GUILHERME FIUZA

PIB DECEPCIONA AS CASSANDRAS

O resultado do PIB foi uma decepção. Depois das projeções que chegavam a quase 10% de queda, como a do FMI, o recuo de apenas 4,1% desapontou a todos os que trabalham sem descanso pela destruição do país. Não pense que é fácil você achar que está no meio da tempestade perfeita, com a ajuda de um vírus muito contagioso e a concorrência de medidas totalitárias tão contagiosas quanto, e após um ano de esforço ainda ficar na dúvida se a quebradeira vai se impor em definitivo ou não. É desanimador.

Mas as cassandras são persistentes e não vão desistir facilmente. Não é de hoje que elas estão aí no front. Você achou que fosse só para derrubar o governo? Sabe de nada, inocente. É claro que é para derrubar o governo. Mas Bolsonaro é só a caricatura da vez. Fora, Temer! Você se esqueceu?

Então vamos lembrar. Não tinha covid, não tinha Bolsonaro, não tinha gabinete de ódio, mas a resistência cenográfica já estava em fúria, com a faca entre os dentes. Depois do impeachment de Dilma Rousseff, iniciou-se a agenda de reconstrução do país – agenda de quem trabalha e não quer viver para sustentar parasitas fantasiados de progressistas, empáticos, humanitários etc. Uma agenda de reformas – com destaque, naquele momento, para a fiscal, a trabalhista e a previdenciária.

Michel Temer não era o proponente dessa agenda nacional (que alguns chamavam de programa Ponte para o Futuro). Era o executor possível, com o afastamento da presidente. Ele poderia ter virado as costas para esse conjunto de ações até óbvias – após mais de década de rapinagem petista – e instaurado o governo das raposas do PMDB, mas não fez isso.

Montou uma equipe majoritariamente técnica, que acabaria consagrando Ilan Goldfajn como o melhor presidente de bancos centrais do mundo em 2018 (ranking do grupo Financial Times) – após uma série de conquistas macroeconômicas em tempo recorde, como a redução histórica (e consistente) dos juros, em contraponto ao ruinoso populismo monetário anterior.

Naquele momento o Brasil saiu da maior recessão de sua história também em tempo recorde, com recuperação impressionante da Petrobras, a empresa estuprada por Lula e seu bando. O risco-país despencou e os investidores externos voltaram a confiar – inclusive pela retomada da responsabilidade fiscal (após o show das pedaladas) com a recomposição do teto de gastos. Mas isso tudo já era o fim do mundo – para você que acha que o mundo só está acabando agora. Aliás, a PEC do Teto de Gastos foi apelidada por essa resistência cenográfica – com apoio até daqueles subcomitês panfletários da ONU – de “PEC do Fim do Mundo”. Pesquisa aí. Se a limpa dos Senhores da Verdade ainda não tiver corrigido essa parte da História, você haverá de encontrar.

Omundo estava acabando porque Temer era branco e velho. Tinha uma mulher jovem e bonita, mas era “recatada e do lar” — enfim, um conjunto de problemas intoleráveis para os democratas de folhetim, que não paravam de gritar “Fora, Temer” e fizeram até passeata por “Diretas já”. Contando ninguém acredita. Sem a ajuda da covid, tiveram de lançar mão do Janot. Era o procurador-geral da época, que montou uma delação vagabunda (depois suspensa) com um bilionário laranja do PT (depois preso) para tentar derrubar o presidente. Viu como o problema deles não é o Bolsonaro?

O problema é o PIB. Ele tem que ser o pior possível para ajudar os vendedores de histórias tristes, de institutos salvacionistas, de terrenos na Lua, de ONGs e partidos novinhos em folha. Muitos dos defensores da agenda liberal de reforma do Estado fizeram cara de nojo quando elas entraram em marcha em 2016/17. Surfaram vergonhosamente no “Fora, Temer” — que garantia manchetes e aparições na TV. Fernando Henrique Cardoso, a quem o país deve uma das principais reformas da sua História, era visto pedindo a renúncia do presidente a partir da conspiração Tabajara de Janot, Joesley e cia. Esse presidente não era o Bolsonaro e o pecado não era a cloroquina.

Já entendeu que tanto faz? Ou quer conversar mais um pouco? Não adianta colocar no leme uma equipe técnica capaz de elaborar e aprovar junto com o Parlamento uma reforma vital como a da Previdência. Isso foi feito em pouco mais de seis meses e matou de raiva os acionistas da destruição. Como esses fascistas ousam fazer reformas tão boas, de forma tão democrática? Só prendendo e arrebentando mesmo.

Então aí estão eles. Prendendo e arrebentando. O pretexto atual é sanitário. Mas ele vai passar, e virá outro. Até as girafas da Amazônia sabem disso.

GUILHERME FIUZA

EMPATIA OU EMPATE?

Quando o “fique em casa” começava a dar sinais de que era só um slogan e não uma política sanitária, alguns setores da sociedade começaram a se mover para um funcionamento responsável, preservando os vulneráveis. Ainda corria o primeiro semestre de 2020 e o time do Flamengo começou a treinar, ao mesmo tempo em que liderava um entendimento com a federação de futebol do Rio para uma retomada segura da temporada competitiva. Foi um escândalo.

O clube com a maior torcida do país passou a ser acusado de irresponsável, insensível, criminoso, letal. Montou um protocolo rigoroso de segurança sanitária, com testagem permanente de todos os atletas, isolamento dos sintomáticos, tratamento dos eventuais infectados, proteção e distanciamento para o staff. Transmitiu jogos pela internet, levando seu canal a bater o recorde mundial de audiência do YouTube. O técnico português Jorge Jesus, que levara o clube à conquista da Taça Libertadores da América, conhecido por sua postura humanitária, continuava à frente da equipe, aos 66 anos de idade. Ainda assim a patrulha não dava trégua.

Um comentarista esportivo chegou a dizer que ia “morrer muita gente” por causa da retomada do futebol liderada pelo Flamengo. Jogando de portões fechados no Maracanã, o clube foi crucificado por estar atuando próximo a um hospital de campanha. O Botafogo, por exemplo, cuja diretoria se colocou contra a retomada do campeonato (mas jogou assim mesmo) tinha a “atenuante” – segundo os empáticos de ocasião – de jogar no seu estádio, o Engenhão, mais distante do hospital de campanha do Maracanã. Se “fique em casa” era política sanitária, “jogue longe do hospital” também poderia ser. Cada um com a sua noção de solidariedade.

Com um ano de pandemia, a hipocrisia fantasiada de empatia continua firme. Autoridades desvairadas fazem política decretando lockdown e toque de recolher indiscriminadamente, sem qualquer critério que distinga e proteja os vulneráveis – com transportes públicos circulando cheios, “pancadões” na periferia e as próprias autoridades trancadoras fazendo o contrário do que obrigam os outros a fazer. Bruno Covas deixou São Paulo trancada no fim de semana e foi ao Maracanã assistir à final da Taça Libertadores no meio de 2,5 mil pessoas. Ele disse que estava “no seu direito”.

Claro que sim. No momento em que se revoga o bom senso e passa a vigorar o Estado Demagógico de Direito, você pode fazer o que lhe der na telha se meia dúzia de manchetes sustentarem a sua malandragem. Você pode até se divertir com futebol pregando o imobilismo total. Nada é impossível para a alquimia dos hipócritas.

O Flamengo foi o campeão brasileiro. A coragem, a responsabilidade e a vontade de viver foram premiadas. O Botafogo ficou em último lugar no campeonato e caiu para a segunda divisão. Isto não é um juízo sobre clubes – nem sobre o glorioso Botafogo, que se confunde com a história do futebol mundial, nem sobre o Flamengo, que aliás não é o time deste signatário. Isto é só um lembrete de que o troféu dos covardes é, e continuará sendo, fingir empatia para empatar a vida alheia.

GUILHERME FIUZA

O LIBERALISMO TRANSVERSO

Os liberais de boa-fé ligaram o alerta para checar se a troca de comando na Petrobras significaria intervenção indevida do governo – especialmente na política de preços. Já os liberais de cativeiro, sempre mais rápidos no gatilho, pularam nas tamancas para decretar, maldizer e repudiar a intervenção governamental na Petrobras. Esses estão sempre à frente do seu tempo. Em janeiro de 2019 eles já estavam em fevereiro de 2021, sentenciando que chegava ao poder um novo PT vestido de Posto Ipiranga, que Paulo Guedes era fachada e não ia durar etc.

E agora não deu para disfarçar a excitação triunfal com a confirmação do vaticínio: a troca do presidente da Petrobras era a comprovação do anacronismo subpetista instalado no Planalto.

Houve só um percalço de roteiro: após os primeiros dias da decisão de substituição do presidente da estatal, ninguém tinha elementos para afirmar que se tratava de uma intervenção – nem na política de preços nem na gestão de energia da empresa. Os interessados no fortalecimento da agenda liberal continuarão atentos, examinando o desenrolar da medida presidencial. Já os acionistas do contra lamberam os beiços. Para eles, o importante era o pretexto para berrar a palavra “intervenção” e fermentar a sensação de crise. É gente que pensa grande.

Por isso é que fizeram cara de paisagem na Reforma da Previdência. É meio chato quando você está há uma década dizendo que aquela reforma é a única saída contra o colapso nacional e de repente a reforma é feita sob a condução daqueles que você diz que não prestam. É melhor mesmo fingir que não viu. Enfiar o bisturi no Estado inchado e operar um sistema previdenciário com privilégios e incongruências que sugam o sangue da sociedade… O que isso tem a ver com a pauta liberal?

Para quem enterrou a cabeça no buraco da avestruz, nada. Debaixo do chão é tudo muito escuro, só dá para ver a obsessão pelo fracasso.

As ações ininterruptas no Ministério da Infraestrutura – desde 2019 e durante a pandemia – para abrir os gargalos e remover os coágulos da produção no Brasil correspondem à agenda nacional de libertação contra os atravessadores e os inoperantes. Não é uma invenção do governo atual. Ele só entregou o setor a um comando firme e operativo. A iminente conclusão da lendária Ferrovia Norte-Sul é um símbolo desse enfrentamento direto do Custo Brasil – portanto um símbolo da agenda liberal.

E o que você vê por aí? “Liberais” por todo canto fazendo cara de nojo para tudo. Não tente explicar isso. Você vai tirar o emprego dos psicanalistas.

A equipe do ministro Paulo Guedes está buscando a inclusão da Eletrobras na pauta de reformas – que já incluíram a abertura do setor de gás da Petrobras, a venda de mais de R$ 150 bilhões em ativos e outras ações – e você só escuta murmúrios de que a privatização está lenta. Sobre os dois anos de politicagem de Rodrigo Maia fabricando manchetes amigas contra a equipe econômica você não ouviu um pio dos liberaloides de plantão.

Eles ficaram até amigos do primeiro-ministro cenográfico e sancionaram com seu silêncio a tentativa de golpe no STF para dar a reeleição inconstitucional ao presidente da Câmara dos Deputados. Os liberais de cativeiro que lideraram o chilique contra a suposta intervenção na Petrobras sonharam com mais dois anos de Rodrigo Maia sabotando as reformas – agora com apoio formal do PT. Modernidade é isso aí.

A agenda liberal no Brasil teve oportunidade de atravessar o cerco dos parasitas em meados da década de 1990 (aproveitada), em 2003/04 (jogada fora), em 2016/17 (parcialmente aproveitada) e a partir de 2019. Muitos dos que contribuíram para os resultados concretos na década de 90 estão hoje no bloco da cara de nojo: não acham graça nas medidas de desburocratização, não deram uma unha de apoio à legislação da liberdade econômica, não movem uma palha pela reforma tributária. Preferem denunciar o juízo final amazônico e o apocalipse fascista, ou vice-versa.

Os picaretas fantasiados de revolucionários, com estrelinha no peito e demagogia terceiro-mundista, você já conhecia. Agora você precisa aprender a distinguir os oportunistas de cabelo penteado e boas credenciais. Por ostentarem mais verossimilhança na suposta missão de “fazer o bem”, eles são piores que seus antecessores.

GUILHERME FIUZA

MÁSCARA DUPLA PARA CARA DE PAU

A imprensa sempre gostou de ciência do tipo: comer ovo sem clara pode aumentar a longevidade; soneca pode elevar as chances de obesidade; falar muito no telefone pode estar relacionado à redução da libido, etc. Os “estudos” supracitados foram inventados neste momento aqui mesmo, mas estão baseados em décadas de leitura de chutes da mesma categoria embalados como ciência. Agora projeta isso para uma situação de pandemia.

Vale observar que epidemias em geral também sempre se tornaram acontecimentos muito especiais na imprensa. Em parte pelo papel importante de informação sobre riscos, cuidados e atendimento, em parte pelo papel lamentável de especulação sobre riscos, cuidados e atendimento. Parece ser uma característica inerente ao ser humano: diante de qualquer perigo disseminado e invisível – como são os vírus – o poder do controle coletivo (para o bem ou para o mal) sobe à cabeça.

Um cantor conhecido foi preso na periferia do Rio de Janeiro porque deu um show e, segundo a conjunção científica das manchetes e da polícia, cometeu o crime de colocar em risco as vidas das pessoas que se reuniram para assisti-lo. Por esse critério, todos os donos de ônibus, prefeitos e governadores do Brasil tinham que estar presos. Eles permitiram aglomerações em escala muito maior nos transportes coletivos, por muito mais tempo. E aí, cadê as manchetes científicas?

Ninguém sabe, ninguém viu. Na quarentena vip, as notícias são de que o mundo lá fora está acabando, mas você vai se salvar ficando em casa. Empatia é tudo.

Aí aparece o badalado Dr. Fauci, que é uma espécie de fornecedor de manchetes apavorantes, avisando que agora o negócio é usar duas máscaras. Sim, isso mesmo: uma máscara em cima da outra. E ele não estava falando do carnaval. Em qualquer conjuntura mais ou menos sadia isso seria considerado um escárnio. Mas a notícia circulou tranquilamente com cara de diretriz científica e foi consumida como tal. Como assim? Se uma máscara não funciona, ela não deveria ser substituída por uma que funcione?

Não. Segundo a moderna literatura científica fast food, a junção de duas barreiras que não barram desencoraja o coronavírus. Com toda certeza essa diretriz fará muito bem à saúde dos vendedores de máscaras vagabundas.

Tome vacina, use máscara e fique em casa. Grande política sanitária propagada pela grande imprensa – na mesmíssima linha dos critérios hollywoodianos do Dr. Fauci. É isso aí: várias medidas ineficazes juntas haverão de prover a devida eficácia. As vacinas são experimentais, foram liberadas após cerca de seis meses de testes e não têm estudos suficientes em idosos, conforme atestou no Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mas esse detalhe não constrange absolutamente médicos e jornalistas que propagam a imunização como panaceia.

Existe panaceia de eficácia duvidosa? Na dúvida, use máscara. Ou melhor, use duas máscaras. E lockdown na veia. O lockdown indiscriminado não tem resultado nenhum contra covid, conforme acaba de atestar novo levantamento do epidemiologista John Ioannidis em Stanford feito em dez países, mas pelo menos você não vai preso. Já é alguma coisa.

Plataformas de rede social censuram informações sobre terapêuticas antivirais com estudos promissores, porque ciência é só máscara fajuta, vacina incipiente e quarentena burra. Tudo bem. Então vamos continuar divulgando aqui também nossos estudos científicos: além da clara de ovo, da soneca e do celular, cuidado com a imprensa marrom. Dependendo da quantidade diária de manchetes que consumir, você tem até 99,9% de chance de virar um idiota.

GUILHERME FIUZA

DECÁLOGO DA FOLIA CIENTÍFICA

É normal que você esteja inseguro com tanta informação nova circulando por aí nessa epidemia de fake news. Por isso fizemos um esforço de reportagem para te oferecer uma lista de certezas científicas limpinhas e de boa aparência que todo mundo confia e dá até pra levar pra casa. Use sem moderação:

1 – O lockdown funciona que é uma maravilha, tanto que o Ministério do Interior da Alemanha contratou uns pesquisadores baratinhos para escrever a teoria do ferrolho salva-vidas – documento científico que estava fazendo tanta falta em um ano de pandemia. Como se viu em emails vazados, os pesquisadores tiveram total liberdade para encontrar a ciência que o contratante encomendou;

2 – Tanto o lockdown com isolamento total é eficaz contra a Covid que o prefeito Bruno Covas deixou São Paulo trancada no fim de semana e foi ver o jogo do Santos no Maracanã no meio de 2,5 mil pessoas. Só podia entrar no estádio com credencial e o coronavírus não foi credenciado. Isto é ciência;

3 – A OMS declarou que o coronavírus não escapou de um laboratório chinês. Alívio geral. O mundo chegou a temer que a ditadura chinesa pudesse ser um lugar perigoso. Mas uma missão da Organização Mundial da Saúde foi lá e perguntou a todos os porteiros de laboratório se eles tinham visto algum vírus novo fugindo de madrugada quando estava todo mundo dormindo. 99,8% dos porteiros responderam à OMS que “não viram nada, não senhora”. 0,2% dos porteiros responderam que até viram um vírus passando, mas não era esse aí que se espalhou pelo mundo, não. Fim de papo;

4 – Artigo na revista científica Lancet sustenta que Donald Trump matou os americanos de Covid com seu governo insensível e malvado. As evidências científicas desse estudo não estão visíveis porque na hora da conclusão acabou o papel higiênico. É um problema comum na vida de todo pesquisador sério;

5 – O Dr. Fauci, aquele médico americano fofo que diz que os seres humanos talvez possam voltar um dia a se cumprimentar com aperto de mão, ou talvez não, declarou que uma máscara é pouco. Melhor usar duas. É como se diz na ciência: se um equipamento é ruim, use dois. O mesmo vale para os médicos. Se um charlatão te deixa em dúvida, consulte dois charlatões para ter certeza. Não se deixe enganar;

6 – O laudo da Anvisa constatou que as duas vacinas em aplicação emergencial no Brasil não têm estudos suficientes para atestar a eficácia e a segurança na imunização de idosos. No entanto médicos estão mandando seus pacientes idosos se vacinarem. É elementar. Se está todo mundo tomando, você também tem que tomar. Não vai discutir sozinho com a ciência;

7 – O Ministério Público do Trabalho recomendou às empresas demissão por justa causa de funcionário que não quiser se vacinar. Perfeito. Nem a taxa de letalidade, nem os grupos vulneráveis sustentam a necessidade da vacinação de todos, mas já que está todo mundo se vacinando, por que não tornar a vacina obrigatória? A verdadeira ciência é aquela que serve de chicote para tiranete;

8 – Pensando nisso, o PSOL, devoto do chavismo venezuelano, criou o projeto de cassação de direitos sociais do cidadão que não se vacinar – plano genial já aprovado em Niterói, RJ. Aécio Neves também saiu das sombras propondo coisa parecida. Só negacionistas haverão de duvidar dos benefícios claros da vacina para almas penadas;

9 – Fique sozinho e isolado no carnaval. A não ser que precise pegar um ônibus lotado. A ciência já deixou claro que a Covid não anda com ralé;

10 – Pesquisadores propõem lockdown mais severo no Amazonas. Como o governo alemão está demonstrando, ciência à la carte funciona que é uma beleza. Qualquer dúvida é só pedir ao Butantã um daqueles panfletos de número de vidas salvas pelo Plano Miami.

GUILHERME FIUZA

OS LOBISTAS DO VACINÃO

O Ministério Público do Trabalho recomendou às empresas que demitam por justa causa funcionário que não quiser tomar vacina contra a covid-19. Você sabe que coisas estranhas andam acontecendo. O mais estranho, nesse caso, é ninguém ter chamado a polícia.

O Ministério Público do Trabalho é uma instituição que existe para defender os direitos do trabalhador. É bem verdade que, em certa medida, virou uma usina demagógica para estimular conflitos e produzir demandas antipatronais. Só que agora você está vendo o contrário: a instituição que existe para defender os direitos do trabalhador está agindo para coagir o trabalhador. Em favor de quem? Vamos examinar.

Para início de conversa: empregador que tentar obrigar empregado a se vacinar tem de responder na Justiça. A não ser que isso aqui tenha virado uma ditadura dos vendedores de vacina. Onde está a demonstração científica da necessidade de vacinação de todos contra a covid?

Não existe. Pode procurar nas manchetes das fake news de grife, no armário dos empáticos de auditório, nos salões da quarentena vip, no receituário dos cientistas de zoom, na cantilena dos charlatões de toga, nos panfletos do Butantan, da Fiocruz e da OMS, na Anvisa, nos consultórios de marketing (ops, nos consultórios médicos), no BBB e nos demais centros de referência científica que você conheça. Achou? Não, não achou.

A taxa média de letalidade da covid-19, segundo cálculos do epidemiologista John Ioannidis, da Universidade de Stanford, é de 0,27%. É um dado preliminar, mas que não apresenta tendência de crescimento após um ano de pandemia. A taxa de letalidade abaixo dos 70 anos de idade, pelos mesmos cálculos, varia de acordo com as regiões estudadas, mas fica em média abaixo de 0,1% – faixa similar à da gripe sazonal. Onde está o fundamento científico para obrigar funcionários, ou seja, indivíduos em idade produtiva (na imensa maioria certamente abaixo dos 70 anos), a se vacinar contra a covid?

Não está em lugar nenhum. Não existe esse fundamento. Acrescentando-se que os que não estão nos grupos de risco letal em geral também não desenvolverão sintomas graves, muito menos irreversíveis. Posto isto, resta outra pergunta crucial: qual o status atual das garantias de imunização disponíveis?

Resposta: status duvidoso. No mínimo. As duas vacinas em aplicação no Brasil foram autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em caráter emergencial – sendo que parte importante do grupo em situação de emergência, os idosos, não tem estudo suficiente quanto à segurança e à eficácia de nenhuma das duas vacinas, conforme laudo da própria Anvisa. E ainda aparece o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, ameaçando “enquadrar” a Anvisa para acelerar – repetindo: acelerar! – o processo de autorização de vacinas. Estudar para quê? Aprova logo e estuda depois. Contando ninguém acredita.

Para quem ainda não entendeu: o Brasil está aplicando vacinas experimentais, sendo que uma delas tem cerca de 50% de eficácia. Esse dado ensejaria uma pergunta simples às autoridades do Ministério Público do Trabalho: o funcionário vacinado que comparecer ao local de trabalho com 50% de chances de estar protegido da doença estará protegendo quem de quê? Vacina e fica em casa, para não arriscar? Isso é segurança sanitária ou lotérica?

O Supremo Tribunal Federal entendeu que a Lei Mandetta – aquela que deu poderes aos governadores para descer o sarrafo na população – permite a adoção de medida compulsória de vacinação. Como você sabe, o STF entende o que quiser de uma lei, dependendo da direção do vento. E a lei em questão, mesmo com todo o seu autoritarismo, determina que quaisquer das medidas previstas requerem a devida fundamentação científica para entrarem em execução. Conforme mencionado anteriormente, essa fundamentação não existe – nem mesmo na literatura criativa do BBButantan.

A Anvisa resolveu aprovar o uso emergencial de vacinas incipientes, com cerca de seis meses de estudos e sem eficácia nem segurança devidamente testadas em idosos. Problema dela e de quem quiser tomar. Transformar esse experimento em obrigação é crime.

Corrigindo: problema também de todos os contribuintes, que estão pagando (caro) aos megalaboratórios pelo desenvolvimento de substâncias cuja efetividade e cujos riscos estão em estudo diretamente na população. Nunca se viu nada parecido. Há laboratório que é inclusive imune por contrato a demandas judiciais decorrentes de eventuais reações adversas provocadas pelo seu produto. Tudo normal. É assim mesmo, dizem.

É assim mesmo que querem te vacinar na marra (sem garantia de que isso salve alguém de alguma coisa) com a cobertura do Ministério Público do Trabalho, do STF, do Doria, do Aécio, do xiita de Niterói e de uma falange de ex-liberais fantasiados de cientistas de fundo de quintal. Repetindo o postulado inicial: o mais estranho é ninguém ainda ter chamado a polícia. Será que sobrou alguém fora do lobby?

GUILHERME FIUZA

A ÉTICA DOS CONDENSADOS

Tem certas horas que é melhor falar de culinária. Vai aqui então uma receita da vovó para adoçar um pouco mais a sua quarentena vip.

Pegue uma lata de leite condensado e derrame três quartos dela no seu cérebro. Espere o tempo necessário até sentir que a sua honestidade intelectual esteja 100% embotada. Se tiver dúvidas, consulte o site do Butantã. Depois mexa bem até que todos os seus neurônios passem a chamar urubu de meu louro e egoísmo de empatia.

Concluída essa etapa, pegue o conteúdo restante da lata de leite condensado (um quarto) e derrame nos seus olhos, para não correr o risco de se olhar no espelho. (Nota da vovó: alguns preferem realizar essa parte da receita jogando fora os espelhos de casa. É válido, mas nem sempre se chega ao ponto certo, porque às vezes uma porta de vidro ou mesmo uma tela apagada podem súbita e inadvertidamente mostrar a você a sua própria cara).

Com seu cérebro embotado e seus olhos melecados, pare um pouco de salvar a vida de ninguém pelo zoom (você merece um descanso) e pegue uma panela vazia. Não ponha nada dentro dela, porque, como já dizia vovó, panela em quarentena vip é tamborim. Agora apanhe uma colher, vá para a janela do seu belo apartamento e plec-plec-plec-plec! Assim você estará denunciando o escândalo do Leite Moça que destrói o país e põe vidas em risco, conforme você leu nas melhores fake news de grife.

Aproveite que o mundo está olhando para o seu heroísmo e faça o V da vitória e da vacina. Peça à equipe científica do Butantã para te explicar que o V se faz com dois dedos. Mas se a vacina for meia-boca, como é a sua, pode fazer com um dedo só. Preferencialmente use o dedo do meio, em homenagem às cobaias que estão pagando o experimento dos laboratórios bilionários.

Você está fazendo história com o Sarney, o Dória, o FHC e o Temer – todos recomendando uma vacina que não tem estudo suficiente para idosos, mas tudo bem porque ali ninguém é idoso. Só vaidoso. Vá, idoso! Pra onde? Procura na receita da vovó.

Agora que o seu spa está mais doce do que nunca, pegue o seu deleite condensado, misture com o seu espírito de porco e saia gritando “fique em casa”. Pode ficar tranquilo porque com o seu cérebro embotado e seus olhos grudados de Leite Moça você não vai enxergar os ônibus lotados, nem os idosos na periferia aglomerados em casa com os jovens que vieram dos ônibus lotados. Você só vai ouvir a suave cantilena da Lady Gaga te dizendo que está tudo bem na quarentena vip e o vírus está desolado do lado de fora. O corona só pega negacionista e quem não tem avião pra seguir a ciência até Miami.

Ingrediente final para o seu delicioso brigadeiro ético: pegue um laudo de eficácia do lockdown (você encontra em qualquer camelô chinês) e entregue às pessoas que estão adoecendo em casa, sem liberdade e sem emprego. Mande por motoboy, porque o que você ouviria se saísse do zoom não pode ser publicado numa coluna de culinária.

GUILHERME FIUZA

DEMÔNIO PARA QUEM PRECISA

Sem querer estragar o video game de satanismo contra o Lúcifer do Planalto, vamos dar uma olhada nas circunstâncias reais. Até porque Bolsonaro vai passar, como passaram Lula, FHC e outros (e se ficam por aí como almas penadas fazendo lobby pendurados em mordomias de ex-presidentes é outra conversa). É até compreensível que você precise de um Lúcifer cenográfico para vender a sua fantasia de resistência e dar substância ao seu placebo moral. Mas, sem querer cortar a onda, vamos falar um pouco da realidade que teima em subsistir por trás da sua exuberante cenografia de revolução infantojuvenil.

Um presidente não é nada. No máximo é um símbolo. O que interessa para os que não têm tempo para indignação de video game são as ações de um presidente. Portanto, o seu governo. Não é fácil analisar um governo – nem mesmo os próprios presidentes são capazes de fazê-lo com a devida abrangência. Mas há os sinais principais de uma gestão, e aí se pode ter, desde que não se troque honestidade por panfletagem, uma boa pista sobre o que representa um presidente para o país.

Muitos achavam o candidato Bolsonaro um político caricato, aparentemente representando um segmento restrito e gerador de polêmicas. Normal. A maioria da população viu nele outra coisa – uma boa possibilidade de representação – e o elegeu presidente. Ponto. Ou melhor, vírgula. Era preciso então ver que tipo de representação seria essa. Olhar para o novo governo com honestidade. É o que muita gente continua se recusando a fazer, preferindo estacionar na caricatura pregressa do presidente. Vamos dar uma olhada na gestão do governo federal 2019-2020, falando baixo para não atrapalhar o fetiche sadomasô.

Problemas não faltam. No momento em que o Supremo Tribunal Federal age ostensivamente de forma política, sempre forçando o ambiente na direção das pautas demagógicas do petismo e congêneres (a maioria da Corte foi indicada por Lula e Dilma), Bolsonaro indica um ministro aparentemente afinado com essas diretrizes. É cedo para uma avaliação consistente, mas não é cedo para desconfiar de que foi uma má escolha.

O mesmo acontece em relação ao procurador-geral da República – aí ressalvando-se que o presidente tinha opções limitadas. Ainda assim, o procurador-geral por ele indicado investiu tão rápida e acintosamente contra a Operação Lava Jato, ao menos no discurso e nas ações iniciais, que se tornou absolutamente legítimo esperar más consequências dessa escolha.

Os líderes do governo no Congresso também foram escolhas duvidosas. Um quer porque quer parar tudo no meio do caos pandêmico para fazer uma Constituição nova. Outra saiu e aderiu ao satanismo de video game contra o monstro do Planalto. Mas nada é significativo nessa avaliação sem olhar para resultados. E o principal resultado na relação do governo com o Congresso é a aprovação em menos de um ano da reforma da Previdência — aquela que dez entre dez especialistas sérios diziam ser o passo essencial para o país reabrir seu futuro. E que uma vez aprovada passou a ser considerada por nove entre dez especialistas mais ou menos sérios como uma coisa trivial, caída do céu.

A reforma da Previdência não caiu do céu. Foi formulada e proposta pela equipe comandada pelo ministro Paulo Guedes (que também não caiu do céu), depois de ampla campanha de esclarecimento no Brasil e no exterior – ação geradora do apoio político fundamental para o prosseguimento de um projeto complexo e dependente de sacrifícios. Aí a reforma passou a ser negociada ponto a ponto com o Parlamento – o que realmente é de estranhar, em se tratando de um governo fascista diabólico. A resistência de video game ouviu falar de democracia, mas não ligou o nome à pessoa.

A relação com a maior parte da imprensa é péssima e o presidente faz questão de ser hostil a vários dos veículos de comunicação tradicionais. Também é fato que os referidos veículos enviesaram seu noticiário para descredenciar o presidente, chegando a insistir em teses bizarras como a da eleição fraudada por manipulação de WhatsApp. Ainda assim a liberdade de imprensa esteve em plena vigência nesses dois primeiros anos e o governo não exerceu nem incitou a embargos ou censuras.

Sempre que apareceu de algum gueto referência a cerceamento de instituições – em alusões a medidas autoritárias como o famigerado AI-5 – o presidente desautorizou imediatamente, sem nenhuma brecha para interpretações indiretas. “Quem fala em AI-5 está sonhando”, disse Bolsonaro.

O governo teve o seu poder de comandar o enfrentamento da pandemia cassado pelo STF – que decidiu ser dos Estados da federação a autoridade pela política de segurança sanitária. Houve todo tipo de abuso, como o desvio de verbas emergenciais – o chamado Covidão, que acarretou o afastamento do governador do Rio de Janeiro e a prisão da secretária de Saúde do Amazonas. Claro que quando o colapso se consumou em Manaus a resistência cenográfica acordou para o problema e correu para o seu video game satânico contra o culpado por todos os males da nação.

Já o cronograma do programa de vacinação conduzido pelo Ministério da Saúde é bastante questionável, considerando que as vacinas disponíveis se encontram em fase experimental, sem ter por exemplo estudos suficientes com idosos (ver Anvisa) – justamente os mais vulneráveis e que justificariam uma campanha de imunização emergencial. O governo cedeu às pressões políticas em favor de vacinas incipientes.

Foram dois anos sem escândalos de corrupção envolvendo o governo federal. Como termo de comparação, só no primeiro ano de Dilma Rousseff foram seis – acarretando a queda do número equivalente de ministros. A grande imprensa fez um bom trabalho denunciando as negociatas, mas não transformou Dilma em alvo permanente. Um dos principais escândalos de 2011 envolveu o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), atualmente recebendo um choque de gestão e transparência comandado pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas – uma das várias escolhas técnicas de Bolsonaro para o primeiro escalão.

Há incertezas sobre o programa de desestatizações – e o andamento da pauta de privatização da Eletrobras vai mostrar se o governo está firme nessa agenda (depois de mais de R$ 150 bilhões em ativos desestatizados) ou se está sendo travado pela máquina, o que seria uma derrota importante. É continuar observando o melhor possível, para apontar os erros e os acertos.

Não é um video game. E, se você estiver em busca de estética, vá ver uma série e pare de sofrer.

GUILHERME FIUZA

MAMÃE, QUERO SER PRESIDENTE

Não restam mais dúvidas: o Brasil está vivendo uma epidemia de milionários cismados com a Presidência da República. É a síndrome do “Mamãe, quero ser presidente”, muito comum entre gente mimada com o boi na sombra. O que mais poderia explicar esse surto de Dórias, Hucks, Amoedos, etc enguiçados nessa paranoia de mandar nos outros?

Sim, essa é a paranoia. Porque se fosse uma paranoia do tipo missionária, quixotesca ou algo assim, eles não tentariam atrapalhar absolutamente tudo que é feito no país – para se apresentarem como solução heroica. É a velha história: quando a criança não recebe o devido contraponto ao narcisismo primário, passará o resto da vida querendo tudo para si – e nunca estará satisfeita.

O problema dos tempos atuais é a complacência das sociedades com as emanações do narcisismo pueril delirante. Não aparece ninguém para dar uma segurada no chilique. Os adultos estão cansados ao final de um dia de trabalho e lá estão os pirracentos na sala dizendo que vão salvar a Amazônia, que vão dar aula de democracia, que tá tudo errado e a Greta tem razão: ninguém nunca fez nada que preste por este planeta e eles vieram dar a real.

São criaturas sovinas, personalistas, calculistas e gulosas que ficam recitando um teatrinho amador de solidariedade e empatia – sem que a coletividade contraponha com a dignidade e a clareza necessárias: deixe de ser ridículo, seja homem.

O mais interessante é que personalidades tidas como reserva intelectual da nação, tipo um FHC, estão se desmanchando diante desses emergentes remediados. A elite culta estava chocada, perplexa, estarrecida com a ascensão política dos rudes sem compostura, sem lastro histórico e doutrinário. De repente cai de joelhos diante de um aventureiro de auditório. De quantas conveniências e facilidades se faz uma grande alma?

É isso. Por que insistir em chamar de política o que é só uma loja de conveniência? Tem prateleiras acessíveis com éticas baratinhas para tudo – ecologia, empatia, ciência, humanismo, inclusão sexual. É só passar no caixa – ou nem precisa, se for amigo do dono. Saia dali sorrindo com um abadá de preocupação social, com pulseirinha vip de macho sensível ou fêmea consciente, com camarote exclusivo na avenida das elevadas virtudes carnavalescas.

Mas nada seria possível nesse fabuloso mundo de facilidades sem uma imprensa abnegada na dura missão de transformar loja de conveniência em templo de virtudes. Não pense que é fácil se prestar ao papel de vender arregimentadores de bilionários como luminares da comiseração. Não despreze o custo de um rebolado até o chão para transformar frases de porta de banheiro em moderna filosofia progressista.

A contracultura libertária de hoje é um ajuntamento de nerds ricos e tarados pelo controle de cada vírgula. E você está entrando nessa democracia de cativeiro porque quer.

GUILHERME FIUZA

SORRIA, VOCÊ NÃO TEM NADA

O pessoal bonzinho e empático do Fórum Econômico Mundial entrou com tudo na Agenda 2030 disposto a levar sua bondade às últimas consequências. O slogan da campanha é “Você não vai ter nada e vai ser feliz”.

Para facilitar o seu entendimento do que isso significa – e para protegê-lo dos riscos de uma overdose de felicidade -, preparamos aqui um resumo das modernas diretrizes que vão levá-lo ao nirvana sem fazer esforço.

1 – Se você tiver vontade de ir ao restaurante com quem você gosta, fique em casa sozinho de máscara que o governador da Califórnia vai ao restaurante por você, come bem por você, se diverte por você com os amigos (dele). Você não terá nada e a felicidade estará estampada no rosto (dele).

2 – Nas datas comemorativas, fique na sua. Deixe que o Doria se arrisca por você sob as perigosas palmeiras de Miami.

3 – Mantenha em dia seu cartão de vacinação contra covid-19, covid-20, covid-21 e fique de olho nas atualizações programáticas do Bill Gates para não perder seu lugar no futuro. Com seu cartão em dia você poderá ir à padaria todo mês – desde que esteja com seu formulário anual preenchido, informando às autoridades os itens que pretende adquirir. É para seu bem.

4 – Benefício crucial para a conquista da felicidade: você nunca mais vai gastar dinheiro com besteira. Até porque você não vai ter dinheiro. Como uma espécie de auxílio emergencial permanente, você terá o Vale-Alimentação, o Vale-Moradia e o Vale-Diversão. Esse último você conquistará se provar dois anos ininterruptos de bom comportamento. A decisão sobre o que será considerado bom comportamento caberá a um conselho de notáveis formado a partir de um híbrido de STF com Caldeirão do Rulque.

5 – Caso conquiste o direito ao Vale-Diversão, você terá acesso irrestrito aos seguintes games: Gritando com Greta, Gaguejando com Gaga e Praguejando com Fonda. Não fique pensando que são poucas opções de diversão. Em cada um desses games você poderá fingir que está salvando o mundo e as minorias de diversas formas. É exaustivo, pode confiar.

6 – Vale-Transporte não será preciso porque você não irá a lugar nenhum.

7 – Vale-Medicamentos também não será necessário porque tudo de que você precisa estará na vacina. A cada seis meses você precisará de nova dose para corrigir os problemas que não tinha dado tempo de avaliar nos seis meses anteriores, porque você há de convir que em seis meses não dá tempo de fazer nada sério – pelo menos em se tratando de imunização e estudo de efeitos colaterais. Mas não reclame porque é de graça e você não tem nada, mas é feliz.

8 – Se ainda assim você for uma dessas criaturas insaciáveis e quiser reclamar de barriga cheia, sem problemas. Seu direito ao contraditório e à livre expressão estará plenamente garantido. Bastará você acessar sua conta na Rede Felicidade – a plataforma unificada da paz e da empatia. Sua conta estará ativa se você não tiver cometido nenhuma infração nos 24 meses anteriores.

9 – Será considerado infração na rede social da felicidade unificada qualquer discurso de ódio do tipo relatar reação adversa da vacina ou reclamar da vida de merda que a conjunção dos nerds bilionários está te proporcionando na maior boa vontade.

10 – Você era feliz e não sabia? Agora é tarde, otário.