MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

METÁFORAS

Mesmo ocorrendo a transmutação da palavra, objeto ou qualidade mediante uma outra que possui com aquela, uma relação de semelhança de significado. Ou seja, é uma figura de linguagem que ajuda a explicar uma ideia geral sobre algo ou alguém.

A musica de Rita Lee “Amor e sexo” é eivada de metáforas:

“Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa-nova
Sexo é carnaval”

Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua muito difícil. Tendo em vista que a língua portuguesa é rica em expressões!

Vamos tomar como exemplo o que significa “No frigir dos ovos”? Autor desconhecido.

Veja o quanto o vocabulário “alimentar” está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia.

Aí vai.

Pergunta:

– Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos”?

Resposta:

– Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar.

Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos.

Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais.

Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe.

Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote.

Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.).

Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco.

Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço.

Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não.

O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco…

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas.

Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar.

Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando.

Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Entendeu o que significa “no frigir dos ovos” ?”

(autoria desconhecida).

Trazendo a sardinha para o lado do braseiro do JBF, teríamos o seguinte:

Berto é um gato maracajá. (subentende-se um cara matreiro, cheio de expertises)

Assuero é um touro. (subentende-se a força do touro)

Violante é um anjo. (subentende-se a bondade dos anjos)

Dalinha é uma flor. (subentende-se a beleza das flores)

Roque Nunes é uma fera (inteligente ou brabo).

Sancho escreve com as mãos nas costas…

Adonis ama ministros do STF…

Jesus de Ritinha de Miúdo brinca e dança com as rimas…

Magnovaldo é um cara viajado…

Marcelo Bertolucci gosta de dar pitacos…

Aristeu é um monstro da cultura popular…

Cícero odeia bordel (de Maria do Bago Mole)…

No grupo do whatsaApp, do Cabaré do Berto, quando alguém, de alguma forma se sobressai, é logo “elogiado” por sua proeza ou inteligência. Surge então, sempre alguém a indagar a seguinte metáfora: Atrás de você, eu sou um jumento! Fica a dúvida.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O PODER E A FORÇA DA PALAVRA

Que o digam os escribas em geral.

Alguém já havia dito que o peso das palavras (pronunciamentos…) é como ela viesse, primeiro, do inconsciente para o consciente e, daí, para a concretização do desejo, do anseio. Se fossemos reverberar a fundo o quanto elas moldaram ao longo das nossas vidas, os rumos e as emoções, veríamos o quanto deveríamos refletir para o seu bom e salutar uso. Porém, o fato é que elas refletem nossos sentimentos e são determinantes para que a nossa vida faça mais sentido.

Primeiramente, vamos combinar que o seu uso há de ser comedido e criteriosamente avaliado antes de sua pronuncia. Há exemplos e várias ponderações sobre o seu sábio uso, contido nos Salmos. Destaco o 55:21 “Sua fala é mais macia que a manteiga, contudo a guerra habita em seu íntimo; suas palavras são mais suaves que o azeite puro, todavia são afiadas e perigosas como o punhal.

Bem como em qualquer resposta, há de se medir e ponderar. É quando entra em jogo a figura do melindre, tal como descrito em Provérbios 15 “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”

O VERBO

Consta, inclusive, pelo texto bíblico, que tudo começou com o verbo. Daí a sua força e seu poder. Vejamos o exemplo da força da palavra na bíblia.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.
(João 1:1-4)

Pelo texto bíblico fica implícito que através de Sua Palavra – O Verbo (Gênesis 1:3) Deus falou e tudo se formou! Seguindo o raciocínio de João 1:3, sem a Palavra de Deus, nada pode existir. Do nada, nada surge. Tudo foi formado pela Palavra poderosa de Deus.

Bem adiante, ainda nas escrituras sagradas, há nítida ênfase ao seu uso para que se consiga aquilo que deseja: Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á.

Porque todo o que pede, recebe; e o que busca, acha; e a quem bate, abrir-se-á.
Simbolicamente e literalmente (quem não chora, não mama), o choro é a verbalização de uma necessidade orgânica, decifrada pela mãe para ofertar e verter o seu leite da vida, o leite materno.

PALAVRA CÓDIGO

Na atualidade, as senhas de computadores, são criptografadas. Ou seja, é um texto que foi tornado ilegível por meio de um processo que usou dados extras. Da criptografia pode-se dizer que trata-se da escrita transformada num código incompreensível para quem não está autorizado a acessar o seu conteúdo: mensagens criptografadas.

PALAVRA MISTICA

ABRA CADABRA – Acreditava-se, na antiguidade, que seu uso feito de forma correta, tinha poderes de cura. Há registros de seu uso místico, lá pelos meados do século II DC, prescrito por medico ao imperador romano da época, Caracalas.

A PALAVRA SHIBOLETE NA MAÇONARIA

Antes secreta e atualmente considerada discreta, até mesmo pela sua maciça difusão pela intenet, a maçonaria carrega consigo e em seus ensinamentos e lendas, o uso de palavras de passe ou palavras sagradas, em vários níveis de variados graus – Aprendiz, companheiro e mestre maçom.

CHIBOLETE – Historicamente, diz-se que a palavra “chibolete” ou “xibolete” teve seu uso intensificado para designar o meio de reconhecimento dos grupos a que pertencem certos indivíduos. Método este utilizado em vários momentos de guerras e conflitos ao longo da história, principalmente para identificar uma pessoa que pertencia ao povo inimigo.

Reza a lenda, que o exército dos Efraimitas atravessou o rio Jordão num conflito entre tribos e combates com os Geleaditas. Houve desavenças quanto ao bônus dos despojos dos vencidos, onde os Efraimitas não se conformaram por não serem agraciados na partilha. O rei Jefté então guerreou e venceu os Efraimitas, que fugiram. Para se resguardar dos Efraimitas, Jefté ordenou montar guarda nas passagens do rio Jordão, procurando evitar que os derrotados retornassem ao seu pais. Ordenou que aquele que tentasse voltar seria executado. Sabedor de que os Efraimitas usariam de subterfúgios e astucias para enganar os soldados, e assim retorna a sua terra, ao tentar passar os Efraimitas eram traídos por seu defeito vocal, pois não conseguiriam pronunciar a palavra “Schibolet”, dizendo: “Sibolet”. As Escrituras Sagradas informam que morreram, no campo de batalha e na tentativa de regresso, 42.000 Efraimitas.

LOLLAPALOOZA

O que para muitos é considerado apenas como um periódico festival de musica que começou em 1991, em Chicago, e hoje ocorre em vários lugares do mundo, não imagina que sua origem tem tudo a ver com a segunda grande guerra mundial.

Consta que sua pronuncia originou-se no dialeto dos Estados Unidos no século XIX, e ganha prestigio e destaque no começo do século XX, no rastro do sucesso das películas dos 3 patetas no cinema e na TV.

No transcorrer da segunda grande no pacifico, para se salvaguardar de soldados e espiões japoneses, como um Shibolete moderno, por conta da dificuldade dos americanos em diferenciar a etnia e o porte físico entre chineses, coreanos, japoneses e tailandeses, exigiam a pronuncia da palavra LOLLAPALOOZA, sendo esta, impossível de um japonês pronunciar corretamente. Sabe aquela velha satirizarão que dizia que “a mesma coisa é um caminhão cheio de japonês”, pois é mais ou menos por ai.

Como se vê, o uso correto da palavra Lollapalooza na Ásia, durante o conflito da segunda guerra, poderia custar uma vida.

As palavra, som ou costume que uma pessoa não familiarizada com ele e incapaz de reproduzir, possibilitando, portanto, identificar aqueles que não pertencem a uma determinada nação, classe ou grupo de pessoas.

Agora, vocês estão com a palavra.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O DOGMA E A CULTURA DA ESCRAVIDÃO

O tema é pra lá de vasto. Daria uma biblioteca imensa com seus tratados e estudos.

ETIMOLOGIA

O termo “escravo” não tem a ver com a cor. A palavra “slave” em inglês significa: eslavo e escravo; devido ao fato dos escravos no império bizantino serem eslavos brancos e de olhos azuis. Também vem do latim “sclavus”, que significa “pessoa que é propriedade de outra”, e de “slavus”, que significa “eslavo”, pois muitas pessoas desta etnia foram capturadas e escravizadas.

REGISTROS HISTÓRICOS

A escravidão é uma prática de tempos imemoráveis. A própria bíblia contem inúmeras passagens de relatos.

A sua história se confunde com a própria historia do homem. Desde a antiguidade, tribos ou povos vencidos em guerras, serviam como moeda de troca, que submetia os vencidos a trabalhos forçados pelos conquistadores. Há registros de escravidão do Oriente Médio (Antigo Oriente), bem como os Maias nas Américas que lançavam mão dos cativos para diversas funções. Embora possa haver confusão entre servidão e escravidão, a condição dos servos era distinta da dos escravos.

Na África, existem registros de utilização de mão de obra escrava há pelo menos uns 4mil anos. Africanos de tribos vencedoras podiam vender os subjugados, por conta de crime cometido ou quitação de dividas, já que o escravos era uma espécie de moeda corrente, dinheiro vivo.

Em suma, todos os povos vencidos em guerras de qualquer natureza, os vencidos eram subjugados/ escravizados, independente de sua raça, cor da pele, credo, etc. O homem utiliza a escravidão do vencido, como troféu.

Por mais irônico que possa parecer, dizia-se que os escravos que saíram da África se libertaram a si e seus descendentes da escravidão local para outras plagas.

ESCRAVIDÃO ATUAL

A nova definição de escravidão foi alterada e abrange trabalho análogo à escravidão e tráfico de humanos para fins sexuais, comércio de órgãos, situações em que o salário é menor do que supostas dívidas cobradas pelo “dono”, juntamente com o cerceamento do direito de ir e vir, é claro.

BRASIL – LEGISLAÇÃO – CRIME HEDIONDO

“SITUAÇÃO ANÁLOGA” = Por aqui, no Brasil, conforme relato do Ministério Público do Trabalho (recebe em média mil denuncias por ano), foram resgatadas algo em torno de 45 mil pessoas, entre 2003 e 2018, em situação análoga à escravidão, principalmente na área rural.

Está em andamento a elaboração a ser enviada ao Senado, de anteprojeto do novo Código Penal, constituída por uma comissão de juristas, que será enviado ao Senado, que decidiu acrescentar a lista dos chamados crimes hediondos. Nele, inserido o trabalho escravo e racismo. Pela Constituição, os crimes hediondos não dão direito a fiança ou anistia. Nem progressão da pena.

ESCRAVIDÃO MODERNA

Atualmente, somos considerados “escravos”. Principalmente se considerarmos que somos reféns dos políticos e das políticas públicas, mormente a tributação de impostos em geral. Isso também é uma forma de escravidão.

Conforme observações e estudos da ONU, há nítidos sinais de que a escravidão evoluiu e se manifesta em diferentes matizes ao longo da história. Existe o empenho de vários órgãos que visam a erradicação das formas contemporâneas de escravidão, tais como exploração sexual, tráfico de pessoas, casamento forçado e recrutamento forçado de crianças para uso em conflitos armados. A atual guerra entre Rússia e Ucrânia é um exemplo. Embora pouco divulgado pela imprensa parcial e oportunista.

HUMILHAÇÃO – VENDA DE ESCRAVOS – LEILÃO

Acredite, em pleno 2022, a África ainda tem escravos á venda e há um silencio sepulcral da mídia e de órgão governamentais sobre este drama.

Milhares de pessoas ainda sofrem com o fantasma da escravidão. No Sudão, por exemplo, qualquer um, por módicos 30 ou 50 dólares, pode adquirir um escravo à venda nos mercados típicos, conforme registros de Membros da Solidariedade Cristã Internacional, que negocia algumas libertações de escravos no Sudão. Dados de pesquisa da Global Slavery Index , indicam que mais de 40 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, vivem nessa situação. A prática ainda é comum no Camboja, Paquistão, Afeganistão, Irã, Sudão do Sul, Etiópia, Somália, Mauritânia, etc.

O MAU EXEMPLO DO SUDÃO

Mulheres e crianças do sul do país são capturados, levados para o norte e forçados a trabalhar, segundo relatos de grupos de defesa dos direitos humanos, a maioria trabalhando para muçulmanos nas Províncias de Darfur e Kordofan. Há relatos tenebrosos de violência, mutilações, estupros e assassinatos. Em algumas regiões, as vítimas são escravizadas por simplesmente serem cristãos. Constantes guerras civis na região, propiciam a degradante prática as etnias/tribos vencidas.

PREÇO DA LIBERDADE?

A ONG Solidariedade Cristã Internacional (SCI) de defesa dos direitos humanos, com sede EM Genebra, na Suíça, afirma ter libertado mais de 11 mil cativos desde 1995. “Pagamos em geral US$ 33 por pessoa, o preço de duas cabras, em dinheiro”, diz o presidente da SCI, Hans Stuckelberger.

Circulo Vicioso – “Com até US$ 50 por escravo em um país em que a maior parte das pessoas sobrevive com menos de US$ 1 por dia, essa prática estimula o tráfico e a criminalidade”, diz o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência).

Baseado nestas premissas, alguns analistas criticam esta prática de compra de escravos para depois libertá-los. Afirmam que tal procedimento estimula o deplorável comércio.

FORMAS DE ESCRAVIDÃO EXPLORAÇÃO

Mesmo consignada como crime, a escravidão ocorre em vários países, sob a complacência hipócrita de políticos e políticas locais. Pessoas usadas para o tráfico de drogas e armas, tráfico de pessoas para prostituição , mercado negro de órgãos , trabalho escravo de ordem fabril, pesca ou agro. E não é apenas a cor da cútis que devemos nos preocupar, mas com um sentimento perverso, degenerado, presunçoso de superioridade de um povo para com outro. (exemplo do massacre da tribo Hutus sobre o Tutsis em Ruanda na África, e como os Hutus chamavam os Tutsis? De ” baratas”!).

Mas as pessoas teimam em só discutir algumas linhas sobre a “história da escravidão”, o passado da escravidão. Sem se ater que ela existe, é cruel e atuante. Convocamos os indignados de plantão, ONGs, e demais órgãos espalhados pelo planeta, a se manifestarem efetivamente sobre a situação da escravidão atual, que ainda existe em várias partes do mundo.

VALORES CRISTÃOS

Num mundo onde são aviltados valores como honra, amor-próprio, dignidade, orgulho, brio, integridade… não desdenhamos em procurar banalizar a escravidão de negros, mas mostrar ao mundo vários fatos históricos. Vale lembrar que negros também tiveram escravos, que brancos também foram escravos, e que esse comportamento deplorável só teve fim justamente no Ocidente graças a valores liberais e cristãos.

Com a escravidão ainda latente nos dias atuais, como podemos aceitar que o ser, dito humano, leve o seu semelhante, o seu próximo, a experimentar aflição, dor, tristeza, padecimento, angústia, pesar, agonia…

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UM NATAL SOLITÁRIO NO ESPAÇO

Corria o ano, nem tão distante, de 1991 e, em missão espacial, a bordo da estação espacial MIR, encontrava-se o cosmonauta soviético Sergei Krikalev.

No Natal daquele ano, enquanto Sergei aguardava, lá no espaço, o envio de um outro cosmonauta para substituí-lo na estação espacial, este nunca chegou.

Pois, mal sabia Sergei que, lá na terra, no seu país de origem, estava ocorrendo severas mudanças na direção política da URSS. A União Soviética (URSS) entrava em total colapso político, econômico, cientifico e territorial. O esfacelamento geopolítico, gerado pela turbulência causada pela Glasnost (transparência) e a Perestroika (reestruturação), promovida por Mikhai Gorbachev, que, na turbulência do caldeirão político, acabou “renunciando” por motivos de saúde, ascendendo então, o líder do senado Boris Iéltsin. Evento este, que foi considerado a maior catástrofe geopolítica do século XX.

Lógico que, fatos desta envergadura, viria atingir, brutalmente, o então promissor programa espacial soviético.

ABANDONO E RETORNO DO ESPAÇO

Abandonado, literalmente, no espaço, Sergei teve que amargar o dobro do tempo pela espera por um substituto, na estação espacial MIR, para só então poder voltar a terra.

Quando finalmente retornou, em 25 de março de 1992 – mais de 10 meses orbitando em volta – em orbita 312 dias (dobro do tempo previsto), portanto, três meses após o fim da União Soviética, ou seja, seu antigo pais já não mais existia. Havia se fragmentado em outras 15 nações (que declararam autonomia). Até a sua cidade natal, Leningrado, havia mudado de nome para São Petersburgo. A base de onde desembarcou, Arkalikh, agora fazia parte do Cazaquistão.

FORA DO PLANETA

Conta-se até que, por conta de toda balburdia política, causada pelo desmembramento da URSS, com a autonomia dos seu países, Sergei havia sido convocado para servir as forças armadas. E sem se darem conta de que ele se encontrava no espaço sideral, foi dado como evadido, desaparecido (desertor), ou seja (os eternos burocratas), nem imaginaram que, sequer, ele estava no planeta.

Viajou ao espaço como soviético e retornou russo. Foi como cidadão de Leningrado, e retornou como Petersburguês (São Petersburgo).

Perdurou por dez anos o record pertencente ao “ultimo cidadão soviético”, como o homem que passou mais tempo no espaço (803 dias 9 horas e 39 minutos), marca superada em 2015 pelo compatriota Gennady Padalka.

BATE PAPO DO ESPAÇO

“Crie fama e deite na cama”, este é o ditado popular que cabe como uma luva, no invejável currículo de Sergei. Na verdade ele nunca esteve só na estação espacial. Sempre esteve acompanhado do cosmonauta Volkov. Mas Sergei Krikalev tornou-se bastante simpático e popular entre os astronautas, por conta de sua freqüente interação com os “terráqueos”, pois sempre fez uso do rádio da estação orbital para se comunicar com vários rádios amadores na terra, lá do espaço. Nas suas longas estadas na Mir, Sergei Krikalev ligava o rádio e falava com pessoas comuns que encontravam sua freqüência radio amadora, na terra.
“Dessa forma, ele estabeleceu relações informais com várias pessoas ao redor do mundo”,

HONRARIAS

Recebeu inúmeras condecorações: Herói da União Soviética, a Ordem de Lenin, com o título francês de L ‘Officier de La L’egion d ‘Honneur e com os novos títulos de Herói da Rússia.

A NASA o agraciou com a Medalha de Voo do Espaço, em 1994 e em 1998.

Inúmeros rádios amadores de todas as partes do mundo, que contataram com Sergei Krikalev, puderam lhe desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, na imensidão do infinito.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A LENDA DO DEUS DE EINSTEIN

   

Spinoza e  Einstein

O físico Albert Einstein, por ser uma celebridade cientifica mundial e, sempre constando na lista dos maiores gênios da humanidade (aos 12 anos provou de forma independente o Teorema de Pitágoras), ombreando na galeria de genialidade com Arquimedes, Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Lavoisier, René Descartes, Isaac Newton, etc…,

Famoso, bem antes até do Prêmio Nobel de Física em 1921, suas teorias fascinam a ciência até hoje, o que o fez rodar o mundo proferindo palestras e conferências tanto como cientista quanto humanista.

A LENDA

Reza a lenda que, em suas conferencias por salões de governos, científicos e universidades, uma pergunta sempre vinha à tona ao grande mestre:

Você acredita em Deus?

Sempre com respostas magistrais mas, a mais famosa, é uma que é erroneamente atribuída a Spinoza. Dizem que ele teria respondido:

– Eu acredito no Deus de Spinoza.

Daí, o sujeito saia correndo para ler e saber, quem foi e o que danado tinha dito o filósofo holandês Sr. Baruch De Spinoza, para ser usado como base da resposta de Einstein.

Só que, quem realmente conhece e sabe interpretar o filósofo Spinoza, fica ciente de que jamais ele teve este viés tão cheio de pseudo “altruísmo religioso”. Muito pelo contrário. Spinoza em seus escritos e meditações, expressava o criador como “Deus sive Natura”, ou, a natureza é a concepção de Deus. “O poder do homem, como é explicado por sua essencia atual, faz parte do poder infinito, ou seja, da essência de Deus ou da natureza”. Por conta de tais colocações, até de herege o acusaram.

O MITO

Na verdade, o que se criou foi um mito em torno do “texto resposta” de Einstein, atribuído a Spinoza. E isto consta em várias páginas da internet como se verdade absoluta, fosse. Ocorre que a referida citação foi escrita pelo autodeclarado médium mexicano Francisco Javier Ángel Real, conhecido pelo pseudônimo de Anand Dilvar, e pode ser encontrado em seu livro Conversaciones con mi Guía (pág. 14). No livro, Real relata um fantasioso diálogo com uma entidade espiritual.

Eis o texto resposta, que supostamente Einstein teria se referido como sendo de Spinoza:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

MOVIMENTO ARMORIAL

Grosso modo, temos que, um movimento cultural, é uma reação em cadeia onde um pequeno núcleo da sociedade, se destaca ao fazer eclodir e dar vida as ideias artísticas, filosóficas, culturais, comportamentais, etc, que deságuam no crescimento e na participação da comunidade que a circunda, resultando no florescimento e, consequentemente, expansão de sua idiossincrasia.

Um movimento cultural é aquele que provoca e dá impulso nas mudanças e costumes sociais. Por vezes, até quebrando paradigmas.

Funciona como uma boa chacoalhada na hibernação da mesmice social, ou, como se diz atualmente, dá um freio de arrumação na cabeça e no comportamento da coletividade. O renascimento, por exemplo, na minha modesta opinião, foi o mais expressivo movimento cultural do mundo ocidental, cujo eco, até hoje repercute.

Em meio a tantos movimentos culturais brasileiros, em épocas diferentes (Tropicálismo, Cinema Novo, Bossa Nova, Modernismo Brasileiro, Antropofagia, Jovem Guarda, Cultura Marginal, Funk Brasileiro e Manguebeat), vamos nos permitir em dar numa guinada de 360º, para irmos de encontro a um movimento feito tipicamente por nordestinos. Foi o nosso movimento raiz, o Movimento Armorial.

Sabe-se que o nordeste é uma inesgotável maternidade produtora de cultura brasileira. Haja vista cantores, atores, escritores, compositores, artistas plásticos, etc. Isto é incontestável.

Talvez, os mais expressivo movimento cultural já surgidos no nordeste do país, germinou em 1970, na capital pernambucana, o Movimento Armorial. Nas palavras de um dos seus principais fundadores, Ariano Suassuna, o movimento procurou criar e fundir uma arte erudita genuinamente brasileira, bebendo na fonte da cultura popular. Na visão de Ariano, a cultura popular nordestina, era prenhe de erudição e estilo próprio, o movimento ajudou a diminuir a distancia, integrando várias vertentes culturais com o que se conceituava ser erudito, se fundindo com o popular.

Os armoriais queriam fazer o Brasil olhar para si mesmo, com a pureza do seu axioma artístico, lastreado em raízes populares como a arquitetura, artes plásticas, cinema, literatura, teatro, dança, música, etc. Na definição do próprio dramaturgo paraibano que, na época, atuava como diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), assim disse:

“A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos ‘folhetos’ do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus ‘cantares’, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados”

O referido movimento, que teve o centro acadêmico como nascedouro, logo se alastrou por toda região. Sua primeira experiência externa se deu numa igreja no centro do Recife, com uma concorrida exposição de artes populares e um concerto. Devido ao grande sucesso, chamou a atenção das autoridades, e logo teve o apoio e a adesão do poder público municipal e estadual, por meio de suas respectivas secretarias de cultura. Desde então, o referido movimento ganhou força e vigor, atraindo para seu seio, inúmeras outras manifestações populares. O nosso rico folclore regional ganhou destaque nacional. Festas típicas com suas danças, musicas e indumentárias coloridas, cantorias e violeiros, teatro de mamulengos, cavalo marinho, maracatu, começaram a se popularizar cada vez mais.

Uma das mais fidedignas e emblemáticas manifestações culturais, a literatura de cordel foi, talvez, o grande carro chefe da difusão do Movimento Armorial. O cordel, livreto que é comercializado em feiras populares, é assim denominado por conta dos seus folhetos dependurados num cordão (daí seu nome “cordel”), com sua linguagem coloquial em forma de rimas concisas e bem humoradas, deixa o sertanejo a par de noticias, manifestações do dia a dia da sua vida, do seu torrão natal e da sua história, tendo em vista que, nos cordéis, se incorporavam a arte da xilogravura e da música popular nordestina.

DESTAQUES

Em meio ao grande sucesso e o impacto da pluralidade artística alcançada, o movimento Armorial teve alguns de seus ícones, destacados em diversas áreas:

1) O paraibano Ariano Suassuna (1927-2014), professor da UFPE, escritor e criador do Movimento Armorial.

2) Na arte da Xilogravura (técnica de gravura, cuja matriz é esculpida na madeira, possibilitando inúmeras reproduções do texto e figura, para ser gravada sobre couro, papel ou outro material), onde destacou-se o recifense Gilvan Samico, desenhista pintor e professor.

3) O escultor, ceramista e artista plástico pernambucano Francisco Brennand, é conhecido mundialmente.

4) O premiado escritor e jornalista pernambucano, Raimundo Carrero.

5) O artista potiguar, natural de Macau/RN, Antônio Madureira, foi integrante do Quinteto Armorial, atuou como músico, maestro, instrumentista, violonista e compositor.

6) Antônio Nóbrega (pernambucano de Recife): ator, dançarino, compositor, músico e multi instrumentista.

EXEMPLOS ARTE ARMORIAL 

Literatura de Cordel

Esculturas e pintura em tela de Francisco Brennand

Xilogravuras de Gilvan Samico

Literatura, xilogravura e cinema) Capa do livro Auto da compadecida, de Ariano Suassuna, transformado em filme e livro de Raimundo Carrero com xilogravura de Gilvan Samico

* * *

É lógico que, como todo movimento cultural de vulto, existem as críticas e as queixas quanto sua forma de diretrizes e atuação, que permeia o vasto campo do mercado pessoal das vaidades.

No mais, sob o prisma do Movimento Armorial, o certo é que armou-se um arcabouço capaz de elevar e dar o devido reconhecimento, respeito e distinção das riquezas culturais e artísticas do nosso sertão nordestino.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UNIVERSO 25

Aceita que é Ciência!

O experimento científico UNIVERSO 25, foi considerado um feito espetacular para uns e, aterrorizantes para outros.

Procurando explicar e traçar um paralelo entre as sociedades humanas, o cientista norte-americano John Calhoun idealizou experimentos com ratos e camundongos. Estudando o comportamento dessa colônia de roedores, ele tentou criar o que denominou de Universo 25, entre os períodos de 1958–1962 e 1968–1972.

A ideia do “Universo 25” criada por Calhoun, foi observada e chamada de um “mundo ideal” no qual consistia na convivência de centenas de ratos que cresceriam e se reproduziriam em condições exclusivas. O experimento também ficou conhecido como “Paraíso dos Ratos” ou “Utopias de Ratos”, que se baseava no seguinte ensaio:

Numa determinada área – UMA ENORME CAIXA – especificamente elaborada para tal, continha fartura de alimento e água para os roedores, além de um vasto território para viver. Iniciou colocando quatro pares de camundongos que rapidamente se reproduziram, originando um considerável aumento populacional. Ocorre que, após quase um ano – especificamente 315 dias – começou a declinar assustadoramente sua capacidade de reprodução. Observou-se então que, ao atingir o numero de 600 roedores, formou-se uma hierarquia entre eles e surgiram os chamados “desgraçados”. Os ratos maiores começaram a fustigar agressivamente o grupo, resultando em que muitos machos, começaram a psicologicamente “entrar em colapso”. Também observou-se que as fêmeas não se protegeram e, por sua vez, tornaram-se negligentes e agressivas com seus filhotes. Tempos depois, as fêmeas começaram a apresentar comportamentos cada vez mais agressivos, elementos de isolamento e falta de humor reprodutivo.

OBSERVADORES DO EXPERIMENTO

O que se viu foi uma notória baixa taxa de natalidade e, ao mesmo tempo, um aumento da mortalidade em roedores mais jovens. A partir daí, começou a surgir uma nova classe de roedores machos, os chamados “ratos bonitos”. Eles se recusaram a acasalar com as fêmeas (se androginaram) ou a “brigar” por seu espaço. Só queriam comer e dormir. Levavam tudo “numa boa”. Como era de se esperar, “belos machos” e “fêmeas isoladas” constituíam a maioria da população. Conforme analisou Calhoun, a fase da morte consistia em duas fases: a “primeira morte” e a “segunda morte”. A primeira foi marcada pela perda de propósito na vida além da mera existência – nenhum desejo de acasalar, criar jovens ou estabelecer um papel na sociedade (não estou julgando ou comparando nada) . Com certo tempo, a mortalidade juvenil atingiu 100% e a reprodução chegou a zero. A homossexualidade ficou patente entre os camundongos ameaçados, assim como o aumento do canibalismo, mesmo havendo abundancia de água e comida. Após dois anos do experimento, constatou-se o nascimento do ultimo bebê da colônia. Em 1973, ele havia matado o último rato do Universo 25.

Para surpresa geral, todas as 25 vezes em que Calhoun repetiu o experimento, o resultado foi o mesmo.

Pressupõe que o trabalho cientifico de Calhoun, serve para fundamentar o estudo da sociologia urbana, procurando lançar luz, num modelo interpretativo sobre um possível colapso social com os seres humanos.

SIMULAÇÃO DO APOCALIPSE

Para uma camada de cientistas, o experimento também serviu como um alerta para nossa raça. Se não morrermos de fome. Daremos um jeito de aniquilar a nós mesmos.

Há quem ache que, atualmente, já estamos testemunhando paralelos diretos na sociedade de hoje. Homens fracos e feminizados com pouca ou nenhuma habilidade e nenhum instinto de proteção, e mulheres excessivamente agitadas e agressivas com pouco ou nenhum instinto materno.

Multiplicam-se homens afetados, paparicados, incapazes, dependentes que sempre procuram se vitimizar por qualquer infortúnio que lhes acometam.

E isso vem se repetindo bem mais que 25 vezes. Haja universo.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM APARELHAMENTO, TINHA UM APARELHAMENTO NO MEIO DO CAMINHO

Ferrenhos e reais opositores do governo, se juntam aos pseudos isentões de plantão (segredo de polichinelo) que vão ao êxtase e se regozijam com os revezes que a administração federal sofre nas mãos do STF, quando este poder impede o executivo de tomar qualquer decisão, mesmo ante o tosco detalhe de que estas, estejam amparadas pela constituição. De forma usual e já sem muita cerimônia, protagonizam um hilário e vergonhoso contorcionismo interpretativo jurídico (já tomando ares de jurisprudência), sem causar-lhes o menor constrangimento.

Tais condutas dos ministros, não chega a causar surpresa a quem acompanha, com alguma dose de lucidez, o redemoinho político que ultimamente assola o pais.

Logo, a oposição ao governo não está nos políticos das casas legislativas, e sim, no STF que, sobejamente, é usado por partidos políticos como um apêndice ou objeto de utensílio para neutralizar decretos, medidas provisórias, atos, nomeações, projetos, campanhas etc.

Como não lembrar a anulação da MP que pretendia extinguir o indecente DPVAT, ou a que cogitou extinguir escandalosas sinecuras de conselhos federais? Em dois anos foram anuladas 123 decisões do poder executivo.

O mais absurdo disso tudo é que tais pedidos vem do partido que possui apenas um representante no congresso, o REDE. Mas é o suficiente para conseguir e impor tudo e qualquer coisa solicitada ao STF. (desde que seja contra Bolsonaro). É como se este deputado governasse com a complacência dos (seus) 11 do STF. É incrível!

Não importa quantos e quais benefícios traria tal medida para população. É justamente esta a intenção. Tolher medidas que possam levar o presidente a cair nas graças da população. Esta nefasta e desenfreada campanha, é levada a risca desde o primeiro dia de governo.

As escancaras, os 11 fogem descaradamente de suas funções, como que se auto afirmando que a vitória (dele) nas urnas não garante o livre exercício das suas competências constitucionais. Ou seja: o mesmo membro do STF que preside o TSE, o órgão que referenda a decisão eleitoral, se negam, peremptoriamente, a aceitarem a soberana decisão das urnas.

INCAPACIDADE DE GOVERNAR… Este é o principal mantra da oposição. Propositadamente, lógico, para se chegar até aqui, plantaram durante a pandemia o slogan “fique em casa, a economia se vê depois”. Juntamente com a inequívoca ordem do “indefectível” STF que deu plenos poderes a prefeitos e governadores (estes deslavadamente acobertados e blindados de qualquer CPI que pretenda investigar os desvios de dinheiro publico da saúde), a CPI do circo do senado que o diga.

PANDEMIA E O CENTÉSIMO TIRO QUE SAIU PELA CULATRA

Em 03.02.20, portanto, 18 dias antes do carnaval o presidente Bolsonaro decretou estado de emergência. O prefalado decreto, apontava para a situação de emergência no nível 3, o mais alto na escala. Nele, continha algumas regras para a quarentena sanitária.

Mídia, prefeitos e governadores, ávidos pelo lucro proporcionado pelo tríduo momesco, ungiram o engavetamento do PL feito por Rodrigo Maia, inimigo confesso de Bolsonaro.

Inimaginável para os opositores (Maia, STF, Mídia, prefeitos, governadores, parlamento) a condução de planejamento e controle de saude, que poderia alçar o presidente ao ápice da empatia com o eleitorado nacional. Isto seria inadmissível.

De pronto o STF bloqueou e engessou o poder executivo, subtraíram atribuições legais, mesmo ao arrepio da CF. O importante era não fazer da pandemia um palanque com trampolim para Bolsonaro.

Com o resultado desastroso dos governadores e prefeitos (muitos se locupletaram da verba públoica da saúde) ante a mortandade causada pela pandemia.

O plano B da oposição

Quando a oposição percebeu (a merda) que os casos de mortes pela pandemia só multiplicava, decidiram e rapidamente acionaram o plano B. Mídia (consórcio de veículos de imprensa) mostrariam ostensivamente em todos os seus telejornais, rádios e redes sociais, 24 horas ininterruptas, covas, defuntos, caixões, desesperos de familias, tudo com a intenção de jogar toda a culpa pelas mortes no presidente da república.

Reparem: o abominoso ministro Alexandre de Moraes assinou em 8 de abril de 2020, a seguinte decisão: o STF resolve:

“…Não compete ao Poder Executivo federal afastar, unilateralmente, as decisões dos governos estaduais, distrital e municipais que, no exercício de suas competências constitucionais, adotaram ou venham a adotar, no âmbito de seus respectivos territórios, importantes medidas restritivas como a imposição de distanciamento/isolamento social, quarentena, suspensão de atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais e à circulação de pessoas, entre outros mecanismos reconhecidamente eficazes (sic) para a redução do número de infectados e de óbitos… ”.

Zero dubiedade de interpretação. Ao governo coube decretar estado de calamidade, transferir recursos emergenciais aos estados da Federação e socorrer pessoas físicas e jurídicas com auxílios econômicos especiais.

Agora vem, com a maior cara de pau, o presidente do STF, Luiz Fux, tentar passar a idéia de que a corte suprema não suprimiu poderes do governo federal para agir na pandemia. Só que o contorcionismo ficou meio torto.a decisão foi clara feito a luz solar. Só convencendo do contrario, mesmo, os papagaios de plantão no facebook, que replicam e repetem ad nauseam: “genocida”. Mesmo sabendo que o STF conferiu aos governadores e prefeitos a responsabilidade, enquanto durar a pandemia, pelas políticas de saúde e segurança sanitária para a população.

Mesmo quando o governo federal tentou de alguma forma aliviar para comerciantes e industriais (lógico que com os controles e cuidados de praxe), para não sucumbirem durante o lockdown. O STF embargou.

E assim, os sem votos nenhum, governam os que votaram em outrem.

Se no meio do caminho tinha um aparelhamento…eles se deixaram seduzir e se guiaram pela trilha das estrelas de vinhos e espumantes premiados…e lagostas E Isto faz bem ao ego!

Afinal, o que esperar de condutas de ministros que foram nomeados por condenados por inúmeros crimes, não é mesmo?

A dica na mídia é replicar a seguinte ladainha: “E as instituições estão em pleno funcionamento”.

Ora, se estão!

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O COLAPSO DA JUSTIÇA

Houve época em que no Brasil, orgulhosamente conhecido como o pais do futebol, todos sabiam de cor e salteado, na ponta da língua, a escalação da seleção brasileira.

Hoje, com o advento das mudanças dos ventos da política do pais, sequer sabemos o nome do goleiro da seleção. Mas sabemos os nomes da “escalação” dos 11 ministros do STF.

Também pudera, houve um expressivo aumento de cursos de direito nos últimos 20 anos, conforme dados da OAB.

Havia uns 200 na década de 1990, para 1.775 atualmente. Se a imagem de um advogado já não era das melhores, imaginem agora com um gigantesco contingente de “advogados”, cuja ideia repousa em que pra se sobressair de alguma forma “bastaria ter um curso superior” . Ledo engano.

O exemplo maior começa lá pelo topo da pirâmide judicante, com os tribunais superiores e seus juízes. Verdadeiros laboratórios de transmutação de tudo aquilo que foi ensinado durante 5 anos. E tudo com bastante propriedade.

NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

Somos o pais com maior numero de curso de direito no planeta. Nas faculdades, noções básicas de direito, justiça, lei, norma, sansões. Tudo muito surreal. A banalização do curso de Direito é visível e os efeitos sentidos na sociedade. Cerca de 60 mil novos advogados são jogados por ano no mercado. Um verdadeiro “quadro de estelionato educacional”. Mesmo com a peneira do exame da Ordem (muito questionada por bacharéis e congressistas). Para se ter uma idéia aproximada, em 2010 todos os países concentrava 1.240 cursos de Direito. E só no Brasil já tinha mais de 1.240 cursos de Direito.

ÀS FAVAS A LEI

O nosso mundo jurídico vive um verdadeiro tormento quando o assunto é a Constituição Federal, a lei máxima que se sobrepõe as demais. Por aqui assistimos, quase que diariamente, a deturpação ou estupro dos seus artigos, que são “interpretados” conforme o humor dos togados, ou o estatus do freguês em questão. Inexplicáveis contorcionismos doutrinários e jurisprudenciais vêm sendo protagonizados pelos nossos ministros. (talvez, até por isso, foram taxados até de vagabundos), com isso, instalou-se uma desagregadora ruptura institucional.

Nesta queda de braço, sobram iniquidades para todos os lados.

Continuam indiferentes aos princípios históricos e basilares do direito.

O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.” – Platão

Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor que oferecer-lhe sacrifício.” – Salomão

Mas a história recente está ai para mostrar. Getúlio Vargas e Castelo Branco foram exemplo de violentação e desrespeito a CF. O poder executivo se impôs com mão de ferro.

Hoje, nitidamente, a ditadura está sendo conduzida, para o espanto de ninguém, pelos próprios membros do STF. E a história pode até se repetir.

Na época, o embate foi diretamente com o STF. Floriano Peixoto, descontente com os habeas corpus concedidos pelo STF a favor dos revoltosos da Armada (1892), argumentou de forma mordaz: “Se o STF der habeas corpus, quero ver quem dará habeas corpus ao próprio STF”. Ganhou por 10 votos a um.

A INCOSTITUCIONAL CENSURA PRÉVIA EM PLENO VIGOR

Até bem pouco tempo, Juizes de primeira e segunda instancia desandavam a promover um verdadeiro estupro a CF. Com base nos artigos 20 e 21 do código civil, eles estavam proibindo as biografias não autorizadas. Como pode, cara pálida! Se código civil está subordinado e é inferior à Constituição, e, sendo ela inflexível na proibição de toda forma de censura, inclusive a prévia, como poderiam, as Excelências, “interpretarem” diferente?

Tornou se corriqueiro, mas o fato voltou, só que agora, com força total. Desta feita os absurdos são cometidos por aquele que, supostamente, deveriam zelar pelo cumprimento da nossa Lei Magna. Os guardiães são os estupradores. Repete-se, aquela velha história da raposa…no galinheiro.

Invocarão o espírito do Marechal Floriano Peixoto?

LEIS ABSURDAS PELO MUNDO A FORA

Aos nossos olhos, por mais bizarras e esdrúxulas que pareçam algumas leis existentes em vários países do mundo, merecem todo cuidado e o devido respeito, pois estão em conformidade com os costumes e a cultura deles. E por todos devem ser respeitadas.

• Nos Emirados Árabes Unidos, pode resultar em prisão ou deportação, a prática de qualquer gesto que seja reputado como “rude” pelas autoridades locais, mesmo que seja pela internet.

• Laranjon – Espanha – Em 1999, por conta da super lotação, a prefeitura decretou a proibição da morte no município. Lei já revogada. Pois o poder publico já construiu um novo cemitério.

• No Reino Unido, foi decretado que não é permidito a nenhum funcionário do governo britânico de morrer dentro do Parlamento. Penalidade: O morto pode ir parar na prisão.

• Devido à cultura mexicana, é proibido queimar bonecas em qualquer região do país.

• Ingerir bebida alcoólica – Em alguns países muçulmanos é considerado um crime grave, inclusive conduzir a bebida.

• Na Suíça, se você fizer o “numero dois” a noite, só poderá despachar a “mercadoria” ao amanhecer. O barulho da descarga é classificado como poluição sonora após as 22h.

• Oficialização da alegria. Antiga lei em Milão/Itália – poucos a levam a sério – Os seus cidadãos devem mostrar constantemente seu sorriso , sob pena de multa. A exceção fica por conta de funerais e visitas a hospitais.

• Usar WiFi alheio – Em Singapura, conectar-se a rede WiFi de outra pessoa sem a devida autorização é crime, sujeito à multa de US$ 10.000 ou três anos de cadeia! Outra excentricidade deste pequeno país do Sudeste Asiático, é a proibição da venda e consumo de chicletes (exceção quando prescrito para tratamento médico), a punição varia de até dois anos de cadeia… ou incríveis US$ 100.000 de multa.

• Na civilizada França, mesmo passados 200 anos da morte do estadista, perdura uma lei que proíbe que se denomine um suíno pelo nome “Napoleão”.

LEIS ABSURDAS NO BRASIL

O nosso país “não fica por baixo” quando o assunto é produção de leis bizarras, absurdas e, em sua maioria, corporativista (vide CLT).

Seguindo a teoria Malrhusiana, a produção de “leis” ineficazes, segue em desabalada escala geométrica. Páginas e páginas (livros) seria preciso para se escrever.

Enquanto tudo isso ocorre, o compositor/cantor Renato Russo, mesmo depois de morto, continua desafiando e sendo desafiado:

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

Aguardamos ansiosos, o prescrito pelo profeta Isaías 32:17 (AT):

O efeito da Justiça será Paz, e o fruto da Justiça, repouso e segurança para sempre

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A ÚLTIMA ARVORE DO DESERTO

Não é que no deserto do Saara não tenha árvores. Tem sim, e muitas. O problema é que, dada a grande extensão deste deserto (alcança 10 países africanos), havia uma peculiaridade espantosa naquelas redondezas desérticas (denominada de Ténéré) no Níger, um dos dez países abrangidos pelo grande deserto do Saara, existiu uma solitária e enigmática acácia, única árvore num raio de aproximadamente, uns 400 km².

Esta árvore, considerada a mais isolada do mundo, funcionava como um marco orientador, um ponto demarcatório para quem quer que se dirigisse lá pelas bandas do noroeste do maior pais da África Ocidental, Níger, capital Niamei. A visão daquela árvore ali, solitária e, ao seu derredor, quilômetros e quilômetros de areias, pedregulhos e rochas, era como uma verdadeira miragem (no calor de 48 grau, em media) no meio do nada, só que, bem real. Logo ela que, outrora (década de 1930), serviu até como ponto de referência em mapas militares europeus. Em 1939, o exército francês encontrou uma fonte d’água após uma escavação de uns 35 metros, junto às raízes da árvore.

Aquela “miragem”, da solitária árvore, funcionava como uma espécie de “bússola” orientadora para caravaneiros motorizados ou de camelos. Era um verdadeiro farol para os “navegantes”.

A última árvore do Ténéré. – Acácia (uns 3 metros de altura)

* * *

ARVORE BÍBLICA

Pelas escrituras sagradas, podemos imaginar como aquela árvore solitária e frondosa sobrevivia em um lugar sem vida. O poder da resistência e o fascínio que esta arvore exerce, já constava no velho testamento.

Em Êxodo 25:10 diz textualmente: “Também farão uma arca de madeira de Acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura”.

E em Êxodo 25:13, diz: “E farás varas de madeira de Acácia, e as cobrirás com ouro”

Ora! o povo de Moisés, saindo do Egito e se embrenhando pelo deserto carregando ouro, prata e roupas, até se compreende. Mas, onde iriam encontrar acácia para confeccionar a tábuas da arca e as varas, se não no meio do deserto?

Reza na tradição local africana, entre os Azalai (povo do deserto de Ténéré) uma crença de que, durante as travessias em peregrinações locais, sob a sombra desta sagrada árvore, muitos acertos tribais eram ali pactuados e respeitados.

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O FIM DE UM ÍCONE

“A Última Árvore do Ténéré”.

O enorme estrelato e sucesso pelo mundo à fora (da árvore de Tenéré) não foi salutar e lhe trouxe um infortúnio letal, até hoje lamentado.
Era o ano de 1973 quando, integrantes do Rali do deserto da Citroen, constataram, incrédulo que a famosa árvore se encontrava sem vida. Comenta-se que um caminhão, pilotado por um líbio, totalmente embriagado ( outros preferem classificá-lo de demente, doido, louco, maluco, alucinado, alienado, tresloucado, desatinado, mentecapto…ou simplesmente grandessíssimo FDP), colidiu, em meio daquela imensidão do deserto, com a pobre e única árvore da região.

A árvore morta está guardada e exposta para visitação, no Museu Nacional de Niamei, capital do país. Em sua memória ergueram uma escultura de metal no lugar original da árvore.

Monumento de metal, erguido em memória da enigmática árvore

Um organismo (símbolo da resistência da natureza) que conseguiu suportar e sobreviver décadas a fio, as duras intempéries e rudeza do desafiador e mortífero deserto do Saara, sucumbiu, desgraçadamente, ante um (dito, ser humano) irresponsável caminhoneiro, bêbado.

Bem que o marcante poema de Drummond “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, se amolda ao desditoso destino da querida plantinha, podendo ser, ironicamente, assim parafraseado:

“No meio do deserto tinha uma árvore, tinha uma árvore no meio do deserto.”