XICO COM X, BIZERRA COM I

DE BACH ÀS LAGARTIXAS

Ouvidos foram feitos para escutar coisa boa. Os meus, para isso Deus os fez. Verdade que Orquestras afinadíssimas executando as mais belas sinfonias de Ludwig van Beethoven ou os prelúdios incomparáveis de Johann Sebastian Bach ajudam e contribuem para que a vida seja mais leve e prazerosa. Mas outros sons também alegram o dia-a-dia da gente. Quem já ouviu trovoadas do mês de Junho, anunciando chuva com relâmpagos clareadores, ou a melodia das águas acompanhando a correnteza de um rio, ou, ainda, o cantar harmonioso de galos tecendo as manhãs, sabe a que me refiro. Alguém que já escutou o barulho poético de lagartixas passeando sobre folhas secas caídas ao chão, o coaxar de sapos em perfeita sintonia com a doce zoada do cricrilar dos grilos por certo concordarão com minha teoria sonora. Alguns que não tiveram a ventura de conhecer esses sons, precisam conhecê-los. Assim poderão entender com mais clareza a beleza sublime da música de Piotr Ilyich Tchaikovsky e saborear com mais prazer Le Quattro Stagioni de Antonio Lucio Vivaldi ou se deleitar com a sanfona tocada por José Domingos de Morais, o Mestre Dominguinhos.

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A PÁSSAROS LARGOS

NENHUMA MENTIRA PARECERÁ VERDADE A VIDA INTEIRA

Caminho a ‘pássaros’ largos para bem longe das gaiolas e arapucas, aprendendo com a vida, a melhor das escolas, como fugir das ciladas, como ficar distante dos alçapões tantos que covardemente nos preparam. Minha floresta-aldeia, bem menor que a menor das cidades, é onde repousa minha felicidade, é onde busco desencontrar a hipocrisia de alguns que às vezes insistem em me assaltar. É um lugar coberto de verdades, é minha cantiga, meu descanso, meu de Barros, meu Buarque e meu Domingos. No meu recôndito refúgio percebo que quando os ‘espertos’ se dão conta de que a ‘esperteza’ foi desmascarada pelo poder da Justiça, que a vigarice restou sem máscara, é chegada a hora de os honestos poderem, enfim, exibir seus exemplos para as gerações futuras. Na minha aldeia prevalece a honestidade e o respeito às normas e às pessoas. A farsa não tem vez. Conforta saber que, na perspectiva do hoje, o amanhã sempre será um novo dia e que ninguém, por mais ardiloso que seja, engana toda a gente pela vida toda.

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PASSADISCO, PEN DRIVE e AMOR

MEU ROADSTAR NÃO SABE O QUE É PENDRIVE

Lá vem o vendedor, na loja de carros coreana, me apresentando o novo automóvel: motor turbo, ignição eletrônica digital mapeada, injeção Multi Point Fuel Injection, cabeçotes de alumínio, sensores diversos e outras tecnologias desnecessárias, além de um inteligente computador de bordo. Explicou tudo, menos sobre a minha musiquinha: como fazer para ouvi-la, se não existia no interior daquele bólido de última geração um leitor de CD? Em seu lugar, um buraquinho pequenino no qual cabia apenas um pen-drive. Não sabia ele que eu gosto do CD físico, aquele que tem capa, que tem encarte com as letras e fotos, que tem os nomes de quem fez e de quem tocou as músicas. Me deu até saudades do meu velho Fuscão 73 (EE4080) com seu atualíssimo Toca-Fitas Roadstar, último modelo, com auto-reverse, sonho de consumo dos jovens da época, adquirido numa viagem à Zona Franca de Manaus. Saí da loja meio deprimido e fui curar minha amargura na PASSA DISCO comprando o mais novo CD de Francisco César Francisco Cesar Goncalves, também conhecido por Chico César, meu parceiro e xará. Dúvidas não havia, mas ficou mais que consolidada a ideia de que O AMOR É, e sempre será, UM ATO REVOLUCIONÁRIO. O conteúdo é lindo. O encarte, letras e fotos, também. Coisas que o pen drive não me oferece.

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UM TRAGO DE POESIA

POESIA: BEBA SEM MODERAÇÃO

Tragam-me um trago de Poesia, por favor. Gelada ou natural, não importa. De preferência, frapée. Está ali, naquela garrafa bonita. Basta-me um trago de Poesia, líquida, fluida. Quero que as palavras escoem, com todas suas vírgulas, pontos e reticências, acentos graves e circunflexos e, principalmente, traços de união. Desejo que as estrofes flutuem entre um gole e outro fazendo com que latejem sorrisos azuis e sonhos de toda cor. Que se prendam os versos fugidios, e, recolhidos ao curral das rimas, encontrem alguém de boa vontade que os sopre ao vento para que todos, bêbados de amor e paz, se inebriem da felicidade que só a poesia pode propagar. E assim, mais são que são todos os sãos, o Poeta taxado de louco sairá pelo mundo na tentativa vã de fazê-lo melhor. Quiçá consiga. Se não, valerá a pena ter tentado.

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MEDO?

MEDO? SÓ DO ADEUS E DO AVIÃO

Apesar do medo,
Nunca ter medo de ter medo.
Nem do mistério, nem do segredo …
Nao ter medo de acertar
ainda que para alguns o seu acerto pareça um erro …
Nao ter medo de ouvir o não
quando se quer ouvir o sim, mas,
quando preciso,
também saber dizer um não …
Não ter medo de Deus …
Nem do Adeus, tarde ou cedo.
Ah, do Adeus. Desse eu tenho medo!

Nunca ter medo de amar …
Nem do mar, do rio ou do riacho …
Não vale a pena, acho.
Nem de uma poça d’água, ainda que suja:
Não fuja, ela pode refletir a lua
Que acende a rua …
De nada ter medo, nada temer.
Medo da sorte, medo da morte, medo sem norte …
E, quando nenhum medo restar,
Gritar bem alto, em alto e bom som,
que não tem medo de nada, nem de Avião …
Ah, do Avião. Desse eu tenho medo!

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SER BOM É TÃO BOM

E FAZ BEM AO CORAÇÃO, AO PÂNCREAS e À ALMA

Desaprendi o ‘Sinal da Cruz’ e o ‘Em nome do Pai’ que me ensinaram nos catecismos infantis. Salve-Rainhas e o Credo em Deus Pai são coisas do passado. Já os esqueci, ambos, por inúteis que são. Só me restou, de todos essas rezas e aprendizados que de nada servem, o respeito e a crença em Deus. Conversar com Ele, o faço todo dia, a meu modo, e sei que Ele me ouve. Igrejas para mim são todas iguais com seus vendilhões ávidos por lucros e metais. Iguais a todo e qualquer prédio, de quartéis a cabarés, de bares a teatros, aglomerado de tijolos e cimento, que abrigam soldados ou putas, bêbados ou artistas. Minha religião independe de templos: basta fazer o bem, respeitar a crença alheia e ajudar a quem precisa, na medida do possível. Ser bom, ou tentar sê-lo, não é ser rato de sacristia nem provedor material de falsos profetas. Também não é frequentar centros de umbanda ou mesa branca, saber de cor o Alcorão ou raspar a cabeça e virar Rare Krishna. Ser bom não é tampouco decorar o Bhagavad-Gita e saber Sânscrito de trás para frente e da frente para trás. Não! Ser bom é muito mais simples. Começa por não ser mau. O coração, o pâncreas e a alma agradecem. E meus joelhos não se ralam.

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CONVERSA COM DEUS

Também tenho o direito de ser meio louco vez em quando e, assim, já fui acometido de uma vontade grande de conversar com Deus, mesmo sabendo do meu não-merecimento. E marquei audiência confiando na misericórdia dEle. Não pensava que ia enfrentar uma fila enorme de banguelos e desdentados, de sujos e maltrapilhos, de esfarrapados de todo tipo. Me assustei. Ao lado, em outra fila, apenas poucas pessoas. Aí que percebi estar na fila errada. Naquela em que entrei estavam os que iam pedir. Na outra, em que deveria ter entrado e para onde fui, estavam poetas, cantadores e gente que estava ali apenas para agradecer a vida. E foi o que fiz quando me vi, frente a frente, com aquela figura tão luzente e sábia, sempre sorridente e a todos ouvindo. Parecia um Poeta. Agradeci por tudo e, aproveitando, pedi por todos aqueles da outra fila, e mais, pelos que moram vizinho à guerra, pelos que convivem com a fome e pelos deserdados da sorte, tantos. Tentei conversar mais com Deus. As lágrimas não deixaram. Disse apenas muito obrigado e rezei uma oração na minha linguagem pessoal que só eu e Ele entendemos. Desci as escadas do céu mais leve e feliz, mas percebendo o quão difícil é a tarefa dEle.

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MOLHANDO O BUCHO POR DENTRO

A cada dia vou ficando menos novo (adoro desse eufemismo: a gente disfarça a ideia de estar ficando mais velho) e aprendendo o que vale e o que não vale a pena. Antes, brigava por qualquer bobagem, não levava desaforo para casa. Uma ‘fechada’ no trânsito era suficiente para expulsar meu bom humor e jogar ao léu impropérios desnecessários. Hoje, quase todo desaforo eu engulo, faço de conta que não ouço ou vejo, me faço de besta, me benzo, molho o bucho por dentro com uma cerva bem gelada e sigo a vida. Para que complicar se a vida já é tão complicada? Ato consciente que se reforça quando espio no espelho e vejo meus cabelos brancos, devido à brincadeira de mau gosto do senhor Tempo com as tintas dos anos e os pincéis da vida. Até poucos anos eu dizia tudo o que me vinha na boca. De uns tempos para cá, quem se senta ao meu lado jamais ouve um desaforo meu. Ao contrário: calo, faço o sinal da cruz em silêncio, e assim benzido, vou em frente, alegre e sorridente, respeitando o tempo e sua pressa. E para não perder o costume, enxáguo o bucho, já molhado por dentro, com outra cerva, mais gelada que a primeira. Que a vida é curta e só vale a pena o que é bom. Vivo e aprendo com os sábios. Desaprendo tudo que não vale a pena.

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MEU ALFORJE

Guardados empoeirados na janela do tempo se aninham no alforje da alma, num cantinho todo especial. Embalados com papel celofone, cor do sol em fim de tarde, os beijos e abraços pululam na varanda da memória enquanto os afetos se aboletam na sala de estar dos sonhos, fazendo a festa para a lua e as estrelas. No quintal em que plantei alegrias hoje colho a ‘bença’ de mãe e a saudade de pai, rezando uma novena pessoal de boas lembranças com uma Salve-Rainha imaginária ao final e um amém sem firmeza, mas em alto e bom som. Dar tantos passos para trás me fez andar outros tantos para frente, cabeça erguida, peito estufado de orgulho pelos caminhos andados, pelos erros corrigidos, pelos amores todos, os já vividos e os por viver (Vinícius ‘tá chegando) … Nas estradas da vida, vou com Deus e não lhe solto a mão, que não sou besta!

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MEIA DÚZIA DE FÃS (OU SEIS GATOS PINGADOS)

Um Poeta deixou de sê-lo, pensando agredir-me, quando disse que ‘faço música e disco apenas para meia dúzia de amigos’. De estranhar se as fizesse para inimigos. Não as faria. Até porque não os tenho, por mais que alguns se esforcem para assim se tornarem. Sou da Paz, do Amor e a fita que mede o sucesso para alguns é diferente da minha. Se fazer sucesso for ter minha obra cantada pelos Safadões ou Anitas da vida, esse sucesso não me interessa. Reconheço não ter o sucesso que alguns pensam que tem e que seus egos exigem, embora nunca tenham sido gravados por Michel Jackson ou Madona e sejam nacional e internacionalmente desconhecidos além das fronteiras do nosso Estado. Esse ‘sucesso’ jamais terei. Posso até não ter fãs. Amigos, com certeza os tenho. A julgar pelos lançamentos dos meus ‘disquinhos’: só gente da melhor qualidade, saindo pelo ladrão. Esse meu ‘severo juiz’ nunca compareceu a um lançamento, embora tenha cantado músicas minhas em meus discos. Deixem-me com meus seis amigos (acho que uma dezena) que gostam de mim e para quem faço minhas ‘musiquinhas’ que só eles ouvem. Sou feliz assim, sem inveja, sem ter meus colegas como concorrentes (na pior acepção da palavra) e respeitando a todos que trabalham com a arte. Sucesso para mim é isso. O resto é presunção, arrogância, desmedida ambição. Ou seria recalque e complexo? Talvez tudo isso junto. Sou muito mais minha dezena de fãs.

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