JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

POR QUEM OS SINOS TOCAM?

Os sinos da Igreja

Tivemos a época do pombo-correio. Faz tempo isso!

Tivemos a época da comunicação por tambores (lembrem como, na revista de quadrinhos, Tarzan mandava mensagens e como essas mensagens eram divulgadas; lembrem, também, a forma de comunicação do Fantasma para Lothar e até para chamar Capeto, o cão de estimação).

Era assim, sim!

Foi assim!

Hoje, muita coisa mudou e foi substituída pela tecnologia. Nem sempre eficiente ou absorvida por todos.

A correspondência dos Correios já foi feita por pessoas montando cavalos; as contas dos impostos já chegaram nos lombos de animais.

Hoje, basta “baixar” os aplicativos no telefone celular e tudo se resolve.

Garrafas de leite e um saco com pães eram deixados no batente da porta de entrada. Ninguém se atrevia a mexer. Era isso que os pais ensinavam e os filhos, obedientes, aprendiam.

Os jornais também eram colocados por debaixo da porta.

Mas, nunca será tarde nem ofensivo para relembrarmos, nas casas das famílias de maiores posses, como a patroa chamava a empregada: usando um pequeno sino. Ou, como o entregador de leite avisava que estava no portão: por meio de um sino; ou como alguém chamava o atendimento, ao chegar numa residência: tocando o sino afixado ao portão.

Mas, o que mais nos comove e traz boas lembranças, era o sino usado para anunciar o início de mais uma aula nos colégios. Mais alegres ainda, ficávamos, quando o sino tocava para o final das aulas do dia. Tempos bons que não voltam mais.

Nos dias atuais, os sinos estão sumindo até das torres das igrejas. Sino virou relíquia, depois de ser usado por anos e anos.

Alguém lembra o Pregoeiro que vendia “chegadinha” (uma casca doce de trigo torrada que servia também para receber o sorvete) e como ele anunciava o produto vendido de porta em porta em muitos bairros de cidades brasileiras?

Hoje, por quem os sinos tocam?

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O ÚLTIMO BONDE

A última viagem do bonde

Londres, Paris, Rio de Janeiro ou São Luís, o desenho do destino será sempre o mesmo. Antes, anos que marcaram séculos, um dos mais tradicionais e poéticos meios de transporte.

Hoje, o romantismo da saudade. A falta que faz em algumas cidades. Outras, mantiveram as viagens dependuradas nas soleiras e a figura central do Motorneiro.

Até onde se sabe, em Londres, uma das primeiras ruas do Centro nobre a receber a circulação os bondes, foi a Pentonville Road, onde os primeiros testes aconteceram em 1883. Antes, haviam sido “puxados a cavalo”. Testados e aprovados, os bondes elétricos de Londres circularam de 1901 até 1952, quando foram extintos. Voltaram a circular a partir do ano 2000 e distribuem tradição e eficácia até hoje.

Em Paris, a Rue de Rivoli, próxima ao Louvre foi a premiada com a beleza desse meio de transporte.

Mas, os Arcos da Lapa, na área central do Rio de Janeiro continuam levando passageiros e turistas curiosos para Santa Teresa, onde hoje, infelizmente, vive o domínio dos traficantes de drogas.

Via de bondes montada sobre os Arcos da Lapa no Rio de Janeiro

Eufrásio era o nome dele. Figura esguia, descendente de família portuguesa. Em Lisboa aprendeu com o avô a se intrometer com o transporte público e a condução de bondes. Garantia que o avô dirigira um bonde puxado por duas parelhas de bons cavalos.

Em São Luís, foi morador do bairro Anil, por anos servido por bondes, inclusive bondes puxados a cavalos.

Bom conversador, relembrava as épocas áureas de Lisboa, onde dizia pretender voltar – ainda que fosse para ser enterrado.

Mas, voltando à Londres. Ali na terra da Rainha Elizabeth, Eufrásio seria Motorman, Tram driver ou ainda Streetcar operator/driver, designação distante da poesia que impregnamos na saudade.

Nas proximidades do Louvre, Seu Eufrásio não passaria de um Wattman ou Conducteur de tramway a desfilar pelas ruas centrais da Cidade Luz.

E, se algum dia retornasse à Lisboa, voltaria a ser conhecido como Guarda-freio ou Condutor de elétrico. Mas, distante algumas horas de Lisboa, no bairro do Anil, em São Luís, jamais passaria do simples Seu Eufrásio.

Seu Eufrásio vestido com “roupa de gala”

Entretanto, o destino das pessoas é desenhado e escrito ainda no ventre materno. Tudo que fará e viverá já está decidido. Assim, um misto de homenagem com decepção que seria guardada até a volta ao barro – e nunca para Lisboa – estava reservado para Seu Eufrásio.

A homenagem: conduzir o último bonde em circulação em São Luís, não para Lisboa, mas para o “cemitério” localizado no campus da UEMA, onde jaz. E de lá nunca mais sairá.

A decepção: nunca mais teria a chance de olhar as palmeiras onde ainda ecoam os cânticos dos sabiás na Praça Gonçalves Dias, um dos trajetos oficiais garantidos dos bondes.

O último bonde “depositado” como ferro velho no campus da UEMA

Hoje, diferentemente de Londres, Paris e Lisboa, São Luís que está inserida de forma mentirosa no combate à poluição e teve representante na COP30 dispensou esse transporte “despoluidor” e sepultou definitivamente o sonho do Seu Eufrásio, de um dia retornar em triunfo a Lisboa.

O emaranhado de trilhos que se estendiam do Anil e levavam ao Centro Histórico com passagens pela Praça Gonçalves Dias, já não nos permitem escutar o cântico dos sabiás.

Os trilhos estão soterrados pelo modernismo do asfalto, o sabiá parou de cantar, o último bonde está sendo destruído pela ferrugem e Seu Eufrásio, só Deus sabe onde está.

Os trilhos por onde passaram vidas, são hoje apenas lembranças

OBSERVAÇÃO: Fotos meramente ilustrativas – nada de reais.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS MEIZINHAS E AS ERVAS QUE NOS CURAVAM

Cheguei ao Maranhão, morando sempre na capital, São Luís em 1987. Nunca brinquei carnaval, já estava satisfeito com o carnaval do Rio de Janeiro, onde morei por vinte anos.

No Maranhão, o bumba-boi me fascinou e conquistou. Me habituei a ir até aos muitos ensaios, sem preferência de sotaque (sotaque, aqui, significa a linha cultural e o ritmo a serem seguidas e apresentadas).

Dito isso, preferi curtir o carnaval em casa: lendo, dormindo e acordando. Acho que ganhei!

Na tarde de quarta-feira, 18, mudei de atitude e fui ao Shopping tomar um café, e espairecer. Café expresso, que gosto muito, acompanhado com uns pães de queijo, que também aprecio.

No playground do shopping (vejam: quatro palavras, duas de origem inglesa no nosso dia-a-dia de brasileiros), para saborear o café, estrategicamente sentado observei que, num espaço cheio de umas bolinhas plásticas, um menino sofreu um pequeno acidente, e logo surgiu um trauma. A mãe (ou Babá) ficou atarentada e aparentemente sem saber o que fazer. Pegou o celular e falou com alguém. Depois de desligar o telefone, saiu apressada para garantir o atendimento à criança.

Passada aquela cena, continuei saboreando o café com os pães de queijo – e foi aí que me vieram à mente cenas da infância, e quando sofria algum acidente. Se o trauma provocasse sangramento, eu mesmo punha areia sobre o machucado e continuava brincando. Na capital, minha mãe me socorria com o nosso maravilhoso merthiolate.

Ardia, o merthiolate?

Puta que pariu! Como ardia! Era pior que sofrer o acidente.

Mas, a cena que me veio à mente, não foi estando na capital. Era no interior, na casa da minha milagrosa Avó!

Se o trauma provocasse apenas um “dedo desmentido”, a solução era o emplastro de mastruz (ou mastruço), que curava em menos de 24 horas. O leite de jasmim ou pó de café também eram usados.

Mastruz a erva milagrosa

“Mastruz (Mastruço) Dysphania ambrosioides – é uma espécie de planta com flor pertencente à família Amaranthaceae. É popularmente conhecida como erva-de-santa-maria, mentruz, mastruz, mastruço, chá-do-méxico, erva-formigueira, lombrigueira ou quenopódio. É uma planta de porte herbáceo que possui ampla distribuição pelo Brasil e outros países da América Latina. A espécie possui diversas propriedades biológicas muito utilizadas na medicina popular para tratamento de humanos, destacando-se as atividades vermicida, anti-inflamatória e cicatrizante.”

Das Queimadas – povoado pertencente a Pacajus (município cearense onde nasci) – até a margem da BR por onde passavam os ônibus que levavam à Fortaleza, precisávamos caminhar cerca de 20 léguas, numa estrada de areia fofa que nos obrigava a retirar os calçados. Precisávamos lavar os pés, quando atingíssemos a margem da BR.

Melhor não sacrificar ninguém com essa caminhada (entendia e decidia minha anafabeta Avó), o que a obrigava a recorrer, sempre, às “meizinhas”. Meizinhas, nada mais era que providências e curativos inventados e seguidos entre nós: e que nos curava de tudo.

As meizinhas curavam até soluço. A melhor meizinha para curar soluço, lembro bem, era provocar um “susto” ao acometido.

Plano de Saúde era coisa do mundo da lua. Cirurgia, ninguém conhecia. E, muitas vezes, a melhor meizinha para certas doenças, era a morte. O falecido gosaria da eternidade divina.

Melhor lugar que muitos foram, e, de tão satisfeitos, nunca voltaram.

Mutamba ou mutambo afrodisíaco e antidiarréico

Mutamba (Mutambo) – (Guazuma ulmifolia), da família Malvaceae, é uma árvore nativa da América Latina usada na medicina popular para tratar problemas digestivos (diarreia, cólicas), quedas de cabelo, diabetes e como adstringente, anti-inflamatório e antioxidante, sendo usada em chás e loções capilares, mas seu uso deve ter orientação profissional. A Guazuma ulmifolia é espécie arbórea pioneira, integrante da familía Malvaceae, conhecida no Pará como embira e mutamba-verdadeira, no Rio Grande do Sul como embiru, na Bahia como periquiteira (daí a certeza de ser afrodisíaca), no Mato Grosso como envireira e pau-de-bicho e em São Paulo como araticum-bravo, cabeça-de-negro e guaxima-torcida, é uma árvore que ocorre nativamente do México ao Brasil. Ela é encontrada em todos os estados brasileiros nos domínios fitogeográficos: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga em vegetações de área antrópica, floresta de terra firme, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila e Floresta Ombrófila Mista. A planta possui diversos usos, incluindo como forragem animal e em preparos para alimentação humana e medicina tradicional.”

Tadalafila, ninguém conhecia. Ainda mais naqueles cerrados onde até o diabo perdera as botas (tirou-as para caminhar no areal e esqueceu nunca se soube onde).

Mas, alguém sempre teve a meizinha certa para alguns casos. Minha Avó. A figura era mestra nessas coisas.

Quando meu Avô estava cansado e sem “coragem” (aqui tem o sentido de “sem tesão”, mesmo. Vontade de nhanhar), minha Avó preparava uma gemada de ovo de galinha caipira com o chá da folha da mutamba. Era tiro e queda. Vovó saía pela casa pedindo socorro e procurando o cachimbo para ir fumar na latada fronteiriça da casa.

Cravo-da-India – O cravo é uma especiaria originária da Indonésia, muito apreciado na culinária e muito presente nas masalas, a parte consumida é chamada de botão floral, que é usada como tempero e chá. Possui aroma intenso e sabor marcante e uma especiaria muito versátil para preparos doces e salgados. O seu uso em sobremesas remonta de um antigo hábito, está relacionado ao poder repelente para impedir a invasão de formigas. Seus benefícios são associados a bons estímulos digestivos e a uma marcante propriedade bactericida e fungicida. Analgésico: O óleo de cravo contém um composto chamado eugenol, que tem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias. Por esse motivo, o cravo-da-índia é frequentemente usado para aliviar dores de dente e gengivas. Bactericida: O cravo pode ajudar a combater bactérias nocivas quando aplicado topicamente, como na limpeza de feridas ou em tratamentos naturais para infecções cutâneas. Fungicida: O cravo também possui propriedades antifúngicas, pode ser usado no tratamento de infecções fúngicas, como pé de atleta ou micoses de unha.

Cravo-da-índia – Muito usado na medicina popular e na culinária

Nas férias escolares, quando íamos para a casa da Vovó levávamos nossos produtos de assepsia pessoal. Sabonete e creme dental Eucalol. Colgate ainda não existia, muito menos o Kolynos. Mas, lembro bem, já existia o sabonete Phebo. Apesar disso, banhos no açude tinham o auxílio do sabão Pavão. O dentifrício, quando acabava, usávamos a raspa do juazeiro ou folhas de melão São Caetano.

Mas, como o assunto é “meizinhas”, nas aflições com dentes estragados que doíam, Vovó fazia uma gororoba com cravo-da-índia, embebia num pedaço de algodão e punha na “panela” do dente. Era como se fosse uma anestesia.

E… por que, dor de dente em criança ataca sempre durante a noite?

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

“QUANDO TU IAS PARA OS CAJUS, EU JÁ VINHA COM AS CASTANHAS”: RAIMUNDA BURETAMA

Cajueiro “carregado” de cajus

A Natureza é pródiga. É algo divino, e, felizmente, nada tem a ver com a vontade dos homens. Assim, quando termina o inverno e se inicia a primavera, em meados de agosto e setembro, no sertão, na caatinga ou em qualquer parte do planeta, tem início a floração dos cajueiros. A árvore que, às vezes, por mais de um mês frutifica com a castanha e o caju. No Ceará, nunca atrasa. Ainda que não aconteça o inverno.

Durante anos, criança ainda, imaginava que o fruto do cajueiro era o caju. Depois, com os avós e pessoas mais antigas, fui cientificado que, o fruto do cajueiro não é o caju. É a castanha. Prova disso é que, se alguém semear um caju, o cajueiro nunca vai nascer. Mas, em local adequado, plante a castanha e o resultado virá.

Início da torração da castanha

A castanha tem início na fase embrionária. No Ceará, rotulamos esse embrião com o nome de “maturi”, que provavelmente tem origem indígena. O “maturi” nada mais é que a castanha verde, repito, em fase embrionária.

Durante dias, o “maturi” se desenvolve e dá sustentação ao caju, com várias espécies e coloração (amarela, róseo ou vermelha).

De forma artesanal, castanha e caju servem de alimento, muito rico em Vitamina C – nos anos da década de 50, um empreendedor desenvolveu a Fazenda Jandaia que, no Ceará, criou o suco de caju (da polpa) e “descobriu” mais uma utilidade do fruto e da polpa. Antes disso, indígenas já usavam o conjunto como fonte alimentícia. Uma mistura do suco, de forma não industrializada, com a castanha assada. A essa mistura deram o nome de “mocororó”. Durante anos, no período da safra de cajus e castanhas, o “mocororó” funcionou como único alimento de muitos.

Castanha assada sendo descascada

Floração iniciada, “maturis” desenvolvidos, cajus maduros e, claro, castanhas secas.

Mas, percebia-se a ausência de um dos componentes daqueles momentos especiais: a criançada. As férias escolares estavam distantes, e, 7 de setembro, Dia de Finados e 15 de novembro não tinham os “feriadões” criados, como atualmente, num país que precisava se desenvolver. A solução dos pais e/ou avós, era juntar as castanhas para assá-las nas férias escolares das crianças.

Finalmente chegava o mês de dezembro. Com ele, as férias escolares. A safra anual dos cajus terminara, mas as castanhas, os verdadeiros frutos do cajueiro foram juntadas para a festa da chegada.

Alguns, nas sombras das árvores, improvisavam o jogo do “quila” ou do “castelo” – a uma distância regulamentada era colocada isoladamente uma castanha pequena, de onde os jogadores tentavam acertá-la e derrubá-la. O prêmio: o amontoado de castanhas que se formava ao redor do alvo.

Afastado dali, algum adulto continuava assando as castanhas.

Quem nunca comeu, procure comer peixe salgado (no Maranhão, dá-se o nome de “peixe salpresado”) temperado com castanha de caju assada e socada no pilão.

Uma festa que justificava a fala de minha Avó: “Quando você ia para os cajus, eu já vinha com as castanhas”, assadas e descascadas.

Castanhas de caju assadas e descascadas

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

REINÍCIO DAS AULAS: ESCOLAS PÚBLICAS NORMAIS E ESCOLAS CÍVICO-MILITARES

Crianças cantam o Hino Nacional nas escolas

O mês de fevereiro marca a volta às aulas nas escolas do ensino brasileiro. Em algumas escolas, por desleixo administrativo dos governantes, via de regra as reformas físicas dos prédios e salas de aulas (pintura da pior qualidade, instalação de ar refrigerados, troca de carteiras/cadeiras), essas providências acabam atrasando o reinício das aulas.

Com certeza, isso nunca ocorre com as escolas públicas cívico-militares. O regime de disciplina vivido pelas instituições militares, também é implantado nessas escolas de iniciação.

“O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), instituído pelo Decreto nº 10.004/2019, foi revogado em julho de 2023 pelo Decreto nº 11.611/2023, encerrando a política federal de implementação desse modelo www.gov.br. Atualmente, a responsabilidade sobre o modelo tornou-se descentralizada, com estados (como SP via LC 1.398/2024) adotando legislações próprias.”

Por que isso?

Para que isso?

Não conheço um único pai (ou mãe, que seja cabeça da família) que não queira o sucesso do (a) filho (a).

Mas, por que os pais, principalmente das regiões Norte e Nordeste, envolvidos até o último fio de cabelo com os programas sociais de alinhamento esquerdista, são contra as escolas (e a matrícula dos filhos) cívico-militares?

Disciplina e organização na escola cívico-militar

Há um grande engano dos pais que, em matriculando filhos nas escolas cívico-militares, esses seguirão o caminho da formação militar – o que muitos detestam.

Eis que surge outra pergunta:

Qual escola brasileira, federal, estadual ou particular prepara e profissionaliza melhor que o ITA (Instituto Militar da Aeronáutica) ou o IME (Instituto Militar de Engenharia) – sem a obrigatoriedade de que o concludente se torne um militar?

Respondo eu mesmo: nenhuma!

Dupla de alunos na escola pública

O que se conclui é que, entre os pais, existe uma conivência com a subserviência e com as políticas desenvolvidas pelo governo de esquerda que, não neguemos, investe na má formação da criança e do adolescente, apostando, que na vida adulta formou mais um esquerdista e dependente dos nefastos programas sociais.

Para o pai esquerdista que depende dos projetos sociais, cantar o Hino Nacional do Brasil, é uma desonra. É uma submissão ao equivocado rótulo de “extrema direita”!

Com os meus botões e de livre pensar, tenho certeza que o esquerdismo e seus projetos nada mais são que uma estrada aberta para o consumo de drogas e práticas ilícitas.

Alunos de escola particular na rotina das agressões físicas

Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Eis que, atualmente em fase de conclusão, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Projetos Agropecuários) desenvolve um estudo para a utilização da “cannabis” – mas, explicitamente com objetivos e fins medicinais.

Os esquerdopatas vêem esses estudos conclusivos com outros olhos – e isso os leva a acreditar que esse estudo está intrinsecamente ligado à liberação da maconha pelas instituições legislativas.

Mas, reconheçamos, a liberação jamais significará uma autorização para o livre consumo com intenções e interesses da prática de crimes.

Pelo sim ou pelo não, as aulas começaram no início de mais um ano letivo que, nas escolas públicas municipais, estaduais e universidades estaduais e federais, os professores e estudantes continuarão descolorindo o cabelo, cobrindo o corpo com tatuagens que não dizem nada e, pasmem, com a garantia universitária de que, traficante e criminoso se combate é com uma simples pedra – à moda Davi contra Golias.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O JUAZEIRO DAS QUEIMADAS

O juazeiro e sua sombra magnífica

Por ali, e pode-se afirmar com segurança, ninguém tinha conhecimento de quem plantara aquele juazeiro. Havia quem apostasse que, muitos anos atrás, antes mesmo de Queimadas ser considerado um povoado, algum animal silvestre poderia ter trazido a semente que, brotando produziu a árvore de frutos comestíveis e úteis na medicina informal.

O que se sabe – e algumas pessoas mais idosas viveram para contar e garantir a veracidade – é que, aquela sombra maravilhosa foi o primeiro e único “mercado onde se reuniam e reúnem” pessoas que ali vão para vender e comprar seus mantimentos alimentícios.

Um toco de cajueiro serviu de apoio para muitos cortarem suas porções de carnes de bodes e bois ou vacas; servia, também, para o corte de camurupins e até para escamar curumatás e traíras. Nunca alguém teve a coragem de limpar aquele toco – moscas, formigas e até ratos faziam banquetes dos minúsculos pedaços de alguma carne.

As feiras, ou encontros, aconteciam sempre aos domingos, ao clarear do sol. Criadores traziam suas criações (porcos e bodes) para abater ali mesmo. Muitas vezes, antes mesmo da missa dominical na Igreja São José, donas de casa já se postavam por ali esperando o abate dos animais – compravam do porco a cabeça e o fato e pechinchavam nos miúdos para completar o “sarrabui”.

A balança sempre foi um improviso. Os homens mereciam (ainda) confiança e até compravam para pagar depois. As carnes eram levadas em “fieiras” de folhas de carnaúba, colocada na parte traseira dos cambitos.

O comerciante que ficasse por último (era um acerto entre pessoas adultas e de respeito) fazia a varredura e a limpeza de tudo, espantando gatos e cachorros em preparação para os eventos vespertino e noturno.

Nas tardes e noites de sábados, cantorias e pelejas entre cordelistas. No mês de maio, tudo mudava. Era o mês de Maria e o mês das novenas organizadas pelas mulheres. Cada família levava seus assentos e os mais abastados se encarregavam de levar o candeeiro, as lamparinas e até as velas que acendiam até o fim. Tempos de muita Fé – muitos acreditavam que São José “mandaria” chuvas para garantir as safras de milho, feijão e principalmente mandioca.

As tardes e entrada pela boquinha da noite, sediavam as danças. Forró pé-de-serra, onde rapazes e cabrochas batiam virilhas naquele esfrega-esfrega no som produzido pelas sanfonas.

Certa vez, houve até um movimento para que o Padre Adail passasse a celebrar uma missa, pelo menos uma vez no mês, naquela frondosa sombra do juazeiro. Padre Adail pediu permissão para a Arquidiocese e, pelo que se sabe, até os dias de hoje a permissão não foi autorizada. Mas, novenas, podiam. Aqueles encontros para o novenário não passava de uma fervorosa demonstração de Fé cristã.

Mas, quando se quer, tudo se alcança.

Pelo menos uma vez no Mês de agosto ou setembro, de quatro em quatro anos, aquela frondosa sombra do juazeiro das Queimadas servia de ponto de encontro para as promessas politiqueiras dos candidatos a prefeitos.

Coisas do Brasil que estamos construindo desde 22 de abril de 1.500.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NA PONTA DO LÁPIS

Apontando o lápis e fazendo contas

Nhanhar é bom (eu sempre gostei!). E nunca gostei de preservativo. Melhor “evitar” as consequências de outra forma. Nas horas de extrema necessidade mental, até a velha e quase esquecida masturbação, resolve.

Meu pai não conhecia e jamais fez uso dessas práticas modernas que muitos usam. Com minha mãe, gerou seis filhos (cinco machos e uma fêmea). As consequências, na prática, vieram depois.

Pois, nesse período do ano, depois de gastos extras (ainda não existia o décimo-terceiro – hoje existe até o décimo-quarto) com a enganação do Papai Noel descendo pela chaminé com uma sacola de presentes, vinha a preocupação obrigatória da compra do material escolar. E, não era apenas o material didático. Muitos precisavam comprar todo ano o fardamento escolar e os calçados – os meninos cresciam e os tamanhos do vestuário mudavam.

Hoje é diferente. O Governo dá tudo e nada pede em troca, pois Ele se contenta apenas com os votos no mês de outubro. Se o estudante aprende ou não, Ele entende que não lhe diz respeito. Mas diz. Ou, pelo menos deveria dizer.

Eis que surge uma pergunta: Se o Governo dá tudo (com exceção do bom ensino), por que os alunos não aprendem nada? E, nas escolas particulares, além do pagamento das mensalidades, os pais precisam fornecer papel higiênico e outros que tais. Mesmo o(s) filho(s) sequer entre num dos banheiros.

Países do primeiro mundo já estão voltando com as castanhas, quando o brasileiro ainda está indo apanhar os cajus. Aqueles países caíram na real e entenderam que o uso da tecnologia avançada para os alunos iniciantes, retira deles o “raciocínio” prejudicando a cognição do que é ensinado.

No Brasil, quanto menos o estudante raciocinar e aprender, melhor. Desde que ele alcance a idade estabelecida para votar.

Concluindo: os seis filhos do meu pai (Chico, Didi, Zé Alfredo, João, Jandira e Jorge) estudaram em escolas públicas, no tempo que ainda não se falava em Paulo Freyre (e damos graças à Deus) e o pai comprava tudo, somando na ponta do lápis.

Disciplina e aprendizado eram obrigatórios. Cantávamos o Hino Nacional, comemorávamos o Dia do Professor, o Dia da Árvore, o Dia do Estudante e, obrigatoriamente, desfilávamos em meio aos militares no dia 7 de Setembro.

Hoje fico lembrando do Chico (Oliveira Ramos) que, durante anos, manteve 6 filhos estudando no Maristas – e ali, nada era gratuito. Precisava calcular tudo na ponta do lápis.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A OSTRA

“Ostra é o nome comum usado para designar um número de grupos diferentes de moluscos que crescem, em sua maioria, em águas marinhas ou salobras. As ostras verdadeiras pertencem à ordem Ostreoida, família Ostreidae. As ostras têm um corpo mole, protegido dentro de uma concha altamente calcificada, fechada por fortes músculos adutores. As brânquias filtram o plâncton da água.

A ostra tem uma forma curiosa de se defender. Quando um parasita invade seu corpo, ela libera uma substância chamada madrepérola, que se cristaliza sobre o invasor impedindo-o de se reproduzir. Depois de cerca de três anos esse material vira uma pérola. Sua forma depende do formato do invasor e sua cor varia de acordo com a saúde da ostra.” (Informações científicas extraídas do Wikipédia)

Ostra limpa criada em ambiente adequado

A lua, uma das forças determinantes da Natureza, ao aparecer grande e luminosa nos céus, deixava que os experientes homens (e mulheres) que lidam com o mar – pescadores e afins – deduzissem que o amanhecer e o resto do dia seria complicado: a famosa Maré de Sizígia, fenômeno marítimo que produz ondas de até 12 metros.

Até os mais experientes pescadores e marisqueiros enfrentam dificuldades nesses dias excepcionais. Os pescadores sofrem mais, com suas embarcações, artesanais, na maioria das vezes.

O pescado vem, em algumas oportunidades em troca de vidas humanas. O consumidor do pescado reclama o alto preço, sem saber o que aquilo custou.

Ostra aberta com sua maravilhosa beleza – sal e limão ajudam fazer a festa

Mas, se por um lado a maré anormal prejudica os pescadores, por outro lado, beneficia os marisqueiros e as marisqueiras.

A maré volta com muita força após a rebentação. Em muitos lugares da orla marítima, tem o poder de “lavar” as encostas e facilitar, principalmente a vida dos catadores de ostras, sarnambis e tariobas – o sururu depende mais dos mangues, assim como os siris e os caranguejos.

Atualmente, com a orientação e o apoio logístico da EMBRAPA, ostras estão sendo produzidas em cativeiro, ainda que em pequena escala e em caráter experimental. Mas, é um bom começo.

A demora no crescimento da ostra é o que dificulta, pelo alto custo do investimento e a burocracia brasileira – isso sem contar a poluição das águas e a necessidade do alto investimento para a despoluição.

Há, entretanto, quem ouse apostar no crescimento do setor, haja vista a produção de bons pratos pela culinária brasileira, principalmente nos estados da Bahia, Ceará e Maranhão.

No Maranhão, poucos restaurantes trabalham com essa culinária e não existe, ainda, uma variação de oferta. São poucos os restaurantes que oferecem o prato.

Mas, o consumo é alto (e tem compensado a “pesca” pelos marisqueiros) na orla marítima, onde a ostra é vendida sem fiscalização de qualidade: os ambulantes vendem, em muitos casos, com atendimento artesanal e precário.

Ostra gratinada muito vendida e procurada no Maranhão

Claro que estamos falando da ostra pescada, ou tirada pelos marisqueiros no Brasil, e com alta tendência de produção em cativeiro quando houver compensação do investimento necessário para a produção (e/ou exportação) em larga escala.

Em pesquisa efetuada, descobrimos que, em outros países e mares despoluídos já existe produção em larga escala. E, segundo respostas, tem compensado o investimento.

Existe, também, já, produção em larga escala para produção de pérolas, com variedade de tamanho e de tons de coloração. Pérolas negras, por exemplo, que alcançam alto valor comercial.

Pérola encontrada em ostra brasileira

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O PÔR DO SOL E AS UVAS VERDES

Gosto de subir ao ponto mais alto para ver o sol se por

Uuuuffffaaaa!

Estou chegando. Tem sido cansativo, mas, a Fé divina me move, acalenta e recompensa.

Jovem adolescente, inebriado pelas vantagens que aparecem nessa etapa da vida, namorei e me apaixonei. Embeveci e fiquei aberto como um flor com o néctar que atrai as abelhas.

Nessa etapa da vida, mal percebemos o quanto somos sensíveis e abertos para todas as coisas. Para o amor, por exemplo. Para tudo que imaginamos nos fazer bem. E, o amor faz bem em qualquer fase da vida.

Foi quando ganhei o primeiro presente material. Um livro. Longe dali, no Liceu o livro chegou no momento exato que, na sala de aulas, o professor nos ensinava a “interpretar textos lidos” – aprendizado aquele que hoje faz falta aos jovens que fingem estudar orientados por professores que fingem ensinar.

O presente veio de quem, como uma abelha que adoça nossas vidas, estava me conquistando. Ela era a abelha e eu o néctar da flor viçosa ávida pela êxtase que desconhecia, mas desejava sentir. Um livro. O Pequeno Príncipe. A instabilidade me fez sentir o próprio – e tudo se aproximava da fase leve da vida. Ela deixava momentaneamente de ser a abelha e se transformava numa raposa. Como no livro. Como na parábola. Como em qualquer pôr do sol dos envoltos e apaixonados.

Uuuufffffaaa!

Chegamos, juntos e caminhando e olhando na mesma direção – como deve ser sempre o amor: “caminhar e olhar na mesma direção para ver, juntos, o mesmo pôr do sol”.

O pôr do sol visto pelos apaixonados

Hoje, muito além daquela fase, aprendi que sempre gostei de ver o pôr do sol. Subir ao ponto mais alto da montanha da vida e, juntos, olhar o sol se pondo com todos as odes e letras de um poema. Talvez eu sempre tenha vivido apaixonado por mim mesmo.

No fundo, no fundo, acho que os que amam, amam também a si próprios. Amam a si, amam a família, amam a vida e são apaixonados pelas coisas divinas e da Natureza. São felizes!

Eu sou feliz!

Vivo, amo, divido até o que não tenho com a minha eterna raposa. Continuo dividindo o pôr do sol, visto do lugar mais alto da montanha.

As uvas não estavam verdes – elas eram verdes

Na subida da montanha, juntos, eu e a raposa, encontramos uma plantação. Nunca entendi que uva matasse a fome – e, eu e ela não estávamos famintos. Estávamos enamorados e procurávamos ver o pôr do sol. Continuamos a subida. Olhamos o poético pôr do sol, e voltamos.

Vimos o vinhedo. As uvas ainda estavam lá, no mesmo lugar.

Descobrimos que elas “não estavam verdes” quando subimos. Na descida percebemos que elas “eram verdes” – como todos os apaixonados e com objetivos (o nosso era caminhar, juntos, para ver o pôr do sol) definidos, só então entendemos que o amor empana as necessidades da vida.

Descemos até que alcançamos o lugar inicial da subida. Nos dividimos – e, ainda hoje estamos divididos.

Sós, gostamos de olhar e contar estrelas

Só. Estou só. Preferi assim – e não há arrependimento. Aprendi muito.

Momentaneamente me flagro no sopé da montanha. Me imagino subindo, encontrando as mesmas trilhas. Faço isso – agora só! – e encontro mais dificuldades. Talvez sejam os prêmios do aprendizado e da vida. As uvas, então, eram verdes. Alguém as comeu.

Chego ao topo, onde gostava de ver o pôr do sol. O sol já se pôs. Se escondeu ou deu um até amanhã, quando poderá ser visto por pessoas juntas.

Eu entendo. Aceito. Me contento em olhar e contar estrelas.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ABAT-JOURS E LENÇÓIS

Cama em desalinho e abat-jour apagado

Ar controlado.
Condicionado,
Abat-jour quase apagado.

Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado,
Condicionado,
Abat-jours quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.