A PALAVRA DO EDITOR

Um país que pensa no amanhã, está preparado para formar o cidadão. Amparar o indivíduo. Cobrar deveres, conceder direitos, segundo a Constituição. Permitir liberdade ao nativo para ocupar seus espaços na sociedade, segundo os preceitos sociais. Exigir comportamento legail, obedecendo os parâmetros da legislação em vigor. Embora, perante a lei, todos sejam iguais.

Todavia, as absurdas extensões das desigualdades, desmorona qualquer esquema de igualdade. Esquece o que é certo e o correto para abusar do incerto e do injusto. A falta de condições sociais e estruturais no Brasil é um caso sério. Favorece uma minoria com benesses, mas é ruim demais para a maioria da população. Obrigada a gozar de limitações. Sem direito a reclamação.

A porta de entrada para trabalhar pela inclusão é a da escola. Saber como receber o aluno em igualdade de condições, oferecer prédios adequados à garotada, ávida por conhecimentos, passar material didático atualizado, manter a equipe de docentes à altura. A política escolar deve ser a menos autoritária possível, no entanto manter-se super enquadrada de acordo com os princípios pedagógicos.

Afinal, ser cidadão é fazer parte de uma sociedade. Integrar a coletividade. Ser parte ativa de comunidades. Gozar do direito à vida, a liberdade, propriedade e igualdade.

O cidadão é o perfeito guardião de mudanças ideológicas com a finalidade de garantir melhores condições de vida às futuras gerações. Transformações estabelecidas pelos direitos civis, políticos, sociais e humanos. É ter o direito de partilhar do conjunto de pensamentos e atitudes vivenciados pela família, amigos, vizinhos e conhecidos.

O primeiro sentido de cidadania surgiu com o voto feminino. Até então, a mulher não tinha permissão de votar. Apenas acompanhava o movimento político à distância. Silenciosa. Sem dar pitacos.

No trabalho, o empregado vive sob pressão. Intimidado por normas trabalhistas e psicológicas para cumprir metas. Senão, rua. Durante a escravidão, o país passou 300 anos de vexames. Apesar da Lei Áurea, oficialmente, ter extinto a escravidão, contudo, disfarçadamente, a servidão ainda acontece no Brasil. Usando nova roupagem.

Agora denominada de escravidão moderna. Fruto das desigualdades de conhecimentos e de renda, cujos reflexos rolam nos serviços de educação, saúde. À elite é reservada boa assistência médica e escolar. À pobreza, filas e dificuldades. São constantes as ameaças de punição, demissão e autoritarismo.

Nas ruas, é fácil encontrar vítimas da escravidão moderna. As drogas atuam abertamente na conquista de garotos para se viciarem, se tornarem subservientes. Dependentes. A exploração sexual aprisiona milhares de meninas. A pobreza e as necessidade jogam muitos jovens nas ruas para atuarem como pedintes ou assaltantes.

Observe se um preso pobre abre a boca para reclamar, exigir mordomias, cobrar direitos dentro e fora da cadeia. Impetrar recursos judiciais sem limite, cobrar respostas imediatas. Em cima da bucha. Como tem condições de pagar bons advogados, essa gente aprisionada é bem-sucedida nas empreitadas.

Enquanto para a maioria das pessoas, literalmente lascadas, a Justiça brasileira é lenta e injusta. Demora uns vinte anos para sentenciar uma ação. Só acolhendo recursos e mais recursos com fins protelatórios. Sem dar a mínima satisfação à sociedade. Muitos menos às partes interessadas. Geralmente os autores da ação que embora tenham ganho de causa em todas as instâncias, ficam na dependência da decisão do juiz. Normalmente moco, cego e escravo do Código penal e civil totalmente ultrapassado.

Por conta da negligência de parlamentares que não alteram as leis obsoletas, de togados que não estão nem aí para as consequências sociais.

Por isso, o Brasil é o rei da exclusão social. O maior causador de desigualdades. O berço esplêndido do desemprego, da pobreza, miséria, mortalidade exagerada, da violência crescente e insuportável, sobretudo, vítima da marginalização infiltrada na sociedade. Pintando e bordando miséria.

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