CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A GENTE VAI EMBORA

Por considerar interessante para esses dias turvos que estamos atravessando no Brasil, hoje, onde, do Oiapoque ao Chuí, só se veem candidatos espertalhões e políticos ladrões se arvorando às eleições.

Uns no poder e outros dispostos a rifar até o rabo para chegar lá e roubarem também, nada melhor do que ouvir o som dessa belíssima poesia filosófica do poeta Sergio Cursino.

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A GENTE VAI EMBORA

E fica tudo aí: os planos, a longo prazo, e as tarefas de casa, as dívidas com o banco, as parcelas do carro novo que a gente comprou para ter status.

A GENTE VAI EMBORA.

Sem sequer guardar as comidas na geladeira, tudo apodrece, a roupa fica no varal.

A GENTE VAI EMBORA.

Se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos. A vida continua, as pessoas superam a perda e seguem suas rotinas normalmente.

A GENTE VAI EMBORA.

As brigas, as grosserias, a impaciência, a infidelidade, serviram para nos afastar de quem nos trazia felicidade e amor.

A GENTE VAI EMBORA.

E o mundo continua caótico, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença.

Na verdade, não faz.

Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita.

A GENTE VAI EMBORA, pois é.

É bem assim: Piscou, a vida se vai.

O cachorro é doado e se apega aos novos donos.

Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas e vão ao cinema.

Quando menos se espera,

A GENTE VAI EMBORA.

Aliás, quem espera morrer?

Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor.

Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço.

Talvez a gente esperasse menos dos outros.

O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO QUE LHE RESTA?!

Que possamos ser cada dia melhor e que saibamos reconhecer o que realmente importa nessa passagem pela Terra!!!

Até porque,

A GENTE VAI EMBORA.

4 pensou em “CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

  1. É bem assim: Piscou, a vida se vai…
    Ontem éramos jovens, gostosões, cobiçados, de ereção fácil e quase de aço… Hoje somos os “tiozinhos”, os “vovozinhos”… Hoje Sancho só bota na “banguela”…
    Hoje, como cantam os Paralamas:… As meninas do Leblon já não olha mais pra mim

  2. Muito obrigado amigo Cícero.

    Belíssimo texto do poeta Sergio Cursino, pleno de filosofia e muita
    sabedoria, mostrando que nós quando partimos, nos desligamos de toda ilusória
    materialidade e que na verdade não somos donos de nada, apenas terminamos
    a nossa tarefa cármica pré determinada e voltamos para a vida verdadeira,
    real . E graças a bondade divina, um dia voltarmos à outra escola de aprendizagem, aqui na terra, ou nas infinitas paragens criadas por Deus neste
    universo sem fim e pleno de ilusão material.

    Destaco duas linhas : SAIBAMOS RECONHECER O QUE REALMENTE IMPORTA
    NESSA PASSAGEM PELA TERRA
    .
    : O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O TEMPO QUE LHE
    RESTA. ?
    Abraço cordial.

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