MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

MADAME BISSET

É consabido que o nordeste brasileiro é um rico e abençoado berçário de poetas e cantadores. Eles encantam a todos e enriquece ainda mais a cultura e o folclore local. Nominá-los não é tarefa fácil e nem este é o propósito do texto. Evito porque além de infindável ser a lista, correria o risco de cometer injustas omissões.

Aqui, especificamente, no Estado de Pernambuco, um torrão de terra se destaca no mundo da poesia: O Pajeú.

A dita região abrange 17 cidades do Sertão pernambucano. A aridez provocada pela seca e a vida dura imposta aos nativos não os impedem de colherem as benesses e os frutos advindos das benfazejas águas do santo rio Pajeú. Sem medo de errar, afirmam que o principal produto/fruto colhido da região é a arte.

Autóctones da gema, não se cansam em difundir e de se gabarem de que neste rincão sertanejo, o sujeito já nasce respirando poesia. Os mais bairristas e aguerridos, então, asseguram que não só respiram, mas, comem, bebem, andam e falam em ritmo de versos rimados.

O motivo de tal orgulho advém de uma lenda de que, séculos atrás, nos tempos da colonização portuguesa, foi enterrada uma viola no leito do rio Pajeú.

A criatividade, junto com a mitologia regional assegura que, ao tomar um gole ou ser batizado com a água do Pajeú, já é o bastante para que a criatura transforme-se em poeta. E sem distinção de gênero.

Por lá é dito que, se o genoma humano é composto por 46 cromossomos (23 vindos do pai e 23 vindos da mãe), com a reação provocada pelo H2O do lendário rio, afeta imediatamente o DNA do felizardo, fazendo surgir poetas, repentistas, cantadores e violeiros aos borbotões.

Um grande amigo, e irmão na arte real, o jurista José Djacy Veras, radicado há muitos anos no Recife, mas, jamais abandonou suas raízes sertanejas do Pajeú. Originário que é de Afogados da Ingazeira, conta uma belíssima história ocorrida naquelas plagas:

Que o pernambucano Josué de Castro – médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome – (Recifense reconhecido no mundo todo. Por seus méritos, exerceu a presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra.

Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965). Em suas andanças por Paris, de tanto falar na notoriedade dos poetas de sua terra, resolveu convidar o casal de amigos Albert Louis e a esposa Professora e Socióloga, Catherine Bisset à vir ao Brasil. Depois da Amazônia, vieram ao Nordeste, especificamente, fazendo uma turnê por Pernambuco, Ceará e Paraíba, em cada lugar o anfitriã mostrava tudo que era possível, da cultura, do povo, da geografia e dos costumes, e na Paraibana Pombal, depois de conhecerem a trilha dos dinossauros, levou o ilustre casal à assistir uma cantoria de poetas violeiros.

A cantoria corria solta, a bebedeira dos cantadores violeiros, também. A criatividade impressionava os presentes. Madame Bisset e o Marido estavam maravilhados.

Lá para as tantas o interlocutor do evento pediu aos cantadores presentes que saudassem em versos e prosas os nobres visitantes franceses. Para que dessem uma demonstração, uma “canja” da veia poética e criativa dos cantadores da região, homenageando os forasteiros.

No meio de tantas e tantas loas, destacou-se uma que ficou marcada na memória, especificamente homenageando a ilustre visitante Madame Bisset.

Vamos homenagear
Uma distinta pessoa
Madame Bisset, há de perdoar
Minha rima, minha lôa
É que seu nome, de certo
Tira um fino muito perto
De uma coisa muito boa

A madame aplaudia e sorria, sem entender muito a criatividade e malícia do cantador.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

SOCIEDADE DOS POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

O título acima, carregada de metafórica e barata analogia às avessas da magistral e premiada obra cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos, escrita por Tom Schulman e dirigido por Peter Weir. Em que o novo professor de Inglês John Keating é introduzido a uma escola preparatória de meninos que é conhecida por suas antigas tradições e alto padrão. Ele usa métodos pouco ortodoxos para atingir seus alunos, que enfrentam enormes pressões de seus pais e da escola, onde aprendem como não serem tão tímidos, seguir seus sonhos e aproveitar cada dia.

E por aqui, nesta gazeta escrota, o que mais se vê são métodos pouquíssimos ortodoxos de se noticiar e comentar um pouco sobre tudo. Por isso o título sociedade dos poetas que se fingem de mortos.

2010

Há uns dez anos, eu andava fuçando pela internet, alguma página que fugisse dos padrões enfadonhos de se apresentar e da mesmice incrustada nos sites de notícias. Que levasse a informação de um modo diferente, criativo, com sarcasmo mas, sem perder o originalidade. Com humor bem debochado e excrachado, mas que permanecesse fiel e verdadeiro. Que atingisse o sacana e a sacanagem perpetrada, bem nas fuças. Que os comentários também fossem do mesmo nível.

Começava navegando pelas páginas dos grandes jornais, de norte a sul do país: Globo, Folha, JB, Correio Braziliense, O Dia, Correio do Povo, etc. Para se inteirar de alguma coisa, tinha-se que coser uma verdadeira colcha de retalhos do noticiário.

EURECA

Qual não foi minha surpresa quando, pesquisando no google sobre o escritor Mario Vargas Llosa, nobel de literatura de 2010, algo me chamou atenção: “Mario Vargas Llosa – Jornal da Besta Fubana”. Cliquei. Eis que me deparo com o Besta Fubana. Foi uma baita surpresa. Lá estavam notícias, criticas e comentários sobre as principais “chamadas” dos grandes jornais do país. Um balaio de notícias pinçadas da mídia de todo país. Onde os temas eram expostos e debulhados com as criticas pertinentes. Podia-se (e pode) descer a lenha. Salvei a página “nos favoritos” para acessá-la com frequencia.

Sou leitor assíduo do JBF desde 2010, ou seja, do tempo em que o Berto dizia na prímeira página que era editor de “uma gazeta da bixiga lixa! Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol… ensacador de fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e… “A esquerda garante que o JBF é de direita. A direita afirma que o JBF é de esquerda. Os moderados dizem que o JBF é radical. Os radicais reclamam que o JBF é moderado. Bem-vindos a informação e a esculhambação”…

Era exatamente o tipo de página que eu procurava. Quando participei com comentários houve repercussão. Enviei charges e sugestões… idem. Notei que os colunistas mantinham um certo diálogo com as críticas ou elogios.

PREOCUPAÇÃO E LOUCURA

De tanto ler e participar do JBF, minhas filhas, preocupadas, vieram me dizer: “Pai, este editor é meio maluco. Andei pesquisando e vi que Besta Fubana era uma figura folclórica e lendária… um vulgo da besta fera. Espécie de aberração que “pune ou punia” os cristãos hereges, mais tarde apelidados de bestas humanas. Pra aliviar e parecer menos ofensivo às pessoas passaram chamar de besta fubana. E virou jargão. Quando alguma coisa fosse comentada sutilmente fala-se: EITA BESTA FUBANA!!.

“E esse editor doido, tem vários livros, entre eles tem esse tal de O Romance da Besta Fubana”

Parti para advogar em defesa de Berto o quanto pude. Expliquei pra elas que tratava-se de um escritor premiado, com excelentes obras publicadas, com ótima aceitação pela crítica literária nacional. Além do blog ser acessado diariamente por centenas de usuários, etc.

De tanto participar comentando, dando pitacos, narrando alguns “causos”, o Berto acabou jogando por terra toda defesa fundamentada que fiz a respeito da sanidade dele. Pois o danado me convidou, via e-amil, a assumir uma coluna no JBF. PQP!!! O cara é maluco, mesmo!

Imaginei: E agora? O editor só me conhece pelos comentários… O trabalho toma todo meu tempo (advogado operário).

Para aumentar minha aflição, decidi perguntar ao editor:

– Berto, o colunista fubânico Mario Vargas Llosa, é o grande Jorge Mario Vargas Llosa, peruano, ganhador do Nobel de literatura 2010?

– O próprio. Autor de um dos meus livros de cabeceira: “A Guerra do Fim do Mundo”

Deus do céu! Quanto mais repassava a vista nos nomes dos colunista, mais desespero me dava.

Fui tranquilizado. Disse-me que escrevesse temas livres. Semanalmente ou por quinzena. Quando farrapo, ele me “puxa as orelhas”.

UM JORNAL NA LINHA DE FOGO

Um jornal que já contabilizou 650 tentativas de invasão e bloqueios na sua página internética (média de mais de 100 por dia), por conta da liberdade e conteúdo das suas matérias, é sinal que incomoda tanto ou mais que 30 elefantes. O saco desses ataques é acabam causando quedas temporárias por conta do intenso tráfego.

Os pseudos democratas usam desta estranha forma de “contra-argumentar” a liberdade de expressão/pensamento inseridas nas páginas do JBF.

Pela covarde sabotagem, todos, (conforme a praga rogada pelo editor) serão condenados à espera do espeto polodoriano.

SOCIEDADE DOS COLUNISTAS/POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

Nesta “gazeta escrota”, o editor, colunistas, colaboradores e leitores atuam, cada qual a seu modo, como os protagonistas do referido filme. Um professor (Berto) que chegou para balançar o coreto. Pra bagunçar a lerdeza e a falsa moral da referida “unidade de ensino” (grande mídia). Opinando e comentando com liberdade, como alunos rebeldes, sem medo e usando métodos pouco ortodoxos, confrontando o “politicamente correto” e o incorreto… o caraca a quatro. A liberdade aqui é plena!

E esta Sociedade tem incomodado bastante muita gente. De forma que, aos trancos e barrancos, a caravana JBF vai passando, sabendo que, as opiniões ali contidas, tais como as batatas, vão se ajeitando com o chacoalhar da carroça.

Acautelai-vos, tolhedores e coveiros da liberdade de expressão. Os bestasfubenenses estão por aí… vivinhos da silva, se fingindo de mortos.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

RECIFE MANHÃ DE SOL

A bela história de um “hino” em louvação a cidade do Recife

É logico que o nosso colunista, poeta e Mestre Xico Bizerra, tem mais propriedade pra falar a respeito. Foi ganhador do último Festival Nacional do Frevo, ocorrido no Recife.

Corria o ano de 1966, quando o Recife fora castigado por mais uma trágica cheia. Além dos transtornos inerentes, deixou um catastrófico saldo de 63 mortos e 8 mil desabrigados. Na apuração, vidas e sonhos destruídos.

O drama dos recifenses só teve fim com a construção da barragem de Tapacurá, concebida para estancar as cheias provocadas pelos rios Beberibe e Capibaribe. As obras tiveram inicio no governo Nilo de Souza Coelho, em 1969, ficando pronta na gestão do governo de Eraldo Gueiros Leite, em 1973.

As cheias acabaram. Só não acabou com o imaginário poético do recifense com a sua lendária mania de grandeza: A fábula de que “o rio Capibaribe se une ao rio Beberibe, para formar o Oceano Atlântico”.

Com a grande cheia afetando a vida dos recifenses, o mundo da arte não saiu ileso. Naquele junho de 1966, por conta dos transtornos, foram então prorrogadas as inscrições para um importante concurso cultural fomentado pelo Serviço de Recreação e Turismo, órgão atrelado à Secretaria de Educação municipal, denominado – Uma Canção Para o Recife – no intuito de impulsionar a renovação do nosso frevo.

À época, por conta do adiamento das inscrições, um jovem recifense de apenas 23 anos, que decidiu participar do evento, viveu uma aventura em que o destino transformou numa comovente e emocionante façanha.

De férias e sem saber a data certa para volta das inscrições do concurso, o jovem José Michiles foi visitar parentes no Rio de Janeiro. Foi surpreendido com um telegrama de uma tia, informando que no dia seguinte as inscrições se encerrariam.

A AVENTURA

Imediatamente, J. Michiles pôs todo material dentro de um envelope (letra, arranjo, etc.), e foi aventurar no Aeroporto Santos Dumont, alguém com destino ao Recife. Em meio a grande aflição, encontrou, por sorte, uma passageira que se dispôs a ajuda-lo naquela missão quase impossível. Ouviu com cuidado as instruções e elato de como se daria o encaminhamento daquele importante envelope. A sorte parecia lhe sorrir. A passageira não só morava no Recife, como bem próximo a rua da namorada dele, no bairro de Campo Grande, a qual recaiu a incumbência de fazer a ansiada inscrição no concurso.

Voltando à terrinha, dirigiu-se a Rua do Lima, no bairro de Santo Amara, onde se localizava a TV Jornal do Commercio, procurando notícias da inscrição da sua música. Ficou sabendo que foi classificada e que seria interpretada pelo cantor, Marcus Aguiar. À época, um prestigiado jovem daquela emissora de TV.

A FAÇANHA

Etapa por etapa, sua canção ficou entre as 20 finalistas em meio a 120 inscritas. A cereja do bolo viria em 25 de novembro de 1966. A música fora classificada em 1º lugar, conquistando de forma brilhante o troféu ANTÔNIO MARIA (jornalista e autor de Frevo nº 1 do Recife e Manhã de Carnaval) Além do troféu, embolsou o prêmio de Cr$ 5 milhões. (Cruzeiros)

A façanha foi arrebatadora. Desbancou verdadeiras lendas culturais locais, como A Canção do Recife, de Capiba e Ariano Suassuna, que ficou em 2º lugar.
Modesto, “disse que não esperava ganhar no meio de tantas feras”.

O RÔLO (Num bom Pernambuquês, a confusão)

“Os Donos do Frevo” – Eram assim designados os históricos poetas e aclamados autores, da envergadura de um maestro Nelson Ferreira, Capiba, José Fernandes, Clóvis Pereira, Aldemar Paiva, etc. A vitória de J. Michiles, jogou lenha no embate do cenário artístico da capital, sacodiu as rádios, redações de jornais e gravadoras.

O inconformismo do grêmio dos “donos do frevo”, custaram em digerir o triunfo do intruso neófito, renegando a aceitá-lo no seleto clube. No estremecimento cultural local, teve de tudo que se possa imaginar. Um voto que pesou a favor do novato, fora feita por um ícone da cultura pernambucana, Valdemar de Oliveira, no qual desqualificou as outras concorrentes (e expôs no jornal). Na relação de notáveis que compunha a seleta comissão julgadora, iriamos encontrar emblemáticos acadêmicos da envergadura de um Mauro Mota, Aderbal Galvão, Marcos Vinícius Vilaça, Padre Jaime Diniz, maestro Vicente Fittipaldi. Este último preferiu não votar.

Os recalcitrantes compositores rivais, não pouparam ataques ao novo vencedor do concurso. O furdunço maior se deu quando Cilro Meigo, poeta e parceiro de composições com Nelson Ferreira, insinuou que o frevo vencedor havia sido plagiado.

O RECONHECIMENTO

Sem estardalhaço, o jovem poeta (era Desenhista Industrial) transitava sereno no mundo artístico, sem se associar a nenhuma das correntes, cravando, a partir dali, a estreia da sua carreira no mundo artístico e cultural da Capital.

Mas não foi fácil. O reconhecimento do seu valor só viria ocorrer quase 40 anos depois, no ano de 2000. Gravaram a música, cantores do lastro de Maria Bethânia, Orlando Dias (1976) e Alcymar Monteiro (2006).

Hoje, considerada um clássico da música brasileira, é quase obrigatório constar no repertório das agremiações carnavalescas, cantores e artistas. Principalmente pelos blocos líricos que ainda encantam e emocionam as multidões no carnaval pernambucano.

‘Recife manhã de sol’, mais que uma belíssima canção, tornou-se um hino, que melhor identifica a cidade do Recife.

A seguir, três interpretações:

MARCOS AGUIAR

MARIA BETHÂNIA

BLOCO DA SAUDADE

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

FESTA COM O BOLO ALHEIO

Breves considerações sobre as agencias reguladoras

Tal como num livro de contos de fadas, reza a lenda que – Agência reguladora – é um “órgão do governo criado (com regime jurídico especial) no intuito de regular/fiscalizar a atividade de um determinado setor da economia”. Nessa fábula, dentre inúmeras razões para a existência de determinada agência, consta um capítulo muito especial dedicado a ficção: sua principal função é a “Defesa de direitos do consumidor em relação as empresas” (recém desestatizadas ou criadas).

Ou seja, sua existência é imperiosa para impedir que o setor privado que exploram atividades que antes eram de exclusiva função do Estado, venham a cometer eventuais abusos aos consumidores.

Existem agencias reguladoras pra todo gosto – Federais, estaduais e municipais.

As federais são 11:

1 – ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações
2 – ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
3 – ANCINE – Agência Nacional do Cinema
4 – ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil
5 – ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários
6 – ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres
7 – ANP – Agência Nacional do Petróleo
8 – ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
9 – ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar
10 – ANA – Agência Nacional de Águas
11 – ANM – Agência Nacional de Mineração

12ª – Pode-se até acrescentar nesta relação o Banco Central do Brasil que, mesmo não sendo uma agência reguladora de fato, é encarregado por regular e fiscalizar todo sistema financeiro do país.

Se no papel, as tintas da letra fria da lei nos vende uma utopia como se as Agencias Reguladoras fossem a oitava maravilha do mundo na defesa do consumidor, a realidade é totalmente o contrário.

RAPOSAS CUIDANDO DO GALINHEIRO

Paradoxalmente, as agencias criadas para proteger o consumidor da ganância dos empresários, como num passe de mágica, suas diretorias e conselheiros são nomeados, politicamente, para os principais cargos. Daí se dizer que é a raposa tomando conta do galinheiro.

IMUNIDADE E FESTA COM O BOLO ALHEIO

Como a indicação de diretorias e conselheiros funciona como uma nítida troca de favores, os membros diretores das agencias que “regulam” as empresas, são nomeados por políticos. E empresas costumam financiar campanhas políticas. Capiche???

Sabe aquela grande mentira na qual a pessoa ferra a outra, mas assegura que “é para o próprio bem dela???… é muito parecido com as agencias reguladoras.
As nomeações (diretores, juristas, conselheiros), dizem, obedecem a “rigorosos critérios” que na verdade só beneficia duas partes: o politico que o nomeia e a empresa que deveria ser “regulada”

O TREM BALA DA ALEGRIA

Com mais servidores do que a Câmara e Senado, juntos, já em 2017, existia nas “agencias reguladoras” a distribuição de 9.261 “boquinhas” (nomeações). Á época, as lideres em nomeações foram a Anatel (Telecomunicações) com 1.511 e dona de uma folha que custa R$322 milhões/ano, seguida pela Anvisa (Vigilância Sanitária) com 1.994 indicações.

MORALIZAÇÃO FRUSTRADA

Por conta do advento da pandemia, procurou-se, via projeto de lei, uma forma de frear e limitar o controle das nomeações/indicações politicas nas agencias reguladoras. Absurdamente (pero no mucho), os políticos nomeiam acionistas, dirigentes ou sócios das empresas privadas para cargos chave nas agencias reguladoras. É comum encontrar dirigentes nomeados para as agencias, advindos de algum escritório criado por lobby de empresas privadas, só para esta finalidade.

Como era de se esperar, esta tentativa de proteger as agencias das nomeações politicas, não logrou êxito. Pois a própria Lei Geral das agências reguladoras, impede esta intervenção de limitação.

O “PREJU” QUE CUSTEAMOS

Pra se ter uma ideia, se em 2018 as 10 “agências reguladoras” contabilizavam um custo anual de R$ 1,575 Bi/ano, apenas com cabide de empregos (uns 6 mil cargos). Só a ANVISA – a mais dispendiosa – possuía um orçamento de 535 milhões/ano. A ANATEL ficava na rabeira com R$ 38,9 milhões/ano. Embora díspares em custos, tinha em comum a ineficiência. Imaginem o custo anual de hoje!

LOBBY FORTE

Via de regra, lobistas das empresas privadas costumam aparelhar, ao bel-prazer, a maioria dos diretores das agencias reguladoras ( ANTAQ, ANP, ANAC, ANATEL, ANEEL, ANVISA, ANCINE, ANTT, etc.)

INVERSÃO DE PAPEIS

Ao invés de normatizar/fiscalizar as empresas, as “agencias reguladoras” funcionam como uma espécie de clube fundado exclusivamente para… defender as empresas.

ALGUNS EXEMPLOS:

• Em vários pedidos de liminares na justiça, feitos pela Associação Paulista de Medicina na procura de amparar desesperados consumidores, solicitando a cobertura dos planos de saúde para testes de covid-19, para espanto de ninguém, a ANS saiu em socorro dos… planos de saúde. Acredite. Intercederam juridicamente (Deus do céu…) Num flagrante desvio de seu verdadeiro papel social.

Onde está o Ministério Público Federal que não investiga essas incestuosas relações dos planos de saúde com a “agência reguladora” ANS.

• Em total prejuízo dos consumidores, a ANAC aprovou alta de 8% no preço das passagens aéreas em 2019. Diziam que com a cobrança de bagagem esses preços reduziriam naturalmente. Foi a mais pura conversa pra boi dormir.

• NINHO POLITICO PARTIDÁRIO – Quando Bolsonaro flertou fazer mudanças na Agência Nacional do Cinema (ANCINE), sentiu que ali estava um verdadeiro bunker da “resistência”. Percebeu que a referida agencia reguladora (com um orçamento de R$ 153 milhões) estava completamente dominada por diversas empresas e sob a batuta do PCdoB, que só libera verba para “camaradas” com projetos alinhados politicamente a sua ideologia.

• DINHEIRO NO RALO – Em meados de 2018, já se vislumbrava uma dolorosa sangria com o dinheiro do contribuinte em forma de propagandas. Orçamentos anuais para este fim: ANP R$12 milhões, Ancine R$15 milhões, ANS R$4,2 milhões. Mais festa com o bolo alheio.

MINA DE OURO E PODER

Outro fator pra cobiça dos políticos sobre as agências reguladoras está em seus orçamentos e faturamentos bilionários, que vão desde o setor de energia à aviação civil, passando por plano de saúde, telefonia etc.

Verdadeira galinha dos ovos de ouro são as “consultorias”, concebidas por ex-diretores de agencias reguladoras, que lucram (e muito), com empresas beneficiadas por suas resoluções.

Como extensão de uma contaminação bem “republicana”, conhecida nossa (como uma reprise de filme), houve casos de pedido de investigação pela Policia Federal por conta de suspeitas de vendas de decisões/resoluções de algumas agencias reguladoras.

Tudo que os lobistas têm a fazer para que uma empresa obtenha e se beneficie (jurídica e economicamente) de resoluções (que tem força de lei), é “induzir” – numa conver$a de pé da orelha – 5 (cinco) diretores/conselheiros para sua aprovação. É muito poder nas mãos de poucos.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

LIÇÕES DE VIDA

Escritor, pensador, filósofo, Mestre Maçom, humorista e Padre, Monsenhor Aloisio Guerra é uma dessas criaturas que passa por nossas vidas e que nos deixa um magnifico legado de amor e honestidade (dizia ser o maior patrimônio que se poderia deixar), para o resto da vida.

Egresso do Catolicismo Romano, onde sempre discordou dos posicionamentos dogmáticos daquela Igreja. Fato que desagradava seus pares e superiores.

Se sentindo deslocado, decidiu solicitar sua desvinculação do sacerdócio. Para isso, teve que passar por um longo e penoso processo. Primeiro, tem que protocolar o pedido junto ao Tribunal Diocesano, em Roma. Após um longo período de análise, vem a ordem em que o requerente é obrigado, pelo Vaticano, a assinar cartula de desligamento. Só então é concretizada com o certificado de dispensa emitido por ordem papal.

Com o “salvo conduto” em mãos, modou-se de Porto Alegre/RS, para o Recife.

Livre das amarras romanas e, encantando com a liturgia do cristianismo primitivo, migrou para Igreja Ortodoxa Antioquina, onde foi recebido de braços abertos. Nesta, o celibato é dispensado. Casou e teve filhos.

Aqui instalado como chefe da igreja ortodoxa local, comandou um programa diário de rádio denominado ‘REFLEXÃO’, na RÁDIO CAPIBARIBE, AM 1240, todos os SÁBADOS, 06:15h e todas as QUINTAS, 15:20h. Interagindo com os ouvintes, sempre recebia elogios pelas suas pregações diárias. Emocionou-se, ao vivo, quando após uma reflexão para um grupo de psicólogos, um deles disse que gostava do que ele dizia, porque pregava um cristianismo “pé no chão e cabeça ano céu”, quer dizer, um cristianismo que se pode vivenciar.

Dizia ele em suas pregações: “Não posso imaginar um Evangelho somente como um Livro apenas para se ler e muito menos para se guardar, mesmo com o maior respeito ou devoção… O Evangelho assim será ‘letra morta’, porque ele só terá vida se encarnado em cada um de nós”.

“ Madre Tereza de Calcutá dizia que muitas pessoas só leem o Evangelho nas pessoas. E cada um de nós deve se perguntar: Que Evangelho os outros leem em mim? Notem como é grande a nossa responsabilidade”. “Encarnar o Evangelho é encarnar a felicidade. Deus nos quer pessoas felizes, como Pai perfeito que é”.

“E Jesus Cristo “veio para que tivéssemos vida e vida em abundância”. Ora, ‘vida em abundância’, é uma boa qualidade de vida, é uma vida feliz”.

“Não gosto de ‘canonizações’, especialmente porque muito discriminatórias. Quase só se tem notícia de Freiras, Padres e Bispos. Conheci e conheço tantos homens e senhoras tão santos e que jamais serão canonizados, especialmente se de outras religiões”. Se referindo a Chico Xavier.
Foto do Monsenhor Aloisio Guerra

“ Observem, antes de ser canonizada (após exame) a pessoa é declarada, BEATA. Vulgarmente, quando alguém diz, “você é um beato”, esta zombando, menosprezando; entanto, ‘beatus’ em latim significa ‘FELIZ’”.

“Sabemos que teve santo ou santa com uma vida conturbada, perseguida, torturada e até queimada viva e que não deixaram de ser felizes, porque a felicidade verdadeira independe de posição social, econômica, racial, etc.”

“ A felicidade é um sagrado DEVER, sim! Porém, mesmo felizes temos DIREITO às nossas tristezas, dores, sofrimentos, tribulações diversas. Nada disso impede nossa felicidade, porque a felicidade está dentro de nós (Lc 17,21)”

“Amados e amadas ouvintes, já me aconteceu e certamente com vocês também, de ir consolar algum doente e ele ter nos consolado muito mais”.

“A felicidade é uma consequência inevitável. Viver feliz é viver o Deus que está em nós”.

E sempre terminava sua pregação dizendo uma frase que ouviu ou leu em algum lugar: “Você não consegue escolher como você vai morrer ou quando. Você consegue apenas decidir como você vai viver. Agora”.

Monsenhor Aloisio Guerra, além de um enorme coração e excelente pregador, era um estupendo contador de piadas. Estava sempre rodeado de amigos e parentes para contar uma boa piada. Até mesmo na solenidade da sua Investidura como Monsenhor (Arquimandrita), em 2015, em sua preleção, contou humoristicamente uma mensagem em que todos os convidados, riram.

Em certa ocasião, fomos a vara do crime do fórum de Camaragibe. Ele, intimado como testemunha de um ex empregado seu, que fora acusado de tentativa de homicídio. Terminada a oitiva, já na secretaria da vara, trajando impecável batina com gola clerical, atendeu o celular onde a escrevente da vara escutou o seguinte diálogo: “Sim, meu filho… e como está minha netinha?… sua mãe está ai? diga a ela que não almoçarei em casa. Almoçarei por aqui com o Dr. Marcos André…” A cara de espanto da escriturária foi indisfarçável. – Eu, heim!, padre de religião e de igreja em que tem mulher e filhos… Ele respondeu na bucha: ao menos, minha filha, lá é difícil encontrar tarado, pedófilo ou viado.

Hoje, viúvo, com 90 nos, se recupera em casa da COVID -19. Ficou entubado no hospital uns 25 dias. Pede que eu leve algumas piadas novas, pois, está cansado das velhas. Piscando o olho e rindo de uma cuidadora idosa, que o acompanha. Ela também sorriu. Disse nunca ter rido tanto em seu trabalho. Ele é um iluminado.

Com muito humor, conta a familiares e amigos que recusou o “convite da COVID”, e a carona de caronte. Subornei o mítico barqueiro. Ele me cobrou uma moeda por um passeio de barco, eu ofereci duas pra ficar. Aleguei sentir enjoos. “Se caronte aceitasse cheque, eu ia ser eterno”

Diz está pronto para comemorar em 2020, 56 anos que reside no Recife, 61 anos de Ordenação Sacerdotal. 30 anos na Igreja Católica Ortodoxa de Antioquia da Paróquia São Pedro Apóstolo de Recife.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

CARANGUEJO IDEOLÓGICO

Sempre procuro escrever assuntos diversificados, curiosidades e amenidades humorísticas em minha modesta coluna aqui no JBF. De temas políticos, tenho tangenciado o quanto posso, até porque é “pau que rola” em amplo espaço aqui na sagrada gazeta (dita escrota). Por isso, não pretendo dar palpite em seara alheia, dominada por doutos escribas.

Mesmo assim, não pude me furtar de tecer algumas observações sobre um assunto tão presente em nosso cotidiano. Afinal, me vi compelido ao que afiançou Aristóteles, quando preceituou ser o homem, um animal político.

Pode ser que eu esteja enganado, mas, do que pude observar no trilhar da política nacional, existe um boicote arquitetado para obstruir, digamos, o sucesso do opositor, procurando dessa forma, desgastar o adversário para desacreditá-lo perante a população. Mesmo se essas ações forem para beneficiar a grande massa dos que habitam pindorama.

MENTALIDADE DE CARANGUEJO

Indubitável que o mundo politico anda completamente contaminado pela “mentalidade de caranguejo”. O termo é corrente no universo corporativo para designar pessoas que se dispõem em puxar para baixo, aquele que busca sair do abismo, balde ou buraco em que está metido. No viés desta metáfora, terceiros impedem que aquele consiga sair daquela situação. Do buraco. “se eu não consigo, não permitirei que logre êxito também”.

A alegoria pode até parecer exagerada, mas os números(os danados dos números) não nos deixam mentir. Já dizia o gênio Albert Einstein que “a Matemática não mente. Mente quem faz mau uso dela”. E, como uma raça de News Mazombos ou apátridas, procuram turvar os números escancarados, como uma forma de justificar seus “anseios”, por meio de uma ciência (política) que nada tem de exata, como a matemática o é.

Ao remoer suas frustrações eleitorais, inaceitáveis, fazem com que a parte vencida não consiga digerir em ser dirigido (que trocadilho, em?) pela parte antagônica vencedora. Para essas mentalidades, Inútil que se conclame Thomas Hobbes, Johannes Althusius ou Maquiavel. Seus tratados e teses tomam o caminho do lixo. Advindo daí, a referida síndrome, em que o problema não está necessariamente no sucesso do outro, e sim na sensação de inferioridade sentida com o êxito alheio. Há de se insurgir, então.

A MATEMÁTICA POLÍTICA

Alhures invoquei a matemática que, em seu bojo, arrasta consigo à tiracolo, a estatística. Demonstrando matematicamente que, congressistas, judiciário (STF especialmente) e mídia em geral, pactuados, promovem “diuturna e noturnamente” (vixemaria!!!), como num grande mutirão, uma avalanche de atividades contra toda e qualquer espécie de iniciativa do governo. Obstruir a governabilidade é uma espécie de tática “terrorista parlamentar” impactante. Zé Dirceu sempre foi mestre em obstruir pautas no congresso. Com a cumplicidade do aparelhado STF, então, ficou tudo mais fácil ainda.

Vejam os dados (estatísticos) comparativos, em ralação a governos anteriores:

MEDIDAS PROVISÓRIAS EDITADAS PELO PRESIDENTE – Precisam ser, em até 120 dias, aprovadas na Câmara e Senado. Do contrario caducam.

Lula I (2003) – 58
Lula II (2007) – 70
Dilma I (2011) – 36
Dilma II (2015) – 43
Bolsonaro (2019) – 48

APROVAÇÃO DESSAS MEDIDAS PROVISÓRIAS – Porcentagem de aprovação de MPs

Lula I – 65%
Lula II – 70%
Dilma I – 39%
Dilma II – 39%
Bolsonaro – 23%* *até o dia 24 de dezembro de 2019

DERRUBADA DE VETOS – O congresso aprovando uma lei, o presidente pode vetar certas partes dela, ou tudo. Mas o Congresso tem a palavra final e pode derrubar esses vetos.

Porcentagem de vetos presidenciais derrubados pelo Congresso

FHC – 1,6%
Lula – 0%
Dilma – 0%
Temer – 6,5%
Bolsonaro – 29% * 2019

NÚMERO DE ADIS – AÇÕES DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE – sofridas pelo Executivo

ADIS – é quando se pede ao STF dizer se aquela lei ou ato normativo fere a Constituição.

Lula – 5
Dilma – 2
Temer – 14
Bolsonaro – 58 *2019 (Dúvidas??????)

Fonte: ESTADÃO

FREUD EXPLICA?

Por mais incrível que pareça, para a psicologia, tal comportamento (de caranguejo) não é deliberadamente consciente e nem pré-determinado. (???) “vou ali azucrinar e atrapalhar fulano”. Segunda a psicologia, não é assim que ocorre. O mecanismo é inconsciente, acontece de forma natural e vem disfarçado de críticas, desdém, desencorajamento, psicologia do medo, desmerecimento, sarcasmo, comentários opressores.” Ora! Se a psicologia vier a frequentar esta ardilosa escola da faculdade política, não só será reprovada, como será ferida de morte. No universo politico, este comportamento é inteiramente consciente, planejado, delineado e estruturado.

Pois, a sutileza por lá, não faz morada. É intencional mesmo. Tem plena consciência de que matar um elefante é fácil, difícil é ocultar seu cadáver.

O OVO DA SERPENTE E O CARANGUEJO UNIVERSAL

Embora ocorra em todo mundo, a indigitada síndrome está bem aqui perto. Projete enveredar qualquer empreendimento. Um negócio, fazer um curso, estudar um novo idioma, mudar de emprego, seguir uma dieta, fazer exercícios físicos. Logo, logo começam a aparecer os arautos do fracasso, procurando dissuadir você com argumentos desanimadores.

Assim é no mundo político. Em Cuba, o general Raul Castro disse que não será permitido que eventuais atividades econômicas “não-estatais” levem a uma “concentração de riqueza”. Ou seja: zero sutileza e com a carcaça do paquiderme ali, bem à mostra.

Na China, temos o exemplo de um dos lemas de Mao Tsé- Tunga: “Devemos apoiar tudo que o inimigo combate, e combater tudo o que o inimigo apóia”. Tal assertiva nos remete a um lugar bastante conhecido, o qual não me atrevo a apostar com o caro leitor qual seja. Qualquer semelhança… . Em rota de colisão com seu conterrâneo, Deng Xiaoping sofreu, mas conseguiu mudar essa mentalidade em seu pais ao emplacar reformas econômicas que fizeram a China dar um salto extraordinário na qualidade de vida do seu povo. Lema por ele adotado: “enriquecer é glorioso”. Hoje é a 2ª maior economia do planeta. Maior ainda é a multiplicação de ex-maoistas por este mundo afora.

Por aqui, sem desatrelar do tema, ainda ecoa o embate da metáfora do ‘homem-caranguejo’ de Josué de Castro, se referindo a uma insólita espécie de homem que habitava os mangues. E mais recentemente, desembocando para a letra da música Antene-se, composição de Chico Science, onde alegoricamente ele diz que o homem do mangue “É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo” Sou Mangueboy!

Mas aí, são outros quinhentos!

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O ÁGAPE ESPIRITUAL

Nunca antes na história da humanidade, ocorreu tão inusitado enfrentamento a uma ameaça de contaminação e morte como a de agora com a pandemia causada pelo COVID-19.

Neste exato momento em que transcrevo essas linhas, a supradita, já se alastra por mais de 193 países, com mais de 3 milhões de casos e mais de 210 mil mortes.

O pânico devidamente instalado, trouxe mais dúvidas do que certezas aos governos, médicos e cientistas de todo planeta, quanto a melhor metodologia a ser usada para prevenção, combate e proteção contra o vírus assassino.

O método de prevenção mais radical e aceito pela maioria das nações, sob as recomendações da OMS, é o isolamento social (quarentena). Para alguns, tal medida não se ampara em nenhum critério cientificamente comprovado. Nosso país, assim como outros, aderiu a este isolamento, como forma de frear a propagação do vírus.

Com o caos instalado, começou a surgir um grande dilema social de nível planetário: Como saber interagir as pessoas, confinadas em suas casas por um longo, muito longo período?

Ante tão insólita situação, não faltaram palpites e dicas de “experts” sobre o tema. Uns sugerindo um leque de opções inseridas nas redes sociais, outros recomendaram as programações de TV, e por aí vai.

É consabido que pela internet, vamos encontrar um imenso leque de opções, vez que, sem sair de casa, poderá visitar museus, ver lugares e animais deslumbrantes do mundo, aprender cursos on-line de línguas, jogos, exercícios, gastronomia, e mais uma centena de atividades como forma de lidar com o enclausuramento imposto.

Ocorre que, esses “experts”, não levaram em conta que algo em torno de 40% da nossa população (Brasil), não possui acesso à internet. Teatro perfeito para aflorar dramas e traumas familiares, que vieram à tona com bastante intensidade, face ao indigesto confinamento compulsório.

Nesse impasse e dilema de país pobre, eis que…”De repente, não mais que de repente” surge uma entidade mágica e unanime, capaz de sanear e nivelar por igual, qualquer diferença social, econômica ou política, no que se refere a interagir, “viajar”, sonhar, crescer, se resguardar e conhecer … Sua majestade, O LIVRO. Este, um verdadeiro ágape espiritual. Trago algumas considerações e explicou o porquê:

A leitura em si, e, o livro, em particular, sem sombra de dúvidas, servirá como meio de transporte, onde o leitor será levado a um mundo ainda inexplorado. Atemporal, verá sua viagem se fundir em passado, presente e futuro. Imprimirá a cada viagem a velocidade do seu pensamento, saboreará iguarias culturais nunca antes degustadas, beberá em cristalinas fontes do saber, se abastecerá de plena inspiração, caminhará antecipadamente em terrenos onde seus pés nunca pisaram.

EMBASAMENTOS ACADÊMICOS

Ao manter o hábito diário da leitura, incontestável é o enriquecimento do vocabulário do leitor. O Hospital Rhode Island, principal hospital de ensino da Faculdade de Medicina Warren Alpert da Brown University, concluiu, após exaustivos estudos, que os pais que liam histórias para suas crianças de 8 anos, estas, desenvolveram em 40% a mais, seu potencial de acumulo vernacular.

Ainda como efeito colateral positivo, a leitura acrescenta, substancialmente, não só boa dosagem de conhecimento e cultura, como também, torna a pessoa mais participativa na sociedade e, consequentemente, menos preconceituosa. Isto consta num estudo do National Endowment for the Arts – NEA (é uma agência independente do governo federal dos Estados Unidos que oferece apoio e financiamento para projetos que exibem excelência artística), demonstrando que a leitura estimula uma receptividade maior de outras sociedades culturais. Ou seja, por costumes e hábitos antagônicos aos seus.

Não será surpresa para o leitor, quando se aperceber que a leitura reduzirá seu estresse, provocará relax e o ajudará a dormir melhor. Já que é patente que a tela da TV ou do monitor, ao emitirem sinais eletrônicos, deixará sua mente “antenada”, em estado de atenção permanente.

Quem tem o costume de ler umas páginas antes de dormir, sabe bem o que falo.

Tal fato, é endossado por estudos a cargo da Universidade de Sussex, no Reino Unido, atestando que uma boa dose de leitura diária de, pelo menos, 6 a 8 minutos, é tão ou mais eficaz que praticar uma caminhada ou ouvir música.

Outra façanha do salutar hábito, é induzir o leitor a valorizar sua autoestima. Em livros de autoajuda, por exemplo, além de importante aliado no combate à depressão, quanto se mergulha e se identifica com o conto e os personagens, maiores são as chances de tomar decisões e encarar circunstancias e situações adversas. Concluiu um relevante estudo produzido pela Universidade do Estado de Ohio. Note que muito se tem criticado a “indústria de livros de autoajuda”. Porém, dados científicos ajudam a desmistificar este mito. Constata-se que pessoas depressivas, seja em que grau se encontre, melhoram substancialmente após leituras, por um certo período, desse tipo de literatura.

Em estudos conduzidos pela Universidade Emory (Atlanta, Georgia) concluíram que a escrita de um bom romance, ativa a progressão e o desenvolvimento, por vários dias, o desempenho das atividades cerebrais, visto que, a sua interpretação, age tal qual um exercício estimulante para o cérebro. Os notórios benefícios orgânicos, estão relacionados a leitura de Romances. Nesse norte, não é nenhum segredo de que a leitura funciona como uma vacina que previne contra a demência e o Alzheimer. Mesmo que adormecidos, a leitura faz despertar e surgir novos ambientes de memória no cérebro.

Inegável então que, quando você trabalha o cérebro, ele reage e cultiva novas sinapses (região localizada entre neurônios onde levam informações aos neurotransmissores) aprimorando dessa forma, o armazenamento e, otimizando o espaço onde mais dados podem ser acumulados.

De certo que, quanto mais se ler, melhor se escreve, desenvolve-se estilos, seguindo os mesmos padrões em que músicos são influenciados pelas melodias as quais são afins.

SOCIABILIZAÇÃO

Como aqui expostos, vários estudos acadêmicos demonstram que o hábito da leitura, transfigura a pessoa num ser humano bem mais sensível, mais colaborativo e integrado socialmente às adversidades que os cercam e afligem.

Visto que, ainda que caros em livrarias chiques, muitos livros são acessíveis as todas as classes econômicas, podendo-se lançar mão de bibliotecas, onde o custo é zero, ou ainda, adquirir em sebos, livros de segunda mão a módicos preços. Pode o leitor também auferir obras online, onde se pode baixar dezenas de excelentes títulos de e-books gratuitos, para seu completo deleite.

Dificilmente se encontrará uma pessoa que cultive o hábito da leitura que não seja uma pessoa bacana, agradável e interessante.

Tome nota: Quando você encontrar uma pessoa, chata, ranzinza ou vazia, que só conversa enfadonhas bobagens, certamente ela tem aversão a leitura, pagando um alto preço por não cultuar este sublime e terapêutico costume.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

QUARENTENA E ISOLAMENTO SOCIAL

Supõe-se que o nome quarentena começou a ser utilizada no ano de 1127, em Veneza, por conta de casos de hanseníase e, séculos depois, face a devastadora peste negra/ bubônica, que dizimou aproximadamente 200 milhões de pessoas na Eurásia.

A Quarentena, em sí, é um período de isolamento e restrição de movimentação de pessoas que foram ou podem potencialmente ficarem expostas a uma doença contagiosa. O objetivo é, nesse período, observar se eles apresentam alguns sintomas, para então se procurar reduzir o risco de infectar outras pessoas.

Numa definição mais generalizada, é a reclusão de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação de determinada enfermidade, contado a partir da data do último contato com um caso clínico ou portador, ou da data em que esse indivíduo sadio abandonou o local em que se encontrava a fonte de infecção.

Já, pelos termos da Portaria nº 356/3020 do Ministério da Saúde, a Quarentena tem como objetivo garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo ou determinado.

ISOLAMENTO

Nessa mesma Portaria, o isolamento se faz necessário para separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, de maneira a evitar a propagação da infecção e transmissão. Aconselhando o isolamento em ambiente domiciliar, podendo ser feito em hospitais públicos ou privados. E este isolamento tem um prazo de 14 dias – tempo em que o vírus leva para se manifestar no corpo – podendo ser estendido, dependendo do resultado dos exames laboratoriais.

A medida é um ato administrativo, estabelecido pelas secretarias de Saúde dos estados e municípios ou do ministro da Saúde e quem determina o tempo são essas autoridades. “A medida é adotada pelo prazo de até 40 dias, podendo se estender pelo tempo necessário”, diz o documento.

DIVAGAÇÕES DA QUARENTENA

Inexoravelmente, as redes sociais foram alçadas a patamares supremos da salvação, minimizando e quebrando as enzimas do indigerível e imperioso isolamento.

Amigos e “amigos” que, antes do isolamento/quarentena ofertado pela pandemia, não começavam nenhum tema ou bate-papo sem uma queixa ou crítica ácida a vida agitada e desgastante em que levam.

Fantasiavam almejando “passar umas férias em casa” por menor período que fosse. Uma semana, uma quinzena ou um mês. Botar em dias e colocar em prática suas eternas prioridades que, por “falta” de tempo, nunca pode fazer. Meditação, relaxar, dormir… sem ter hora; ter mais contato com esposa, filhos e netos; tornar a ler ou reler livros cujos textos, foram interrompidos por anos à fio… Pois, não dispunha de tempo!

Chegara o grande momento de rever filmes e seriados imperdíveis que a falta de tempo lhes roubou. E logo agora, com a comodidade de ter como aliada as provedoras globais de filmes e seriados, ex: Netflix, era chegada a hora da desforra e do deleite.

Mas, como disse o poetinha, “De repente, não mais que de repente”, em plena quarentena, eis que, com mais força, os referidos amigos estão em voltas com lamúrias e queixas das mais diversas. Insônias, intermináveis barulhos das crianças, blá-blá-blá da esposa, etc.. Dos 15 livros separados e almejados, lera apenas algumas linhas soltas de uns três. Sequer cumpriu a promessa de ler mais 30 páginas de Os Irmãos Karamazov – de Fiodor Dostoievski. Percebeu que os filmes e seriados ofertados são repetitivos, intragáveis e bobos. E para aumentar seu desespero, sentiu que se passaram apenas pouco mais de 12 dias, e o isolamento/quarentena, não tem prazo determinado.

E agora? Como proceder e encarar esta novíssima realidade, se as suas preces pelo regalo do oásis doméstico foram atendidas com toda sua plenitude.
Lembrou do “Pedis e obtereis!!!” Esse é seu dilema.

Resignados encontraram alento, mesmo que metafórico, alegórico… que lhe trouxe novo ânimo. Naquelas poucas linhas de cada livro ou enciclopédia que preguiçosamente leu, encontrou sentidos místicos e bíblicos do significado da quarentena.

• Leu que a Arca de Noé media 40 metros de altura.
• Foram 40 dias de chuva no Dilúvio
• Aos 40 anos Moisés feriu um homem egípcio e teve de fugir.
• 40 anos mais tarde foi conduzido a ir libertar seus povo da escravidão egípcia.
• Recolheu-se no monte por 40 dias e 40 noites.
• Peregrinou com o povo israelita pelo deserto por 40 anos.
• Elias, o profeta, esteve por 40 dias na montanha.
• Jejum de 40 dias antes de Jesus iniciar seu ministério
• Segundo a crença, 40 gerações entre Abraão e Jesus Cristo
• 40 dias entre a ressurreição e a ascensão de Jesus
• Jesus, antes de iniciar seu ministério, jejuou por 40 dias e 40 noites.
• Após sua ressurreição, ele ficou 40 dias com seus discípulos.
• Os espiões terem estado em Canaã por 40 dias.
• Terem sido dados 40 dias a cidade de Nínive para se arrepender, quando Deus mandou o israelita Jonas pregar em Nínive.
• O Isaque só ter se casado com a Rebeca aos 40 anos…
• Ao dar à luz, a mãe ficava impura por 40 dias.
• Eratóstenes ter calculado, há quase 3 mil anos, com um simples pedaço de pau, que o diâmetro do Planeta Terra seria de 40 mil km.

Reflexivo com tanto significado, matutou sobre a máxima popular do por que a vida só começar aos 40. Ponderando que aquela idade, está diretamente relacionada ao chamado divino que Moisés, Maomé e o próprio Buda receberam com a idade de 40 anos. E, segundo relato histórico islâmico, foi aos 40 anos que Maomé, também, recebeu seu convite divino durante seu retiro espiritual. Ainda no Islã, um memorial é realizado 40 dias após a morte de uma pessoa.

Verificou-se que, em algumas tribos americanas, pratica-se o ritual de enterrarem seus mortos novamente, após 40 dias do primeiro sepultamento.

Presumiu que, após esse insulamento compulsório físico e espiritual, suas preces serão menos pretenciosas e mais simples. Se direcionarão aos mais necessitados da alma.

Prenhe de estoicismo, nem se apercebera que havia rezado 40 vezes.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

URUCUBACA

Se você não acredita na sorte, azar o seu.

“Acredito em sorte. Do contrário, como explicar o sucesso de pessoas das quais não gostamos?” Jean Cocteau

A palavra é relativamente nova. Advém de coisa trágica associado a um sinal de desgraça e, supersticiosamente, ligada ao urubu. Tragédia em tupi é URU, ave e WU, negro. E y-re-bur, fedorento…

Seu uso consolidou-se em 1918, durante a violenta gripe espanhola. Na época, pronunciava-se urubucaca, mas firmou-se como urucubaca.

Analogia para lá de infeliz e anacrônica, uma vez que os urubus possuem um papel fundamental na manutenção de ecossistemas saudáveis. Por causa de sua dieta necrófaga (de comer animais mortos), são verdadeiros “faxineiros alados”, mantendo os ecossistemas limpos, sendo responsáveis pela remoção de carcaças. Com isso, eles ainda evitam a propagação de doenças e bactérias que poderiam adoecer ou matar outros animais, inclusive o ser humano.

Mas, infelizmente, no entender dos ignaros, o urubu, além de “repulsivo” é considerado uma ave de mau agouro que pressente a morte.

O relato que trago, sobre dramas de sorte ou não, poderiam ser amenizados se, porventura, soubessem ou conhecessem a amiga conterrânea e mentora do Editor, D. Gina, catimbozeira de primeira linha, dirigente do mais competente terreiro de Palmares. Vejamos então:

O RAIO NÃO CAI DUAS VEZES NO MESMO LUGAR?

Coincidência, azar, falta de sorte ou muita sorte? Conclua você mesmo.

1 – Sr. Tsutomu Yamaguchi. Japonês que experimentou a explosão de duas bombas atômicas lançadas pelos EUA no Japão. Morador de Nagasaki, se deslocou a trabalho para Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, quando caiu a primeira bomba atômica. Sofreu terríveis queimaduras e danos físicos. Um pouco melhor, três dias depois preferiu retornar para junto da família em Nagasaki para poder se tratar melhor. Ao chegar à cidade, em 9 de agosto de 1945, testemunhou a segunda explosão atômica.

2 – A comissária de bordo em navios famosos, Violet Jessop, é um caso a se pensar: Ela embarcou no RMS OLYMPIC , que colidiu com o HMS Hawke, em 1911, por conta de um forte nevoeiro na costa francesa. Conseguiu novo emprego 1 ano depois no RMS Titanic (aquele, do filme). Sobrevivente de sorte e obstinada, Madame Violet, outra vez foi trabalhar no navio HMHS Britannic, que naufragou no mar Egeu, em 1916, quando colidiu com minas naquela localidade. O maior transatlântico da Inglaterra (muito superior e melhorado do que o Titanic) afundou em apenas 55 minutos, com somente 351 dias de vida. Violet conseguiu escapar em um dos botes e sobreviveu ao desastre também.

Como se não bastasse, depois de passar por três tragédias marítimas, Violet Jessop continuou a trabalhar como comissária de bordo até quando pôde. Ela faleceu em 1971.

3 – Melanie Martinez perdeu 5 casas. Os furacões Betsy (1965), o Juan (1985), o George (1998) e o Katrina (2005), no estado da Louisiana. Por último, após intensa campanha na mídia, ela foi agraciada com outra casa. Mas um outro furacão chamado Isaac, acabou abruptamente com o seu novo imóvel.

4 – Socorrido por três vezes, o americano Erik Norrie foi vítima de três assustadores infortúnios selvagens: A tacado por um tubarão, atingido por um raio e mordido por uma cascavel!

FALTA DE SORTE – OU VISÃO? – THE BEATLES

5 – Mike Smith, estava no comado da gravadora DECCA em 1960 quando, mesmo gostando do som dos Beatles, dispensou por não concordar com gastos de deslocamentos e hospedagem do quarteto, de Liverpool a Londres.

6 – Pete Best foi o baterista dos Beatles no começo, quando a banda ainda tinha o nome de The Quarrymen. Tocava melhor que Ringo Starr e era, dizem, até mais bonito. Por ser equidistante, não compor e por sua recusa em aderir ao penteado da Banda, Paul McCartney telefonou para o baterista e o “demitiu”.

Vendo o estrondoso sucesso dos Beatles, Pete Best até tentou se suicidar. Hoje faz pequenos shows cantando sucessos dos Beatles, mesmo sem ter efetivamente feito parte deles

SETE VIDAS – O homem com fôlego de gato

Frane Selak, 1929 – músico nascido na Croácia e hoje aposentado.

1962 – Acidente de trem que caiu num espetacular mergulho num rio congelado. Só ele sobreviveu.

1963 – durante o voo, a porta do avião se desprendeu. Selak foi arremessado para fora do avião – detalhe: sem paraquedas. Foi encontrado e resgatado inconsciente sobre um monte de fenos, sofrendo apenas alguns arranhões. Os outros passageiros do avião morreram.

Três anos depois, o ônibus em que viajava, despencou e caiu num rio. Salvou-se nadando até a margem com pequenas escoriações.

Selak resolveu passar uns tempos longe de trens, ônibus e aviões. Ao volante, numa inocente voltinha de automóvel, o carro pegou fogo por completo. Ele saltou e correu escapando a tempo da forte explosão ocorrida.

Ressabiado, resolveu comprar um automóvel novo. Este durou só três anos, quando explodiu causando ferimentos e queimaduras. Nada além disso.

Ficou mais de 20 anos sem sofrer acidente algum. Achava que tudo que havia de ruim já tinha acontecido na sua vida.

Só para não perder o costume, Selak sofreu um atropelamento de ônibus durante uma inocente caminhada em Zagreb, socorrido, saiu-se mais uma vez, ileso.
Em 1996, Selak, dirigindo em regiões montanhosas, percebeu que um caminhão vinha em sua direção, forçando-o a ir de encontro a uma barragem, mergulhando de uma altura de mais de 90 metros quando, pasmem, arremessado pela janela, segurou-se numa pequena arvore enquanto seu carro explodia e se esborrachava no desfiladeiro.

Para quem achava que a sorte dele tinha se acabado, em 2003, decidiu pela primeira vez, fazer uma fezinha numa casa lotérica na Croácia, onde foi sorteado com o prêmio de 1 milhão de dólares.

De posse de uma boa conta bancária e com a venda de uma casa adquirida numa ilha, Selak fez generosas doações a amigos e parentes. Apenas reservando um pouco para uma pequena intervenção cirúrgica na região dos quadris e levantar uma capela em honra a Virgem Maria.

Recusou-se a viajar para gravar um comercial na Austrália, sob a alegação de que “não queria testar sua sorte novamente”.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

OS ENSINAMENTOS DA NATUREZA – Os Lobos de Yellowstone

Eclesiastes 3

“Tudo tem um tempo próprio”.
Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou…”,

O homem – principalmente o urbano – sempre questiona sobre a utilidade ou existência de determinado animal ou planta na face da terra. Hora é o mosquito que pica e traz doenças ou, o tubarão que, impiedosamente, está sempre pronto a devorar e aterrorizar que se atreva a cruzar seu caminho. Porque eles existem? Porque não os exterminar, já que somos “superiores” e sabemos dos males que podem nos causar?

As coisas não são bem assim. Animais e plantas possuem capacidade de sobreviver e procriar livremente na natureza. Os animais que vivem em estado selvagem são elementos que formam “aquela vida”, naquele espaço, compondo a fauna local, a qual consiste no conjunto dos animais que vivem em uma determinada área.

Muitos moradores do centro urbano não conseguem entender o porquê de tanta preocupação que a fauna silvestre tem gerado nos últimos anos, devido ao alarmante ritmo de extinção desses animais, já que eles parecem tão distantes e sem importância, pelo menos aparentemente.

Eles equilibram o ecossistema, pois muitos animais são vitais à existência de muitas plantas, como agentes polinizadores ou como dispersores de sementes, além disso, todos os animais têm uma importância na cadeia alimentar e quando um animal é retirado dessa cadeia o equilíbrio do ecossistema fica comprometido.

O reino animal e o reino vegetal formam a biosfera que em harmonia permite a sobrevivência das espécies. Quebrar esta harmonia abruptamente pela interferência humana fará com que milhões de espécies entrem em processo de extinção, resultando a médio e longo prazo a própria extinção da espécie humana; de sorte que a manutenção da vida selvagem e da flora natural é primordial para a manutenção da vida global.

Ora, a história dos lobos de Yellowstone, pode dar essa resposta. História essa que nos mostra a sua peculiar importância na mudança e manutenção da flora, fauna, rios e os demais fenômenos físicos, biológicos e humanos que nela ocorrem, suas causas e correlações.

Fica patenteado o intrínseco equilíbrio que a natureza exerce em cada ser vivo – fauna e flora – e a importância das suas funções no meio ambiente. Qualquer dano, alteração indevida ou mal calculada, causam sérios desequilíbrios em seu ecossistema.

No caso específico, a instabilidade causada pela exterminação dos lobos de Yellowstone, nos EUA, é um exemplo a ser apreciado com muita atenção e carinho por todos nós.

Como num laboratório científico vivo, pesquisas e análises constataram num estudo de cerca de 50 anos, a essencial importância da vida selvagem naquele recanto do mundo. O que os estudos comprovaram o que se denominou de “Cascata Trófica”, que é um processo ecológico que se desenvolve desde o topo da cadeia alimentar até à sua base. Foi o que ocorreu nos EUA, mais precisamente no Parque Yellowstone.

Sem a presença dos lobos cinzentos, por 70 anos, o parque viu o número de cervos e veados multiplicarem, reduzindo drasticamente toda vegetação em volta do parque

Caçados impiedosamente e quase exterminados durante 50 anos, os lobos cinzentos foram reinseridos ao parque a partir de 1995. A partir de então, constataram, in loco, que os lobos não apenas matavam outras espécies de animais, eles trouxeram equilíbrio e diversificaram muitas outras espécies. Percebeu-se que a contribuição dos lobos era inversamente proporcional ao que cobravam por suas “refeições”.

Os cervos também mudaram seu comportamento, evitando vales e desfiladeiros aonde poderiam ser alcançados pelos lobos. Tal comportamento contribuiu para ressurgir e regenerar toda vegetação no entorno. Árvores quintuplicaram de tamanho em pouquíssimos anos, ressurgindo florestas de choupo, salgueiros e choupos-do-canadá, o que por sua vez passou a atrair pássaros de inúmeras espécies e em grande quantidade. Comemorou-se também o ressurgimento dos castores, que é outro “engenheiro do ecossistema” que se alimentam de árvores e regulam rios e fontes, propiciando atrativos para outras espécies, ao criarem represas nos rios que produzem o habitat ideal para lontras, ratos-almiscareiros, patos, peixes, répteis e anfíbios.

Com os lobos eliminando os concorrentes coiotes, cresceu a quantidade de coelhos e camundongos, o que atraiu mais falcões, mais doninhas, mais raposas, mais texugos. Os corvos e as águias-de-cabeça-branca começaram a descer para se alimentar dos restos que eles deixavam.

O mais incrível dessas observações foi a constatação de que, com a reinserção dos lobos no parque, houve significativa alteração no comportamento dos rios! Que diria, em? Com menos desvio a erosão foi insignificante, canais se estreitaram, cascatas e piscinas naturais surgiram, com notória contribuição para a vida selvagem local. Estes rios mudaram em resposta aos lobos. E a razão é: Por causa da regeneração das florestas, os rios puderam seguir o seu curso com mais fluidez e estabilidade.

Conclusão: Os lobos transformaram, não apenas o ecossistema do Parque Yellowstone, que é enorme (cobre 8987 km², o parque é famoso pelos seus vários geysers, fontes termais, É habitat de ursos grizzly, lobos, bisontes e uapitis.), mas, também, a sua geografia física e paisagem natural.