MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

LIÇÕES DE VIDA

Escritor, pensador, filósofo, Mestre Maçom, humorista e Padre, Monsenhor Aloisio Guerra é uma dessas criaturas que passa por nossas vidas e que nos deixa um magnifico legado de amor e honestidade (dizia ser o maior patrimônio que se poderia deixar), para o resto da vida.

Egresso do Catolicismo Romano, onde sempre discordou dos posicionamentos dogmáticos daquela Igreja. Fato que desagradava seus pares e superiores.

Se sentindo deslocado, decidiu solicitar sua desvinculação do sacerdócio. Para isso, teve que passar por um longo e penoso processo. Primeiro, tem que protocolar o pedido junto ao Tribunal Diocesano, em Roma. Após um longo período de análise, vem a ordem em que o requerente é obrigado, pelo Vaticano, a assinar cartula de desligamento. Só então é concretizada com o certificado de dispensa emitido por ordem papal.

Com o “salvo conduto” em mãos, modou-se de Porto Alegre/RS, para o Recife.

Livre das amarras romanas e, encantando com a liturgia do cristianismo primitivo, migrou para Igreja Ortodoxa Antioquina, onde foi recebido de braços abertos. Nesta, o celibato é dispensado. Casou e teve filhos.

Aqui instalado como chefe da igreja ortodoxa local, comandou um programa diário de rádio denominado ‘REFLEXÃO’, na RÁDIO CAPIBARIBE, AM 1240, todos os SÁBADOS, 06:15h e todas as QUINTAS, 15:20h. Interagindo com os ouvintes, sempre recebia elogios pelas suas pregações diárias. Emocionou-se, ao vivo, quando após uma reflexão para um grupo de psicólogos, um deles disse que gostava do que ele dizia, porque pregava um cristianismo “pé no chão e cabeça ano céu”, quer dizer, um cristianismo que se pode vivenciar.

Dizia ele em suas pregações: “Não posso imaginar um Evangelho somente como um Livro apenas para se ler e muito menos para se guardar, mesmo com o maior respeito ou devoção… O Evangelho assim será ‘letra morta’, porque ele só terá vida se encarnado em cada um de nós”.

“ Madre Tereza de Calcutá dizia que muitas pessoas só leem o Evangelho nas pessoas. E cada um de nós deve se perguntar: Que Evangelho os outros leem em mim? Notem como é grande a nossa responsabilidade”. “Encarnar o Evangelho é encarnar a felicidade. Deus nos quer pessoas felizes, como Pai perfeito que é”.

“E Jesus Cristo “veio para que tivéssemos vida e vida em abundância”. Ora, ‘vida em abundância’, é uma boa qualidade de vida, é uma vida feliz”.

“Não gosto de ‘canonizações’, especialmente porque muito discriminatórias. Quase só se tem notícia de Freiras, Padres e Bispos. Conheci e conheço tantos homens e senhoras tão santos e que jamais serão canonizados, especialmente se de outras religiões”. Se referindo a Chico Xavier.
Foto do Monsenhor Aloisio Guerra

“ Observem, antes de ser canonizada (após exame) a pessoa é declarada, BEATA. Vulgarmente, quando alguém diz, “você é um beato”, esta zombando, menosprezando; entanto, ‘beatus’ em latim significa ‘FELIZ’”.

“Sabemos que teve santo ou santa com uma vida conturbada, perseguida, torturada e até queimada viva e que não deixaram de ser felizes, porque a felicidade verdadeira independe de posição social, econômica, racial, etc.”

“ A felicidade é um sagrado DEVER, sim! Porém, mesmo felizes temos DIREITO às nossas tristezas, dores, sofrimentos, tribulações diversas. Nada disso impede nossa felicidade, porque a felicidade está dentro de nós (Lc 17,21)”

“Amados e amadas ouvintes, já me aconteceu e certamente com vocês também, de ir consolar algum doente e ele ter nos consolado muito mais”.

“A felicidade é uma consequência inevitável. Viver feliz é viver o Deus que está em nós”.

E sempre terminava sua pregação dizendo uma frase que ouviu ou leu em algum lugar: “Você não consegue escolher como você vai morrer ou quando. Você consegue apenas decidir como você vai viver. Agora”.

Monsenhor Aloisio Guerra, além de um enorme coração e excelente pregador, era um estupendo contador de piadas. Estava sempre rodeado de amigos e parentes para contar uma boa piada. Até mesmo na solenidade da sua Investidura como Monsenhor (Arquimandrita), em 2015, em sua preleção, contou humoristicamente uma mensagem em que todos os convidados, riram.

Em certa ocasião, fomos a vara do crime do fórum de Camaragibe. Ele, intimado como testemunha de um ex empregado seu, que fora acusado de tentativa de homicídio. Terminada a oitiva, já na secretaria da vara, trajando impecável batina com gola clerical, atendeu o celular onde a escrevente da vara escutou o seguinte diálogo: “Sim, meu filho… e como está minha netinha?… sua mãe está ai? diga a ela que não almoçarei em casa. Almoçarei por aqui com o Dr. Marcos André…” A cara de espanto da escriturária foi indisfarçável. – Eu, heim!, padre de religião e de igreja em que tem mulher e filhos… Ele respondeu na bucha: ao menos, minha filha, lá é difícil encontrar tarado, pedófilo ou viado.

Hoje, viúvo, com 90 nos, se recupera em casa da COVID -19. Ficou entubado no hospital uns 25 dias. Pede que eu leve algumas piadas novas, pois, está cansado das velhas. Piscando o olho e rindo de uma cuidadora idosa, que o acompanha. Ela também sorriu. Disse nunca ter rido tanto em seu trabalho. Ele é um iluminado.

Com muito humor, conta a familiares e amigos que recusou o “convite da COVID”, e a carona de caronte. Subornei o mítico barqueiro. Ele me cobrou uma moeda por um passeio de barco, eu ofereci duas pra ficar. Aleguei sentir enjoos. “Se caronte aceitasse cheque, eu ia ser eterno”

Diz está pronto para comemorar em 2020, 56 anos que reside no Recife, 61 anos de Ordenação Sacerdotal. 30 anos na Igreja Católica Ortodoxa de Antioquia da Paróquia São Pedro Apóstolo de Recife.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

CARANGUEJO IDEOLÓGICO

Sempre procuro escrever assuntos diversificados, curiosidades e amenidades humorísticas em minha modesta coluna aqui no JBF. De temas políticos, tenho tangenciado o quanto posso, até porque é “pau que rola” em amplo espaço aqui na sagrada gazeta (dita escrota). Por isso, não pretendo dar palpite em seara alheia, dominada por doutos escribas.

Mesmo assim, não pude me furtar de tecer algumas observações sobre um assunto tão presente em nosso cotidiano. Afinal, me vi compelido ao que afiançou Aristóteles, quando preceituou ser o homem, um animal político.

Pode ser que eu esteja enganado, mas, do que pude observar no trilhar da política nacional, existe um boicote arquitetado para obstruir, digamos, o sucesso do opositor, procurando dessa forma, desgastar o adversário para desacreditá-lo perante a população. Mesmo se essas ações forem para beneficiar a grande massa dos que habitam pindorama.

MENTALIDADE DE CARANGUEJO

Indubitável que o mundo politico anda completamente contaminado pela “mentalidade de caranguejo”. O termo é corrente no universo corporativo para designar pessoas que se dispõem em puxar para baixo, aquele que busca sair do abismo, balde ou buraco em que está metido. No viés desta metáfora, terceiros impedem que aquele consiga sair daquela situação. Do buraco. “se eu não consigo, não permitirei que logre êxito também”.

A alegoria pode até parecer exagerada, mas os números(os danados dos números) não nos deixam mentir. Já dizia o gênio Albert Einstein que “a Matemática não mente. Mente quem faz mau uso dela”. E, como uma raça de News Mazombos ou apátridas, procuram turvar os números escancarados, como uma forma de justificar seus “anseios”, por meio de uma ciência (política) que nada tem de exata, como a matemática o é.

Ao remoer suas frustrações eleitorais, inaceitáveis, fazem com que a parte vencida não consiga digerir em ser dirigido (que trocadilho, em?) pela parte antagônica vencedora. Para essas mentalidades, Inútil que se conclame Thomas Hobbes, Johannes Althusius ou Maquiavel. Seus tratados e teses tomam o caminho do lixo. Advindo daí, a referida síndrome, em que o problema não está necessariamente no sucesso do outro, e sim na sensação de inferioridade sentida com o êxito alheio. Há de se insurgir, então.

A MATEMÁTICA POLÍTICA

Alhures invoquei a matemática que, em seu bojo, arrasta consigo à tiracolo, a estatística. Demonstrando matematicamente que, congressistas, judiciário (STF especialmente) e mídia em geral, pactuados, promovem “diuturna e noturnamente” (vixemaria!!!), como num grande mutirão, uma avalanche de atividades contra toda e qualquer espécie de iniciativa do governo. Obstruir a governabilidade é uma espécie de tática “terrorista parlamentar” impactante. Zé Dirceu sempre foi mestre em obstruir pautas no congresso. Com a cumplicidade do aparelhado STF, então, ficou tudo mais fácil ainda.

Vejam os dados (estatísticos) comparativos, em ralação a governos anteriores:

MEDIDAS PROVISÓRIAS EDITADAS PELO PRESIDENTE – Precisam ser, em até 120 dias, aprovadas na Câmara e Senado. Do contrario caducam.

Lula I (2003) – 58
Lula II (2007) – 70
Dilma I (2011) – 36
Dilma II (2015) – 43
Bolsonaro (2019) – 48

APROVAÇÃO DESSAS MEDIDAS PROVISÓRIAS – Porcentagem de aprovação de MPs

Lula I – 65%
Lula II – 70%
Dilma I – 39%
Dilma II – 39%
Bolsonaro – 23%* *até o dia 24 de dezembro de 2019

DERRUBADA DE VETOS – O congresso aprovando uma lei, o presidente pode vetar certas partes dela, ou tudo. Mas o Congresso tem a palavra final e pode derrubar esses vetos.

Porcentagem de vetos presidenciais derrubados pelo Congresso

FHC – 1,6%
Lula – 0%
Dilma – 0%
Temer – 6,5%
Bolsonaro – 29% * 2019

NÚMERO DE ADIS – AÇÕES DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE – sofridas pelo Executivo

ADIS – é quando se pede ao STF dizer se aquela lei ou ato normativo fere a Constituição.

Lula – 5
Dilma – 2
Temer – 14
Bolsonaro – 58 *2019 (Dúvidas??????)

Fonte: ESTADÃO

FREUD EXPLICA?

Por mais incrível que pareça, para a psicologia, tal comportamento (de caranguejo) não é deliberadamente consciente e nem pré-determinado. (???) “vou ali azucrinar e atrapalhar fulano”. Segunda a psicologia, não é assim que ocorre. O mecanismo é inconsciente, acontece de forma natural e vem disfarçado de críticas, desdém, desencorajamento, psicologia do medo, desmerecimento, sarcasmo, comentários opressores.” Ora! Se a psicologia vier a frequentar esta ardilosa escola da faculdade política, não só será reprovada, como será ferida de morte. No universo politico, este comportamento é inteiramente consciente, planejado, delineado e estruturado.

Pois, a sutileza por lá, não faz morada. É intencional mesmo. Tem plena consciência de que matar um elefante é fácil, difícil é ocultar seu cadáver.

O OVO DA SERPENTE E O CARANGUEJO UNIVERSAL

Embora ocorra em todo mundo, a indigitada síndrome está bem aqui perto. Projete enveredar qualquer empreendimento. Um negócio, fazer um curso, estudar um novo idioma, mudar de emprego, seguir uma dieta, fazer exercícios físicos. Logo, logo começam a aparecer os arautos do fracasso, procurando dissuadir você com argumentos desanimadores.

Assim é no mundo político. Em Cuba, o general Raul Castro disse que não será permitido que eventuais atividades econômicas “não-estatais” levem a uma “concentração de riqueza”. Ou seja: zero sutileza e com a carcaça do paquiderme ali, bem à mostra.

Na China, temos o exemplo de um dos lemas de Mao Tsé- Tunga: “Devemos apoiar tudo que o inimigo combate, e combater tudo o que o inimigo apóia”. Tal assertiva nos remete a um lugar bastante conhecido, o qual não me atrevo a apostar com o caro leitor qual seja. Qualquer semelhança… . Em rota de colisão com seu conterrâneo, Deng Xiaoping sofreu, mas conseguiu mudar essa mentalidade em seu pais ao emplacar reformas econômicas que fizeram a China dar um salto extraordinário na qualidade de vida do seu povo. Lema por ele adotado: “enriquecer é glorioso”. Hoje é a 2ª maior economia do planeta. Maior ainda é a multiplicação de ex-maoistas por este mundo afora.

Por aqui, sem desatrelar do tema, ainda ecoa o embate da metáfora do ‘homem-caranguejo’ de Josué de Castro, se referindo a uma insólita espécie de homem que habitava os mangues. E mais recentemente, desembocando para a letra da música Antene-se, composição de Chico Science, onde alegoricamente ele diz que o homem do mangue “É só uma cabeça equilibrada em cima do corpo” Sou Mangueboy!

Mas aí, são outros quinhentos!

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O ÁGAPE ESPIRITUAL

Nunca antes na história da humanidade, ocorreu tão inusitado enfrentamento a uma ameaça de contaminação e morte como a de agora com a pandemia causada pelo COVID-19.

Neste exato momento em que transcrevo essas linhas, a supradita, já se alastra por mais de 193 países, com mais de 3 milhões de casos e mais de 210 mil mortes.

O pânico devidamente instalado, trouxe mais dúvidas do que certezas aos governos, médicos e cientistas de todo planeta, quanto a melhor metodologia a ser usada para prevenção, combate e proteção contra o vírus assassino.

O método de prevenção mais radical e aceito pela maioria das nações, sob as recomendações da OMS, é o isolamento social (quarentena). Para alguns, tal medida não se ampara em nenhum critério cientificamente comprovado. Nosso país, assim como outros, aderiu a este isolamento, como forma de frear a propagação do vírus.

Com o caos instalado, começou a surgir um grande dilema social de nível planetário: Como saber interagir as pessoas, confinadas em suas casas por um longo, muito longo período?

Ante tão insólita situação, não faltaram palpites e dicas de “experts” sobre o tema. Uns sugerindo um leque de opções inseridas nas redes sociais, outros recomendaram as programações de TV, e por aí vai.

É consabido que pela internet, vamos encontrar um imenso leque de opções, vez que, sem sair de casa, poderá visitar museus, ver lugares e animais deslumbrantes do mundo, aprender cursos on-line de línguas, jogos, exercícios, gastronomia, e mais uma centena de atividades como forma de lidar com o enclausuramento imposto.

Ocorre que, esses “experts”, não levaram em conta que algo em torno de 40% da nossa população (Brasil), não possui acesso à internet. Teatro perfeito para aflorar dramas e traumas familiares, que vieram à tona com bastante intensidade, face ao indigesto confinamento compulsório.

Nesse impasse e dilema de país pobre, eis que…”De repente, não mais que de repente” surge uma entidade mágica e unanime, capaz de sanear e nivelar por igual, qualquer diferença social, econômica ou política, no que se refere a interagir, “viajar”, sonhar, crescer, se resguardar e conhecer … Sua majestade, O LIVRO. Este, um verdadeiro ágape espiritual. Trago algumas considerações e explicou o porquê:

A leitura em si, e, o livro, em particular, sem sombra de dúvidas, servirá como meio de transporte, onde o leitor será levado a um mundo ainda inexplorado. Atemporal, verá sua viagem se fundir em passado, presente e futuro. Imprimirá a cada viagem a velocidade do seu pensamento, saboreará iguarias culturais nunca antes degustadas, beberá em cristalinas fontes do saber, se abastecerá de plena inspiração, caminhará antecipadamente em terrenos onde seus pés nunca pisaram.

EMBASAMENTOS ACADÊMICOS

Ao manter o hábito diário da leitura, incontestável é o enriquecimento do vocabulário do leitor. O Hospital Rhode Island, principal hospital de ensino da Faculdade de Medicina Warren Alpert da Brown University, concluiu, após exaustivos estudos, que os pais que liam histórias para suas crianças de 8 anos, estas, desenvolveram em 40% a mais, seu potencial de acumulo vernacular.

Ainda como efeito colateral positivo, a leitura acrescenta, substancialmente, não só boa dosagem de conhecimento e cultura, como também, torna a pessoa mais participativa na sociedade e, consequentemente, menos preconceituosa. Isto consta num estudo do National Endowment for the Arts – NEA (é uma agência independente do governo federal dos Estados Unidos que oferece apoio e financiamento para projetos que exibem excelência artística), demonstrando que a leitura estimula uma receptividade maior de outras sociedades culturais. Ou seja, por costumes e hábitos antagônicos aos seus.

Não será surpresa para o leitor, quando se aperceber que a leitura reduzirá seu estresse, provocará relax e o ajudará a dormir melhor. Já que é patente que a tela da TV ou do monitor, ao emitirem sinais eletrônicos, deixará sua mente “antenada”, em estado de atenção permanente.

Quem tem o costume de ler umas páginas antes de dormir, sabe bem o que falo.

Tal fato, é endossado por estudos a cargo da Universidade de Sussex, no Reino Unido, atestando que uma boa dose de leitura diária de, pelo menos, 6 a 8 minutos, é tão ou mais eficaz que praticar uma caminhada ou ouvir música.

Outra façanha do salutar hábito, é induzir o leitor a valorizar sua autoestima. Em livros de autoajuda, por exemplo, além de importante aliado no combate à depressão, quanto se mergulha e se identifica com o conto e os personagens, maiores são as chances de tomar decisões e encarar circunstancias e situações adversas. Concluiu um relevante estudo produzido pela Universidade do Estado de Ohio. Note que muito se tem criticado a “indústria de livros de autoajuda”. Porém, dados científicos ajudam a desmistificar este mito. Constata-se que pessoas depressivas, seja em que grau se encontre, melhoram substancialmente após leituras, por um certo período, desse tipo de literatura.

Em estudos conduzidos pela Universidade Emory (Atlanta, Georgia) concluíram que a escrita de um bom romance, ativa a progressão e o desenvolvimento, por vários dias, o desempenho das atividades cerebrais, visto que, a sua interpretação, age tal qual um exercício estimulante para o cérebro. Os notórios benefícios orgânicos, estão relacionados a leitura de Romances. Nesse norte, não é nenhum segredo de que a leitura funciona como uma vacina que previne contra a demência e o Alzheimer. Mesmo que adormecidos, a leitura faz despertar e surgir novos ambientes de memória no cérebro.

Inegável então que, quando você trabalha o cérebro, ele reage e cultiva novas sinapses (região localizada entre neurônios onde levam informações aos neurotransmissores) aprimorando dessa forma, o armazenamento e, otimizando o espaço onde mais dados podem ser acumulados.

De certo que, quanto mais se ler, melhor se escreve, desenvolve-se estilos, seguindo os mesmos padrões em que músicos são influenciados pelas melodias as quais são afins.

SOCIABILIZAÇÃO

Como aqui expostos, vários estudos acadêmicos demonstram que o hábito da leitura, transfigura a pessoa num ser humano bem mais sensível, mais colaborativo e integrado socialmente às adversidades que os cercam e afligem.

Visto que, ainda que caros em livrarias chiques, muitos livros são acessíveis as todas as classes econômicas, podendo-se lançar mão de bibliotecas, onde o custo é zero, ou ainda, adquirir em sebos, livros de segunda mão a módicos preços. Pode o leitor também auferir obras online, onde se pode baixar dezenas de excelentes títulos de e-books gratuitos, para seu completo deleite.

Dificilmente se encontrará uma pessoa que cultive o hábito da leitura que não seja uma pessoa bacana, agradável e interessante.

Tome nota: Quando você encontrar uma pessoa, chata, ranzinza ou vazia, que só conversa enfadonhas bobagens, certamente ela tem aversão a leitura, pagando um alto preço por não cultuar este sublime e terapêutico costume.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

QUARENTENA E ISOLAMENTO SOCIAL

Supõe-se que o nome quarentena começou a ser utilizada no ano de 1127, em Veneza, por conta de casos de hanseníase e, séculos depois, face a devastadora peste negra/ bubônica, que dizimou aproximadamente 200 milhões de pessoas na Eurásia.

A Quarentena, em sí, é um período de isolamento e restrição de movimentação de pessoas que foram ou podem potencialmente ficarem expostas a uma doença contagiosa. O objetivo é, nesse período, observar se eles apresentam alguns sintomas, para então se procurar reduzir o risco de infectar outras pessoas.

Numa definição mais generalizada, é a reclusão de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação de determinada enfermidade, contado a partir da data do último contato com um caso clínico ou portador, ou da data em que esse indivíduo sadio abandonou o local em que se encontrava a fonte de infecção.

Já, pelos termos da Portaria nº 356/3020 do Ministério da Saúde, a Quarentena tem como objetivo garantir a manutenção dos serviços de saúde em local certo ou determinado.

ISOLAMENTO

Nessa mesma Portaria, o isolamento se faz necessário para separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, de maneira a evitar a propagação da infecção e transmissão. Aconselhando o isolamento em ambiente domiciliar, podendo ser feito em hospitais públicos ou privados. E este isolamento tem um prazo de 14 dias – tempo em que o vírus leva para se manifestar no corpo – podendo ser estendido, dependendo do resultado dos exames laboratoriais.

A medida é um ato administrativo, estabelecido pelas secretarias de Saúde dos estados e municípios ou do ministro da Saúde e quem determina o tempo são essas autoridades. “A medida é adotada pelo prazo de até 40 dias, podendo se estender pelo tempo necessário”, diz o documento.

DIVAGAÇÕES DA QUARENTENA

Inexoravelmente, as redes sociais foram alçadas a patamares supremos da salvação, minimizando e quebrando as enzimas do indigerível e imperioso isolamento.

Amigos e “amigos” que, antes do isolamento/quarentena ofertado pela pandemia, não começavam nenhum tema ou bate-papo sem uma queixa ou crítica ácida a vida agitada e desgastante em que levam.

Fantasiavam almejando “passar umas férias em casa” por menor período que fosse. Uma semana, uma quinzena ou um mês. Botar em dias e colocar em prática suas eternas prioridades que, por “falta” de tempo, nunca pode fazer. Meditação, relaxar, dormir… sem ter hora; ter mais contato com esposa, filhos e netos; tornar a ler ou reler livros cujos textos, foram interrompidos por anos à fio… Pois, não dispunha de tempo!

Chegara o grande momento de rever filmes e seriados imperdíveis que a falta de tempo lhes roubou. E logo agora, com a comodidade de ter como aliada as provedoras globais de filmes e seriados, ex: Netflix, era chegada a hora da desforra e do deleite.

Mas, como disse o poetinha, “De repente, não mais que de repente”, em plena quarentena, eis que, com mais força, os referidos amigos estão em voltas com lamúrias e queixas das mais diversas. Insônias, intermináveis barulhos das crianças, blá-blá-blá da esposa, etc.. Dos 15 livros separados e almejados, lera apenas algumas linhas soltas de uns três. Sequer cumpriu a promessa de ler mais 30 páginas de Os Irmãos Karamazov – de Fiodor Dostoievski. Percebeu que os filmes e seriados ofertados são repetitivos, intragáveis e bobos. E para aumentar seu desespero, sentiu que se passaram apenas pouco mais de 12 dias, e o isolamento/quarentena, não tem prazo determinado.

E agora? Como proceder e encarar esta novíssima realidade, se as suas preces pelo regalo do oásis doméstico foram atendidas com toda sua plenitude.
Lembrou do “Pedis e obtereis!!!” Esse é seu dilema.

Resignados encontraram alento, mesmo que metafórico, alegórico… que lhe trouxe novo ânimo. Naquelas poucas linhas de cada livro ou enciclopédia que preguiçosamente leu, encontrou sentidos místicos e bíblicos do significado da quarentena.

• Leu que a Arca de Noé media 40 metros de altura.
• Foram 40 dias de chuva no Dilúvio
• Aos 40 anos Moisés feriu um homem egípcio e teve de fugir.
• 40 anos mais tarde foi conduzido a ir libertar seus povo da escravidão egípcia.
• Recolheu-se no monte por 40 dias e 40 noites.
• Peregrinou com o povo israelita pelo deserto por 40 anos.
• Elias, o profeta, esteve por 40 dias na montanha.
• Jejum de 40 dias antes de Jesus iniciar seu ministério
• Segundo a crença, 40 gerações entre Abraão e Jesus Cristo
• 40 dias entre a ressurreição e a ascensão de Jesus
• Jesus, antes de iniciar seu ministério, jejuou por 40 dias e 40 noites.
• Após sua ressurreição, ele ficou 40 dias com seus discípulos.
• Os espiões terem estado em Canaã por 40 dias.
• Terem sido dados 40 dias a cidade de Nínive para se arrepender, quando Deus mandou o israelita Jonas pregar em Nínive.
• O Isaque só ter se casado com a Rebeca aos 40 anos…
• Ao dar à luz, a mãe ficava impura por 40 dias.
• Eratóstenes ter calculado, há quase 3 mil anos, com um simples pedaço de pau, que o diâmetro do Planeta Terra seria de 40 mil km.

Reflexivo com tanto significado, matutou sobre a máxima popular do por que a vida só começar aos 40. Ponderando que aquela idade, está diretamente relacionada ao chamado divino que Moisés, Maomé e o próprio Buda receberam com a idade de 40 anos. E, segundo relato histórico islâmico, foi aos 40 anos que Maomé, também, recebeu seu convite divino durante seu retiro espiritual. Ainda no Islã, um memorial é realizado 40 dias após a morte de uma pessoa.

Verificou-se que, em algumas tribos americanas, pratica-se o ritual de enterrarem seus mortos novamente, após 40 dias do primeiro sepultamento.

Presumiu que, após esse insulamento compulsório físico e espiritual, suas preces serão menos pretenciosas e mais simples. Se direcionarão aos mais necessitados da alma.

Prenhe de estoicismo, nem se apercebera que havia rezado 40 vezes.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

URUCUBACA

Se você não acredita na sorte, azar o seu.

“Acredito em sorte. Do contrário, como explicar o sucesso de pessoas das quais não gostamos?” Jean Cocteau

A palavra é relativamente nova. Advém de coisa trágica associado a um sinal de desgraça e, supersticiosamente, ligada ao urubu. Tragédia em tupi é URU, ave e WU, negro. E y-re-bur, fedorento…

Seu uso consolidou-se em 1918, durante a violenta gripe espanhola. Na época, pronunciava-se urubucaca, mas firmou-se como urucubaca.

Analogia para lá de infeliz e anacrônica, uma vez que os urubus possuem um papel fundamental na manutenção de ecossistemas saudáveis. Por causa de sua dieta necrófaga (de comer animais mortos), são verdadeiros “faxineiros alados”, mantendo os ecossistemas limpos, sendo responsáveis pela remoção de carcaças. Com isso, eles ainda evitam a propagação de doenças e bactérias que poderiam adoecer ou matar outros animais, inclusive o ser humano.

Mas, infelizmente, no entender dos ignaros, o urubu, além de “repulsivo” é considerado uma ave de mau agouro que pressente a morte.

O relato que trago, sobre dramas de sorte ou não, poderiam ser amenizados se, porventura, soubessem ou conhecessem a amiga conterrânea e mentora do Editor, D. Gina, catimbozeira de primeira linha, dirigente do mais competente terreiro de Palmares. Vejamos então:

O RAIO NÃO CAI DUAS VEZES NO MESMO LUGAR?

Coincidência, azar, falta de sorte ou muita sorte? Conclua você mesmo.

1 – Sr. Tsutomu Yamaguchi. Japonês que experimentou a explosão de duas bombas atômicas lançadas pelos EUA no Japão. Morador de Nagasaki, se deslocou a trabalho para Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, quando caiu a primeira bomba atômica. Sofreu terríveis queimaduras e danos físicos. Um pouco melhor, três dias depois preferiu retornar para junto da família em Nagasaki para poder se tratar melhor. Ao chegar à cidade, em 9 de agosto de 1945, testemunhou a segunda explosão atômica.

2 – A comissária de bordo em navios famosos, Violet Jessop, é um caso a se pensar: Ela embarcou no RMS OLYMPIC , que colidiu com o HMS Hawke, em 1911, por conta de um forte nevoeiro na costa francesa. Conseguiu novo emprego 1 ano depois no RMS Titanic (aquele, do filme). Sobrevivente de sorte e obstinada, Madame Violet, outra vez foi trabalhar no navio HMHS Britannic, que naufragou no mar Egeu, em 1916, quando colidiu com minas naquela localidade. O maior transatlântico da Inglaterra (muito superior e melhorado do que o Titanic) afundou em apenas 55 minutos, com somente 351 dias de vida. Violet conseguiu escapar em um dos botes e sobreviveu ao desastre também.

Como se não bastasse, depois de passar por três tragédias marítimas, Violet Jessop continuou a trabalhar como comissária de bordo até quando pôde. Ela faleceu em 1971.

3 – Melanie Martinez perdeu 5 casas. Os furacões Betsy (1965), o Juan (1985), o George (1998) e o Katrina (2005), no estado da Louisiana. Por último, após intensa campanha na mídia, ela foi agraciada com outra casa. Mas um outro furacão chamado Isaac, acabou abruptamente com o seu novo imóvel.

4 – Socorrido por três vezes, o americano Erik Norrie foi vítima de três assustadores infortúnios selvagens: A tacado por um tubarão, atingido por um raio e mordido por uma cascavel!

FALTA DE SORTE – OU VISÃO? – THE BEATLES

5 – Mike Smith, estava no comado da gravadora DECCA em 1960 quando, mesmo gostando do som dos Beatles, dispensou por não concordar com gastos de deslocamentos e hospedagem do quarteto, de Liverpool a Londres.

6 – Pete Best foi o baterista dos Beatles no começo, quando a banda ainda tinha o nome de The Quarrymen. Tocava melhor que Ringo Starr e era, dizem, até mais bonito. Por ser equidistante, não compor e por sua recusa em aderir ao penteado da Banda, Paul McCartney telefonou para o baterista e o “demitiu”.

Vendo o estrondoso sucesso dos Beatles, Pete Best até tentou se suicidar. Hoje faz pequenos shows cantando sucessos dos Beatles, mesmo sem ter efetivamente feito parte deles

SETE VIDAS – O homem com fôlego de gato

Frane Selak, 1929 – músico nascido na Croácia e hoje aposentado.

1962 – Acidente de trem que caiu num espetacular mergulho num rio congelado. Só ele sobreviveu.

1963 – durante o voo, a porta do avião se desprendeu. Selak foi arremessado para fora do avião – detalhe: sem paraquedas. Foi encontrado e resgatado inconsciente sobre um monte de fenos, sofrendo apenas alguns arranhões. Os outros passageiros do avião morreram.

Três anos depois, o ônibus em que viajava, despencou e caiu num rio. Salvou-se nadando até a margem com pequenas escoriações.

Selak resolveu passar uns tempos longe de trens, ônibus e aviões. Ao volante, numa inocente voltinha de automóvel, o carro pegou fogo por completo. Ele saltou e correu escapando a tempo da forte explosão ocorrida.

Ressabiado, resolveu comprar um automóvel novo. Este durou só três anos, quando explodiu causando ferimentos e queimaduras. Nada além disso.

Ficou mais de 20 anos sem sofrer acidente algum. Achava que tudo que havia de ruim já tinha acontecido na sua vida.

Só para não perder o costume, Selak sofreu um atropelamento de ônibus durante uma inocente caminhada em Zagreb, socorrido, saiu-se mais uma vez, ileso.
Em 1996, Selak, dirigindo em regiões montanhosas, percebeu que um caminhão vinha em sua direção, forçando-o a ir de encontro a uma barragem, mergulhando de uma altura de mais de 90 metros quando, pasmem, arremessado pela janela, segurou-se numa pequena arvore enquanto seu carro explodia e se esborrachava no desfiladeiro.

Para quem achava que a sorte dele tinha se acabado, em 2003, decidiu pela primeira vez, fazer uma fezinha numa casa lotérica na Croácia, onde foi sorteado com o prêmio de 1 milhão de dólares.

De posse de uma boa conta bancária e com a venda de uma casa adquirida numa ilha, Selak fez generosas doações a amigos e parentes. Apenas reservando um pouco para uma pequena intervenção cirúrgica na região dos quadris e levantar uma capela em honra a Virgem Maria.

Recusou-se a viajar para gravar um comercial na Austrália, sob a alegação de que “não queria testar sua sorte novamente”.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

OS ENSINAMENTOS DA NATUREZA – Os Lobos de Yellowstone

Eclesiastes 3

“Tudo tem um tempo próprio”.
Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou…”,

O homem – principalmente o urbano – sempre questiona sobre a utilidade ou existência de determinado animal ou planta na face da terra. Hora é o mosquito que pica e traz doenças ou, o tubarão que, impiedosamente, está sempre pronto a devorar e aterrorizar que se atreva a cruzar seu caminho. Porque eles existem? Porque não os exterminar, já que somos “superiores” e sabemos dos males que podem nos causar?

As coisas não são bem assim. Animais e plantas possuem capacidade de sobreviver e procriar livremente na natureza. Os animais que vivem em estado selvagem são elementos que formam “aquela vida”, naquele espaço, compondo a fauna local, a qual consiste no conjunto dos animais que vivem em uma determinada área.

Muitos moradores do centro urbano não conseguem entender o porquê de tanta preocupação que a fauna silvestre tem gerado nos últimos anos, devido ao alarmante ritmo de extinção desses animais, já que eles parecem tão distantes e sem importância, pelo menos aparentemente.

Eles equilibram o ecossistema, pois muitos animais são vitais à existência de muitas plantas, como agentes polinizadores ou como dispersores de sementes, além disso, todos os animais têm uma importância na cadeia alimentar e quando um animal é retirado dessa cadeia o equilíbrio do ecossistema fica comprometido.

O reino animal e o reino vegetal formam a biosfera que em harmonia permite a sobrevivência das espécies. Quebrar esta harmonia abruptamente pela interferência humana fará com que milhões de espécies entrem em processo de extinção, resultando a médio e longo prazo a própria extinção da espécie humana; de sorte que a manutenção da vida selvagem e da flora natural é primordial para a manutenção da vida global.

Ora, a história dos lobos de Yellowstone, pode dar essa resposta. História essa que nos mostra a sua peculiar importância na mudança e manutenção da flora, fauna, rios e os demais fenômenos físicos, biológicos e humanos que nela ocorrem, suas causas e correlações.

Fica patenteado o intrínseco equilíbrio que a natureza exerce em cada ser vivo – fauna e flora – e a importância das suas funções no meio ambiente. Qualquer dano, alteração indevida ou mal calculada, causam sérios desequilíbrios em seu ecossistema.

No caso específico, a instabilidade causada pela exterminação dos lobos de Yellowstone, nos EUA, é um exemplo a ser apreciado com muita atenção e carinho por todos nós.

Como num laboratório científico vivo, pesquisas e análises constataram num estudo de cerca de 50 anos, a essencial importância da vida selvagem naquele recanto do mundo. O que os estudos comprovaram o que se denominou de “Cascata Trófica”, que é um processo ecológico que se desenvolve desde o topo da cadeia alimentar até à sua base. Foi o que ocorreu nos EUA, mais precisamente no Parque Yellowstone.

Sem a presença dos lobos cinzentos, por 70 anos, o parque viu o número de cervos e veados multiplicarem, reduzindo drasticamente toda vegetação em volta do parque

Caçados impiedosamente e quase exterminados durante 50 anos, os lobos cinzentos foram reinseridos ao parque a partir de 1995. A partir de então, constataram, in loco, que os lobos não apenas matavam outras espécies de animais, eles trouxeram equilíbrio e diversificaram muitas outras espécies. Percebeu-se que a contribuição dos lobos era inversamente proporcional ao que cobravam por suas “refeições”.

Os cervos também mudaram seu comportamento, evitando vales e desfiladeiros aonde poderiam ser alcançados pelos lobos. Tal comportamento contribuiu para ressurgir e regenerar toda vegetação no entorno. Árvores quintuplicaram de tamanho em pouquíssimos anos, ressurgindo florestas de choupo, salgueiros e choupos-do-canadá, o que por sua vez passou a atrair pássaros de inúmeras espécies e em grande quantidade. Comemorou-se também o ressurgimento dos castores, que é outro “engenheiro do ecossistema” que se alimentam de árvores e regulam rios e fontes, propiciando atrativos para outras espécies, ao criarem represas nos rios que produzem o habitat ideal para lontras, ratos-almiscareiros, patos, peixes, répteis e anfíbios.

Com os lobos eliminando os concorrentes coiotes, cresceu a quantidade de coelhos e camundongos, o que atraiu mais falcões, mais doninhas, mais raposas, mais texugos. Os corvos e as águias-de-cabeça-branca começaram a descer para se alimentar dos restos que eles deixavam.

O mais incrível dessas observações foi a constatação de que, com a reinserção dos lobos no parque, houve significativa alteração no comportamento dos rios! Que diria, em? Com menos desvio a erosão foi insignificante, canais se estreitaram, cascatas e piscinas naturais surgiram, com notória contribuição para a vida selvagem local. Estes rios mudaram em resposta aos lobos. E a razão é: Por causa da regeneração das florestas, os rios puderam seguir o seu curso com mais fluidez e estabilidade.

Conclusão: Os lobos transformaram, não apenas o ecossistema do Parque Yellowstone, que é enorme (cobre 8987 km², o parque é famoso pelos seus vários geysers, fontes termais, É habitat de ursos grizzly, lobos, bisontes e uapitis.), mas, também, a sua geografia física e paisagem natural.

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO TRANS

O nosso editor, sempre alerta os aficionados leitores sobre a praga rogada por ele e o que pode ocorrer quando uma sexta-feira, inadvertidamente, cai no dia 13.

Elegantemente, ele sempre invoca e convida o ameaçador Moleque Bimba-de-Alavanca, que está sempre de prontidão, para, digamos, “sodomizar” os “muderninhos do puliticamente correto, os babacas, os idiotas, os TRANSbaitolados, os lesos, os tabacudos e os militantes zisquerdóides”. Não alivia nem um pouco pra essa turma.

Para alivio geral dessa turma (ou não), 2020 só terá 2 sextas-feiras 13 – março e novembro – para que seja invocado o referido Moleque e sua Alavanca.

NOTÍCIA DO REINO UNIDO

“Homem trans dá à luz bebê de parceirx não-binário com doadora de esperma”, esta foi a chamada do jornal Inglês DAILY MIRROR, neste último sábado (28). A estruturação do título da manchete, é um “tanto” excêntrica e, necessitaria de um “curso relâmpago” com a turma da geração “Folha de São Paulo”, para poder compreender a formação da mais mUderna família do Reino Unido.

E justamente agora, por ele adentrar (ôpa) nesse mundo TRANS, além da notícia acima citada, hoje me enviaram algumas definições marotas (gaiatas) sobre o muderno mundo TRANS que assola nossa sociedade neste início de século.

Levando-se em conta de que “o Brasil tem o povo mais legal (bem humorado) do mundo”, segundo a CNN, tirem suas próprias conclusões:

Num bom pernambucanês: “É pra Xolinha chorar até umas horas”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

VOU NO POPULAR – “A LINGUA CERTA O POVO”

Personalidades de destaques no mundo profissional, político, artístico, etc., em muitas ocasiões, são “pegos de calças curtas”, por conta de declarações onde, muitas vezes estão erros ou impropérios verbais, dos mais simplórios aos mais absurdos.

O nosso poeta Manuel Bandeira, já predizia em brilhante colocação, que o bom de se ouvir era a “língua certa do povo”, que sabia transmitir o recado, a mensagem simples e direta.

Hoje temos uma infindável gama de palavras, digamos, diferentes. Termos técnicos, então, povoam os TCCs e redações das mais diversas áreas do conhecimento. Linguagens de profissionais de RH, Administração, publicidade, psicologia e, por aí vai.

Nas próprias escrituras sagradas existem várias passagens se reportando a língua. Destaco: “Quem de vocês quer amar a vida e deseja ver dias felizes? Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Salmos 34:12-13”.

Mas, retornemos ao tema da linguagem do povo. Nada de adentrar nos meandros e filigranas da língua culta. Regras de concordância? Pontuação? Figura de linguagem? Pode ser.

No entanto, sem se aventurar pelas metáforas, hipérboles, metonímia, Nada disso. Deixemos esse manjar para ser posto e saboreado por nossos cultos escribas daqui dessa gazeta, pra lá de escrota.

Garimpei na própria internet, alguns exemplos da diferença entre o uso de palavras pseudo cultas e o popular. Mesmo contendo o implícito intuito da galhofa, notamos, prima facie, que o coloquial é simples, direto e objetivo. Como diria o poeta, uma língua gostosa.

E funciona melhor que um anúncio, um ofício, uma circular, um édito, um boletim…

• “Prosopopéia flácida para acalentar bovinos” (Conversa mole pra boi dormir);

• “Romper a fisionomia” (Quebrar a cara);

• “Creditar o primata” (Pagar o mico);

• “Dar carga à bolsa escrotal” (Encher o saco);

• “Impulsionar bruscamente a extremidade do membro inferior contra a região glútea de alguém” (Dar um pé da bunda);

• “Derrubar com a extremidade do membro inferior o suporte central de uma das unidades de acampamento” (Chutar o pau da barraca);

• “Deglutir o batráquio” (Engolir o sapo);

• “Derrubar com mortais intenções” (Cair matando)

• “Aplicar a contravenção do Sr. João, deficiente físico de um dos membros superiores” (Dar uma de João sem braço);

• “Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira” (Nem a pau);

• “Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais” (Nem que vaca tussa)

• “Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente” (Chutar o balde);

• “Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica” (Tirar o cavalinho da chuva);

• “Alongar as tíbias” (Esticar as canelas);

• “A ruminante bovina deslocou-se para terreno sáfaro e alagadiço” (A vaca foi pro brejo)

• “Colóquio soporífero para gado bovino repousar” (História pra boi dormir);

• “Sugiro veementemente a Vossa Excelentíssima que procure receber contribuições inusitadas na cavidade retal” (Vai tomar no…)

Não se pretende aqui, instigar ou fomentar o assassinato ou desprezo pelo idioma pátrio. Longe disso. O estudo e preservação da nossa riquíssima língua portuguesa é imprescindível para qualquer povo ou nação que à possua. É inerente para os nossos eruditos léxicos e filólogos, abraçar, sorver e mergulhar no infinito estudo da nossa língua.

Trouxe aqui, uma mostra sem figuras de linguagem, estilo ou retórica do dito popular. Sem estratégias de se aplicar ao texto pretenso efeito na interpretação do ouvinte (ou leitor). A popular, língua do povo.

Sem problematização (vixe maria).

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

ELUCUBRAÇÕES…

MACHISTA

• Quando um homem abre a porta do carro para sua mulher, ou o carro é novo ou a mulher.

• Nós vamos fazer sexo, amor só as vezes !!

FEMINISTA

• Porque algumas mulheres casadas são mais gordas que as solteiras?

R: A solteira chega em casa, vê o que tem na geladeira e vai pra cama; a casada vê o que tem na cama e vai pra geladeira.

T.I

• A vida é um eterno Upgrade. Bem assim!

• Não pirateio programas. Só copio emprestado.

• Quem não tem cão… não gasta dinheiro com veterinário!

ETERNAS MENTIRAS

• Garantimos o envio pelos correios em 5 dias úteis.

• Quinta-feira sem falta o seu carro vai estar pronto.

• Pague a minha parte que depois eu acerto contigo.

• Eu só bebo socialmente.

• Isso é para o seu próprio bem.

• Que lindo é o seu bebê.

• Isto vai doer mais em mim do que em você

• Não precisava presente, sua presença é o que importa

• Aguarde nosso comunicado

SEGUNDAS INTENÇÕES

• Eu estava passando por aqui e resolvi subir.

• O ÚLTIMO ROMÁNTICO

FRASES DITAS OU OUVIDAS ANTES DE ALGUÉM MORRER!

• “Atravessa correndo que dá.”

• “Fica tranquilo que este alicate é isolado”

• “Sabe qual a chance de isso acontecer? Uma em um milhão”

• “Meu sonho sempre foi saltar de pára-quedas. E neste instante vou realizá-lo. E eu mesmo o dobrei!”

• “Aqui é o PT-965 decolando em seu primeiro vôo solo”

• “Confie em mim e deixa comigo”

• “Desce desse ônibus e me encara de frente, sua bicha!”

• “Você é grande mas não é dois!”

• “Vamos lá que não tem erro”

MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

ELE NUNCA SAI DE MODA

Sua majestade: o ÂNUS.

Por mais que se queira fugir de temas políticos e suas eternas pautas bombas em nossos cotidianos, o sujeito se vê “puxado” pelo redemoinho da nossa nauseante situação protagonizada pelos três poderes.

Afinal, o homem é um animal político, como bem vaticinou Aristóteles na antiga Grécia.

Com a ascensão do governo de esquerda em nosso país neste último quindênio, veio à tona o “progressismo” com suas “ideias liberais”, procurando implantar e difundir mudanças no comportamento da sociedade. A contra reação adveio com a perda da eleição em 2018.

O intuito era afrontar e quebrar o titânico muro da tradição moral e cultural judaico-cristã, principal empecilho social para se implementar este progressismo.

Indubitavelmente, uma das marcas deste progressismo foi a disseminação, principalmente no âmbito da educação e cultura, da propagação e glamorização do ânus.

Justamente procurando depreciar e, enxovalhar, conceitos e princípios morais da nossa “arcaica” sociedade.

NA MÍDIA

Teatro, cinema, TV, jornal, tribunais, contendas políticas, exposições de artes, “teses universitárias”, becos, bares e lares, debatiam sobre o dito “órgão”, possuidor de centenas de epítetos e alcunhas.

– Quem não lembra da performance “peça teatral” MACAQUITOS… sem comentários.

– Da exposição “Cú é lindo”, de Kleper Reis, no Instituto Goethe, em Salvador

– Do candidato Levy Fidelix dizendo que o dito cujo “Aparelho excretor não reproduz”. Pela frase proferida foi condenado por homofobia, em 25 mil reais, pasmem! …

– Da deputada federal Dayane Pimentel (PSL-BA), que em meados de maio, na Câmara Federal, viralizou na internet ao denunciar na tribuna, que os investimentos na educação superior vão para a “folia dos cus prolapsados”. Referindo-se ao título de uma dissertação de mestrado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ao defender e explicar o contingenciamento de 30% no orçamento de instituições federais de ensino.

– E o que falar do médico proctologista – outrora, tão olvidado – teve meteórica ascenção midiática…

– Paralelamente e, pegando carona no tema, chegou até o nosso STF que aprovou a criminalização da homofobia…

– Em shows de Stand Up, os humoristas deitaram e rolaram:

Geração Folha de São Paulo

Hoje em dia, o desentendimento desses garotinhos da geração Folha de São Paulo, é que ao brincar de médico, nenhum quer ser o proctologista, só o paciente.

O cachorro

Joaozinho ganha um cachorro de sua mãe e resolve chama-lo de cu.

Sua mãe não gosta e fala pra ele que se ele não parar de chamar o cachorro de cu ela ia dar o cachorro ao vizinho.

Dias depois Joaozinho continua chamando-o de cu e sua mãe irritada resolve dá-lo ao vizinho, quando a mãe estava na casa do vizinho o pai chega e pergunta a Joãozinho:

– Onde está sua mãe?

E Joãozinho responde: ela está dando o cu para o vizinho.

O relógio e o bêbado

O bêbado está com o relógio quebrado, vê a silhueta de um relógio num cartaz que o levaria ao primeiro andar, sobe as escadas e quando abre a porta vai logo dizendo: quanto é o conserto do relógio? E a atendente meio sem jeito explica que ali trata-se de uma clínica de proctologia. Então o bêbado indaga, perdoe, é que vi lá embaixo o desenho de um relógio… e a atendente: foi a melhor ideia que tivemos, sr. Em analogia ao vizinho cardiologista que tem em sua placa, como símbolo, um coração.

RETÓRICA DICIONARIZADA

Além do que, o termo cu é usado para inúmeras interpretações de situações boas ou adversas, exemplos:

MEU CU: indignação e negação

TEU CU: indignação e afirmação

CU NA MÃO: medo

ATÉ O CU FAZER BICO: exaustão, rir descontroladamente

FOGO NO CU: excitação, animação exagerada

O QUE TEM A VER O CU COM AS CALÇA: afirmação equivocada, nada a ver

QUEM TEM CU TEM MEDO: pavor, precaução

DEDO NO CU E GRITARIA: confusão, bafafá, rôlo

SÓ SE EU DER O CU: falta de capital, fora de alcance, difícil de conseguir

CU DOCE: quer adulação, esnobe

DE CAIR O CU DA BUNDA: indignação e incredulidade, estupefação

CU QUE NAO PASSA UMA AGULHA: apreensão,

O CU TORANDO AÇO: medo, suspense

ENCHER O CU DE CACHAÇA: beber demais, tomar todas

QUER O CU E AINDA QUER RASPADO: quer mais do que o que merece ter

AI MEU CU: preocupação

NASCER COM O CU VIRADO PRA LUA: pessoa sortuda

NO CU DE JUDAS – longe pra caramba, lugar remoto, no fim do mundo.

Em Portugal, CU não é palavrão. Todavia, mesmo com uma denominação tão eclética e, em que pese a pretendida unificação linguística, via reforma ortográfica, cada país signatário da reforma tem suas próprias peculiaridades linguísticas que refogem ao rigor e engessamento imposta pela etimologia.

Um exemplo bem marcante é o termo “KUDURO”, música e ritmo dançante surgida em Angola. Assim denominada pela ginga e saracoteio bamboleante frenético das nádegas e quadris.

Tanto em Portugal quanto na África portuguesa, o termo “kuduro” pode ser atrelado a padrões canônicos, mas no Brasil, pela aproximação bem marota do vocábulo, tem lá seu teor de pseudo obscenidade.