GUILHERME FIUZA

OBSCURANTISMO VACINAL

Kyrie Irvin, jogador do Brooklyn Nets

Nos Estados Unidos, o jogador de basquete Kyrie Irving foi afastado do seu time. A direção do Brooklyn Nets, que disputa a NBA – maior liga de basquete do mundo -, decidiu que Irving não poderá atuar, nem treinar, enquanto não se vacinar contra covid. Esse lobby selvagem e desinibido ainda vai desmoralizar o conceito de vacina.

A diretriz de obrigatoriedade para a vacinação desse atleta segue uma suposta ética de proteção coletiva: ele não pode tomar sua decisão pessoal de saúde se isso significa botar seus colegas e demais competidores em risco. O problema é que essa ética é falsa.

Como se sabe, nenhuma das vacinas em aplicação contra covid mostrou impedir a infecção/transmissão do Sars-Cov2. Isto não é uma tese, nem um objeto de controvérsia. Isto é um fato, verificável em qualquer hospital do mundo onde há pacientes de covid plenamente vacinados. Apesar da fúria do lobby para tentar impedir que esse tipo de informação circule – nunca se viu uma imprensa tão bem domesticada -, a informação já circulou. E a tese de que a vacina pelo menos impediria o agravamento e o óbito também está pendurada numa suposição – já que há um esforço indecente de afirmar que todos os que morreram vacinados morreriam de qualquer jeito.

Sim, é esse o nível atual da propaganda vacinal. Você simplesmente não consegue acessar uma estatística segura e consolidada sobre a porcentagem atual dos óbitos por covid entre os vacinados. A “regra” é que quem matou foram as comorbidades – as mesmas comorbidades que eram sempre inocentes antes das vacinas, quando a “regra” era que quem matou foi a covid. Inventaram até o prontuário hospitalar supositivo: diagnósticos indefinidos podiam ser inscritos como “presumido covid” – e não foram poucas as famílias que vimos aviltadas na hora do luto denunciando erro no atestado de óbito. Estamos vivendo um tempo asqueroso.

Então é isso. A propalada eficácia das vacinas experimentais de covid oscila entre projeções e especulações. Aliás, outra palavra proibida na imprensa adoçada pelo lobby é “experimental”. Os donos da bola querem porque querem que substâncias em desenvolvimento, com fases de experimentação e aferição inconclusas, não sejam chamadas de jeito nenhum de “experimentais”. É muito suscetível, esse lobby. Podemos então chamar de vacinas incipientes. Ou aventureiras. Ou lotéricas.

O problema é que o fato de serem vacinas experimentais, ou incipientes, ou aventureiras, ou lotéricas embute uma questão ainda mais grave que a da eficácia: a da segurança. Quais são exatamente os riscos cardiovasculares assumidos por um atleta de alta performance como Kyrie Irving ao se vacinar contra covid? Ele não sabe. Nem o dono do time que quer obrigá-lo a se vacinar sabe. Nem a autoridade de saúde do seu país. Nem a OMS. Nem o laboratório que fez a vacina. Nem ninguém no mundo. Pelo simples fato de que as ocorrências de miocardite, pericardite, trombose, neuropatias, doenças autoimunes e outros efeitos adversos já constatados após aplicação de vacinas contra covid ainda estão em estudo – por outro simples fato: as vacinas estão em desenvolvimento, ou seja, são EXPERIMENTAIS. E acelerar o relógio do tempo o lobby ainda não conseguiu mandar a imprensa fazer.

Segundo levantamento do epidemiologista John Ioannidis, professor da Universidade de Stanford, o risco de morte por covid na faixa etária de Kyrie Irving é de 0,014%. O risco de ter a sua saúde comprometida pela vacina está em aferição – portanto é um risco de dimensões desconhecidas.

Resumindo, forçar Irving ou qualquer pessoa neste planeta a se vacinar contra covid, pelas razões óbvias acima expostas, só pode ser decorrência de quatro fatores: ignorância, covardia, venalidade ou canalhice. Se o mundo não virar uma patética ditadura chinesa, todos os selvagens da seringa vão pagar pelos seus crimes.

GUILHERME FIUZA

A CIÊNCIA AGONIZA NO TRIBUNAL

O transcurso desse experimento insano para a criação de cidadãos de segunda classe ainda dará muitas voltas. Por enquanto, o problema maior é que a frase acima, um primor de caricatura conspiratória, é hoje a pura realidade. Boa parte do rebanho aceita docilmente um cartão que o permite viver em sociedade – em detrimento dos semelhantes a quem é negado esse privilégio (para o discreto e inconfessável prazer dos “consentidos”). Quem está curtindo discriminar e alijar? Fica a indagação sincera.

Mas não são todos. Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro mostrou que a sociedade ainda não está inteiramente amaciada para a apoteose totalitária. Em cerca de 24 horas a decisão foi cassada no STF – essa Corte austera e que nunca faz política, só nos dias pares (ou, se a vontade apertar, nos dias ímpares também). Ainda assim vale observar o que escreveu o desembargador Paulo Rangel ao suspender o decreto brutal do prefeito Eduardo Paes. Depois veremos também o que disse o ministro Luiz Fux para matar no peito a decisão da Justiça do Rio de Janeiro.

O decreto totalitário do prefeito carioca Eduardo Paes é fundado numa falsa ética de proteção coletiva, já que a obrigatoriedade da vacina contra covid não impede o contágio e despreza os riscos ainda não completamente estudados dessa suposta imunização. Acompanhe esse trecho do habeas corpus coletivo concedido pelo desembargador Paulo Rangel:

“O decreto divide a cidade em dois tipos: os vacinados e os não vacinados, impedindo os NÃO VACINADOS de circularem livremente pelos locais em que cita do Município do Rio de Janeiro com grave violação à liberdade de locomoção. O Prefeito está dizendo quem vai ou não andar pelas ruas: somente os vacinados. E os não vacinados? Esses não podem andar pela cidade. Estão com a sua liberdade de locomoção cerceada. Estão marcados, rotulados, presos em suas residências. E, por mais incrível que pareça, tudo isso através de um decreto.”

A decisão assinala então um aspecto primário do decreto disforme que transforma a capital da rebeldia em capital da subserviência ao controle discricionário: “A hipocrisia chega a tal ponto de não se perceber que o transporte público (BRT) anda lotado de gente. Metrô, barcas, ônibus idem.” O desembargador Paulo Rangel continua sua argumentação demonstrando que entendeu perfeitamente os intuitos essenciais daquilo que, na fachada, é apresentado como segurança sanitária:

“A carteira de vacinação é um ato que estigmatiza as pessoas criando uma marca depreciativa (…) com nítido objetivo de controle social. O propósito é criar uma regra não admitida juridicamente, mas que visa a marcar o indivíduo constituindo uma meta-regra que está associada ao estigma do NÃO VACINADO.” Para quem ainda não entendeu o propósito real, Rangel faz questão de ser claro e direto na descrição do que se passa: “É uma ditadura sanitária. O decreto quer controlar as pessoas e dizer, tiranicamente, quem anda e quem não anda pelas ruas da cidade”.

A decisão do desembargador Paulo Rangel traz exemplos históricos de uso da doença ou do medo para subjugar populações e usá-las para espalhar discriminação e perseguição entre os próprios cidadãos. Claro que ele passa pelas experiências fascista e nazista. E projeta: “O próximo passo no Brasil é insuflar os vacinados a denunciar e reagir contra os não vacinados, acusando-os de serem vetores de transmissão do vírus. Mas não esqueçam que vacinados também estão contraindo a doença”.

O ministro Luiz Fux não quis saber desse argumento – nem de nenhum outro alusivo ao atentado contra a liberdade, ao efeito discriminatório e estigmatizante. Fux aproveitou para derrubar também, já que estava com a caneta na mão, a decisão da desembargadora Elisabete Filizzola, igualmente do Rio de Janeiro, que dava a dois clubes o direito de suspenderem a obrigatoriedade do cartão de vacinação contra covid – em outra decisão bastante eloquente sobre a ineficácia do famigerado passaporte como medida de bloqueio do contágio. O presidente do STF nem esperou a apreciação das duas decisões – um habeas corpus e um agravo de instrumento – pelo Tribunal de Justiça do Rio. O telejornal não pode esperar.

Se a ditadura sanitária não virar ditadura total, as decisões ilegais e anticientíficas serão todas expostas, e seus autores responderão por isso. Para que isso aconteça é preciso que o número de cidadãos dignos supere o dos covardes.

GUILHERME FIUZA

UM RAIO DE LIBERDADE

Clube Militar do Rio de Janeiro estava no centro de decisão que envolve a vacina para a covid

No momento mais ameaçador vivido pela democracia brasileira e mundial, no qual supostas medidas de segurança sanitária estão sendo usadas para a construção de um sistema de controle totalitário, uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro mostra que ainda existe tenacidade na defesa do direito. Em contestação ao decreto municipal que impõe a vacina de covid para uma série de atividades sociais, a desembargadora Elisabete Filizzola concedeu tutela de urgência antecipada ao Clube Naval e ao Clube Militar – associações esportivas/recreativas.

É uma decisão histórica. Como todos sabem – e quem ainda não percebeu precisa se apressar – forjou-se uma “ética” (falsa) elevando essas vacinas de covid à condição de panaceia. Mais que isso: a partir de um arrastão de propaganda sem precedentes, instaurou-se um estado de coisas em que o jogo passa a ser perseguir e estigmatizar qualquer um que não tenha se vacinado. Nem seria preciso reiterar a raiz absurda disso, mas vamos lá: são vacinas que sequer têm o poder de bloquear infecção e transmissão do vírus. Ou seja: a “ética” de proteção coletiva é falsa.

Pior que isso: o arrastão de propaganda fantasiada de ciência convenceu grande parte da população de que ela não precisa se informar devidamente sobre os riscos ainda não dimensionados dessas vacinas – cujo desenvolvimento ainda não cumpriu todas as etapas. Ou seja: como impor uma vacinação sem que os indivíduos possam sequer fazer um balanço concreto entre os riscos da doença e os da vacina?

Entre os aspectos contemplados pela desembargadora Elisabete Filizzola em sua decisão sóbria e responsável está a “presença dos requisitos excepcionais à concessão da tutela de urgência recursal, dada a contundência do impacto nos direitos fundamentais titularizados pelas pessoas jurídicas” (os clubes que contestaram o decreto municipal). Em rara constatação do princípio óbvio citado acima, ela escreve: “(…) a presença exclusiva de vacinados nas dependências do clube não é fator decisivo à não circulação do vírus, afinal, é mesmo notória – está em todos os jornais – a constatação de que a vacinação contra covid-19, lamentavelmente, NÃO IMPEDE (grifo dela) a contaminação daqueles que foram vacinados, o que determina, portanto, a manutenção das idênticas cautelas sanitárias desde sempre adotadas, independentemente de estarem ou não vacinados os frequentadores”.

A decisão do agravo de instrumento observa ainda a falta de isonomia do decreto da prefeitura do Rio de Janeiro – instituindo a obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação em locais como clubes, cinemas, academias e eventos e não instituindo para outras atividades/ambientes como shoppings, bares e restaurantes. A decisão nota a falta de uniformização da medida sanitária, já que todas as situações acima descritas envolvem convivência e reunião de pessoas com o consequente potencial de contágio.

Que a razoabilidade da doutora Elisabete Filizzola abra um caminho de avaliação mais responsável e menos espetaculosa no enfrentamento à pandemia.

GUILHERME FIUZA

ISABELLI BORGES VALENTIM

Isabelli Borges Valentim, 16 anos, morta de infarto agudo do miocárdio

Isabelli Borges Valentim, 16 anos, tomou vacina contra covid no dia 25 de agosto. Em seguida começou a passar mal e não mais se recuperou. Morreu no dia 2 de setembro. Choque cardiogênico e infarto agudo do miocárdio.

Era a única filha de Cristiane Borges. A mãe requisitou ao Hospital e Maternidade Vidas, em São Bernardo do Campo (SP), onde Isabelli morreu, o prontuário eletrônico com amostras de sangue para identificar a causa da morte. Não foi atendida de imediato. Pediu ajuda a uma profissional de medicina para formalizar a requisição, alertando sobre a urgência para que as amostras não perdessem a validade. O hospital respondeu que disponibilizaria o material, mas continuou sem determinar o prazo para isso.

Enquanto a mãe de Isabelli tentava acesso ao seu prontuário médico, uma junta de 70 especialistas do governo de São Paulo teve acesso a todo o material. Essa junta declarou que Isabelli morreu de doença autoimune, sem nenhuma causa com a vacina.

Isabelli era plenamente saudável e nunca tinha apresentado qualquer sinal de doença autoimune. Tomou a vacina contra covid (Pfizer) numa quarta-feira e no mesmo dia passou a ter dores de cabeça, tontura e falta de ar. Os sintomas foram se agravando e no domingo ela foi levada a atendimento hospitalar com o corpo dormente. Mesmo assim recebeu alta (hospital Coração de Jesus, no ABC) mas desmaiou antes de ir embora. Foi transferida para o Hospital Vidas.

Após a internação, Cristiane Borges, a mãe, foi informada de que Isabelli estava com baixa oxigenação e níveis muito reduzidos de hemoglobina, por isso receberia oito bolsas de sangue. A dormência corporal permaneceu e Isabelli teve uma convulsão, sendo transferida para a UTI. No dia 31 a mãe foi chamada para ser informada de que deveria “se preparar para o pior”.

Já intubada, Isabelli apresentou infecção generalizada no dia 1º, sangrando pelo nariz e pela boca. No dia 2, Isabelli morreu após dois infartos.

Até o encerramento deste texto (sábado, 18 de setembro, 16:30h) a família de Isabelli ainda não teve acesso ao prontuário hospitalar dela, nem a amostras de sangue. Mas os enviados do governo de São Paulo tiveram e, sem qualquer contato com a família, ofereceram à imprensa a conclusão sumária de que a morte de Isabelli não teve nada a ver com a aplicação da vacina.

Deve ter sido coincidência, então. É preciso confiar no governo de São Paulo, que afiançou 100% de proteção contra óbito para a vacina que Tarcísio Meira tomou. Vamos ver se a família terá condições de pedir a investigação independente da morte de Isabelli ou se assistiremos ao desaparecimento de todos os vestígios.

GUILHERME FIUZA

CIDADÃOS DE 2ª CLASSE, COBAIAS DE 1ª

Um rebanho humano é feito de autômatos. Eles têm a faculdade do pensamento, mas são capazes de desativá-la para seguir sem desvios os passos da manada. Rebanho ou manada, você escolhe. Nesse direito ninguém toca.

A característica mais impressionante de um rebanho humano não é a descrita acima. A adesão individual férrea e olimpicamente burra às passadas dos que estão em volta não é nada comparada a outro fator decisivo de aglomeração mental: a vigilância implacável do passo do outro.

Podemos até dizer que uma das principais motivações para a desativação do pensamento e adesão mecânica ao bando é a conquista do poder de patrulhar o próximo. Você nem gosta tanto de ser um autômato na manada. O que você curte mesmo é tomar o seu carimbo para poder olhar em volta e sair caçando quem não está marcado, ou não está no mesmo passo. Dedurar é a sua glória.

E foi assim que populações inteiras aderiram ao experimento mais sórdido da história da humanidade em tempos de paz. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes baixou um decreto totalitário obrigando os cidadãos a comprovarem estar vacinados contra a covid para entrar em espaços públicos como clubes, academias, museus, cinemas, estádios e outros. A brincadeira dos tiranetes é convidar todas as cobaias a esquecer que são vacinas experimentais. E elas esquecem de bom grado. Bom gado.

É claro que todo contrabando ético de primeiro mundo já surge devidamente “legalizado” – ou esquentado pelas autoridades competentes e complacentes. Por que não aprovar para uso emergencial vacinas sem estudos suficientes para os grupos mais vulneráveis a essa emergência? Problema nenhum. O rebanho está devidamente amaciado pela propaganda das fake news de grife, que os autômatos ainda chamam respeitosamente de imprensa.

Depois, é só descolar um registro definitivo para essas substâncias que continuam sendo experimentais, porque não tiveram todas as suas fases de desenvolvimento concluídas – mas quem está ligando para esses detalhes? Se colar, colou. E tudo cola, porque rebanho amaciado é rebanho compreensivo.

Tão compreensivo que aceita como ética de proteção coletiva uma vacinação que não impede a infecção, nem mesmo a transmissão do vírus. E se a vacina não impede o contágio, a obrigatoriedade dela para entrar nos ambientes supracitados protege quem de quê?

Protege o rebanho de virar gente. Para virar gente, ele teria que pensar. E se ele pensasse, descobriria em alguns segundos que essas vacinas foram feitas em poucos meses, e isso não tem paralelo na história das boas vacinas, todas desenvolvidas ao longo de anos. Aí o rebanho descobriria que corre uma série de riscos ainda não inteiramente dimensionados – e constataria que para a imensa maioria da população mundial os riscos de morte por covid não são suficientemente altos para justificar uma loteria no perigoso universo das tromboses, enfermidades cardiovasculares, neuropatias e doenças autoimunes. Todos esses males já foram detectados em pós-vacinados.

Qual a sua chance de ter um desses efeitos adversos depois de se vacinar? Qual o seu risco de morte após a vacina? Você não sabe. Ninguém sabe. Os registros espontâneos de problemas vacinais são historicamente uma fração do universo total. E essas vacinas estão sendo feitas na pele da população. O rebanho aceitou uma vacinação em massa experimental para ver o que acontece. É preciso reconhecer que a decisão de não pensar remove montanhas de dúvidas.

A mãe de Bruno Graf, morto aos 28 anos depois de se vacinar contra a covid, é uma pessoa indesejável para vacineiros como Eduardo Paes. Ela está contando corajosamente que seu filho era plenamente saudável, um jovem advogado de casamento marcado fulminado por um AVC hemorrágico – e está encorajando outras mães a contarem seus sofrimentos e suas perdas decorrentes desse experimento insano. É o tipo de conduta que ameaça azedar a doce propaganda fantasiada de ciência sobre vacinas eficazes e seguras.

Arlene Ferrari Graf perdeu seu filho dessa forma estúpida, mas Teresa de Andrade Castro Neves não tem nada a dizer sobre isso. Ela é desembargadora no Rio de Janeiro e rechaçou uma ação contra o decreto do prefeito vacineiro. A doutora não perdeu tempo com riscos conhecidos e ainda não conhecidos das vacinas de covid. Argumentou basicamente que “exigir a vacinação como forma de autorizar a entrada e permanência em estabelecimentos sem sombra de dúvidas se revela eficaz para o controle da propagação do vírus”.

Sem sombra de dúvidas, Teresa de Andrade Castro Neves tem uma certeza que ninguém no mundo tem. Sem sombra de dúvidas, os que estão tomando decisões inconsequentes para a saúde pública terão de responder por isso.

GUILHERME FIUZA

O ATENTADO SILENCIOSO

No dia 11 de setembro de 2001 o mundo achou que estava acabando. Ou pelo menos que estava chegando ao fim um determinado tipo de civilização. Aqueles aviões atirados contra prédios imensos em Nova York talvez não existissem, até então, nos piores pesadelos. E as notícias em tempo real indicavam que havia outros aviões sequestrados e prontos para ser usados também como dardos gigantes – a exemplo de outro que já explodira contra o Pentágono.

Os Estados Unidos da América estavam vulneráveis como uma casa de bonecas no meio de um bombardeio. A nação mais poderosa do mundo capitulando ao vivo daquela forma patética e chocante parecia mesmo a senha do fim do mundo. Mas não era. O mundo só acabou 20 anos depois.

A imagem terrível de aviões cheios de passageiros usados como dardos diabólicos parecia que jamais teria paralelo – mas aí está ele. Num arrastão totalitário e obscurantista, crianças são empurradas para tomar vacinas sem estudos conclusivos quanto a eficácia e nem mesmo quanto a segurança – num experimento hediondo que despreza os baixíssimos riscos infantis da doença contra a qual supostamente se quer imunizar.

Ninguém com vergonha na cara em 2021 consegue explicar a lógica de se vacinar crianças contra covid. Mas uma menina de 12 anos com sequelas neurológicas após se vacinar, apresentada por sua mãe em prantos no Senado dos EUA, não comove a humanidade – não a ponto de uma revisão severa neste plano de vacinação irresponsável. Segundo levantamento recente do epidemiologista John Ioannidis (Universidade de Stanford) a chance de morte por covid de 0 a 19 anos de idade é, em média, de 0,0027%. Quem tem coragem de afirmar que a menina Maddie, de Ohio, precisava tomar essa vacina como uma cobaia para “salvar” crianças e adolescentes de um risco de 0,0027% de morrer?

O mundo acabou. Você tem à sua volta novos dardos diabólicos mostrando a face hedionda da humanidade – agora apontados para bilhões de pessoas. Um dos maiores propagandistas desta insana vacinação infantil contra covid é o mesmo que está sob investigação do Senado norte-americano – suspeito de bancar a manipulação do coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan, cidade chinesa onde surgiu a pandemia. Dr. Anthony Fauci. Anote este nome no seu diário do fim do mundo.

Vacinas que sequer impedem a transmissão do vírus entre pessoas vão sendo empurradas dentro de uma suposta ética de saúde. É claro que se uma vacina gera imunização individual (ao menos contra agravamento da infecção, como dizem) e não impede o contágio, não há ética coletiva alguma sustentando a tese de que todos precisam se vacinar para proteger o outro. E onde se alega ciência sem que exista ciência, pode haver qualquer coisa: propaganda enganosa, lobby, violência ou crime. Só que a humanidade se submete docilmente a esses perigosos princípios farsescos. O que houve com o mundo? É simples: ele acabou.

A mãe de Bruno Graf, morto aos 28 anos de idade de AVC hemorrágico após se vacinar contra covid, está encomendando exames no Brasil e no exterior para investigar exatamente a causa da morte. Foi a mesma vacina e a mesma consequência que matou Thaís Possati de Souza – levando a Anvisa a vetar essa vacina para grávidas. A mãe de Bruno, Arlene Ferrari Graf, tem recebido diversos relatos de famílias de vítimas das vacinas contra covid – todas vítimas da desinformação e da propaganda enganosa que vende a vacinação como um processo seguro e eficaz, sem que os estudos requeridos estejam concluídos.

O mundo acabou porque a humanidade entregou sua saúde e sua liberdade aos tiranos do falso humanismo. Virou refém de lockdowns, passaportes sanitários e outras atrocidades. Isso é terrível e pode ter consequências ainda mais profundas que quatro aviões sequestrados por terroristas carniceiros. Em setembro de 2021, o mal está vestido com as roupas do bem. Rasguem-nas, se acharem que ainda pode haver vida saudável depois do fim.

GUILHERME FIUZA

A IMPRENSA TRANSFORMISTA É CAPAZ DE TUDO

Como talvez você tenha visto, ou talvez alguém tenha te contado, aquela coisa que outrora chamávamos de imprensa deu um show no 7 de Setembro. Basicamente, retratou a maior manifestação cívica da história do país como uma epidemia de “atos antidemocráticos” e “golpistas”.

CHECAMOS! E aqui vai o resultado da checagem: o que você um dia chamou de imprensa hoje é uma plataforma de lançamento de cascatas e conversas fiadas embrulhadas em caprichadas embalagens de ética e humanismo. Traduzindo: leia as manchetes dominantes sobre o 7 de Setembro e descubra que o jornalismo transformista é capaz de tudo.

Ainda está confuso? Não se preocupe. Segue aqui um decodificador das novas verdades, para você deixar de ser golpista e antidemocrático. Democracia passa a ser o seguinte:

1. Usar toga para atropelar a lei;

2. Transformar ladrão em esperança democrática;

3. Fingir que um delinquente que não consegue nem sair na rua e precisa gravar videoclipe em praia deserta cercada pela polícia é o preferido do povo;

4. Usar a Justiça para reabilitar eleitoralmente um criminoso condenado;

5. Usar a toga para invadir outro Poder, no caso o Congresso Nacional, aliciando partidos e parlamentares para barrar o aprimoramento da segurança eleitoral;

6. Ainda está confuso? Então preste atenção: estamos te explicando a nova definição de democracia segundo a verdade do jornalismo transformista. Esperamos que você tenha entendido que usar o poder da toga para fazer uma transfusão de deputados numa comissão parlamentar e assim dar um cavalo de pau na votação do aumento da segurança eleitoral é democracia;

7. Democracia é, portanto, dizer que povo na rua contra a ditadura da toga é ato antidemocrático;

8. Democracia é usar o seu veículo de comunicação para espalhar boatos às vésperas do 7 de Setembro inventando que as manifestações serão violentas e pessoas de verde e amarelo estarão armadas para tocar o terror;

9. Democracia é desprezar o fato de que, ao contrário do que você espalhou, multidões saíram às ruas por todo o país pacificamente. E continuar dizendo que isso é ato antidemocrático;

10. Democracia é achar normal um ministro do STF mandar a polícia deter um cidadão americano no aeroporto e impedir a saída dele do país enquanto não explicar algo que nem a polícia sabe o que é;

11. Democracia é ver a polícia liberando três horas depois esse mesmo cidadão americano porque não havia nada contra ele e continuar usando a sua mídia para incitar o autoritarismo desse ministro do STF;

12. Democracia é fingir que não vê que a população foi às ruas contra figuras como o referido ministro e suas ações exorbitantes no “inquérito do fim do mundo”;

13. Democracia é fingir que o STF não está agindo politicamente para tentar impedir o governo de governar;

14. Democracia é fingir que o referido governo não representa a maioria do eleitorado que votou nele;

15. Democracia é apoiar provocações flagrantes vindas do STF, como vazamento de reunião ministerial sem jamais mostrar a utilidade processual disso;

16. Democracia é apoiar a perseguição por parte do STF contra pessoas na internet, ou seja, apoiar ações brutas contra a liberdade de expressão;

17. Democracia é fingir que não viu a violação do sistema eleitoral e ficar repetindo como um idiota que o sistema é invulnerável;

18. Democracia é fingir que povo na rua pela lisura eleitoral é golpe;

19. Democracia é usar o seu veículo de comunicação para tentar esconder o povo na rua no 1º de Maio e para tentar dizer que a manifestação popular de 7 de Setembro não foi tão grande assim;

20. Democracia é tentar se olhar no espelho depois de dar tanto vexame.

GUILHERME FIUZA

POLÍTICA NÃO É MIRAGEM

Desde que retomou as eleições presidenciais em 1989 o Brasil está indo para a nona disputa. O resultado de cada eleição nesses quase 33 anos nem sempre confirmou – nas ações de governo – o que parecia estar em jogo no confronto político do momento. Vale percorrer por alto as últimas oito eleições presidenciais, relembrando as expectativas principais que cercavam o vitorioso, para refletir sobre essa caixinha de surpresas.

Collor se elegeu em 89 batendo em Sarney, encarnando a esperança no ataque aos privilégios da velha política (marajás) e no combate à corrupção. Teve que renunciar após um escândalo de corrupção – o caso PC Farias, seu assessor que praticava tráfico de influência em nome do presidente.

Por incrível que pareça, o motivo central da renúncia de Collor talvez não tenha sido o maior desencontro de expectativas. Eleito com uma plataforma de modernização contra o velho estatismo, ele veio com um plano de combate à inflação (o grande mal da época) autoritário e dirigista, que incluía confisco de saldos bancários do cidadão.

O suposto choque de capitalismo liberal pariu um plano soviético.

Em 1994 Fernando Henrique Cardoso foi eleito para consolidar o Plano Real, lançado naquele ano. Seu adversário principal era Lula, que tinha perdido no segundo turno para Collor, mas crescera depois do processo de impeachment/renúncia – que desmoralizara o discurso de modernização. A candidatura de FHC era atacada como uma reedição da promessa de modernização de Collor com mais um plano mirabolante que morreria na praia.

Mas dessa vez a expectativa se encontrou com a prática, ao menos no essencial – a consolidação do Plano Real.

Em 1998 FHC foi reeleito prometendo manter a estabilidade econômica e o valor da nova moeda. Descumpriu a promessa em menos de seis meses. A maxidesvalorização do real, forçada pela crise da Rússia e executada de forma atabalhoada, parecia o fim do sonho do controle da inflação. O sonho não acabou, mas o governo FHC precisou afrouxar o controle fiscal e desacelerar as reformas liberais, contrariando as expectativas do eleitorado para o segundo mandato.

Lula foi eleito em 2002 com um discurso dúbio. Por um lado, fez a maior parte da campanha com uma pregação tradicional de progressistas contra neoliberais, procurando desacreditar FHC como se ele fosse um Collor levemente melhorado. Na reta final da campanha, porém, questionado pelo então ministro da Fazenda Pedro Malan sobre suas reais intenções macroeconômicas, Lula comprometeu-se com os fundamentos do Plano Real – e cumpriu, nomeando uma equipe afinada com a de Malan e consolidando a estabilidade monetária.

Na segunda metade do primeiro mandato, a partir do escândalo do Mensalão, Lula passou a abandonar gradualmente os compromissos de gestão fiscal para investir tudo no populismo fisiológico, achando que ou voltava à velha demagogia “esquerdista” ou estava liquidado. Pode-se dizer que chegou a ser um bom governo naquilo que contrariou a velha retórica do candidato e um mau governo naquilo que ressuscitou essa retórica.

Lula foi reeleito em 2006 ainda sangrando com o Mensalão. Derrotou Geraldo Alkmin afirmando que os tucanos representariam a volta da crise econômica – referência à maxidesvalorização de 1999 e a crise de energia de 2001. O então presidente tinha a seu favor bons indicadores socioeconômicos – que se deviam em grande medida à casa arrumada pelo Plano Real e a um período de bonança no cenário externo. Seu governo ajudara a consolidar o Real, mas naturalmente isso não era dito dessa forma.

Os bons resultados socioeconômicos eram associados a uma suposta sensibilidade progressista do governo do PT – não só pelo próprio PT, como por boa parte do eleitorado. Essa mistificação política virou ativo eleitoral decisivo para o partido em três disputas – 2006, 2010 e 2014.

Dilma foi eleita com uma propaganda de gestora e fez o exato oposto, aprofundando o aparelhamento das instituições. Erenice Guerra não era um PC Farias, mas o governo Dilma se pareceu bastante com o governo Collor no desencontro de expectativas – gestão moderna (expectativa) versus fisiologismo arcaico (realidade). Naturalmente o Petrolão transformou o Esquema PC em brincadeira de criança.

Bolsonaro foi eleito em 2018 com a expectativa da retomada da agenda liberal -reiniciada no governo Temer – e do combate à corrupção disseminada pelo PT. A tentativa de levar simbolicamente a Lava Jato para o governo na figura de Sergio Moro naufragou com pouco mais de um ano. Ainda assim foram dois anos e meio sem escândalos de corrupção comprovados.

A retórica contra a “velha política” não se sustentou e alguns representantes da velha política ganharam espaços importantes no governo. Ainda assim foram preservadas escolhas técnicas no primeiro escalão e a agenda liberal de Paulo Guedes foi prestigiada, com alguns enguiços e muitos contratempos, mas também resultados visíveis.

Para 2022, como sempre ocorre, as expectativas gerais sobre a disputa política já se desgarram consideravelmente do que realmente está em jogo. Boa parte do debate se dá sobre riscos de proposição autoritária – que sempre existem, mas precisam ser associados a práticas, não a caricaturas. A lisura da eleição também entrou em pauta com um nível de preocupação que não se viu em disputas anteriores.

De toda forma, o melhor cenário será aquele em que os critérios da sociedade para decidir do que suspeitar e em que confiar sigam a observação dos fatos e não a fábrica de expectativas.

GUILHERME FIUZA

OS MARCIANOS ESTÃO ENTRE NÓS

A invasão dos marcianos narrada por Orson Welles mais de 80 anos atrás levou ao pânico parte da população norte-americana. O ator iniciou a transmissão de rádio informando que iria interpretar uma peça de teatro. Não adiantou. Parte das pessoas não ouviu o alerta porque ligou o rádio depois. Outra parte ouviu, mas acreditou assim mesmo que a Terra estava sendo tomada pelas criaturas esverdeadas do planeta vizinho. A vontade de acreditar é uma das forças mais brutas da natureza.

Hoje a humanidade está querendo acreditar numa escalada inexorável de conflito. Não só os conflitos de sempre – entre partidos, religiões, supostas ideologias, etc. A nova onda é todo mundo se engalfinhando por alguma coisa com todo mundo. Colegas, vizinhos, casais, amigos, irmãos. Meu reino por um mal-entendido.

O panorama pandemônico ajuda, mas está longe de explicar tudo. Olha em volta que você vai ver. Já há pelo menos um problemão atravessando tudo e fazendo um estrago dos grandes, mas não basta. É preciso discutir até a morte se um atleta olímpico pode desistir. Se a desistência nesse caso é respeito aos limites humanos ou concessão à fraqueza. E lá vêm as hordas com gosto de sangue na boca dispostas ao duelo sem fim. O que seria uma questão legítima já nasce com os códigos da dicotomia burra. Escolhe um lado, enche as mãos de pedras e cai dentro.

Estamos num tempo estranho em que não se busca solução de conflitos. Se investe no conflito. Duvida? Então dá uma olhada.

Sabe aquele cara que falava de Proust, Baudelaire e só dava um refresco para explicar o que Vivaldi quis dizer com a inusitada dobra de compasso? Pois é. Ele hoje está por aí comentando a última do Renan Calheiros – e caprichando no veneno da flecha destinada à tribo inimiga. Não importa que seja uma flecha digital de mentirinha e que nem esteja muito claro quem é o inimigo. O importante é ter meia dúzia na plateia do Coliseu imaginário e ao menos uma alma penada passando recibo. Ele já terá colhido seu crachá de guerreiro.

Quem é maior: o Flamengo ou o Corinthians? Esquece. Mesmo no terreno dos duelos mais bobos e divertidos, onde até as cores da camisa poderiam ser evocadas cega e apaixonadamente como prova incontestável de virtude, a coisa desandou. Agora o negócio é dizer que teve um torcedor do adversário que ofendeu uma minoria, o que será rebatido com uma acusação contra o jogador do rival que não teve empatia na rede social. Mas o futebol não era bom justamente porque você podia brigar com alguém para provar que as cores do seu time são melhores que as do outro, e ponto final?

Era, mas isso acabou. A graça agora é plantar conflito de forma que você possa chegar a uma problematização ética – a ponto de alegar que o seu caráter é superior ao do seu oponente, cujas falhas você apontará implacavelmente.

Ou visto de outra forma: a discussão ética foi rebaixada a uma briga de torcida.

Aí de repente você vê num canto qualquer uma nota dizendo que o grupo Boca Livre se separou por causa da vacina. Você não tem culpa se isso te der a sensação de que estão rompendo até o que já estava rompido. Parece que um integrante achava que a picada era a salvação e outro achava que era a perdição. Aí acabou o amor. Impressionante. Com toda certeza essas bocas já foram mais livres.

O negócio é sair no tapa. Mas não se esqueça: é preciso um pretexto filosófico. Nada de mandar o marido dormir na sala porque está roncando alto. Expulse-o da cama chocada com o fato de que alguém possa dormir tão profundamente sabendo que as baleias estão ameaçadas de extinção. E se ele disser que não sabia, ameace-o com o divórcio. Você não pode viver ao lado de um alienado. E se ele te perguntar por que você vive há anos ao lado de um alienado, responda que é porque você é tolerante e inclusiva, mas tudo tem limite.

Rompa com o seu irmão porque ele se diz de esquerda. Rompa com a sua irmã porque ela se diz de direita. Vocês vivem do mesmo jeito, no mesmo lugar, sob as mesmas regras, têm até gostos parecidos, amigos em comum, conviveram até outro dia em harmonia e nenhum de vocês dois jamais disse que queria se mandar para um lugar mais afeito à sua suposta filosofia política. Mas agora vocês se descobriram cão e gato. Só falta escolherem deuses diferentes para adorar detestar um ao outro.

Não há mais dúvidas. Os marcianos estão entre nós. É crer para ver.

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GUILHERME FIUZA

A LEGALIZAÇÃO DA DITADURA

A imprensa que está brincando de atiçar a prepotência do STF talvez um dia se arrependa disso. Transformar o direito num campo de várzea onde da sobrancelha para baixo é tudo canela pode parecer excitante no princípio: você posa de herói da resistência, arrebanha uns trouxas, dá uma vitaminada nas suas oportunidades imediatas e vislumbra um final feliz na bolha. O chato é a tendência que insiste em rondar toda bolha: um dia estoura.

E quando essa aí estourar, toda a malandragem que hoje lhe parece inexpugnável ficará ao relento – exposta à dura realidade que você não quer ver: ao ar livre, essa vitamina que hoje te faz invencível não será suficiente para a sobrevida de 24 horas de um rato. Sabe aquela história de virar abóbora? Pois é. Quando a bolha estourar, virar abóbora pode até vir a ser uma boa opção para você, diante das outras.

Prende e arrebenta! Esse é o coro inconfessável – mas audível – de boa parte dos que passaram a vida se dizendo democratas e murmurando contra ameaças autoritárias. Dane-se a lei. Surgiu uma oportunidade legal, dentro da bolha estão todos catequisados para o mesmo fingimento: os enviados de Belzebu tomaram o país e vale tudo para eliminá-los. A liberdade econômica e cívica que venha deles a gente mata no peito, baixa na terra e põe para os cachorros comerem. Aqui na bolha não entra esse tipo de coisa.

O negacionismo chique produz uma sensação bastante confortável para os seus adeptos. Se o país inteiro sair às ruas por liberdade e eleições limpas, fique em casa de olho na TV. Você terá a confortante certeza de que nada aconteceu. Talvez até você chegue à conclusão de que o povo nem existe. Por via das dúvidas, entre no zoom e pergunte aos seus amigos empáticos da quarentena vip que também não viram violação alguma do sistema eleitoral: o povo existe?

À luz da ciência, eles vão te responder: não há provas concretas. E aí vocês todos, que são iluministas e não terraplanistas, farão o dever de casa: percorrerão a grande mídia para checar o boato de que haveria povo na rua de norte a sul do país. A checagem terminará com mais uma gloriosa certeza científica: não tinha povo nenhum. As manchetes estavam limpinhas, falando de coisas muito mais cultas e evoluídas. Fake news.

Quem reclamar da vulnerabilidade das urnas depois da prova de que o sistema eleitoral foi invadido em 2018 ganha um alerta: por enquanto vai ser só chamado de terraplanista. Se insistir na blasfêmia vira alvo de inquérito. Depois que os heróis do STF contra o fascismo imaginário exterminaram até conta em rede social fora do Brasil – alegando ameaça de subversão à ordem – imagina o que eles têm para oferecer a quem duvidar do imaculado sistema inauditável do TSE? Melhor confiar.

O Senado Federal, que está numa fase exuberante – engavetando com bravura todas as denúncias contra os abusos do STF e fazendo tudo o que os vassalos da moderna ditadura chinesa mandam – está tirando do forno uma legislação quentinha para calar a boca de quem falar coisas erradas. Fingindo sepultar a Lei de Segurança Nacional (o fingimento humanitário é a alma do negócio, como você já reparou) os senadores vêm com uma mordaça linda, onde você pode botar o escudo do seu time ou outra mensagem que os aderecistas de focinheira hoje em dia fazem com o pé nas costas.

O melhor da festa é que os supremos xerifes não precisarão mais da imprensa amiga para retocar os seus atropelos e avalizar docemente a sua brutalidade. Com a criminalização da “comunicação enganosa” tudo que eles quiserem que seja fake news e atentado à democracia, será. É a legalização da ditadura – em nome da democracia.

Não gostou? Acha que a República da Bolha foi longe demais? Ué, então faz alguma coisa. O que? Sei lá. Começa com um peteleco. Bolha é bolha.