MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

FANATISMO

O tema é inesgotável e prolixo. Resumidamente, temos que, fanatismo, é uma condição psíquica de ardor continuo compulsivo e irracional, ligado a estímulos de essência política ou religiosa. Que pode acarretar fascínios, absorver delírios e paranóias ante uma adesão extremada por uma causa ou crença.

Pois, o fanatismo, reflete e se manifesta numa explosão irracional e exagerada de uma paixão desmedida, ferrenha e obstinada por um ideal. Cultuando o apego a dada teoria, de forma total e incondicional. Seja ela política ou religiosa. No dicionário Michaelis, teremos que “o fanático é definido como qualquer pessoa que se mostra demasiadamente entusiasmada, apaixonada, tomada por devoção cega a uma causa (política, religiosa, etc.) ou pessoa; apaixonada, exaltada, obcecada”.

DISSONÂNCIA COGNITIVA

Em síntese, a dissonância cognitiva é quando se percebe a incoerência entre o que aquela pessoa fala e o que realmente ela faz. Você já deve ter visto ou conhecido alguém que defende uma idéia e age totalmente diferente dela. Algumas criticas maldosas são dirigidas a celebridades socialistas do mundo da arte que só se auto-exilam em paraísos capitalistas. Façam o que eu digo… A frase: Acuse-o daquilo que você faz é bem apropriada para ao presente caso.

Na esteira desta dissonância, ainda reside o fato de que o sujeito crê, cegamente, que a solução para o que é melhor para a vida e o destino dos outros, reside no que ele idealiza e quer. (E ele, por você, tem certeza disso) É a forma que ele possui de “criar um mundo” e, com ele, toda maneira de ser.

ALGUMAS CARACTERISTICAS DO FANATISMO

Preconceitos e discriminações, limitações intelectuais, ira e ódio exacerbado, egocentrismo, hostilidade aflorada, crença extrema a uma doutrina ideológica, passional e tendencioso, lentidão ou bloqueio cognitivo, e assim por diante.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE?

Na atualidade, inexistem diretrizes seguras que rotulem o fanatismo como um transtorno da personalidade. Alguns (fanáticos) podem até possuírem transtornos de personalidade, mas sem o significado de que seja fanatismo. Conforme me explicou a psicóloga Wanessa Cavalcanti, algumas (e não todas) características, podem ser associadas a personalidade de um fanático, tais como irascibilidade, comportamento desconfiado ou explosivo, certa fragilidade do eu, Comportamento interpessoal que varia de submissão ao extra punitivo, Autoimagem combativa, índole cognitiva e dogmática, etc.

FANATISMO RELIGIOSO

Existem várias formas de se classificar o fanatismo, que varia conforme a predominância da ideia. Historicamente, o mais questionado é o religioso. Este, desde priscas eras, é responsável por danos humanísticos e culturais marcantes. Guerras, torturas, genocídios e atos terroristas (Ku Klux Klan, Inquisição, Cruzadas), tem deixados cicatrizes profundas. Na questão religiosa, não podemos esquecer que existe o efeito reverso do fanatismo, ou seja, aquele que se apresenta ou se opões a uma crença de forma bastante hostil. É o antirreligioso (antijudaico, anticristão, antimuçulmano).

FANATISMO RELIGIOSO NA ATUALIDADE

Foi amplamente divulgado nos meios de comunicações, que os grupos terroristas ISIS e Boko Haram, cooptaram muitos jovens pelo mundo afora. Os recrutados, em sua maioria, possuíam conflitos de identidade e de relacionamento social ou familiar. O fanatismo religioso, neste caso, funciona claramente como uma seita de adeptos. A violência física e a idealização da morte é bem marcante nestes casos específicos de fanatismo religioso.

FANATISMO ESPORTIVO

Tronou-se corriqueiro, assistirmos estarrecidos, o fanatismo esportivo. Atos deploráveis causados por fanáticos torcedores com espancamentos e mortes, por uma “paixão” a um clube, a uma equipe, ou a um atleta.

Maradonismo – torcedores argentinos se unem e cultuam, celebrando como um”deus” o ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona. Eles possuem seus próprios mandamentos, orações e “bíblia”, denominada «Yo soy el Diego de la gente».

FANATISMO ARTÍSTICO

Temos também o fanatismo por uma celebridade do mundo da arte: um cantor, um ator, um músico, um escultor, um pintor, etc. Fanatismo por uma idéia política, um partido que represente aquelas idéias.

Muito comum, é encontraremos pessoas fanáticas pelo mistério, pelo fantástico e pelo desconhecido. Pessoas que são aficcionadas por tarólogos, cartomantes, advinhos, bola de cristal, etc.

FANATISMO LITERÁRIO

Foi marcante o caso da escritora Emily Brontë. Leitores fanáticos “enxergavam” em seu romance “O Morro dos Ventos Uivantes”, que Emily estava convidando as pessoas a jantar com o diabo e ela própria estava prestes a ser vítima desses fanáticos.

Do prestigiado livro “O apanhador no campo de centeio” de J.D. Salinger, muitos fanáticos relacionaram suas sugestões de assassinato, ao insano ato praticado pelo atormentado Mark David Chapman (dizia identificar-se com o protagonista do livro, que odiava a falsidade), que matou a tiros, John Lennon. E, logo após, sentou-se calmamente para ler o referido romance. Salinger, teve que se refugiar em lugar incerto para operar seu oficio de escritor, para evitar ser vítima dos fanáticos.

Na mesma trilha, o poeta francês Baudelaire, foi acusado por fanáticos que queriam mandá-lo para fogueira pelo conteúdo do seu poema “As flores do mal”.

FANATISMO LITERÁRIO E POLÍTICO

As obras de Karl Marx, por exemplo, despertaram muito fanatismo e até hoje causa impacto social e político em que, cujos “adeptos” procuram justificar e utilizar suas idéias e obras, para cometer delitos terroristas.

Como podemos ver, nos deparamos ante um fenômeno conhecido na psicologia e psiquiatria conhecido como dissociação. Onde são eliminados do individuo toda essência de sua identidade que, paulatinamente, se transmuta assumindo uma nova postura e identidade, num processo que culmina numa sólida união que se harmoniza com os novos ideais da corporação.

A poetisa portuguesa, Florbela Espanca, foi muito feliz quando descreveu o fanatismo em sua poesia:

“Meus olhos andam cegos de te ver” …
“Podem voar mundos morrer astros,
Que tu és como um Deus princípio e fim”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

DEUS: UMA ETERNA BUSCA

Dado a sua extrema complexidade, talvez este seja o tema mais debatido, escrito e documentado da humanidade. Não existe facilidade ou atalho (teologia, cosmogonia, cosmologia, teurgia), o certo e que sempre iremos nos deparar com seculares e infinitas concepções e conceitos.

Séculos antes de Cristo, Platão e Aristóteles cogitaram e concluíram pela necessidade da existência de uma inteligência suprema ordenadora do universo.

Sentia o homem, no recôndito da sua psique, não ser obra do acaso. Tudo em sua volta haveria de ter uma Causa de (e para) existir. “desde que o selvagem percebe que não existe por si mesmo, interroga á natureza quem é o seu autor e o majestoso silencio dessa Natureza o faz render tosco, porém sincero culto a um ente Supremo que é o criador do mundo.”

Em todas as épocas, diversas crenças, religiões e mitologias, procuraram definir ou denominar Aquele que tudo criou, seja esta origem politeísta ou monoteísta. Inúmeras denominações pululam na concepção do imaginário de civilizações, eivadas de crendices e superstição.

TRINDADES

Trindades Criadoras, sempre povoaram o imaginário do homem, para tentar justificar a si próprio, como se engendrara a existência das coisas. Originárias do paganismo (trindade egípcia, romana, grega, persa, hindu, etc.), O próprio cristianismo foi contaminado por esta concepção abstrata. Não conseguiu se libertar de suas influencias , acabando por também “adotar” a sua trindade, onde o Pai é o Criador.

O ISLÃ

Alá ou Allah – é a palavra utilizada no árabe para designar Deus. Embora o termo seja mais conhecido no Ocidente devido ao seu uso pelos muçulmanos, é utilizada pelos falantes do árabe de todas as crenças abraâmicas, incluindo judeus e cristãos, para se referirem a mesma divindade monoteísta. O termo também era utilizado pelos habitantes pagãos politeístas de Meca (na atual Arábia Saudita) como referência a um deus criador, possivelmente a divindade suprema na Arábia pré-islâmica. Portanto, ALÁ, na ótica islâmica, é único. Única Divindade, criador do universo e onipotente.

Derivações do termo islâmico, a palavra Alá, tambem está na origem de algumas palavras do espanhol e do português, como “ojalá”/”oxalá” sha-llah, “queira Deus”), “olé” (w[a]-llāh, “por Deus”) e “hala” (yā-llāh, “oh, Deus – Alá é um pano branco que simboliza a paz, o perdão, a misericórdia e a sabedoria, caracterizações que são atribuídas a Oxalá.

Diferentemente dos cristãos e judeus, os muçulmanos não conferem atributos humanos a Alá/Deus, afirmando sua unidade. São 99 atributos de Allah mencionados no Alcorão, os quais muitos podem ser também atribuídos a humanos, porém, nota-se que é utilizado o artigo “al” (que significado “o …”) do árabe para cada atributo, afirmando novamente a unicidade de Deus, tais como “O Clemente” (Al-Rahmān), “O Querido” (Al-‘Azīz), “O Criador” (Al-Khāliq), entre outros. O conjunto desses noventa e nove nomes de Alá recebe em árabe o nome de al-asmā’ al-husnà (“os melhores nomes”). Algumas tradições afirmam que existe um centésimo nome, dessas tradições, muitas acreditam que o centésimo seja o próprio nome de Deus, ou seja, Allah.

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MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

SER VELHO OU IDOSO, EIS A QUESTÃO!!!

Não existe mágica ou remédio. Qualquer pessoa, independentemente de seu nível cultural, social ou econômico, sabe que o melhor caminho para uma vida boa e saudável é manter bons hábitos alimentares, praticar regularmente atividades físicas dentro de suas reais possibilidades. Além de procurar evitar comportamentos de risco a saúde e integridade física, terá que aprender a ter que conter os excessos (prazeres) que a vida, gentilmente, sempre nos convida e seduz.

O 1º dia de outubro, é comemorado no Brasil o dia do idoso, por conta da criação do estatuto que resguarda seus direitos. E de uma maneira bem positiva e filosófica, J.R Nascimento e outros escritores e filósofos, conceberam uma marcante distinção do que vem a ser ‘velho’ e ‘idoso’ com muita propriedade.

Disseram que, enquanto o idoso sonha, o velho apenas dorme. Idoso é aquele que ainda aprende, o velho se recusa até ensinar. O idoso se renova a cada dia que começa, o velho se acaba a cada noite que termina, pois, enquanto o idoso tem os olhos postos no horizonte, de onde o sol desponta e ilumina a esperança, o velho tem sua miopia voltada para as sombras do passado. O idoso se exercita e medita, o velho descansa e resmunga.

Em contrapartida o idoso ama e faz planos. O velho sente ciúmes e rancores. O idoso curte o que lhe resta da vida; o velho sofre pensando nos seus últimos dias.

Tudo bem. É frustrante quando você constata que os países tidos como civilizados e adiantados, cuidam bem das pessoas da 3ª idade. Por aqui, com o advento da aprovação do Estatuto dos idosos, importantes conquistas foram incorporadas aos cuidados e reverencia para com os nossos “coroas”, quais sejam:

I) Meia entrada em atividades de lazer e espetáculos

Pessoas acima de 60 anos têm direito a 50% de desconto na entrada de qualquer atividade esportiva, artística e cultural. Para ter acesso ao benefício, basta apresentar o RG no momento da compra do ingresso.

II) Gratuidade no transporte público e interestadual

Ônibus, metrô e trem são gratuitos para os maiores de 65 anos, basta apresentar a carteira de identidade para comprovar o direito ao benefício. Vale destacar que em alguns municípios é necessário realizar um cadastramento para a obtenção do passe ou bilhete eletrônico. Procure orientação nos postos da Prefeitura da sua cidade.

Já no sistema de transporte coletivo interestadual, há duas vagas gratuitas aos maiores de 60 anos que recebem até dois salários mínimos. Se os dois lugares gratuitos tiverem sido preenchidos, quem se enquadrar nessas condições ganha 50% de desconto na compra de um outro bilhete.

Nesse caso, a passagem deve ser solicitada com antecedência mínima de três horas e o passageiro deve apresentar documentos que comprovem sua identidade e renda.

III) Isenção no IPTU

A isenção no pagamento do IPTU é uma política municipal e varia de caso a caso. Procure a Prefeitura da sua cidade e verifique quais são os critérios de isenção e providencie os documentos necessários para conseguir o benefício.

IV) Isenção total ou parcial do Imposto de Renda

● Isenção parcial

Aposentados e pensionistas acima de 65 anos têm direito à isenção parcial no Imposto de Renda. Isso quer dizer que eles não pagam tributos sobre os R$1.499,15 reais garantidos a todos os cidadãos pela tabela progressiva e sobre outros 1.499,15 reais por terem mais de 65 anos.

● Isenção total

Aposentados que possuem doenças graves como mal de Parkinson, câncer, AIDS e paralisia irreversível podem ganhar isenção total do Imposto de Renda. Basta o contribuinte apresentar um laudo pericial emitido por um serviço médico reconhecido pelo Governo ao INSS.

V) Limite de reajuste em planos de saúde

As operadoras de planos de saúde não podem aumentar o valor da mensalidade dos planos com base na mudança de idade de seus clientes com mais de 60 anos. O aumento só pode ocorrer por reajustes anuais previstos pela ANS (Agência Nacional de Saúde). Até agora, este direito é ardilosamente e solenemente driblado e, pra tristeza de muitos, a ANS faz de conta que defende o idoso. Tem que se ligar.

VI) Desconto em viagens

Em 2007, o Ministério do Turismo lançou o programa Viaja Mais Melhor Idade, que oferece benefícios para pessoas com mais de 60 anos através de parcerias com agências e hotéis. É possível obter descontos de até 50% nas tarifas de baixa temporada em mais de 2.000 estabelecimentos conveniados no país.

VII) Prioridade em processos judiciais

Quem tem acima de 60 anos pode furar a fila de espera da tramitação dos processos em qualquer instância da Justiça. Basta pedir ao seu advogado para fazer o requerimento do benefício à autoridade judiciária específica do caso. (creia)

VIII) Prioridade em programas habitacionais

Maiores de 60 anos também têm prioridade para adquirir a casa própria em programas habitacionais públicos ou subsidiados pelo governo. Além disso, 3% das unidades habitacionais são reservadas para os idosos e os critérios de financiamento devem ser compatíveis com os rendimentos das aposentadorias. Para ter acesso ao benefício, basta entrar em contato com a empresa responsável pelo programa habitacional.

Hoje, com o avanço da ciência e da tecnologia, foram conquistados significativos sinais de progresso, na expectativa de se amenizar alguns dos impactos provocados pelo nosso desgaste natural e orgânico do corpo. Ou simplesmente, a velhice.

Por isso, não se pode deixar levar e se abater, com o excesso de carga do “Sincericídio” destilado de bate-pronto, pela mãe do nosso respeitado Mestre e colunista, José Paulo Cavalcanti – CONVERSAS DE MEIO MINUTO (5) – D. Maria Lia, durante uma entrevista a uma repórter:

– Dona Maria Lia, o que é a velhice?

– A velhice, minha filha… é uma merda.

Mas, o mais importante e melhor de tudo, é ter plena consciência de que, independentemente da idade que consta lá no cartório, a idade da sua mente, espírito e coração, continue a produzir bons frutos, passar conhecimentos e servir de exemplo para os mais jovens. Pois o espírito nunca envelhece.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

ATÉ QUANDO, JERUSALÉM?

Jerusalém fascina o mundo ocidental e oriental. Desde garoto ouvia falar sobre Jerusalém, principalmente nas aulas de catecismo. Minha monografia foi baseado no tema (me arrependo profundamente), versando sobre o conflito entre cristãos, judeus e muçulmanos, obcecados pela dominação da cidade santa, à luz do Direito Internacional Público – DIP. Em Junho de 2018 escrevi na minha coluna, aqui no JBF, sobre A SÍNDROME DE JERUSALÉM, relatando ocorrências de fenômenos mentais envolvendo a presença de ideias obsessivas de temática religiosa, delírios ou outras experiências de cunho psicótico que afetam alguns visitantes de Jerusalém. Tal fenômeno, não é endêmica de uma única religião, mas afeta judeus e cristãos de variadas formações socioculturais. É o fenômeno através do qual uma pessoa que anteriormente parecia equilibrada e desprovida de quaisquer sinais de psicopatologia, torna-se psicótica após chegar a Jerusalém.

SIGNIFICADO

Inobstante as inúmeras traduções e significados que recaem sobre a mística cidade, ela é considerada a capital mundial da moral, da bondade… e DA PAZ!!!. A rigor significa “Fundação das pazes”. Mas, pra nossa tristeza, ela “agrega” diferenças e divergências de insuplantáveis discórdias que abrange vertentes de caráter geopolítico, militar, étnico e filosófico, até tingir o ápice da intransponível natureza jurídica-religiosa. Neste caldeirão de suplícios, além de cristãos e hebreus, a Palestina atrai os árabes (Iraquianos, afegãos-talibãs, etc), todos enlaçados pelo gérmen perigoso do fundamentalismo religioso.

NÓ GÓRDIO DA TEOCRACIA

O grande nó górdio no oriente médio, na visão de especialistas e observadores internacionais, não foi a criação do Estado judeu, com a chancela da ONU, em 14 de maio de 1948. Não foi. O intransponível problema era designar com quem ficaria Jerusalém. Problema até hoje irremovível.

Mesmo com o categórico corpo jurídico da ONU, lastreando-se por grandes cientistas jurídicos de inúmeras matizes, buscando as luzes das normas do Direito Internacional Público – DIP, foi incapaz de dirimir as controvérsias históricas amalgamados no DNA desses povos (judeu e árabe-palestino), malgrado serem da mesma linhagem da descendência de SEM (daí a cognominação SEMita), irmão de Cam e Jafé, os três, filhos de Noé. (Gêneses). As três religiões monoteístas – Judaismo, Cristianismo e Mulçumanos, reivindicam para si a exclusiva (e única) soberania sobre Jerusalém.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 1

Se por um lado, o povo judeu, representado pelo estado de Israel, invoca seus direitos em obediência ao estatuto contido no mito abraâmico da terra prometida, transcritos nos versículos da Torá/Gênesis, o povo palestino, através da ANP –Autoridade Nacional da Palestina, se firmam e vindicam suas pretensões por fontes do Direito Corânico ou Islâmico. Dessa forma, Judeus, Cristãos e Muçulmanos se digladiam por Jerusalém, não apenas no âmbito militar e paramilitar, mas, também, no campo filosófico e dogmático teocrático. Neste impasse, declarada está a guerra santa pela terra santa. Ela se sobrepõe as teses filosóficas, doutrinárias e jurisprudenciais concebidas nas fontes do Direito Internacional Público, corroendo resoluções originárias, tanto da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e do seu Conselho de segurança, quanto da Corte Internacional de Justiça. Exemplificamos que Irã, Vaticano e Israel, são membros da ONU onde, hipoteticamente, deveriam obedecer a prevalência do DIP, que rege a própria organização.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 2

Palmilhou o Direito Internacional Público (DIP), por ser laico, em mediar uma solução ao conflito entre partes antagônicas – duas correntes jurídicas – O Direito Talmúdico e o Direito Corânico – que se auto-excluem, vez que, se estribam na fé enquanto o DIP se fundamenta na razão. Ou seja, cada religião se agasalha em sua própria “verdade” jurídico teológica.

Nem com a participação das mais clássicas e eruditas escolas jurídicas ocidentais, alicerçadas por mais de 200 anos da Revolução Francesa, que culminou com a separação da igreja e estado, e o sistema jurídico de ambos, levou a cabo o intento de apaziguar a questão de Jerusalém. Observe-se que o próprio Vaticano é um exemplo de país ocidental, regido por um sistema jurídico puramente teocrático.

VENERAÇÃO, OCUPAÇÕES, TOMADAS E RETOMADAS

Existem inúmeras vertentes quanto as origens da cidade. Uma delas, diz que a adoração prestada à cidade, origina-se bem antes de 1000 aC, com o rei Salém e, posteriormente Davi que, ao conquistá-la, designou-a capital do reino de Judá e Israel. Nabucodonosor dela se apossou em meados de 587 aC, incendiando o 1º Templo de Salomão (suas ruínas são disputadas até hoje por judeus e muçulmanos), um segundo foi concluído em 515 aC; Em 350 aC, fora saqueada pelos persas; destruída por Ptlomeu I Soter, em 320 aC; em 168 fora novamente destruida por Antioco IV Epifanes; A cidade de David foi ocupada por Pompeu em 63 aC. Já em 70 dC, Foi conquistada por Tito; em 134 dC, Adriano ao reconduzir o poder de Roma, procurou mudar o nome de Jerusalém para Élia Capitolina.

ESCOLAS

• DIREITO TALMÚDICO – Israel se estriba no Direito Talmúdico – Este suplanta, inclusive, o direito bíblico, vez que “se a Torá (Pentateuco – o livro da lei escrito) é o corpo, o Talmud é sua alma”. É como se a Torá recebesse o aval e fosse juridicamente interpretado pelo Talmud. Este, fornece elementos, ideais, emoções e valores por ser considerado de concepção divina.

“Se eu esquecer de ti Yerushaláyim, que minha mão direita perca sua destreza. E que minha língua fique grudada a meu palato. Se eu não me lembrar de ti. Se não elevar Yerushaláyim acima de minha maior alegria”.

Yerushaláyim é para nós judeus como a luz, a água e o ar. O centro para o qual nos voltamos três vezes ao dia, dirigindo nossas preces a D’us;

PRESUPOSTOS JUDAICOS: Deus prometeu a terra a Abraão; colonizaram e desenvolveram a terra; a comunidade internacional concedeu soberania aos judeus na Palestina; O território foi retomado em guerras e defensivas.

• FONTES DO DIREITO ISLÂMICO – Sua principal e fundamental é o Alcorão ou Corão(recitação), livro de origem divina revelado ao profeta Maomé, em VII dC. Em seguida vem a Sunna (tradição), enunciados por gestos, palavras e silêncio de Maomé; tem o Idjimas – gênero de acórdão proferidos por autoridades e jurisconsultos que interpreta e legitima situações não previstas no Corão ou Sunna. Também existe o Qiyas (raciocínio por analogia – resolve questões atípicas), composta por quatro escolas que asseguram o origem divina do Direito Muçulmano.

PRESUPOSTOS ISLÂMICOS – Desde as 09 (nove) guerras das cruzadas – perdas e reconquistas – pelo domínio de Jerusalém, além das 11 guerras desde, pouco antes, da fundação do estado de Israel.

TRATATIVAS JURÍDICAS

Fez-se o uso dos principais métodos de interpretação da hermenêutica jurídica clássica, quais sejam: métodos gramaticais, lógico(?), sistemático, histórico, sociológico, teleológico e axiológico. Formularam-se inúmeras teorias, parâmetros e estudos com cosmovisões epistemológicas, apresentaram reflexões etnoliguisticas, lançaram reverberações jurídicas teológicas, avocados por cada povo envolvido.

Tudo em vão. Todo e qualquer premissa esbarrara na auto blindagem estruturada e urdida sob o manto sagrado de apodíticas reservas de veneração e idolatria para com a Santa Cidade.

Entre estes povos antagônicos, Insuspeita a sobreposição e invocação da Hierocracia (poder exercido por eclesiásticos; espécie de organização social que se incrusta e perpetua através de um sistema de coerção psíquica que se utiliza das concepções religiosas do indivíduo).

LOCAIS SAGRADOS PARA AS TRÊS RELIGIÕES EM JERUSALÉM

Muro das Lamentações (vestígios do Templo judaico destruído)

Jerusalém Cúpula (ou Domo) da Rocha: para os muçulmanos, foi desse ponto que Maomé ascendeu aos céus

Basílica do Santo Sepulcro

A Basílica do Santo Sepulcro é um templo cristão localizado no Bairro Cristão da Cidade Antiga de Jerusalém onde, segundo a tradição (João 19:41-42), Jesus teria sido crucificado, sepultado e, ao terceiro dia, teria ressuscitado.

Até quando, Jerusalém?

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UMA “LIVE” DA CAROCHINHA

Era uma vez, lá pras bandas do interior do sertão nordestino, vários bestafubanenses antenados mas, desavisados, acessaram a live das quintas-feiras e que, por algum motivo, tiveram que se ausentar da frente do computador. Em vários deles, juntaram alguns enxeridos (filhos, sobrinhos, parentes, aderentes e agregados) e se aproveitaram da situação bisbilhotando tanto a live, quanto todas as páginas do JBF.

Ficaram deslumbrados com o que viram. Um mundo fantástico!

Travaram entre si, diálogos ininteligíveis (para ouvidos poucos afeitos ao pernanbuquês/nordestinês) que mais parecia alienígena, literalmente. Assistiram e ficaram extasiados com a tal da “live”, e das páginas dos colunistas.

– Se aprochega aí, bando de cabra macho. Vamos ver essa tuia de véio maluco, falar.

Umbora! Tio só vive dizendo que esses caba são o “cão chupando manga”!

– Diz que teve um fi de uma égua que botou o nome da laive de Cabaré do Berto.

Oxente! Tá com a mulesta! E quem toma conta de cabaré, né mulé? Ou esse cafetão é frango?

Boto fé não, visse! Já vi até uma foto desse tal do Berto, vestido de pai de santo.

– O pior é que nesse ambiente a gente só vê duas nêga? Violante e a Renata… aquela que só falou do português, coitado.

– Será que é um cabaré rochedo, tipo assim, zona?

– Ôxente, abestado! Necas de pitibiriba. Vou te dar logo o bizu. Larga de ser abilolado. Tu num atentou não, que é um cabaré diferente… cheio de resenha e miolo de pote?

– É verdade. E eles bole com todo mundo. Bole com corno, frango, rapariga, portuga, boteco, motorista, professor, malandro, ninguém escapa.

– Vamo espiar? Tô até agoniado. Acho que vai ser massa! Pois até Jesus dá as cara nesse cabaré toda quinta-feira.

– Jesus?

– Mas é outro tipo de Jesus, tabaréu! É um Jesus cheio de gréia… de santidade ele num tem é nada. Tira muita onda, fala uma tuia de prezepada… umas histórias espichadas, cheias de leras. E quando dá na telha, faz tudo bem rimado, igual cantador.

– Esse Jesus é de onde?

– Diz ele que é lá das bandas do Acarí.

Vixemaria! Deve ser pra lá da baixa da égua, então.

– Isso é leseira. Na laive desse cabaré, tem gente de tudo que é canto.

– E aí, nós vai chamar de laive ou cabaré? Pois Berto, o gerente, que é um cabra de pêia, desembuchou, sem ficar encabulado, que esse tal nome, “laive”, é coisa de quem “peida na salchisa”!

Rapá… vai ver então que é por isso que ele botou pra torar, falando das gaia dos cornos.

– Pra mim, cabaré e laive, é quando um abilolado fica falando e uma tuia de abestalhado fica escutando e dando gaitada.

– Tu intende essa língua deles?

Marromeno. Num é muito diferente, não. Até o Nelson Feitosa, que desandou sobre as fala dos cearences, eu intendi.

– E a “laive” do tal do Adonis, tu visse? Amostrado todo. Disse que andou lá pras bandas das zoropa, leste oropeu, oriente… deve ficar lá nos cafundó do Judas. E que ainda andou xunbregando com as nega branquelas, de lá.

– Vi sim. Diz que ele é brabo que só uma capota choca.

– É mermo. Outro dia ele arengou com um tal de Altamir. Minino!!!… Foi xingamento pra todo lado. O Altamir pegou ar. Foi ameaça de sentar a mão no focinho de um, pra lá… plantá-le a mão no pé do tôitiço do outro, pra cá. O que se via de cabra safadoalma sebosavocê pegou em merda… Num foi brincadeira. Um tem a Língua Ferina e o outro é Segunda Sem Lei, Igual cobói lá do sertão dos zamericano. Teve até desafio de duelo por tabefe, peixeira, badoquenenhum arribou, não…são dois nó cego da gota serena.

– Mudando de assunto, tu viu aquele cabra, Fernando Gonçalves, mangando das fala da gente?

– Tava mangando não, cumpade! Tava explicando.

-E precisa?

– Pra esse bando de zé ruela, que são meio aruá, precisa sim.

– E quem tu achou o mais amostrado, dali?

– Eu tive matutando… uns acha que é o tal do Goiano, outros, um tal de Roque Nunes.

– O Goiano é todo metido a sebo. Conta que já morou um tempão nas zoropa, só quer saber de viver socado num salão de beleza de macho, usando arco, tarco e verva.

E o tal do Roque, alem de tá sempre com preguiça, gosta de arriar a lenha nos tanga no aro e ainda se acha o Elvis Presley. O caba tem Roque até no nome, espia!

– E aquele outro cabra… de Leão, De Léon, sei lá. Todo esquisito. Ninguém nunca viu o fucinho do cabra. Usa sempre máscara e fantasia. Diz que é porque ele andou metendo o pau nos baitolas do lugar onde ele mora.

– É, mas o zunzunzum que corre, é que ele é o tampa de crush, por lá. O saberete.

– Tu acha ele mais esquisito do que aquele guenzo, o Sancho?

– Sancho? Aquele cheio de munganga? que parece um sibito baleado, meio tantam e já se fantasiou até de esmolé?

– Ele mermo. Mas, (olha o mas ai, gente!) diz que o cabra é bom! O miziguento escreve em brasilêro, americano, ingrês, oropêu, tudo que é fala istrangêra.

– Até chinês?

– Chinês, não. Parece que quem intende tudo de chinês é aquele… meio tamburete… o tal de Rômulo.

– Não sei se é defeito do computador. Ora ele parece pixototinho… vai ver ele é cumprido que nem um vara-pau… sei lá!..

– Diz que o Sancho escreve tanto, que deixa nós mais perdido que marinheiro na Bolívia. É pra fuder o tabaco de chôla. Na coluna dele é conversa até umas horas… conversa ali, é mato.

– É verdade. Tem coisas nessa laive que a gente fica mais por fora do que pensamento de preso.

– E o Assuero? O caba tem um nome desse e ainda é cheio de pantim. Ele que inventou essa tal de laive, ou cabaré. Ele quer que nós pare, olhe e escuta a laive, toda quinta..

– E os fuleiros? Tem um Marcos André. Cara de cabuloso… gordo que só um porco baé, só sabe ficar amolegando o bucho e se abrindo durante as laive.

– Ouvi um fuxico de que, quem fica avexado pra abrir o cabaré é um tal de Maurino, que faz pareia com Neto Feitosa, num param de dar gaitadas!

– Diferente de tudinho, eu só achei aquele dotô juiz adevogado, Marcos Mairton. O home só falou de coisa chique: cantoria, escrita e os direito.

– O cochicho é que o Altamir e o Adonis, ficaram foi torando um aço da porra que o buruçu entre eles fosse parar na mão desse dotô juiz adevogado, e ele desse o maior carão, neles..

– Num é pra menos, compadre! diz que os dotô juiz adevogado, tem uma tal de vara… minino!!! … quero nem ver… deixa qualquer um borocoxô. Falou em vara, tudo se aquietou. E graças ao padin pade Ciço e um monte de corta jaca, ficaram sossegados, quieteinhos… parado… que nem gelo baiano.

– Home…pelas gaitadas que esse bando de tabaco leso dá durante a laive, parece até que, antes, eles enche é o cu de cana!

Armaria… sei não visse! Só sei que aquela Violante é uma mulé bonita da cebola!

– A Renata é uma arretada, também.

Pelejo pra um dia assistir as laive delas! Será que esses machos vão deixar? Vamos esperar, né?.

– Também falta o Aristeu e muitos outros tabacudos tirarem o cabaço nessa laive.

– Essa laive é um desmantelo dos cachorro da mulesta, é igual a feira, tem de tudo.

– Vou lá… tô chegando.

– Já vai, compadre?

– Vou sim… quinta-feira eu num vô perder.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

TRANSA GRAMATICAL

De autor desconhecido, tive conhecimento em 2004, deste texto que rola na net.

Por suas peculiaridades, trago aos leitores fubânicos.

* * *

Esta é uma redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco – Recife) que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

¨Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa”.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UM DOM DIVINO

Lendas da Arte do Improviso & Repentistas e Cantadores

É consabido e consagrado a sagacidade, inteligência e astúcia de repentistas e cantadores por esse Brasil á fora. Inclusive, já foram objetos de estudos de toda ordem. Seminários, Workshop, Simpósios, congressos, programas de rádio e TV sempre debatendo o mágico tema.

Publicações, matérias em jornais e livros tratando do assunto encheriam um estádio de futebol inteiro. Teses universitárias, de doutorado, de norte a sul do país tentam esmiuçar as entranhas deste insondável e divino dom da inspiração deste “escolhido” povo nordestino.

A este respeito, a poesia popular nordestina foi amplamente perscrutada por antropólogos, folcloristas, historiadores e inúmeros estudiosos que documentaram suas impressões – Pereira da Costa (1851-1923), Sílvio Romero (1851-1914), Câmara Cascudo (1898-1986). E tantos outros que registraram a vida, a personalidade e a saga desses verdadeiros mitos regionais.

Nominar, então, expoentes nordestinos da poesia de cordel, repentistas e cantadores é tarefa hercúlea que poderia, quem assim procedesse, incorrer em lapsos e omissões imperdoáveis. Portanto, fora de cogitação tal tarefa nestas mal traçadas linhas.

Agora, eu pergunto, qual bestafubanense não se refestela e nem se deleita com as poesias publicadas pelos colunistas Aristeu Bezerra – Cultura Popular, Dalinha Catunda – Eu Acho é Pouco!, Jesus de Ritinha de Miúdo, Marcos Mairton – Contos, Crônicas e Cordeis, Pedro Malta – A Hora da Poesia, Pedro Malta – Repentes, Motes e Glosas…

Fubânicos complementarão a lista.

Trago aqui um marcante e bom exemplo da sagacidade e malícia destes iluminados poetas repentistas e cantadores. O “causo” advêm de uma certa “peleja” ou “desafio” em que um certo poeta, dito letrado, tentou subjulgar/humilhar o outro num malicioso mourão perguntado (gênero que se canta em diálogo, um perguntando e o outro respondendo), em que o sabichão lançou a embaraçosa “deixa” ao oponente:

“Jesus com seus quinze anos,
pra onde foi que marchou?”

O público ficou em enorme expectativa, vendo que o “opositor” ficou impaciente, dedilhando, dedilhando a viola… e a inspiração não vinha. Até que, “de repente”, (daí o apiteto de repentista) como num passe de mágica, o arguto e, supostamente “iletrado” violeiro, respondeu a altura da provocação:

“O que senhor perguntou,
Vou responder desta vez,
Jesus com seus quinze anos,
Marchou para os dezesseis,
Vivendo mais dezessete,
Morrendo com trinta e três”.

Foi aplaudido por todos, até pelo “opositor”.

Enfim, dado a magnitude da magia poética destes homens do povo, tiveram o reconhecimento das autoridades competentes. Foi promulgada a lei nº 12.198, de 14 de janeiro de 2010, reconhecendo a profissão de repentista:

Minha reverencia aos poetas e repentistas desta nação nordestina.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O CACHORRO QUE PAGA O PATO

Perder bichinho de estimação pode traumatizar tanto quanto perder um ente querido. Que o digam os psicólogos com seus consultórios lotados, em atendimento de pessoas com desanimo e profunda melancolia (depressão) por conta da perda do querido animal.

A tendência de famílias com baixa taxa de filhos, somada a longevidade do brasileiro, instintivamente, os leva ao hábito de se criar animais de estimação como forma de companhia, cada vez mais presentes nos nossos lares. Em sua grande maioria, cães e gatos.

Somos o segundo país em números com maior população canina do mundo. Esse apego ao “melhor amigo do homem” fez o próspero mercado “pet” movimentar algo em torno de R$ 34,4 bilhões, só em 2018.

Por isso, nos causa indignação quando se sabe que, por conta de tradição e, portanto, é uma questão cultural, alguns povos ainda cultivarem o hábito de se alimentarem dos cães (algo inconcebível para nós). China, Indonésia, Coréia, Filipinas, Polinésia, Vietnan, etc.

CONTRASTE

Em nosso país, é costume se promover algum tipo de festa/festival de alguma iguaria, que movimenta o turismo e a economia daquele local. De norte a sul do país vamos encontrar a festa da tainha, do camarão, da lagosta, do suíno, do frango, da ostra, etc. A gastronomia sempre é um forte atrativo para se promover um costume/tradição de algum lugar.

Na China, na cidade de Yulin, vamos encontrar o polêmico festival de carne de cachorro, onde milhares deles são sacrificados para consumo e alegria da região.

CORÉIA DO NORTE

Na Coréia do Norte, o ditador Kim Jong-Um, deu ordens para a população entregar seus cães para restaurantes, conforme noticia veiculada na imprensa internacional.

CORÉIA DO NORTE INCENTIVA CIDADÃOS A MATAR E COMER CACHORROS – manchete de vários veículos de comunicação.

Clique nos itens abaixo para ler as matérias:

Ditador norte-coreano Kim Jong-un manda abater cães de estimação contra vontade das famílias

Norte-coreanos são forçados a entregar cães para restaurantes, diz jornal

VENEZUELA

Na Venezuela, nem foi preciso o ditador Maduro baixar decreto. A forte crise econômica do regime socialista, além de causar mortandade de vários animais de zoológico, muitos foram abatidos para matar a fome dos venezuelanos.

Tigre sem alimento no zoológico de Caracas.

Imagens de animais esqueléticos nos zoológicos da Venezuela, e a população se alimentando de cachorros correram o mundo.

Por falta de comida, os cachorros sempre acabam pagando o pato.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A IRREVERÊNCIA DOS “ASSINANTES” DO JBF

Institutos de Pesquisas podem até falhar (dado a pequena tolerância da margem de erro), quando aponta o JBF como o mais lido, mais acessado, mais dinâmico, mais amado, mais odiado (pois é… a página sofre constantes “atentados” virtuais), das redes sociais.

Mas, a unanimidade que ninguém pode negar ou superar, é que o JBF seja o mais escroto de todos. Neste contexto, só a margem de acerto do INSTITUTO DATA BESTA é que é de 100%.

Leitores, colunistas, críticos e apreciadores reconhecem a sagacidade e acidez das virtuosas linhas editoriais do jornal. Por ser democrático ao extremo, o próprio editor não cansa de dizer que luta, peleja, se esgoela e apela, pra ver se não deixa descer o nível da amada gazeta. Mas é tudo em vão.

Ressalte-se, o que é imprescindível registrar, o pioneirismo da empreitada junto com a iniciativa e total dedicação de se manter a dinamicidade de um blog do porte do JBF . Tudo isto, lógico, tem um certo custo financeiro.

E por falar em custo financeiro, é bom frisar que, só após inúmeros apelos lançados por colunistas e leitores, o editor se rendeu, a muito custo, em aceitar um auxílio pecuniário, por menor que seja, destes “pequenos mecenas”. No valor que o coração se deixar permitir em ajudar.

O leitor mais atento, observará na lateral da página do blog, a “espontaneidade” acanhada do editor ao acatar a súplica dos promissores mecenas (segundo o próprio, muitos se fazem de leso!!!).

Na qualidade de leitor e colunista, procuro ajudar a espalhar nas redes sociais, um pouco dessa alegria contagiante/viciante que é o JBF.

Somado a isto, incentivo e chamo atenção do amigo/colega leitor, para que não se acanhe em, literalmente, abrir mão, de exercitar o seu lado “filantrópico cultural”, em prol da gazeta. Pois é, prezados leitores. Para não fugir à regra da linha escrotal do jornal, eis que um dos “viciados”, já contaminado pelo espírito gaiato do blog, me assegura, com muita altivez, que enviou uma singela cooperação financeira no valor de R$ 200,00 (duzentos reais)

Disse que gostaria de registrar seu altruísmo, inaugurando com chaves de ouro o seu adormecido lado filantrópico.

Tomado por obstinado estoicismo, afirmou que, pelo simbolismo, poucos veículos de comunicação, recebera tamanha honraria em ser agraciado com a abnegada doação realizada com a nossa recém lançada cédula de maior valor. A cédula que contém o nosso LOBO GUARÁ.

R$ 200 REAIS

Eis a comprovação da foto:

E o indigitado leitor, no pleno exercício de sua filantropia, ousou em lançar uma advertência a editoria, fazendo constar a seguinte jurisprudência (o cara é chique, todo):

“RECUSA DE PAGAMENTO EM MOEDA CORRENTE. VIOLAÇÃO DO ART. 39, IX DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR….

Ademais, nos termos do art. 43, da lei das Contravenções Penais, é ilícita a recusa de moeda de curso…legal no país”.

* * *

PLACA DE AVISO

Tudo isto, caros leitores, é para vos informar e lembrar que, nesta quinta-feira, 08/Out, das 19h30 às 20h30, teremos mais um delicioso encontro virtual (live) onde daremos prosseguimento a nossa farra, gestada e parida, pelo nosso Mestre Assuero, versando uma mistura de tudo que já foi “debatido” até hoje e muito mais. (cornos, baitolas, moçoilas, poesias, causos, frases de paralamas/pára-choque de caminhão, bares, bêbados e cabarés).

E tudo isso sem qualquer roteiro pré-definido. Para participar basta clicar aqui que a autorização será dada.

Neste encontro, a palavra é franqueada a qualquer um que deseje assistir e participar.

SUAS NOITES DE QUINTA-FEIRA, JAMAIS SERÃO AS MESMAS

Participem.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

MADAME BISSET

É consabido que o nordeste brasileiro é um rico e abençoado berçário de poetas e cantadores. Eles encantam a todos e enriquece ainda mais a cultura e o folclore local. Nominá-los não é tarefa fácil e nem este é o propósito do texto. Evito porque além de infindável ser a lista, correria o risco de cometer injustas omissões.

Aqui, especificamente, no Estado de Pernambuco, um torrão de terra se destaca no mundo da poesia: O Pajeú.

A dita região abrange 17 cidades do Sertão pernambucano. A aridez provocada pela seca e a vida dura imposta aos nativos não os impedem de colherem as benesses e os frutos advindos das benfazejas águas do santo rio Pajeú. Sem medo de errar, afirmam que o principal produto/fruto colhido da região é a arte.

Autóctones da gema, não se cansam em difundir e de se gabarem de que neste rincão sertanejo, o sujeito já nasce respirando poesia. Os mais bairristas e aguerridos, então, asseguram que não só respiram, mas, comem, bebem, andam e falam em ritmo de versos rimados.

O motivo de tal orgulho advém de uma lenda de que, séculos atrás, nos tempos da colonização portuguesa, foi enterrada uma viola no leito do rio Pajeú.

A criatividade, junto com a mitologia regional assegura que, ao tomar um gole ou ser batizado com a água do Pajeú, já é o bastante para que a criatura transforme-se em poeta. E sem distinção de gênero.

Por lá é dito que, se o genoma humano é composto por 46 cromossomos (23 vindos do pai e 23 vindos da mãe), com a reação provocada pelo H2O do lendário rio, afeta imediatamente o DNA do felizardo, fazendo surgir poetas, repentistas, cantadores e violeiros aos borbotões.

Um grande amigo, e irmão na arte real, o jurista José Djacy Veras, radicado há muitos anos no Recife, mas, jamais abandonou suas raízes sertanejas do Pajeú. Originário que é de Afogados da Ingazeira, conta uma belíssima história ocorrida naquelas plagas:

Que o pernambucano Josué de Castro – médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome – (Recifense reconhecido no mundo todo. Por seus méritos, exerceu a presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra.

Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965). Em suas andanças por Paris, de tanto falar na notoriedade dos poetas de sua terra, resolveu convidar o casal de amigos Albert Louis e a esposa Professora e Socióloga, Catherine Bisset à vir ao Brasil. Depois da Amazônia, vieram ao Nordeste, especificamente, fazendo uma turnê por Pernambuco, Ceará e Paraíba, em cada lugar o anfitriã mostrava tudo que era possível, da cultura, do povo, da geografia e dos costumes, e na Paraibana Pombal, depois de conhecerem a trilha dos dinossauros, levou o ilustre casal à assistir uma cantoria de poetas violeiros.

A cantoria corria solta, a bebedeira dos cantadores violeiros, também. A criatividade impressionava os presentes. Madame Bisset e o Marido estavam maravilhados.

Lá para as tantas o interlocutor do evento pediu aos cantadores presentes que saudassem em versos e prosas os nobres visitantes franceses. Para que dessem uma demonstração, uma “canja” da veia poética e criativa dos cantadores da região, homenageando os forasteiros.

No meio de tantas e tantas loas, destacou-se uma que ficou marcada na memória, especificamente homenageando a ilustre visitante Madame Bisset.

Vamos homenagear
Uma distinta pessoa
Madame Bisset, há de perdoar
Minha rima, minha lôa
É que seu nome, de certo
Tira um fino muito perto
De uma coisa muito boa

A madame aplaudia e sorria, sem entender muito a criatividade e malícia do cantador.