ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

O povo chileno aprovou em plebiscito, por uma avassaladora maioria de 78% a favor, a revogação da constituição legada por Pinochet e que vem vigendo desde 1980, ano da sua aprovação em referendo popular, e a elaboração de uma nova constituição que incorpore mais “Direitos Sociais”.

Esqueceram todas as misérias pelas quais passaram e não aprenderam nada com as amargas experiências do (des) governo Allende! Assim, como os argentinos, veem-se condenados à “Maldição do Eterno Retorno”, de Nietzsche.

Um dos grandes argumentos brandidos contra a atual constituição se baseia na falácia “ad hominem”, ou seja: Seus pecados se devem mais ao fato de ter sido preparada e aprovada na era Pinochet, que às suas qualidades ou defeitos intrínsecos. Porém não é só isso! Apesar do grande desenvolvimento econômico verificado pelo país ao longo do período considerado, muito à frente de seus similares da América Latina, verificou-se a ocorrência de uma brutal concentração de renda que exacerbou sobremaneira a insatisfação popular.

Suportar uma vida modesta e sacrificada, quando todos os seus vizinhos compartilham a mesma situação, torna-se relativamente fácil. Quando, porém, a par com a miséria, deve-se suportar manifestações explícitas de opulência por parte de quem compartilha aquela mesma situação contigo, torna-se realmente terrível.

Com as reformas econômicas realizadas pelos economistas monetaristas de Pinochet, o Chile saltou à frente de todos os seus vizinhos da América Latina, não só em termos econômicos, como também em indicadores sociais. O fato é que essa riqueza não foi devidamente compartilhada por todos. Números mais atualizados já colocam o Chile à frente do Brasil neste campeonato pela odiosa situação de um 2º lugar mundial de pior concentração de renda.

Diversos analistas políticos concordam que, ao limitar a presença do estado somente às funções de Manutenção da Ordem Pública, Segurança, Defesa e Garantia da Justiça, a antiga constituição deixou carentes de maior representação inúmeras funções sociais do estado, tais como Educação, Saúde e Previdência Social.

Na minha maneira de entender, foi justamente esta questão, o fato do estado chileno ter sido limitado às suas funções essenciais, que propiciou o brilhante desempenho econômico daquela nação. Só que parecem ter exagerado na dose! Ou mesmo terem perdido a noção de que o “bolo” deveria ter sido dividido quando crescesse. Só que isto não ocorreu!

A casta dos privilegiados agarrou-se ao bolo e correu com ele. Está aí o caos social como consequência. Serve de excelente lição para que as castas privilegiadas brasileiras ponham as respectivas barbas de molho.

O problema maior, disso tudo, parece ser a constante tendência humana para oscilar entre polos mutuamente excludentes e que se odeiam reciprocamente: Ou o estado abandona à própria sorte todos os desvalidos da sociedade, ou então, segundo a visão de alguns, deve sustentar lhes, qual bezerrões chorões, por toda a vida. Pior ainda é que essa tendência a pular de um polo ao outro, como ocorreu com a Venezuela, parece ser sempre o ato final de uma tragédia humana sem paralelo na história, a não ser em momentos de guerra declarada. A “Crônica de uma Morte Anunciada”, como foi a derrocada daquele país, parece ser um fantasma que ameaça, não só a Europa, como queria o amaldiçoado “Manifesto Comunista”, mas que paira permanentemente sobre os Latino Americanos.

Diante deste quadro, torna-se imensamente interessante comparar as escolhas efetuadas pelos países, com as consequências econômicas daí advindas.

O Brasil, vem tentando reverter a queda, após o “Voo de galinha” propiciado pela administração petista, ao tempo em que o Chile disparava na liderança econômica da América Latina. Enquanto isso, a Venezuela vai mergulhando de cabeça nas opções do “Socialismo Bolivariano” e levando sua população ao inferno, sem escala. Já a Argentina, após se apaixonar pelo “Peronismo”, seja lá o que isso for, fez também a escolha preferencial pela demagogia e pelo desastre econômico. Parece que nos encaminhamos aceleradamente para a consolidação da URSAL.

Só sobramos nós de fora, graças a Bolsonaro. Até quando resistiremos? Quem decide é você!

9 pensou em “CHILE – A VENEZUELA DE AMANHÃ?

    • Ao longo de seu governo, Augusto Pinochet se aproximou dos Estados Unidos, especialmente no campo econômico, ganhando os reformuladores da política econômica do Chile a alcunha de “chicago boys”. 
      Até hoje as políticas econômicas implantadas tem defensores dentro e fora do Chile. Muitos, como Sancho, creditam a ela o atual desempenho da economia chilena, uma das mais fortes na América Latina.

      Mas (nada está tão bom que não se possa…) Se querem ser realmente felizes que os chilenos copiem as maravilhosas constituições de Cuba e/ou Venezuela, que COMPROVADAMENTE levaram tais países a desempenhos a ser invejados por todas as nações.

      Brevemente algum iluminado copiará do fabuloso Nicolás grandes ideias e, em um rasgo de genialidade, gritará: Que se instaure o Vice-Ministério da Suprema Felicidade…

      Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile!!!!!!!

      • E lá vai a nossa América Latina, que alguns chamam, não sei o motivo, de Latrina…

        O que há de ruim em copiar o modelo da maior potência mundial (Estados Unidos da América)?

        Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Argentina e agora o Chile possuem todas as condições para serem grandes potências mundiais já em 2021…

        E na Argentina… Cristina Kirchner dijo que el freno de la economía “es agobiante” y afirmó que “hay funcionarios que no funcionan”. Éxodo de empresas en Argentina: Falabella, Sodimac, Danone y Walmart se quieren ir. Latam, Qatar Airways y Norwegian, BASF, Axalta y Glovo ya se fueron o están en proceso de salida. Brighstar le entregó las llaves de sus plantas fueguinas a la local Mirgor. Air New Zealand y Emirates ya no volarán a la Argentina. Uber Eats dejará de prestar servicios el mes próximo. Curtume, la ex curtiembre de la familia Yoma, parada hace cuatro meses, cavila si vale quedarse. La francesa Pierre Fabre anunció su venta al laboratorio argentino Sidus. Nike transfirió su operación argentina a la mexicana Axo.

        Ah, antes que me esqueça… Estou torcendo por Ronald Mc Trump.

  1. Grande e resplandecente Adonis!
    Incorre em erro ao não entender que o estado é uma elite que recolhe impostos, seja qual seja o regime em que ele exista.
    Logo ao atribuir a maneira como a constituição Pinochetiana administrou essa arrecadação a causa do progresso e mazelas chilenas recai em outra falácia; “post hoc ergo propter hoc”, pois atribui mérito indevido ao aparelho estatal pelo progresso que foi resultado unicamente do esforço do povo chileno o qual, como você mesmo admite, foi alienado dos frutos pelo sistema social pinochetiano, como de resto o seria em qualquer estado.

    • Caro Colega,

      Está me parecendo que não consegui me fazer entender direito.

      Desde sempre eu afirmo que “Governo é uma forma que gente experta encontrou para viver às custas de uma multidão de otários!”.
      Coerentemente com esta minha visão, digo no artigo que FOI EXATAMENTE POR ISTO (ESTADO MÍNIMO) QUE A ECONOMIA DO CHILE FLORESCEU.

      O peso do estado foi NÃO ESFOLAR E NEM ENCHER O SACO de quem queria empreender, como estamos acostumados no Brasil.

      Quanto ao povo ter sido “alienado dos frutos”, como dizes, não foi bem assim! O que ocorreu, como aliás ocorre em todas as que disparam no desenvolvimento, é que uma grande parcela da população só serve para puxar carroça, tal seu nível de burrice, e se compraz com sua própria imbecilidade, tal como o maravilhoso exemplo de Lula. Isto, ao mesmo tempo em que serve de maravilhosa massa de manobra para aqueles expertos que insuflam nas cabeças deles que “UM NOVO MUNDO É POSSÍVEL”, e que o estado e a sociedade tem de “RESGATAR ESTA DÍVIDA SOCIAL” com eles.

      Eu não chego ao ponto de afirmar que o estado deva sustentar esse bando de jumentos a pão-de-ló, tal qual estamos nos encaminhando no Brasil. Para mim, o máximo que o estado deve oferecer universalmente é uma educação básica de primeira, que é pra ver se aquele bando de abestados, daqui a umas três gerações, chega a ter um raciocínio minimamente humano, assim como pode desenvolver suas próprias ideias e prover seu próprio sustento.

      • Concordamos então a respeito do estado.
        Contudo atribuir a causa da miséria ao próprio miserável, e só a ele, isso sim, é argumentum ad hominen.
        Ah! O mundo jaz nas falácias!
        ***
        Obviamente, o estado não sobrevive apenas de arrecadar, mas também, e simbioticamente, via manu militari.
        E os “jumentos”, como você diz” não são tão otários a ponto de desafiarem a violência estatal, daí laboram de má-vontade, coagidos, deprimidos, pusilânimes e, em geral, adictos a substâncias enebriantes.
        ***
        De minha parte tenho sido abençoado e não tenho do que me queixar.
        Por conhecer muito bem nosso mundo tenho sabido me colocar de maneira a não penar tanto.
        Assim, preparo-me para a minha peregrinação antes do saniasin.
        Pode ser a de Santiago, coisa que recomendo.

  2. Genocídio antecipado do povo chileno, mestre Adônis Oliveira, elaborar uma constituição nesse momento onde os sociopatas esquerdóides comandam a massa e vivem de parasitismo.

    Quem terá a coragem de por na constituição a ser elabora um artigo que contemplem o seguinte:

    Artigo 1.º Todas as empresas estatais, da União, dos Estados e Municípios, autarquias, sociedades de economia mista, Banco Central, serão privatizadas a bem da nação e da modernidade.

  3. Basicamente e simplificando, o Chile direcionou o seu grande desenvolvimento em “fabricar carros” da seguinte maneira. Primeiro os mineiros escavam minas de cobre e os agricultores cultivam parreiras de uva e diversas frutas e “fazendeiros” criam Salmão. Tudo é exportado e após alguns meses os navios retornam com Mazdas, Fords, Nissans, Chevrolet, Hyundais, Kias e por aí vai… A principal pauta de exportação do Chile engloba: Cobre, uvas, vinhos, frutas, peixes, polpa de madeira e fertilizantes. Para tudo isso ser produzido uma enorme população vem participando de tudo. No entanto, isto não basta para uma elite política, populista, progressista e conservadora, social e intelectual, que convenceu o povo de que o problema do país era a desigualdade e o “ neoliberalismo ”. Deu no que deu. Tal qual na Venezuela e agora na Argentina o capital está deixando o país. O que poderia ser consertado pelos próprios governos não será. Para isso o “povo “ foi levado a pressionar para uma nova constituição, que só Deus sabe onde levará Chile, o país mais bem-sucedido da história da América Latina nos últimos tempos.

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