GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O POVO / ARMADO / JAMAIS SERÁ ESCRAVIZADO

Preso e algemado em casa, por causa da epidemia do vírus que assola o Brasil neste ano de 2020, fiquei imaginando o que alguma autoridade suprema, com poder de vida e morte, faria, para proteger a população e evitar que ela sofresse abusos, como este de o povo estar preso e algemado em casa.

Teríamos de ter uma autoridade algo enlouquecida, pirada mesmo, que tivesse perdido o senso ou ficado doida – chega de vaselinas! – para adotar medidas necessárias, mas drásticas, desafiando algum outro poder que porventura se alevantasse, ou quisesse botar as manguinhas de fora.

Enfim, teria de ser um sujeito macho, que dissesse o que pensa, na bucha, e que fosse patriota e temente a Deus, amante da liberdade e da democracia, tipo algum que detestasse o STF, essa frescura de meio-ambiente, os índios sentados em cima da terra e os quilombolas gordões.

Não podia ser menos que isso e já imagino que seria difícil de conseguir um cabra arrochado assim.

Digamos que fosse o caso, na minha cidade, eu preso e algemado pelo meu prefeito. O que faria essa autoridade suprema decidida a me libertar?

– Ora, me daria uma arma!

Só para mim? Claro que não: para todos os que estivessem presos e algemados pelo prefeito da minha cidade.

E só para a minha cidade? Negativo! Para todos os cidadãos cujos prefeitos estivessem algemando sua população.

A autoridade suprema baixaria uma ordem, por medida provisória, certamente, nos seguintes termos:

“Artigo primeiro: Determino a distribuição de armas a todos os brasileiros.

Parágrafo único: As armas devem ser usadas pelos cidadãos para reagirem aos bostas dos prefeitos que os estiverem prendendo e algemando em casa alegando necessidades sanitárias.

Artigo segundo: Exijo que meus ministros assinem uma portaria aumentando a quantidade de munição que cada cidadão possa comprar para reagir aos bostas dos prefeitos sem ficar na mão por falta de bala.

Artigo terceiro: As armas distribuídas abundantemente à população servem para garantir, também, que eu não queira me transformar num ditador, porque o povo armado jamais será ditadoriado e se eu ameaçar querer der ditador podem reagir para manter a democracia, táoquei?

Artigo quarto: Não dá para segurar mais. É escancarar a questão do armamento aqui.

Parágrafo primeiro: É preciso reagir porque eles querem as nossas hemorróidas.

Parágrafo segundo: É pra já. Eu quero todo mundo armado!

Artigo quinto: Ficam proibidos o uso de máscara, luvas, sabão e álcool gel, porra.

Artigo sexto, último e definitivo: Quem resistir, teje preso.”

É claro que isso é um sonho, nunca conseguiremos ter um presidente da república tão decidido. Se existisse, na hora que baixasse uma lei dessas minha admiração cresceria de cem para quinhentos por cento e ganharia meu voto para sempre!

Sonhar não custa nada, né?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

TU VAIS?

“Não seria preciso ter aguçado senso de justiça, bastando um pouco de bom senso para perceber que a acusação está lastreada em interpretações e em um amontoado de suposições”

É a lição que Sérgio Moro e Gabriela Hardt, juízes da Lava-Jato em Curitiba, não aprenderam, mesmo quando se tratava de julgar um ex-presidente da república em ambiente absolutamente contaminado, não só politicamente, como também socialmente.

Quem se debruça com isenção sobre elementos dos autos dos processos contra Lula observa exatamente isso a lastrear as condenações sentenciadas por esses dois magistrados: “interpretações e um amontoado de suposições”.

Deixando de lado o copia e cola da juíza, a rede de combinações do então juiz e sua trajetória política decorrente da condenação de Lula, apresentamos ao distinto público o resultado das acusações feitas pela força-tarefa da Lava-Jato de São Paulo contra o ex-presidente e seu irmão Frei Chico, relativo ao recebimento de mesada da Odebrecht.

Sim, mais uma vez Lula é envolvido na mesma trama.

A acusação seria a obtenção do favorecimento ilícito de Lula mediante o recebimento de mesada paga pela construtora a Frei Chico, ou seja, corrupção.

E foi assim que Frei Chico foi indiciado: recebimento de um pacote de propinas da Odebrecht, como suposta contrapartida para obter o favorecimento de Lula para a empresa.

Como nos demais processos envolvendo Lula, tudo na base do achismo.

O juiz dessa causa, desligado do sentimento de justiçamento, mas envolvido pelo sentimento de justiça, olhou aquilo tudo e lascou: Não há na denúncia os elementos mínimos capazes de justificar uma ação penal.

A acusação não se conformou e recorreu à segunda instância, o TRF 3, em cuja quinta turma foi o recurso derrotado unanimemente.

Se tudo correr como se tornou costume em nosso Brasil, amanhã já estará sendo organizada uma grande manifestação verde e amarela para exigir o fechamento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e o “impeachment” do juiz Ali Mazloum.

Tu vais?

Aproveita e leva também uma faixa pedindo a intervenção militar, o AI5, a dissolução do Congresso e o Fechamento do Supremo Tribunal Federal, táoquei?

Ah, e exigindo a distribuição de Cloroquina!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ADEUS, LULA

Eu era uma pessoa completamente crente no Lula.

Acompanhei toda a sua trajetória política, procurei saber da sua vida desde a infância no Nordeste, passando pelos empregos como metalúrgico em São Paulo, sua atuação sindical, a criação do PT – Partido dos Trabalhadores, as tentativas frustradas de ser eleito presidente da república, sua eleição como deputado federal.

Finalmente, o elegemos presidente da república, em 2003.

Muitos ficaram frustrados: Lula não fez exatamente o governo que anunciava nas campanhas, não fez o que quem acompanhava suas ideias esperava dele.

Não era, ao contrário dos que muitos pensavam, inclinado ao comunismo, mas era de se esperar que acabasse com os lucros exagerados dos bancos, que estatizasse mais, que levasse os juros a zero, que virasse um pouco as costas aos Estados Unidos para alinhar-se economicamente e filosoficamente mais a países de esquerda, comunistas ou não, do que aos de direita (entendendo-se que as esquerdas são os que voltam seu interesse mais para o povo, para as causas populares, para a vanguarda social), do que a direita (entendida como a política que se volta objetiva e concretamente para o sucesso do capital e o resto vem por acréscimo, ou não vem).

Esses, que esperavam essa ideologização do Lula, saíram xingando, sentiram-se logrados. Conheci muitos que passaram mesmo a odiá-lo.

Para mim, deu-se que eu compreendi o momento, considerei que sua orientação estava correta e alegrei-me vendo o País prosperar, favorecendo o florescimento do capitalismo mas aplicando uma política social de grandeza humana, de amparo aos pobres, aos mais fracos.

Grande parte do seu eleitorado permaneceu fiel e partimos para o segundo mandato: Lula continuava sua política de estadista, aquela que fez desaparecer das ruas as crianças miseráveis e infratoras, os pobres sem lar, as pessoas implorando esmolas; o Lula que conseguiu estabelecer uma economia vigorosa e de justiça social bastante difícil de vigorar dentro do capitalismo.

Nunca se ouviu dizer, desde as origens de Lula, e durante seus governos de 2003 a 2010, que Lula tivesse praticado qualquer ato desonesto, que houvesse se envolvido em algum tipo de corrupção.

Ia ele tão bem que pôde garantir a permanência no poder por mais dois mandatos, elegendo com a força e garantia do seu nome o seu sucessor, digo, a sucessora, que procurou dar continuidade à mesma política.

Desse período não falaremos agora, para não nos desviarmos do foco, que é o Lula. As crises no segundo governo da Dilma Roussef, que acrescentaram mais pretextos e oportunidades para a tomada do poder por outros grupos políticos, que culminaram na direita desequilibrada e desmiolada que hoje desgoverna a Nação, não virão ao caso na presente exposição.

Lula, mal deixou o poder, tornou-se alvo de acusações de corrupção, que culminaram em condenações que o afastaram das disputas políticas.

Eis onde quero chegar: acompanhei, do mesmo modo que muitos de seus apoiadores, as acusações e os processos contra ele. Li o que a imprensa oferecia dos autos, assisti aos vídeos dos depoimentos, li o noticiário a respeito dos aspectos gerais dos fatos e dos envolvidos, também li sentenças e as críticas populares e de juristas a seu respeito.

Fiquei convencido de que Lula é inocente e foi julgado culpado sob a influência de conceitos prévios, algo compreendido de certa forma como viés político, não propriamente desonesto, mas equivocado, envolvendo tantas circunstâncias, que vou me livrar de estender, mas que incluem o espírito de justiçamento e o uso desviado de certas propostas doutrinárias do direito, como é o caso particularmente grave da teoria do domínio do fato – de tal modo que configurou-se o chamado “lawfare”, compreendido, livremente, como o mau uso do Direito para obter finalidades previamente definidas.

Se todas as acusações contra Lula pudessem ter, ou parecer ter, algum fundamento, uma coisa sempre me confirmava a certeza de sua inocência, tomada pelo acompanhamento dos processos (e, é claro, a situação dos processos no momento político, social e histórico).

Essa coisa é o dinheiro: – Onde está a fortuna que Lula teria obtidos com a sua participação, como figura principal, nos atos de corrupção que teria cometido?

Esse dinheiro não aparecia.

Enquanto os que seriam seus companheiros no crime, e até subordinados, surgiam com centenas de milhões de reais envolvidos, Lula, a despeito de todas as investigações realizadas, não parecia ter em seu patrimônio comprovado, um décimo do que os corruptos confessos (coisa que Lula jamais foi) mostraram ter.

A fortuna de Lula, a que foi revelada no inventário de D. Marisa Letícia, sua esposa, não passava de uns onze milhões de reais e qualquer coisa, sete dos quais obtidos por realização de palestras, comprovadas, legalmente corretas, e mais alguma modesta poupança, dois veículos, três imóveis de classe média – tudo com origem legal e comprovada.

Eis, então, que subitamente, a casa cai, por mais R$ 256.000.000,00 no patrimônio do Lula!

O juiz Carlos Henrique André Lisboa, responsável pelo inventário da ex-primeira-dama, pediu esclarecimentos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre aplicações da esposa, morta em 2017.

Segundo ele, aparece nos autos que foi feito um investimento total de R$ 256,6 milhões.

Logo espalhou-se pelas redes sociais a notícia, gente da família Bolsonaro postou e até a recém-empossada no governo, a atriz Regina Duarte, namoradinha do Brasil, compartilhou a notícia dos duzentos e cinquenta e seis milhões e fumaça de reais no patrimônio do Lula.

Quase caí da cadeira. Anos e anos defendendo o Lula e agora essa grana toda para me provar que nosso ídolo e herói é um grande safado mesmo.

Ah, mas tu não gostas! Vamos ver se é verdade mesmo, porque ainda que tenha surgido da pena de um juiz em um processo judicial… não pode ser!

O equívoco nem esquentou a cadeira e eu não cheguei perto de cair dela. Tudo não passava de um erro e a fortuna de duzentos e cinquenta e seis milhões de reais de Dona Marisa (e do Lula!) era, constatado o engano, de vinte e seis mil reais – R$ 26.000,00.

Em lugar de dar adeus ao Lula, verifico que nem mesmo persiste uma ameaça a sua integridade que viria de uma fonte suficientemente abaladora.

Com frequência leio nas redes sociais a afirmação repetida por muitos de que Lula é o maior ladrão da história, mas sem o dinheiro do roubo Lula teria de ser um corrupto que não tirou qualquer vantagem dos seus crimes, o que deveria pôr uma pulga atrás da orelha dos juízes.

Vivemos, no momento, esse impasse: podemos perceber que a mesma direita que, em última instância, conseguiu afastar Lula das disputas à presidência da república, é a mesma direita que tomou o poder, na pessoa de Jair Messias Bolsonaro, o que deve nos levar à conclusão de que as condenações de Lula são fruto da burrice desvairada, o que só se poderá corrigir se o Supremo Tribunal Federal finalmente puser fim a essa loucura.

Caso contrário, adeus, Lula.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O PRESIDENTE QUE EXIGE FRANGO ASSADO

Ainda enquanto ocupava o cargo de Ministro da Justiça, Sérgio Moro anunciou que iria apresentar sua carta de demissão.

O motivo, esclareceu, foi o fato de ter sido traído pelo presidente da república.

Jair Messias Bolsonaro, quando o convidou, garantiu-lhe autonomia para o preenchimento, técnico, não político, dos cargos-chave relacionados à pasta.

Entretanto, o presidente vinha insistindo em substituir vários dos nomes, tanto da Diretoria-Geral da Polícia Federal, quanto de superintendências da mesma em Estados importantes, nos quais Jair Messias Bolsonaro pretendia interferir na defesa de interesses pessoais, especialmente no Rio de Janeiro.

O presidente estava interessado, como declarou explicitamente, e registrou em mensagem de aplicativo, em intervir em investigações em curso, inclusive no Supremo Tribunal Federal, onde dez ou doze parlamentares estariam encrencados.

Para atingir esse e outros objetivos, como a blindagem de filhos seus envolvidos em investigações policiais, o presidente pretendia colocar na chefia da corporação uma pessoa que lhe garantisse acesso a informações referentes aos trabalhos da Polícia Federal.

E não se furtou de confessar que o interesse nas trocas de comando era político mesmo.

Acuado pelas denúncias de Moro, Jair Messias Bolsonaro quis esquivar-se, alegando que as informações que pretendia obter não eram de processos em andamento, mas elementos para bem governar a Nação.

Mas, para ter informações sobre o que anda pelo Brasil, das quais o presidente da república pode necessitar para situar-se em relação à segurança geral, elas devem ser-lhe repassadas pela Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, essa, sim, o órgão de Estado responsável por produzir conhecimentos a serem repassados à Presidência da República para subsidiar a tomada de decisões do presidente.

Quando meus filhos eram pequenos, eles queriam que eu fosse o presidente da república para ordenar, no momento em que eu quisesse: – Tragam-me um frango assado!

Eles ainda não sabiam o que faz um presidente da república, nem que o presidente não pode tudo, só tem autonomia para praticar os atos circunscritos a suas competências legais e institucionais.

Assim, tanto não pode ele satisfazer a qualquer momento seu desejo pessoal ordenando que lhe tragam frangos, como não pode assinar uma portaria privativa de um comandante militar, nem interferir nas ações da Polícia Federal – coisa, esta última, que pretendia; e que talvez, até, Moro tenha feito (especula-se), não se tendo notícia, contudo, de que Moro tenha determinado ao Ministério Público Federal que lhe servisse frangos, patos, perdizes, nem codornas – no máximo algum molusco.

Enfim, Moro jogou o ventilador nas coisas, acordou ainda ministro sabendo que o “seu” Diretor-Geral da Polícia Federal tinha sido exonerado “a pedido”, que a assinatura dele, Moro, constava do decreto de dispensa, ainda que não o tenha firmado, surpresas assim, e partiu.

Em seguida: o presidente nomeou a pessoa que desejava para a direção da PF; um partido político peticionou ao Supremo contra isso e o ministro encarregado da embrulhada barrou liminarmente a posse.

O presidente teve de botar o galho dentro, desfez a nomeação, disse que ainda quer realizar o seu sonho (mais do nomeado do que dele, disse), que irá determinar à Advocacia Geral da União que recorra (sabe-se lá se houve perda de objeto), porque não interessa se a AGU quer recorrer ou não, quem manda é ele, o poder supremo.

As coisas ainda estão andando, veremos o que está por vir, fala-se em renúncia, “impeachment”, intervenção militar…

Mas, se pouca coisa se aproveitar de tudo isso, pelo menos ficamos sabendo que é bom dormir colado na parede e de olho aberto, porque o Zero Quatro anda passando o rodo geral.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

JAIR MESSIAS BOLSONARO E A INCÓGNITA DO MITO

Em 2015, o então deputado federal Jair Bolsonaro (na época do PP, o partido com maior número de investigados), eleito com a maior quantidade de votos, deu uma entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, na qual revelava seu preconceito em relação à luta das mulheres por equiparação de salário com os homens.

Ele afirmou que não é justo a mulher ganhar igual ao homem, já que ela engravida.

E com isso, além do preconceito explícito, Jair Messias Bolsonaro ajudava a compreender algo a respeito do liberalismo e que explica sua eleição à presidência da república.

Ele diz: “Eu sou liberal. Defendo a propriedade privada. Se você tem um comércio que emprega 30 pessoas, eu não posso obrigá-lo a empregar 15 mulheres”.

Então é isso, liberal, liberal mesmo, é cada um por si: Segundo Jair Messias Bolsonaro, a mulher deve ganhar menos do que o homem porque a mulher fica grávida.

Diz ele: “A mulher luta muito por direitos iguais, legal, tudo bem. Mas eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? “Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade…” Bonito pra c…, pra c…! Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho.

“Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano”, disse Bolsonaro.

Em resposta ao jornalista, que perguntou qual seria a solução, o deputado continuou: “Por isso que o cara paga menos para a mulher! É muito fácil eu, que sou empregado, falar que é injusto, que tem que pagar salário igual. Só que o cara que está produzindo, com todos os encargos trabalhistas, perde produtividade. O produto dele vai ser posto mais caro na rua, ele vai ser quebrado pelo cara da esquina. Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu”.

“Mas aí a mulher se ferra porque engravida?”, questionou o entrevistador.

Jair Messias Bolsonaro respondeu: “É liberdade, pô. A mulher competente… Ou você quer dar cota para mulher? Eu não quero ser carrasco das mulheres, mas, pô… “, finalizou.

Isso é liberalismo, segundo nosso presidente. O liberal não quer ser carrasco das mulheres, mas… “poxa”.

Durante sua trajetória, Jair Messias Bolsonaro desmereceu negros, ao referir-se a quilombolas figurando-os como animais que não servem nem para procriar.

Também desprezou os homossexuais, em inúmeros pronunciamentos sobejamente divulgados e conhecidos, como ao declarar que seria incapaz de amar um filho homossexual (preferia vê-lo morto).

Há pouco, dia 9 de março de 2020, pesquisa indica que dez milhões de eleitores de Jair Messias Bolsonaro se declaram arrependidos de terem votado nele, por sua forma de enfrentamento da epidemia do Covid 19. e que veem aquele que fazia uma bobagem dia sim, dia não, fazendo agora uma ou mais todos os dias.

Perguntas:

Por que mulheres, negros e homossexuais elegeram Jair Messias Bolsonaro?

O que resta agora a Jair Messias Bolsonaro, para manter sua liderança?

Resposta: O apoio das mulheres, dos negros e dos homossexuais.

Acredite se quiser, porque isso é uma incógnita que desafia a inteligência.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ISSO A GLOBO NÃO MOSTRA

Jair Messias Bolsonaro transita, ocupando a presidência da república do Brasil, entre transtornos mentais variados.

Fala-se em paranóia, em borderline ou personalidade limítrofe, em perversão, em psicopatia, em nascisismo, de modo que um psiquiatra encontrará um prato cheio se o doente se dispuser a procurar diagnóstico e tratamento.

O psiquiatra Roberto Tykanori acredita, porém, que atribuir doença mental a Jair Messias Bolsonaro não é correto: enquanto certas enfermidades da mente levam a exclusão de criminalidade, ele estaria, mais provavelmente, caso se submetesse a exames, classificado como portador de personalidade anti-social, conhecido popularmente como psicopata, o que não exclui a prática de crimes, uma vez que o psicopata sabe o que está fazendo, conhece as consequências dos seus atos delituosos, maldosos ou perversos, mas os pratica assim mesmo, até sabendo estar sujeito a penalidades legais.

Um dos problemas que criam obstáculos ao reconhecimento da periculosidade de Jair Messias Bolsonaro é que seus seguidores e apoiadores acreditam que os traços de personalidade agressiva que ele apresenta são úteis ao exercício da presidência, porque confundem suas atitudes doentias com comportamento de macho, mão forte, firme – e é disso que o Brasil está precisando, dizem: – Um doido!

Vamos, neste momento, deixar o passado mais distante de Jair Messias Bolsonaro de lado e nos ateremos ao seu comportamento recente.

Para isso, abandonaremos o rótulo de doente mental, ou de psicopata, para nos fixarmos em um aspecto marcante do presidente da república que engloba os demais: o desequilíbrio.

Em 11 de março de 2020, Jair Messias Bolsonaro disse em entrevista:

“… no meu entender muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga pelo mundo todo. Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo, mas isso não é crise, obviamente problema da bolsa, isso acontece esporadicamente”.

Seu pensamento permanece o mesmo de 21 de março, quando declarou:

“Vão morrer alguns pelo vírus? Sim, vão morrer. Se tiver um com deficiência, pegou no contrapé, eu lamento” .

E logo em seguida, no dia 22, confirmando o que se tem dito dele, que diz uma bobagem dia sim dia não e ampliando sua capacidade para diária:

“O número de pessoas que morreram de H1N1 [gripe suína, em 2009] foi mais de 800 pessoas. A previsão é não chegar aí, a essa quantidade de óbitos, no tocante ao coronavírus”.

Pois, ontem, dia 12 de abril de 2020, registravam-se 22.169 casos confirmados de contaminação (sabe-se que esses são apenas os que tiveram sintomas e procuraram assistência médica) e 1.223 óbitos no Brasil. No mundo, um milhão e setecentos mil positivados e cento e seis mil mortes por Covid 19.

Passando ao público sua imagem de herói das histórias em quadrinhos, nosso presidente diz que a doença desse vírus é só uma gripezinha, um resfriadinho, e se pegar nele, que é um atleta, não passará disso, apesar dos seus sessenta e cinco anos.

Mas, parece mais um dos super-criminosos daquelas histórias, porque, para ele, em suas palavras, é um direito dele pôr em risco o povo: “Se eu resolvi apertar a mão do povo, é um direito meu” .

E mais, no mesmo dia 16 de março: “Se eu me contaminei, tá certo? Olha, isso é responsabilidade minha, ninguém tem nada a ver com isso”.

Como se ninguém tenha nada a ver com a possibilidade de o presidente da república estar doente, ou de estar transmitindo doença voluntariamente e conscientemente para a população.

A noção de que o presidente da república não anda bem da cabeça já é preocupação nacional e internacional.

Até o Miguel Reale Jr., o jurista aquele, do “impeachment”, pensa que o Ministério Público deveria requerer junta médica para examinar a sanidade mental do Chefe da Nação, mantido o cacófato.

Lá de fora: Jair Bolsonaro apresenta sinais preocupantes, sugere reportagem da revista britânica The Economist. “Bolsonaro associou a retórica desafiadora à sabotagem ativa da saúde pública”, diz a revista. “Os governadores dos estados mais importantes do Brasil foram adiante e impuseram bloqueios usando seus próprios poderes. Bolsonaro incentivou os brasileiros a ignorá-los. Um homem que teme a traição e tem uma necessidade perpétua de provocar, ele foi recebido com abraços e selfies em apoio a uma manifestação sua contra o Congresso em 15 de março”.

The Economist lembra que o Twitter cancelou postagem do presidente: “Bolsonaro está vivendo o que ele prega. Ele ainda mantém reuniões presenciais e em grupo, muitas vezes sem máscaras. No domingo, ele saiu para conversar com as pessoas enquanto visitava lojas e restaurantes. Apenas a presença dele fez com que grandes grupos se formassem ao seu redor. Depois que ele twittou um vídeo do passeio, o Twitter apagou o post por violar suas regras.(“Bolsonaro is living what he preaches. He still holds face-to-face and group meetings, often without masks. On Sunday, he went out to chat with folks while visiting shops and restaurants. Just his presence there caused large groups to form around him. After he tweeted a video of the outing, Twitter yanked the post for violating its rules”).

Muito mais temos visto de Jair Messias Bolsonaro, mas não só dele: o apoiamento a suas ações revela que a população que o segue, assim como seus filhos e os políticos que fazem parte de sua equipe, estão também desequilibrados.

Por isso, alguém, cujo nome não ouso dizer, antecipava em meados de 2019:

– O Brasil está sendo governado por um bando de doidos.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ARMADILHAS DA VIDA

Severino comprou um bilhete inteiro de loteria e decidiu que ia ganhar.

Sempre ouviu dizer que é possível conseguir qualquer coisa fazendo promessa e que quanto mais difícil de cumprir melhor era o resultado.

Pensou, pensou, deixar a barca crescer não era complicado, cansara de deixar.

O que poderia ser mais difícil? Lembrou que desde que acordara no internato gozando com o coleguinha lhe chupando o pau tomara ódio de viado.

Como era possível, homem com homem? E que liberdade fora aquela, de lhe pegar dormindo e fazer algo que ele não admitia?

Pensou e decidiu: é a coisa mais difícil para mim: – Se eu ganhar o prêmio com este bilhete de loteria vou beijar a boca de um homem.

Falou com a tia que fez promessa mas não contou qual. Ela avisou: – Se não cumprir a promessa perde tudo de novo. E não pode contar para ninguém qual foi!

Pois, Severino, não demorou três dias, estava rico! Alguns milhões limpinhos, todos seus, já descontado o imposto de renda.

Agora era a hora do problema, cumprir a promessa.

Informou-se na Internet, foi para um bar gay, encostou-se no balcão, pediu bebida e ficou observando.

A uma mesa, um rapaz bonito, louro, olhos verdes, corpo atlético, oquei, pensou, já que tem de ser pode ser esse.

O rapaz era um repórter, Severino não sabia. Raimundo estava ali para fazer um artigo a respeito da vida dos homossexuais. O redator do jornal parece até que fez de sacanagem, sabia que Raimundo tinha aversão a bichas e escolheu justo ele para o serviço.

Raimundo examinou o ambiente, viu Severino olhando para ele, era a oportunidade de fazer contato. Dirigiu-se ao balcão e puxou conversa.

Tomaram umas e outras, conversaram, Severino não entendia direito o sentido de certas perguntas, pareciam insinuações e, entre risos e aproximações forçadas, Severino resolveu que era hora de pagar a promessa: agarrou com força Raimundo e impôs-lhe um beijo na boca.

Raimundo até que tentou reagir, mas a coisa ficou meio diferente, sentiu tesão, virou beijo de língua, Severino também ficou excitado, e em vez de se separarem bruscamente se agarraram para valer em um quente e longo beijo.

Surpresos, Raimundo e Severino, ficaram a princípio meio sem jeito, mas na hora de ir embora saíram de mãos dadas.

Agora moram juntos.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O CANTO DOS PASSARINHOS E O RELATIVO FRACASSO DA ECONOMIA

Políticas econômicas podem dar certo em países onde o governo seja monárquico.

Também podem ter sucesso sob ditaduras.

É possível que tenham bons resultados sob o comunismo.

Tanto faz o governo seja de centro, de direita ou de esquerda, programas de economia podem conseguir resultados favoráveis.

Por isso, falo em relativo sucesso, ou relativo fracasso.

No caso do Brasil, hoje, o sucesso anda de mãos dadas com o fracasso, daí o relativismo.

Fechar os cofres, economizar, despedir servidores, cortar benefícios, reduzir tempo para aposentadoria, diminuir direitos trabalhistas, parar de comprar, paralisar obras, deixar de gastar, não investir, são medidas que podem incentivar empresários e a vinda de capital estrangeiro, dada a propalada segurança que isso dá a quem quer aplicar o seu dinheiro.

É que parece que basta o Estado estar com as contas em dia para que a economia ande bem.

Mas não é exatamente assim.

Primeiro, tais medidas, a par de produzirem alguns efeitos favoráveis, devem favorecer à estagnação, o que se traduz em baixo desenvolvimento, em progresso pífio, na medida em que a administração pública deixe de aquecer o mercado, retirando altíssimas somas de dinheiro de circulação.

O Estado deve funcionar como um estimulador da economia, não como um agente de seu esfriamento, vale dizer, da recessão.

Em segundo lugar, as medidas econômicas devem ser justas: prejudicar os trabalhadores e os aposentados não se traduz em justiça – e muito menos cortar benefícios sociais e deixar de atender à população mais pobre.

Portanto, o que deve o Estado Justo fazer é produzir medidas que incentivem a produção, o trabalho, o consumo, o mercado, aplicando-se em investir.

Podemos substituir o termo “investir” por “gastar”, esbanjando na colocação do dinheiro nas mãos da iniciativa privada, construindo, realizando obras estruturais e de infra-estrutura, melhorando o serviço público, contratando pessoal, equipando as repartições, financiando a indústria, o comércio, a agricultura e até mesmo consumindo de cafezinho a papel-higiênico.

Ao aplicar uma economia de restrições, o resultado de vantagens será ilusório, na medida em que sacrifique o povo, cause tristeza, desilusão, desesperança, traga fome e produza doenças e mortalidade, a infantil à frente.

Hoje, o Brasil aplica a economia vista pelos olhos da direita, que pensa em Estado rico sem atentar para os interesses imediatos da classe trabalhadora e dos desassistidos.

A esquerda nacional pensa exatamente o contrário: primeiro, imediatamente, com urgência, a parte da sociedade que se situa nos níveis menos elevados e o amparo a ela não pode esperar um dia sequer. A fome, as doenças e a morte estão sempre batendo nas portas.

O outro grande equívoco da direita diz respeito ao descarte das estatais, quando não são lucrativas e poderiam, hipoteticamente, dar melhores resultados nas mãos da iniciativa privada.

Esse bom resultado nem sempre acontece, mas, mesmo quando ocorre, é preciso observar quais os efeitos produzidos por esse pretenso bom resultado.

É que empresas estatais não objetivam o lucro; mesmo se dão prejuízos, o importante é obter com elas os benefícios sociais a que se destinam.

Resumindo, empresas estatais em geral são criadas para administrar recursos estratégicos do país e garantir que a população tenha acesso a eles.

Muitas vezes cuidam de investir em áreas necessárias para a sociedade, nas quais a iniciativa privada não tenha recursos ou interesse para ingressar. E pode ser o caso de terem interesse, mas, por visarem ao lucro, deixem de praticar as políticas adequadas ao interesse e à segurança do povo.

Haja visto a Vale.

Estas são respostas aos que afirmam que os que combatem as medidas econômicas do atual governo “torcem para não dar certo” e se opõem ao que está dando bons resultados.

Não é nada disso.

Concluo com uma analogia:

– Podemos apreciar o canto de um passarinho engaiolando-o, ou ouvindo-o trinar livre na natureza.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

SE A TERRA FOSSE REDONDA

Uma coisa que me ocorreu e que eu ainda não tinha pensado é a prova definitiva de que os antigos já sabiam que a Terra não é redonda. Eles já definiram que a Terra é um planeta. Se achassem que era redonda tinham chamado ela de redondeta.

Assim é o gato, que não se chama cachorro, porque se chamasse cachorro, latia. Mas o gato mia, o que é prova verdadeira de sua identidade.

Muitas coisas antigas precisavam ser revistas e talvez seja a hora de reassumir as verdadeiras verdades, como a de que a Terra é o centro do Universo, e não o Sol.

Uma pretensa ciência quis derrubar a noção de que somos o centro do universo, dizendo que nós giramos em torno do Sol e não ele em volta de nós.

Mas isso equivaleria a dizer que não estamos parados, o que não pode ser verdade.

Se a Terra se movesse vários fenômenos ocorreriam, como quando estás em um carro em movimento e sentes a velocidade, inclusive o vento nos cabelos, mas aqui nem sempre temos vento, o que levaria à questão: – Afinal, às vezes estamos nos movendo e outras parados?

Basta um pouco de lógica para compreender as coisas, mas as pessoas não querem pensar.

Acompanhe meu raciocínio: – Armas.

Armas matam? Armas odeiam? Armas decidem alguma coisa? Basta pensar um pouco para verificar que não. E isso derruba toda a argumentação de quem é contra as armas. Não devemos ser injustos com as armas, pensem bem nisto.

O raciocínio correto pode ser estendido a todas as coisas, até às leis. Uma das grandes bobagens, por exemplo, é dizer sem pensar que todos são iguais perante a lei.

Seria como, imagine, se a lei fosse uma pessoa e estivesse olhando para ti e também para uma pessoa preta, um loiro, uma mulher e um cara cabeludo, o que ela veria? Gêmeos univitelinos? Preciso dizer mais alguma coisa?

Talvez por isso a filosofia seja para tão poucos, pela preguiça de pensar.

Antes, por exemplo, por pura preguiça se condenava o homossexualismo sem que a própria pessoa se ligasse que estava condenando a si própria, porque é sabido que cada um tem sua porção mulher (ou, se é mulher, sua porção homem). Hoje, felizmente, isso está mudando e as pessoas se aceitam e aceitam o próximo, o que é uma conquista dos comunistas, mas nem por isso deixa de ser boa.

E o comunismo, alguém já se perguntou se é ruim em si ou se é considerado ruim apenas porque o capitalismo o odeia? Pense nisso, objetivamente. Tente entrar na mente de um Stalin, de um Lenine ou mesmo de Marx ou de Lula e sentirás que as ameaças podem ser infantis, ou não. Pense não como um artrópode, mas como um ser que raciocina, não um piolho-de-cobra.

Qual é a forma de um país progredir? São duas: ou as pessoas resolvem trabalhar ou o governo usa suas verbas para a sobrevivência dessas pessoas. Não há uma terceira alternativa, como economizar com a previdência social, muito pelo contrário. A lógica é clara e mostra isso.

Outra coisa a ser motivo de preocupação são as máquinas de votar. Sabendo que elas são apenas máquinas isso já devia apontar para as falhas, porque elas podem fazer qualquer coisa que não seja o que as pessoas desejavam que fosse feita, o que não acontece quando tu mesmo escreves numa cédula. Se tu escreves com o teu sangue, ou com uma caneta bic azul, tua responsabilidade poderá ser cobrada por um exame grafológico, o que é mais do que desejável, pois não poderias dizer para o candidato que votou nele sem ter votado. Por isso pelo menos tinha de ser impresso o voto, certo?

Se o leitor já chegou até aqui estará pensando (se ainda não chegou não será o caso), se não for uma lacraia. Lacraias não pensam, apenas lacram.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PROGRAMA DE ÍNDIO

A mais nova polêmica envolvendo o presidente Jair Messias Bolsonaro diz respeito a um vídeo que ele teria compartilhado em suas relações privadas referente à convocação que está sendo feita para uma manifestação popular no dia 15 de março deste 2020.

A alegação do próprio presidente de que se trata de material compartilhado em círculo fechado não pesaria a seu favor, uma vez que, caso a convocação seja, efetivamente, “contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal”, isso constituiria uma afronta ao sistema democrático, na medida em que existe expressiva corrente, engrossando a manifestação, que pretende coisas como intervenção militar, extinção do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e fechamento do STF: isso se chama ditadura.

Mas, vamos e convenhamos, não parece existir da parte do presidente o apoio explícito a tais inconveniências, ainda que no seu passado como deputado federal, há uns vinte anos, ele tenha afirmado que se fosse o presidente da república sem dúvida fecharia o Congresso Nacional (o vídeo é facilmente localizado para quem o queira ver na Internet).

Teria mudado o homem? Vamos dar-lhe o benefício da dúvida.

Mas, infelizmente, o benefício da dúvida não deve afetar aos que irão à manifestação e cujas declarações, atualíssimas, não deixam dúvida de que marcharão, sim, para estimular Jair Messias Bolsonaro a adotar providências drásticas e antidemocráticas para impedir que, nas palavras do Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o Congresso Nacional chantageie o Poder Executivo na votação do Orçamento Anual.

Como percebemos, a embrulhada gira em torno da destinação de algo em torno de trinta bilhões de reais para os congressistas destinarem ao financiamento de obras ou projetos públicos nas suas bases.

Há regras para isso e a aplicação dos recursos é fiscalizada.

Os órgãos principais de fiscalização são os Tribunais de Conta, estaduais, municipais e da União.

Também é possível enviar denúncias para outros órgãos de controle, como o Ministério Público e a Polícia Federal.

Enfim, o dinheiro das emendas parlamentares constitui investimento do Estado e uma boa parcela deve ser aplicada na saúde.

Todos os anos essa verba é incluída na LOA – Lei Orçamentária Anual, e deve vir girando por volta da metade desse valor nos anos recentes.

O Poder Executivo está achando muito, trinta bilhões de reais, mas a questão é que desde 2015 os parlamentares detêm o poder de determinar o quanto pretendem investir em projetos sociais em suas áreas de atuação.

Então, as perguntas que me faço:

– Por qual finalidade as pessoas se manifestarão?

– Sairão às ruas para impedir que os parlamentares disponham de boas somas de dinheiro público para aplicar em obras e projetos em suas cidades?

– Terão enlouquecido?

– Ou simplesmente não sabem exatamente do que se trata?

Se é simplesmente para “apoiar o Bolsonaro”, devo manifestar minha surpresa de que um presidente da república necessite de manifestações populares para poder governar, até que me expliquem exatamente como a manifestação proporcionará essa ajuda.

Eu pensava ter encerrado aqui, mas uma amiga com a qual eu conversava sobre o assunto me enviou, após tomar conhecimento de comentários que eu postei para ela, a seguinte mensagem:

“Mas não são os próprios parlamentares que devem gerir esse dinheiro. É o poder executivo que faz isso. É ingenuidade acreditar que há fiscalização. Eles gastam como for mais conveniente. Em obras pra cativar eleitores, em campanha para se reelegeram e em auto investimento, pois ninguém é de ferro. A gente se esqueceu que anteriormente esses dinheiros eram trocados por votos no parlamento. Quanto a fechar o congresso, já teriam fechado, se fosse esse o objetivo. Bastava um cabo e um soldado. E olha que há vários generais no Planalto. Não adianta chiar. Acabou a roubalheira.”

Táoquei, fecho de ouro. Agora dou por entendido: a manifestação é para que o Poder Executivo tome os trinta bilhões de reais para ele aplicar, porque o Congresso aplica mal, lhufas de fiscalização, e o povo saindo às ruas os parlamentares vão botar o galho dentro e entregar a grana para o presidente.

Pois, que vão, dia quinze é domingo, nem tem nada que preste na tv, não deixa de ser um programa.

Depois me contem.