GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A REVOLUÇÃO POCHETISTA

– Meus caros senhores – discursou o cientista, renomado nome dentre os mais destacados psiquiatras do país – vamos estabelecer uma experiência única e só precisamos da aprovação de Vossas Excelências para implementá-la.

Alguns parlamentares aplaudiram, outros, da oposição sistemática, vaiaram, vaiariam qualquer um que estivesse ao lado do governo.

Pois, feito o discurso, o projeto foi posto em votação e aprovado pela maioria governista, de modo que as administrações de todos os manicômios do país retirariam todos os membros das respectivas administrações e passariam a ser completamente dirigidos pelos próprios loucos, sob a direção-geral do psiquiatra proponente, Doutor Ananias Pochete, que acompanharia as atividades de cada um dos dirigentes das diversas unidades mediante videoconferência.

Em vigor a nova lei, Pochete fez a primeira reunião e avisou: – Conseguimos, meus caros! O País é nosso!

Nem precisa dizer que o psiquiatra, Doutor Pochete, era completamente maluco e seu plano constava de conseguir que os hospícios de cada cidade conseguissem dominar os cidadãos locais, de modo que, como um jogo de dominó, cada uma caísse sob seu poder, o que significaria o controle geral.

Seria uma revolução total, inspirada nas obras de Machado de Assis, de George Orwell, de Gramsci e até mesmo de Maquiavel. Ah, a Revolução dos Bichos, O Alienista e O Príncipe foram os que mais lhe deram excelentes ideias.

Em suma, o que aconteceu foi o seguinte: Pochete orientou os malucos a saírem dos hospícios e invadirem a cidade com as idéias mais malucas, burras e estapafúrdias que pudessem ter, de modo a enfeitiçar as pessoas com promessas bizarras de salvar o país de suas desgraças.

Como? Ele mesmo não sabia. Mas que usassem a imaginação. Podiam, por exemplo, propor que cada um possuísse sua própria bomba atômica, para garantir a defesa contra invasões estrangeiras. Também garantiriam que, com uma nova ordem, aos homens seriam administrados hormônios masculinos, para aumento da virilidade, mas com atenção para o uso do sexo somente para a procriação, como estabelecido pelas leis divinas. Outra ideia era a de propor à população que o serviço militar se iniciaria aos três anos de idade, para meninos, e cinco, para meninas, que usariam, respectivamente, fardas azuis e cor-de-rosa.

Com esses princípios em mente, loucos de várias cidades apresentaram sugestões, como tirar as rodas dos carros, para resolver o problema do tráfego; expulsar todos os índios das matas e trazê-los para as cidades para civilizá-los e pô-los em atividades produtivas, para suprir a falta de trabalhadores de pouca qualificação profissional; tornar obrigatório o retorno da cueca samba-canção; cobrar imposto sobre esmolas; acabar com os tribunais e passando a atividade de julgar diretamente ao povo, por intermédio das redes sociais; e tantas propostas profícuas que encheriam páginas e páginas para serem expostas.

As populações das cidades ficaram maravilhadas! Alguns perguntavam se não seria burrice retirar as asas dos aviões, ao que eles respondiam que era a única forma de impedir totalmente a ocorrência de acidentes aéreos – e todos tinham de concordar com a lógica perfeita e terminar por aplaudir a providência.

Tudo aconteceu de tal forma perfeita, segundo bem imaginado por Doutor Pochete em sua loucura de pedra, que todas as ideias foram acatadas e postas em prática, os loucos tornaram-se líderes e expandiram sua administração ocupando os cargos públicos, prefeituras, vereanças, câmaras de deputado, senado, ministérios, enfim, tudo e tudo.

Poderia parecer estranho que o país tivesse prosperado com a loucura e a burrice imperando, mas foi o que aconteceu: as matas foram derrubadas, plantou-se muita soja, criou-se muito boi, a baitolagem desapareceu, a madeira enriqueceu os madeireiros e os cofres públicos, extraiu-se nióbio como nunca visto, a criminalidade foi a zero, os investidores estrangeiros aplicaram em peso suas economias nos negócios do país que, de tão diferente, apinhou-se de turistas aos magotes, os quais, aproveitando-se da liberdade de poderem andar pelas ruas com revólveres e cartucheiras na cintura, vieram deixar aqui abundantemente a moeda estrangeira e enriquecer os hoteleiros, taxistas, donos de bares e restaurantes, brincando de faroeste.

Sempre tem os insatisfeitos, que, da prisão, tramam para derrubar o governo dos pirados tapados e instaurar o comunismo no país, reclama o Ministério do Fuzilamento.

Espero que tenha dado aos leitores uma visão geral dos acontecimentos.

No próximo capítulo, trarei informações importantes sobre como a Revolução Pochetista se desenvolveu e possibilitou no país o surgimento de uma versão elaborada de Dom Quixote e sua luta contra moinhos de vento ensacado.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

DIVAGANDO DE OLAVO DE CARVALHO A ORTEGA Y GASSET

Olavo de Carvalho, o filósofo, professor, jornalista e sei lá mais quantos apitos apita, é, sem dúvida, um sujeito inteligente, eu já disse isto e repito.

Ouvi-o falar algumas vezes. É melhor escrevendo; e quando escreve apartando-se do mundo real, fático, e fica apenas no campo das ideias – daquelas que não comprometem a seriedade de uma certa estrutura do seu pensamento, seu brilhantismo intelectual se revela.

Quando entra a professorar na área dos fenômenos e da política, destrambelha-se.

Vou dar dois exemplos.

1) Quando aderiu ao terraplanismo:

Assim como outras “teorias da conspiração” (o terraplanismo envolve não apenas a idéia pura e simples de que a Terra não é um globo, mas acredita que essa “verdade”, ou seja, o fato de ela ser plana nos é ocultado por uma certa elite poderosa para que essa elite mantenha seu poder sobre nós), o terraplanismo dispõe de inúmeras “provas” em favor de seus argumentos.

Quem adere a essas provas é, em geral, uma pessoa ingênua, que aceita à primeira vista o que lhe é apresentado, sem aprofundar-se e, até, passa a desprezar as evidências.

2) Quando aderiu ao anticomunismo:

Não sei quando o fez, mas Olavo de Carvalho usa sua extraordinária capacidade intelectiva para ingressar no mundo da ideia boba (também, de certa forma, uma teoria da conspiração) de que estamos, nós, os brasileiros, permanentemente ameaçados pelos comunistas.

É uma cruzada que só serve à direita burra, para que ela permaneça no poder: Como ela não dispõe de filosofia, ideologia, ideário, programas, planos, projetos que possam servir para o progresso humano e social, a direita burra (mas, nesse particular, esperta) vive do expediente de atemorizar os crédulos, ingênuos e incautos, ameaçando: – Se vocês abandonarem Jair Messias Bolsonaro o comunismo toma conta.

É claro, poderíamos mencionar o outro perigo de que a direita burra se vale: a corrupção. Desde que o Mensalão e a Lava-Jato agiram, desde os governos de Lula e Dilma, até o governo do Temer, nada mais aconteceu em termos de combate à corrupção – este governo, quando assumiu, tudo já estava feito; e o que mais poderia ser feito (reclama Sérgio Moro) não foi realizado.

Assim, Olavo de Carvalho perde tempo com bobagens, ao invés de se dedicar a ensinar coisas valiosas aos seus pupilos e à sociedade.

Mas, dito isso, o que eu queria mesmo falar é da bobagem de algumas pessoas de quererem fugir aos rótulos, como os rótulos de esquerda e de direita, como se fosse possível distinguir na prateleira do supermercado a cachaça do uísque se não estiver escrito o que é cada um nas repectivas garrafas.

E uso essa verdade para garantir que não é possível deixar de ser uma coisa ou outra – até para asseverar que não existe “centro” em política, e para afirmar, enfim, que não há como escapar ao rótulo: ou és uma coisa ou outra, ou simplesmente és nada, e que terás de aceitar o teu rótulo para que sejas reconhecido entre os teus e os outros.

Pelos idos de 1937, Ortega y Gasset escreveu que “ser de esquerda é, como ser de direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, em efeito, são formas da hemiplegia moral”, o que, se fazia sentido naquela data (o que acho difícil), hoje repercute como não mais que uma frase de efeito, pois quem não se coloca politicamente em uma ou outra posição escolhe alhear-se e alienar-se.

Pois – e isso é incrível – vou me valer de Olavo de Carvalho para alicerçar minha exposição.

Em recente entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, um dos entrevistadores, o Guilherme Fiúza, concluiu sua mais ou menos longa consulta fazendo a seguinte pergunta:

– É melhor falar de direita e esquerda, ou de liberdade, inteligência, honestidade etc?

Olavo de Carvalho, confrontando o referido filósofo espanhol, responde:

– Bom, eu uso esses termos, direita e esquerda, como expressão da autodefinição que o sujeito se dá: se ele diz que é de esquerda, então ele pertence a um grupo que também se autodefine assim; se ele diz que é de direita, ele também pertence a um grupo que se autodefine assim. Não precisamos definir direita e esquerda pelo conteúdo das suas respectivas ideologias ou propostas. Não. A coisa é mais simples: existe direita e esquerda, como existem grupos que atuam conjuntamente e têm interesses em comum.

E agora partiremos para o problema do relacionamento da matéria intelectual com o fenômeno chamado de realidade – após dizer isso Olavo de Carvalho continua:

– O que você disse está certo: a esquerda hoje é toda financiada pelas grandes fortunas internacionais.

E arremata:

– Por quê? Você acha que o George Soros ficou louco, os Rockfellers ficaram loucos, os Rotschilds ficaram loucos?…

E eu digo, ora, Olavo de Carvalho… enlouqueceste tu? Concluis que os capitalistas financiam àqueles que querem: ou destruí-los, caso falemos de uma esquerda comunista; ou controlá-los, caso nos refiramos a uma esquerda não comunista?!

Paro por aqui e nem vou falar da tentativa capciosa de tentarem, Olavo e Fiúza, passar a ideia de que direita significa liberdade, inteligência, honestidade e outros atributos elevados, enquanto a esquerda é o contrário de tudo isso.

Só me resta a exclamação:

– Ora, vão se catar.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PALAVRAS AO VENTO

1) “Os brancos não são culpados da situação (da escravidão). Ao contrário: os brancos são os inventores da abolição”. (Olavo de Carvalho)

2) “Preta (Gil), eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco (de meu filho se relacionar com uma negra) e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu.” (Jair Messias Bolsonaro)

3) “Não é fácil achar alguém articulado e sensato dentro do bolsonarismo” (Ricardo Feltrin)

4) ”Criaram agora a Frente Parlamentar de Combate à Homofobia, a frente gay. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o “uhuhu” da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer.” (Jair Messias Bolsonaro)

5) “(As pessoas que rejeitam os gays) não têm coração humano” (Papa Francisco)

6) “A tortura é a ferramenta de um poder instável, autoritário, que precisa da violência limítrofe para se firmar, e uma aliança sádica entre facínoras, estadistas psicopatas, lideranças de regimes que se mantêm pelo terror e seus comandados.” (Marcelo Rubens Paiva)

7) “Eu sou favorável à tortura” (Jair Messias Bolsonaro)

8) “(A tortura) é o meio mais seguro de absolver os criminosos robustos e condenar os fracos inocentes.” (Cesare Beccaria)

9) “O objetivo (da tortura) é fazer o cara abrir a boca: – O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.” (Jair Messias Bolsonaro)

10) “O medo é que faz que não vejas, nem ouças porque um dos efeitos do medo é turvar os sentidos, e fazer que pareçam as coisas outras do que são!” (Dom Quixote De La Mancha)

11) „Gastaram muito chumbo com o Lamarca: – Ele devia ter sido morto a coronhadas.“ (Jair Messias Bolsonaro)

12) Precisamos vencer a fome, a miséria e a exclusão social. Nossa guerra não é para matar ninguém: – É para salvar vidas.” (Luiz |Inácio Lula da Silva)

13) “Mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, não é utopia: – É justiça.” (Dom Quixote De La Mancha)

14) “São os comunistas os que pensam como os cristãos.” (Papa Francisco)

15) “O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem.” (Jair Messias Bolsonaro)

16) “O Jair Messias Bolsonaro tinha de levar uma surra de cinto da mãe dele” (Kássia Kis)

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PINGADO

– PEDE DESCULPAS!: “Deltan Dallagnol disse agora, 7 de julho de 2020, que “a apresentação em Power Point usada para explicar a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT, em 2016, poderia ter sido apresentada de uma outra forma “para evitar críticas”.

– SÓ QUE NÃO: Mas, ao mesmo tempo ele afirma que “Uma coisa é o conteúdo, se o conteúdo se provou verdadeiro, outra coisa é se a forma de apresentação foi a melhor possível.”

– SÓ QUE NÃO 2: Se o conteúdo se provou verdadeiro, Lula deveria ter sido condenado por chefiar quadrilha.

– SÓ QUE NÃO 3: Lula não foi condenado como chefe de quadrilha, ao contrário do que Deltan Dallagnol ilustrou na apresentação gráfica do chamado Power Point.

– SÓ QUE NÃO 4: Deltan Dallagnol afirma, ainda, para manter-se blindado do erro, que “A condenação foi por corrupção de dezenas de milhões mais a lavagem de dinheiro por meio de um tríplex”.

– SÓ QUE NÃO 5: mas não consta nos processos que Lula tenha recebido dezenas de milhões de reais, em espécie ou em bens, como fruto de corrupção.

– PEDE DESCULPAS 2: Ou Deltan Dallagnol pede as desculpas ao Lula ou fica bem quietinho no seu canto. Quem muito fala dá bom dia a cavalo.

– GRIPEZINHA: Jair Messias Bolsonaro pegou a gripezinha – hoje (7 de julho), anunciou que testou positivo para Covid 19.

– NÃO DÁ PARA ENTENDER; No vídeo, Jair Messias Bolsonaro parece dizer que “e confesso a vocês, se não tivesse feito o exame e (incompreensível) tomado a Hidroxicloroquina como preventivo, como muita gente faz, eu estaria trabalhando até e obviamente poderia estar contaminando gente, né, essa foi a minha preocupação de buscar fazer o exame na própria segunda-feira para evitar o contágio de terceiros”.

– RACIOCINANDO COM FEBRE: Antes desse trecho do vídeo, Jair Messias Bolsonaro diz que não foge de suas responsabilidades, portanto ele deve acreditar ser sua responsabilidade deixar-se contaminar, como aconteceu, e também contaminar a população – pois em certo momento ele afirma que achava que já tinha pego o vírus “lá atrás”; mas em momento algum participou de medidas de isolamento, muito pelo contrário, não só misturou-se ao povo, como estimulou o povo a fazer o mesmo.

– RACIOCINANDO COM FEBRE 2: Jair Messias Bolsonaro disse, então, que sentiu-se mal no domingo e fez o exame “já na segunda-feira” para evitar o contágio de terceiros. Tarde demais: se os sintomas apareceram no domingo, ele já poderia estar contaminado há mais de onze dias e transmitindo durante esse tempo o vírus “a terceiros”, mas a febre deve tê-lo feito esquecer-se dos conhecimentos científicos expostos nos jornais do mundo inteiro a respeito do tempo de incubação (em média de 5 dias).

– RACIOCINANDO COM FEBRE 3: Jair Messias Bolsonaro parece ter dito que muita gente toma Hidroxicloroquina como preventivo e se ele tivesse feito o mesmo estaria trabalhando e contaminando gente. A febre deveria impedi-lo de dar entrevistas à imprensa: fez parecer que Jair Messias Bolsonaro acredita que quem toma Hidroxicloroquina como preventivo pega o vírus mas não apresenta sintomas, o que não é compatível com as pesquisas já realizadas.

– RACIOCINANDO COM FEBRE 4: Pesquisas contrariam a crença de que Hidroxicloroquina age como preventivo para Covid 19: Testagem com 821 participantes – um grupo recebeu a hidroxicloroquina, outro ingeriu pílulas placebo, cerca de quatro dias após a exposição ao novo coronavírus. Os 821 participantes eram, em sua maioria, jovens e adultos saudáveis, na faixa dos 40 anos e sem sintomas aparentes da doença. As pílulas foram enviadas às residências dos voluntários, que as ingeriram por cinco dias, sendo a dose mais alta no primeiro dia. Os testes resultaram em 107 participantes contaminados pela COVID-19, dentro de um período de 14 dias de acompanhamento. Entre os voluntários que receberam a hidroxicloroquina, 49 desenvolveram a doença ou sintomas compatíveis, como febre e tosse, enquanto 58 dos que foram falsamente medicados com o placebo foram contaminados. Conclusão do teste: “O estudo demonstra que a hidroxicloroquina não é melhor que um placebo quando usada como medicina preventiva dentro de quatro dias de exposição a alguém infectado pelo novo coronavírus”

– CALMA QUE O BRASIL É NOSSO: Embora ainda seja cedo para conclusões a respeito dos medicamentos que têm sido testados para profilaxia e tratamento de Covid 19, é temerário recomendar o uso generalizado antes que os estudos e pesquisas firmem convicções. Dados observacionais com Cloroquina, Hidroxicloroquina e outros, assim como a Ivermectina, que teria dados resultados formidáveis em Porto Feliz (SP), podem levar a certezas tão lógicas quanto as que sustentam teorias de conspiração (como a de que a Terra é plana) e afinal não terem fundamento.

– LÁ NO ALTO DAQUELE MORRO: Passa boi, passa boiada, só não passa o desatino de um governo que despreza políticas de meio ambiente. Ricardo Salles, o Ministro que demonstrou ser excessivamente elogiado, merece que deixem de queimar-lhe incensos. Salles, que disse pretender criar um mecanismo para revisar e até anular multas que ele acha que estariam sendo aplicadas por “caráter ideológico”, o que devemos interpretar que os comunistas no governo de Jair Messias Bolsonaro ficam aplicando multas em infratores só para implantar o perverso regime no Brasil, parece, na verdade, agir “ideologicamente”, desmontando as ações do Ibama para que haja campo para o presidente da república abrir pasto. Pasto, infelizmente, para bois de verdade, não para o gado que o segue.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

BABY

Quando Jair Messias Bolsonaro, investido no cargo de dirigente da Nação, com cacófato e tudo, apresentou-se como o que exatamente é, um irresponsável, absolutamente destituído das condições intelectivas e psíquicas para dirigir um país, ou o que quer que fosse, seu eleitorado caiu em si e as defecções se multiplicaram: milhões de seus seguidores fiéis o abandonaram, tiveram de abrir mão do compromisso ideológico com algo que pensavam ser o bolsonarismo.

Essa ideologia se sustentava em alguns princípios básicos: honestidade incondicional, luta intransigente contra a corrupção, fim do toma-lá-dá-cá, nomeação técnica para cargos, independência dos órgãos, e o lema absoluto “Deus, Pátria e Família”, reminiscência do Integralismo, avivado no “Pátria acima de tudo, Deus acima de todos”.

Contudo, o próprio Jair Messias Bolsonaro não foi capaz de manter seus compromissos, consigo mesmo e com o eleitorado, e dia a dia, passo a passo, desconstruiu, com seus atos e suas palavras, o ideário que o levou ao poder.

Fatos envolvendo sua família, com respingos nele mesmo, e outros diretamente em torno de sua pessoa, lançaram dúvidas sobre a honestidade incondicional; a luta intransigente contra a corrupção foi relaxada pela falta de apoio a medidas concretas nesse sentido, como reclamou dele o seu próprio pupilo de outrora, Sérgio Moro; o toma-lá-dá-cá retornou com o balcão de negócios junto ao chamado Centrão, para garantir apoio político inclusive contra um possível processo de “impeachment”; cargos passaram a ser preenchidos como moeda de troca e a militarização do Estado trouxe desconfianças de intenções golpistas.

Os apoiadores balançavam, mas se forçavam a desculpar seu líder, seja pelo benefício da dúvida, quanto a determinadas situações, pelo entendimento de que em certas condições o governante precisa ceder para governar e, até, se for o caso, adotar algumas medidas maquiavélicas.

Mas, tudo tem um limite.

Talvez pudessem ser suportadas a gasolina, a margarina, a cloroquina, mas dar um pé-na-bunda do herói nacional do momento, apto a vir a ser o próximo presidente da república, “et pour cause”, foi demais! E Sérgio Moro saiu (puxando o tapete).

Foi quando caiu a ficha dos milhões que declararam que não dava mais: juntaram as partes e viram que o monstro estava completo.

Todavia, parece não haver dúvida que o tempo é senhor, mesmo, é do esquecimento – nem tanto da razão: assim como de Joaquim Barbosa, a figura heróica de Sérgio Moro foi se diluindo.

Há ideias que circulam no meio da população que são muitos próximas do pensamento de Jair Messias Bolsonaro, a respeito de os deputados e senadores serem um bando de ladrões e que só impedem o governo de governar, assim como sobre o Supremo Tribunal Federal estar lotado de esquerdistas que querem derrubar Jair Messias Bolsonaro do trono.

No populacho também circulam ideias de que bandido bom é bandido morto; de que todos precisamos ter uma arma para nos proteger; de que a tortura é necessária para fazer o bandido abrir o bico; de que ser homossexual é sem-vergonhice; de que índios precisam ser trazidos para o progresso dos brancos; que negros são inferiores e que lugar de mulher é no fogão.

São tendências represadas pelo avanço da civilização, mas que Jair Messias Bolsonaro foi capaz de permitir que fossem liberadas – o que gerou o atual estado de fascismo generalizado que estamos vivendo.

Deste modo, abandonar Jair Messias Bolsonaro significou uma orfandade ideológica: ao mesmo tempo que seus apoiadores caíram na real de que o cara é um despropositado, perderam apoio íntimo para suas convicções esdrúxulas, algo inconscientes.

Era preciso voltar aos braços de Jair Messias Bolsonaro, para continuarem com suas crenças medievais.

Assim, esses que se escafederam precisavam arranjar um jeito, uma desculpa, um pretexto para voltar ao círculo idolatrado do bolsonarismo.

Como fazer?

Resposta: Fechando trincheiras em torno de alguma de suas ideias aparentemente lógicas.

E assim, recuperaram o espírito bolsonarista defendendo a inocuidade, e até letalidade(!), do isolamento social. Eles defendem que Jair Messias Bolsonaro esteve sempre certo, que o correto é continuar todo o mundo em suas atividades normais e deixar que o vírus tome conta da população, o que determinaria um tal “efeito de rebanho” (ou boiada?) que garantiria a imunização geral – ignorando eles que para obter tal efeito seria necessário contaminar com o vírus de uma tacada só mais de cinquenta milhões de brasileiros, ou por volta de cento e dez milhões de pessoas, causando um caos nunca visto ou imaginado na rede de saúde, levando à morte, pela doença (doença agravada pela falta de assistência) milhões de pessoas.

Isso não ocorreria, segundo eles e seu ídolo pensam, porque a Cloroquina (ou a hidroxicloroquina), que é a seu ver um remédio milagroso contra a Covid 19, que teve as pesquisas abandonadas pela Organização Mundial de Saúde por falta de sinais de efetividade, e que até os Estados Unidos, onde Trump também defendia o seu uso, a deixou de lado, garantiria a cura de todos.

Tal artifício, ou “tour de force”, uniu novamente os bolsonaristas em torno de seus ideais malucos e de seu ídolo aparentemente idem, de modo que eles aos poucos voltam, ou já voltaram, a idolatrar a triste figura que ridiculariza o Brasil perante o mundo todo.

Ou a inteligência renasce e mostra a sua força, repudiando o obscurantismo e tirando essa gente do emperramento civilizatório, ou teremos todos de nos mudar, em massa, para Portugal.

Baby, baby, eu sei que é assim.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O VÍRUS E A MÚSICA

Lula desculpou-se logo após dizer que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Era 19 de maio de 2020, com cerca de 270.000 infectados por Covid 19 e mais de 17.000 vidas ceifadas pela doença.

Hoje, 1º de julho, penso ter-me enganado na apreensão dos dados: Um mês e meio passados e os números aproximados são de 1.400.000 que adquiriram o vírus e 60.000 mortes. É isso mesmo?

Sim.

Lula, é claro, errou ao dizer “ainda bem”. Isso soou como boas vindas à doença e às mortes, mas é evidente que isso não podia ser a sua intenção, como esclareceu imediatamente, ao dizer, logo no dia seguinte, que sua frase foi totalmente infeliz.

O vídeo está aí para todos que quiserem ver, ele expõe longamente seu pensamento, mas o objetivo que tenho neste momento é de lamentar que a humanidade tenha de passar por tão dura prova para compreender que é por culpa dos homens mesmo que ciclicamente surgem as pragas, que vêm com destruição para chamar a atenção, alertando: – Vejam o que vocês estão fazendo! Mudem de comportamentos, ou destruirão o Planeta.

A dura lição vem com o adoecimento e as mortes. Por outro lado, o castigo impõe isolamento, recolhimento, afastamento social, que levam a meditação e a reflexões. Por vezes impõe o reagrupamento familiar e o contato mais íntimo entre seus membros.

Alguns fenômenos servem para mostrar que basta uma diminuição dos processos de produção, com tudo que eles envolvem, para reduzir sensivelmente a poluição, seja pela menor queima de combustíveis diretamente na fabricação de bens, seja pelos gases expelidos em menor volume pelos veículos de transporte de mercadorias e até pelo menor gasto de eletricidade.

Na questão do turismo, a radical redução dos deslocamentos das pessoas por avião, navio e veículos poluidores variados, também resultou na limpeza do ar e recuperação da camada de ozônio.

Reduziram-se as mortes por acidentes de carro e a ocupação de hospitais por feridos em tal tipo de ocorrência.

Consta que até a criminalidade sofreu (e “sofreu” é um termo que aqui não cai bem) considerável redução.

Um efeito verificado com a epidemia no Brasil foi, também, a solidariedade: empresas, instituições e pessoas arregaçaram as mangas em doações e campanhas as mais diversas em favor dos necessitados, atingidos por consequência da paralisação ou redução das atividades econômicas.

O que se espera, assim, é que esse lamentável castigo determine ações duradouras de pessoas, governos e instituições em geral.

E que um desses efeitos permanentes seja o renascimento da música popular brasileira, com a permanência no ostracismo a que foi lançado, nestes seis meses, o chamado “sertanejo universitário”.

Que se vá o vírus e que permaneça a boa música.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O ESTRANHO E TALVEZ VERÍDICO CASO DO PAPAGAIO NAT SORIANO

Algumas histórias de cachorros, um, chamado Lyndon Johnson, que chorava quando ouvia Altemar Dutra cantando Vida Minha, outro, de nome Frank Sinatra, que cantava, ambos brasileiros, apesar dos nomes estrangeiros, foram contadas aqui, ao pé da fogueira, no São João do ano passado.

Os narradores juram que é verdade, como as histórias de assombração, que ninguém duvida, contadas pelos matutos sob o céu de estrelas.

Nada mais incrível, do que esses casos, acharíamos que poderia surgir, quando um novo narrador vem e assegura que tem um papagaio que canta. Não como o cão Frank Sinatra, que recebeu esse nome porque uivava desentoado, desafinado, e a referência ao grande cantor dos Blue Eyes foi feita como uma espécie de ironia, já que Frank Sinatra, o verdadeiro, era A Voz, e há quem diga que foi o melhor intérprete de todos os tempos.

Pois bem, ao pé da fogueira sentou-se um desconhecido e apresentou-se:

– Eu me chamo D. Matt. Eu possuo um papagaio que canta um grande repertório de músicas brasileiras, do samba ao pagode, e que interpreta com competência canções estrangeiras, em Inglês, Italiano, Espanhol, Alemão e Francês.

Nosso lema, na roda de fogo, é acreditar em tudo – por isso elegemos Jair Messias Bolsonaro presidente do Brasil – de modo que ninguém duvidou da mentira deslavada.

Como assim? Alguém inquiriu. Cite uma música que esse papagaio dos infernos canta, em Francês, por exemplo.

D. Matt responde na bucha:

– Ne Me Quitte Pas.

– O quê? Cabra safado! O teu papagaio canta essa música, divinamente interpretada por Maísa, por Jacques Brel, Édith Piaf…

– Canta. E posso provar.

Todos se alvoroçaram. Um cão chorar, tudo bem, não passa de um fenômeno sensível, o cachorro ouve um som e uiva. O outro cantar, também é aceitável, mais uma vez trata-se de um cachorro que como todos os cães em certas circunstâncias uivam, uns mais, outros menos afinados. Agora, vamos e venhamos, um papagaio cantar várias músicas, em diversos idiomas, e ainda por cima Ne Me Quitte Pas, vai mentir assim nos infernos!

D. Matt não se perturbou, nem mesmo quando um dos companheiros mais exaltados falou eu vou bater nesse cara.

Ele, D. Matt, afirmou:

– Por acaso, eu tenho aqui comigo uma fita cassete com uma gravação de Nat – justamente de Ne Me Quitte Pas.

– O papagaio se chama Nat King Cole?! Alguém perguntou com picardia.

– Nat Soriano, respondeu ele. E continuou dizendo que ia no carro pegar um aparelho para rodar a fita.

Nem ele se afastou e um garantiu que D. Matt não voltaria mais, tinha se escafedido, mentiroso dos diabos.

Mas, mal acabou de falar isso e lá vinha D. Matt com o toca-fitas na mão. Sentou-se, fez algum suspense, devagar pôs a fita a rodar e após alguns chiados uma voz de homem dizia: – Canta, Soriano!

A seguir, com acompanhamento e tudo (ele disse que era karaokê), Nat Soriano começou a cantar a música em Francês, com algum sotaque (pelo que D. Matt se desculpou, o papagaio aprendera essa música já adulto e não se libertara de algum acento estrangeiro).

Foi a coisa mais linda, de chorar mesmo, tinha gente ali com o coração despedaçado, alguém terminando um relacionamento, outro se sentindo desprezado, de modo que muitos lenços se molharam enquanto o papagaio Nat Soriano soltava a linda voz.

Foi no meio de toda aquela emoção que, mal acabara a música, D. Matt levantou-se dizendo eu tenho de ir e nunca mais o vimos.

Outro dia, no São João deste ano, nos reunimos de novo em frente à fogueira, rememorávamos e comentávamos o caso. É claro, ninguém acreditou que aquilo era um papagaio cantando, isso não era possível. O cara chegou num fusca velho, se tivesse um papagaio com tais qualidades estaria podre de rico.

Além do mais, alguém observou, aquilo era escritinho uma gravação de Ne Me Quitte Pas na voz de Nina Simone!

Ou seja, se Nat Soriano é mesmo um papagaio cantor, além de cantar bem é um imitador inigualável!

D. Matt, como eu disse, não mais apareceu, mas se voltar a dar as caras vai ter de trazer Nat Soriano para uma audição ao vivo.

Enquanto isso, está sendo xingado diariamente como o maior mentiroso que já apareceu por aqui.

E olha que o páreo é duro.

Seja como for, uma dúvida restou: Terá D. Matt autorização do Ibama para possuir um papagaio?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE FRANK SINATRA, O CÃO QUE CANTAVA

Carlito Lima, o cara que imaginou a maior quantidade de contos eróticos passados em praias, deve ser doido por areia e pode ter o Guiness de tanta história de transa à milanesa: é praia da Jatiúca pra cá, praia da Ponta Verde pra lá, e praia da Pajuçara, praia da avenida da Paz, praia do Trapiche da Barra, praia da Boa Viagem e sei lá mais quantas.

Mas algumas vezes escreve sobre outras coisas, como outro dia lembrou o caso do Cachorro Que Chorava.

Trata-se de Johnson, um cão alagoano que não podia ouvir a música Vida Minha na voz de Altemar Dutra que se punha a chorar.

Uivava de dar gosto; e ficou tão famoso que foi levado ao Rio de Janeiro, para um programa de variedades nos anos sessenta, do Flávio Cavalcanti, onde botaram para tocar a música e Johnson chorou que dava pena. Acho que saíam lágrimas.

Johnson ganhou mundo. Ficou famoso.

Contei a Carlito que eu tive um vira-latas, desses amarelinhos, pego na rua, que cantava, e ele me disse: – Frank Sinatra dá um conto, caro Goiano!

É que eu me esqueci de contar que o cão, logo que me foi confiado, tirado do relento para eu acabar de criar, sentava-se na varanda, esticava o pescoço para o alto e se punha a uivar, com saudades de suas cachorras (ele fugiu tanto, tantas vezes, e foi recapturado, porque tinha o número do telefone gravado na coleira, que acabei tirando a coleira e da última vez que ele fugiu ninguém mais telefonou e ele voltou ao, digamos assim, abandono, que era o que ele desejava, para sempre – ou quase).

Mas, o nome, Frank Sinatra, eu o dei como uma homenagem reversa: o cachorro era completamente desafinado.

Nunca vi na minha vida um cachorro uivar tão mal.

Ocorre que as notícias correm o mundo, alguém nos Estados Unidos ficou sabendo de um cachorro que cantava, no Brasil, que tinha o nome de Frank Sinatra, e deve ter entendido que o cachorro cantava igual o Blue Eyes…

Um belo dia, apareceram uns gringos na minha casa, em Petrópolis, com uma tradutora: Queriam porque queriam comprar o cachorro para apresentá-lo na televisão norte-americana.

Me ofereceram uma baba. Em dólares.

Eu nunca menti sobre o cachorro, eles é que chegaram e queriam levar o bicho. Me senti à vontade para fazer doce e disse que Frank Sinatra não estava à venda.

Eles faltaram é chorar. A tradutora implorou por eles e depois do preço quadruplicado ou quintuplicado eu acedi, desde que cuidassem bem do artista e o alimentassem com acém moído, que era o que ele mais gostava.

Eu disse que Frank estava na hora da sesta, ficaram de voltar no dia seguinte, e assim que eles saíram corri para a rua à procura do famoso animal.

Tive sucesso. Meia hora depois encontrei uma loja de bichos com uma tijela de ração e outra de água na porta, para alimentar os cães de rua e tive a certeza de que ali me dariam a dica.

Entrei e não deu outra. Me perguntaram se era um cachorro que uivava feio, eu disse que sim, me contaram que ele tinha acabado de passar por ali, me mostraram a direção e lá fui eu.

Logo vi Sinatra. Ele também me viu e escafedeu-se. Não queria voltar para casa. Meia hora de perseguição, consegui enganar o danado e peguei-o.

No dia seguinte eles vieram, levaram Frank Sinatra, felizes da vida, enquanto eu me sentava olhando a paisagem, tomando uma cerveja e contando o dinheiro da reforma da casa.

Ô, sorte!

Não sei direito o que aconteceu.

Na época, o xará do cachorro ainda estava entre nós, parece que fizeram uma apresentação de tv em rede costa a costa programando a apresentação dos dois, ao vivo.

Alguém me contou que quando Frank Sinatra abriu a boca para o dueto com Frank Sinatra, e se ouviu aquele uivo tão completamente desafinado, Frank Sinatra ficou muito ofendido com a palhaçada e processou a emissora, que está querendo desforrar em mim, em alguns milhões de dólares.

Meu advogado garante que não vai dar em nada, não teve contrato, e a coisa está rolando, agora é que chegou, anos e anos depois, na Corte Suprema e eu nem tchum.

Quem mandou não me pedirem uma audição antes?

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A JOANA DOS INFERNOS

Nikolai Hel, autoproclamando-se cidadão manauara da banda decente deste País, escreve intrigante texto no Jornal da Besta Fubana, traçando paralelo entre a legião dos 300 guerreiros que sob o comando de Leônidas enfrentariam o domínio persa e os 300 do Brasil, com tal abordagem que poderia parecer que ele estaria falando grego.

Mas não está.

Seu intento final, é claro, cuida de alçar Sara Winter à condição de heroína dos nossos dias, precisamente junho de 2020, governo de Jair Messias Bolsonaro.

Alega ele que quarenta e sete mil e seiscentos e noventa e nove eleitores de Jair Messias Bolsonaro não têm culhões, mas um deles, precisamente uma mulher, é que os tem: Sara Winter, ou seja lá como mesmo se chama a corajosa doidivana.

É que, segundo ele, o diabólico Hel(l), o Supremo Tribunal Federal estaria se achando.

Não é – pensa Nikolai – que o governo de Jair Messias Bolsonaro esteja metendo os pés pelas mãos, baixando atos autoritários, inconstitucionais, injurídicos e irregulares e, por isso, uma vez cutucado com varas curtas e compridas, ou agindo excepcionalmente por suas próprias conta e risco, o Supremo Tribunal Federal esteja proferindo decisões corretivas.

Não, para ele, Nikolai e seus seguidores que o embalam nos comentários feitos a suas teses, não é o presidente da república que está se julgando todo poderoso (certamente o noticiário, dominado pelos comunistas, exagera nas tintas sobre suas façanhas): É o STF, são seus ministros que se julgam Deus, e agora principalmente um, sem dúvida Alexandre de Moraes, que erra sem parar e cometeu a suprema injustiça de mandar prender a desacatadora e bombástica, em todos os sentidos possíveis e impossíveis do termo, Sara.

Essa visão, de que o STF está governando o País mediante o uso do poder judicante, destruindo as realizações de Jair Messias Bolsonaro, é a apreensão popularesca das coisas da qual a direita se utiliza, neste momento, para desacreditar esse Poder da república e encaminhar projeto de ditadura imposta por forças militares para que Jair Messias faça o que quiser para cumprir sua missão de salvar o Brasil.

Quer a direita, pela qual Sara Winter manda a polícia tomar no rabo, que o governo não fique amarrado (como um serviço público que não pode fazer compras sem ter de realizar licitações, que só atrapalham e atrasam a realização dos negócios).

É preciso deixar Jair Messias Bolsonaro trabalhar. A seu (dele) jeito, oras!

Muito adequadamente, na parte dos comentários, que se seguem ao texto, o autor traça paralelos entre a ação de Sara Winter e, por exemplo, a Sierra Maestra, de onde desceram Fidel e Che para tomar o poder em Cuba.

Aí está certo: se é disso que se trata, nossa heroína age corretamente, faz a revolução e a Praça dos Três Poderes é a trincheira a partir da qual ela assesta armas e conclama seus seguidores a derrubar os poderes que estão estorvando o governo.

Um pouco diferente da revolução cubana, ela não quer derrubar o governo, ela quer derrubar os outros poderes do governo, a bem dizer, as forças consistentes no Judiciário, e no Legislativo, que impedem que medidas provisórias prosperem, que nomeações se concretizem, que ações se completem, que a cloroquina prevaleça, que as aglomerações e o direito de ir e vir não sejam contidos, que alguma ação de cassação de chapa não prospere e que, afinal, não mexam comigo, minha família, meus amigos e minha base aliada, táoquei?

Então tá, é o seguinte:

Se o Estado de Direito deve ser mantido, ações ilegais devem ser combatidas, com inquéritos, condenações, multas, prisões e sejam quais forem as sanções que a lei imponha. E neste caso, seja winter, autumn, summer ou spring, é dura lex sed lex, no cabelo só gumex.

Ou chega, não dá mais, acabou a paciência e é a revolução, Joana D’Arc incorporou aqui e agora, encabeça as Forças Armadas, sob o comando de Jair Messias Bolsonaro, para estabelecer uma ditadura – e a História registrará a lenda da guerreira brasileira que derrubou a república.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

JAIR MESSIAS BOLSONARO RESISTE ATÉ 21 DE JULHO

Contratado para escrever, muitas vezes me faltaram ideias e eu entrava em desespero, procurava alguma coisa para copiar, discretamente, com o cuidado de mudar os nomes, para não ser processado por detentores de direitos autorais.

Até o dia em que fui.

E tive de deixar de fazer isso.

Aprendi, então, a reescrever textos alheios mudando as palavras, mas fui descoberto de novo e tive de parar.

Mas a falta de ideias me fez tentar outros recursos, como contar a mesma coisa de outro jeito e… incrível!

Não colou.

As pessoas são exageradamente apegadas aos seus direitos autorais, embora devessem preferir que os conhecimentos fossem mais amplamente difundidos em favor da humanidade.

Minha última tentativa foi pegar artigos estrangeiros, passar pelo tradutor automático, que é bem maluco, e assinar.

Enfim, também não funcionou, me ferraram de novo.

Mas, felizmente há pessoas de bom senso neste mundo, e o juiz me aconselhou:

– Quando tiveres de escrever e não tiveres um assunto para desenvolver, faça como eu, em vez de colar sente-se e comece a escrever, simplesmente comece a escrever – e verás como as palavras fluem como cascatas.

Aceitei o conselho.

E é assim que tenho escrito a maior parte dos textos que saem em minhas colunas jornalísticas, não preciso mais copiar de ninguém, simplesmente deixo brotar do âmago do meu ser.

Hoje, preciso escrever mais um texto para ser publicado e não tenho nada a dizer.

Começarei, então, usando o método milagroso:

Vejamos.

Há um mês, exatos trinta dias, creio, anunciei o que me indicaram forças ocultas: Jair Messias Bolsonaro cairia.

E isso aconteceria até hoje, data em que escrevo, 14 de junho de 2020.

Como o jornal é de uma desorganização total, nem imagino o dia que será publicado.

Venho esclarecer que houve um problema de interpretação de minha parte.

Eu cria que a queda seria do posto do governo, que Jair Messias Bolsonaro cairia do cargo de presidente da república.

Ele caiu, dentro do prazo.

Mas, como todos sabem, caiu mas foi no chão, em Goiás, no dia 5 deste junho, quando desceu do helicóptero.

Também pode ter havido um truncamento, da mensagem que recebi, com a data da queda da Bastilha – 14 de julho.

Agora, acabo de receber novas mensagens das forças ocultas.

Uma, diz houve um erro de pontaria e que quem caiu do cargo agorinha mesmo foi o Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida

Lamento o equívoco, Mansueto.

Vou pedir para se esmerarem mais.

Outra das mensagens afirma que Jair Messias Bolsonaro obteve das forças ocultas uma prorrogação, que ele não passa do pico do seu inferno astral, que garantiram que se dará em 21 de julho, podendo esse pico ocorrer antes, dependendo apenas da atuação de seu ministro da falta de educação.

Fica então o dito pelo não dito.

Está valendo a nova previsão.

Me cobrem.