VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

FATO E VERSÃO

Estamos vivendo a era da mentira e das versões. Cada dia há mais versões para prejudicar políticos, principalmente quando se trata de pessoa querida pela banda decente do País.

Sou do tempo em que o Direito era respeitado e que o estudante de Direito acreditava nas instituições.

As mudanças que tem havido no cenário político fazem a mesma trajetória do besouro “rola-bosta”, muito conhecido no interior nordestino.

Quando não havia energia elétrica em Nova-Cruz (RN), nem água encanada, a ornamentação noturna dos dormitórios contava sempre com um pinico, ou para usar uma palavra mais “chique”, urinol. Vez por outra, aparecia um besouro rondando o pinico, e se este estivesse ocupado, o besouro rodava, rodava, até se atolar dentro do pinico, na urina ou coisa parecida. Era o famoso besouro “rola-bosta”. Assim acontece com as pessoas, principalmente os políticos. Rodam, rodam, e se atolam no pinico cheio.

E é a lama que destrói quem se mete na política. Os coveiros estão a postos, para sepultar reputações de pessoas de bem.

Repito. Estamos vivendo a era das versões. O importante não é o fato, mas as versões que dão ao fato. Há pessoas que, por isso, pegam má fama e morrem com ela.

Não há coisa pior neste mundo do que língua grande. Por causa disso, há pessoas que pegam uma fama infundada e carregam até o fim da vida. É a versão suplantando o fato. A fama decorre da versão e não do fato.

Depois que a fama se espalha, é difícil o difamado se reabilitar perante a opinião pública, porque tem sempre a turma que torce pela desgraça alheia, principalmente quando se trata de adversário político.

O “crime impossível” previsto no art. 17 do Código Penal Brasileiro, é letra morta, quando é para defender o homem de bem, que nunca praticou crime de responsabilidade ou corrupção, e nunca esteve preso.

O Código Penal Brasileiro estabelece:

“Art. 17. Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.”

Portanto, podemos comparar qualquer minuta anônima e incompleta, sem continuação, seja qual fosse a finalidade, ao “crime impossível”, previsto no art. 17 do Código Penal Brasileiro. Ambos envolvem a não consumação do delito.

Uma minuta anônima e inacabada não tem validade jurídica. É apenas um rascunho, que qualquer espírito do mal pode fazer para incriminar alguém. Nunca, jamais, em tempo algum, essa minuta poderá surtir efeito, nem ser considerada como tentativa de golpe. É mais lógico que ela seja considerada um Crime Impossível.

“Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a letra fria da lei”, se for para derrubar um cidadão de bem.

A torcida do mal é bem maior do que a torcida do bem.

Há pessoas que sonham em ver a queda de alguém. Odeiam gratuitamente e não poupam ocasião de se insurgir sobre alguém, por inveja ou preconceito, até mesmo contra a naturalidade. Como acontece com a luta do nordestino contra o resto do Brasil.

Já se cogitou até em excluir o Nordeste do mapa do Brasil, assim como algumas figuras caricatas, não nordestinas, criticam e zombam da TAPIOCA COM CARNE DE SOL NORDESTINA, DA SANFONA DE LUIZ GONZAGA e por aí vai. Não sabem essas pessoas que o nordestino tem muito mais caráter e coragem do que certos “distintos” que pensam ser melhores do que o resto do mundo.

Vez por outra, desaparece do mundo do Direito, por falta de uso, determinados artigos da Constituição Federal, do Código Penal etc.

O que mais tem ocupado a minha cabeça, atualmente, é a figura do “CRIME IMPOSSÍVEL”, previsto no art. 17 do Código Penal, que parece letra morta.

Mudando o rumo desta prosa, hoje faz 30 dias que fugiram dois apenados que cumpriam pena na Penitenciária de Segurança Máxima de Mossoró (RN).

Até hoje, os gastos públicos, para a recapturação desses fugitivos, dariam para reconstruir uma cidade em ruínas.

Seiscentos policiais, diversos drones e helicópteros, cães farejadores, viaturas, passagens aéreas, hospedagem em hotel de luxo para o Ministro da Justiça e ex Ministro do STF, e nem rastro dos fugitivos. E o Ministro ainda disse em entrevista, que a operação de tentativa de recapturação dos dois fugitivos está sendo EXITOSA. Desde quando está havendo êxito nessa operação? O Brasil desconhece esse tipo de êxito.

Valei-me, Santo “Stanislaw Ponte Preta”!!! O Ministro disse que os dois fugitivos estão na mata onde há muitas fruteiras, principalmente bananas, e eles devem estar muito bem alimentados!

“Pare o mundo que eu quero descer!!!” (Canção do compositor Sílvio Brito – 1976)

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A BALEIA

As baleias-jubartes estão entre os maiores e mais majestosos animais marinhos. Elas podem crescer até 16 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas.

Originalmente, no Brasil, as baleias – jubartes se distribuíam, durante a época reprodutiva, do Rio Grande do Norte a São Paulo; atualmente, se concentram principalmente no Banco dos Abrolhos, uma extensão da plataforma continental, recoberta por recifes de coral entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.

No Brasil, as jubartes foram caçadas desde 1602, primeiro na região do Recôncavo baiano, com a chegada dos baleeiros bascos, e depois pelas estações costeiras de caça à baleia, chamadas Armações, que se estabeleceram entre a Bahia e Santa Catarina, para matança de jubartes.

Na primeira metade do século XX, baleeiros noruegueses e japoneses trouxeram navios para matar as baleias que restavam em águas brasileiras, um massacre que só terminou de vez em 1985 quando o então Presidente José Sarney suspendeu a caça de baleias no país.

Em 1987, a aprovação pelo Congresso da Lei Federal 7/643, que proíbe a captura e o molestamento intencional de toda espécie de cetáceo em águas jurisdicionais brasileiras, coroou quase duas décadas de campanhas contra a matança por ativistas brasileiros, e inaugurou uma nova política de Estado do Brasil a favor da conservação e do uso exclusivamente não-letal desses animais através da pesquisa científica e do Ecoturismo. Atualmente, a população das jubartes se recupera, e as pessoas tem a consciência de que uma baleia vale mais viva do que morta.

Os machos totalmente crescidos têm em média 13m – 14 m. As fêmeas são ligeiramente maiores, com 15m – 16m.

A baleia-jubarte (nome científico: Megaptera novaeangliae), também conhecida como baleia-corcunda, baleia-cantora, baleia-corcova, baleia-de-corcova, baleia-de-bossas, baleia-preta ou baleia-xibarte é um mamífero marinho, presente na maioria dos oceanos. Suas longas nadadeiras peitorais, que chegam a medir até 1/3 de seu comprimento total, poderiam ser comparadas às asas de um pássaro. Esta é a origem do nome Megaptera, que em grego antigo significa “grandes asas”, enquanto novaeangliae fala do primeiro local onde foi registrada a espécie, Nova Inglaterra. É conhecida por seus comportamentos aéreos e outros mais realizados na superfície, o que as torna popular no turismo de observação de baleias. Machos produzem cantos complexos que duram de 10 a 20 minutos com a finalidade de atrair as fêmeas para acasalar. As baleias vivem na água apesar de não terem guelras, porque evoluíram há milhões de anos a partir de ancestrais que viviam na terra. Sua evolução está amplamente documentada no registro fóssil.

Por não possuir dentes, a base alimentar das baleias – jubartes, mesmo adultas, são pequenos crustáceos, conhecidos como krill.

Dessa forma, no hilário episódio do falso importunamento do Ex-Presidente à baleia-jubarte, jamais ela o engoliria. Primeiro, porque o Ex-Presidente não a importunou, nem de longe. Essa infâmia é mais uma intriga da oposição perseguidora e má. E em segundo lugar, apesar da boca da baleia poder medir até três metros, sua goela é muito estreita e mede, no máximo 15 centímetros. E isso tem história. Senão vejamos:

A baleia sempre foi o mais veloz e comilão animal marinho. Comia tudo o que via em sua frente. Nadava mais do que todos os outros peixes. Até que um incidente aconteceu entre uma baleia e uma moça devota de Santo Antônio, que viajava num navio.

A tripulante conduzia nas mãos uma imagem do santo casamenteiro, rezando o tempo todo e pedindo a Santo Antônio para que o navio entrasse logo na barra. A devota tinha muita fé e tinha certeza de que seu santo milagroso faria com que, naquele navio, ela encontrasse o seu príncipe encantado, para sair do detestável caritó.

De repente, a imagem de Santo Antônio caiu no mar. Imediatamente, uma baleia que acompanhava a embarcação abocanhou Santo Antônio, mas ao tentar engolir a imagem, sua goela se estreitou. Quanto mais a baleia tentava engolir a imagem, mais se engasgava. Quanto mais se engasgava, mais a goela ficava estreita.

Santo Antônio desapareceu e a baleia, até hoje, só se alimenta de peixes miúdos, como sardinhas.

Segundo a lenda, Nosso Senhor Jesus Cristo castigou a baleia, torcendo o seu rabo e deixando a barbatana virada para baixo, batendo água de baixo para cima e não da direita para a esquerda, como nadam todos os viventes da água. O castigo fez com que a baleia nadasse mais devagar e se tornasse o único peixe que tem a barbatana virada para baixo.

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EVOCANDO O “FEBEAPÁ”

Não me canso de relembrar o Escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta, com o seu FEBEAPÁ – Festival de Besteira que Assola o País, (1ª edição – dezembro de 1966 e FEBEAPÁ 2, dezembro de 1967).

O besteirol tem aumentado muito nos dias atuais. Há muito mais besteiras hoje, do que na época de Stanislaw Ponte Preta.

Nunca ri tanto, como com esse episódio da Baleia Jubarte X Bolsonaro. Tenho certeza de que se essa baleia pudesse falar, ela absolveria o Ex- Presidente de todos os pecados a ele atribuídos por causa dela. Ela se sentiria vaidosa de ser alvo de tão importante polêmica, envolvendo o Ex-Presidente Bolsonaro, admirador das belezas naturais do Brasil e um motonauta admirável.

O ex-presidente da República Jair Bolsonaro prestou depoimento, na tarde desta terça-feira (27), na Polícia Federal, em São Paulo, sobre um caso de suposta importunação de animal marinho, ocorrido em junho de 2023, em São Sebastião, no litoral paulista.

Na época, vídeos publicados nas redes sociais mostraram que, de jet ski, com o motor ligado, Bolsonaro se aproximou de uma baleia jubarte no momento em que ela aparecia na superfície da água. O ex-presidente chegou a ficar a menos de 15 metros de distância do animal. Uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no entanto, proíbe embarcações com motor ligado a menos de 100 metros de qualquer baleia. No local, não há nenhuma sinalização, cartaz ou bandeira, que alerte os motonautas, para a distância que existe entre eles e o habitat” das baleias “jumarte”.

O advogado de Bolsonaro, Daniel Tesser, que acompanhou o depoimento, disse que o ex-presidente se reconheceu nos vídeos, mas declarou que não houve importunação do animal. “Você não consegue controlar um animal daquele tamanho que surge, ele emerge da água, de baixo. Foi exatamente o que aconteceu. O presidente tomou todas as precauções a partir do momento em que avistou a baleia, sem saber a que distância se encontrava dela.

O Ministério Público Federal abriu o processo de investigação em novembro do ano passado. A apuração vai definir se Bolsonaro desrespeitou a lei que proíbe “qualquer forma de molestamento intencional”, ou a importunação de baleias. A punição prevista é de dois a cinco anos de reclusão e multa.

Mais um caso hilário, digno de integrar o Festival de Besteira que Assola o País, se vivo fosse Sérgio Porto, o insubstituível Stanislau Ponte Preta.

No hemisfério sul, o principal alimento das baleias jubarte (Megaptera novaeangliae), da subordem Mysticeti, é o krill – um pequeno crustáceo semelhante ao camarão.

Enquanto isso, no hemisfério norte, as jubartes se alimentam de cardumes de peixes, como anchovas, bacalhau, lança-areia e capelim, de acordo com o site do Serviço Nacional de Pesca Marinha dos Estados Unidos.

O Ex-Presidente tem uma alma nobre. Ao invés de estar curtindo os finais de semana atracado com uma garrafa de cachaça, se presta a exercitar sua habilidade de motonauta, no seu Jet Ski, filmando com o seu celular as belezas naturais litorâneas. Não é um homem comum e sim um predestinado, a começar pelo seu nome de Batismo.

Relembrando o FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País, de Stanislau Ponte Preta, pseudônimo do saudoso Sérgio Porto- 1ª Edição – 1966 – Febeapá 2 – 1967 – EDITORA SABIÁ), vemos que as besteiras de hoje superam as besteiras de antigamente.

Há pessoas especialistas em criar e falar besteiras, principalmente o novo Governo e parlamentares.

Obs. Uma grande besteira que assola o País: No discurso de hoje, o Presidente disse que “a Companhia Vale pertence ao Brasil e o Brasil é quem manda nela.” Esqueceu que a Vale foi privatizada em 1997. Há exatamente 26 anos, num leilão realizado em 6 de maio de 1997, o governo brasileiro vendeu a maior parte de suas ações da até então estatal Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O negócio envolveu, na época, cerca de R$ 3,3 bilhões.

Mudando o rumo desta prosa:

Certo dia, correu o boato de que estavam conspirando contra o Estado Democrático de Direito, com a intenção de dar um golpe. A conspiração acontecia no domicílio de um Coronel.

Uma situação dessa quando vasa, vai um carro verificar a denúncia, para lavrar um flagrante. O carro, então, é uma viatura policial.

Pois bem. Espalhou-se a notícia de que uma conspiração de golpe estava sendo tramada no domicílio de um Coronel. Logo uma viatura se deslocou para dar uma incerta no endereço do tal Coronel, conforme informação colhida.

O caso ficou de boca em boca, com conotação de mistério. O suspense era grande.

E foi preparado o flagrante, para apanhar os conspiradores em ação. O que interessava aos agentes policiais era dar o flagrante e prender os conspiradores todos de uma vez. Essa notícia iria ser manchete de jornal.

A conspiração (ou reuniões), segundo a denúncia, começava por volta das 10 horas da noite e terminava de madrugada.

Várias pessoas de aparência suspeita entravam no edifício e lá ficavam, fazendo o silêncio mais constrangedor que se podia imaginar. As luzes permaneciam acesas, e quem estava de fora pressentia que o apartamento estava cheio de gente, mas os sons discretos que vinham de dentro não coincidiam com esses detalhes. Eram palavras quase murmuradas.

A viatura policial chegou de mansinho, encostou na outra esquina, para não ser identificada, e os componentes da patrulha desceram para cercar o domicílio. Foi tudo muito fácil, pois os conspiradores nem sequer tinham tomado providências contra um possível flagrante. O militar que chefiava a turma subiu ao andar onde o Coronel tinha domicílio certo, e protegido pela sua metralhadora, bateu na porta devagarinho, para que não desconfiassem. Abriram a porta e lá dentro estavam vários casais jogando biriba.

Nunca houve coisa mais ridícula do que este flagrante. E nunca houve atitude mais abominável do que este fiasco de flagrante, querendo encontrar cabelo em ovo, e maldade onde não existe.

Como também, nunca houve coisa mais forjada e ridícula, do que a tal minuta de golpe, escrita para prejudicar o Ex-Presidente. Mais uma perseguição e mais uma besteira, para “enriquecer” o “FEBEAPÁ” (FESTIVAL DE BESTEIRA QUE ASSOLA O PAÍS.

Voltando à Baleia:

A Baleia sempre foi o mais veloz e comilão animal do mar. Comia tudo o que via em sua frente. Nadava mais do que todos os outros peixes.

Diz a lenda que, certo dia, uma moça devota de Santo Antônio ia rezando com uma imagem desse santo casamenteiro, pedindo que o navio entrasse logo na barra. De repente, a imagem caiu no mar. A Baleia abocanhou Santo Antônio, mas ficou engasgada. Quanto mais se engasgava, mais a goela ficava estreita.

Santo Antônio desapareceu e a Baleia ficou, até hoje, só engolindo sardinhas e peixes miudinhos.

Também diz a lenda, que Nosso Senhor Jesus Cristo, como castigo, torceu o rabo da Baleia. Por isso, ela nada mais devagar e é o único peixe que tem a barbatana do rabo virada para baixo, batendo água de baixo para cima, e não da direita para a esquerda, como todos os viventes da água.

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AS PRAGAS

A primeira praga que eu ouvi falar na minha vida foi “a praga do mau vizinho”. Era um jargão que um mendigo usava para agradecer a esmola que alguém lhe dava. “Deus te livre da praga do mau vizinho”! Eu era adolescente e logo conheci de perto o mau vizinho. Entendi que um mau vizinho é uma verdadeira praga, e só nos faz mal.

Vi minha mãe chorar, ao ver sua gata angorá morrer, sem nenhum pelo, em consequência de uma panela de água fervendo que lhe foi jogada por sua má vizinha, Dona Geni, para enxotá-la do seu quintal.

Vi meu irmão chorar, ao ver seus dois cachorros mortos por envenenamento, consequência de “bolas” que lhes foram jogadas por um mau vizinho. Casos verdadeiros, testemunhados por serviçais.

Como diz o ditado, “matos tem olhos, paredes tem ouvidos.” Há sempre uma testemunha ocular que o acaso coloca na “cena do crime”, para desmascarar o mentiroso. Mas a principal testemunha que existe é Deus. Se o homem não punir, Deus punirá. A Justiça de Deus tarda, mas não falha.

As dez pragas do Egito estão registradas na Bíblia, no livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Êxodo 7—12).

Sem dúvida, esse foi um dos acontecimentos mais emblemáticos da história bíblica de Israel. Foi depois de sair do Egito, que o povo de Israel se consolidou como nação em Canaã, após peregrinar por algumas décadas pelo deserto.

Segundo os estudiosos, as dez pragas do Egito foram os castigos que Deus enviou contra a nação que estava oprimindo o seu povo escolhido. Foi após o Senhor ter enviado as 10 pragas através do ministério de seu servo Moisés, que os egípcios libertaram os israelitas.

De acordo com o texto bíblico, a primeira praga consistiu na transformação das águas do Nilo em sangue.

A segunda praga foi a invasão de rãs em todo o Egito.

A terceira praga trouxe ao Egito uma infestação de piolhos; a quarta praga trouxe a invasão de moscas; a quinta praga trouxe doenças e mortes a todos os rebanhos do Egito.

A sétima praga foi uma chuva de pedras, que destruiu as plantações do Egito; a oitava praga, foi a invasão de um enxame de gafanhotos, que infestou as terras egípcias.

A nona praga trouxe uma escuridão, que durou três dias; e na décima praga do Egito, a cólera divina fez morrer todos os primogênitos dos homens e dos animais.

Com tudo isso, fica claro que o significado das dez pragas do Egito apontou para a soberania de Deus sobre todas as coisas. As pragas caíram sobre o Egito, para que todos soubessem que o Deus de Israel é o Senhor, e para que seu nome fosse glorificado em toda a terra.

No Brasil, tem havido várias pragas, comparáveis às pragas do Egito. Como exemplo, o Covid-19, ou Corona-vírus, onde o índice de óbitos foi pavoroso.

Houve derramamento de dinheiro público nas mãos dos corruptos, com verbas desviadas da compra de oxigênio, crime para o qual até hoje não houve punição. Enquanto isso, milhares de pessoas morriam pela falta de oxigênio e leitos hospitalares.

Neste ano de 2024, nova praga assolou o País, através da proliferação do mosquito da dengue, adoecendo pessoas (50.000) e já alcançando 131 óbitos até o momento, o que não tem termos de comparação com a pandemia do Covid-19.

Mas, o fato é que, agora, a dengue entrou em cena com gosto de gás. As verbas públicas estão fazendo o verdadeiro carnaval do Ministério competente. A Vacina Qdenga já está sendo aplicada em crianças, sem que se saiba quais serão os efeitos colaterais que ela provocará.

Essas terríveis pragas parecem uma maldição de fundo bíblico, lançada sobre o Brasil, que já foi considerado o “País do Futuro”. Há também as pragas que vestem paletó e gravata ou togas pretas. Destroem toda a economia do País, não poupando dinheiro para turismos internacionais.

O nosso País está contaminado de maus políticos, corrupção, degeneração dos costumes e desrespeito, sementes que, plantadas, resultam numa péssima colheita.

Comparando as dez pragas do Egito com o que tem acontecido no Brasil, fora o sangue que manchou o rio Nilo, há muitas coincidências.

Atualmente, a dengue chegou novamente ao Brasil, de vento em popa. A poluição hídrica continua cada vez pior, e até hoje, o Órgão competente não respondeu quem tingiu de óleo as praias do Nordeste brasileiro.

Junto com a epidemia de dengue, vão as verbas milionárias, para abastecer as eleições municipais. A dinheirama está por trás de toda epidemia de dengue, e as vacinas são uma fonte de renda.

Para os egípcios, Deus mandou uma chuva de granizo que devastou seus campos. Para o Brasil, alguém soprou um fogo enorme no pantanal, queimando quatro milhões de hectares de terra.

Para os egípcios, Deus mandou uma chuva de granizo que devastou seus campos. Para o Brasil, a praga soprou um fogo enorme no pantanal, recaindo a culpa em quem não teve nada a ver com isso.

Aliás, entre uma praga de gafanhotos e uma praga de políticos corruptos, o que seria pior? A corrupção apodrece os políticos e faz o homem desacreditar no seu semelhante.

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A PREVISÃO

José Romeiro, um comerciante de Natal, gostava muito de música e era um pesquisador nato da música antiga, especialmente da “modinha”. Também sabia dedilhar um violão, e gostava de se acompanhar cantando. Indiscutivelmente, tinha cultura musical e fazia questão de dizer. Não esperava elogios. Ele mesmo elogiava a si próprio, pois gostava de propagar as suas boas qualidades. Chegou a publicar uma coletânea de modinhas, focalizando antigos compositores do cenário musical brasileiro. Não tinha formação acadêmica, mas era metido a sabichão.

Desprovido de qualquer modéstia, dizia, abertamente, que se considerava o homem mais inteligente de Natal. Mesmo sendo um homem íntegro, essa sua vaidade o tornava extremamente antipático aos olhos das pessoas ligadas à intelectualidade da cidade. Isso também incomodava os seus próprios amigos.

Estavam se aproximando as festas de Natal e Ano Novo. Findava a década de 60 e iria começar a década de 70. As pessoas crédulas aguardavam, com ansiedade, as previsões dos videntes, sobre os acontecimentos que atingiriam a vida da cidade e do país, no novo ano.

Uma conhecida vidente de Natal, “Mãe Jacinta”, que morava no bairro das Rocas, fez suas previsões para o novo ano, e o principal jornal da cidade publicou a sua entrevista. Entre as previsões estava escrito que, logo no primeiro semestre, morreria em Natal um grande vulto, a maior cultura do Rio Grande do Norte, uma das figuras mais ilustres da cidade. A notícia publicada no jornal se espalhou. A repercussão foi grande, e virou assunto principal em todos os lugares da cidade, inclusive nas mesas de bar. A vidente deixou claro que o óbito do grande homem ocorreria em Natal mesmo.

Não deu outra coisa…José Romeiro tomou para si a previsão de “Mãe Jacinta”, e entrou em pânico. Antes que se cumprisse o agouro, preparou as malas e viajou, imediatamente, com a família, para o Rio de Janeiro. Só voltou a Natal no final do ano de 1970.

São e salvo!!!

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O ANJO

Morava em Nova Cruz (RN) um rapaz de nome José Teixeira, filho de uma viúva, pertencente a uma ramificação de tradicional família daquela cidade.

Dizem que, desde criança, sempre demonstrou tendência feminina nos gestos, preferindo os brinquedos das meninas e desprezando carrinhos e bolas com que os meninos brincavam. Cresceu assim, e, dessa forma, tornou-se rapaz, passando a se dedicar às prendas domésticas.

Revelou-se um verdadeiro artista, aprendendo a bordar, pintar, confeccionar flores e chapéus femininos ornamentados.

Com o passar do tempo, José Teixeira dedicou-se completamente à decoração de ambientes e preparação de festas, difundindo cada vez mais suas habilidades artísticas. Com elas, passou a ganhar dinheiro, ajudando no sustento da mãe, viúva pobre, e suas duas irmãs.

Era religioso, educado, e sabia respeitar as pessoas, sendo por isso também respeitado. Nenhuma festa acontecia na cidade, sem que estivessem presentes a sua arte e o seu bom gosto. O preparo de altares na Matriz da Imaculada Conceição, Padroeira da cidade, os andores para as procissões, festas de casamento, aniversários, enfim, quaisquer acontecimentos festivos contavam com a sua indispensável participação.

Tornou-se o decorador oficial da cidade, nos eventos públicos ou privados, inclusive nas festas religiosas do final do ano, onde havia uma Quermesse para angariar fundos para a Igreja.

Eram frequentes os jantares, os saraus, os bailes, as procissões e novenas, como manifestações da realidade artística, religiosa e social da cidade. Em tudo, estava a presença marcante desse filho de Nova-Cruz.

Merece destaque o fato de José Teixeira nunca ter escondido sua tendência feminina, mantendo, entretanto, uma conduta discreta e digna. Vivia para o trabalho, e nunca se meteu em fofocas. Seu excelente círculo de amizade incluía moças, senhoras casadas, senhores e rapazes. Até o Padre da Paróquia de Nova-Cruz lhe fazia elogios publicamente, em agradecimento pelo seu trabalho de embelezador e colaborador das festas e procissões.

Nessa época remota, o distúrbio genético apresentado por José Teixeira era raro, e a cidade que o viu nascer o aceitava como era.

Sua presença tornou-se indispensável nas festas de aniversários, casamentos e bailes. Também ocupava lugar de honra na vida familiar da cidade, sendo sempre convidado para almoços e jantares, e ainda para padrinho de crianças. Tornou-se amigo e confidente de todos.

A cidade se desenvolveu e passou a ter mais festas, aumentando também o prestígio de José Teixeira. Era um verdadeiro “patrimônio” artístico de Nova-Cruz.

Surgiu o primeiro bloco de carnaval da cidade, tendo José Teixeira como organizador, decorador e figurinista. Esse bloco saía às ruas de Nova-Cruz no tríduo carnavalesco, “assaltando” as residências de pessoas da cidade, onde era recebido com bebidas e salgadinhos, à vontade.

As calçadas e ruas transformavam-se em salões de festa e a alegria era imensa.

O nosso Tio Paulo, uma figura inesquecível, era um dos maiores incentivadores do bloco, e o “assalto” à sua casa era indispensável! Irmão do nosso pai, Francisco, as casas eram vizinhas, e o “assalto” era aproveitado por nós, ainda crianças. Dançávamos no meio da rua, jogando confetes e serpentinas, presenteadas por ele, num clima de felicidade sem igual.

Tio Paulo distribuía lança-perfumes para os seus amigos, compradas em Natal, que eram usadas para perfumar o cangote das moças. E o cheiro se espalhava pelo ar. Não havia porre, loló nem brigas. O carnaval era só alegria e higiene mental.

O Rei Momo e a Rainha do Carnaval eram eleitos, uma semana antes, por uma comissão apontada por José Teixeira, da qual fazia parte.

José Teixeira confeccionava a alegoria, porta-estandartes e as fantasias para o carnaval.

Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas (vem Odalisca do meu harém vem, vem vem… ) e Piratas eram as principais fantasias.

A tarde entrava pela noite, com trombones, tamborins e outros instrumentos, executando os mais belos e tradicionais frevos e marchinhas de carnaval. A cidade era calma e o povo todo era conhecido.

Não havia o carnaval sensual/sexual de hoje, e os seios e nádegas eram guardados com recato.

As marchinha e frevos não tinham maldade. Tinham beleza e poesia.

Podemos dizer que, em Nova-Cruz, foi José Teixeira quem inventou o carnaval, o bloco, a alegoria e o estandarte, quando a maldade não tinha nascido.

Assim era José Teixeira. Totalmente feminino, amado, respeitado, e aceito por todos, sem sofrer exclusão pelo seu modo involuntário de ser.

Para mim, ele era um Anjo. E Anjo não tem sexo…

Hoje, desapareceu a pureza. Os Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas e Piratas se desnudaram. Restaram expostos, em abundância, seios, nádegas e tatuagens.

A modernidade nos deixou apenas o direito de nos fantasiarmos de PALHAÇOS!!!Palhaços das nossas ilusões!

Decepcionados, abafamos no peito a saudade dos velhos carnavais.

O cheiro de lança-perfumes sumiu! Roubaram as fantasias do nosso povo!

Roubaram o sorriso de felicidade, que existia nos rostos nos dias de carnaval.

Ó, ABRE ALAS, QUE EU QUERO PASSAR!

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PALHAÇOS E REIS

Na confusão de gestos e risos sardônicos, eis que o povo brasileiro sofre mais uma vez, com uma nuvem cinzenta de gafanhotos negros, chegando para perturbar a alegria do povo, às vésperas do Carnaval, festa de ricos e pobres, cada um ao seu modo.

Quem pode, se empanturra de lagosta e caviar e bebidas caras, às custas do dinheiro público. Quem não pode, se diverte na base da linguiça e da cachaça, com pandeiro ou sem pandeiro.

A “terceira guerra mundial”, representada pelo Covid 19, em 2020, pegou o povo de surpresa, podendo ser considerada mais uma praga, não do Egito, mas da China, com a proliferação de um vírus feito em laboratório, que dizimou milhares de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Agora em 2024, às portas do Carnaval, mais uma praga do Egito estourou, sendo acompanhada pelo mosquito da dengue, e do vírus fabricado pelo solar dos urubus, onde se fabrica a destruição moral de cidadãos de bem e de suas famílias.

O brasileiro assiste ao prepotente desfile de palhaços e reis, que se julgam acima de Deus, mas que, na verdade, são guiados por Lúcifer, o espírito do mal. Esses urubus togados merecem fazer um retiro espiritual no carnaval que se aproxima, para pedir perdão a Deus por tanto mal que tem praticado contra o povo brasileiro.

De repente, a gangorra política voltou a todo vapor. De um lado, Jesus, do outro, Lúcifer.

É Portela 74

Mais uma vez, estamos às portas do Carnaval. O povo anseia pelo tríduo de Momo, para, sem lenço nem documento, descansar da rotina do trabalho e recuperar as energias.

O Carnaval é um período de festas populares realizadas durante o dia e à noite. As comemorações ocorrem todos os anos, nos meses de fevereiro ou março, começando no sábado e estendendo-se até a Terça-feira de Carnaval.

As celebrações carnavalescas terminam na Quarta-feira de Cinzas, dia que marca o início da Quaresma – período de 40 dias que segue até a Sexta-feira Santa, dois dias antes da Páscoa.

As festas de Carnaval são adaptadas de acordo com a história e a cultura local. Em geral, as pessoas dançam, comem e bebem alegremente em festas, bailes de máscaras e bailes de fantasias.

Marchinha de carnaval é um gênero de música popular que foi predominante no Carnaval Brasileiro dos anos 20 aos anos 60 do século XX, altura em que começou a ser substituída pelo samba enredo.

Carmen Miranda foi a cantora mais popular de marchinhas de carnaval.

A primeira marcha foi a composição de 1899 de Chiquinha Gonzaga, intitulada Ó Abre Alas, feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro.

A marcha foi um estilo musical importado para o Brasil, que descende diretamente das marchas populares portuguesas, partilhando com elas o compasso binário das marchas militares, embora mais acelerado, melodias simples e vivas, e letras picantes, cheias de duplo sentido. Marchas portuguesas faziam grande sucesso no Brasil até 1920, destacando-se Vassourinha, em 1912.

Oh! Dona Antonha

Oh! Dona Antonha, oh! Dona Antonha
Tu tá ficando mas é muito sem vergonha!
Oh! Dona Antonha, oh! Dona Antonha
Tu tá ficando mas é muito sem vergonha!
A dona Antonha tem três filhas bonitinhas
Uma é Miloca, outra é Dondoca, outra é Chiquinha
São três querubim, feitas só pra mim
E nesta trinca eu vou brincar o carnaval!
Levo a dona Antonha, porque é sem vergonha
Ela está velha, mas é boa, não faz mal! Agora!

Eu fiz um bloco pra brincar com a macacada
As três meninas vão sair fantasiada
Uma de dançarina, outra de colombina
Sai a Chiquinha de Maria Antonieta!
Mas a dona Antonha, que é muito sem vergonha,
Sai de baliza, vestida de borboleta! Enfeza!

Inicialmente calmas e bucólicas, a partir da segunda década do século XX as marchas passaram a ter seu andamento acelerado, devido a influência da música comercial norte-americana da era jazz-bands, tendo como exemplo as marchinhas Eu vi e Zizinha, de 1926, ambas do pianista e compositor José Francisco de Freitas, o Freitinhas.

A marchinha destinada expressamente ao carnaval brasileiro passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro, a partir de composições de 1920 como Pois não de Eduardo Souto e João da Praia, Ai amor de Freire Júnior e Ó pé de anjo de Sinhô, e atingiu o apogeu com intérpretes como Carmen Miranda, Emilinha Borba, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Jorge Veiga e Blecaute, que interpretavam, ao longo dos meados do século XX, as composições de João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Ary Barroso, Noel Rosa e Lamartine Babo.

O último grande compositor de marchinha foi João Roberto Kelly.

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A CONFUSÃO

Anos atrás, na Igreja Matriz de uma capital nordestina, o padre começou a celebrar a Missa das 7 horas da noite do domingo, falando mal da politicalha que assolava o País. Isso desagradou aos presentes, na sua maioria petistas. E seu vozeirão ecoou aos quatro cantos do templo:

– Irmãos, estamos hoje aqui, reunidos para falar dos “Fariseus”, esse povo mentiroso e corrupto, que está acabando com a economia do nosso País!

– Virgem Maria!!! Foi o murmúrio generalizado que ecoou na Igreja.

Os petistas saíram xingando o padre, e houve bate-boca na porta da Igreja. O prefeito, indignado, foi falar com o padre na Sacristia, ameaçando-o de requerer ao Bispo a sua remoção daquela Diocese, se ele continuasse a falar mal dos políticos, na hora do Sermão.

– Padre, pega leve! Os petistas são sindicalistas e funcionários públicos que ganham bem. Gastam na lojas, e, nos restaurantes e colaboram com a coleta da Igreja. Não agrida os políticos! Isto é uma ordem! Não ponha a Prefeitura em situação difícil!

Durante toda a semana, na cidade não se falou de outra coisa, senão do padre e do Sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo deixou as pessoas curiosas, para saber como seria o sermão do domingo seguinte.

É bem verdade, que uma parte da cidade estava até satisfeita, pois, muitos moradores não morriam de amores pelos petistas.

Finalmente, chega o novo domingo, o prefeito vai à sacristia e recomenda:

– Padre, o senhor lembra da nossa conversa? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?

Começa a missa e o padre chega ao sermão:

– Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia: “Maria Madalena”. Aquela mulher, a prostituta que tentou seduzir Jesus, como essas ativistas desgraçadas, do sovaco cabeludo e mal cheirosas, vagabundas, mentirosas, corruptas e ladras que estão aqui.

O Padre mal acabou de falar, não deu outra!!! Pancadaria na igreja, atendimentos no Pronto-socorro da cidade, e o prefeito, novamente, foi ao encontro do padre:

– Padre, pelo amor de Deus! O senhor não me disse que ia pegar leve? Olha, eu também não morro de amores por esses petistas, eles são complicados, tem uns probleminhas, são ignorantes, prepotentes, não tem nenhuma ética etc, mas se o senhor não parar com isso, vou ter que pedir ao Bispo a sua retirada da paróquia.

Naquela semana, o zum-zum-zum foi maior ainda. O papo era só o sermão e ninguém perderia a missa do próximo domingo, nem por decreto! Na noite do domingo, a Igreja parecia final de Campeonato Brasileiro : Muita gente em pé, pois faltou lugar para sentar.

Antes da Missa, o prefeito entrou na sacristia, acompanhado pela polícia e, mais uma vez, advertiu o Padre:

– Padre, pegue leve, senão o senhor vai preso!

A igreja estava lotada. Todos querendo ver “o circo pegar fogo”. Quase não se conseguia respirar de tanta gente. Pessoas que há anos não pisavam na igreja, no domingo estavam lá, com terços e santinhos nas mãos, parecendo super devotas.

Quando o padre apareceu, houve uma tensão generalizada, com cochichos espalhados pelos quatro cantos.

Aparentemente calmo, o Padre começou a falar:

– Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: “a Santa Ceia”.

– Jesus, naquele momento disse aos apóstolos:

– Esta noite, um de vocês me trairá!

Então, João perguntou:

– Mestre, serei eu?

E Jesus respondeu:

– Não, João, não será você.

Então Pedro perguntou:

– Mestre, serei eu?

E Jesus respondeu:

– Não, Pedro, não será você.

E então, Judas, aquele desgraçado, vagabundo, mentiroso, corrupto e ladrão, que estava vestindo uma túnica toda vermelha, perguntou:

– Cumpanhêro, é eu?

-Tu o dizes! – Respondeu o Mestre.

E a pancadaria comeu solta … !

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ADORO QUINDIM

Uma das minhas iguarias preferidas é quindim. Aprendi a gostar com a minha saudosa mãe, dona Lia, que cozinhava muito bem e dava preferência às sobremesas que levassem coco.

O quindim é um doce, à base de açúcar, gemas e coco ralado. É de se comer, “até lamber os beiços.”

Além de gostar de quindim, minha mãe também gostava muito da canção “Os Quindins de Iaiá” (de 1941), que cantarolava, embalando o filho caçula, como se fosse uma canção de ninar.

Sem dúvida, foi dela que herdei a preferência por quindim, que conservo até hoje.

“Os Quindins de Iaiá”, da autoria de Ary Barroso (1903-Ubá-MG / 1964-Rio de Janeiro-RJ), fez muito sucesso na voz do autor, como também na voz de Carmen Miranda, Dorival Caymmi (1914–2008), Dominguinhos e outros excelentes intérpretes.

“Aquarela do Brasil”, também da autoria do grande compositor Ary Barroso, foi a música que consolidou o estilo samba-exaltação, e ajudou a elevar o gênero samba à categoria de símbolo musical nacional.

Filho do advogado João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso, Ary Barroso ficou órfão aos 6 anos de idade. Os pais foram vítimas da tuberculose.

Ary Barroso foi criado pela tia avó, a professora de piano Ritinha, que o introduziu na música. Com 12 anos de idade já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal de Ubá (MG), acompanhando os filmes mudos. Com 15 anos, começou a compor.

Com 18 anos, recebeu uma herança do tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, e partiu para estudar Direito no Rio de Janeiro. Morava numa pensão de luxo, frequentava os melhores restaurantes e comprava as melhores roupas.

Quando o dinheiro acabou, passou a tocar piano em cinemas e cabarés, para se sustentar. Acabou gostando da boemia carioca.

Em 1923, passou a tocar na orquestra do maestro Sebastião Cirino, na sala de espera do teatro Carlos Gomes.

Em 1926, iniciou o Curso de Direito, interrompido diversas vezes.

Em 1928, foi contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada de oito meses em Santos e em Poços de Caldas.

Em 1929, Ary voltou para o Rio de Janeiro. De pensão em pensão, foi parar na Rua André Cavalcanti, 50. Gostou das acomodações e da filha da dona da pensão, Ivone Belfort de Arantes. A família não concordava com o casamento de Ivone com o pianista boêmio.

Depois de ganhar um concurso de música carnavalesca com a marchinha “Dá Nela”, Ary pode pagar as despesas, e com o diploma de bacharel em direito, conquistado em 26 de fevereiro de 1930, pode se casar com Ivone. Ainda morando na pensão, nasceram os filhos Flávio Rubens e Mariúzia.

Em 1932, Ary Barroso ingressou na Rádio Philips a convite de Renato Murse. Além de pianista, foi humorista, animador e locutor esportivo.

Em 1933, enfrentou uma grande crise pessoal, quando perdeu a esposa Ivone e a avó no mesmo ano.

Depois da Rádio Philips, Ary foi para a Mayrink Veiga, e de lá, em 1934 foi para a Cosmos, em São Paulo, época em que criou o programa “Hora H”. Exigia que os calouros cantassem apenas músicas brasileiras e que citassem o nome do compositor.

Carmem Miranda foi uma de suas principais intérpretes e também grande amiga, com quem passeava nas ruas do Rio. O sucesso de “Aquarela do Brasil” na voz da cantora, fez com que Ary Barroso se transformasse em compositor e arranjador de filmes de Hollywood.

Ary Barroso notabilizou-se pelas músicas “Aquarela do Brasil, “Na Baixa do Sapateiro”, “Os Quindins de Yaiá” “No Tabuleiro da Baiana” e outras.

Retratou em suas canções, muitos aspectos do cotidiano popular. O samba esteve presente na maior parte de suas músicas, mas também estiveram presentes o xote, o choro, o foxtrote e a marcha.

Foi convidado, em 1936, para ser locutor na Rádio Cruzeiro do Sul. Apesar de já ser um compositor de sucesso, a atividade de locutor e comentarista esportivo se tornaria uma marca registrada de sua carreira.

Seus programas de calouro ficaram famosos e em 1937 inovou com um sino, para eliminar os calouros na Rádio Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro. Quando foi para a Rádio Tupi, instituiu o gongo.

Ary Barroso, portanto, foi o precursor do gongo, imitado em programas de calouros, na televisão, tipo “A Buzina do Chacrinha” do apresentador José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha (1917-1988), que muito divertiu os telespectadores brasileiros, com seus jargões engraçados.

Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé?

Cumé que faz chorar
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé?

Cumé que faz penar
O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá
Uma dor
Me dá, me dá
Que não sei
Se é, se é
Se é ou não amor
Só sei que Iaiá tem umas coisas
Que as outras Iaiá não tem
O que é?

Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá

Tem tanta coisa de valor
Nesse mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite
Escondida nos canteiros
Tem música e beleza
Na voz dos boiadeiros
A prata da lua cheia
No leque dos coqueiros
O sorriso das crianças
A toada dos barqueiros
Mas juro por Virgem Maria
Que nada disso pode matar…
O quê?
Os quindins de Iaiá…

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“A MOÇA DO SONHO”

Há sonhos estranhos, que nos dão a impressão de termos feito uma viagem ao além, onde nos encontramos com uma pessoa que é a perfeição da beleza, e que nos atrai física e espiritualmente. Quanto mais longo é o sonho, maior o desapontamento (ou alívio), que sentimos quando despertamos.

Os gênios Chico Buarque (letra) e Edu Lobo (música), em parceria, compuseram a belíssima música “A Moça do Sonho”, que nos transporta a um universo de fantasia, em busca da perfeição da pessoa amada.

O encontro desses dois gênios resultou nessa belíssima composição, uma verdadeira obra prima.

O “eu lírico” fala da mulher dos sonhos do poeta, num desejo desesperado de que fosse tudo realidade.

Essa canção foi composta para a peça de teatro Cambaio (2001). O eu lírico ou eu poético é a voz que se expressa em uma poesia. Tal voz manifesta sentimentos, emoções, pensamentos e até opiniões. Portanto, tudo que é dito em uma poesia deve ser atribuído ao eu lírico, e não ao poeta.

Na composição “A Moça do Sonho”, o poeta, em sonho consegue visualizar a mulher que mora na sua imaginação. Mas, não dá para perceber nitidamente seus traços fisionômicos, o que lhe faz se arriscar a perguntar quem é ela. Mas, tomado de emoção, não consegue falar. Sua voz fraqueja.

“Entre escadas que fogem dos pés/ e relógios que rodam pra trás/ se eu pudesse encontrar meu amor/não voltava jamais.”(Diz o poeta)

Soprando o rosto da moça, com tristeza, verificou que ele se desfez em pó e sumiu.

Como numa magia, a moça voltou sussurrando uma canção. Ele resolveu novamente perguntar quem era ela, mas numa luminosidade que não lhe permitia enxergar bem, sentiu que ela fugia novamente, devagarinho.

Procurando evitar a fuga, a segurou. Ele a ouviu gemer, mas não sabia dizer se era por prazer ou dor. O vestido se desfez, desapareceu, mas o poeta não conseguiu vê-la nua.

No seu rosto, não identificou a mulher dos seus devaneios.

E o poeta ficou a imaginar, que seria bem melhor se vivêssemos os sonhos e não a realidade. Porque os sonhos são manifestações dos desejos, vontade daquilo que pretendemos viver. A realidade, muitas vezes, é cruel.

Seria muito bom, se houvesse um lugar, onde os sonhos tivessem a energia do que é verdadeiro.

Nesse lugar, a Moça do Sonhos seria a rainha que fascinaria o poeta todos os dias, com seu sorriso, seu rosto de beleza deslumbrante e seus gemidos de prazer. Lá teria uma cama, onde, quem sabe, a cada noite ele se fizesse presente nos seus sonhos.

Quando os sonhos desaparecem e se findam, o que fazer para revivê-los? Onde encontrá-los? Devia haver uma praça com ofertas, para que pudéssemos localizar aqueles sonhos que se foram, mas que ainda temos esperança de que ressurjam!

Nada evitará que continuemos nessa busca. Mas, se eles forem encontrados, não voltarão jamais a ser como antes.

A MOÇA DO SONHO Canção de Chico Buarque (Letra) e Edu Lobo (Música)

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar

Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava jamais