ACÁCIO SABUGUEIRO - MIOLO DE POTE

Passeio no Saara

Estava eu na semana que passou com tanta rapidez que me fez pensar que já não são mais sete dias. Tem diminuído e, com certeza, neste século a semana terá apenas cinco dias. Linhás, já tem, né?

Ora: segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Conte e veja quantos dias são. Sábado e domingo existem para o trabalhador feito eu?

Pois num é que eu estava curtindo as férias conquistadas e somei com a licença prêmio de seis meses, em pleno deserto do Saara montado no meu camelo Saravabandolo, quando uma roda gigante de poeira me chamou atenção.

– Valha-me Deus, lá vem uma daquelas tempestades do deserto que a gente só vê nos filmes! E vinha na minha direção, como se viesse fazer um delivery de lasanha e o refrigerante não pudesse perder a frescura. E lá vem a roda de poeira, cada vez maior e se aproximando de mim.

O camelo, em vez de se assustar, resolveu arriar, como se estivesse carregando Dom Quixote e tivesse avistado um moinho em vez daquela bola de poeira.

A poucos metros de mim, a poeira se dissipou e pude ver que era o Acácio Sabugueiro, meu mordomo que, nas horas vagas quer porque quer me acompanhar até na camarinha quando cismo de trocar o óleo com alguma moçoila.

Botando os pulmões pela boca, mais parecendo uma cobra mostrando a língua, Acácio Sabugueiro precisou beber água para conseguir falar:

– Patrão, tenho um recado urgente pro senhor. E vem do Brasil!

– Tenha calma Acácio, qual é o recado?

– Taqui. Eu inscrevi esse biete verdadeiro, por causa que aqui pudia num ter Internet!

Quando li a mensagem copiada do zapzap do Acácio, o recado me pedia para contatar com Luiz Berto, escritor famoso nascido em Palmares, pedaço do Paraíso onde viviam Adão e Eva, antes da implosão, dois dias depois de terem enchido o bucho com maçã.

Resolvi interromper o passeio, me apoiei na corcova “dianteira” do Saravabandolo e voltei para o hotel. Mantive contato com Luiz Berto, e ele acabou por me convidar para escrever uma coluna aqui neste Jornal da Besta Fubana. Um convite desse pernambucano da gota serena, deixa de ser um simples convite, e vira uma ordem. E aqui estou, chegando com minha chegança.

Quarta-feira é o dia acordado e, como não sei sobre o que escrever, aceitei de bom grado a sugestão (uma ordem) de Berto, e a coluna está devidamente batizada com o nome de “MIOLO DE POTE”.

* * *

Nosso “falar”

Pode-se afirmar que, apesar dos 521 anos passados desde o seu “descobrimento”, o Brasil ainda está em formação em vários aspectos. O falar, com diversos enfoques e significados para a mesma palavra, de acordo com o saber cultural regional é um desses aspectos.

Ata é uma fruta regional que, em vários lugares é conhecida como fruta-do-conde ou pinha. E nem falamos do diferenciado sotaque, também existente, às vezes, no mesmo Estado. Nesse aspecto, o sotaque do paraense se aproxima muito do sotaque carioca. Apenas os significados diferenciam.

Aqui neste espaço pretendemos, como nosso parco conhecimento, passar alguns significados de termos, chulos ou não – mas com o único objetivo de formar conhecimento diversificado.

Vejamos hoje, a palavra “arreliado”:

Arreliado – Adjetivo em que há arrelia; que se irritou; que demonstra zanga ou aborrecimento; amolado ou zangado. Etimologia (origem da palavra arreliado). Part. de arreliar.

Sinônimos de Arreliado – Arreliado é sinônimo de: amofinado, preocupado, apoquentado, apreensivo, ralado, receoso, insolente, brigão.
Antônimos de Arreliado: medroso, apavorado, alegre.

Definição de Arreliado: Classe gramatical: adjetivo;

Flexão do verbo arreliar no: particípio; Separação silábica: ar-re-li-a-do; Plural: arreliados; Feminino: arreliada.

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Algo que talvez você não conheça – Mutamba

Mutamba madura e seca

A Mutamba, também conhecida por mutamba-preta, cabeça-de-negro, guaxima-macho, periquiteira, chico-magro, envireira ou pau-de-bicho, é uma planta medicinal comum nos países da América Central e do Sul, como Brasil, México ou Argentina, sendo usada popularmente no tratamento de vários problemas de saúde como cólicas.

Guazuma ulmifolia, conhecida com os nomes populares: mutamba, mutambo, mucungo, fruta-de-macaco, embireira, pau-de-pomba, guamaca, pojó, guaxima-macho, no Pará como embira e mutamba-verdadeira. Nome científico: Guazuma ulmifolia. Classificação superior: Guazuma. Família: Malvaceae. Classificação: Espécie. Espécie: G. ulmifolia.

O chá feito com a casca de Mutamba demonstrou ter atividade sobre o músculo liso do intestino e da bexiga, causando seu relaxamento. Assim, este chá pode ser usado durante crises de cólicas abdominais e diarreia como antiespasmódico, assim como em casos de infecção urinária, para tentar diminuir o desconforto.

3 pensou em “CHEGANÇA

  1. Eita!

    Outro que caiu, literalmente, na conversa de miolo de pote de Berto.

    É mais um atleta dos contos e das letras, que entra na arena para vestir a camisa do JBF,

    Seja muito bem-vindo ao nosso grupo, pois estamos em jogo para vencer!

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