AGONIADA? NEM PENSAR

Passei anos – tenho certeza de que você também – ouvindo de meus pais: “A saúde em primeiro lugar”. E sempre dei de ombros ao conselho que me davam. Mas, o tempo passa, o tempo voa… Ora, se nem o Bamerindus continua numa boa – ao contrário, quebrou –, quem sou eu para desafiar a “lei da idade”? Resolvi me tratar por conta e risco próprios. Médicos são incapazes de fechar qualquer diagnóstico sem pedir o tal de exame de sangue. Agulhas não se dão bem comigo, se me entendem. Elas entram num braço, eu quedo sobre o outro: desmaio.

Optei pelos fitoterápicos. Peguei uma relação de ervas, analisei a utilidade de cada uma delas e escalei meu “time”: Carqueja (gol); Salsaparrilha, Artemísia, Assa Peixe e Avenca (zaga); Barbatimão (em homenagem ao glorioso Corinthians, campeão dos campeões, eternamente etc.), Boldo do Chile e Cabreúva (meio-campo); Hortelã, Porangaba e Cactus (ataque). Na reserva, mantenho uma erva para cada titular. Tomo em média três copos de 250 ml por dia – de cada erva do time principal. Ou seja: mijo muito, quase sem parar. Trato simultaneamente de vários problemas, ok? Excluí do elenco duas plantas: Urtiga e Agoniada. Segundo a vasta literatura fitoterápica, a primeira dá jeito na menstruação i rregular e a segunda acaba com a inflamação uterina. Concluí que elas não me seriam úteis.

Como todo tratamento, o que adotei também apresenta efeitos colaterais. Tenho produzido pouco e dormido menos ainda. Quando não estou tomando chá, estou eliminando chá. Por falar nisso, tenho que encerrar a conversa. Hora de passar o pano no chão e trocar de bermuda. Até. Em breve, lhes darei notícias sobre o andar do tratamento.

Vai uma urtiga, aí?

5 Cometários!

E O AMOR SAIU PELA JANELA

Orlando Silveira

CENA I

– Sonhei que estava fazendo amor com você…
– Jura? E aí?
– Acordei suada, amedrontada. Um horror.

CENA II

– Seu ronco é insuportável.
– Eu sei. Em compensação, só solto “pum” no banheiro.

CENA III

– Se eu soubesse que você ficaria desse tamanho, juro, teria dito “não” ao padre.

CENA IV

– Como estou?
– Parecendo árvore de Natal.

CENA V

– Querido: se é verdade que você só me trai em pensamentos, me faça um favor: reze em casa. Vamos economizar muito dinheiro (da gasolina, do estacionamento, do pastor). Se agir assim, terá desde já meu profundo perdão.

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