CHICO E LUIZ: CORAÇÕES E TALENTOS, TÃO DISTINTOS, TÃO IGUAIS

O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Compromissos políticos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver. Transportando para os dias atuais: a imensidão poética de Chico Buarque diminui ou cresce ante seu posicionamento político? Nem uma coisa nem outra. Pouco importa a cor de seu coração partidário. Ele, por sua obra, é imenso. Como imenso seria se outra preferência tivesse seu poético coração. Viva Chico e Luiz!

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5 pensou em “CHICO E LUIZ: CORAÇÕES E TALENTOS, TÃO DISTINTOS, TÃO IGUAIS

  1. Eu li uma frase de Voltaire que dizia “posso não concordar com tudo que tu dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizeres”. Eu respeito e admiro a obra de Chico, mas não entendo sua defesa por Lula. Não consigo entender essa permissividade ao roubo.

  2. Luiz Gonzaga era um cantor / compositor que veio do povão, não era político e nem fazia política, pois tinha um público fiel de todos os espectros. Era um cantor popular que agradava geral.

    Ainda hoje, no Brasil todo se tocar Asa Branca (1947) ou Xote das Meninas (1953), só para citar 2 exemplos, todos, não importa a idade, condição econômica ou coloração partidária, saberão cantar.

    Chico Buarque, filho de Sérgio Buarque de Holanda Historiador e Maria Amélia Alvim (fundadores do PT) era destinado a ser um intelectual, pois vinha de berço de ouro, convivia quando jovem com a fina flor da intelectualidade.

    Com 16 anos roubou um carro e saiu a andar por aí, sendo salvo pelas irmãs da cadeia, pois foi pego.

    Teve todas as facilidades na vida para ser um grande cantor/ compositor. Se hoje perguntar para os jovens 2 músicas compostas por Chico, ninguém saberá. Se tocar para ver se a moçada conhece, talvez Banda seja conhecida, por sert tocada em todas as “furiosas” do interior.

    • MPB? Sancho fica com a voz de Elis Pimentinha cantando todos os outros (tem gente muito boa na nossa MPB, que estacionou na estrada e Sancho não tem observado pintar nenhum grande nome na atual juventude do microfone. O maldito playback matou a música). Nunca foi fã de Chico, mas (benedicto mas), quando meu olhos se erguem para a turma da parte de cima do mapa, a turma nordestina, liderada por Gonzagão aí é covardia…

  3. Mestre Xico,

    Por muito tempo eu me deixei ser levado pela paixão cega que não me deixava distinguir Arte com ideologia política, apesar ser fanzássimo de Chico, Caetano, Milton Nascimento, Gil, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Fagner, Zé Ramalho, Belchior, Alceu Valença, e tantos outros gênios da MPB…

    Mas depois que assisti a um programa “Vou contar a nossa história”, com o produtor musical Emanuel Gurgel entrevistando Luiz Fidélis afirmando que os agentes políticos passam e a música fica, e ter lido uma matéria sobre o gênio de Exu escrita pelo colunista musical José Telles publicada no Jornal do Commercio afirmando que “é preciso cobrar do artista aquilo que ele sabe fazer com genialidade e não sua posição política”, mudei radicalmente minha posição e hoje tenho orgulho de dizer: O artista é o artista é o político é o político.”

  4. Isso, Cícero, e que assim seja. A ARTE é suprema, nunca deixará de sê-la, independente da cor dos pincéis, das batutas ou das sapatilhas. Assim penso.

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