JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ÉRAMOS FELIZES – E SABÍAMOS DISSO!

Os meados da década de 40, reforçados pelos anos 50 e o começo dos anos 60, foram os que mais formaram e qualificaram mão-de-obra no Brasil. Dois ícones qualitativos e pódios mais altos desejados por aqueles que, naqueles tempos pensavam apenas em constituir e construir família. Infelizmente, o modernismo e a tecnologia, num somatório, não se pode apostar em algo positivo.

Os pais que conseguiam vagas para matricular os filhos no SESI ou no SENAI, onde aprendiam e se especializavam verdadeiramente na profissão, se consideravam ganhadores de loteria. Era um prêmio à família, aprender Mecânica, Tornearia, Funilaria e muitas profissões que significavam verdadeiras cartas de alforria daqueles tempos.

Eu, só consegui ter uma profissão definida, na década de 80. Antes, fui de fabricante de sacos de papel para vender peixes, vendedor de cocadas, vendedor de “filhóis” e até Caixeiro de bodega – e foi ali que descobri que, 1 Kg só continha 850 gramas. Arre égua!

Aprendi “Dactilografia” e me aproximei de ser Auxiliar de Escritório. Dali, trabalhei como Teletipista na Western, onde aprendi transmitir e receber cabogramas – foi, também, quando pela primeira vez me tornei sindicalista. Foi ali, também, onde fiz a primeira grande besteira da minha vida, enveredando pelos caminhos da ideologia política. E isso me fez desistir de assumir uma aprovação num concurso para o Banco do Brasil – apenas por que o salário recebido na Western era melhor.

Foi essa lembrança, que me encaminhou para a matéria da coluna de hoje. “Antigas profissões”, que eram uma garantia contra o desemprego. Hoje, entendo eu, não há “desemprego”. O que há, realmente, é muita gente sem qualificação profissional. Todos querem ser Advogados ou todos “abrem” uma Farmácia.

No final da década de 60, já morando no Rio de Janeiro, conheci até algumas famosas agências de emprego. A TéD, era uma das mais prestigiadas e respeitadas, haja vista que, antes de encaminhar qualquer candidato a um emprego para a empresa com quem mantinha contrato, testava e até treinava o futuro empregado.

Agências de empregadas domésticas mantinham cadastros de “empregadas” e de “patrões”, incluindo referências de quem se candidatava. Esse item, hoje, é conhecido como “Diarista”.

Vamos ver profissões antigas que, se ainda não sumiram, estão a caminho:

O OURIVES

Ourives

Ourives é aquele que trabalha com ourivesaria (homem ou mulher – mas, é raro conhecer alguma mulher trabalhando nessa profissão) e ainda hoje existem profissionais em pequena escala. Profissão que existia há 2.500 anos antes de Cristo. Comprovação feita, segundo descobertas de peças trabalhadas com esmero, encontradas em sítios arqueológicos no mar Egeu.

A profissão de Ourives ainda é bastante comum, ainda que sem a mesma procura e valia de antigamente. A arte da ourivesaria é considerada uma das profissões mais antigas do mundo.

Atualmente, existem as chamadas “Casas de Ourives”, que costumam fazer consertos em joias ou ornamentos, em quase todas as cidades do mundo.
Mas, como tantas profissões, o “Ourives” está desaparecendo com o passar dos tempos.

O FERREIRO

Ferreiro

“O Ferreiro é uma pessoa que cria objetos de ferro ou aço forjando o metal, ou seja, através da utilização de ferramentas como fole, forja, bigorna, martelos, dobra e corta, e de outra forma moldá-la na sua forma não-líquida. Geralmente o metal é aquecido até que brilhe vermelho ou laranja, como parte do processo de forjamento. Ferreiros produzem coisas como portões de ferro forjado, grelhadores, grades, lustres, luminárias, mobiliário, esculturas, ferramentas, implementos agrícolas, religiosos e objectos decorativos, utensílios de cozinha, e armas.

Durante a Idade Média era comum a imagem do ferreiro da aldeia, responsável por praticamente toda a metalurgia do feudo ou povoado. Sendo que muitas vezes, nestes tempos, o ferreiro se tornara sinônimo de forjador de armas, já que era função dele fabricar as armas (espadas, lanças, machados, etc.) utilizados pelos soldados da época.

Com a revolução industrial, a partir do século XVII, o oficio de ferreiro foi gradualmente sendo substituído pelas indústrias metalúrgicas, sendo que a profissão sobrevive até hoje apenas em regiões menos desenvolvidas e/ou para a forja de objetos com finalidade principalmente decorativa.

Acredita-se que a profissão de ferreiro exista desde quando o homem aprendeu a manipular e moldar os metais (em torno de 2000 a.C.), sem grandes distinções até os tempos atuais.” (Fonte: Wikipédia)

Nos dias atuais, o Ferreiro quase não existe. É um trabalhador raro de ser encontrado, haja vista que, grande parte dos objetos da linha, são fabricados pela indústria pesada. A continuação da vida (que estou me negando a rotular de “evolução”), deixou um pouco de lado esse profissional. Antes, no começo deste século, portas, portões, basculantes, janelas, etc., estavam sendo fabricados pelo mesmo profissional, agora, estranhamente rebatizado de “Serralheiro” – o que acabou se tornando definitivo, com a chegada e o uso do alumínio em grande escala na confecção de muitos itens, antes fabricados exclusivamente com o ferro.

O MARCENEIRO (OU CARPINTEIRO)

Marceneiro ou Carpinteiro

Há quem afirme, que São José era Carpinteiro, prática que evoluiu e foi reconhecida como profissão. Na profissão, São José teria tentado iniciar Jesus Cristo, fabricando alguns utensílios domésticos. Foi então, que apareceu a Marcenaria, cujo profissional é rotulado de Marceneiro. São profissões próximas, dependentes, mas não iguais.

“A Marcenaria – O marceneiro trabalha exclusivamente na fabricação, conservação, reparação de móveis, além de outros objetos de decoração a base de madeira. Por isso, podemos dizer que o trabalho do marceneiro é mais artesanal e delicado se comparado a carpintaria.

O marceneiro para o desenvolvimento de seu trabalho utiliza de técnicas exclusivas e ainda conta com matéria-prima nobre e de qualidade, pois os móveis e enfeites devem ser feitos com madeiras de boa qualidade.

Vale lembrar que a marcenaria se derivou da carpintaria, adequando algumas técnicas para melhor desenvolvimento de seus produtos. O marceneiro durante muito tempo foi considerado um artesão de móveis, no entanto, hoje, com os avanços da tecnologia, seu trabalho foi reduzido devido a indústria moveleira que utiliza em suas fábricas, máquinas.

A Carpintaria – A carpintaria costuma trabalhar essencialmente com madeira maciça em seu estado natural, comum na construção civil e naval. Os carpinteiros, necessitam de conhecimentos geométricos e precisão técnica, precisam ter conhecimento dos diferentes tipos de materiais e técnicas a serem utilizadas naquele tipo de madeira. Está é uma das principais diferenças entre marceneiros e carpinteiros.

A carpintaria é uma das profissões mais antigas e abrange uma série de trabalhos, tais como: escadas, portas, soalhos, telhados e até obras de menor dimensão mais comum na construção naval.” (Fonte: Wikipédia)

O ESTIVADOR

Estivador

Passados dois ou mais séculos, muita coisa (e profissão) mudou de conceito. Passou a receber o apoio da tecnologia, e teve o reconhecimento dos legisladores, que criaram e aprovaram leis determinantes no exercício de cada profissão. O Estivador, no princípio, nada mais era que o reles “carregador de sacos, volumes de diferentes pesos, e, quase sempre, em situações desfavoráveis” para muitos.

Há quem afirme que, tudo dependia do “pouco estudo, muito mais do que da força física”, sem que também tivesse qualquer aproximação com a cor da pele – muitos estivadores, no passado, eram negros.

“Hoje, o Estivador é o técnico responsável pela colocação, retirada e/ou arrumação de cargas nos porões, ou sobre o convés de embarcações principais e auxiliares, autopropulsadas ou não. O Estivador é imprescindível para execução do transporte marítimo, ficando encarregado da movimentação e sinalização para o movimento de cargas e equipamentos a bordo.

Normalmente, confunde-se o Estivador com outras classes de operários do porto: o Estivador só trabalha a bordo, e nunca em terra. Quem fica sobre carretas ou vagões do lado de fora é o Arrumador de cargas; Quem opera as pranchetas e anotações é o Conferente; Quem opera os guindastes de terra, são os portuários (Estivador não opera guindaste, opera guincho, pois o guincho é acessório do veículo de transporte).

Hoje em dia, grande parte desta atividade está automatizada. Mesmo assim, é considerado um trabalho perigoso, insalubre e estressante, já que as condições de trabalho quase sempre não são boas, podendo ocasionar acidentes. Até a primeira metade do século XX, cabia aos estivadores a tarefa de embarcar a carga nos navios transportando parcelas dela nas costas, frequentemente embaladas em sacos de 60 quilos.” (Fonte: Wikipédia).

O CAÇADOR DE RATOS

Caçador de ratos

Como pode ser facilmente percebido pelos leitores, algumas informações sobre profissões antigas que continuam existindo ou não, foram compiladas na Wikipédia, fruto de pesquisa que acabou me atualizando, e levando a conhecer mais um pouco do desconhecido.

E, nessa “pesquisa”, consegui encontrar duas “profissões” que, hoje podem ser consideradas estranhas: o Caçador de ratos, e o Despertador humano.

O Caçador de ratos, que também os abatia, era empregado da gestão pública nos séculos passados, em lugares que não dispunham de saneamento básico nas principais ruas e logradouros. Como o mundo era outro, pouco ou quase sem contaminação, os ratos caçados e mortos, eram colocados livremente à venda. É os ratos mortos eram vendidos (e, creio eu, consumidos).

Dizer que a profissão foi extinta é desprezar os agentes antipraga, ou dedetizadores modernos. Em certos casos, são chamados exclusivamente para exterminar ratos, mas, no passado, era comum contratar os serviços de caçadores de roedores que, com seu equipamento e know-how, entravam em sótãos, porões, bueiros, sistemas de esgoto, atrás dos temíveis ratos. Durante a Primeira Grande Guerra, com a escassez de alimentos, os especialistas encontraram uma segunda fonte de renda, comercializar os ratos para serem comidos.

O Despertador humano, é uma antiga profissão, totalmente extinta. O trabalho consistia em despertar alguém mediante contrato. O contratante assinava um termo de serviço com o(a) contratado(a), indicando, além do horário, o endereço residencial. Para não incomodar a vizinhança, o que poderia caracterizar perturbação do silêncio e do descanso, o Despertador humano trabalhava com objeto que poderia ter o tamanho do alcance aumentado ou diminuído, conforme a necessidade de atendimento apenas ao contratante. O objeto era uma espécie de corneta.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

TRANSPOSIÇÃO QUE VIROU TRANSFUSÃO

Ou, “Uma ponte de safena nas veias da vida”

Água que alimenta a vida no planeta

Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome, pergunto o que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.

Patativa do Assaré

Dia histórico, o 26 de junho de 2020. A fome, que noutros tempos matou muita gente, naquele dia recebeu o “tiro de misericórdia”, e anteviu a transformação dos campos e roçados esturricados em pastagens verdejantes convidando para o trabalho e o plantio.

Incontáveis as vezes que, desesperados, saíamos de foice na mão e cabaça no ombro, à procura d´água.

Os açudes, no barro esturricado, nos obrigavam a procurar água noutros lugares. A saída era o cipó da mucunã (cuja semente, em outros lugares é conhecida como “olho de boi”), onde a Natureza divina deposita no seu âmago uma pequena e saudável reserva.

Cipó de mucunã

Distante de algum dia ser uma “torneira”, o cipó é algo muito além da vida. Água saudável e, dizem, medicinal. Mas, por vezes, é apenas o líquido que abastece a ansiedade e mata a necessidade do corpo humano.

Às vezes o “segredo” está na forma de cortar

Não é “qualquer um” que encontra e identifica o cipó d´água. É necessário vivência e, mais ainda, precaução na hora de verificar e tentar cortá-lo. Não é raro encontrar cobras venenosas enroladas e camufladas nos cipós.

A vida do sertanejo passa por todo esse tipo de perigo – e, sempre para suprir uma necessidade vital.

Assim, que importância tem o fato de descobrir “quem idealizou” fazer a transposição?

Idealizar por idealizar, quem vive naquela região, antes castigada pela Natureza e hoje abençoada por ações de pessoas que sequer nasceram ali – vem idealizando há mais de um século e sabe que “apenas idealizar e nada fazer”, não é o mais importante.

Agora, complementando a boa ação, o Governo Federal precisa viabilizar e facilitar o apoio logístico (equipamento de irrigação, energia elétrica barata, transporte e principalmente cooperativas) para o Agricultor que tem coragem e disposição para retribuir.

Semente da mucunã (olho de boi)

Quem nunca foi ao Ceará, certamente não conhece, por óbvio, e jamais ouviu falar numa espécie de “triângulo” formado pelos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Desses, o mais conhecido é Juazeiro do Norte – assim chamado, para fazer diferença com Juazeiro da Bahia, não tão distante dali, separado de Petrolina/PE, pelas águas que serpenteiam o Velho Chico.

Do lado Norte, a saída ou entrada por Sobral e Tianguá ou Chaval; do lado Sul, Icó, que leva à Petrolina e, logo depois, Juazeiro da Bahia; noutro ramal, levando à Paraíba, Jati – esse último, o caminho da “transfusão” chamada de “transposição”. É o Ceará, aberto ao Brasil.

Desde aquele histórico 26 de junho, discute-se a paternidade da transposição. Se, fora daquele Estado, alguém pega em armas e se engalfinha por conta disso, no Ceará, os beneficiados se regozijam e, com jumentos com cambitos, latas, tonéis e cabaças, se preocupam apenas em encher os potes e as quartinhas.

Na esteira das ações, o livramento definitivo para a raiz da mucunã, e os joelhos postos ao chão, em oração de graças e agradecimento: à Deus, o Onipotente.

Momento da chegada da água em Jati

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS MENINOS DE ONTEM

O pau que dá em Chico, dá em Francisco? Nem tanto. Poderia ser mas, hoje, por conta da diversidade cultural deste País continental, que tem as “porteiras” abertas para pessoas com diferença de raça, credo e entendimento, não há como acreditar em “tudo linearmente, com a mesma facilidade de entendimento e prática.”

E isso, aqui e alhures, em todos os polos do planeta, contando ainda com a mudança climática, a cultura de vida a facilidade e o alcance dos apoios que a tecnologia oferece e, no somatório, transforma num peso importante e decisivo para a nossa forma de vida.

A Antropologia + Sociologia que compõem as mais variadas formas de “políticas públicas e urbanas” mundo à fora, acabaram fazendo com que, o hoje, seja diferente do ontem, e esses dois, mais diferentes ainda, do amanhã. É arriscado apostar na perseverança das coisas – deixando de lado, claro, a questão da religiosidade.

Dito isso, continuo acreditando que, “tudo de bom, ou tudo de ruim” que de alguma forma nos encaminha para as boas ou más ações, tem uma nascente única: dentro de casa, na família e por conta da saturação dessa, se as coisas não caminharem bem; ou, também, dentro de casa, graças ao “domínio dos gestores domésticos”, se tudo acontecer como todos desejamos que aconteçam.

É ali, na família, onde tudo começa. O bom, ou o bem; e o mau ou o mal.

A infância atual caga para o mundo

A boa e apropriada terra, preparada e cuidada, vai produzir boa plantação e melhor colheita. Isso é fato. É bíblico. Não poderia ser diferente o resultado com o ser humano, cuidado e preparado na infância com boas maneiras e ações que levem à uma boa vida (nesse caso, a colheita). Entre esses bons e eficientes “cuidados” com a infância, entre os mais positivos está o “brincar”.

Trocentos anos atrás, por conta da falta de dinheiro e por melhor entendimento da vida, pais e mães até incentivavam os filhos para a brincadeira sadia e construtiva que proporcionasse melhor e frutífero convívio social – e isso produzia uma resposta social maravilhosa.

A brincadeira semeava a convivência. Criava não apenas os anticorpos da defesa humana, como edificava o convívio social para uma vida de Paz e harmonia, tanto em meio a família, quanto num futuro, fora dela. Mas, na construção de uma nova família – era o “crescei e multiplicai-vos”.

Os pais brincavam junto, ensinavam a brincar e a fabricar os próprios brinquedos, imaginando que, daquela forma, os filhos se apegassem mais ao que faziam, por aprenderem as dificuldades que enfrentavam.

Brincando de forma saudável para o convívio e disciplina

Haviam também, o apego ao local apropriado para brincar. E isso levou à disseminação da cultura de “encontro” sem enfrentamento. Pensava-se numa troca de experiências entre as diferentes classes socioeconômicas. Aí surgiram, por necessário, as tais cidades ou parques das crianças. Nada melhor que um domingo no parque.

O progresso social foi de encontro à descoberta da “ludoterapia” (se é que assim poderíamos chamar), um diferente forma de curar, brincando. Ou, integrar, brincando. Método ainda muito utilizado para aproximação e convivência dos Portadores da Síndrome de Down.

A necessidade de defesa que os corpos humanos passaram a demonstrar, levaram à necessidade da criação dos anticorpos – e até Vovó já sabia: meninos e meninas precisam brincar juntos, tendo contato direito com a Terra. No interior onde nasci, alguns teóricos passaram a chamar essa fase de “a festa das lombrigas”.

E, realmente foi algo factual. A bactéria da lombriga entrava junto com o anticorpo. Mais tarde, o purgante de óleo de rícino (mamona) expulsava as lombrigas e aumentavam o sistema imunológico pela permanência dos anticorpos.

O dia da lama proporciona o contato direto com a terra e os anticorpos

As crianças de ontem, claro, não eram anjos. Eram apenas “filhos” – e, ainda hoje, filho não tem defeitos. Principalmente para os pais, esses de hoje, completamente diferentes dos de ontem. Os exemplos, se são bons, serão absorvidos e repetidos. Os maus exemplos, da mesma forma. E aí nunca haverá absolvição.

Pegar uma cadeira pesada, colocá-la diante de um armário de parede, subir e dali retirar uma lata para subtrair uma colherada de leite em pó (que ficará grudado no céu da boca), muitos de nós fizemos. Pegar um grampo de cabelo feminino e tentar enfiá-lo na tomada da eletricidade, outros tantos também fizeram. E, quando muitos fizeram isso, não havia a tecnologia atual, tampouco o atendimento médico tinha a possibilidade da rapidez de hoje.

Depois desse lamaçal um bom banho resolve tudo

O que se depreende atualmente no mundo infantil, é que as mudanças impostas pela convivência social, pelas intempéries ambientais, e, principalmente pelas falhas absorvidas pela educação doméstica com o reforço da deficiência da escolarização, é que, a criança de hoje é diametralmente oposta à criança de ontem – e tudo, repito, começou dentro de casa.

Numa culminância, não há como negar que, entre o céu e a Terra, existe algo além dos aviões de carreira. Se o mundo já não é mais o mesmo, e o ar é rarefeito por conta da falta de saneamento básico e uma absurda produção de lixo orgânico que, ao mesmo tempo contamina o ar, o lençol freático e o que dali evapora vai contaminar também a camada de ozônio, é evidente que, quem está entre o céu e a terra, usufruindo inclusive do alimento produzido nesse ambiente, se não tiver os anticorpos necessários, vai ser pego e contaminado por qualquer “gripezinha”.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

GERAÇÃO DE IDIOTAS

A “involução” da espécie humana

Tem sido difícil conviver diariamente com tanta coisa sem-sentido. Tem sido difícil conviver com tanta gente que vive “achando que é”, sem sê-lo.

Minha atenção está sendo levada pelos veículos de comunicação do Maranhão – o que não tem sido tão diferente em outros estados – pela quantidade de publicidade “oficial” (é, dessa paga pelo governo, com o dinheiro que arrecada dos impostos que pagamos, e que deveria ter outra finalidade) veiculada sem sentido, na ânsia de “ensinar alguém a lavar as mãos”. “Ora vão à merda”! Com certeza diria minha falecida Avó Raimunda, com tanta falta do que fazer.

Será que tem mesmo neste mundo, alguém que não saiba “lavar as mãos” e precise ser “ensinado”?

Sei que tem que nunca tenha aprendido escovar os dentes, lavar a xeca ou o fiofó. Tem quem, se pegar em merda, vai lavar as mãos. Mas, quando “joga barro fora”, acha que papel higiênico “limpa”!

Para mim, isso soa como algo que tenta “idiotizar” as pessoas. Tipo, dizer: você sequer sabe lavar as mãos!

É assim que se lava as mãos, visse!

Juro que olhei na televisão, dia desses, alguém se referindo a um “aplicativo”, que resolveram chamar de “app” que já existe e pode ser acessado pelo celular (tinha que ser, né?!) com todos os itens ensinando como se deve lavar as mãos. E, pasmem, após a lavação, “como passar álcool em gel”! É mole, ou quer mais?

É uma geração de idiotas, ou não?

MAIS UM

Quem ainda não teve o desprazer de conhecer até as tripas do “Supremo”, é só comprar e ler

Ontem, finalmente, concluí a leitura do livro (que achei maravilhoso, por revelar detalhes até então distantes de mim, e tão desconhecidos quanto um roçado que ganhei na lua) “Os Onze”, com autoria de Felipe Recondo e Luiz Weber. Eu gostei, e recomendo – quem já bebeu até sopa de pedra, como eu, não vai vomitar. Com certeza.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

TEMPO DE GUARNICÊ

Santo Antônio “afogado” por quem procura marido

Ontem, 13 de junho, dia consagrado a Santo Antônio, foram oficialmente iniciados os festejos religiosos do mês, no Maranhão. Com simpatias, fogueiras, muitas brincadeiras tradicionais, podemos dizer que, “começou o São João”, embora o dia em que comemoramos em louvor ao santo, seja apenas no dia 24 de junho.

Nesta segunda semana do mês, também de forma oficial, foram iniciados os batizados dos bomba-bois, festa cultural do Estado, patrimônio imaterial do Brasil, de acordo com a Unesco.

Durante a segunda semana de junho, são divulgadas e conhecidas as novas “toadas” (músicas apresentadas) que vão conduzir a boiada em todos os terreiros onde se apresentam. Quem apresenta a “toada”, não é o “cantor”. É o “Cantador”. Mas, há também aqueles que cantam e, sem terem ligações com os “bois”, se transformam em cantores e cantadores ao mesmo tempo. É o caso de Papete.

José de Ribamar Viana, conhecido como Papete, nasceu em Bacabal, a 8 de novembro de 1947, e faleceu em São Paulo, a 26 de maio de 2016), foi um cantor, compositor e percussionista brasileiro.

Papete estudou no Colégio Marista Maranhense. Estudou também reportagem fotográfica em São Paulo. Trabalhou por sete anos em uma casa de música, o Jogral, onde deu início a sua trajetória musical. Trabalhou como produtor, pesquisador e arranjador na produtora Discos Marcus Pereira. Foi eleito um dos três melhores percussionistas do mundo quando participou do Festival de Jazz de Montreux na Suíça nos anos de 1982, 1984 e 1987.

Também acompanhou o músico italiano Angelo Branduardi na década de 80, se apresentou com o saxofonista japonês Sadao Watanabe, com Toquinho e Vinicius, e posteriormente com Toquinho, por treze anos fazendo com este mais de mil apresentações em mais de vinte países. Trabalhou com os maiores artistas da MPB, como Paulinho da Viola, Miucha, Rosinha de Valença, Paulinho Nogueira, Marília Medalha, Chico Buarque, Sá e Guarabira, Almir Sater, Rita Lee, Diana Pequeno, Renato Teixeira, Martinho da Vila, entre outros.

Compôs com Josias as canções e o libreto da ópera “Catirina”, marco da cultura maranhense nos anos 90. Um dos projetos que coordenou, originou a obra Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão lançado em novembro de 2015.

Catirina

Catirina que só quer
comer da língua do boi
carne seca na janela
quando alguém olha pra ela
pensa que lhe dão valor

Ai Catirina poupa esse boi,
Ai Catirina poupa esse boi.
Que quer crescer

Papete

Coisa bela pela plasticidade, e encantadora pela evolução dos movimentos, nesse período da magia que envolve a cultura popular maranhense, é o bumba-boi de orquestra (aqui, chamado de “sotaque” – o que caracteriza ritmo, sonoridade e percussão diferentes). E, um desses momentos mágicos e encantadores é apresentado pelo Boi Pirilampo.

Existindo há mais de três dezenas de anos, o Boi Pirilampo é o elemento mágico que se tornou conhecido a partir da beleza e da simplicidade da toada “Esqueça”, carro-chefe do grupo, onde quer que se apresente. Infelizmente, problemas de desentendimento entre o autor da toada e os comandantes (aqui chamados de “amos” – no caso, é o “amo”) levaram à uma decisão judicial que, hoje, proíbe a apresentação da toada. Mas, você pode ouvi-la logo abaixo.

Passistas do Boi Pirilampo

Esqueça – Composição de José Raimundo Gonçalves – Boi Pirilampo

Esqueça aqueles momentos, felizes que você me deu
Esqueça aquele juramento, que fizemos só você e eu
Esqueça a noite, a madrugada, e a lua que já se perdeu
Esqueça que você me amou
Esqueça esse amor que foi meu
Esqueça que já me deixou
Esqueça que não me esqueceu

Humberto – Cantador e Amo do Boi de Maracanã

Muitos neste Brasil já ouviram a maranhense Alcione apresentar essa toada (“Maranhão meu tesouro, meu torrão”) e isso contribuiu para que o bumba-boi da zona rural de São Luís ganhasse notoriedade e seja um dos mais festejados da Ilha. Infelizmente, o Cantador e amo do Boi de Maracanã, Humberto, faleceu há poucos anos atrás deixando uma lacuna aberta na vida da cultura popular maranhense.

Maranhão Meu Tesouro, Meu Torrão

Maranhão, meu tesouro, meu torrão
Fiz esta toada, pra ti Maranhão
Maranhão, meu tesouro, meu torrão
Eu fiz esta toada, pra ti Maranhão
Terra do babaçu
Que a natureza cultiva
Esta palmeira nativa
É que me dá inspiração

A pandemia instalada no Brasil por conta do Corona vírus diminuiu o ímpeto e limitou as apresentações juninas no Maranhão. Entretanto, como os batalhões diminuídos para atender as determinações das autoridades sanitárias, ainda assim, na noite de ontem aconteceram alguns batizados.

Ainda é dúvida na cidade, o que vai acontecer nos dois últimos dias seguidos do mês, com encerramento oficial dos festejos religiosos. No dia 29, consagrado à São Pedro e, no dia seguinte, 30, consagrado à São Marçal, dia em que acontece há mais de 50 anos, em São Luís, um encontro de bumba-bois de todos os sotaques.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A CANJICA, A MAÇÃ DO AMOR E O ROLETE DE CANA

Milho verde apropriado para a canjica

Começa o mês de junho e a gente já consegue ouvir, longe, os sons das zabumbas, das sanfonas, dos foguetes e dos ensaios das quadrilhas juninas. É a confirmação da tradição cultural de um país que, ainda que enfrentando uma pandemia, ousa se divertir. Mês joanino, de Santo Antônio, São João e São Pedro; e junino dos trinta dias do mês de junho.

No meu Ceará, tradicionalmente e neste ano, a agricultura familiar recebeu a bênção divina das chuvas (muita água em alguns lugares, mas nada que atrapalhe) e tem a colheita assegurada. A fartura. O arroz, o feijão, a mandioca e o milho.

Canjica de milho verde decorada com canela em pó

A primeira colheita do milho preserva e mantém a tradição de uma culinária rica que leva alegria às mesas das famílias dos muitos agricultores. Tão logo a boneca vira sabugo, e a espiga fica completa, vem a primeira colheita – e a garantia do milho cozido ou assado; da pamonha e da canjica.

No próximo sábado, 13, dia consagrado à Santo Antônio, as primeiras fogueiras são acesas e as tradições culturais e folclóricas ganham nova pintura – mas, sempre mantendo a tradição trazida, ensinada e perpetuada pelos nossos antepassados.

Aprendi com os avós que, 17 dias após o “amadurecimento” do milho, as espigas já estão prontas para “virar” – por algum tempo, na posição que brota, a espiga apanha sol, e seca. É chegada a hora de “virar” a espiga para secar na outra posição. É a cultura da roça que nenhuma escola ensina.

Para aprender, tem que viver no meio e sentir prazer em fazer o que faz: pôr alimento na mesa.

Maçã do amor

Quase sempre no início da segunda semana do mês de junho, muitas Igrejas realizam (ou, “realizavam”) seus preparativos para render homenagens ao santo padroeiro. Entre esses preparativos, por tradição, são realizados os folguedos – em Fortaleza e de resto no Ceará, são conhecidos como “quermesses” – que duram cerca de 30 dias.

Os folguedos antigos reuniam os jovens enamorados e aqueles que pretendiam namorar. Os rapazes, roupas simples, mas sempre bem vestidos; as moças, acompanhadas das mães ou tias, primeiro assistiam a Santa Missa. Depois, “ganhavam” uma pequena folga das mães e se permitiam namorar.

Carrossel, roda gigante, tiro ao alvo, laça cigarros, pescaria, eram algumas das diversões apresentadas durante os folguedos, tudo permitido e organizado pela paróquia. Ao final de cada noite, o leilão de prendas domésticas – o “frango assado” ainda era uma grande novidade nos anos 50 e 60. Os valores arrecadados, descontados os custos e as despesas, eram em benefício da paróquia.

A “maçã do amor” era uma tradição. O rapaz juntava dinheiro durante toda a semana, para oferecer, à noite, aquela gostosura à namorada. Os dois mordiam a maçã, juntos. Pena que ainda não existia a “selfie”.

Barraca com vendedora da maçã do amor

Faz tempo que, festança junina que representa tradição e respeito, não pode4m faltar alguns itens como cacho de pitombas, caldo de cana com pastel, pipoca, algodão doce e, principalmente, rolete de cana.

Nos folguedos nordestinos, a cana caiana da qual é feito o rolete, é parte da cultura das coisas importantes. Ainda hoje, a cana de açúcar é uma das maiores riquezas do Brasil, produzindo, entre outras coisas, o açúcar, o metanol e principalmente o álcool.

Desde os primórdios, os engenhos fazem a riqueza de muitos “senhores”, gerando empregos e desenvolvimento. Mas, também de forma tradicional, jamais deixará de existir o trabalho escravo no plantio, no cuidado durante a lavoura e no corte da cana de açúcar.

Cana caiana

Vale registrar que, no caso específico do “rolete de cana”, ele é vendido em vários lugares, incluindo praias, estádios de jogos de futebol e até faz a alegria de crianças em festas de aniversários.

Roletes de cana caiana

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

EITA “MUSQUITIM” FELA DA PUTA!

Dando uma pequena volta pelo mundo da infância (a minha) vou focar hoje, umas traquinagens que me renderam boas sovas e muitos castigos com a cara voltada para o canto da parede.

Toda criança “levada” passou por isso. Quem não passou, com certeza virou vítima de “bullying”, o rótulo afrescalhado do americano.

Chulipa – era mais gostoso ainda, “dar uma chulipa”, passando saliva no dedo e melando da areia, e dando aquele catiripapo vertical na orelha de alguém.

Tirar o selo – geralmente, quem fazia isso, fazia a cada mês. Era comum o corte de cabelo “estilo busca-ré”, onde, metade do quengo era raspado com máquina graduada a zero. Ficava liso, igual bunda de recém-nascido. Dar uma leve pancada, significava “tirar o selo.”

Criança de castigo por desobediência

Pois, hoje, me vieram à lembrança, dois castigos que tomei na infância. O primeiro, até hoje considero “injusto”.

Sempre que ia “jogar barro fora”, tinha que procurar fazer a necessidade no mato. Não tínhamos local apropriado em casa para fazer a necessidade fisiológica. Papel higiênico, a gente só foi conhecer ao mudar para a capital.

Certa vez “precisei jogar o barro fora”. Senti que as galinhas e alguns porcos sentiam tanta fome, que seriam capazes de enfrentar qualquer guerra. A arma que dispúnhamos era uma vara de aproximadamente 3 metros, com a qual mantínhamos o animal distante, momentaneamente, da “obra”.

A solução era, literalmente, “cagar trepado”. Nisso, a “obra” acabou sujando uns porcos da Vovó. Castigo: levar os suínos para banhar no açude, distante da nossa casa por uns bons quilômetros. E aí, veio a calhar aquele ditado: quem com porcos se mete, farelo come.

O segundo castigo, foi mais que merecido. Meu Avô não gostava de castigar os netos – deixava para a Avó, esse “trabalho”.

Eis que cismei de “botar um musquitim” no meu Avô, enquanto ele dormia o sono dos justos, deitado no chão da varanda.

Criança de castigo na escola

“Musquitim”, na minha terra, era o reuso de um palito de fósforo. Enquanto a pessoa dormia, malandra e lentamente, a gente colocava o “musquitim” apagado na testa do dorminhoco, antes, colocando algum calçado na mão. Toca fogo e espera a reação. Quando o “musquitim” tá pegando fogo, o dorminhoco “dá um tapa” para matar o mosquito.

Foi assim. Quando meu Avô precisou matar o mosquito da nesta, deu com o chinelo no próprio rosto. Eita musquitim fela da puta!

Como criança naquele dia só tinha eu em casa, entrei foi nos tabefes. Depois, o castigo pior: tomar banho depois que apanhava.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A REDOMA É DE VIDRO – E NÃO É BLINDADA

Redoma de vidro não protege nadica de nada

Ao longo da minha vida, bem vivida e com ótima infância por sinal, ouvi e acabei aprendendo muita coisa. Cheguei até comer jia, que ainda pegava, para vender para uns padres holandeses que, nos anos 60 chegaram em Fortaleza, com o objetivo de colaborar com a Educação. Mas, uma coisa nunca consegui, por mais pressionado que tenha sido: “engolir sapo” e ficar calado.

E, convenhamos! Após passar incólume por um regime excludente durante 21 anos, de 1964 até 1985, nunca imaginei que, a Constituinte de 1988, conquistada em troca de muitas vidas humanas, fosse tão publicamente desrespeitada, exatamente pelos que, ali colocados, imaginávamos guardiães.

Antes de ir me aconselhar com minha Avó, quero ter a audácia de sugerir aos amigos que comparecem por aqui aos domingos, a leitura de um livro. “Os Onze – o STF, seus bastidores e suas crises”, editado pela Companhia das Letras, escrito pela dupla Felipe Fecondo e Luiz Weber.

Ali, a dupla revela tantas coisas, que poucos acreditam. O que poucos acreditam é que, num país em constante e crescente curva de descrédito, roubalheira, corrupção, desfaçatez, pouca vergonha, e mais uma infinidade de maus adjetivos – mas, justos e cabíveis! – exista em meio a tudo isso, um monstro mais horrendo que Frankstein. É o que mostra a dupla autora do “ex-ce-len-te” livro – porque revelador.

Pois, eis que me arvoro do direito pleno de, querendo mostrar em qual pântano estamos vivendo e sendo obrigados a engolir todo e qualquer tipo de sapo, jia ou rã, antes de sermos devorados pelas cobras que ali sobrevivem.

Supremo Tribunal Federal – haja Justiça!

Transcrevo, ipsis literis:

Página 131: “Era um pedido feito por “Tango”. Na tarde de 15 de abril de 2016, o ofício número 0006/2016 – Gab/VPR chegou à mesa do então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes. Despachado do gabinete da vice-presidência da República, o documento informava que o e-mail marcelatemer@terra.com.br fora “raqueado”. A velocidade com que um papel percorre os escaninhos da burocracia varia conforme o remetente. Nos dias que se seguiram à correspondência, 33 policiais da Equipe A da Divisão Antissequestro da polícia paulista foram mobilizados para investigar o caso. No inquérito, apenas uma menção cifrada às vítimas: “Tango e Mike solicitaram proteção”.

No alfabeto fonético adotado pelos policiais, cada letra é associada a uma palavra……….Tango representava o “T”, de Temer, de Michel Temer; Mike, o “M”, de Marcela, a primeira-dama.” Além do e-mail, os arquivos de áudio do WhatsApp haviam sido violados.

“………………..A dois dias da aprovação pelo plenário da Câmara, da abertura do processo de impeachment de Dilma – uma crise germinada com a colaboração do então vice-presidente, que se afastara politicamente da mandatária -, Temer suspeitava da discrição dos canais oficiais à sua disposição – Polícia Federal e Abin. Preocupado com vazamentos e determinado a pôr um fim rápido à chantagem, Tango recorreu, sem intermediários, a Moraes, enviando-lhe o ofício confidencial. Moraes era um híbrido de político e jurista, como o próprio Temer. Passara pelo DEM e pela USP. Eram seres que se reconheciam, embora não íntimos. Em menos de um mês, os envolvidos foram presos e a gravação furtada do aplicativo da primeira-dama nunca apareceu.” (Página 132).

A seguir, na página 133, o que mais me causou “estranheza”:

“A morte de Zavascki catalisou a única nomeação de Temer, que, durante o processo, revelou a aleatoriedade que permeia as indicações ao Supremo – vinculação partidária com o presidente, linhagem jurisprudencial, manifestações acadêmicas anteriores pouco são levadas em conta. “O Alexandre foi a opção natural com a morte de Zavascki. Tinha dado provas de confiança e discrição no caso do hacker e se aproximara do presidente. Só isso”, lembrou um integrante do primeiro escalão do governo Temer, que acompanhou de perto o processo de escolha para o STF do então ministro da Justiça.”

Ainda na página 133:

“A análise das indicações ocorridas após a promulgação da Constituição mostra, até há pouco tempo, um processo de indicação subordinado a cálculos de política menor, a pequenos agradecimentos, idiossincrasias do presidente, ao marketing político, a padrinhos poderosos, à confiança pessoal do presidente da República na pessoa e não no perfil de quem será o julgador. Isso reduzia quase à insignificância as avaliações sobre o poder das decisões de um ministro do STF para interferir na sociedade.”

Diante de tudo isso (claro que, aqui se trata apenas de um texto provavelmente opinativo interpretado pelos autores, sem deixar de lado os fatos. Fatos verídicos.

Ora, e o que estou pretendendo dizer com isso? Nada.

Apenas dizer que a redoma é de vidro. E, não sendo blindado (por uma gama de contraposições mostradas e, principalmente, pelos fatos estapafúrdios que acontecem desde janeiro de 2019), pode quebrar. E, vê-se que, apenas um cabo e um soldado podem quebrar. Sem tanta força ou trabalho.

Agora, se voltarmos um pouco a fita desse filme que virou pornochanchada, sequer teremos o direito de nos surpreender, pois, Joaquim Barbosa “nos avisou” em várias oportunidades que “aquilo ali” jamais seria uma “instituição onde se faz Justiça”.

Enquanto “falta dinheiro” (e isso nada tem com o Governo Bolsonaro) para impulsionar com a qualidade necessária a pesquisa científica que possa honrar e justificar as nossas universidades – “Os Onze” ainda revela que, cada “Excelência” dispõe naquele “muquifo”, de elevador privativo. São onze “Excelências”, cada um com um elevador privativo, programado para abrir a porta apenas para entrar e sair do gabinete “excelencial”, ou, no salão de sessões. Auxiliares, tantos quantos queiram e solicitem. Veículos com placas camaleônicas – que mudam quando saem do local onde deveriam trabalhar – para não serem flagrados ou identificados.

Vovó, com certeza perguntaria: “Mais menino, se tudo é legal, é feito com toda Justiça e clareza, tudo direitinho, e à luz da Constituição, pra que essas preocupações?”

Pior que isso, é que, aquela conversa de “notável saber jurídico e nada, é a mesma coisa”!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

TÔ DEVENDO E QUERO PAGAR!

1 – Pai de jumentinho!

Fiquei (e ainda estou) fora do ar por uns dias. Mudei meu provedor de e-mails na Internet e estou esperando a regularização. Não vai demorar muito. Prometo.

E, quando me disponho a rabiscar alguma coisa, o mundo rico que vivi foi o mundo da infância. Da minha infância, vivida no interior, aporrinhando meus avós, espantando ou juntando cabras e bodes para o chiqueiro, e, quando apareceram os pêlos nos devidos lugares, “fazendo fios em jumentinhas”.

Foi quando, certo dia numa capoeira, estava “me aproveitando” de uma certa “diversão dos meninos”, quando escutei minha Avó:

– Tenha vergonha, cabra safado! Vá percurar outra coisa pra cumê!

Vivi o restante daquela idade sendo obrigado a escutar e suportar gozações dos primos, que afirmavam que, meu primeiro filho seria um jumentinho! Arre égua!
E eu acreditava!

2 – O cineasta

Sei que deveria pedir licença para o especialista Altamir para dar uma rápida passeada n o tema cinema. Eu gosto de cinema. Filme que considero bom, costumo ver mais de uma vez. Filmes que considero excelente, vejo apenas uma vez – para não estragar.

Mas, o assunto não é esse. Bifurquei errado e vou corrigir. Quero falar de filme e de cinema, mas de filme e de cinema feito por mim. Sim, fui cineasta e achei que teria futuro. Mas, quando menos esperava e já comemorava a bênção da Lei Rouanet para subvencionar de forma superfaturada as minhas fitas, minha Mãe, com uma “cabada de vassoura” na minha cabeça, me fez acordar do sonho.

A “máquina de projeção”

Juntei alguns mil réis que meu Pai carregava naquele bolsinho pequeno, na frente da calça, próximo da fivela do cinto e me dava. Juntei tanto que, no dia 23 de outubro (data do aniversário de vida dele), pude comprar uma caixa cheia e lacrada de charutos Suerdieck para dar-lhe de presente. Ele agradeceu muito e, toda noite, após o jantar acendia um charuto e fumava.

Minha Mãe dizia que ele “ficava fumando para matar muriçoca”! Por isso e por outra coisa, fiquei patrulhando os 50 dias que meu Pai fumava aquele charuto de cheiro até agradável. Mas, eu tinha um objetivo: pegar o caixote dos charutos, vazio. Era ali que eu montaria toda a minha engrenagem de cineasta.

No dia seguinte ao último charuto, peguei logo a caixa vazia e me apressei. Arranquei a tampa. Colocando a caixa na vertical, furei nela com a serra tico-tico, uma buraco, onde afixei uma lâmpada queimada, marca Phillips (lembro até hoje). Parte da “engenhoca” estava pronta.

Enquanto meu Pai fumava os 50 charutos, fui me preparando. Saía da escola e, em vez de voltar para casa, ia para o Cine Nazaré, onde fiz amizade. Pedi uns pedaços de fita e ganhei quase um rolo. De fita colorida, pasmem!

Lâmpada para auxiliar na projeção da fita

No dia seguinte, em casa, eu precisava testar a projeção. Faltava a iluminação. Sem que minha Mãe visse, subi no telhado da casa e, calculadamente, afastei uma telha, de forma que, passasse por ali a luz do sol.

– Menino, o que tu tá fazendo aí nesse telhado? Perguntou minha Mãe.

– Tô pegando uma arraia (papagaio ou pipa) bonitona que enganchou!

Depois de tudo aquilo, demorei tanto que uma lenta e grande nuvem me roubou o sol. Precisei disfarçar e consegui. Naquele dia o sol não voltaria mais.

No dia seguinte, enchi a lâmpada de água, afixei uns pedaços de fita, peguei um pedaço de espelho e, comecei a projetar o filme. Uma maravilha!

Não gostei foi do resultado final. O funcionário do Cine Nazaré, quando me entregou quase um rolo de fitas, provavelmente sem maldade, não percebeu que existia uns 20 metros de “The End”!

Filmes épicos do meu cinema

Mas os dias seguintes foram proveitosos e me sentia um dos melhores cineastas, ao lado de Jean Luc Godar, Orson Welles e o ainda desconhecido Glauber Rocha.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O VAQUEIRO E A BOIADA

O Vaqueiro “fala” com o berrante no domínio da boiada

Tudo tem um sentido. Tudo faz sentido, ainda que não seja para você. Nada acontece sem que tenha que acontecer. Você ver ou gostar é uma questão normal do universo das coisas.

Alguém pode estar num teatro assistindo uma peça teatral, uma ópera, um musical ou coisa do gênero. Você está ali naquele momento – mas, pelo “querer universal” das coisas, outras pessoas não estarão. É assim que é a vida e o viver. Tudo faz sentido. Repito: ainda que não seja para você.

Há quem aprecie um teatro com uma música clássica, tipo uma música de Johann Sebastian Bach. Há momentos que essa música satisfaz a um e a outros, não. No somatório, a maioria que ouve, gosta.

Mas, há momentos e lugares que, o som de um berrante tangendo uma boiada é muito mais envolvente, e consegue acariciar ao mesmo tempo o nosso ego e o nosso relacionamento individual com a Natureza. Com o boi, com a fazenda. Com a vida que nos satisfaz, naquele momento. É a satisfação comandada pelo universo das coisas.

Um berrante modificando o som universal do prazer diário

Da mesma forma, passear no shopping, na praça, na praia, certamente dará prazer e alegria à alguém. Mas, entre nós, sem que precisemos rotular de simplório ou bobalhão, alguém que sentirá, também, prazer em caminhar por uma fazenda de gado, visitar os currais ou acariciar uma vaca ou um bezerro.

Tudo depende do momento que o universo nos oferece mas, principalmente, do seu estado de espírito. Claro que haverá momentos que o berro de um boi incomodará, da mesma forma que o som alto de uma música vindo de algum lugar também incomodará. Mas, isso será apenas a ação universal benfazeja que ainda não chegou até você.

Vaqueiros em preparação para conduzir a imagem de São Raimundo

Falando especificamente em boi, vaca e bezerro, aproveito para informar aos leitores que, no Maranhão, ainda que aqui não estejam grandes ou os maiores rebanhos bovinos do Brasil, é no Município de Vargem Grande onde se concentra o início da pecuária como força econômica do Estado.

Nos dias atuais, Vargem Grande, que aniversaria no dia 29 de março, e dista 172 km de São Luís é onde acontece o maior festejo religioso do Norte-Nordeste ligado à pecuária. É o festejo que rende homenagens ao santo padroeiro São Raimundo Nonato dos Mulundus, sempre no período de 22 a 31 de agosto de cada ano.

Muito concorrido, o festejo religioso reúne acima de 60 mil pessoas – a população da cidade, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), colhida em 2015, era de 54.845 pessoas.

Além da importância de Vargem Grande no calendário dos acontecimentos religiosos do Estado, a cidade é festejada historicamente, por ter servido de acampamento para a Terceira Coluna, em 1840, em repressão preparativa no combate à Balaiada.

Vaqueiro “condutor” de boiada para o pasto ou para o abate

Lidar com boi não é coisa fácil nem para qualquer um. Há que ter destreza e coragem, mas, principalmente, respeito pelo animal que, na maioria das vezes está sendo levado para o sacrifício do abate.

Ainda que criado com as melhores rações ou nos melhores pastos, o “stress” poderá provocar diferença na qualidade da carne consumida pelos humanos.

Há quem garanta que, o Vaqueiro “conversa com o boi, no estalar do chicote” ou o convida para momentos bons no toque do berrante. Com certeza, será por isso que existem diferentes tons no toque do berrante.

Boi maltratado será sempre boi difícil de lidar. O chicote do Vaqueiro não é para bater no animal. É para garantir a ele, boi, que alguém o está conduzindo com segurança, e sempre em meio da sua comunidade (boiada) – Vaqueiro não toca berrante quando conduz o boi para o abate. O som não seria agradável.

Esporas (sem pontas – para não estressar o cavalo) de Vaqueiro conduzindo boiada

EM TEMPO: Claro que, quem conhece e vive o dia a dia da pecuária, pode e deve ter informações e definições diferentes das que apresentamos aqui – mas, com certeza, será apenas por conta do tamanho continental e das diferentes formas de vida e da produção de alimentos – entre esses, a carne bovina. Nada além disso.