GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ARMADILHAS DA VIDA

Severino comprou um bilhete inteiro de loteria e decidiu que ia ganhar.

Sempre ouviu dizer que é possível conseguir qualquer coisa fazendo promessa e que quanto mais difícil de cumprir melhor era o resultado.

Pensou, pensou, deixar a barca crescer não era complicado, cansara de deixar.

O que poderia ser mais difícil? Lembrou que desde que acordara no internato gozando com o coleguinha lhe chupando o pau tomara ódio de viado.

Como era possível, homem com homem? E que liberdade fora aquela, de lhe pegar dormindo e fazer algo que ele não admitia?

Pensou e decidiu: é a coisa mais difícil para mim: – Se eu ganhar o prêmio com este bilhete de loteria vou beijar a boca de um homem.

Falou com a tia que fez promessa mas não contou qual. Ela avisou: – Se não cumprir a promessa perde tudo de novo. E não pode contar para ninguém qual foi!

Pois, Severino, não demorou três dias, estava rico! Alguns milhões limpinhos, todos seus, já descontado o imposto de renda.

Agora era a hora do problema, cumprir a promessa.

Informou-se na Internet, foi para um bar gay, encostou-se no balcão, pediu bebida e ficou observando.

A uma mesa, um rapaz bonito, louro, olhos verdes, corpo atlético, oquei, pensou, já que tem de ser pode ser esse.

O rapaz era um repórter, Severino não sabia. Raimundo estava ali para fazer um artigo a respeito da vida dos homossexuais. O redator do jornal parece até que fez de sacanagem, sabia que Raimundo tinha aversão a bichas e escolheu justo ele para o serviço.

Raimundo examinou o ambiente, viu Severino olhando para ele, era a oportunidade de fazer contato. Dirigiu-se ao balcão e puxou conversa.

Tomaram umas e outras, conversaram, Severino não entendia direito o sentido de certas perguntas, pareciam insinuações e, entre risos e aproximações forçadas, Severino resolveu que era hora de pagar a promessa: agarrou com força Raimundo e impôs-lhe um beijo na boca.

Raimundo até que tentou reagir, mas a coisa ficou meio diferente, sentiu tesão, virou beijo de língua, Severino também ficou excitado, e em vez de se separarem bruscamente se agarraram para valer em um quente e longo beijo.

Surpresos, Raimundo e Severino, ficaram a princípio meio sem jeito, mas na hora de ir embora saíram de mãos dadas.

Agora moram juntos.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O CANTO DOS PASSARINHOS E O RELATIVO FRACASSO DA ECONOMIA

Políticas econômicas podem dar certo em países onde o governo seja monárquico.

Também podem ter sucesso sob ditaduras.

É possível que tenham bons resultados sob o comunismo.

Tanto faz o governo seja de centro, de direita ou de esquerda, programas de economia podem conseguir resultados favoráveis.

Por isso, falo em relativo sucesso, ou relativo fracasso.

No caso do Brasil, hoje, o sucesso anda de mãos dadas com o fracasso, daí o relativismo.

Fechar os cofres, economizar, despedir servidores, cortar benefícios, reduzir tempo para aposentadoria, diminuir direitos trabalhistas, parar de comprar, paralisar obras, deixar de gastar, não investir, são medidas que podem incentivar empresários e a vinda de capital estrangeiro, dada a propalada segurança que isso dá a quem quer aplicar o seu dinheiro.

É que parece que basta o Estado estar com as contas em dia para que a economia ande bem.

Mas não é exatamente assim.

Primeiro, tais medidas, a par de produzirem alguns efeitos favoráveis, devem favorecer à estagnação, o que se traduz em baixo desenvolvimento, em progresso pífio, na medida em que a administração pública deixe de aquecer o mercado, retirando altíssimas somas de dinheiro de circulação.

O Estado deve funcionar como um estimulador da economia, não como um agente de seu esfriamento, vale dizer, da recessão.

Em segundo lugar, as medidas econômicas devem ser justas: prejudicar os trabalhadores e os aposentados não se traduz em justiça – e muito menos cortar benefícios sociais e deixar de atender à população mais pobre.

Portanto, o que deve o Estado Justo fazer é produzir medidas que incentivem a produção, o trabalho, o consumo, o mercado, aplicando-se em investir.

Podemos substituir o termo “investir” por “gastar”, esbanjando na colocação do dinheiro nas mãos da iniciativa privada, construindo, realizando obras estruturais e de infra-estrutura, melhorando o serviço público, contratando pessoal, equipando as repartições, financiando a indústria, o comércio, a agricultura e até mesmo consumindo de cafezinho a papel-higiênico.

Ao aplicar uma economia de restrições, o resultado de vantagens será ilusório, na medida em que sacrifique o povo, cause tristeza, desilusão, desesperança, traga fome e produza doenças e mortalidade, a infantil à frente.

Hoje, o Brasil aplica a economia vista pelos olhos da direita, que pensa em Estado rico sem atentar para os interesses imediatos da classe trabalhadora e dos desassistidos.

A esquerda nacional pensa exatamente o contrário: primeiro, imediatamente, com urgência, a parte da sociedade que se situa nos níveis menos elevados e o amparo a ela não pode esperar um dia sequer. A fome, as doenças e a morte estão sempre batendo nas portas.

O outro grande equívoco da direita diz respeito ao descarte das estatais, quando não são lucrativas e poderiam, hipoteticamente, dar melhores resultados nas mãos da iniciativa privada.

Esse bom resultado nem sempre acontece, mas, mesmo quando ocorre, é preciso observar quais os efeitos produzidos por esse pretenso bom resultado.

É que empresas estatais não objetivam o lucro; mesmo se dão prejuízos, o importante é obter com elas os benefícios sociais a que se destinam.

Resumindo, empresas estatais em geral são criadas para administrar recursos estratégicos do país e garantir que a população tenha acesso a eles.

Muitas vezes cuidam de investir em áreas necessárias para a sociedade, nas quais a iniciativa privada não tenha recursos ou interesse para ingressar. E pode ser o caso de terem interesse, mas, por visarem ao lucro, deixem de praticar as políticas adequadas ao interesse e à segurança do povo.

Haja visto a Vale.

Estas são respostas aos que afirmam que os que combatem as medidas econômicas do atual governo “torcem para não dar certo” e se opõem ao que está dando bons resultados.

Não é nada disso.

Concluo com uma analogia:

– Podemos apreciar o canto de um passarinho engaiolando-o, ou ouvindo-o trinar livre na natureza.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

SE A TERRA FOSSE REDONDA

Uma coisa que me ocorreu e que eu ainda não tinha pensado é a prova definitiva de que os antigos já sabiam que a Terra não é redonda. Eles já definiram que a Terra é um planeta. Se achassem que era redonda tinham chamado ela de redondeta.

Assim é o gato, que não se chama cachorro, porque se chamasse cachorro, latia. Mas o gato mia, o que é prova verdadeira de sua identidade.

Muitas coisas antigas precisavam ser revistas e talvez seja a hora de reassumir as verdadeiras verdades, como a de que a Terra é o centro do Universo, e não o Sol.

Uma pretensa ciência quis derrubar a noção de que somos o centro do universo, dizendo que nós giramos em torno do Sol e não ele em volta de nós.

Mas isso equivaleria a dizer que não estamos parados, o que não pode ser verdade.

Se a Terra se movesse vários fenômenos ocorreriam, como quando estás em um carro em movimento e sentes a velocidade, inclusive o vento nos cabelos, mas aqui nem sempre temos vento, o que levaria à questão: – Afinal, às vezes estamos nos movendo e outras parados?

Basta um pouco de lógica para compreender as coisas, mas as pessoas não querem pensar.

Acompanhe meu raciocínio: – Armas.

Armas matam? Armas odeiam? Armas decidem alguma coisa? Basta pensar um pouco para verificar que não. E isso derruba toda a argumentação de quem é contra as armas. Não devemos ser injustos com as armas, pensem bem nisto.

O raciocínio correto pode ser estendido a todas as coisas, até às leis. Uma das grandes bobagens, por exemplo, é dizer sem pensar que todos são iguais perante a lei.

Seria como, imagine, se a lei fosse uma pessoa e estivesse olhando para ti e também para uma pessoa preta, um loiro, uma mulher e um cara cabeludo, o que ela veria? Gêmeos univitelinos? Preciso dizer mais alguma coisa?

Talvez por isso a filosofia seja para tão poucos, pela preguiça de pensar.

Antes, por exemplo, por pura preguiça se condenava o homossexualismo sem que a própria pessoa se ligasse que estava condenando a si própria, porque é sabido que cada um tem sua porção mulher (ou, se é mulher, sua porção homem). Hoje, felizmente, isso está mudando e as pessoas se aceitam e aceitam o próximo, o que é uma conquista dos comunistas, mas nem por isso deixa de ser boa.

E o comunismo, alguém já se perguntou se é ruim em si ou se é considerado ruim apenas porque o capitalismo o odeia? Pense nisso, objetivamente. Tente entrar na mente de um Stalin, de um Lenine ou mesmo de Marx ou de Lula e sentirás que as ameaças podem ser infantis, ou não. Pense não como um artrópode, mas como um ser que raciocina, não um piolho-de-cobra.

Qual é a forma de um país progredir? São duas: ou as pessoas resolvem trabalhar ou o governo usa suas verbas para a sobrevivência dessas pessoas. Não há uma terceira alternativa, como economizar com a previdência social, muito pelo contrário. A lógica é clara e mostra isso.

Outra coisa a ser motivo de preocupação são as máquinas de votar. Sabendo que elas são apenas máquinas isso já devia apontar para as falhas, porque elas podem fazer qualquer coisa que não seja o que as pessoas desejavam que fosse feita, o que não acontece quando tu mesmo escreves numa cédula. Se tu escreves com o teu sangue, ou com uma caneta bic azul, tua responsabilidade poderá ser cobrada por um exame grafológico, o que é mais do que desejável, pois não poderias dizer para o candidato que votou nele sem ter votado. Por isso pelo menos tinha de ser impresso o voto, certo?

Se o leitor já chegou até aqui estará pensando (se ainda não chegou não será o caso), se não for uma lacraia. Lacraias não pensam, apenas lacram.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PROGRAMA DE ÍNDIO

A mais nova polêmica envolvendo o presidente Jair Messias Bolsonaro diz respeito a um vídeo que ele teria compartilhado em suas relações privadas referente à convocação que está sendo feita para uma manifestação popular no dia 15 de março deste 2020.

A alegação do próprio presidente de que se trata de material compartilhado em círculo fechado não pesaria a seu favor, uma vez que, caso a convocação seja, efetivamente, “contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal”, isso constituiria uma afronta ao sistema democrático, na medida em que existe expressiva corrente, engrossando a manifestação, que pretende coisas como intervenção militar, extinção do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e fechamento do STF: isso se chama ditadura.

Mas, vamos e convenhamos, não parece existir da parte do presidente o apoio explícito a tais inconveniências, ainda que no seu passado como deputado federal, há uns vinte anos, ele tenha afirmado que se fosse o presidente da república sem dúvida fecharia o Congresso Nacional (o vídeo é facilmente localizado para quem o queira ver na Internet).

Teria mudado o homem? Vamos dar-lhe o benefício da dúvida.

Mas, infelizmente, o benefício da dúvida não deve afetar aos que irão à manifestação e cujas declarações, atualíssimas, não deixam dúvida de que marcharão, sim, para estimular Jair Messias Bolsonaro a adotar providências drásticas e antidemocráticas para impedir que, nas palavras do Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o Congresso Nacional chantageie o Poder Executivo na votação do Orçamento Anual.

Como percebemos, a embrulhada gira em torno da destinação de algo em torno de trinta bilhões de reais para os congressistas destinarem ao financiamento de obras ou projetos públicos nas suas bases.

Há regras para isso e a aplicação dos recursos é fiscalizada.

Os órgãos principais de fiscalização são os Tribunais de Conta, estaduais, municipais e da União.

Também é possível enviar denúncias para outros órgãos de controle, como o Ministério Público e a Polícia Federal.

Enfim, o dinheiro das emendas parlamentares constitui investimento do Estado e uma boa parcela deve ser aplicada na saúde.

Todos os anos essa verba é incluída na LOA – Lei Orçamentária Anual, e deve vir girando por volta da metade desse valor nos anos recentes.

O Poder Executivo está achando muito, trinta bilhões de reais, mas a questão é que desde 2015 os parlamentares detêm o poder de determinar o quanto pretendem investir em projetos sociais em suas áreas de atuação.

Então, as perguntas que me faço:

– Por qual finalidade as pessoas se manifestarão?

– Sairão às ruas para impedir que os parlamentares disponham de boas somas de dinheiro público para aplicar em obras e projetos em suas cidades?

– Terão enlouquecido?

– Ou simplesmente não sabem exatamente do que se trata?

Se é simplesmente para “apoiar o Bolsonaro”, devo manifestar minha surpresa de que um presidente da república necessite de manifestações populares para poder governar, até que me expliquem exatamente como a manifestação proporcionará essa ajuda.

Eu pensava ter encerrado aqui, mas uma amiga com a qual eu conversava sobre o assunto me enviou, após tomar conhecimento de comentários que eu postei para ela, a seguinte mensagem:

“Mas não são os próprios parlamentares que devem gerir esse dinheiro. É o poder executivo que faz isso. É ingenuidade acreditar que há fiscalização. Eles gastam como for mais conveniente. Em obras pra cativar eleitores, em campanha para se reelegeram e em auto investimento, pois ninguém é de ferro. A gente se esqueceu que anteriormente esses dinheiros eram trocados por votos no parlamento. Quanto a fechar o congresso, já teriam fechado, se fosse esse o objetivo. Bastava um cabo e um soldado. E olha que há vários generais no Planalto. Não adianta chiar. Acabou a roubalheira.”

Táoquei, fecho de ouro. Agora dou por entendido: a manifestação é para que o Poder Executivo tome os trinta bilhões de reais para ele aplicar, porque o Congresso aplica mal, lhufas de fiscalização, e o povo saindo às ruas os parlamentares vão botar o galho dentro e entregar a grana para o presidente.

Pois, que vão, dia quinze é domingo, nem tem nada que preste na tv, não deixa de ser um programa.

Depois me contem.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

FALTAM MIL E QUARENTA E SEIS DIAS

Pedro José Barusco Filho nem era o chefão da Petrobras; engenheiro, ocupava o cargo de Gerente de Serviços, quando a Operação Lava-Jato descobriu seu envolvimento na rede de corrupção que envolvia a empresa pública e algumas empreiteiras, especialmente a Odebrecht. Fez “delação premiada”, devolveu uma grana preta para os cofres públicos e terminou recebendo em 2015 a pena de 18 anos e quatro meses em regime aberto diferenciado, terá de usar tornozeleira eletrônica por dois anos, não poderá sair de casa entre oito horas da noite e seis da manhã, tendo de prestar 30 horas de serviços comunitários por semana.

Em outubro de 2015 a Folha de São Paulo noticiou que um dos colaboradores da Operação Lava Jato, o ex-gerente-geral do setor Internacional da Petrobras Eduardo Musa, relatou que desde 1978, quando entrou na estatal por concurso público, ouve falar de pagamentos de propina na estatal. A afirmação foi feita sob regime de delação premiada, que exige provas em troca de redução de eventuais penas, e indica que os esquemas de corrupção já estavam em curso quase 40 anos antes de a Polícia Federal ter deflagrado a Lava Jato, que abrange somente o período compreendido entre 2004 e 2014.

Das inúmeras delações feitas no regime de colaboração premiada, não constam acusações a Ernesto Geisel, que foi o presidente da república de 1974 a março de 1979, em plena ditadura militar, época em que, alegam os admiradores daquele regime, “não havia corrupção”.

Além do Geisel, tivemos ainda o João Batista Figueiredo, ainda na época do, digamos, “regime militar” , quando, tu ficas quieto se não já sabes, não havia corrupção, nem tortura, nem julgamento sumário nem nada, embora se diga que desde 1978…

Aí, veio o Sarney, já superado o militarismo, de abril de 1985 a março de 1990, seguido do Fernando Collor, até 1992, sucedido pelo Itamar Franco, até 1995, substituído pelo Fernando Henrique Cardoso, que ficou dois períodos e deixou o cargo em 1º de janeiro de 2003.

Garante-se que até então, 2003, havia corrupção, desde sempre, inclusive na Petrobras, como é mais que sabido, e foi eleito presidente o Lula, que governou até 2010.

Se antes a corrupção, inclusive na Petrobras, não dava as caras, foi nos governos de Lula e Dilma que ela pôde ser devassada, uma vez que a Polícia Federal foi fortalecida (tanto que suas operações passaram de umas poucas dúzias para quase mil e trezentas no seu governo), o Ministério Público nunca esteve tão prestigiado e a Justiça Federal, que, em 2003, tinha cerca de 100 Varas em todo o País, chegou a 513 Varas, em 2010, ou seja, foram criadas 413 novas Varas da Justiça Federal, com um juiz titular e um substituto. Além do que, sabe-se, todas essas instituições funcionavam com absoluta liberdade, sem interferências do Poder Executivo.

Ora, nesse panorama temos o presidente Lula apontado como responsável pela corrupção na Petrobras (e porque não por toda a corrupção no País?) e condenado por ter, pretensamente, recebido aparelhos, obras e serviços em dois imóveis considerados como sendo de sua propriedade (sem que a titularidade sequer tenha sido provada) – sabem por quanto? Enquanto um simples gerente da Petrobras, corrupto confesso, devolveu aos cofres públicos mais de quatrocentos milhões de reais, e certamente abocanhou muito mais do que isso durante anos e anos de atividade ilegal, os “favorecimenos” feitos a Lula pelas empreiteiras, pelos quais foi condenado, não devem chegar, mesmo corrigidos aos dias de hoje, nem a cinco por cento dos mais de quatrocentos milhões de reais que um só, só um dos corruptos confessos, devolveu ao Erário.

É pouco razoável que o presidente da república, considerado o cabeça, controlador, organizador, centro e aproveitador da corrupção, tenha dela participado para não receber nem cinco por cento da propina de apenas um dos corruptos confessos (nem foram incluídos neste raciocínio outros confessos, como Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, que também corrigidos dariam hoje mais centenas de milhões de reais devolvidos).

Ainda agora a direita, atuante como nunca, brada que basta pôr em pesquisa na Internet a frase “maior ladrão do mundo” que o nome que aparecerá será o de Lula, ainda que sua vida tenha sido revirada e além dos alegados “favores” feitos por empreiteiras como contrapartida por atos de corrupção de Lula nem um centavo tenha sido encontrado que não tenha sido obtido honestamente.

O pior é que até apoiadores de Lula tenham acreditado e abandonado não só Lula, como a ideologia de assistência aos desfavorecidos e demais pautas de esquerda, para colocar a direita no poder e vivermos as conquistas enlameadas que nos assombram diariamente.

Não há mal que sempre dure, poderemos ver a esquerda triunfante nas próximas eleições, quem sabe com Lula no governo.

Hoje, dia 20 de fevereiro de 2020, faltam 1.046 dias para ser dada a descarga.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

CHOSE DE LOQUE

– Eu não consigo entender: Tu és gay e dizes que votaste no Jair Messias Bolsonaro e que o apoias, sendo que ele disse que “o filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele.” E Completou afirmando: “ Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem.“ Achas certo esse modo dele quanto aos pederastas?

Resposta do amigo baitola:

– Ele não é homofóbico, ele só não gosta de viado e todo o mundo tem o direito de gostar ou não gostar do que quiser. Estamos em uma democracia.

– Mas naquele programa da tv, o CQC, quando perguntaram o que ele faria se tivesse um filho homossexual ele respondeu que isso nem passava pela cabeça dele porque seus filhos tiveram uma boa educação, ele foi um pai presente e portanto não corria esse risco. Pergunto: Ele não estaria afirmando que só quem teve uma má educação e não teve pais atuantes é que poderia vir a ser viado? E não estaria implícito na afirmativa dele que ter um filho gay é um perigo?

– Sim, ele disse isso, mas não deve ter sido isso exatamente o que ele quis dizer. Além do mais, o que importava nas eleições era tirar o PT do poder.

– Mas, veja só, tu és assumido e deves te lembrar que quando o Supremo Tribunal Federal, em 2011, liberou a união homoafetiva, isto é, entre duas pessoas do mesmo sexo, ele disse que virou bagunça e que os próximos passos seriam a adoção de crianças por casais homossexual e a legalização da pedofilia. Tu não achas que ele não só revelou o seu atraso em relação às causas históricas dos homossexuais, como também os equiparou a criminosos, sabendo-se que pedofilia é crime?

A resposta veio após alguns momentos de reflexão:

– Ora, não importa os pensamentos particulares de cada um, o que interessa é que ele veio para combater a corrupção.

– Bem, talvez não estejas bem contigo mesmo, talvez sejas um santo ou, quem sabe, uma pessoa de um grande altruísmo (estou tentando compreender), porque eu, se fosse bicha, jamais votaria no sujeito que, além dessas e outras, em entrevista à revista Playboy, afirmou que “seria incapaz” de amar um filho homossexual.

– Pois é, mas estou com ele assim mesmo, pois o que quero é um bom presidente, não um presidente politicamente correto.

– Porém, espera um pouco, deixa eu acalmar a minha perplexidade: Jair Messias Bolsonaro disse, também, que ter um filho homossexual seria a morte para ele. E disse mais: que preferiria que seu filho morresse num acidente do que lhe aparecesse “com um bigodudo”. Ainda assim continuas não só admirando como apoiando esse cara?

Desta vez houve uma pausa maior para que viesse a resposta:

– Às vezes precisamos abrir mão dos nossos próprios princípios e interesses em favor da coletividade…

– Mas uma pessoa com esses pensamentos tão atrasados a respeito dos homossexuais, o que é o caso do nosso presidente da república Jair Messias Bolsonaro, te parece apto a governar bem um País, nos moldes exigidos pelo Século 21? Não se trata só de combate à corrupção e de alternância do poder, falamos também das questões éticas e morais. mas, já que falamos também de economia, ele acredita que as loucas a prejudicam, pois te recordas, certamente, de ele ter dito que ter um casal gay como vizinho desvaloriza o teu imóvel.

– Pois é, mas a questão é que ele respeita as bibas. Tanto que ele mesmo afirmou isso dizendo: – Tenho que respeitar, mas, gostar, eu não gosto. É como eu falei, querido, ele não tem de gostar, só tem de respeitar.

E garantiu:

-Quer saber? Não enche! 2021 vem aí, vamos com ele de novo para ter um macho de verdade lá em cima! Lacrei!

E foi assim que muitos frescos, bichas, veados, boiolas, invertidos, pederastas, entendidos, efeminados, baitolas, e também lésbicas, sapatões, sapatinhos e demais componenes dos grupos LGBT justificaram seu voto em Jair Messias Bolsonaro e a continuação de seu apoio nas próximas eleições presidenciais.

Chose de loque.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O DARWINISMO E AS BARATAS

Não leia se estiver de cabeça cheia

O nada não existe.

O que existe é a realidade, a realidade que é material.

A realidade é o Universo que existe, sempre existiu e não tem fim.

Não têm fim o espaço e a quantidade de mundos, de matéria.

E isso é tão intrigante que permite a existência de infinitos dentro do infinito: se o espaço é infinito, pode haver uma quantidade infinita de mundos dentro dele.

A nossa mente quer acreditar que “antes” existia nada e do nada surgiu alguma coisa.

Cientificamente, e até logicamente, é impossível que da ausência absoluta de qualquer coisa (o nada) algo possa ser produzido, por falta de matéria prima.

Tudo isso, pensado em termos, materiais, estritamente científicos, pode ter uma contestação no fenômeno Divino: Deus criou o mundo e ponto final.

Mas, se reduzíssemos todas as nossas questões às explicações religiosas, nada deveríamos perguntar, nem procurar, de modo que nos cabe manter a curiosidade, pesquisar e buscar saber o quanto nossa capacidade mental seja capaz de apreender e compreender.

A nossa confusão, de compreender o Universo, pode esbarrar logo no obstáculo da crença referida, de que “antes” não havia nada e em dado momento passou a haver alguma coisa.

Mas a realidade é diferente disso, porque a realidade é a realidade da existência, a realidade é concreta, é material e essa matéria, esse Universo, esse mundo ocupa tudo: não há espaço para nada.

Queria dar ao leitor essa verdade lógica e científica: O nada nunca existiu, todo o espaço está ocupado por matéria, desde sempre, de modo que o Universo sempre existiu e não terá fim.

Mesmo que tenha ocorrido o famoso Big-Bang, isto é, a explosão que teria dado surgimento às galáxias, temos de concordar que algo explodiu e esse algo era anterior à forma atual do Universo; ou seja, havia um Universo diferente, anterior, que explodiu.

Acrescente-se a essa verdade da existência eterna da matéria (o Universo) a verdade do espaço infinito, que nossa mente, que não consegue conceber algo que não termine em algum lugar, é forçada a aceitar que o espaço não pode ter um limite, pois sempre haverá algo (mais espaço) além desse pretenso limite.

Sim, eu queria dar tudo isso como verdade, mas subitamente impõe-se uma contradição, implícita na pergunta: – Se o Universo não teve um princípio, como chegou até aqui?

Vou tentar explicar essa contradição usando a batida figura do trem do tempo viajando pelo tempo e nós, isto é, o aqui e agora, seríamos uma estação.

Se o trem do tempo nunca teve início ele nunca partiu. Se ele não partiu, como chegou até aqui?

Sim, porque nós estamos aqui, nós somos uma estação à qual o trem do tempo chegou, mas chegou sem nunca ter saído de lá de onde deveria ter vindo, que é um lugar inexistente.

Com isso, foi-se por água abaixo a nossa certeza da infinitude, digo, de queo Universo não teve um princípio.

Mas, o que é pior, essa noção de que o Universo não teve começo põe em xeque a possibilidade da existência do tempo, como uma entidade.

Isso porque: ou o Universo não teve começo e, nesse caso, nós não existimos, porque assim como nós não podemos chegar ao seu começo esse começo não poderia ter, também, chegado até nós; ou o Universo teve um começo, tanto que o trem do tempo partiu desse começo e pôde chegar até nós, assim como nós, em tese, poderíamos ter acesso a esse começo.

Como seria possível ter havido um começo, se antes do começo não haveria nada e seria impossível algo começar do nada?

Seria pouca absurdidade se mais outra não se apresentasse: Considerando que o tempo não existe, devemos pensar em um Universo parado, de tal forma que o movimento dos ponteiros do relógio não marcariam “tempo”, eles marcariam apenas o seu próprio movimento e o que chamamos de tempo seria apenas, assim, o movimento dos ponteiros do relógio.

A conclusão disso seria que “tempo é movimento”.

Essa série de conjecturas, algo contraditórias, parecem estar nos levando a pensar também no Criacionismo:

Sim, tudo teve um começo, ou melhor, o Universo em que vivemos, ou pelo menos a Terra, teve um princípio: das “Mãos” e da Vontade de Deus.

Ele disse: Faça-se isso, aquilo e aquilo outro. E tudo se fez!

Está bem, a idéia de que houve um começo põe nossa mente de acordo com uma certa lógica humana, uma vez que estamos aqui; e se não tivesse havido um começo não poderíamos estar aqui – pois o trem do tempo nunca teria partido e se não partiu não haveria como chegar a algum lugar.

Enfim, como a realidade é absurda mesmo, podemos aceitar praticamente tudo que nossa mente não repugne, de tal modo que a possibilidade de um ser infinito, todo poderoso, nos ter criado pode ser recebida, para admitir que “um certo começo” tenha acontecido, começo esse que seria o começo da vida na Terra e as condições para que ela ocorresse, como a luz e o calor, por exemplo.

Só que, para aumentar a confusão, veio o Darwin e seu Evolucionismo, mostrando, ou provando por a+b, que as espécies vivas vão se modificando para dar lugar a novas espécies pela necessidade de adaptação com vistas à sobrevivência – e foi assim que viemos os animais, todos, dos peixes, para não nos assustarmos demais com a possibilidade de já termos tido um rabo.

É quando vem a tacada final nas incongruências: me diz aí, Darwin, por que as baratas não pensam?

As baratas são muito mais antigas do que o ser humano. Elas surgiram há mais de trezentos milhões de anos! E o “homo sapiens” há cerca de trezentos e cinqüenta mil anos.

Elas passaram pelas mesmas vicissitudes que nós – ou piores – e por muito mais tempo.

Nós ficamos passando apertos por muito menos tempo que as baratas e logo, em pouco tempo, ficamos inteligentes, safos, espertos, fabricando coisas e hoje já temos até telefone celular, enquanto elas não foram ainda capazes de produzir nem mesmo uma atiradeira, estilingue ou bodoque.

Explica isso, maluco!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A VACA ESTÁ INDO PARA O BREJO DE BARRIGA CHEIA DE CAPIM

Eu disse ao Editor do Jornal que esta semana, para evitar as costumeiras polêmicas envolvendo o cenário político brasileiro e deixar assim de mexer com os brios dos defensores do nosso desastrado e desastroso governo, eu escreveria sobre cosmogonia, criação de pintassilgos ou a bacia hidrográfica da Croácia.

Mas… não dá.

Todos se lembram que alguém já disse que esse é um governo de malucos.

Outros afirmam ser de burros.

E baseiam-se em enredos escalafobéticos que garantem que a Terra é plana, que meninos se vestem de azul e meninas de cor-de-rosa, que índios têm terra demais, que quilombolas são gordos e preguiçosos, que pais devem dar embaixadas para filhos, que ninguém se queixa de incêndios na Austrália mas reclamam das queimadas na Amazônia, e assim por diante.

Quando estamos prontos a aceitar que tudo isso é bobagem, em face de um assombroso milagre econômico e que o que interessa mesmo é a bolsa de valores batendo recordes nas alturas e sermos afagados por Donald Trump, vem um ex-Secretário da Cultura, a custo tirado do cargo, apesar da burrice de fazer um discurso com frases tiradas de Goebels, afirmar,em seguida, que a sua demissão foi fruto de uma ação satânica.

Bom, não fosse suficiente, vem logo depois o super-ministro da economia perante o mundo inteiro, no palco de Davos, na Suíça, garantir que a degradação ambiental do Planeta não tem nada a ver com os ricos americanos e chineses queimando combustíveis e fabricando fumaça e gases tóxicos, não! Quem causa os prejuízos ao meio-ambiente são os pobres, que destroem a natureza porque precisa comer.

As surpresas não param e a semana se completa com a namoradinha do Brasil noivando com o Presidente da República, que é um homem casado!

No meio de tanta doideira, talvez (pomos a mão no queixo) nos tenham levado a crer que o comunismo ia tomar conta do País; e na verdade não ia nada.

Quem sabe era mentira que o BNDES estava a serviço da implantação do socialismo no Brasil; ou, ainda pior, servia para que a esquerda beneficiasse empresários amigos, sabe-se lá com quais finalidades, para encher-lhes a burra de dinheiro: E era mentira mesmo!

A estas alturas já até desconfiamos que não foi a corrupção que quebrou o Brasil e que a Lava-Jato aproveitou-se dela para servir a fins políticos – de desestabilizar um grupo para pôr outro grupo no poder.

Aí a gente começa a pensar que não é tão simples como querem nos convencer: de que desde que o governo encha os cofres de dinheiro, que o mundo venha investir aqui e que as fábricas comecem a produzir está tudo bem.

Não, não está tudo bem: asnos não deixam de ser asnos simplesmente porque seus cochos estão cheios.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PESQUISA – DADOS PARA ARGUMENTAÇÃO

PESQUISA 1º DE JANEIRO DE 2020– DADOS PARA ARGUMENTAÇÃO

COMO EM QUATRO PERÍODOS O GOVERNO DO PT QUASE LEVOU O BRASIL A SE TORNAR UMA NOVA CUBA OU VENEZUELA

1) Reduziu a inflação de 12,5% (2002) para 5,91% (2010) ao ano.

2) Aumentou o salário mínimo para o seu maior patamar em 40 anos, com um aumento real de 74% entre 2003/2010.

3) Reduziu a relação dívida/PIB de 51,3% (2002) para 39% do PIB(2010).

4) Acumulou um superávit comercial de US$ 252 Bilhões (2003/2010).

5) Pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou credor do FMI.

6) Reduziu o déficit público nominal de 4% do PIB (2002) para 2,6% do PIB (2010).

7) Aumentou as exportações de US$ 60 Bilhões/ano (2002) para US$ 201,916 bilhões/ano (2010) , recorde histórico.

8) Aumentou as reservas internacionais líquidas de US$ 16 Bilhões (2002) para US$ 285 Bilhões (Novembro de 2010).

9) Ampliou o Pronaf ( Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar que se destina a estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, por meio do financiamento de atividades e serviços rurais agropecuários e não agropecuários) de R$ 2,5 Bilhões/ano (2002) para R$ 16 Bilhões/ano (2010).

10) Gerou 15 milhões de empregos formais entre 2003/2010.

11) Reduziu o percentual da população brasileira que vive abaixo da linha de pobreza de 28% (2002) para 6,1% (2010), segundo o IPEA.

Continue lendo

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PACTO DA EXTREMA-DIREITA COM O COISA RUIM

O maior perigo do governo de Jair Messias Bolsonaro mora precisamente nisso: o seu sucesso.

Com a melhora de resultados na economia e outros indicativos favoráveis no governo de Jair Messias Bolsonaro, vemos, ao lado dos efeitos positivos, a elevação do tom de voz da extrema-direita, animada por acreditar estar com tudo para calar a boca dos adversários.

Se esse é o governo-maravilha, que garante ser, assegurando, até, ter vencido o primeiro ano sem um único caso de corrupção, pode a extrema-direita bater no peito e assegurar que seus métodos são os corretos.

O fato é que os piores instintos do ser humano, que estavam escondidos ou disfarçados, sentem-se agora à vontade para vir à tona com mais força e, até, com orgulho, uma vez que os extremistas se julgam guardiões de patriotismo, nacionalismo, religiosidade e conservadorismo, bem como próceres na luta contra a corrupção.

O agravamento de preconceitos, a minimização das lutas e conquistas ambientais, o estímulo à violência são vendidos à população como valores, uma vez que quem os pratica está fazendo o que se diz ser “um bom governo”.

Floresce o discurso contra os direitos dos índios e negros, ameaçam a posse de suas terras, armam-se os fazendeiros, cresce o entendimento de que direitos humanos são só para humanos bons, aumenta a crença de que bandido bom é bandido morto, por aí vai.

Caso se confirme que o atentado à produtora de vídeos Porta dos Fundos foi realmente feito por quem o assumiu – um tal de Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira – teremos a noção clara de que o Efeito Bolsonaro chegou a elevado grau de periculosidade.

Ao mostrar as suas garras, o Integralismo e o Fascismo não deixam dúvidas de que com Jair Messias Bolsonaro vendendo a sua alma ao diabo a extrema-direita trará ao Brasil um desenvolvimento dos infernos.