JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

Na Ditadura Militar, a censura correu solta. Quem viveu aqueles anos de chumbo sabe como foi. No Ministério da Justiça (1985), até implantamos o “Censura Nunca Mais” – um programa que liberou os últimos livros, músicas, filmes e peças de teatro ainda proibidos. Mas esse tempo passou. Passou mesmo?, eis a questão. É que num canto escuro do Supremo vivemos, hoje, clima semelhante. De vetos. Em lugar de assuntos ligados à segurança nacional, agora são fake news. Em vez de combate ao Comunismo, assume o Antifascismo. E muda, também, a estrutura de censurar. Antes, na Segunda Seção e na Polícia Federal, havia uma legião de funcionários. Agora, mais simples, basta um Ministro. Alexandre de Moraes. Protegido pelo presidente da casa, Toffoli. Duas cabeças, uma só e mesma distorcida sentença. Confirmando a máxima de Valery ( Caderno B ) , “ o poder sem abuso perde o charme “ .

Contra essa visão canhestra, vênia para lembrar um professor do Largo de São Francisco. Palavras dele: “Uma nação livre só se constrói com liberdade. E a liberdade só existirá onde houver um Estado Democrático. E um Supremo imparcial. Esse é o Supremo em que acredito, defensor das liberdades. Quem não quer ser criticado, fique em casa. Não exerça cargos. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é inconstitucional”. Problema nesse texto, em oposição aberta ao Ministro censor, é seu autor. O professor Alexandre de Moraes. Antes de ser Ministro. Lembro Shelley (A Rainha Mab), “O poder, qual peste desoladora./ Polui quando toca”. É que, depois de provar desse poder, o homem mudou. No caso, assumindo o posto de censor de um país inteiro. O professor, de antes, era melhor que o censor de agora. Se algo impróprio foi dito, Ministro, recorra-se ao Poder Judiciário. O autor deve ser processado. Se for o caso, condenado. E preso. Impedir qualquer um de dar opinião é só censura. Indigna. Indecente. Inaceitável. Uma violência contra a Democracia.

Mais espantoso, nisso tudo, é o comportamento da grande mídia e de boa parte da inteligência nacional. Que, por identificar nesse gesto uma oposição ao atual Poder Executivo, prefere fazer de conta que nada vê. Antes, era censura. Agora, só uma ação antifascista. E ficam mudos. Todos. Em um silêncio cúmplice. Acompanhando, como cordeiros bem comportados, o Ministro Alexandre em sua triste caminhada na direção do mais puro autoritarismo.

11 pensou em “CENSURA NUNCA MAIS

  1. Caro Sr. José Paulo, uma coluna correta na sua análise sobre a censura, que é odiosa, pois afeta o mais fundamental dos direitos básicos do cidadão, que é a liberdade de manifestação do pensamento. Para mim este ainda é mais importante que o direito à vida.

    Permita-me divergir apenas na questão do ou dos agentes desta maquinação do STF.

    Alexandre de Moraes é apenas um ser abjeto que esqueceu tudo o que já disse e o que escreveu para ser instrumento de uma jogada muito maior em andamento, a retirada da direita conservadora do poder.

    Tóffoli também é mais uma marionete deste jogo. Quando chegamos em Gilmar Mendes a coisa começa a esquentar, pois é quem tem contato mais direto com os Donos do Poder. Todos devem suas togas ao Sistema e têm que pagar agora.

    O Sr. entende que quando Lula disse lá atrás que tínhamos um STF acovardado, onde ele queria chegar? A resposta certa era: tá na hora de pagarem suas togas. Aí ele percebeu que estava sendo descartado pelo Sistema, que não acionou seus peões togados.

    A Narrativa, caro Sr. José Paulo, a narrativa dos fatos foi o que o Sistema perdeu com a internet livre e agora precisa tê-la de volta a qualquer preço. Quando eles irão acordar que não dá mais ter o controle do fato em uma sociedade livre?

  2. O paragrafo final do seu texto é o retrato do Brasil de hoje , com as honrosas exceções do Guzzo , do Guilherme Fiuza , do Zé Maria , do Augusto Nunes . O resto é uma concordância coletiva , até …

    • Ouso incluir em seu elencado “honrosas exceções” as figuras de Percival Pugina, Rodrigo Constantino, Políbio Braga, Bárbara, Paula Marisa e Ana Paula Helnkel.

      • E tem o decano, junto com já citado Guzzo, que é Alexandre Garcia, além do Cláudio Lessa (vejam ele abaixo, está imperdível).

        • Acabo de arrancar pela orelha a voz número 5, por ter deixado Sancho esquecer de Garcia e Lessa. Depois do sexo noturno com minhas amantes quadrigêmeas tailandeses, pedirei para que me torturem, com 10 merecidas chibatas, por tal esquecimento.

  3. Parabéns, Sr. José Paulo.

    Além dos poucos de sempre (Percival Pugina, José Roberto Guzzo, Políbio Braga, Modesto Carvalhosa e outros), finalmente vejo alguém, falando dessa excrescência que é o tal inquérito do fim do mundo, instaurado apenas para tentar calar pessoas que criticam suas excelências (?). Lamentável, apenas, vermos pouquíssimos pronunciamentos como este e a grande mídia “totalmente acovardada” ou completamente corrompida ficar muda ante algo tão grave.

    Independentemente da coloração ideológica, todos os homens e mulheres que se pretendem livres deveriam estar condenando e falando sobre isto. Por que estrilavam tanto contra a censura quando era praticada pelo governo e agora aceitam-na passivamente por vir de um órgão que deveria combatê-la? Órgão, aliás, que detém talvez a pior suprema corte (se é que dá para chamar aquele cabaré de quinta categoria de supremo) do mundo. Com “juízes” que rasgam e reescrevem a Constituição ao seu bel prazer ou ao gosto do freguês.

    A resposta é evidente e foi abordada pelo autor. Simplesmente não aceitam a derrota do Mecanismo nas urnas e admitem qualquer coisa para verem a restauração do status quo perdido.

    Canalhas hipócritas e sem vergonha!

    • Señor Canindé
      Creio que poderiam serem elencados dentro de tal relação as figuras de Percival Pugina, Rodrigo Constantino, Políbio Braga, Bárbara, Paula Marisa, Ana Paula Helnkel, José Roberto Guzzo, Guilherme Fiuza, Zé (José) Maria Trindade e Augusto Nunes.

      Concordo plenamente sobre SEU desabafo referente aos pouquíssimos pronunciamentos como este e a grande mídia “totalmente acovardada” ou completamente corrompida ficar muda ante algo tão grave.

  4. E a OAB,outrora tão aguerrida, hoje completamente submissa aos desmandos do sr Alexandre de Morais e seu colega de turma, o sempre reprovado para juiz de primeiro grau, sr Dias Toffoli,,com a complacência dos demais ministros. Por onde andas OAB?

  5. Dr. José Paulo fala com toda propriedade desse mundo.

    Poucos (do lastro de um José Paulo Cavalcanti filho) terão a coragem de criticar o “supremo” e suas mostras de que agem como reles rábulas de rabo preso ao partido que o indicou.

    Vivenciou o período do governo militar até a chamada redemocratização. Fez parte do governo, conhece os meandros da política atrelada a justiça e vice-versa.

    Inegável que houve um nojento aparelhamento “progressista” nas veias da república. Começando pela (des)educação e outros ministérios. A união incestuosa da mídia formada por “socialistas” e educação estão a mostra na mídia mainstream. Haja vista os “jornalistas” forjados e gerados durante a “pátria enganadora”., em sua grande parte, hoje infestam redações de vergonhosos telejornais e duvidosos jornalões.

    Patente resta, conforme se apercebe diariamente e, também pela lava jato, que bandidos nomearam bandidos para assumirem o maior posto do judiciário da nação.

    Nem se espere a posteridade pra chancelar que esta vergonhosa geração de ministros do STF é a mais abjeta e elameada formação da sua história.

    Jogaram na lata do lixo o binômio “notável saber jurídico e reputação ilibada”. O judiciário maior acumpliciado com o poder legislativo, por puro ódio travestido de birra por conta de sua frustrações leitorais, que por mais desagradáveis que lhes possa parecer, foram democráticas, via sufrágio universal.

    .

    • OAB, CNBB, FENAJ, etc. Siglas que há bastante tempo envergonham todos nós e hoje soam apenas como sobrenomes de GERMES, VÍRUS e BACTÉRIAS.

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