GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

BABY

Quando Jair Messias Bolsonaro, investido no cargo de dirigente da Nação, com cacófato e tudo, apresentou-se como o que exatamente é, um irresponsável, absolutamente destituído das condições intelectivas e psíquicas para dirigir um país, ou o que quer que fosse, seu eleitorado caiu em si e as defecções se multiplicaram: milhões de seus seguidores fiéis o abandonaram, tiveram de abrir mão do compromisso ideológico com algo que pensavam ser o bolsonarismo.

Essa ideologia se sustentava em alguns princípios básicos: honestidade incondicional, luta intransigente contra a corrupção, fim do toma-lá-dá-cá, nomeação técnica para cargos, independência dos órgãos, e o lema absoluto “Deus, Pátria e Família”, reminiscência do Integralismo, avivado no “Pátria acima de tudo, Deus acima de todos”.

Contudo, o próprio Jair Messias Bolsonaro não foi capaz de manter seus compromissos, consigo mesmo e com o eleitorado, e dia a dia, passo a passo, desconstruiu, com seus atos e suas palavras, o ideário que o levou ao poder.

Fatos envolvendo sua família, com respingos nele mesmo, e outros diretamente em torno de sua pessoa, lançaram dúvidas sobre a honestidade incondicional; a luta intransigente contra a corrupção foi relaxada pela falta de apoio a medidas concretas nesse sentido, como reclamou dele o seu próprio pupilo de outrora, Sérgio Moro; o toma-lá-dá-cá retornou com o balcão de negócios junto ao chamado Centrão, para garantir apoio político inclusive contra um possível processo de “impeachment”; cargos passaram a ser preenchidos como moeda de troca e a militarização do Estado trouxe desconfianças de intenções golpistas.

Os apoiadores balançavam, mas se forçavam a desculpar seu líder, seja pelo benefício da dúvida, quanto a determinadas situações, pelo entendimento de que em certas condições o governante precisa ceder para governar e, até, se for o caso, adotar algumas medidas maquiavélicas.

Mas, tudo tem um limite.

Talvez pudessem ser suportadas a gasolina, a margarina, a cloroquina, mas dar um pé-na-bunda do herói nacional do momento, apto a vir a ser o próximo presidente da república, “et pour cause”, foi demais! E Sérgio Moro saiu (puxando o tapete).

Foi quando caiu a ficha dos milhões que declararam que não dava mais: juntaram as partes e viram que o monstro estava completo.

Todavia, parece não haver dúvida que o tempo é senhor, mesmo, é do esquecimento – nem tanto da razão: assim como de Joaquim Barbosa, a figura heróica de Sérgio Moro foi se diluindo.

Há ideias que circulam no meio da população que são muitos próximas do pensamento de Jair Messias Bolsonaro, a respeito de os deputados e senadores serem um bando de ladrões e que só impedem o governo de governar, assim como sobre o Supremo Tribunal Federal estar lotado de esquerdistas que querem derrubar Jair Messias Bolsonaro do trono.

No populacho também circulam ideias de que bandido bom é bandido morto; de que todos precisamos ter uma arma para nos proteger; de que a tortura é necessária para fazer o bandido abrir o bico; de que ser homossexual é sem-vergonhice; de que índios precisam ser trazidos para o progresso dos brancos; que negros são inferiores e que lugar de mulher é no fogão.

São tendências represadas pelo avanço da civilização, mas que Jair Messias Bolsonaro foi capaz de permitir que fossem liberadas – o que gerou o atual estado de fascismo generalizado que estamos vivendo.

Deste modo, abandonar Jair Messias Bolsonaro significou uma orfandade ideológica: ao mesmo tempo que seus apoiadores caíram na real de que o cara é um despropositado, perderam apoio íntimo para suas convicções esdrúxulas, algo inconscientes.

Era preciso voltar aos braços de Jair Messias Bolsonaro, para continuarem com suas crenças medievais.

Assim, esses que se escafederam precisavam arranjar um jeito, uma desculpa, um pretexto para voltar ao círculo idolatrado do bolsonarismo.

Como fazer?

Resposta: Fechando trincheiras em torno de alguma de suas ideias aparentemente lógicas.

E assim, recuperaram o espírito bolsonarista defendendo a inocuidade, e até letalidade(!), do isolamento social. Eles defendem que Jair Messias Bolsonaro esteve sempre certo, que o correto é continuar todo o mundo em suas atividades normais e deixar que o vírus tome conta da população, o que determinaria um tal “efeito de rebanho” (ou boiada?) que garantiria a imunização geral – ignorando eles que para obter tal efeito seria necessário contaminar com o vírus de uma tacada só mais de cinquenta milhões de brasileiros, ou por volta de cento e dez milhões de pessoas, causando um caos nunca visto ou imaginado na rede de saúde, levando à morte, pela doença (doença agravada pela falta de assistência) milhões de pessoas.

Isso não ocorreria, segundo eles e seu ídolo pensam, porque a Cloroquina (ou a hidroxicloroquina), que é a seu ver um remédio milagroso contra a Covid 19, que teve as pesquisas abandonadas pela Organização Mundial de Saúde por falta de sinais de efetividade, e que até os Estados Unidos, onde Trump também defendia o seu uso, a deixou de lado, garantiria a cura de todos.

Tal artifício, ou “tour de force”, uniu novamente os bolsonaristas em torno de seus ideais malucos e de seu ídolo aparentemente idem, de modo que eles aos poucos voltam, ou já voltaram, a idolatrar a triste figura que ridiculariza o Brasil perante o mundo todo.

Ou a inteligência renasce e mostra a sua força, repudiando o obscurantismo e tirando essa gente do emperramento civilizatório, ou teremos todos de nos mudar, em massa, para Portugal.

Baby, baby, eu sei que é assim.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O VÍRUS E A MÚSICA

Lula desculpou-se logo após dizer que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Era 19 de maio de 2020, com cerca de 270.000 infectados por Covid 19 e mais de 17.000 vidas ceifadas pela doença.

Hoje, 1º de julho, penso ter-me enganado na apreensão dos dados: Um mês e meio passados e os números aproximados são de 1.400.000 que adquiriram o vírus e 60.000 mortes. É isso mesmo?

Sim.

Lula, é claro, errou ao dizer “ainda bem”. Isso soou como boas vindas à doença e às mortes, mas é evidente que isso não podia ser a sua intenção, como esclareceu imediatamente, ao dizer, logo no dia seguinte, que sua frase foi totalmente infeliz.

O vídeo está aí para todos que quiserem ver, ele expõe longamente seu pensamento, mas o objetivo que tenho neste momento é de lamentar que a humanidade tenha de passar por tão dura prova para compreender que é por culpa dos homens mesmo que ciclicamente surgem as pragas, que vêm com destruição para chamar a atenção, alertando: – Vejam o que vocês estão fazendo! Mudem de comportamentos, ou destruirão o Planeta.

A dura lição vem com o adoecimento e as mortes. Por outro lado, o castigo impõe isolamento, recolhimento, afastamento social, que levam a meditação e a reflexões. Por vezes impõe o reagrupamento familiar e o contato mais íntimo entre seus membros.

Alguns fenômenos servem para mostrar que basta uma diminuição dos processos de produção, com tudo que eles envolvem, para reduzir sensivelmente a poluição, seja pela menor queima de combustíveis diretamente na fabricação de bens, seja pelos gases expelidos em menor volume pelos veículos de transporte de mercadorias e até pelo menor gasto de eletricidade.

Na questão do turismo, a radical redução dos deslocamentos das pessoas por avião, navio e veículos poluidores variados, também resultou na limpeza do ar e recuperação da camada de ozônio.

Reduziram-se as mortes por acidentes de carro e a ocupação de hospitais por feridos em tal tipo de ocorrência.

Consta que até a criminalidade sofreu (e “sofreu” é um termo que aqui não cai bem) considerável redução.

Um efeito verificado com a epidemia no Brasil foi, também, a solidariedade: empresas, instituições e pessoas arregaçaram as mangas em doações e campanhas as mais diversas em favor dos necessitados, atingidos por consequência da paralisação ou redução das atividades econômicas.

O que se espera, assim, é que esse lamentável castigo determine ações duradouras de pessoas, governos e instituições em geral.

E que um desses efeitos permanentes seja o renascimento da música popular brasileira, com a permanência no ostracismo a que foi lançado, nestes seis meses, o chamado “sertanejo universitário”.

Que se vá o vírus e que permaneça a boa música.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O ESTRANHO E TALVEZ VERÍDICO CASO DO PAPAGAIO NAT SORIANO

Algumas histórias de cachorros, um, chamado Lyndon Johnson, que chorava quando ouvia Altemar Dutra cantando Vida Minha, outro, de nome Frank Sinatra, que cantava, ambos brasileiros, apesar dos nomes estrangeiros, foram contadas aqui, ao pé da fogueira, no São João do ano passado.

Os narradores juram que é verdade, como as histórias de assombração, que ninguém duvida, contadas pelos matutos sob o céu de estrelas.

Nada mais incrível, do que esses casos, acharíamos que poderia surgir, quando um novo narrador vem e assegura que tem um papagaio que canta. Não como o cão Frank Sinatra, que recebeu esse nome porque uivava desentoado, desafinado, e a referência ao grande cantor dos Blue Eyes foi feita como uma espécie de ironia, já que Frank Sinatra, o verdadeiro, era A Voz, e há quem diga que foi o melhor intérprete de todos os tempos.

Pois bem, ao pé da fogueira sentou-se um desconhecido e apresentou-se:

– Eu me chamo D. Matt. Eu possuo um papagaio que canta um grande repertório de músicas brasileiras, do samba ao pagode, e que interpreta com competência canções estrangeiras, em Inglês, Italiano, Espanhol, Alemão e Francês.

Nosso lema, na roda de fogo, é acreditar em tudo – por isso elegemos Jair Messias Bolsonaro presidente do Brasil – de modo que ninguém duvidou da mentira deslavada.

Como assim? Alguém inquiriu. Cite uma música que esse papagaio dos infernos canta, em Francês, por exemplo.

D. Matt responde na bucha:

– Ne Me Quitte Pas.

– O quê? Cabra safado! O teu papagaio canta essa música, divinamente interpretada por Maísa, por Jacques Brel, Édith Piaf…

– Canta. E posso provar.

Todos se alvoroçaram. Um cão chorar, tudo bem, não passa de um fenômeno sensível, o cachorro ouve um som e uiva. O outro cantar, também é aceitável, mais uma vez trata-se de um cachorro que como todos os cães em certas circunstâncias uivam, uns mais, outros menos afinados. Agora, vamos e venhamos, um papagaio cantar várias músicas, em diversos idiomas, e ainda por cima Ne Me Quitte Pas, vai mentir assim nos infernos!

D. Matt não se perturbou, nem mesmo quando um dos companheiros mais exaltados falou eu vou bater nesse cara.

Ele, D. Matt, afirmou:

– Por acaso, eu tenho aqui comigo uma fita cassete com uma gravação de Nat – justamente de Ne Me Quitte Pas.

– O papagaio se chama Nat King Cole?! Alguém perguntou com picardia.

– Nat Soriano, respondeu ele. E continuou dizendo que ia no carro pegar um aparelho para rodar a fita.

Nem ele se afastou e um garantiu que D. Matt não voltaria mais, tinha se escafedido, mentiroso dos diabos.

Mas, mal acabou de falar isso e lá vinha D. Matt com o toca-fitas na mão. Sentou-se, fez algum suspense, devagar pôs a fita a rodar e após alguns chiados uma voz de homem dizia: – Canta, Soriano!

A seguir, com acompanhamento e tudo (ele disse que era karaokê), Nat Soriano começou a cantar a música em Francês, com algum sotaque (pelo que D. Matt se desculpou, o papagaio aprendera essa música já adulto e não se libertara de algum acento estrangeiro).

Foi a coisa mais linda, de chorar mesmo, tinha gente ali com o coração despedaçado, alguém terminando um relacionamento, outro se sentindo desprezado, de modo que muitos lenços se molharam enquanto o papagaio Nat Soriano soltava a linda voz.

Foi no meio de toda aquela emoção que, mal acabara a música, D. Matt levantou-se dizendo eu tenho de ir e nunca mais o vimos.

Outro dia, no São João deste ano, nos reunimos de novo em frente à fogueira, rememorávamos e comentávamos o caso. É claro, ninguém acreditou que aquilo era um papagaio cantando, isso não era possível. O cara chegou num fusca velho, se tivesse um papagaio com tais qualidades estaria podre de rico.

Além do mais, alguém observou, aquilo era escritinho uma gravação de Ne Me Quitte Pas na voz de Nina Simone!

Ou seja, se Nat Soriano é mesmo um papagaio cantor, além de cantar bem é um imitador inigualável!

D. Matt, como eu disse, não mais apareceu, mas se voltar a dar as caras vai ter de trazer Nat Soriano para uma audição ao vivo.

Enquanto isso, está sendo xingado diariamente como o maior mentiroso que já apareceu por aqui.

E olha que o páreo é duro.

Seja como for, uma dúvida restou: Terá D. Matt autorização do Ibama para possuir um papagaio?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE FRANK SINATRA, O CÃO QUE CANTAVA

Carlito Lima, o cara que imaginou a maior quantidade de contos eróticos passados em praias, deve ser doido por areia e pode ter o Guiness de tanta história de transa à milanesa: é praia da Jatiúca pra cá, praia da Ponta Verde pra lá, e praia da Pajuçara, praia da avenida da Paz, praia do Trapiche da Barra, praia da Boa Viagem e sei lá mais quantas.

Mas algumas vezes escreve sobre outras coisas, como outro dia lembrou o caso do Cachorro Que Chorava.

Trata-se de Johnson, um cão alagoano que não podia ouvir a música Vida Minha na voz de Altemar Dutra que se punha a chorar.

Uivava de dar gosto; e ficou tão famoso que foi levado ao Rio de Janeiro, para um programa de variedades nos anos sessenta, do Flávio Cavalcanti, onde botaram para tocar a música e Johnson chorou que dava pena. Acho que saíam lágrimas.

Johnson ganhou mundo. Ficou famoso.

Contei a Carlito que eu tive um vira-latas, desses amarelinhos, pego na rua, que cantava, e ele me disse: – Frank Sinatra dá um conto, caro Goiano!

É que eu me esqueci de contar que o cão, logo que me foi confiado, tirado do relento para eu acabar de criar, sentava-se na varanda, esticava o pescoço para o alto e se punha a uivar, com saudades de suas cachorras (ele fugiu tanto, tantas vezes, e foi recapturado, porque tinha o número do telefone gravado na coleira, que acabei tirando a coleira e da última vez que ele fugiu ninguém mais telefonou e ele voltou ao, digamos assim, abandono, que era o que ele desejava, para sempre – ou quase).

Mas, o nome, Frank Sinatra, eu o dei como uma homenagem reversa: o cachorro era completamente desafinado.

Nunca vi na minha vida um cachorro uivar tão mal.

Ocorre que as notícias correm o mundo, alguém nos Estados Unidos ficou sabendo de um cachorro que cantava, no Brasil, que tinha o nome de Frank Sinatra, e deve ter entendido que o cachorro cantava igual o Blue Eyes…

Um belo dia, apareceram uns gringos na minha casa, em Petrópolis, com uma tradutora: Queriam porque queriam comprar o cachorro para apresentá-lo na televisão norte-americana.

Me ofereceram uma baba. Em dólares.

Eu nunca menti sobre o cachorro, eles é que chegaram e queriam levar o bicho. Me senti à vontade para fazer doce e disse que Frank Sinatra não estava à venda.

Eles faltaram é chorar. A tradutora implorou por eles e depois do preço quadruplicado ou quintuplicado eu acedi, desde que cuidassem bem do artista e o alimentassem com acém moído, que era o que ele mais gostava.

Eu disse que Frank estava na hora da sesta, ficaram de voltar no dia seguinte, e assim que eles saíram corri para a rua à procura do famoso animal.

Tive sucesso. Meia hora depois encontrei uma loja de bichos com uma tijela de ração e outra de água na porta, para alimentar os cães de rua e tive a certeza de que ali me dariam a dica.

Entrei e não deu outra. Me perguntaram se era um cachorro que uivava feio, eu disse que sim, me contaram que ele tinha acabado de passar por ali, me mostraram a direção e lá fui eu.

Logo vi Sinatra. Ele também me viu e escafedeu-se. Não queria voltar para casa. Meia hora de perseguição, consegui enganar o danado e peguei-o.

No dia seguinte eles vieram, levaram Frank Sinatra, felizes da vida, enquanto eu me sentava olhando a paisagem, tomando uma cerveja e contando o dinheiro da reforma da casa.

Ô, sorte!

Não sei direito o que aconteceu.

Na época, o xará do cachorro ainda estava entre nós, parece que fizeram uma apresentação de tv em rede costa a costa programando a apresentação dos dois, ao vivo.

Alguém me contou que quando Frank Sinatra abriu a boca para o dueto com Frank Sinatra, e se ouviu aquele uivo tão completamente desafinado, Frank Sinatra ficou muito ofendido com a palhaçada e processou a emissora, que está querendo desforrar em mim, em alguns milhões de dólares.

Meu advogado garante que não vai dar em nada, não teve contrato, e a coisa está rolando, agora é que chegou, anos e anos depois, na Corte Suprema e eu nem tchum.

Quem mandou não me pedirem uma audição antes?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A JOANA DOS INFERNOS

Nikolai Hel, autoproclamando-se cidadão manauara da banda decente deste País, escreve intrigante texto no Jornal da Besta Fubana, traçando paralelo entre a legião dos 300 guerreiros que sob o comando de Leônidas enfrentariam o domínio persa e os 300 do Brasil, com tal abordagem que poderia parecer que ele estaria falando grego.

Mas não está.

Seu intento final, é claro, cuida de alçar Sara Winter à condição de heroína dos nossos dias, precisamente junho de 2020, governo de Jair Messias Bolsonaro.

Alega ele que quarenta e sete mil e seiscentos e noventa e nove eleitores de Jair Messias Bolsonaro não têm culhões, mas um deles, precisamente uma mulher, é que os tem: Sara Winter, ou seja lá como mesmo se chama a corajosa doidivana.

É que, segundo ele, o diabólico Hel(l), o Supremo Tribunal Federal estaria se achando.

Não é – pensa Nikolai – que o governo de Jair Messias Bolsonaro esteja metendo os pés pelas mãos, baixando atos autoritários, inconstitucionais, injurídicos e irregulares e, por isso, uma vez cutucado com varas curtas e compridas, ou agindo excepcionalmente por suas próprias conta e risco, o Supremo Tribunal Federal esteja proferindo decisões corretivas.

Não, para ele, Nikolai e seus seguidores que o embalam nos comentários feitos a suas teses, não é o presidente da república que está se julgando todo poderoso (certamente o noticiário, dominado pelos comunistas, exagera nas tintas sobre suas façanhas): É o STF, são seus ministros que se julgam Deus, e agora principalmente um, sem dúvida Alexandre de Moraes, que erra sem parar e cometeu a suprema injustiça de mandar prender a desacatadora e bombástica, em todos os sentidos possíveis e impossíveis do termo, Sara.

Essa visão, de que o STF está governando o País mediante o uso do poder judicante, destruindo as realizações de Jair Messias Bolsonaro, é a apreensão popularesca das coisas da qual a direita se utiliza, neste momento, para desacreditar esse Poder da república e encaminhar projeto de ditadura imposta por forças militares para que Jair Messias faça o que quiser para cumprir sua missão de salvar o Brasil.

Quer a direita, pela qual Sara Winter manda a polícia tomar no rabo, que o governo não fique amarrado (como um serviço público que não pode fazer compras sem ter de realizar licitações, que só atrapalham e atrasam a realização dos negócios).

É preciso deixar Jair Messias Bolsonaro trabalhar. A seu (dele) jeito, oras!

Muito adequadamente, na parte dos comentários, que se seguem ao texto, o autor traça paralelos entre a ação de Sara Winter e, por exemplo, a Sierra Maestra, de onde desceram Fidel e Che para tomar o poder em Cuba.

Aí está certo: se é disso que se trata, nossa heroína age corretamente, faz a revolução e a Praça dos Três Poderes é a trincheira a partir da qual ela assesta armas e conclama seus seguidores a derrubar os poderes que estão estorvando o governo.

Um pouco diferente da revolução cubana, ela não quer derrubar o governo, ela quer derrubar os outros poderes do governo, a bem dizer, as forças consistentes no Judiciário, e no Legislativo, que impedem que medidas provisórias prosperem, que nomeações se concretizem, que ações se completem, que a cloroquina prevaleça, que as aglomerações e o direito de ir e vir não sejam contidos, que alguma ação de cassação de chapa não prospere e que, afinal, não mexam comigo, minha família, meus amigos e minha base aliada, táoquei?

Então tá, é o seguinte:

Se o Estado de Direito deve ser mantido, ações ilegais devem ser combatidas, com inquéritos, condenações, multas, prisões e sejam quais forem as sanções que a lei imponha. E neste caso, seja winter, autumn, summer ou spring, é dura lex sed lex, no cabelo só gumex.

Ou chega, não dá mais, acabou a paciência e é a revolução, Joana D’Arc incorporou aqui e agora, encabeça as Forças Armadas, sob o comando de Jair Messias Bolsonaro, para estabelecer uma ditadura – e a História registrará a lenda da guerreira brasileira que derrubou a república.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

JAIR MESSIAS BOLSONARO RESISTE ATÉ 21 DE JULHO

Contratado para escrever, muitas vezes me faltaram ideias e eu entrava em desespero, procurava alguma coisa para copiar, discretamente, com o cuidado de mudar os nomes, para não ser processado por detentores de direitos autorais.

Até o dia em que fui.

E tive de deixar de fazer isso.

Aprendi, então, a reescrever textos alheios mudando as palavras, mas fui descoberto de novo e tive de parar.

Mas a falta de ideias me fez tentar outros recursos, como contar a mesma coisa de outro jeito e… incrível!

Não colou.

As pessoas são exageradamente apegadas aos seus direitos autorais, embora devessem preferir que os conhecimentos fossem mais amplamente difundidos em favor da humanidade.

Minha última tentativa foi pegar artigos estrangeiros, passar pelo tradutor automático, que é bem maluco, e assinar.

Enfim, também não funcionou, me ferraram de novo.

Mas, felizmente há pessoas de bom senso neste mundo, e o juiz me aconselhou:

– Quando tiveres de escrever e não tiveres um assunto para desenvolver, faça como eu, em vez de colar sente-se e comece a escrever, simplesmente comece a escrever – e verás como as palavras fluem como cascatas.

Aceitei o conselho.

E é assim que tenho escrito a maior parte dos textos que saem em minhas colunas jornalísticas, não preciso mais copiar de ninguém, simplesmente deixo brotar do âmago do meu ser.

Hoje, preciso escrever mais um texto para ser publicado e não tenho nada a dizer.

Começarei, então, usando o método milagroso:

Vejamos.

Há um mês, exatos trinta dias, creio, anunciei o que me indicaram forças ocultas: Jair Messias Bolsonaro cairia.

E isso aconteceria até hoje, data em que escrevo, 14 de junho de 2020.

Como o jornal é de uma desorganização total, nem imagino o dia que será publicado.

Venho esclarecer que houve um problema de interpretação de minha parte.

Eu cria que a queda seria do posto do governo, que Jair Messias Bolsonaro cairia do cargo de presidente da república.

Ele caiu, dentro do prazo.

Mas, como todos sabem, caiu mas foi no chão, em Goiás, no dia 5 deste junho, quando desceu do helicóptero.

Também pode ter havido um truncamento, da mensagem que recebi, com a data da queda da Bastilha – 14 de julho.

Agora, acabo de receber novas mensagens das forças ocultas.

Uma, diz houve um erro de pontaria e que quem caiu do cargo agorinha mesmo foi o Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida

Lamento o equívoco, Mansueto.

Vou pedir para se esmerarem mais.

Outra das mensagens afirma que Jair Messias Bolsonaro obteve das forças ocultas uma prorrogação, que ele não passa do pico do seu inferno astral, que garantiram que se dará em 21 de julho, podendo esse pico ocorrer antes, dependendo apenas da atuação de seu ministro da falta de educação.

Fica então o dito pelo não dito.

Está valendo a nova previsão.

Me cobrem.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

JAIR MESSIAS BOLSONARO E AS EXPRESSÕES TIPICAMENTE BRASILEIRAS

1. Pode tirar o cavalinho da chuva – para Moro, quando ele disse que era ele que iria nomear o Diretor Geral da PF.

2. Vou deixar ela tomando um chá de cadeira – referindo-se a Regina Duarte esperando a nomeação para a Cinemateca.

3. Ele é um sujeito cheio de nove horas – referindo-se ao morde e assopra de Rodrigo Maia.

4. Eu nem tchum – para o Covid 19.

5. Vou enfiar o pé na jaca – referindo-se à entrega de cargos para o Centrão.

6. Ela fala mais do que o homem da cobra – referindo-se a Joice Hasselmann.

7. Estou com o cu na mão – a respeito de diligências da PF a mando do Ministro Alexandre Moraes, do STF.

8. Por mim ele pode ir para a casa do caralho – a respeito de um ex-deputado que anunciou que ia mudar-se para os Estados Unidos.

9. Foi fabricado em laboratório naquele país que fica lá no cu do Judas – referindo-se ao vírus que assola o mundo.

10.Tá na hora de picar a mula – vendo a coisa ficar politicamente incorreta.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O POVO / ARMADO / JAMAIS SERÁ ESCRAVIZADO

Preso e algemado em casa, por causa da epidemia do vírus que assola o Brasil neste ano de 2020, fiquei imaginando o que alguma autoridade suprema, com poder de vida e morte, faria, para proteger a população e evitar que ela sofresse abusos, como este de o povo estar preso e algemado em casa.

Teríamos de ter uma autoridade algo enlouquecida, pirada mesmo, que tivesse perdido o senso ou ficado doida – chega de vaselinas! – para adotar medidas necessárias, mas drásticas, desafiando algum outro poder que porventura se alevantasse, ou quisesse botar as manguinhas de fora.

Enfim, teria de ser um sujeito macho, que dissesse o que pensa, na bucha, e que fosse patriota e temente a Deus, amante da liberdade e da democracia, tipo algum que detestasse o STF, essa frescura de meio-ambiente, os índios sentados em cima da terra e os quilombolas gordões.

Não podia ser menos que isso e já imagino que seria difícil de conseguir um cabra arrochado assim.

Digamos que fosse o caso, na minha cidade, eu preso e algemado pelo meu prefeito. O que faria essa autoridade suprema decidida a me libertar?

– Ora, me daria uma arma!

Só para mim? Claro que não: para todos os que estivessem presos e algemados pelo prefeito da minha cidade.

E só para a minha cidade? Negativo! Para todos os cidadãos cujos prefeitos estivessem algemando sua população.

A autoridade suprema baixaria uma ordem, por medida provisória, certamente, nos seguintes termos:

“Artigo primeiro: Determino a distribuição de armas a todos os brasileiros.

Parágrafo único: As armas devem ser usadas pelos cidadãos para reagirem aos bostas dos prefeitos que os estiverem prendendo e algemando em casa alegando necessidades sanitárias.

Artigo segundo: Exijo que meus ministros assinem uma portaria aumentando a quantidade de munição que cada cidadão possa comprar para reagir aos bostas dos prefeitos sem ficar na mão por falta de bala.

Artigo terceiro: As armas distribuídas abundantemente à população servem para garantir, também, que eu não queira me transformar num ditador, porque o povo armado jamais será ditadoriado e se eu ameaçar querer der ditador podem reagir para manter a democracia, táoquei?

Artigo quarto: Não dá para segurar mais. É escancarar a questão do armamento aqui.

Parágrafo primeiro: É preciso reagir porque eles querem as nossas hemorróidas.

Parágrafo segundo: É pra já. Eu quero todo mundo armado!

Artigo quinto: Ficam proibidos o uso de máscara, luvas, sabão e álcool gel, porra.

Artigo sexto, último e definitivo: Quem resistir, teje preso.”

É claro que isso é um sonho, nunca conseguiremos ter um presidente da república tão decidido. Se existisse, na hora que baixasse uma lei dessas minha admiração cresceria de cem para quinhentos por cento e ganharia meu voto para sempre!

Sonhar não custa nada, né?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

TU VAIS?

“Não seria preciso ter aguçado senso de justiça, bastando um pouco de bom senso para perceber que a acusação está lastreada em interpretações e em um amontoado de suposições”

É a lição que Sérgio Moro e Gabriela Hardt, juízes da Lava-Jato em Curitiba, não aprenderam, mesmo quando se tratava de julgar um ex-presidente da república em ambiente absolutamente contaminado, não só politicamente, como também socialmente.

Quem se debruça com isenção sobre elementos dos autos dos processos contra Lula observa exatamente isso a lastrear as condenações sentenciadas por esses dois magistrados: “interpretações e um amontoado de suposições”.

Deixando de lado o copia e cola da juíza, a rede de combinações do então juiz e sua trajetória política decorrente da condenação de Lula, apresentamos ao distinto público o resultado das acusações feitas pela força-tarefa da Lava-Jato de São Paulo contra o ex-presidente e seu irmão Frei Chico, relativo ao recebimento de mesada da Odebrecht.

Sim, mais uma vez Lula é envolvido na mesma trama.

A acusação seria a obtenção do favorecimento ilícito de Lula mediante o recebimento de mesada paga pela construtora a Frei Chico, ou seja, corrupção.

E foi assim que Frei Chico foi indiciado: recebimento de um pacote de propinas da Odebrecht, como suposta contrapartida para obter o favorecimento de Lula para a empresa.

Como nos demais processos envolvendo Lula, tudo na base do achismo.

O juiz dessa causa, desligado do sentimento de justiçamento, mas envolvido pelo sentimento de justiça, olhou aquilo tudo e lascou: Não há na denúncia os elementos mínimos capazes de justificar uma ação penal.

A acusação não se conformou e recorreu à segunda instância, o TRF 3, em cuja quinta turma foi o recurso derrotado unanimemente.

Se tudo correr como se tornou costume em nosso Brasil, amanhã já estará sendo organizada uma grande manifestação verde e amarela para exigir o fechamento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e o “impeachment” do juiz Ali Mazloum.

Tu vais?

Aproveita e leva também uma faixa pedindo a intervenção militar, o AI5, a dissolução do Congresso e o Fechamento do Supremo Tribunal Federal, táoquei?

Ah, e exigindo a distribuição de Cloroquina!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ADEUS, LULA

Eu era uma pessoa completamente crente no Lula.

Acompanhei toda a sua trajetória política, procurei saber da sua vida desde a infância no Nordeste, passando pelos empregos como metalúrgico em São Paulo, sua atuação sindical, a criação do PT – Partido dos Trabalhadores, as tentativas frustradas de ser eleito presidente da república, sua eleição como deputado federal.

Finalmente, o elegemos presidente da república, em 2003.

Muitos ficaram frustrados: Lula não fez exatamente o governo que anunciava nas campanhas, não fez o que quem acompanhava suas ideias esperava dele.

Não era, ao contrário dos que muitos pensavam, inclinado ao comunismo, mas era de se esperar que acabasse com os lucros exagerados dos bancos, que estatizasse mais, que levasse os juros a zero, que virasse um pouco as costas aos Estados Unidos para alinhar-se economicamente e filosoficamente mais a países de esquerda, comunistas ou não, do que aos de direita (entendendo-se que as esquerdas são os que voltam seu interesse mais para o povo, para as causas populares, para a vanguarda social), do que a direita (entendida como a política que se volta objetiva e concretamente para o sucesso do capital e o resto vem por acréscimo, ou não vem).

Esses, que esperavam essa ideologização do Lula, saíram xingando, sentiram-se logrados. Conheci muitos que passaram mesmo a odiá-lo.

Para mim, deu-se que eu compreendi o momento, considerei que sua orientação estava correta e alegrei-me vendo o País prosperar, favorecendo o florescimento do capitalismo mas aplicando uma política social de grandeza humana, de amparo aos pobres, aos mais fracos.

Grande parte do seu eleitorado permaneceu fiel e partimos para o segundo mandato: Lula continuava sua política de estadista, aquela que fez desaparecer das ruas as crianças miseráveis e infratoras, os pobres sem lar, as pessoas implorando esmolas; o Lula que conseguiu estabelecer uma economia vigorosa e de justiça social bastante difícil de vigorar dentro do capitalismo.

Nunca se ouviu dizer, desde as origens de Lula, e durante seus governos de 2003 a 2010, que Lula tivesse praticado qualquer ato desonesto, que houvesse se envolvido em algum tipo de corrupção.

Ia ele tão bem que pôde garantir a permanência no poder por mais dois mandatos, elegendo com a força e garantia do seu nome o seu sucessor, digo, a sucessora, que procurou dar continuidade à mesma política.

Desse período não falaremos agora, para não nos desviarmos do foco, que é o Lula. As crises no segundo governo da Dilma Roussef, que acrescentaram mais pretextos e oportunidades para a tomada do poder por outros grupos políticos, que culminaram na direita desequilibrada e desmiolada que hoje desgoverna a Nação, não virão ao caso na presente exposição.

Lula, mal deixou o poder, tornou-se alvo de acusações de corrupção, que culminaram em condenações que o afastaram das disputas políticas.

Eis onde quero chegar: acompanhei, do mesmo modo que muitos de seus apoiadores, as acusações e os processos contra ele. Li o que a imprensa oferecia dos autos, assisti aos vídeos dos depoimentos, li o noticiário a respeito dos aspectos gerais dos fatos e dos envolvidos, também li sentenças e as críticas populares e de juristas a seu respeito.

Fiquei convencido de que Lula é inocente e foi julgado culpado sob a influência de conceitos prévios, algo compreendido de certa forma como viés político, não propriamente desonesto, mas equivocado, envolvendo tantas circunstâncias, que vou me livrar de estender, mas que incluem o espírito de justiçamento e o uso desviado de certas propostas doutrinárias do direito, como é o caso particularmente grave da teoria do domínio do fato – de tal modo que configurou-se o chamado “lawfare”, compreendido, livremente, como o mau uso do Direito para obter finalidades previamente definidas.

Se todas as acusações contra Lula pudessem ter, ou parecer ter, algum fundamento, uma coisa sempre me confirmava a certeza de sua inocência, tomada pelo acompanhamento dos processos (e, é claro, a situação dos processos no momento político, social e histórico).

Essa coisa é o dinheiro: – Onde está a fortuna que Lula teria obtidos com a sua participação, como figura principal, nos atos de corrupção que teria cometido?

Esse dinheiro não aparecia.

Enquanto os que seriam seus companheiros no crime, e até subordinados, surgiam com centenas de milhões de reais envolvidos, Lula, a despeito de todas as investigações realizadas, não parecia ter em seu patrimônio comprovado, um décimo do que os corruptos confessos (coisa que Lula jamais foi) mostraram ter.

A fortuna de Lula, a que foi revelada no inventário de D. Marisa Letícia, sua esposa, não passava de uns onze milhões de reais e qualquer coisa, sete dos quais obtidos por realização de palestras, comprovadas, legalmente corretas, e mais alguma modesta poupança, dois veículos, três imóveis de classe média – tudo com origem legal e comprovada.

Eis, então, que subitamente, a casa cai, por mais R$ 256.000.000,00 no patrimônio do Lula!

O juiz Carlos Henrique André Lisboa, responsável pelo inventário da ex-primeira-dama, pediu esclarecimentos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre aplicações da esposa, morta em 2017.

Segundo ele, aparece nos autos que foi feito um investimento total de R$ 256,6 milhões.

Logo espalhou-se pelas redes sociais a notícia, gente da família Bolsonaro postou e até a recém-empossada no governo, a atriz Regina Duarte, namoradinha do Brasil, compartilhou a notícia dos duzentos e cinquenta e seis milhões e fumaça de reais no patrimônio do Lula.

Quase caí da cadeira. Anos e anos defendendo o Lula e agora essa grana toda para me provar que nosso ídolo e herói é um grande safado mesmo.

Ah, mas tu não gostas! Vamos ver se é verdade mesmo, porque ainda que tenha surgido da pena de um juiz em um processo judicial… não pode ser!

O equívoco nem esquentou a cadeira e eu não cheguei perto de cair dela. Tudo não passava de um erro e a fortuna de duzentos e cinquenta e seis milhões de reais de Dona Marisa (e do Lula!) era, constatado o engano, de vinte e seis mil reais – R$ 26.000,00.

Em lugar de dar adeus ao Lula, verifico que nem mesmo persiste uma ameaça a sua integridade que viria de uma fonte suficientemente abaladora.

Com frequência leio nas redes sociais a afirmação repetida por muitos de que Lula é o maior ladrão da história, mas sem o dinheiro do roubo Lula teria de ser um corrupto que não tirou qualquer vantagem dos seus crimes, o que deveria pôr uma pulga atrás da orelha dos juízes.

Vivemos, no momento, esse impasse: podemos perceber que a mesma direita que, em última instância, conseguiu afastar Lula das disputas à presidência da república, é a mesma direita que tomou o poder, na pessoa de Jair Messias Bolsonaro, o que deve nos levar à conclusão de que as condenações de Lula são fruto da burrice desvairada, o que só se poderá corrigir se o Supremo Tribunal Federal finalmente puser fim a essa loucura.

Caso contrário, adeus, Lula.