MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O COLAPSO DA JUSTIÇA

Houve época em que no Brasil, orgulhosamente conhecido como o pais do futebol, todos sabiam de cor e salteado, na ponta da língua, a escalação da seleção brasileira.

Hoje, com o advento das mudanças dos ventos da política do pais, sequer sabemos o nome do goleiro da seleção. Mas sabemos os nomes da “escalação” dos 11 ministros do STF.

Também pudera, houve um expressivo aumento de cursos de direito nos últimos 20 anos, conforme dados da OAB.

Havia uns 200 na década de 1990, para 1.775 atualmente. Se a imagem de um advogado já não era das melhores, imaginem agora com um gigantesco contingente de “advogados”, cuja ideia repousa em que pra se sobressair de alguma forma “bastaria ter um curso superior” . Ledo engano.

O exemplo maior começa lá pelo topo da pirâmide judicante, com os tribunais superiores e seus juízes. Verdadeiros laboratórios de transmutação de tudo aquilo que foi ensinado durante 5 anos. E tudo com bastante propriedade.

NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

Somos o pais com maior numero de curso de direito no planeta. Nas faculdades, noções básicas de direito, justiça, lei, norma, sansões. Tudo muito surreal. A banalização do curso de Direito é visível e os efeitos sentidos na sociedade. Cerca de 60 mil novos advogados são jogados por ano no mercado. Um verdadeiro “quadro de estelionato educacional”. Mesmo com a peneira do exame da Ordem (muito questionada por bacharéis e congressistas). Para se ter uma idéia aproximada, em 2010 todos os países concentrava 1.240 cursos de Direito. E só no Brasil já tinha mais de 1.240 cursos de Direito.

ÀS FAVAS A LEI

O nosso mundo jurídico vive um verdadeiro tormento quando o assunto é a Constituição Federal, a lei máxima que se sobrepõe as demais. Por aqui assistimos, quase que diariamente, a deturpação ou estupro dos seus artigos, que são “interpretados” conforme o humor dos togados, ou o estatus do freguês em questão. Inexplicáveis contorcionismos doutrinários e jurisprudenciais vêm sendo protagonizados pelos nossos ministros. (talvez, até por isso, foram taxados até de vagabundos), com isso, instalou-se uma desagregadora ruptura institucional.

Nesta queda de braço, sobram iniquidades para todos os lados.

Continuam indiferentes aos princípios históricos e basilares do direito.

O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.” – Platão

Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor que oferecer-lhe sacrifício.” – Salomão

Mas a história recente está ai para mostrar. Getúlio Vargas e Castelo Branco foram exemplo de violentação e desrespeito a CF. O poder executivo se impôs com mão de ferro.

Hoje, nitidamente, a ditadura está sendo conduzida, para o espanto de ninguém, pelos próprios membros do STF. E a história pode até se repetir.

Na época, o embate foi diretamente com o STF. Floriano Peixoto, descontente com os habeas corpus concedidos pelo STF a favor dos revoltosos da Armada (1892), argumentou de forma mordaz: “Se o STF der habeas corpus, quero ver quem dará habeas corpus ao próprio STF”. Ganhou por 10 votos a um.

A INCOSTITUCIONAL CENSURA PRÉVIA EM PLENO VIGOR

Até bem pouco tempo, Juizes de primeira e segunda instancia desandavam a promover um verdadeiro estupro a CF. Com base nos artigos 20 e 21 do código civil, eles estavam proibindo as biografias não autorizadas. Como pode, cara pálida! Se código civil está subordinado e é inferior à Constituição, e, sendo ela inflexível na proibição de toda forma de censura, inclusive a prévia, como poderiam, as Excelências, “interpretarem” diferente?

Tornou se corriqueiro, mas o fato voltou, só que agora, com força total. Desta feita os absurdos são cometidos por aquele que, supostamente, deveriam zelar pelo cumprimento da nossa Lei Magna. Os guardiães são os estupradores. Repete-se, aquela velha história da raposa…no galinheiro.

Invocarão o espírito do Marechal Floriano Peixoto?

LEIS ABSURDAS PELO MUNDO A FORA

Aos nossos olhos, por mais bizarras e esdrúxulas que pareçam algumas leis existentes em vários países do mundo, merecem todo cuidado e o devido respeito, pois estão em conformidade com os costumes e a cultura deles. E por todos devem ser respeitadas.

• Nos Emirados Árabes Unidos, pode resultar em prisão ou deportação, a prática de qualquer gesto que seja reputado como “rude” pelas autoridades locais, mesmo que seja pela internet.

• Laranjon – Espanha – Em 1999, por conta da super lotação, a prefeitura decretou a proibição da morte no município. Lei já revogada. Pois o poder publico já construiu um novo cemitério.

• No Reino Unido, foi decretado que não é permidito a nenhum funcionário do governo britânico de morrer dentro do Parlamento. Penalidade: O morto pode ir parar na prisão.

• Devido à cultura mexicana, é proibido queimar bonecas em qualquer região do país.

• Ingerir bebida alcoólica – Em alguns países muçulmanos é considerado um crime grave, inclusive conduzir a bebida.

• Na Suíça, se você fizer o “numero dois” a noite, só poderá despachar a “mercadoria” ao amanhecer. O barulho da descarga é classificado como poluição sonora após as 22h.

• Oficialização da alegria. Antiga lei em Milão/Itália – poucos a levam a sério – Os seus cidadãos devem mostrar constantemente seu sorriso , sob pena de multa. A exceção fica por conta de funerais e visitas a hospitais.

• Usar WiFi alheio – Em Singapura, conectar-se a rede WiFi de outra pessoa sem a devida autorização é crime, sujeito à multa de US$ 10.000 ou três anos de cadeia! Outra excentricidade deste pequeno país do Sudeste Asiático, é a proibição da venda e consumo de chicletes (exceção quando prescrito para tratamento médico), a punição varia de até dois anos de cadeia… ou incríveis US$ 100.000 de multa.

• Na civilizada França, mesmo passados 200 anos da morte do estadista, perdura uma lei que proíbe que se denomine um suíno pelo nome “Napoleão”.

LEIS ABSURDAS NO BRASIL

O nosso país “não fica por baixo” quando o assunto é produção de leis bizarras, absurdas e, em sua maioria, corporativista (vide CLT).

Seguindo a teoria Malrhusiana, a produção de “leis” ineficazes, segue em desabalada escala geométrica. Páginas e páginas (livros) seria preciso para se escrever.

Enquanto tudo isso ocorre, o compositor/cantor Renato Russo, mesmo depois de morto, continua desafiando e sendo desafiado:

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

Aguardamos ansiosos, o prescrito pelo profeta Isaías 32:17 (AT):

O efeito da Justiça será Paz, e o fruto da Justiça, repouso e segurança para sempre

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A ÚLTIMA ARVORE DO DESERTO

Não é que no deserto do Saara não tenha árvores. Tem sim, e muitas. O problema é que, dada a grande extensão deste deserto (alcança 10 países africanos), havia uma peculiaridade espantosa naquelas redondezas desérticas (denominada de Ténéré) no Níger, um dos dez países abrangidos pelo grande deserto do Saara, existiu uma solitária e enigmática acácia, única árvore num raio de aproximadamente, uns 400 km².

Esta árvore, considerada a mais isolada do mundo, funcionava como um marco orientador, um ponto demarcatório para quem quer que se dirigisse lá pelas bandas do noroeste do maior pais da África Ocidental, Níger, capital Niamei. A visão daquela árvore ali, solitária e, ao seu derredor, quilômetros e quilômetros de areias, pedregulhos e rochas, era como uma verdadeira miragem (no calor de 48 grau, em media) no meio do nada, só que, bem real. Logo ela que, outrora (década de 1930), serviu até como ponto de referência em mapas militares europeus. Em 1939, o exército francês encontrou uma fonte d’água após uma escavação de uns 35 metros, junto às raízes da árvore.

Aquela “miragem”, da solitária árvore, funcionava como uma espécie de “bússola” orientadora para caravaneiros motorizados ou de camelos. Era um verdadeiro farol para os “navegantes”.

A última árvore do Ténéré. – Acácia (uns 3 metros de altura)

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ARVORE BÍBLICA

Pelas escrituras sagradas, podemos imaginar como aquela árvore solitária e frondosa sobrevivia em um lugar sem vida. O poder da resistência e o fascínio que esta arvore exerce, já constava no velho testamento.

Em Êxodo 25:10 diz textualmente: “Também farão uma arca de madeira de Acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura”.

E em Êxodo 25:13, diz: “E farás varas de madeira de Acácia, e as cobrirás com ouro”

Ora! o povo de Moisés, saindo do Egito e se embrenhando pelo deserto carregando ouro, prata e roupas, até se compreende. Mas, onde iriam encontrar acácia para confeccionar a tábuas da arca e as varas, se não no meio do deserto?

Reza na tradição local africana, entre os Azalai (povo do deserto de Ténéré) uma crença de que, durante as travessias em peregrinações locais, sob a sombra desta sagrada árvore, muitos acertos tribais eram ali pactuados e respeitados.

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O FIM DE UM ÍCONE

“A Última Árvore do Ténéré”.

O enorme estrelato e sucesso pelo mundo à fora (da árvore de Tenéré) não foi salutar e lhe trouxe um infortúnio letal, até hoje lamentado.
Era o ano de 1973 quando, integrantes do Rali do deserto da Citroen, constataram, incrédulo que a famosa árvore se encontrava sem vida. Comenta-se que um caminhão, pilotado por um líbio, totalmente embriagado ( outros preferem classificá-lo de demente, doido, louco, maluco, alucinado, alienado, tresloucado, desatinado, mentecapto…ou simplesmente grandessíssimo FDP), colidiu, em meio daquela imensidão do deserto, com a pobre e única árvore da região.

A árvore morta está guardada e exposta para visitação, no Museu Nacional de Niamei, capital do país. Em sua memória ergueram uma escultura de metal no lugar original da árvore.

Monumento de metal, erguido em memória da enigmática árvore

Um organismo (símbolo da resistência da natureza) que conseguiu suportar e sobreviver décadas a fio, as duras intempéries e rudeza do desafiador e mortífero deserto do Saara, sucumbiu, desgraçadamente, ante um (dito, ser humano) irresponsável caminhoneiro, bêbado.

Bem que o marcante poema de Drummond “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, se amolda ao desditoso destino da querida plantinha, podendo ser, ironicamente, assim parafraseado:

“No meio do deserto tinha uma árvore, tinha uma árvore no meio do deserto.”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

HEROIS INGLÓRIOS

O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Apocalipse 3:5

A George Orwell, autor de A revolução dos bichos, 1984,é atribuída a frase: A historia é escrita pelos vencedores.

Não quero aqui me ater às atuais discussões (narrativas) políticas onde todos saem perdendo. Pois nesta infame “guerra de narrativas”, o único vencido é a verdade. Seja de esquerda ou direita, a luta tem de ser contra a mentira, em todo lugar, a todo tempo. Mais isto vamos deixar pra depois.

Entre milhares de heróis esquecidos (qualquer um de nós, até) me veio à memória, três excelentes exemplos.

Como a história é escrita pelos vencedores, poucos saberão que, no maior conflito armado de todos os tempos (segunda guerra mundial), o panteão dos heróis fica prenhe de espaços vazios. A história, por conta de inconfessáveis interesses, irá obliterar muitos “anônimos”, notáveis, arrojados, bravos e corajosos… relegados. Redomas vazias do imaginário panteão, deverão ser preenchidas pela honestidade e coragem de historiadores e escritores.

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ALAN TURING

Um bom exemplo, foi o conflito armado mais sangrento da história. A vitória dos aliados não foi decidida apenas por bravos soldados e armas. Por traz de toda estratégia dos aliados, destacou-se a figura do cientista Alan Turing, que usou cálculos matemáticos como artifício, fato que o levou a ser considerado o pai da ciência da computação.

Alan elaborou uma máquina capaz de quebrar, códigos da Enigma(máquina utilizada pelos nazistas para criptografar suas mensagens). E assim pode fazer uma precisa leitura e rastrear toda comunicação dos Alemães. Ele pode até não ter entrado diretamente no campo de batalha, mas, por conta da sua mente brilhante e seu invento, estima-se que abreviou a vitória dos aliados em torno de 2 anos, poupando com isso milhares de vidas humanas e uma incomensurável economia para o mundo.

Este fato – a quebra do código nazista – permaneceu no limbo por longas décadas, e o herói inglório, Alan Turing, não teve o devido reconhecimento por parte do governo britânico pelo seu inestimável serviço prestado a humanidade. Pelo contrário, por ser homossexual, foi publicamente humilhado e condenado a castração química. Cometeu suicídio em 1954, aos 41 anos. Hoje, na Inglaterra, em sua homenagem, alem de uma suntuosa estátua em ardósia, seu nome virou nome de ponte, estrada, e de prédio na cidade e universidade de Manchester.

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JACK PHILLIPS

Outro esquecido pela história foi o Jack Phillips. Este modesto operador sênior da comunicação sem fio do Titanic, juntamente com seu colega de trabalho Harold Bride, ao constatar que o navio iria a pique, dispararam, incessantemente, inúmeros sinais de pedido de socorro para as embarcações vizinhas. Este gesto heróico, foi responsável pelo resgate e salvamento de 705 pessoas. Obstinado, permaneceu em seu mister, enviando sinais de S.O.S. sem abandonar sua nobre missão, Jack Phillips foi uma das vitimas fatais do Titanic. Mas os registros dos ininterruptos sinais de socorro, ficaram registrados.

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ALFRED RUSSEL WALLACE

O herói esquecido da evolução

Este galês naturalista foi quem, na verdade, entabulou para o mundo acadêmico, a seleção natural das espécies.

Em 18 de junho de 1858, Wallace despachou uma carta lá da ilha deTernate (hoje Indonésia), para Charles Darwin, cujo texto, era um manuscrito que versava “Sobre a Tendência das Variedades de se Diferenciarem Indefinidamente do Tipo Original” onde ele, categoricamente, concebera o princípio da “sobrevivência do mais apto”.

Existe ainda a versão de que, o estudioso Wallace, escrevera a referida carta, na expectativa de que o já famoso Darwin o ajudasse a conseguir um cargo ou função quando do seu retorno da Indonésia.

Mais o impacto causado em Darwin, ao ler as 5 páginas do manuscrito de Wallace, foi notório. Estava ali, de bandeja, naquele manuscrito, o que Darwin cogitava e refletia desde o lançamento do seu livro “ grande livro sobre as espécies”, em 1844. Era a chance de ouro de relançar o livro com teorias e bases mais sólidas sobre a evolução das espécies que, segundo rumores à época, Darwin se via hesitante para não melindrar o sisudo comportamento vitoriano e cristão vigente, bem como os brios da sua esposa, Emma.

Darwin, sentindo-se ameaçado ante a perspectiva de perder a prioridade sobre a teoria, consultou Charles Lyell (o pai da geologia moderna) e Joseph Hooker em busca de respaldo. Decidiram então, os três, a promoverem uma leitura conjunta dos dois trabalhos na Sociedade Lineana de Londres. Logo em seguida, Darwin elaborou uma “condensação” que foi publicada no ano seguinte sob o título “A Origem…”.

Quem se dispõe a analisar as publicações da Sociedade Linneana de Londres sobre o tema, logo percebe que os escritos e teorias de Wallace são bem mais burilados e acurados. Havia muitos questionamentos ao humilde comportamento de Wallace: “Por que você fica falando na teoria de Darwin? A teoria é tão sua quanto dele!'”

A verdade é que o polímata, Wallace (1823-1914), que já foi destacado como o maior cientista britânico, também era versado em manejo florestal, história natural, estudioso em política de saúde pública, etc.

Este coautor da seleção natural acabou relativamente esquecido, atropelado pela “indústria acadêmica” sobre Darwin.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O MEU SOCIALISMO

Quando estudante, pobre de periferia, no antigo segundo grau, fui quase que, naturalmente, arrebatado pelo sonho do socialismo. Aliás, estava fazendo parte (e com muito fervor) da profética frase de Che Guevara “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética” . E alí estava eu, prontinho para não contrariar a genética.

Estava pronto para difundir e defender o sonho da partilha das riquezas, o bem estar do trabalhador, uma vida igualitária sem divisão de classes… coisas do tipo. Trabalhando num banco estatal, fiz parte do sindicato da categoria. Vigor e convicção contra banqueiros, empresários, militares e “o imperialismo americano”, não me faltava. Eu era o dono da razão.

Já na faculdade, fazia parte do diretório ou centro acadêmico. Colegas, em maioria esmagadora, navegavam nas águas agitadas do “socialismo”. Muitos planos para mudar o mundo e livrá-lo da tirania ianque, militar e empresarial que tanto atormentava os povos.

Formados, cada qual tomou seu rumo. Voltei a encontrar alguns colegas na pós graduação e mestrado. Em sua maioria, tornaram-se notórios advogados de respeitáveis bancas. Outros, juízes, escritores, procuradores e promotores. A diretora da faculdade sempre se gabava daquela turma. Todos estavam bem colocados, financeira e profissionalmente falando. Quiçá, eu representava o patinho feio da turma.

Num daqueles encontros de confraternização, fui questionado por um juiz da turma, como estava meu ímpeto socialista. Logo ele, um juiz federal com direito a seguranças e toda espécie de auxílios e penduricalhos inerentes ao cargo. Respondi que continuava, principalmente agora, mais socialista do que nunca. Mas um socialista de verdade. Não daquele socialismo traçado pelos news eruditos, cuja morfologia, propositadamente criados para nada explicar – socialismo, comunismo, marxismo, anticapitalismo, e outras baboseiras “etnoliguisticas” do termo – Tipo: o socialismo conduz ao comunismo… tendo em vista que… conforme a teoria e a definição de fulano… haja saco!

Expliquei que, antes, eu só ficava no discurso, no mundo da fantasia, na ilusão juvenil – percebi que não consertava nem minha vida e queria solucionar a do mundo todo. A ficha caiu, meu caro colega!. Não deu pra acabar com a pobreza do mundo. Paciência, né? Hoje, vivo razoavelmente confortável para os modestos padrões atuais. Como socialista voluntário, vou tocando meu comunismo particular. Ajudo em creches e abrigos. Por conta própria, distribuo alimentos (sopa e sanduíches) e roupas aos sem tetos. Dou até orientação jurídica gratuita de pequenos problemas do cotidiano deles. Nesta convivência, percebi o quão vasto é o mundo comuno-socialista. Ele deve começar no seu recinto, na sua família, seu vizinho, seu quarteirão ou sua rua. Estenda ao seu bairro. Isto é quase impossível um jovem entender.

Esqueça que com a mesada do pai e uma camisa do Che se mudará o mundo. Quando ele se der conta, terá constituído família. Verá que perdeu tempo expressando sua revolta em manifestações onde tudo que tinha a oferecer e mostrar foi destruição e danos ao patrimônio, por conta de suas frustrações pessoais e políticas. Cuidam hoje eles, para que não sobre espaço na mente dos seus filhos, para nutrir rancores ideológicos. Que as pessoas bem sucedidas não sejam o próximo inimigo a ser combatido. Cuidam para a mídia não recrutá-los como mais um soldado progressista que procurará a todo custo não desvirtuá-los da infame contradição genética.

Como foi bom rever os revolucionários da faculdade. A velha turma do diretório acadêmico de esquerda estava toda ali, se refestelando entre frutos do mar, carnes exóticas nobres e degustando finas bebidas de grife, como todo bem sucedido capitalista gosta e merece (cadê os colegas socialistas?). Boas lembranças, beijos e abraços. Antigas paqueras e casos relembrados. Já marcando outro encontro de confraternização para o mais breve possível. Uns negociando o próximo encontro. Quem sabe até trimestral, ou antes, mesmo. Com meu proselitismo de realidade socialista, consegui até “aliciar” alguns colaboradores da “honoris causa”.

P.S 1 – Tinha ido de UBER ao encontro no restaurante do hotel. Na volta, como estava demorando contatar o serviço, recebi um mimo todo especial de um colega: Esquenta não, compadre! Faço questão que o meu motorista te deixe em casa. Oferta do maior e mais ferrenho comunista da turma.

P.S 2 – Ao adentrar no luxuoso automóvel, mais incontidos que os abraços foram os sorrisos e gargalhadas, que provoquei em todos quando bradei:

HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!!

E VIVA LA REVOLUCION!!!

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A VALORAÇÃO DA IGNORÂNCIA

“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?” – Cícero

Bastaram 14 anos de governo de esquerda (PT e puxadinhos), para que se percebesse o trabalho obstinado na implantação da filosofia da ignorância com a premiação dos menos capacitados. A incompetência foi alçada ao pedestal da glória suprema. O resultado de tal “política” refletiram nos resultados catastróficos das estatais brasileiras.

De nada valeu o engodo da criação da Lei 13.303/2016 (Lei das estatais), que procurou “estabelecer requisitos” para estancar a ingerência dos políticos nas nomeações de “assessores” comissionados, conselheiros e diretores de estatais. A grande piada (assim como na escolha de ministro do STF) fica por conta do art. 17 da lei das estatais, que estabelece a lorota que “exige” a reputação ilibada e notório conhecimento. Creia. Na referida lei, vamos encontrar um deboche ainda maior: a exigência de qualificação. Como a maioria das leis, esta se mostrou tão inútil quanto a lei anti corrupção, proposta por Dilma. Ela mesma e equipe tratou de alterar a Lei Anticorrupção para tirar o termo “Anti”. No bojo da treta malandra, o alvo visou atingir a lava jato, concomitantemente, com o achatamento do já sofrível orçamento anual da PF. Assim, a caneta na mão se mostrou mais forte que a lei.

APETITE DO APARELHAMENTO

Pra satisfazer o voracidade da “galera” de sindicatos e a militância, o governo PT criou 43 estatais em 13 anos de governo. Todas inúteis (para o povo brasileiro). Sem nenhuma serventia, apenas para alocar “camaradas” de todas as vertentes com vultosos salários e benefícios (eufemismo criado para denominar conquistas ou direitos) Tudo bancado, lógico, pelo contribuinte. O resultado não poderia ser outro: dezenas delas sempre estiveram no vermelho, acumularam prejuízos de bilhões sugados do bolso do contribuinte.

A VALORAÇÃO DA IGNORANCIA

O que se extraiu da apologia à incompetência e a ignorância, é que ela foi propositalmente cultivada, moldada, cultuada e difundida para se transformar em objeto de exploração e ganhos políticos nas esferas dos três poderes constituídos. Vide absurdas decisões jurídicas e massificação de controle da mídia.

Nesta trilha de enaltecer a incapacidade, farto declínio veio em efeito cascata. Político, social, econômico, cultural e, principalmente, moral.

Houve uma tentativa de se institucionalizar a ignorância. A meritocracia (conhecimento, estudo, cultura) passou a ser considerada um artifício de dominação da burguesia para oprimir “o povo”.

Isso restou patenteado quando o MEC procurou adotar e ainda deu de ombros às criticas ao uso dos termos “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. (quase acolhiam o MENAS). Em sua defesa, os autores do livro de língua portuguesa ‘Por uma vida melhor’, da coleção, seria normal e válido o uso da língua popular com seus erros gramaticais. Justificava sob a ótica de que a excessiva rigidez da norma culta levaria os alunos a sofrerem “preconceitos linguísticos”. Creia!

Esta proeza do MEC, por intermédio Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos, chegou a distribuir o livro a 484.195 alunos de 4.236 escolas. “Visamos evitar que o pobre seja “vítima” de preconceito lingüístico”.

Advertiam os autores que “o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado”. Em sua defesa, Heloisa afirma que o livro tem como fundamento os “documentos do MEC para o ensino fundamental regular e EJA (Educação de Jovens e Adultos)” e leva em consideração as matrizes que estruturam o Encceja (Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos).

A ignorância é uma condição que possui seu mérito, acarretando a obtenção de benefícios tanto no plano econômico quanto no plano político. É a matéria prima primordial para um processo de subjetivação que leva a não questionar ou oferecer resistência de valores como a “verdade”, a “solidariedade”, a “inteligência”, a “lógica” etc. Com a institucionalização da ignorância, potencializa-se tanto o mercado quanto a adesão de não julgamento de um regime ou orientação política.

FRUTOS

PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.

O PISA refletiu bem esta “empreitada” em favor da ignorância (programa de governo?), com o Brasil figurando no clube dos 20 piores no ranking mundial de educação em leitura, matemática e ciências.

Para o antropólogo, com formação pela antiga União Soviética, cientista político e professor da PUC-GO Wilson Ferreira Cunha, o “Brasil levará ao menos 50 anos para se livrar da massificação que o PT criou na educação universitária”.

Como vimos. manipular e manter a ignorância como indispensável “material bélico”, é como ter farta munição para se garantir e se perpetuar no poder.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

FANATISMO

O tema é inesgotável e prolixo. Resumidamente, temos que, fanatismo, é uma condição psíquica de ardor continuo compulsivo e irracional, ligado a estímulos de essência política ou religiosa. Que pode acarretar fascínios, absorver delírios e paranóias ante uma adesão extremada por uma causa ou crença.

Pois, o fanatismo, reflete e se manifesta numa explosão irracional e exagerada de uma paixão desmedida, ferrenha e obstinada por um ideal. Cultuando o apego a dada teoria, de forma total e incondicional. Seja ela política ou religiosa. No dicionário Michaelis, teremos que “o fanático é definido como qualquer pessoa que se mostra demasiadamente entusiasmada, apaixonada, tomada por devoção cega a uma causa (política, religiosa, etc.) ou pessoa; apaixonada, exaltada, obcecada”.

DISSONÂNCIA COGNITIVA

Em síntese, a dissonância cognitiva é quando se percebe a incoerência entre o que aquela pessoa fala e o que realmente ela faz. Você já deve ter visto ou conhecido alguém que defende uma idéia e age totalmente diferente dela. Algumas criticas maldosas são dirigidas a celebridades socialistas do mundo da arte que só se auto-exilam em paraísos capitalistas. Façam o que eu digo… A frase: Acuse-o daquilo que você faz é bem apropriada para ao presente caso.

Na esteira desta dissonância, ainda reside o fato de que o sujeito crê, cegamente, que a solução para o que é melhor para a vida e o destino dos outros, reside no que ele idealiza e quer. (E ele, por você, tem certeza disso) É a forma que ele possui de “criar um mundo” e, com ele, toda maneira de ser.

ALGUMAS CARACTERISTICAS DO FANATISMO

Preconceitos e discriminações, limitações intelectuais, ira e ódio exacerbado, egocentrismo, hostilidade aflorada, crença extrema a uma doutrina ideológica, passional e tendencioso, lentidão ou bloqueio cognitivo, e assim por diante.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE?

Na atualidade, inexistem diretrizes seguras que rotulem o fanatismo como um transtorno da personalidade. Alguns (fanáticos) podem até possuírem transtornos de personalidade, mas sem o significado de que seja fanatismo. Conforme me explicou a psicóloga Wanessa Cavalcanti, algumas (e não todas) características, podem ser associadas a personalidade de um fanático, tais como irascibilidade, comportamento desconfiado ou explosivo, certa fragilidade do eu, Comportamento interpessoal que varia de submissão ao extra punitivo, Autoimagem combativa, índole cognitiva e dogmática, etc.

FANATISMO RELIGIOSO

Existem várias formas de se classificar o fanatismo, que varia conforme a predominância da ideia. Historicamente, o mais questionado é o religioso. Este, desde priscas eras, é responsável por danos humanísticos e culturais marcantes. Guerras, torturas, genocídios e atos terroristas (Ku Klux Klan, Inquisição, Cruzadas), tem deixados cicatrizes profundas. Na questão religiosa, não podemos esquecer que existe o efeito reverso do fanatismo, ou seja, aquele que se apresenta ou se opões a uma crença de forma bastante hostil. É o antirreligioso (antijudaico, anticristão, antimuçulmano).

FANATISMO RELIGIOSO NA ATUALIDADE

Foi amplamente divulgado nos meios de comunicações, que os grupos terroristas ISIS e Boko Haram, cooptaram muitos jovens pelo mundo afora. Os recrutados, em sua maioria, possuíam conflitos de identidade e de relacionamento social ou familiar. O fanatismo religioso, neste caso, funciona claramente como uma seita de adeptos. A violência física e a idealização da morte é bem marcante nestes casos específicos de fanatismo religioso.

FANATISMO ESPORTIVO

Tronou-se corriqueiro, assistirmos estarrecidos, o fanatismo esportivo. Atos deploráveis causados por fanáticos torcedores com espancamentos e mortes, por uma “paixão” a um clube, a uma equipe, ou a um atleta.

Maradonismo – torcedores argentinos se unem e cultuam, celebrando como um”deus” o ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona. Eles possuem seus próprios mandamentos, orações e “bíblia”, denominada «Yo soy el Diego de la gente».

FANATISMO ARTÍSTICO

Temos também o fanatismo por uma celebridade do mundo da arte: um cantor, um ator, um músico, um escultor, um pintor, etc. Fanatismo por uma idéia política, um partido que represente aquelas idéias.

Muito comum, é encontraremos pessoas fanáticas pelo mistério, pelo fantástico e pelo desconhecido. Pessoas que são aficcionadas por tarólogos, cartomantes, advinhos, bola de cristal, etc.

FANATISMO LITERÁRIO

Foi marcante o caso da escritora Emily Brontë. Leitores fanáticos “enxergavam” em seu romance “O Morro dos Ventos Uivantes”, que Emily estava convidando as pessoas a jantar com o diabo e ela própria estava prestes a ser vítima desses fanáticos.

Do prestigiado livro “O apanhador no campo de centeio” de J.D. Salinger, muitos fanáticos relacionaram suas sugestões de assassinato, ao insano ato praticado pelo atormentado Mark David Chapman (dizia identificar-se com o protagonista do livro, que odiava a falsidade), que matou a tiros, John Lennon. E, logo após, sentou-se calmamente para ler o referido romance. Salinger, teve que se refugiar em lugar incerto para operar seu oficio de escritor, para evitar ser vítima dos fanáticos.

Na mesma trilha, o poeta francês Baudelaire, foi acusado por fanáticos que queriam mandá-lo para fogueira pelo conteúdo do seu poema “As flores do mal”.

FANATISMO LITERÁRIO E POLÍTICO

As obras de Karl Marx, por exemplo, despertaram muito fanatismo e até hoje causa impacto social e político em que, cujos “adeptos” procuram justificar e utilizar suas idéias e obras, para cometer delitos terroristas.

Como podemos ver, nos deparamos ante um fenômeno conhecido na psicologia e psiquiatria conhecido como dissociação. Onde são eliminados do individuo toda essência de sua identidade que, paulatinamente, se transmuta assumindo uma nova postura e identidade, num processo que culmina numa sólida união que se harmoniza com os novos ideais da corporação.

A poetisa portuguesa, Florbela Espanca, foi muito feliz quando descreveu o fanatismo em sua poesia:

“Meus olhos andam cegos de te ver” …
“Podem voar mundos morrer astros,
Que tu és como um Deus princípio e fim”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

DEUS: UMA ETERNA BUSCA

Dado a sua extrema complexidade, talvez este seja o tema mais debatido, escrito e documentado da humanidade. Não existe facilidade ou atalho (teologia, cosmogonia, cosmologia, teurgia), o certo e que sempre iremos nos deparar com seculares e infinitas concepções e conceitos.

Séculos antes de Cristo, Platão e Aristóteles cogitaram e concluíram pela necessidade da existência de uma inteligência suprema ordenadora do universo.

Sentia o homem, no recôndito da sua psique, não ser obra do acaso. Tudo em sua volta haveria de ter uma Causa de (e para) existir. “desde que o selvagem percebe que não existe por si mesmo, interroga á natureza quem é o seu autor e o majestoso silencio dessa Natureza o faz render tosco, porém sincero culto a um ente Supremo que é o criador do mundo.”

Em todas as épocas, diversas crenças, religiões e mitologias, procuraram definir ou denominar Aquele que tudo criou, seja esta origem politeísta ou monoteísta. Inúmeras denominações pululam na concepção do imaginário de civilizações, eivadas de crendices e superstição.

TRINDADES

Trindades Criadoras, sempre povoaram o imaginário do homem, para tentar justificar a si próprio, como se engendrara a existência das coisas. Originárias do paganismo (trindade egípcia, romana, grega, persa, hindu, etc.), O próprio cristianismo foi contaminado por esta concepção abstrata. Não conseguiu se libertar de suas influencias , acabando por também “adotar” a sua trindade, onde o Pai é o Criador.

O ISLÃ

Alá ou Allah – é a palavra utilizada no árabe para designar Deus. Embora o termo seja mais conhecido no Ocidente devido ao seu uso pelos muçulmanos, é utilizada pelos falantes do árabe de todas as crenças abraâmicas, incluindo judeus e cristãos, para se referirem a mesma divindade monoteísta. O termo também era utilizado pelos habitantes pagãos politeístas de Meca (na atual Arábia Saudita) como referência a um deus criador, possivelmente a divindade suprema na Arábia pré-islâmica. Portanto, ALÁ, na ótica islâmica, é único. Única Divindade, criador do universo e onipotente.

Derivações do termo islâmico, a palavra Alá, tambem está na origem de algumas palavras do espanhol e do português, como “ojalá”/”oxalá” sha-llah, “queira Deus”), “olé” (w[a]-llāh, “por Deus”) e “hala” (yā-llāh, “oh, Deus – Alá é um pano branco que simboliza a paz, o perdão, a misericórdia e a sabedoria, caracterizações que são atribuídas a Oxalá.

Diferentemente dos cristãos e judeus, os muçulmanos não conferem atributos humanos a Alá/Deus, afirmando sua unidade. São 99 atributos de Allah mencionados no Alcorão, os quais muitos podem ser também atribuídos a humanos, porém, nota-se que é utilizado o artigo “al” (que significado “o …”) do árabe para cada atributo, afirmando novamente a unicidade de Deus, tais como “O Clemente” (Al-Rahmān), “O Querido” (Al-‘Azīz), “O Criador” (Al-Khāliq), entre outros. O conjunto desses noventa e nove nomes de Alá recebe em árabe o nome de al-asmā’ al-husnà (“os melhores nomes”). Algumas tradições afirmam que existe um centésimo nome, dessas tradições, muitas acreditam que o centésimo seja o próprio nome de Deus, ou seja, Allah.

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MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

SER VELHO OU IDOSO, EIS A QUESTÃO!!!

Não existe mágica ou remédio. Qualquer pessoa, independentemente de seu nível cultural, social ou econômico, sabe que o melhor caminho para uma vida boa e saudável é manter bons hábitos alimentares, praticar regularmente atividades físicas dentro de suas reais possibilidades. Além de procurar evitar comportamentos de risco a saúde e integridade física, terá que aprender a ter que conter os excessos (prazeres) que a vida, gentilmente, sempre nos convida e seduz.

O 1º dia de outubro, é comemorado no Brasil o dia do idoso, por conta da criação do estatuto que resguarda seus direitos. E de uma maneira bem positiva e filosófica, J.R Nascimento e outros escritores e filósofos, conceberam uma marcante distinção do que vem a ser ‘velho’ e ‘idoso’ com muita propriedade.

Disseram que, enquanto o idoso sonha, o velho apenas dorme. Idoso é aquele que ainda aprende, o velho se recusa até ensinar. O idoso se renova a cada dia que começa, o velho se acaba a cada noite que termina, pois, enquanto o idoso tem os olhos postos no horizonte, de onde o sol desponta e ilumina a esperança, o velho tem sua miopia voltada para as sombras do passado. O idoso se exercita e medita, o velho descansa e resmunga.

Em contrapartida o idoso ama e faz planos. O velho sente ciúmes e rancores. O idoso curte o que lhe resta da vida; o velho sofre pensando nos seus últimos dias.

Tudo bem. É frustrante quando você constata que os países tidos como civilizados e adiantados, cuidam bem das pessoas da 3ª idade. Por aqui, com o advento da aprovação do Estatuto dos idosos, importantes conquistas foram incorporadas aos cuidados e reverencia para com os nossos “coroas”, quais sejam:

I) Meia entrada em atividades de lazer e espetáculos

Pessoas acima de 60 anos têm direito a 50% de desconto na entrada de qualquer atividade esportiva, artística e cultural. Para ter acesso ao benefício, basta apresentar o RG no momento da compra do ingresso.

II) Gratuidade no transporte público e interestadual

Ônibus, metrô e trem são gratuitos para os maiores de 65 anos, basta apresentar a carteira de identidade para comprovar o direito ao benefício. Vale destacar que em alguns municípios é necessário realizar um cadastramento para a obtenção do passe ou bilhete eletrônico. Procure orientação nos postos da Prefeitura da sua cidade.

Já no sistema de transporte coletivo interestadual, há duas vagas gratuitas aos maiores de 60 anos que recebem até dois salários mínimos. Se os dois lugares gratuitos tiverem sido preenchidos, quem se enquadrar nessas condições ganha 50% de desconto na compra de um outro bilhete.

Nesse caso, a passagem deve ser solicitada com antecedência mínima de três horas e o passageiro deve apresentar documentos que comprovem sua identidade e renda.

III) Isenção no IPTU

A isenção no pagamento do IPTU é uma política municipal e varia de caso a caso. Procure a Prefeitura da sua cidade e verifique quais são os critérios de isenção e providencie os documentos necessários para conseguir o benefício.

IV) Isenção total ou parcial do Imposto de Renda

● Isenção parcial

Aposentados e pensionistas acima de 65 anos têm direito à isenção parcial no Imposto de Renda. Isso quer dizer que eles não pagam tributos sobre os R$1.499,15 reais garantidos a todos os cidadãos pela tabela progressiva e sobre outros 1.499,15 reais por terem mais de 65 anos.

● Isenção total

Aposentados que possuem doenças graves como mal de Parkinson, câncer, AIDS e paralisia irreversível podem ganhar isenção total do Imposto de Renda. Basta o contribuinte apresentar um laudo pericial emitido por um serviço médico reconhecido pelo Governo ao INSS.

V) Limite de reajuste em planos de saúde

As operadoras de planos de saúde não podem aumentar o valor da mensalidade dos planos com base na mudança de idade de seus clientes com mais de 60 anos. O aumento só pode ocorrer por reajustes anuais previstos pela ANS (Agência Nacional de Saúde). Até agora, este direito é ardilosamente e solenemente driblado e, pra tristeza de muitos, a ANS faz de conta que defende o idoso. Tem que se ligar.

VI) Desconto em viagens

Em 2007, o Ministério do Turismo lançou o programa Viaja Mais Melhor Idade, que oferece benefícios para pessoas com mais de 60 anos através de parcerias com agências e hotéis. É possível obter descontos de até 50% nas tarifas de baixa temporada em mais de 2.000 estabelecimentos conveniados no país.

VII) Prioridade em processos judiciais

Quem tem acima de 60 anos pode furar a fila de espera da tramitação dos processos em qualquer instância da Justiça. Basta pedir ao seu advogado para fazer o requerimento do benefício à autoridade judiciária específica do caso. (creia)

VIII) Prioridade em programas habitacionais

Maiores de 60 anos também têm prioridade para adquirir a casa própria em programas habitacionais públicos ou subsidiados pelo governo. Além disso, 3% das unidades habitacionais são reservadas para os idosos e os critérios de financiamento devem ser compatíveis com os rendimentos das aposentadorias. Para ter acesso ao benefício, basta entrar em contato com a empresa responsável pelo programa habitacional.

Hoje, com o avanço da ciência e da tecnologia, foram conquistados significativos sinais de progresso, na expectativa de se amenizar alguns dos impactos provocados pelo nosso desgaste natural e orgânico do corpo. Ou simplesmente, a velhice.

Por isso, não se pode deixar levar e se abater, com o excesso de carga do “Sincericídio” destilado de bate-pronto, pela mãe do nosso respeitado Mestre e colunista, José Paulo Cavalcanti – CONVERSAS DE MEIO MINUTO (5) – D. Maria Lia, durante uma entrevista a uma repórter:

– Dona Maria Lia, o que é a velhice?

– A velhice, minha filha… é uma merda.

Mas, o mais importante e melhor de tudo, é ter plena consciência de que, independentemente da idade que consta lá no cartório, a idade da sua mente, espírito e coração, continue a produzir bons frutos, passar conhecimentos e servir de exemplo para os mais jovens. Pois o espírito nunca envelhece.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

ATÉ QUANDO, JERUSALÉM?

Jerusalém fascina o mundo ocidental e oriental. Desde garoto ouvia falar sobre Jerusalém, principalmente nas aulas de catecismo. Minha monografia foi baseado no tema (me arrependo profundamente), versando sobre o conflito entre cristãos, judeus e muçulmanos, obcecados pela dominação da cidade santa, à luz do Direito Internacional Público – DIP. Em Junho de 2018 escrevi na minha coluna, aqui no JBF, sobre A SÍNDROME DE JERUSALÉM, relatando ocorrências de fenômenos mentais envolvendo a presença de ideias obsessivas de temática religiosa, delírios ou outras experiências de cunho psicótico que afetam alguns visitantes de Jerusalém. Tal fenômeno, não é endêmica de uma única religião, mas afeta judeus e cristãos de variadas formações socioculturais. É o fenômeno através do qual uma pessoa que anteriormente parecia equilibrada e desprovida de quaisquer sinais de psicopatologia, torna-se psicótica após chegar a Jerusalém.

SIGNIFICADO

Inobstante as inúmeras traduções e significados que recaem sobre a mística cidade, ela é considerada a capital mundial da moral, da bondade… e DA PAZ!!!. A rigor significa “Fundação das pazes”. Mas, pra nossa tristeza, ela “agrega” diferenças e divergências de insuplantáveis discórdias que abrange vertentes de caráter geopolítico, militar, étnico e filosófico, até tingir o ápice da intransponível natureza jurídica-religiosa. Neste caldeirão de suplícios, além de cristãos e hebreus, a Palestina atrai os árabes (Iraquianos, afegãos-talibãs, etc), todos enlaçados pelo gérmen perigoso do fundamentalismo religioso.

NÓ GÓRDIO DA TEOCRACIA

O grande nó górdio no oriente médio, na visão de especialistas e observadores internacionais, não foi a criação do Estado judeu, com a chancela da ONU, em 14 de maio de 1948. Não foi. O intransponível problema era designar com quem ficaria Jerusalém. Problema até hoje irremovível.

Mesmo com o categórico corpo jurídico da ONU, lastreando-se por grandes cientistas jurídicos de inúmeras matizes, buscando as luzes das normas do Direito Internacional Público – DIP, foi incapaz de dirimir as controvérsias históricas amalgamados no DNA desses povos (judeu e árabe-palestino), malgrado serem da mesma linhagem da descendência de SEM (daí a cognominação SEMita), irmão de Cam e Jafé, os três, filhos de Noé. (Gêneses). As três religiões monoteístas – Judaismo, Cristianismo e Mulçumanos, reivindicam para si a exclusiva (e única) soberania sobre Jerusalém.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 1

Se por um lado, o povo judeu, representado pelo estado de Israel, invoca seus direitos em obediência ao estatuto contido no mito abraâmico da terra prometida, transcritos nos versículos da Torá/Gênesis, o povo palestino, através da ANP –Autoridade Nacional da Palestina, se firmam e vindicam suas pretensões por fontes do Direito Corânico ou Islâmico. Dessa forma, Judeus, Cristãos e Muçulmanos se digladiam por Jerusalém, não apenas no âmbito militar e paramilitar, mas, também, no campo filosófico e dogmático teocrático. Neste impasse, declarada está a guerra santa pela terra santa. Ela se sobrepõe as teses filosóficas, doutrinárias e jurisprudenciais concebidas nas fontes do Direito Internacional Público, corroendo resoluções originárias, tanto da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e do seu Conselho de segurança, quanto da Corte Internacional de Justiça. Exemplificamos que Irã, Vaticano e Israel, são membros da ONU onde, hipoteticamente, deveriam obedecer a prevalência do DIP, que rege a própria organização.

O XADREZ JURÍDICO TEOCRÁTICO 2

Palmilhou o Direito Internacional Público (DIP), por ser laico, em mediar uma solução ao conflito entre partes antagônicas – duas correntes jurídicas – O Direito Talmúdico e o Direito Corânico – que se auto-excluem, vez que, se estribam na fé enquanto o DIP se fundamenta na razão. Ou seja, cada religião se agasalha em sua própria “verdade” jurídico teológica.

Nem com a participação das mais clássicas e eruditas escolas jurídicas ocidentais, alicerçadas por mais de 200 anos da Revolução Francesa, que culminou com a separação da igreja e estado, e o sistema jurídico de ambos, levou a cabo o intento de apaziguar a questão de Jerusalém. Observe-se que o próprio Vaticano é um exemplo de país ocidental, regido por um sistema jurídico puramente teocrático.

VENERAÇÃO, OCUPAÇÕES, TOMADAS E RETOMADAS

Existem inúmeras vertentes quanto as origens da cidade. Uma delas, diz que a adoração prestada à cidade, origina-se bem antes de 1000 aC, com o rei Salém e, posteriormente Davi que, ao conquistá-la, designou-a capital do reino de Judá e Israel. Nabucodonosor dela se apossou em meados de 587 aC, incendiando o 1º Templo de Salomão (suas ruínas são disputadas até hoje por judeus e muçulmanos), um segundo foi concluído em 515 aC; Em 350 aC, fora saqueada pelos persas; destruída por Ptlomeu I Soter, em 320 aC; em 168 fora novamente destruida por Antioco IV Epifanes; A cidade de David foi ocupada por Pompeu em 63 aC. Já em 70 dC, Foi conquistada por Tito; em 134 dC, Adriano ao reconduzir o poder de Roma, procurou mudar o nome de Jerusalém para Élia Capitolina.

ESCOLAS

• DIREITO TALMÚDICO – Israel se estriba no Direito Talmúdico – Este suplanta, inclusive, o direito bíblico, vez que “se a Torá (Pentateuco – o livro da lei escrito) é o corpo, o Talmud é sua alma”. É como se a Torá recebesse o aval e fosse juridicamente interpretado pelo Talmud. Este, fornece elementos, ideais, emoções e valores por ser considerado de concepção divina.

“Se eu esquecer de ti Yerushaláyim, que minha mão direita perca sua destreza. E que minha língua fique grudada a meu palato. Se eu não me lembrar de ti. Se não elevar Yerushaláyim acima de minha maior alegria”.

Yerushaláyim é para nós judeus como a luz, a água e o ar. O centro para o qual nos voltamos três vezes ao dia, dirigindo nossas preces a D’us;

PRESUPOSTOS JUDAICOS: Deus prometeu a terra a Abraão; colonizaram e desenvolveram a terra; a comunidade internacional concedeu soberania aos judeus na Palestina; O território foi retomado em guerras e defensivas.

• FONTES DO DIREITO ISLÂMICO – Sua principal e fundamental é o Alcorão ou Corão(recitação), livro de origem divina revelado ao profeta Maomé, em VII dC. Em seguida vem a Sunna (tradição), enunciados por gestos, palavras e silêncio de Maomé; tem o Idjimas – gênero de acórdão proferidos por autoridades e jurisconsultos que interpreta e legitima situações não previstas no Corão ou Sunna. Também existe o Qiyas (raciocínio por analogia – resolve questões atípicas), composta por quatro escolas que asseguram o origem divina do Direito Muçulmano.

PRESUPOSTOS ISLÂMICOS – Desde as 09 (nove) guerras das cruzadas – perdas e reconquistas – pelo domínio de Jerusalém, além das 11 guerras desde, pouco antes, da fundação do estado de Israel.

TRATATIVAS JURÍDICAS

Fez-se o uso dos principais métodos de interpretação da hermenêutica jurídica clássica, quais sejam: métodos gramaticais, lógico(?), sistemático, histórico, sociológico, teleológico e axiológico. Formularam-se inúmeras teorias, parâmetros e estudos com cosmovisões epistemológicas, apresentaram reflexões etnoliguisticas, lançaram reverberações jurídicas teológicas, avocados por cada povo envolvido.

Tudo em vão. Todo e qualquer premissa esbarrara na auto blindagem estruturada e urdida sob o manto sagrado de apodíticas reservas de veneração e idolatria para com a Santa Cidade.

Entre estes povos antagônicos, Insuspeita a sobreposição e invocação da Hierocracia (poder exercido por eclesiásticos; espécie de organização social que se incrusta e perpetua através de um sistema de coerção psíquica que se utiliza das concepções religiosas do indivíduo).

LOCAIS SAGRADOS PARA AS TRÊS RELIGIÕES EM JERUSALÉM

Muro das Lamentações (vestígios do Templo judaico destruído)

Jerusalém Cúpula (ou Domo) da Rocha: para os muçulmanos, foi desse ponto que Maomé ascendeu aos céus

Basílica do Santo Sepulcro

A Basílica do Santo Sepulcro é um templo cristão localizado no Bairro Cristão da Cidade Antiga de Jerusalém onde, segundo a tradição (João 19:41-42), Jesus teria sido crucificado, sepultado e, ao terceiro dia, teria ressuscitado.

Até quando, Jerusalém?

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

UMA “LIVE” DA CAROCHINHA

Era uma vez, lá pras bandas do interior do sertão nordestino, vários bestafubanenses antenados mas, desavisados, acessaram a live das quintas-feiras e que, por algum motivo, tiveram que se ausentar da frente do computador. Em vários deles, juntaram alguns enxeridos (filhos, sobrinhos, parentes, aderentes e agregados) e se aproveitaram da situação bisbilhotando tanto a live, quanto todas as páginas do JBF.

Ficaram deslumbrados com o que viram. Um mundo fantástico!

Travaram entre si, diálogos ininteligíveis (para ouvidos poucos afeitos ao pernanbuquês/nordestinês) que mais parecia alienígena, literalmente. Assistiram e ficaram extasiados com a tal da “live”, e das páginas dos colunistas.

– Se aprochega aí, bando de cabra macho. Vamos ver essa tuia de véio maluco, falar.

Umbora! Tio só vive dizendo que esses caba são o “cão chupando manga”!

– Diz que teve um fi de uma égua que botou o nome da laive de Cabaré do Berto.

Oxente! Tá com a mulesta! E quem toma conta de cabaré, né mulé? Ou esse cafetão é frango?

Boto fé não, visse! Já vi até uma foto desse tal do Berto, vestido de pai de santo.

– O pior é que nesse ambiente a gente só vê duas nêga? Violante e a Renata… aquela que só falou do português, coitado.

– Será que é um cabaré rochedo, tipo assim, zona?

– Ôxente, abestado! Necas de pitibiriba. Vou te dar logo o bizu. Larga de ser abilolado. Tu num atentou não, que é um cabaré diferente… cheio de resenha e miolo de pote?

– É verdade. E eles bole com todo mundo. Bole com corno, frango, rapariga, portuga, boteco, motorista, professor, malandro, ninguém escapa.

– Vamo espiar? Tô até agoniado. Acho que vai ser massa! Pois até Jesus dá as cara nesse cabaré toda quinta-feira.

– Jesus?

– Mas é outro tipo de Jesus, tabaréu! É um Jesus cheio de gréia… de santidade ele num tem é nada. Tira muita onda, fala uma tuia de prezepada… umas histórias espichadas, cheias de leras. E quando dá na telha, faz tudo bem rimado, igual cantador.

– Esse Jesus é de onde?

– Diz ele que é lá das bandas do Acarí.

Vixemaria! Deve ser pra lá da baixa da égua, então.

– Isso é leseira. Na laive desse cabaré, tem gente de tudo que é canto.

– E aí, nós vai chamar de laive ou cabaré? Pois Berto, o gerente, que é um cabra de pêia, desembuchou, sem ficar encabulado, que esse tal nome, “laive”, é coisa de quem “peida na salchisa”!

Rapá… vai ver então que é por isso que ele botou pra torar, falando das gaia dos cornos.

– Pra mim, cabaré e laive, é quando um abilolado fica falando e uma tuia de abestalhado fica escutando e dando gaitada.

– Tu intende essa língua deles?

Marromeno. Num é muito diferente, não. Até o Nelson Feitosa, que desandou sobre as fala dos cearences, eu intendi.

– E a “laive” do tal do Adonis, tu visse? Amostrado todo. Disse que andou lá pras bandas das zoropa, leste oropeu, oriente… deve ficar lá nos cafundó do Judas. E que ainda andou xunbregando com as nega branquelas, de lá.

– Vi sim. Diz que ele é brabo que só uma capota choca.

– É mermo. Outro dia ele arengou com um tal de Altamir. Minino!!!… Foi xingamento pra todo lado. O Altamir pegou ar. Foi ameaça de sentar a mão no focinho de um, pra lá… plantá-le a mão no pé do tôitiço do outro, pra cá. O que se via de cabra safadoalma sebosavocê pegou em merda… Num foi brincadeira. Um tem a Língua Ferina e o outro é Segunda Sem Lei, Igual cobói lá do sertão dos zamericano. Teve até desafio de duelo por tabefe, peixeira, badoquenenhum arribou, não…são dois nó cego da gota serena.

– Mudando de assunto, tu viu aquele cabra, Fernando Gonçalves, mangando das fala da gente?

– Tava mangando não, cumpade! Tava explicando.

-E precisa?

– Pra esse bando de zé ruela, que são meio aruá, precisa sim.

– E quem tu achou o mais amostrado, dali?

– Eu tive matutando… uns acha que é o tal do Goiano, outros, um tal de Roque Nunes.

– O Goiano é todo metido a sebo. Conta que já morou um tempão nas zoropa, só quer saber de viver socado num salão de beleza de macho, usando arco, tarco e verva.

E o tal do Roque, alem de tá sempre com preguiça, gosta de arriar a lenha nos tanga no aro e ainda se acha o Elvis Presley. O caba tem Roque até no nome, espia!

– E aquele outro cabra… de Leão, De Léon, sei lá. Todo esquisito. Ninguém nunca viu o fucinho do cabra. Usa sempre máscara e fantasia. Diz que é porque ele andou metendo o pau nos baitolas do lugar onde ele mora.

– É, mas o zunzunzum que corre, é que ele é o tampa de crush, por lá. O saberete.

– Tu acha ele mais esquisito do que aquele guenzo, o Sancho?

– Sancho? Aquele cheio de munganga? que parece um sibito baleado, meio tantam e já se fantasiou até de esmolé?

– Ele mermo. Mas, (olha o mas ai, gente!) diz que o cabra é bom! O miziguento escreve em brasilêro, americano, ingrês, oropêu, tudo que é fala istrangêra.

– Até chinês?

– Chinês, não. Parece que quem intende tudo de chinês é aquele… meio tamburete… o tal de Rômulo.

– Não sei se é defeito do computador. Ora ele parece pixototinho… vai ver ele é cumprido que nem um vara-pau… sei lá!..

– Diz que o Sancho escreve tanto, que deixa nós mais perdido que marinheiro na Bolívia. É pra fuder o tabaco de chôla. Na coluna dele é conversa até umas horas… conversa ali, é mato.

– É verdade. Tem coisas nessa laive que a gente fica mais por fora do que pensamento de preso.

– E o Assuero? O caba tem um nome desse e ainda é cheio de pantim. Ele que inventou essa tal de laive, ou cabaré. Ele quer que nós pare, olhe e escuta a laive, toda quinta..

– E os fuleiros? Tem um Marcos André. Cara de cabuloso… gordo que só um porco baé, só sabe ficar amolegando o bucho e se abrindo durante as laive.

– Ouvi um fuxico de que, quem fica avexado pra abrir o cabaré é um tal de Maurino, que faz pareia com Neto Feitosa, num param de dar gaitadas!

– Diferente de tudinho, eu só achei aquele dotô juiz adevogado, Marcos Mairton. O home só falou de coisa chique: cantoria, escrita e os direito.

– O cochicho é que o Altamir e o Adonis, ficaram foi torando um aço da porra que o buruçu entre eles fosse parar na mão desse dotô juiz adevogado, e ele desse o maior carão, neles..

– Num é pra menos, compadre! diz que os dotô juiz adevogado, tem uma tal de vara… minino!!! … quero nem ver… deixa qualquer um borocoxô. Falou em vara, tudo se aquietou. E graças ao padin pade Ciço e um monte de corta jaca, ficaram sossegados, quieteinhos… parado… que nem gelo baiano.

– Home…pelas gaitadas que esse bando de tabaco leso dá durante a laive, parece até que, antes, eles enche é o cu de cana!

Armaria… sei não visse! Só sei que aquela Violante é uma mulé bonita da cebola!

– A Renata é uma arretada, também.

Pelejo pra um dia assistir as laive delas! Será que esses machos vão deixar? Vamos esperar, né?.

– Também falta o Aristeu e muitos outros tabacudos tirarem o cabaço nessa laive.

– Essa laive é um desmantelo dos cachorro da mulesta, é igual a feira, tem de tudo.

– Vou lá… tô chegando.

– Já vai, compadre?

– Vou sim… quinta-feira eu num vô perder.