacineiros como Eduardo Paes. Ela está contando corajosamente que seu filho era plenamente saudável, um jovem advogado de casamento marcado fulminado por um AVC hemorrágico – e está encorajando outras mães a contarem seus sofrimentos e suas perdas decorrentes desse experimento insano. É o tipo de conduta que ameaça azedar a doce propaganda fantasiada de ciência sobre vacinas eficazes e seguras.

Arlene Ferrari Graf perdeu seu filho dessa forma estúpida, mas Teresa de Andrade Castro Neves não tem nada a dizer sobre isso. Ela é desembargadora no Rio de Janeiro e rechaçou uma ação contra o decreto do prefeito vacineiro. A doutora não perdeu tempo com riscos conhecidos e ainda não conhecidos das vacinas de covid. Argumentou basicamente que “exigir a vacinação como forma de autorizar a entrada e permanência em estabelecimentos sem sombra de dúvidas se revela eficaz para o controle da propagação do vírus”.

Sem sombra de dúvidas, Teresa de Andrade Castro Neves tem uma certeza que ninguém no mundo tem. Sem sombra de dúvidas, os que estão tomando decisões inconsequentes para a saúde pública terão de responder por isso.

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