EPITETOS, CODINOMES E APELIDOS

O hábito de apelidar pessoas, lugares ou coisas é tão antigo quanto a nossa espécie.

Nos acostumamos e “dar nomes” simbólicos para qualificar, caracterizar e denominar personalidades, entidades, situações, lugares, etc. De maneira que, na adjetivação eleita e optada, configure, evidencie, tipifique e associe o devido “o alvo”.

Podendo o termo escolhido, conforme a figura de linguagem adotada, vir a ser pejorativo ou enaltecedor e simpático.

Na mesma linha de raciocínio e designação temos o codinome, que é um símbolo ou palavra usada que enfatiza um termo para ocultar o nome verdadeiro de uma pessoa, entidade, plano, etc.; nome “codificado”, seria.

Apegando-se nessa popular prerrogativa, o povo faz uso de criativos e irreverentes alcunhas para designar aquele personagem que está, geralmente, desagradando de alguma forma naquele momento.

O próprio editor faz uso constante de alcunhas (possui uma lista considerável), ao se referir a figuras da nossa vida política (dos três poderes), ou das “personalidades” populares da sua terra natal, Palmares.

Vejamos alguns alcunhas marcantes de personagens da história da humanidade:

– BERMUDO, O GOTOSO – Primeiro rei da Galícia. Como sofria de gota (uma forma de artrite), foi apelidado de “Gotoso”;

– BOLESLAU, O BOCA TORTA – Governou a Polônia entre 1107 e 1138, ganhou esse apelido por ter a boca “levemente torta”;

– CARLOS, O CALVO – Carlos II governou a Frância Ocidental entre 840 e 877. usou-se, no presente caso, de pura ironia, por ele ser bastante cabeludo;

– CONSTANTINO, O COPRÔNIMO – (Koprônimo deriva de fezes). Seus inimigos, assim o apelidavam devido à lenda que dizia que ele defecou na pia batismal quando foi batizado;

– GUILFREDO, O CABELUDO – Conde entre 878 e 897. Pela imagem dele esculpida na Catedral de Barcelona, percebe-se a lógica do apelido;

– HAROLDO DENTE-AZUL – Foi rei da Dinamarca e Noruega de 958 até 986. Diz a lenda que ele teria um dente estragado, de cor escura, que se aproximava do azul;

– HAROLDO, O NOJENTO – Ele foi o primeiro rei da Noruega. Reza a lenda que ficou mais de 10 anos sem cortar e lavar o cabelo;

– HENRIQUE, O IMPOTENTE – Rei de Castela e de Leão de 1454/1474. Após 13 anos, divorciou-se da 1ª mulher, sob a alegação de impotência, por conta de uma maldição. As prostitutas locais negavam a informação. Casou novamente e teve uma filha (que as más línguas diziam não ser dele);

– JOÃO II, O FAZEDOR DE BEBÊS – Governante do Ducado de Cleves, na Alemanha. Como bem define o alcunha, foi pai de 63 filhos ilegítimos;

– JUSTINIANO, O DO NARIZ CORTADO- ustiniano II foi o último imperador bizantino da dinastia heracliana, governando de 685 a 695. Acusado de usar os fundos do reino para satisfazer seus gastos pessoais, foi alvo de uma revolta. Ele foi deposto e teve o nariz cortado. Mesmo assim, acabou voltando ao poder entre 705 a 711, quando enfrentou uma nova revolta e acabou decapitado;

– LULACO, O BOBO – Lulaco foi apelidado de “O Simples” ou “O Bobo”, mas mesmo assim se tornou rei da Escócia em 1057. Era considerado um governante fraco e foi assassinado menos de um ano após a sua coroação;

– UGOLINO, O CANIBAL – Nobre italiano do século 13. Sua história é contada na Divina Comédia, de Dante: acusado de traição, ele teria canibalizado os próprios filhos, que estavam presos junto com ele em uma torre. Séculos mais tarde, exames forenses constataram que ele não havia comido nenhum tipo de carne em seus últimos dias;

– VSESLAV, O LOBISOMEM – O príncipe bielorusso Vseslav de Polatsk viveu no início do século XI. Dizia-se que ele havia nascido por meio de um feitiço e que se transformava em lobo à noite.

O tema e a lista é infindável. Negócio para trocentas páginas.

ALCUNHAS SIMPÁTICOS

Alberto de Oliveira – Príncipe dos Poetas Brasileiros
Ana Cristina César – Escritora Maldita, Poeta Maldita
Aureliano Lessa – Bardo Fluminense
Bernardo Guimarães – Bardo Mineiro
Carlos Drummond de Andrade – Gauche, Urso Polar
Castro Alves – Poeta dos Escravos
Cruz e Sousa – Cisne Negro, Poeta Negro
Dalton Trevisan – Escritor Maldito, Escritor Misterioso
Filinto de Almeida – Fly
Glauco Mattoso – Poeta da Crueldade, Poeta Sinistro
Graciliano Ramos – Graça, Velho Graça
Gregorio de Matos Guerra – Boca do Inferno
Hilda Hilst– Grande Personagem
João Antonio – Escritor Maldito
João Cabral – Engenheiro das Palavras, Poeta Diplomata
Jorge Amado – Escritor Maldito
José de Alencar – Patriarca da Literatura Brasileira
José de Anchieta – Poeta Missionário
Ledo Ivo – Chulé de Apolo
Machado de Assis – Bruxo, Bruxo do Cosme Velho
Manuel Bandeira – Bardo, Poeta Menor
Mário de Andrade – Decano do Modernismo, Pai do Modernismo
Monteiro Lobato – Pai do Jeca Tatu
Nelson Rodrigues – Escritor Maldito
Olavo Bilac – Príncipe dos Poetas Brasileiros, Sapo-Boi
Oswald de Andrade – Calcanhar-de-Aquiles do Modernismo
Padre Antonio Vieira – Paiaçu (Pai Grande), Judas do Brasil
Raduan Nassar – Escritor Misterioso
Raquel de Queiroz – Rainha das Escritoras Brasileiras
Raul Bopp – Poeta Diplomata
Rui Barbosa – Águia de Haia
Vinicius De Moraes – Poeta Diplomata, Poetinha

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UMA FLORESTA DESENCANTADA

Marcos André M. Cavalcanti

Leitor assíduo da coluna do ilustre imortal José Paulo Cavalcanti Filho, confesso que muito me impressionou (como sempre), a leitura intitulada ADEUS, AGNALDO, em que o ilustre articulista discorre com invulgar maestria e elegância um drama real, incomensurável e difícil de aceitar – A EUTANÁSIA. publicado no JBF no dia dos mortos.

De plano, nestes contrastes da vida, lembrei de um amigo que vive no Japão, e não pude me furtar ante uma intrigante constatação por ele relatada: A de que o principal cartão postal e símbolo do Japão – o Monte Fuji – trás à reboque, um lado taciturno e aterrador: O grande numero de suicídios cometidos no sopé do sacro monte, símbolo maior daquele país, mais precisamente numa floresta denominada Aokigahara, onde algum transeunte desavisado pode se deparar com um cenário de puro horror nessa que é mais conhecida como a Floresta dos Suicidas do Japão.

Diferentemente da eutanásia, o suicídio é um assunto que sempre provoca grandes debates psicológicos, morais e religiosos. No entanto, o que acontece na floresta de Aokigahara transborda por vezes qualquer entendimento.

A fama dessa floresta correu o mundo, porque os suicídios por lá ocorre com muita frequência. Ressalte-se que, apesar do país ter contabilizado, só no ano de 2014, mais de 25 mil pessoas que optaram pelo suicídio – homem em sua maioria – (média de 70 por dia), o Japão não está na lista dos 10 países onde se mais comete suicídios.

O mais estranho é você encontrar motivos para tal desígnio, não é a extrema pobreza, desemprego, dívidas, dificuldades econômicas, pressão social. Sobra, então, a danada da depressão.

Na falta de uma explicação plausível para inúmeros suicídios, criou-se um sem números de lendas. Uma delas acalenta que os depósitos de ferro das rochas provoca erros nas bussolas, fazendo com que seja extremamente fácil as pessoas perderem-se e entrarem em desespero. Outra, fala de monstros, fantasmas e Goblins (criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes) assombrando a floresta, e que os espíritos dos suicidas para sempre vagueiam na área.

Procurando minimizar o problema, as autoridades colocaram até placas e sinais proibindo o suicídio na floresta. Placas com frases de auto ajuda: “a vida é um dom precioso”, “Pense mais uma vez em seus pais, irmãos ou filhos (…). Por favor, não sofra sozinho, peça ajuda primeiro”, diz o apelo.

Os arredores da floresta são altamente protegidos para evitar suicídios com patrulhas e câmeras de segurança. A caminhada é permitida na floresta, mas ninguém faria isso voluntariamente neste lugar, pois muitos saem, mas outros entram na floresta para não mais voltar.

Nesse caso, é melhor se garantir, vendo o monte Fuji e a medonha floresta, em filmes e painéis fotográficos.

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UMA CASA SUSPEITA

Marcos André M. Cavalcanti

O STF, há muito já não goza da credibilidade da maioria da população.

Virou vergonhoso palco político onde a gana pelos raios dos holofotes permeia pelo excessivo narcisismo de seus pares em detrimento do sentimento dos nativos.

Outrora glorioso, passou por várias denominações – Casa da Suplicação do Brasil-1808-, depois considerada Superior Tribunal de Justiça – 1815, Supremo Tribunal de justiça, Corte Suprema, etc., até chegar a atual nomenclatura de STF.

Destaque-se que, no Império, o STJ era composto somente por juízes; a modificação aconteceu na República e perdura até a atualidade.

Hoje, quando surge uma vaga para compor o STF, a imprensa e os parlamentares apressam-se em descobrir os “preferidos” dentre os políticos, desconsiderando o fato de que a Corte é uma casa de magistrados. Afinal, são 27 tribunais, mais de 15 mil magistrados e o STF é formado por bacharéis, professores, procuradores e menos de 20%, procedentes da magistratura.

Dos 11 ministros que o constitui, apenas 2 são advindos do quadro da magistratura, ou seja, não abriga ministros de carreira na sua composição e, cujos nomes, é de livre franquia do Presidente da República, com aprovação do Senado.

Da atual composição do STF, existem apenas 2 Juízes de carreira que exerceram a magistratura desde a primeira instância: Luiz Fux e Rosa Weber, o resto foram escolhidos conforme o “QI”

SEGUNDO PLANO

Incrível como se relega a um segundo plano um magistrado de carreira que dedicou sua vida a aplicações de estudos doutrinários, jurisprudenciais e julgamentos, que palmilhou por pequenas e grandes comarcas de seu Estado, adquire significativa experiência de vida judicial, e é preterido galgar legítimas aspirações de ascensão jurídica, por pura politicagem malandra.

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