A PALAVRA DO EDITOR

O Editor Luiz Berto mandou-me ontem um vídeo que representa, em todas as suas cores e emoções, um lampejo da humildade e da simplicidade do nosso irmão nordestino.

Numa rua de barro batido e piçarrento, um caboclo idoso segura sua bicicleta a fim de transportar a mulher, também idosa, no bagageiro daquele transporte tosco.

A bicicleta, de cor queimada pelo tempo (talvez tenha sido pintada um dia de um vermelho mais brilhante) aguardava a passageira.

Uma senhora, de porte ereto e semblante calmo, cabeça encanecida pelos muitos anos de lida, segura um pacote com garrafas, uma delas cheia de um líquido amarelado, provavelmente querosene para o fogareiro que lhe espera para preparar a janta da noite.

Devagar, como convém a uma dama sertaneja, com movimentos estudados, ela ajeita a saia, sobe devagarinho no bagageiro e o seu marido e condutor dá partida com uma pedalada segura.

Logo apruma o pequeno veículo na estradinha e segue em frente com a pachorra dos velhinhos e a responsabilidade de quem já, muitas vezes, carregou de carona a sua querida.

Fiz para eles essa décima em martelo agalopado, para expressar a minha saudade de cenas como essa, que já presenciei tanto pela vida afora, nas minhas passagens por pequenos lugarejos dessa Nação tão pura (ainda), chamada Nordeste..

Com a licença do Berto, reproduzo esse momento terno pra vocês..

CENA RURAL

Numa rua aberta ao barro, a bicicleta
já um tanto desgastada pela idade.
O seu dono? era só simplicidade…
Tantos anos já vividos lhe completa,
também velha, sua amada tão discreta.
Tão magrinha, tal e qual um passarinho,
se assenta ao bagageiro, então seu ninho.
Pedalando, cambaleia a dupla amada.
Na sequência, os dois sumindo pela estrada
rumo ao céu, ao horizonte, o seu caminho.

7 pensou em “CENA RURAL

  1. Meu querido cronista FRED MONTEIRO,

    Tudo que eu escrever é nada ante o lirismo de CENA RURAL, uma ode ao amor, à vida, à simplicidade, à pureza, à dignidade humana.

    Parabéns, brilhante colunista. Isso vale um abraço.

    • Vale demais, Cícero ! E como abraços e apertos de mão estão proibidos pela coisa absurda que é esse tal ISOLAMENTO SOCIAL, mando daqui um quebra- costelas virtual para o meu nobre amigo!

    • Nem eu, Lindomar ! Isso aqui nada tem de gazeta escrota ou qualquer doidice que invente nosso nobre Editor.. Esse Jornal é um poço de cultura brasileira, em todas as suas nuances e até na zona geral do Cabaré do Berto, que pouco frequento porque durmo com as galinhas e acordo com as sabiás laranjeira que moram num pé de jamelão, nas beiras da minha janela. Traduzindo por tempo terrestre, durmo às 8 e acordo as 4 da matina. Sim.. e agora, pelas ruas do Poço da Panela tem um primo de Polodoro, um jumento acordador de gente que zurra de manhã à noite, Eu acho que trancaram o pobre um terreno e esqueceram a chave…

  2. Arre égua! Como alguém que vive de cuidar de cururus no céu consegue tamanha depuração sentimental para transmitir aos leigos como eu, uma imensa vontade de reviver o que já passou? Eu achei que a “bike” pintada de vremeio era da marca Monark, que o líquido na garrafa “pet” era querosene para abastecer a lamparina – mas, o que encobre tudo isso é o lirismo do dizer poético. Merece mais um arre égua e uma nova matracada!

  3. Meu querido amigo, maranhense especial inventador de histórias as mais lindas que já ouvi. Sabia que uma amiga minha passou meia hora chorando com pena do Zezinho e do Cururu Casquinho ? Home, tudivia era de fazê uns causo ispicial pra cande Berto ganhá na roleta de CuTrancado e comprá aquela bosta de rede grobo. Tu ia ganhá tanto dnhêro butando esse povo pra chorá qui até goiano ia virá frei da orde de São Damião, qui ele agora é santo, num sabia ? Frei Damião, não Goiano…aquilo lá só faz puxá os píssuído de Lula… kkkkkkkkkkk

  4. Seu Zé Ramu, pelamor de meu Deuzi !! num dê mais matracada nim neu não home.. minha careca tá mais vermêia que a baiqui do matutim de tanto levá matracada.. PArece qui tu num gosta muito deu não.. E ainda maisi aquela matraca qui tu meu deu de presente é de jatobá, rapái.. Oxe..É pesada visse? EU ATÉ JÁ DEIXEI O CABELO CRESCÊ PRA CUBRI A CARECA MAS ELE NUM OBEDECE NÃO… e dixe pra mim.. tu num gostava deu e metia a mánica e rapava eu, dia sim, dia não..agora que eu cresça !!! nadica de nada.. fica careca mermo rapaize…kkkk

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