MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

Em março de 2005, recebi a missão de instalar a primeira Vara da Justiça Federal do Cariri cearense, em Juazeiro do Norte. Iniciava-se então um período de muito trabalho, no qual me envolvi em tarefas com as quais não estava habituado.

Quando cheguei a Juazeiro, a casa onde a Justiça Federal seria instalada já estava alugada e reformada, mas ainda havia trabalhos a serem concluídos, especialmente com instalações elétricas e lógicas. Além do recebimento e organização de processos que chegavam de outras unidades da Justiça Federal e Estadual.

Mesmo ocupado com os novos desafios, não deixei de perceber a beleza da região, nem de me sensibilizar com a acolhida do povo. Vi também que Padre Cícero não era presente apenas na estátua do Horto, mas em nomes de logradouros e espaços públicos e privados, e mais ainda na religiosidade das pessoas.

Foi naquela época que escrevi o cordel “A advogado, o diabo e a bengala encantada” e “Justiça Federal: origem, interiorização e chegada ao Cariri”. Neste, digo, a certa altura:

Por isso, naquele dia
Todo mundo concordava
Que o acontecimento
Que aqui se realizava
Era mesmo algo novo,
E na memória do povo
Ficaria registrado,
Não só para o Juazeiro,
Mas pro Cariri inteiro,
E o centro-sul do Estado.

Pois a Vara Federal,
Instalada em Juazeiro,
Cidade de muita fé,
Que acolhe tanto romeiro,
Tem sua jurisdição
Começando no sertão
E subindo pelas serras,
Até chegar a um lugar
De onde dá pra olhar
Pernambuco e suas terras.

Começando seu alcance
Nas terras do centro-sul,
A partir de Acopiara,
Passando por Iguatu,
Se estende até Mauriti,
De Brejo Santo a Jati,
Alargando suas fronteiras
Baixio, Ipaumirim,
Farias Brito e Jardim,
Campos Sales e Porteiras.

Assim também Arneiroz,
Missão Velha e Altaneira,
Aurora, Barro, Granjeiro
E Lavras da Mangabeira,
São municípios que estão
Sob a jurisdição
Da décima sexta vara.
Mas não acaba aí,
Pois também tem Potengi,
Várzea Alegre e Abaiara.

Tem Cedro, tem Catarina,
Tem Salitre e Umari.
Tem a terra do pontal,
Santana do Cariri.
Na região tem ainda
A famosa Nova Olinda,
Onde o grande cangaceiro
Encomendava um calçado
Pra fazer rastro quadrado
Seguindo pra Saboeiro.

Tem Jucás, tem Aiuaba
E Antonina do Norte.
Tem o meu querido Crato,
Araripe e Penaforte.
Se a memória não me falha,
Vizinho aqui, na Barbalha,
De verdes canaviais,
Muitos casos tem havido
Onde se tem discutido
Interesses federais.

A cidade de Milagres,
Que até no nome tem fé,
Já me permite falar
Da pequenina Assaré.
Que já nos deu Patativa
E a natureza viva,
Que ao poeta fornecia
A fonte onde ele buscava
As rimas que precisava
Pra fazer sua poesia.

Continuando a falar
Das cidades atendidas,
Tarrafas e Quixelô
Também foram incluídas.
Rimando tudo com arte,
Cariús também faz parte
Dessa nossa relação.
Caririaçu, tão fria,
Entra nesta poesia
Fechando a jurisdição.

Quarenta e dois municípios.
Mais de um milhão de habitantes.
Esses números já mostram
O quanto foi importante
Que a Justiça Federal
Tenha vindo, afinal,
Se instalar por aqui.
Já tava mesmo na hora
De trazer essa melhora
Pro povo do Cariri.

A inauguração da Vara, que se tornou a 16ª Vara Federal do Ceará aconteceu no dia 22 de março de 2005. Exatos 19 anos depois, outra ocasião muito especial em Juazeiro do Norte está prevista para acontecer em alguns dias: uma sessão solene da Câmara Municipal para entrega do meu Título de Cidadão Juazeirense.

Ao meu lado, pelo mesmo motivo, estará o Desembargador Federal Leonardo Coutinho, um grande amigo, cujos serviços prestados à cidade foram também reconhecidos.

Um orgulho ser cidadão da Terra de Meu Padim. Um momento de grande alegria para nós.

Alegria que aumentará mais ainda se na ocasião puder encontrar algum leitor do JBF residente em Juazeiro do Norte.

TRF-5, Juazeiro do Norte

Um comentário em “CIDADANIA NA TERRA DO MEU PADIM

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