MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

ATÉ QUANDO, JERUSALÉM?

Jerusalém fascina o mundo ocidental e oriental. Desde garoto ouvia falar sobre Jerusalém, principalmente nas aulas de catecismo. Minha monografia foi baseado no tema (me arrependo profundamente), versando sobre o conflito entre cristãos, judeus e muçulmanos, obcecados pela dominação da cidade santa, à luz do Direito Internacional Público – DIP. Em Junho de 2018 escrevi na minha coluna, aqui no JBF, sobre A SÍNDROME DE JERUSALÉM, relatando ocorrências de fenômenos mentais envolvendo a presença de ideias obsessivas de temática religiosa, delírios ou outras experiências de cunho psicótico que afetam alguns visitantes de Jerusalém. Tal fenômeno, não é endêmica de uma única religião, mas afeta judeus e cristãos de variadas formações socioculturais. É o fenômeno através do qual uma pessoa que anteriormente parecia equilibrada e desprovida de quaisquer sinais de psicopatologia, torna-se psicótica após chegar a Jerusalém.

SIGNIFICADO

Inobstante as inúmeras traduções e significados que recaem sobre a mística cidade, ela é considerada a capital mundial da moral, da bondade… e DA PAZ!!!. A rigor significa “Fundação das pazes”. Mas, pra nossa tristeza, ela “agrega” diferenças e divergências de insuplantáveis discórdias que abrange vertentes de caráter geopolítico, militar, étnico e filosófico, até tingir o ápice da intransponível natureza jurídica-religiosa. Neste caldeirão de suplícios, além de cristãos e hebreus, a Palestina atrai os árabes (Iraquianos, afegãos-talibãs, etc), todos enlaçados pelo gérmen perigoso do fundamentalismo religioso.

NÓ GÓRDIO DA TEOCRACIA

O grande nó górdio no oriente médio, na visão de especialistas e observadores internacionais, não foi a criação do Estado judeu, com a chancela da ONU, em 14 de maio de 1948. Não foi. O intransponível problema era designar com quem ficaria Jerusalém. Problema até hoje irremovível.

Mesmo com o categórico corpo jurídico da ONU, lastreando-se por grandes cientistas jurídicos de inúmeras matizes, buscando as luzes das normas do Direito Internacional Público – DIP, foi incapaz de dirimir as controvérsias históricas amalgamados no DNA desses povos (judeu e árabe-palestino), malgrado serem da mesma linhagem da descendência de SEM (daí a cognominação SEMita), irmão de Cam e Jafé, os três, filhos de Noé. (Gêneses). As três religiões monoteístas – Judaismo, Cristianismo e Mulçumanos, reivindicam para si a exclusiva (e única) soberania sobre Jerusalém.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 1

Se por um lado, o povo judeu, representado pelo estado de Israel, invoca seus direitos em obediência ao estatuto contido no mito abraâmico da terra prometida, transcritos nos versículos da Torá/Gênesis, o povo palestino, através da ANP –Autoridade Nacional da Palestina, se firmam e vindicam suas pretensões por fontes do Direito Corânico ou Islâmico. Dessa forma, Judeus, Cristãos e Muçulmanos se digladiam por Jerusalém, não apenas no âmbito militar e paramilitar, mas, também, no campo filosófico e dogmático teocrático. Neste impasse, declarada está a guerra santa pela terra santa. Ela se sobrepõe as teses filosóficas, doutrinárias e jurisprudenciais concebidas nas fontes do Direito Internacional Público, corroendo resoluções originárias, tanto da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e do seu Conselho de segurança, quanto da Corte Internacional de Justiça. Exemplificamos que Irã, Vaticano e Israel, são membros da ONU onde, hipoteticamente, deveriam obedecer a prevalência do DIP, que rege a própria organização.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 2

Palmilhou o Direito Internacional Público (DIP), por ser laico, em mediar uma solução ao conflito entre partes antagônicas – duas correntes jurídicas – O Direito Talmúdico e o Direito Corânico – que se auto-excluem, vez que, se estribam na fé enquanto o DIP se fundamenta na razão. Ou seja, cada religião se agasalha em sua própria “verdade” jurídico teológica.

Nem com a participação das mais clássicas e eruditas escolas jurídicas ocidentais, alicerçadas por mais de 200 anos da Revolução Francesa, que culminou com a separação da igreja e estado, e o sistema jurídico de ambos, levou a cabo o intento de apaziguar a questão de Jerusalém. Observe-se que o próprio Vaticano é um exemplo de país ocidental, regido por um sistema jurídico puramente teocrático.

VENERAÇÃO, OCUPAÇÕES, TOMADAS E RETOMADAS

Existem inúmeras vertentes quanto as origens da cidade. Uma delas, diz que a adoração prestada à cidade, origina-se bem antes de 1000 aC, com o rei Salém e, posteriormente Davi que, ao conquistá-la, designou-a capital do reino de Judá e Israel. Nabucodonosor dela se apossou em meados de 587 aC, incendiando o 1º Templo de Salomão (suas ruínas são disputadas até hoje por judeus e muçulmanos), um segundo foi concluído em 515 aC; Em 350 aC, fora saqueada pelos persas; destruída por Ptlomeu I Soter, em 320 aC; em 168 fora novamente destruida por Antioco IV Epifanes; A cidade de David foi ocupada por Pompeu em 63 aC. Já em 70 dC, Foi conquistada por Tito; em 134 dC, Adriano ao reconduzir o poder de Roma, procurou mudar o nome de Jerusalém para Élia Capitolina.

ESCOLAS

• DIREITO TALMÚDICO – Israel se estriba no Direito Talmúdico – Este suplanta, inclusive, o direito bíblico, vez que “se a Torá (Pentateuco – o livro da lei escrito) é o corpo, o Talmud é sua alma”. É como se a Torá recebesse o aval e fosse juridicamente interpretado pelo Talmud. Este, fornece elementos, ideais, emoções e valores por ser considerado de concepção divina.

“Se eu esquecer de ti Yerushaláyim, que minha mão direita perca sua destreza. E que minha língua fique grudada a meu palato. Se eu não me lembrar de ti. Se não elevar Yerushaláyim acima de minha maior alegria”.

Yerushaláyim é para nós judeus como a luz, a água e o ar. O centro para o qual nos voltamos três vezes ao dia, dirigindo nossas preces a D’us;

PRESUPOSTOS JUDAICOS: Deus prometeu a terra a Abraão; colonizaram e desenvolveram a terra; a comunidade internacional concedeu soberania aos judeus na Palestina; O território foi retomado em guerras e defensivas.

• FONTES DO DIREITO ISLÂMICO – Sua principal e fundamental é o Alcorão ou Corão(recitação), livro de origem divina revelado ao profeta Maomé, em VII dC. Em seguida vem a Sunna (tradição), enunciados por gestos, palavras e silêncio de Maomé; tem o Idjimas – gênero de acórdão proferidos por autoridades e jurisconsultos que interpreta e legitima situações não previstas no Corão ou Sunna. Também existe o Qiyas (raciocínio por analogia – resolve questões atípicas), composta por quatro escolas que asseguram o origem divina do Direito Muçulmano.

PRESUPOSTOS ISLÂMICOS – Desde as 09 (nove) guerras das cruzadas – perdas e reconquistas – pelo domínio de Jerusalém, além das 11 guerras desde, pouco antes, da fundação do estado de Israel.

TRATATIVAS JURÍDICAS

Fez-se o uso dos principais métodos de interpretação da hermenêutica jurídica clássica, quais sejam: métodos gramaticais, lógico(?), sistemático, histórico, sociológico, teleológico e axiológico. Formularam-se inúmeras teorias, parâmetros e estudos com cosmovisões epistemológicas, apresentaram reflexões etnoliguisticas, lançaram reverberações jurídicas teológicas, avocados por cada povo envolvido.

Tudo em vão. Todo e qualquer premissa esbarrara na auto blindagem estruturada e urdida sob o manto sagrado de apodíticas reservas de veneração e idolatria para com a Santa Cidade.

Entre estes povos antagônicos, Insuspeita a sobreposição e invocação da Hierocracia (poder exercido por eclesiásticos; espécie de organização social que se incrusta e perpetua através de um sistema de coerção psíquica que se utiliza das concepções religiosas do indivíduo).

LOCAIS SAGRADOS PARA AS TRÊS RELIGIÕES EM JERUSALÉM

Muro das Lamentações (vestígios do Templo judaico destruído)

Jerusalém Cúpula (ou Domo) da Rocha: para os muçulmanos, foi desse ponto que Maomé ascendeu aos céus

Basílica do Santo Sepulcro

A Basílica do Santo Sepulcro é um templo cristão localizado no Bairro Cristão da Cidade Antiga de Jerusalém onde, segundo a tradição (João 19:41-42), Jesus teria sido crucificado, sepultado e, ao terceiro dia, teria ressuscitado.

Até quando, Jerusalém?

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UMA “LIVE” DA CAROCHINHA

Era uma vez, lá pras bandas do interior do sertão nordestino, vários bestafubanenses antenados mas, desavisados, acessaram a live das quintas-feiras e que, por algum motivo, tiveram que se ausentar da frente do computador. Em vários deles, juntaram alguns enxeridos (filhos, sobrinhos, parentes, aderentes e agregados) e se aproveitaram da situação bisbilhotando tanto a live, quanto todas as páginas do JBF.

Ficaram deslumbrados com o que viram. Um mundo fantástico!

Travaram entre si, diálogos ininteligíveis (para ouvidos poucos afeitos ao pernanbuquês/nordestinês) que mais parecia alienígena, literalmente. Assistiram e ficaram extasiados com a tal da “live”, e das páginas dos colunistas.

– Se aprochega aí, bando de cabra macho. Vamos ver essa tuia de véio maluco, falar.

Umbora! Tio só vive dizendo que esses caba são o “cão chupando manga”!

– Diz que teve um fi de uma égua que botou o nome da laive de Cabaré do Berto.

Oxente! Tá com a mulesta! E quem toma conta de cabaré, né mulé? Ou esse cafetão é frango?

Boto fé não, visse! Já vi até uma foto desse tal do Berto, vestido de pai de santo.

– O pior é que nesse ambiente a gente só vê duas nêga? Violante e a Renata… aquela que só falou do português, coitado.

– Será que é um cabaré rochedo, tipo assim, zona?

– Ôxente, abestado! Necas de pitibiriba. Vou te dar logo o bizu. Larga de ser abilolado. Tu num atentou não, que é um cabaré diferente… cheio de resenha e miolo de pote?

– É verdade. E eles bole com todo mundo. Bole com corno, frango, rapariga, portuga, boteco, motorista, professor, malandro, ninguém escapa.

– Vamo espiar? Tô até agoniado. Acho que vai ser massa! Pois até Jesus dá as cara nesse cabaré toda quinta-feira.

– Jesus?

– Mas é outro tipo de Jesus, tabaréu! É um Jesus cheio de gréia… de santidade ele num tem é nada. Tira muita onda, fala uma tuia de prezepada… umas histórias espichadas, cheias de leras. E quando dá na telha, faz tudo bem rimado, igual cantador.

– Esse Jesus é de onde?

– Diz ele que é lá das bandas do Acarí.

Vixemaria! Deve ser pra lá da baixa da égua, então.

– Isso é leseira. Na laive desse cabaré, tem gente de tudo que é canto.

– E aí, nós vai chamar de laive ou cabaré? Pois Berto, o gerente, que é um cabra de pêia, desembuchou, sem ficar encabulado, que esse tal nome, “laive”, é coisa de quem “peida na salchisa”!

Rapá… vai ver então que é por isso que ele botou pra torar, falando das gaia dos cornos.

– Pra mim, cabaré e laive, é quando um abilolado fica falando e uma tuia de abestalhado fica escutando e dando gaitada.

– Tu intende essa língua deles?

Marromeno. Num é muito diferente, não. Até o Nelson Feitosa, que desandou sobre as fala dos cearences, eu intendi.

– E a “laive” do tal do Adonis, tu visse? Amostrado todo. Disse que andou lá pras bandas das zoropa, leste oropeu, oriente… deve ficar lá nos cafundó do Judas. E que ainda andou xunbregando com as nega branquelas, de lá.

– Vi sim. Diz que ele é brabo que só uma capota choca.

– É mermo. Outro dia ele arengou com um tal de Altamir. Minino!!!… Foi xingamento pra todo lado. O Altamir pegou ar. Foi ameaça de sentar a mão no focinho de um, pra lá… plantá-le a mão no pé do tôitiço do outro, pra cá. O que se via de cabra safadoalma sebosavocê pegou em merda… Num foi brincadeira. Um tem a Língua Ferina e o outro é Segunda Sem Lei, Igual cobói lá do sertão dos zamericano. Teve até desafio de duelo por tabefe, peixeira, badoquenenhum arribou, não…são dois nó cego da gota serena.

– Mudando de assunto, tu viu aquele cabra, Fernando Gonçalves, mangando das fala da gente?

– Tava mangando não, cumpade! Tava explicando.

-E precisa?

– Pra esse bando de zé ruela, que são meio aruá, precisa sim.

– E quem tu achou o mais amostrado, dali?

– Eu tive matutando… uns acha que é o tal do Goiano, outros, um tal de Roque Nunes.

– O Goiano é todo metido a sebo. Conta que já morou um tempão nas zoropa, só quer saber de viver socado num salão de beleza de macho, usando arco, tarco e verva.

E o tal do Roque, alem de tá sempre com preguiça, gosta de arriar a lenha nos tanga no aro e ainda se acha o Elvis Presley. O caba tem Roque até no nome, espia!

– E aquele outro cabra… de Leão, De Léon, sei lá. Todo esquisito. Ninguém nunca viu o fucinho do cabra. Usa sempre máscara e fantasia. Diz que é porque ele andou metendo o pau nos baitolas do lugar onde ele mora.

– É, mas o zunzunzum que corre, é que ele é o tampa de crush, por lá. O saberete.

– Tu acha ele mais esquisito do que aquele guenzo, o Sancho?

– Sancho? Aquele cheio de munganga? que parece um sibito baleado, meio tantam e já se fantasiou até de esmolé?

– Ele mermo. Mas, (olha o mas ai, gente!) diz que o cabra é bom! O miziguento escreve em brasilêro, americano, ingrês, oropêu, tudo que é fala istrangêra.

– Até chinês?

– Chinês, não. Parece que quem intende tudo de chinês é aquele… meio tamburete… o tal de Rômulo.

– Não sei se é defeito do computador. Ora ele parece pixototinho… vai ver ele é cumprido que nem um vara-pau… sei lá!..

– Diz que o Sancho escreve tanto, que deixa nós mais perdido que marinheiro na Bolívia. É pra fuder o tabaco de chôla. Na coluna dele é conversa até umas horas… conversa ali, é mato.

– É verdade. Tem coisas nessa laive que a gente fica mais por fora do que pensamento de preso.

– E o Assuero? O caba tem um nome desse e ainda é cheio de pantim. Ele que inventou essa tal de laive, ou cabaré. Ele quer que nós pare, olhe e escuta a laive, toda quinta..

– E os fuleiros? Tem um Marcos André. Cara de cabuloso… gordo que só um porco baé, só sabe ficar amolegando o bucho e se abrindo durante as laive.

– Ouvi um fuxico de que, quem fica avexado pra abrir o cabaré é um tal de Maurino, que faz pareia com Neto Feitosa, num param de dar gaitadas!

– Diferente de tudinho, eu só achei aquele dotô juiz adevogado, Marcos Mairton. O home só falou de coisa chique: cantoria, escrita e os direito.

– O cochicho é que o Altamir e o Adonis, ficaram foi torando um aço da porra que o buruçu entre eles fosse parar na mão desse dotô juiz adevogado, e ele desse o maior carão, neles..

– Num é pra menos, compadre! diz que os dotô juiz adevogado, tem uma tal de vara… minino!!! … quero nem ver… deixa qualquer um borocoxô. Falou em vara, tudo se aquietou. E graças ao padin pade Ciço e um monte de corta jaca, ficaram sossegados, quieteinhos… parado… que nem gelo baiano.

– Home…pelas gaitadas que esse bando de tabaco leso dá durante a laive, parece até que, antes, eles enche é o cu de cana!

Armaria… sei não visse! Só sei que aquela Violante é uma mulé bonita da cebola!

– A Renata é uma arretada, também.

Pelejo pra um dia assistir as laive delas! Será que esses machos vão deixar? Vamos esperar, né?.

– Também falta o Aristeu e muitos outros tabacudos tirarem o cabaço nessa laive.

– Essa laive é um desmantelo dos cachorro da mulesta, é igual a feira, tem de tudo.

– Vou lá… tô chegando.

– Já vai, compadre?

– Vou sim… quinta-feira eu num vô perder.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

TRANSA GRAMATICAL

De autor desconhecido, tive conhecimento em 2004, deste texto que rola na net.

Por suas peculiaridades, trago aos leitores fubânicos.

* * *

Esta é uma redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco – Recife) que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

¨Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa”.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UM DOM DIVINO

Lendas da Arte do Improviso & Repentistas e Cantadores

É consabido e consagrado a sagacidade, inteligência e astúcia de repentistas e cantadores por esse Brasil á fora. Inclusive, já foram objetos de estudos de toda ordem. Seminários, Workshop, Simpósios, congressos, programas de rádio e TV sempre debatendo o mágico tema.

Publicações, matérias em jornais e livros tratando do assunto encheriam um estádio de futebol inteiro. Teses universitárias, de doutorado, de norte a sul do país tentam esmiuçar as entranhas deste insondável e divino dom da inspiração deste “escolhido” povo nordestino.

A este respeito, a poesia popular nordestina foi amplamente perscrutada por antropólogos, folcloristas, historiadores e inúmeros estudiosos que documentaram suas impressões – Pereira da Costa (1851-1923), Sílvio Romero (1851-1914), Câmara Cascudo (1898-1986). E tantos outros que registraram a vida, a personalidade e a saga desses verdadeiros mitos regionais.

Nominar, então, expoentes nordestinos da poesia de cordel, repentistas e cantadores é tarefa hercúlea que poderia, quem assim procedesse, incorrer em lapsos e omissões imperdoáveis. Portanto, fora de cogitação tal tarefa nestas mal traçadas linhas.

Agora, eu pergunto, qual bestafubanense não se refestela e nem se deleita com as poesias publicadas pelos colunistas Aristeu Bezerra – Cultura Popular, Dalinha Catunda – Eu Acho é Pouco!, Jesus de Ritinha de Miúdo, Marcos Mairton – Contos, Crônicas e Cordeis, Pedro Malta – A Hora da Poesia, Pedro Malta – Repentes, Motes e Glosas…

Fubânicos complementarão a lista.

Trago aqui um marcante e bom exemplo da sagacidade e malícia destes iluminados poetas repentistas e cantadores. O “causo” advêm de uma certa “peleja” ou “desafio” em que um certo poeta, dito letrado, tentou subjulgar/humilhar o outro num malicioso mourão perguntado (gênero que se canta em diálogo, um perguntando e o outro respondendo), em que o sabichão lançou a embaraçosa “deixa” ao oponente:

“Jesus com seus quinze anos,
pra onde foi que marchou?”

O público ficou em enorme expectativa, vendo que o “opositor” ficou impaciente, dedilhando, dedilhando a viola… e a inspiração não vinha. Até que, “de repente”, (daí o apiteto de repentista) como num passe de mágica, o arguto e, supostamente “iletrado” violeiro, respondeu a altura da provocação:

“O que senhor perguntou,
Vou responder desta vez,
Jesus com seus quinze anos,
Marchou para os dezesseis,
Vivendo mais dezessete,
Morrendo com trinta e três”.

Foi aplaudido por todos, até pelo “opositor”.

Enfim, dado a magnitude da magia poética destes homens do povo, tiveram o reconhecimento das autoridades competentes. Foi promulgada a lei nº 12.198, de 14 de janeiro de 2010, reconhecendo a profissão de repentista:

Minha reverencia aos poetas e repentistas desta nação nordestina.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O CACHORRO QUE PAGA O PATO

Perder bichinho de estimação pode traumatizar tanto quanto perder um ente querido. Que o digam os psicólogos com seus consultórios lotados, em atendimento de pessoas com desanimo e profunda melancolia (depressão) por conta da perda do querido animal.

A tendência de famílias com baixa taxa de filhos, somada a longevidade do brasileiro, instintivamente, os leva ao hábito de se criar animais de estimação como forma de companhia, cada vez mais presentes nos nossos lares. Em sua grande maioria, cães e gatos.

Somos o segundo país em números com maior população canina do mundo. Esse apego ao “melhor amigo do homem” fez o próspero mercado “pet” movimentar algo em torno de R$ 34,4 bilhões, só em 2018.

Por isso, nos causa indignação quando se sabe que, por conta de tradição e, portanto, é uma questão cultural, alguns povos ainda cultivarem o hábito de se alimentarem dos cães (algo inconcebível para nós). China, Indonésia, Coréia, Filipinas, Polinésia, Vietnan, etc.

CONTRASTE

Em nosso país, é costume se promover algum tipo de festa/festival de alguma iguaria, que movimenta o turismo e a economia daquele local. De norte a sul do país vamos encontrar a festa da tainha, do camarão, da lagosta, do suíno, do frango, da ostra, etc. A gastronomia sempre é um forte atrativo para se promover um costume/tradição de algum lugar.

Na China, na cidade de Yulin, vamos encontrar o polêmico festival de carne de cachorro, onde milhares deles são sacrificados para consumo e alegria da região.

CORÉIA DO NORTE

Na Coréia do Norte, o ditador Kim Jong-Um, deu ordens para a população entregar seus cães para restaurantes, conforme noticia veiculada na imprensa internacional.

CORÉIA DO NORTE INCENTIVA CIDADÃOS A MATAR E COMER CACHORROS – manchete de vários veículos de comunicação.

Clique nos itens abaixo para ler as matérias:

Ditador norte-coreano Kim Jong-un manda abater cães de estimação contra vontade das famílias

Norte-coreanos são forçados a entregar cães para restaurantes, diz jornal

VENEZUELA

Na Venezuela, nem foi preciso o ditador Maduro baixar decreto. A forte crise econômica do regime socialista, além de causar mortandade de vários animais de zoológico, muitos foram abatidos para matar a fome dos venezuelanos.

Tigre sem alimento no zoológico de Caracas.

Imagens de animais esqueléticos nos zoológicos da Venezuela, e a população se alimentando de cachorros correram o mundo.

Por falta de comida, os cachorros sempre acabam pagando o pato.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A IRREVERÊNCIA DOS “ASSINANTES” DO JBF

Institutos de Pesquisas podem até falhar (dado a pequena tolerância da margem de erro), quando aponta o JBF como o mais lido, mais acessado, mais dinâmico, mais amado, mais odiado (pois é… a página sofre constantes “atentados” virtuais), das redes sociais.

Mas, a unanimidade que ninguém pode negar ou superar, é que o JBF seja o mais escroto de todos. Neste contexto, só a margem de acerto do INSTITUTO DATA BESTA é que é de 100%.

Leitores, colunistas, críticos e apreciadores reconhecem a sagacidade e acidez das virtuosas linhas editoriais do jornal. Por ser democrático ao extremo, o próprio editor não cansa de dizer que luta, peleja, se esgoela e apela, pra ver se não deixa descer o nível da amada gazeta. Mas é tudo em vão.

Ressalte-se, o que é imprescindível registrar, o pioneirismo da empreitada junto com a iniciativa e total dedicação de se manter a dinamicidade de um blog do porte do JBF . Tudo isto, lógico, tem um certo custo financeiro.

E por falar em custo financeiro, é bom frisar que, só após inúmeros apelos lançados por colunistas e leitores, o editor se rendeu, a muito custo, em aceitar um auxílio pecuniário, por menor que seja, destes “pequenos mecenas”. No valor que o coração se deixar permitir em ajudar.

O leitor mais atento, observará na lateral da página do blog, a “espontaneidade” acanhada do editor ao acatar a súplica dos promissores mecenas (segundo o próprio, muitos se fazem de leso!!!).

Na qualidade de leitor e colunista, procuro ajudar a espalhar nas redes sociais, um pouco dessa alegria contagiante/viciante que é o JBF.

Somado a isto, incentivo e chamo atenção do amigo/colega leitor, para que não se acanhe em, literalmente, abrir mão, de exercitar o seu lado “filantrópico cultural”, em prol da gazeta. Pois é, prezados leitores. Para não fugir à regra da linha escrotal do jornal, eis que um dos “viciados”, já contaminado pelo espírito gaiato do blog, me assegura, com muita altivez, que enviou uma singela cooperação financeira no valor de R$ 200,00 (duzentos reais)

Disse que gostaria de registrar seu altruísmo, inaugurando com chaves de ouro o seu adormecido lado filantrópico.

Tomado por obstinado estoicismo, afirmou que, pelo simbolismo, poucos veículos de comunicação, recebera tamanha honraria em ser agraciado com a abnegada doação realizada com a nossa recém lançada cédula de maior valor. A cédula que contém o nosso LOBO GUARÁ.

R$ 200 REAIS

Eis a comprovação da foto:

E o indigitado leitor, no pleno exercício de sua filantropia, ousou em lançar uma advertência a editoria, fazendo constar a seguinte jurisprudência (o cara é chique, todo):

“RECUSA DE PAGAMENTO EM MOEDA CORRENTE. VIOLAÇÃO DO ART. 39, IX DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR….

Ademais, nos termos do art. 43, da lei das Contravenções Penais, é ilícita a recusa de moeda de curso…legal no país”.

* * *

PLACA DE AVISO

Tudo isto, caros leitores, é para vos informar e lembrar que, nesta quinta-feira, 08/Out, das 19h30 às 20h30, teremos mais um delicioso encontro virtual (live) onde daremos prosseguimento a nossa farra, gestada e parida, pelo nosso Mestre Assuero, versando uma mistura de tudo que já foi “debatido” até hoje e muito mais. (cornos, baitolas, moçoilas, poesias, causos, frases de paralamas/pára-choque de caminhão, bares, bêbados e cabarés).

E tudo isso sem qualquer roteiro pré-definido. Para participar basta clicar aqui que a autorização será dada.

Neste encontro, a palavra é franqueada a qualquer um que deseje assistir e participar.

SUAS NOITES DE QUINTA-FEIRA, JAMAIS SERÃO AS MESMAS

Participem.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

MADAME BISSET

É consabido que o nordeste brasileiro é um rico e abençoado berçário de poetas e cantadores. Eles encantam a todos e enriquece ainda mais a cultura e o folclore local. Nominá-los não é tarefa fácil e nem este é o propósito do texto. Evito porque além de infindável ser a lista, correria o risco de cometer injustas omissões.

Aqui, especificamente, no Estado de Pernambuco, um torrão de terra se destaca no mundo da poesia: O Pajeú.

A dita região abrange 17 cidades do Sertão pernambucano. A aridez provocada pela seca e a vida dura imposta aos nativos não os impedem de colherem as benesses e os frutos advindos das benfazejas águas do santo rio Pajeú. Sem medo de errar, afirmam que o principal produto/fruto colhido da região é a arte.

Autóctones da gema, não se cansam em difundir e de se gabarem de que neste rincão sertanejo, o sujeito já nasce respirando poesia. Os mais bairristas e aguerridos, então, asseguram que não só respiram, mas, comem, bebem, andam e falam em ritmo de versos rimados.

O motivo de tal orgulho advém de uma lenda de que, séculos atrás, nos tempos da colonização portuguesa, foi enterrada uma viola no leito do rio Pajeú.

A criatividade, junto com a mitologia regional assegura que, ao tomar um gole ou ser batizado com a água do Pajeú, já é o bastante para que a criatura transforme-se em poeta. E sem distinção de gênero.

Por lá é dito que, se o genoma humano é composto por 46 cromossomos (23 vindos do pai e 23 vindos da mãe), com a reação provocada pelo H2O do lendário rio, afeta imediatamente o DNA do felizardo, fazendo surgir poetas, repentistas, cantadores e violeiros aos borbotões.

Um grande amigo, e irmão na arte real, o jurista José Djacy Veras, radicado há muitos anos no Recife, mas, jamais abandonou suas raízes sertanejas do Pajeú. Originário que é de Afogados da Ingazeira, conta uma belíssima história ocorrida naquelas plagas:

Que o pernambucano Josué de Castro – médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome – (Recifense reconhecido no mundo todo. Por seus méritos, exerceu a presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra.

Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965). Em suas andanças por Paris, de tanto falar na notoriedade dos poetas de sua terra, resolveu convidar o casal de amigos Albert Louis e a esposa Professora e Socióloga, Catherine Bisset à vir ao Brasil. Depois da Amazônia, vieram ao Nordeste, especificamente, fazendo uma turnê por Pernambuco, Ceará e Paraíba, em cada lugar o anfitriã mostrava tudo que era possível, da cultura, do povo, da geografia e dos costumes, e na Paraibana Pombal, depois de conhecerem a trilha dos dinossauros, levou o ilustre casal à assistir uma cantoria de poetas violeiros.

A cantoria corria solta, a bebedeira dos cantadores violeiros, também. A criatividade impressionava os presentes. Madame Bisset e o Marido estavam maravilhados.

Lá para as tantas o interlocutor do evento pediu aos cantadores presentes que saudassem em versos e prosas os nobres visitantes franceses. Para que dessem uma demonstração, uma “canja” da veia poética e criativa dos cantadores da região, homenageando os forasteiros.

No meio de tantas e tantas loas, destacou-se uma que ficou marcada na memória, especificamente homenageando a ilustre visitante Madame Bisset.

Vamos homenagear
Uma distinta pessoa
Madame Bisset, há de perdoar
Minha rima, minha lôa
É que seu nome, de certo
Tira um fino muito perto
De uma coisa muito boa

A madame aplaudia e sorria, sem entender muito a criatividade e malícia do cantador.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

SOCIEDADE DOS POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

O título acima, carregada de metafórica e barata analogia às avessas da magistral e premiada obra cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos, escrita por Tom Schulman e dirigido por Peter Weir. Em que o novo professor de Inglês John Keating é introduzido a uma escola preparatória de meninos que é conhecida por suas antigas tradições e alto padrão. Ele usa métodos pouco ortodoxos para atingir seus alunos, que enfrentam enormes pressões de seus pais e da escola, onde aprendem como não serem tão tímidos, seguir seus sonhos e aproveitar cada dia.

E por aqui, nesta gazeta escrota, o que mais se vê são métodos pouquíssimos ortodoxos de se noticiar e comentar um pouco sobre tudo. Por isso o título sociedade dos poetas que se fingem de mortos.

2010

Há uns dez anos, eu andava fuçando pela internet, alguma página que fugisse dos padrões enfadonhos de se apresentar e da mesmice incrustada nos sites de notícias. Que levasse a informação de um modo diferente, criativo, com sarcasmo mas, sem perder o originalidade. Com humor bem debochado e excrachado, mas que permanecesse fiel e verdadeiro. Que atingisse o sacana e a sacanagem perpetrada, bem nas fuças. Que os comentários também fossem do mesmo nível.

Começava navegando pelas páginas dos grandes jornais, de norte a sul do país: Globo, Folha, JB, Correio Braziliense, O Dia, Correio do Povo, etc. Para se inteirar de alguma coisa, tinha-se que coser uma verdadeira colcha de retalhos do noticiário.

EURECA

Qual não foi minha surpresa quando, pesquisando no google sobre o escritor Mario Vargas Llosa, nobel de literatura de 2010, algo me chamou atenção: “Mario Vargas Llosa – Jornal da Besta Fubana”. Cliquei. Eis que me deparo com o Besta Fubana. Foi uma baita surpresa. Lá estavam notícias, criticas e comentários sobre as principais “chamadas” dos grandes jornais do país. Um balaio de notícias pinçadas da mídia de todo país. Onde os temas eram expostos e debulhados com as criticas pertinentes. Podia-se (e pode) descer a lenha. Salvei a página “nos favoritos” para acessá-la com frequencia.

Sou leitor assíduo do JBF desde 2010, ou seja, do tempo em que o Berto dizia na prímeira página que era editor de “uma gazeta da bixiga lixa! Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol… ensacador de fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e… “A esquerda garante que o JBF é de direita. A direita afirma que o JBF é de esquerda. Os moderados dizem que o JBF é radical. Os radicais reclamam que o JBF é moderado. Bem-vindos a informação e a esculhambação”…

Era exatamente o tipo de página que eu procurava. Quando participei com comentários houve repercussão. Enviei charges e sugestões… idem. Notei que os colunistas mantinham um certo diálogo com as críticas ou elogios.

PREOCUPAÇÃO E LOUCURA

De tanto ler e participar do JBF, minhas filhas, preocupadas, vieram me dizer: “Pai, este editor é meio maluco. Andei pesquisando e vi que Besta Fubana era uma figura folclórica e lendária… um vulgo da besta fera. Espécie de aberração que “pune ou punia” os cristãos hereges, mais tarde apelidados de bestas humanas. Pra aliviar e parecer menos ofensivo às pessoas passaram chamar de besta fubana. E virou jargão. Quando alguma coisa fosse comentada sutilmente fala-se: EITA BESTA FUBANA!!.

“E esse editor doido, tem vários livros, entre eles tem esse tal de O Romance da Besta Fubana”

Parti para advogar em defesa de Berto o quanto pude. Expliquei pra elas que tratava-se de um escritor premiado, com excelentes obras publicadas, com ótima aceitação pela crítica literária nacional. Além do blog ser acessado diariamente por centenas de usuários, etc.

De tanto participar comentando, dando pitacos, narrando alguns “causos”, o Berto acabou jogando por terra toda defesa fundamentada que fiz a respeito da sanidade dele. Pois o danado me convidou, via e-amil, a assumir uma coluna no JBF. PQP!!! O cara é maluco, mesmo!

Imaginei: E agora? O editor só me conhece pelos comentários… O trabalho toma todo meu tempo (advogado operário).

Para aumentar minha aflição, decidi perguntar ao editor:

– Berto, o colunista fubânico Mario Vargas Llosa, é o grande Jorge Mario Vargas Llosa, peruano, ganhador do Nobel de literatura 2010?

– O próprio. Autor de um dos meus livros de cabeceira: “A Guerra do Fim do Mundo”

Deus do céu! Quanto mais repassava a vista nos nomes dos colunista, mais desespero me dava.

Fui tranquilizado. Disse-me que escrevesse temas livres. Semanalmente ou por quinzena. Quando farrapo, ele me “puxa as orelhas”.

UM JORNAL NA LINHA DE FOGO

Um jornal que já contabilizou 650 tentativas de invasão e bloqueios na sua página internética (média de mais de 100 por dia), por conta da liberdade e conteúdo das suas matérias, é sinal que incomoda tanto ou mais que 30 elefantes. O saco desses ataques é acabam causando quedas temporárias por conta do intenso tráfego.

Os pseudos democratas usam desta estranha forma de “contra-argumentar” a liberdade de expressão/pensamento inseridas nas páginas do JBF.

Pela covarde sabotagem, todos, (conforme a praga rogada pelo editor) serão condenados à espera do espeto polodoriano.

SOCIEDADE DOS COLUNISTAS/POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

Nesta “gazeta escrota”, o editor, colunistas, colaboradores e leitores atuam, cada qual a seu modo, como os protagonistas do referido filme. Um professor (Berto) que chegou para balançar o coreto. Pra bagunçar a lerdeza e a falsa moral da referida “unidade de ensino” (grande mídia). Opinando e comentando com liberdade, como alunos rebeldes, sem medo e usando métodos pouco ortodoxos, confrontando o “politicamente correto” e o incorreto… o caraca a quatro. A liberdade aqui é plena!

E esta Sociedade tem incomodado bastante muita gente. De forma que, aos trancos e barrancos, a caravana JBF vai passando, sabendo que, as opiniões ali contidas, tais como as batatas, vão se ajeitando com o chacoalhar da carroça.

Acautelai-vos, tolhedores e coveiros da liberdade de expressão. Os bestasfubenenses estão por aí… vivinhos da silva, se fingindo de mortos.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

RECIFE MANHÃ DE SOL

A bela história de um “hino” em louvação a cidade do Recife

É logico que o nosso colunista, poeta e Mestre Xico Bizerra, tem mais propriedade pra falar a respeito. Foi ganhador do último Festival Nacional do Frevo, ocorrido no Recife.

Corria o ano de 1966, quando o Recife fora castigado por mais uma trágica cheia. Além dos transtornos inerentes, deixou um catastrófico saldo de 63 mortos e 8 mil desabrigados. Na apuração, vidas e sonhos destruídos.

O drama dos recifenses só teve fim com a construção da barragem de Tapacurá, concebida para estancar as cheias provocadas pelos rios Beberibe e Capibaribe. As obras tiveram inicio no governo Nilo de Souza Coelho, em 1969, ficando pronta na gestão do governo de Eraldo Gueiros Leite, em 1973.

As cheias acabaram. Só não acabou com o imaginário poético do recifense com a sua lendária mania de grandeza: A fábula de que “o rio Capibaribe se une ao rio Beberibe, para formar o Oceano Atlântico”.

Com a grande cheia afetando a vida dos recifenses, o mundo da arte não saiu ileso. Naquele junho de 1966, por conta dos transtornos, foram então prorrogadas as inscrições para um importante concurso cultural fomentado pelo Serviço de Recreação e Turismo, órgão atrelado à Secretaria de Educação municipal, denominado – Uma Canção Para o Recife – no intuito de impulsionar a renovação do nosso frevo.

À época, por conta do adiamento das inscrições, um jovem recifense de apenas 23 anos, que decidiu participar do evento, viveu uma aventura em que o destino transformou numa comovente e emocionante façanha.

De férias e sem saber a data certa para volta das inscrições do concurso, o jovem José Michiles foi visitar parentes no Rio de Janeiro. Foi surpreendido com um telegrama de uma tia, informando que no dia seguinte as inscrições se encerrariam.

A AVENTURA

Imediatamente, J. Michiles pôs todo material dentro de um envelope (letra, arranjo, etc.), e foi aventurar no Aeroporto Santos Dumont, alguém com destino ao Recife. Em meio a grande aflição, encontrou, por sorte, uma passageira que se dispôs a ajuda-lo naquela missão quase impossível. Ouviu com cuidado as instruções e elato de como se daria o encaminhamento daquele importante envelope. A sorte parecia lhe sorrir. A passageira não só morava no Recife, como bem próximo a rua da namorada dele, no bairro de Campo Grande, a qual recaiu a incumbência de fazer a ansiada inscrição no concurso.

Voltando à terrinha, dirigiu-se a Rua do Lima, no bairro de Santo Amara, onde se localizava a TV Jornal do Commercio, procurando notícias da inscrição da sua música. Ficou sabendo que foi classificada e que seria interpretada pelo cantor, Marcus Aguiar. À época, um prestigiado jovem daquela emissora de TV.

A FAÇANHA

Etapa por etapa, sua canção ficou entre as 20 finalistas em meio a 120 inscritas. A cereja do bolo viria em 25 de novembro de 1966. A música fora classificada em 1º lugar, conquistando de forma brilhante o troféu ANTÔNIO MARIA (jornalista e autor de Frevo nº 1 do Recife e Manhã de Carnaval) Além do troféu, embolsou o prêmio de Cr$ 5 milhões. (Cruzeiros)

A façanha foi arrebatadora. Desbancou verdadeiras lendas culturais locais, como A Canção do Recife, de Capiba e Ariano Suassuna, que ficou em 2º lugar.
Modesto, “disse que não esperava ganhar no meio de tantas feras”.

O RÔLO (Num bom Pernambuquês, a confusão)

“Os Donos do Frevo” – Eram assim designados os históricos poetas e aclamados autores, da envergadura de um maestro Nelson Ferreira, Capiba, José Fernandes, Clóvis Pereira, Aldemar Paiva, etc. A vitória de J. Michiles, jogou lenha no embate do cenário artístico da capital, sacodiu as rádios, redações de jornais e gravadoras.

O inconformismo do grêmio dos “donos do frevo”, custaram em digerir o triunfo do intruso neófito, renegando a aceitá-lo no seleto clube. No estremecimento cultural local, teve de tudo que se possa imaginar. Um voto que pesou a favor do novato, fora feita por um ícone da cultura pernambucana, Valdemar de Oliveira, no qual desqualificou as outras concorrentes (e expôs no jornal). Na relação de notáveis que compunha a seleta comissão julgadora, iriamos encontrar emblemáticos acadêmicos da envergadura de um Mauro Mota, Aderbal Galvão, Marcos Vinícius Vilaça, Padre Jaime Diniz, maestro Vicente Fittipaldi. Este último preferiu não votar.

Os recalcitrantes compositores rivais, não pouparam ataques ao novo vencedor do concurso. O furdunço maior se deu quando Cilro Meigo, poeta e parceiro de composições com Nelson Ferreira, insinuou que o frevo vencedor havia sido plagiado.

O RECONHECIMENTO

Sem estardalhaço, o jovem poeta (era Desenhista Industrial) transitava sereno no mundo artístico, sem se associar a nenhuma das correntes, cravando, a partir dali, a estreia da sua carreira no mundo artístico e cultural da Capital.

Mas não foi fácil. O reconhecimento do seu valor só viria ocorrer quase 40 anos depois, no ano de 2000. Gravaram a música, cantores do lastro de Maria Bethânia, Orlando Dias (1976) e Alcymar Monteiro (2006).

Hoje, considerada um clássico da música brasileira, é quase obrigatório constar no repertório das agremiações carnavalescas, cantores e artistas. Principalmente pelos blocos líricos que ainda encantam e emocionam as multidões no carnaval pernambucano.

‘Recife manhã de sol’, mais que uma belíssima canção, tornou-se um hino, que melhor identifica a cidade do Recife.

A seguir, três interpretações:

MARCOS AGUIAR

MARIA BETHÂNIA

BLOCO DA SAUDADE

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

FESTA COM O BOLO ALHEIO

Breves considerações sobre as agencias reguladoras

Tal como num livro de contos de fadas, reza a lenda que – Agência reguladora – é um “órgão do governo criado (com regime jurídico especial) no intuito de regular/fiscalizar a atividade de um determinado setor da economia”. Nessa fábula, dentre inúmeras razões para a existência de determinada agência, consta um capítulo muito especial dedicado a ficção: sua principal função é a “Defesa de direitos do consumidor em relação as empresas” (recém desestatizadas ou criadas).

Ou seja, sua existência é imperiosa para impedir que o setor privado que exploram atividades que antes eram de exclusiva função do Estado, venham a cometer eventuais abusos aos consumidores.

Existem agencias reguladoras pra todo gosto – Federais, estaduais e municipais.

As federais são 11:

1 – ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações
2 – ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
3 – ANCINE – Agência Nacional do Cinema
4 – ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil
5 – ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários
6 – ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres
7 – ANP – Agência Nacional do Petróleo
8 – ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
9 – ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar
10 – ANA – Agência Nacional de Águas
11 – ANM – Agência Nacional de Mineração

12ª – Pode-se até acrescentar nesta relação o Banco Central do Brasil que, mesmo não sendo uma agência reguladora de fato, é encarregado por regular e fiscalizar todo sistema financeiro do país.

Se no papel, as tintas da letra fria da lei nos vende uma utopia como se as Agencias Reguladoras fossem a oitava maravilha do mundo na defesa do consumidor, a realidade é totalmente o contrário.

RAPOSAS CUIDANDO DO GALINHEIRO

Paradoxalmente, as agencias criadas para proteger o consumidor da ganância dos empresários, como num passe de mágica, suas diretorias e conselheiros são nomeados, politicamente, para os principais cargos. Daí se dizer que é a raposa tomando conta do galinheiro.

IMUNIDADE E FESTA COM O BOLO ALHEIO

Como a indicação de diretorias e conselheiros funciona como uma nítida troca de favores, os membros diretores das agencias que “regulam” as empresas, são nomeados por políticos. E empresas costumam financiar campanhas políticas. Capiche???

Sabe aquela grande mentira na qual a pessoa ferra a outra, mas assegura que “é para o próprio bem dela???… é muito parecido com as agencias reguladoras.
As nomeações (diretores, juristas, conselheiros), dizem, obedecem a “rigorosos critérios” que na verdade só beneficia duas partes: o politico que o nomeia e a empresa que deveria ser “regulada”

O TREM BALA DA ALEGRIA

Com mais servidores do que a Câmara e Senado, juntos, já em 2017, existia nas “agencias reguladoras” a distribuição de 9.261 “boquinhas” (nomeações). Á época, as lideres em nomeações foram a Anatel (Telecomunicações) com 1.511 e dona de uma folha que custa R$322 milhões/ano, seguida pela Anvisa (Vigilância Sanitária) com 1.994 indicações.

MORALIZAÇÃO FRUSTRADA

Por conta do advento da pandemia, procurou-se, via projeto de lei, uma forma de frear e limitar o controle das nomeações/indicações politicas nas agencias reguladoras. Absurdamente (pero no mucho), os políticos nomeiam acionistas, dirigentes ou sócios das empresas privadas para cargos chave nas agencias reguladoras. É comum encontrar dirigentes nomeados para as agencias, advindos de algum escritório criado por lobby de empresas privadas, só para esta finalidade.

Como era de se esperar, esta tentativa de proteger as agencias das nomeações politicas, não logrou êxito. Pois a própria Lei Geral das agências reguladoras, impede esta intervenção de limitação.

O “PREJU” QUE CUSTEAMOS

Pra se ter uma ideia, se em 2018 as 10 “agências reguladoras” contabilizavam um custo anual de R$ 1,575 Bi/ano, apenas com cabide de empregos (uns 6 mil cargos). Só a ANVISA – a mais dispendiosa – possuía um orçamento de 535 milhões/ano. A ANATEL ficava na rabeira com R$ 38,9 milhões/ano. Embora díspares em custos, tinha em comum a ineficiência. Imaginem o custo anual de hoje!

LOBBY FORTE

Via de regra, lobistas das empresas privadas costumam aparelhar, ao bel-prazer, a maioria dos diretores das agencias reguladoras ( ANTAQ, ANP, ANAC, ANATEL, ANEEL, ANVISA, ANCINE, ANTT, etc.)

INVERSÃO DE PAPEIS

Ao invés de normatizar/fiscalizar as empresas, as “agencias reguladoras” funcionam como uma espécie de clube fundado exclusivamente para… defender as empresas.

ALGUNS EXEMPLOS:

• Em vários pedidos de liminares na justiça, feitos pela Associação Paulista de Medicina na procura de amparar desesperados consumidores, solicitando a cobertura dos planos de saúde para testes de covid-19, para espanto de ninguém, a ANS saiu em socorro dos… planos de saúde. Acredite. Intercederam juridicamente (Deus do céu…) Num flagrante desvio de seu verdadeiro papel social.

Onde está o Ministério Público Federal que não investiga essas incestuosas relações dos planos de saúde com a “agência reguladora” ANS.

• Em total prejuízo dos consumidores, a ANAC aprovou alta de 8% no preço das passagens aéreas em 2019. Diziam que com a cobrança de bagagem esses preços reduziriam naturalmente. Foi a mais pura conversa pra boi dormir.

• NINHO POLITICO PARTIDÁRIO – Quando Bolsonaro flertou fazer mudanças na Agência Nacional do Cinema (ANCINE), sentiu que ali estava um verdadeiro bunker da “resistência”. Percebeu que a referida agencia reguladora (com um orçamento de R$ 153 milhões) estava completamente dominada por diversas empresas e sob a batuta do PCdoB, que só libera verba para “camaradas” com projetos alinhados politicamente a sua ideologia.

• DINHEIRO NO RALO – Em meados de 2018, já se vislumbrava uma dolorosa sangria com o dinheiro do contribuinte em forma de propagandas. Orçamentos anuais para este fim: ANP R$12 milhões, Ancine R$15 milhões, ANS R$4,2 milhões. Mais festa com o bolo alheio.

MINA DE OURO E PODER

Outro fator pra cobiça dos políticos sobre as agências reguladoras está em seus orçamentos e faturamentos bilionários, que vão desde o setor de energia à aviação civil, passando por plano de saúde, telefonia etc.

Verdadeira galinha dos ovos de ouro são as “consultorias”, concebidas por ex-diretores de agencias reguladoras, que lucram (e muito), com empresas beneficiadas por suas resoluções.

Como extensão de uma contaminação bem “republicana”, conhecida nossa (como uma reprise de filme), houve casos de pedido de investigação pela Policia Federal por conta de suspeitas de vendas de decisões/resoluções de algumas agencias reguladoras.

Tudo que os lobistas têm a fazer para que uma empresa obtenha e se beneficie (jurídica e economicamente) de resoluções (que tem força de lei), é “induzir” – numa conver$a de pé da orelha – 5 (cinco) diretores/conselheiros para sua aprovação. É muito poder nas mãos de poucos.