GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A SURUBA MARXISTA NA VISÃO DA DIREITA CONSERVADORA

Dedicado ao amigo Adônis

Contrariando o pensamento da direita conservadora e, por vezes, fascista (fascista quando se imbui de valores preconceituosos, como os homofóbicos, racistas, misóginos e xenofóbicos, autoritários e armamentistas, apego a políticas excludentes, exarcebamento nacionalista e religioso, dentre outros atrasos mentais), tenho defendido que a aparente piora do ensino no Brasil tem, dentre outras, causa na expansão do acesso à escola.

Quando antes os que podiam frequentar os níveis médios e superiores eram quase exclusivamente os jovens vindos das classes mais altas da sociedade, trazendo do lar a educação, os conhecimentos e a sofisticação social, e que tinham a seu dispor os recursos para frequentarem as melhores escolas, adquirirem livros e demais materiais de alto custo, fazerem complementação no exterior, e outras vantagens, os professores se deparavam com alunos de boas bases, atuais e anteriores.

Com a abertura dessas escolas e universidades aos mais pobres, alguns fenômenos ocorreram: ampliação do número de escolas e de vagas, aumento da demanda de professores, diminuição dos recursos didáticos e relativa pulverização dos recursos financeiros, com queda na qualidade dos docentes e também dos alunos, o que redundou, por comparação, em acreditar-se que os jovens das universidades se tornaram menos inteligentes.

Tendo feito essas observações, fui entendido como defensor de que “que todo o tipo de retardado mental tem “Direito” de estudar em faculdade, e que nós temos a “Obrigação” de sustentar esta malta de jumentos a pão de ló” (Adônis Oliveira).

Oquei, isso também! Mas, como expliquei, não é esse o conteúdo do que defendo, embora seja fato que sou favorável ao acesso à escola, inclusive universidades, por quem queira e não apenas, como a.L. (antes de Lula), apenas por quem possa – o que fatalmente incluirá os menos aquinhoados por coeficiente de inteligência.

Cabe às instituições e aos professores enfrentar essa singularidade decorrente de políticas inclusivas e da melhor distribuição da riqueza nacional, no sentido inverso do abandono dos jovens pobres a sua própria sorte.

Isso posto, pretendo comentar o robusto artigo DEMOCRACIA E LIBERALISMO que o antes citado Adônis Oliveira publicou no Jornal da Besta Fubana do dia 10 de janeiro de 2021, na sua coluna Língua Ferina (e como!), e que me deu a honra de dedicar a mim.

Em comentários a esse texto, ele garante que “a gênese deste artigo se deveu ao fato do Goiano” (eu, que assim fui batizado) ter tentado me convencê-lo de que todo o tipo de retardado mental tem direito de estudar em faculdade, e que os professores e a sociedade têm a obrigação de sustentar tal “malta de jumentos a pão de ló”.

Aquele autor assegura que eu distorci “brutalmente as palavras de nosso Mestre Jesus, quando este disse: – Bem aventurados os pobres de espírito!”; e que, segundo eu, os “pobres de espírito” seriam os imbecis, os idiotas, os parvos, mentecaptos, e todos os demais tipos de retardados mentais; e completa: “seara preferencial onde os comunas vão amealhar neófitos para a maldita seita satânica deles, quando o sentido dado pelo Mestre foi de humildes, simples, modestos”.

Quem está acompanhando já percebeu que quem distorceu as coisas foi Adônis Oliveira, porque eu não disse o que ele disse que eu disse, isto é, eu defendo, como esquerdista que sou, o acesso ao ensino superior de todos, inclusive os pobres, de espírito e de dinheiro – sejam humildes, simples, e modestos ou não (passo a bola a Adônis no que ele a meu respeito disse: “Esta é a tática principal dos sofistas: Distorcer o sentido das palavras ou usar-lhes seu duplo sentido”)…

Também almejo, ainda como esquerdista que sou e insisto em classificar-me, que as classes mais pobres possam voltar a tomar iogurte, comer frango e andar de avião, dentre outros direitos que lhes são recusadas ou escamoteadas.

Continuando:

Adônis, como transcrevi acima, diz que a seara preferencial onde “os comunas” vão amealhar neófitos para a maldita seita satânica deles são os imbecis, os idiotas, os parvos, mentecaptos, e todos os demais tipos de retardados mentais. 

Primeiro, considerar o comunismo uma seita satânica é para mim algo inédito, haja força de expressão.

E, por último, imagino que, na visão comum, em razão de “onde” se disse que os seguidores do comunismo são amealhados, os comunistas são imbecis, idiotas, parvos, mentecaptos e retardados mentais – os quais, por sua vez, concluo, na visão adonisíaca, são os atuais estudantes das universidades que a esquerda pôs para dentro, ao ampliar o acesso dos pobres ao ensino.

Adônis não pensa só isso dos comunistas: depois de fazer um interessante apanhado da filosofia sofista, bem útil para fins didáticos, ele jura por Deus do céu que o progresso visado pelos comunistasé o retorno a formas de produção artesanais, formas de governo tribais e formas de contratação sexual animalescas, mais assemelhadas a uma verdadeira suruba, onde pais copulam com filhas, irmãos com irmãs, a dois, a três, a quantos quiserem e bem entenderem, crianças com adultos, todas as aberrações sexuais passam a ser meras “opções”, sendo a paternidade desconhecida e desnecessária, já que a “comunidade” (o Estado) deverá cuidar de todas as crianças e os homens passam a ser meros “doadores de esperma”.

Assim, O Capital, do Marx, passou a ser considerado um manual de sacanagem e a vida na antiga URSS e atualmente em Cuba, na China e na Coreia do Norte é uma total putaria.

Ando muito preocupado.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

TUDO ACABOU-SE EM CHURRASCO

Josimar tinha um gatinho. Lindo. Era o seu xodó. Raça boa, vistoso, grande amigo, vivia no colo, se esfregando, todo dengoso.

Quando Josimar chegava, ele vinha todo feliz dar as boas vindas, parecia um cachorro.

Josimar carregava o Xodó – esse era o nome do gato – até para o banheiro, para não deixá-lo sozinho um minuto sequer enquanto estivesse em casa.

Chegava do trabalho, mal entrava e o gato pulava no seu colo. Posto no chão, andava trançando-se pelo meio das pernas do dono, miando de felicidade.

Um dia, Neuzinha lhe perguntou: – Se tiver de escolher, fica com eu ou com Xodó?

Neuzinha espera a resposta até hoje.

Pois, Josimar tem, ou tinha, um grande amigo.

Amigo que era unha e carne com ele desde a adolescência.

Iam para bailes, botecos, praia, o que fosse, juntos. Tanto que acabaram se casando com duas irmãs, Neuzinha e Juracinta.

Um dia, Jair entrou e pediu:

– Josimar, me empresta Xodó?

– Ôxe! Disse Josimar. Onde já se viu emprestar gato?

Jair explicou:

– Amigo, minha casa está Infestada de rato. Vejo que aqui não, eles não se atrevem, porque tem Xodó, que já vimos muitas vezes carregando ratos na boca.

Josimar relutou, mas emprestou Xodó, por uma semana, uma semana, viu?

Pois, Jair levou o gato, a semana passou e nada. Josimar perguntou, Jair disse que ainda tinha ratos, para deixar mais um pouquinho.

Quinze dias, vinte, um mês, Josimar começou a ficar impaciente.

Tinha uma saudade danada de Xodó, se emocionava pensando que o gatinho também estaria sentindo a falta dele.

Já estava para dar um ultimato, quando Juracinta veio ver a irmã e sem querer falou que Jair tinha comido Xodó.

– Chiii, sabia não, Neuzinha? Jair não pode ver um gato. Ele tinha me dito que ia pedir para Josimar dar o gato para ele, que pediu e Josimar deu…

– Tu é besta, mulé! Josimar vai é ficar uma fera.

Não deu outra. Neuzinha contou para ele, que pegou o revólver e saiu que nem um louco.

Foi entrando pela casa de Jair, lhe apontou o trinta e oito e avisou se tu num me diz onde tá meu Xodó tu vai morrer seu safado. Tu comeu meu gato, né? Apois ajoelha e reza.

Nisso, Josimar ouviu um chiado, pensou… será que é Xodó?

Jair respondeu que não, era coisa chiando no fogo.

Josimar então perguntou que cheiro é esse, parece carne assando. Sua boca encheu-se de água.

– Que porra é essa, Jair?! Ele perguntou.

Jair, ajoelhado, respondeu que estava assando o Relâmpago.

– Como assim? O Relâmpago? O cachorro do Doutor Enéias?

– É, respondeu Jair.

Josimar guardou a arma na cintura e foi em direção ao cheiro.

Tinha cerveja, caipirinha e o cachorro assando.

– Tu num tem jeito mesmo, né Jair?

As mulheres, Neuzinha e Juracinta, entraram correndo, esbaforidas e assustadas, a tempo de ver cada um pegando uma cadeira, um prato, arroz, farofa, vinagrete.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O MITO, A CLOROQUINA, A IVERMECTINA E A GASOLINA

Vários estudos realizados sobre o uso de Cloroquina, Hidroxicloroquina e Ivermectina concluíram que o vírus Covid 19 apenas é eliminado quando usados esses remédios “in vitro” (em tubo de ensaio), isto é, em laboratório, quando o medicamento é lançado “diretamente” sobre o vírus em um recipiente neutro.

Nesse caso, isto é, de experimentos em tubos de ensaios, muitos outros produtos eliminam o vírus, como o cloreto de sódio, o detergente, o sabão e até a gasolina, sem que isso indique que os componentes desses produtos possam ser usados como remédios profiláticos ou curativos na prevenção ou cura dessa doença.

Quanto às “curas” verificadas pela observação, os pesquisadores informam que elas não são conclusivas, uma vez que mais de noventa por cento das pessoas contaminadas se recuperam, independente de estarem fazendo uso de algum medicamento ou não.

Assim, as pessoas que afirmam “eu me curei usando isso ou aquilo” ou que dizem “conheço vinte pessoas que se curaram usando Ivermectina, ou Cloroquina”, servem-se dessa constatação observacional para reforçar sua crença na eficácia do medicamento – crença que acaba sendo ainda mais reforçada pela opinião de médicos, que acreditam nesse tipo de prevenção ou cura, e na palavra de uma autoridade, como um presidente da república.

Jair Messias Bolsonaro manifestou sua crença nos poderes de ambos os medicamentos para prevenção e cura da Covid 19, de modo que os apoiadores dele tendem a incorporar toda a ideologia bolsonarista a seus sistemas de crenças e escalas de valores, para “não perderem a razão” e manterem a fé em seu modo de ver o mundo.

Se o crente nos poderes desses medicamentos resolvessem fazer uma pesquisa nas publicações disponíveis, verificariam que há pessoas que os usaram como preventivo e foram contaminadas e dentre os que foram tratados com Cloroquina ou Hidroxicloroquina há os que morreram, sendo que os que se curaram, ou não tiveram a doença, podem se contar entre os que têm imunidade natural ou que se curariam com ou sem o seu uso (lembre-se: mais de 90% dos contaminados se curam, aparentemente de forma natural, isto é, independente de terem ou não usado algum fármaco).

Uma triste curiosidade a esse respeito é que o próprio criador do “Kit Covid”, que continha Cloroquina e Ivermectina, o médico Dr. Guido Céspedes, morreu da doença após longo período de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Infelizmente, consta do noticiário a existência de outras infecções e mortes por pessoas e pacientes que fizeram uso dos medicamentos recomendados por Jair Messias Bolsonaro.

Aliás, como ele mesmo havia garantido que, caso adquirisse a doença, ela não passaria de uma gripezinha nele, dada a sua compleição atlética, é de crer que sua cura se deu por seu vigor imunológico e não por ter feito o uso da Cloroquina.

Assim se forma um mito.

Pois bem, os defensores desse uso tentam colocar na parede os que, como eu, duvidam da eficácia desses medicamentos, em face dos fatos e dos dados científicos, perguntando-me: Se pegares o Covid 19 deixarás, então, de fazer uso desses remédios?

Minha resposta pode ser sim ou não, não sei, a oportunidade e os médicos decidirão, mas a verdade é que se eu aceitar usar, ou não, essa decisão particular minha não alterará o fato científico, que é o de que a ciência considera que Cloroquina, Hidroxicloroquina e Ivermectina são inócuas para a Covid 19.

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VAI DE TREM!

Indo à Holanda, de ônibus.

Saímos de Paris à noite, o ônibus parou em uma lanchonete na estrada para café, banheiro, esticamento de pernas, não nessa ordem, porque a necessidade primeira, mais premente, era de alongamento, por causa do ônibus desconfortável, apertado, com muita gente grandalhona, não dava nem para mover a poltrona para uma posição mais deitada.

Quem diria! Europa, era de se esperar mais conforto!

A viagem estava sendo meio assustadora, porque os rapazes, enormes, bebiam muito, parecia que usavam drogas, começavam a ficar desagradáveis.

Os comentários eram de que muitos jovens estavam aproveitando as festas do aniversário da rainha da Holanda para irem a Amsterdã e se drogarem.

Precisávamos sair daquele ambiente apertadíssimo para relaxar e para usar os toaletes, tomar um cafezinho e seguir viagem.

Das excursões que fizemos, essa seria uma das mais atrapalhadas, nada dava muito certo, volta e meia acontecia algum problema.

Pois, foi descer do ônibus e entrar na lanchonete para dar mais um enguiço: tentei comprar alguma coisa nas máquinas automáticas, a máquina comeu a moeda de dois Euros, não entregou a mercadoria, tentei usar o mecanismo de devolução do dinheiro, mas nada. Apelei para a ignorância, como vemos nos filmes, dei-lhe umas pancadas, chutei, esmurrei e nada aconteceu.

Fui ao balcão, reclamar do problema com os entraves da língua estrangeira.

A moça disse que não podia fazer nada.

Como assim? Então chama o gerente. Veio o gerente que disse ”não podemos devolver o dinheiro, porque as máquinas não são nossas”. Ora, mas eu é que não posso ficar no prejuízo, as máquinas estão dentro do seu estabelecimento, vocês tem que ser responsáveis. Mas não somos, os responsáveis têm o nome, o endereço e o telefone escritos nas máquinas para reclamações, vocês tem que falar com eles. Como assim? De madrugada, no meio da estrada, em trânsito por vários países, vou telefonar para reclamar alhures por uma moeda? Pois bem, só por desaforo, onde está o número do telefone? Vamos ver. Ah, não! O telefone é em Marselha, vocês estão brincando! Deixa para lá! Nunca mais vou usar essas máquinas para comprar o que quer que seja.

Mas, como “nunca mais” é muito tempo, eu iria ainda por duas vezes, em estações de metrô de Paris, tentar comprar refrigerantes nas malditas e perder meu dinheiro.

Portanto, fiquem sabendo, para não passar raiva: evitem comprar salgadinhos, doces e refrigerantes naquelas malditas máquinas!

Não vou perder o tempo de ninguém relatando o drama que foi, no início da viagem, entrar no ônibus em Paris, em uma noite fria, cujos lugares não são pré-determinados e com a multidão aglomerada na porta da viatura, todos tentando entrar primeiro.

Nessas horas, mesmo a educação européia dá lugar ao salve-se quem puder.

Também não vou falar da via-crucis na chegada à Holanda para a disputa das acomodações, nem vou reclamar do apartamento acanhadíssimo do hotel escolhido pela agência, nem do fato de que na volta a Paris (entre a saída do hotel, com o vencimento da diária, e a entrada no ônibus, que ainda por cima atrasou mais de hora para chegar no ponto de encontro) tivemos que ficar onze horas zanzando sem rumo para passar o tempo.

E nem vou lembrar de outros incômodos dessa viagem, porque, afinal, valeu a pena e superou tudo o fato de termos conhecido Amsterdã, termos visitado algumas cidades do interior da Holanda e termos conhecido Haia, onde nosso Rui Barbosa se elevou como uma águia nos céus do Velho Mundo.

Só vou dizer que, para não faltar mais nada, choveu, e este andarilho passou um frio do cão naquelas ruas encharcadas da linda cidade.

Está certo, não foi um mar de rosas essa viagem, mas foi um mar de tulipas, plantações quilométricas delas, de todas as cores, lindas, maravilhosas, pelos campos cortados pelas estradas por onde passamos.

E vimos os moinhos de vento. E o trânsito das bicicletas; e a fabricação dos tamancos típicos holandeses de madeira; e degustamos os queijos; e andamos de barco pelos canais com o povo jogando ovo em cima da gente; e nos misturamos à multidão no verdadeiro carnaval que é a festa de aniversário da rainha.

Assim foi a aventura na Holanda. Próxima viagem a planejar: Londres!

Na Holanda, foram só três dias que ficarão na nossa memória para nos alertar: – Não vão a Londres de ônibus! Esqueçam a companhia de turismo, vão por conta própria, vão de trem, pelo túnel sob o Canal da Mancha! Escolham o quarto de hotel que vão ficar! Não confiem nas escolhas da companhia de turismo baratinha.

Depois de tudo isso era de se esperar uma lição aprendida, mas Londres nos aguarda e só a passagem de ida e volta pelo Euro$tar, o trem maravilhoso, fica várias vezes mais cara do que todo o pacote turístico baratinho, que inclui o transporte de ônibus de ida e volta, hotel com banheiro no quarto e café da manhã, mais um tour bem safadinho pela cidade…

Londres! Lá vamos nós!

De ônibus de novo! A gente até aprende, mas a grana é curta, como sempre!

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FASCISTA? QUEM? EU?!

Em tempos de acusação de fascismo, a torto e a direito, o colunista fubânico Maurício Assuero interpõe uma observação pertinente:

– Acho que as pessoas falam sobre fascismo sem saber o que é.

Em seguida, acrescenta:

– Sugiro consultar o dicionário político de Noberto Bobbio para entender que este País jamais será fascista. A primeira coisa é obediência a um partido único. É fácil?

Creio que a questão levantada (ou as questões) parte da visão que as esquerdas, ou principalmente os esquerdistas, têm de nosso presidente Jair Messias Bolsonaro.

Porém, a compreensão de que existe um ambiente fascista na direita brasileira, capitaneada pelo indigitado chefe da Nação, não se atém ao fascismo institucionalizado, isto é, de transformação do regime ou sistema político brasileiro em um Estado fascista, com as características da Itália de Mussolini, às quais Bobbio e Assuero se remetem.

É que aqui e agora o termo “fascista” é dirigido às pessoas que abraçaram uma visão do mundo repleta de preconceitos.

A palavra “fascista”, alheiada do fascismo institucional, tem neste momento histórico um significado estendido.

Repetindo o que dizíamos, não se trata de um partido ou movimento político com as características mais ou menos exatas da prática de Mussolini, como conceitos de raça e nacionalismo extremado, repressão radical a qualquer oposição política, estado comandado por um ditador, na acepção original, ou em sentido estrito.

Trata-se de muito disso, de modo que esse sentido abrange um governante autoritário, ainda que não um ditador naquele sentido.

Quanto à questão racial, sim, mantém-se como um dos componentes, pelo preconceito retrógrado generalizado, contra negros, índios, mulheres (misoginia), estrangeiros (xenofobia “localizada”, no nosso caso contra Cuba, Venezuela, China, Coréia do Norte e até Argentina, ou seja, qualquer país que tenha laços com o socialismo).

Podemos acrescentar a repulsa agressiva à homossexualidade.

No nosso “modelo fascista”, o nacionalismo extremado também está presente no “novo conceito de fascismo”.

Agreguemos a religiosidade extremada, fanatisada, e a adesão a princípios rígidos de constituição da família e de moral (do tipo meninos vestem azul e meninas cor-de-rosa).

Por fim, o autoritarismo no lugar da ditadura e a repressão aos opositores, como na interferência em instituições do Estado, no cerceamento à liberdade de imprensa, na agressividade contra os que têm opiniões e visões políticas divergentes.

Nosso presidente traz tudo isso e mais alguma coisa aos seus seguidores, sendo que mesmo as pessoas que não têm a apreensão conceitual pormenorizada, detalhada, explicada, do sentido do termo “fascismo”, sociologicamente e historicamente, sabem do que ora trata, percebem que esse verde-amarelismo, esse bater no peito por Deus e Família, esse autoritarismo latente e demais componentes do quadro formado, que vemos e que vivemos, é “coisa de fascista”.

E a configuração do fascista inclui, neste momento crucial, certos penduricalhos que ajudam a completar o quadro: o fascista não reconhece seus preconceitos e nem vê outros componentes do fascismo existentes em si como coisas ruins, pelo contrário, defende com peito estufado suas crenças.

Fascista é, assim, aquele que diz que bandido bom é bandido morto como se isso fosse parte de uma filosofia elevada de proteção da sociedade.

Encarnando a tipologia, o fascista vai fazer guerra a certos jornais, rádios, tevês, mídias em geral, acusando-os de serem o que a sociedade mais teme, como de serem comunistas e terroristas (e essa acusação tem sido feita a quem dá as verdadeiras notícias relativas à epidemia pela qual passamos): o fascista desejará que essas mídias sejam eliminadas, propondo cerceamento à liberdade de imprensa que juram defender, simplesmente porque essa mídia está dando notícias que não estão de acordo com a filosofia fascista do seu líder, que garante que Covid 19 é uma gripezinha, que somos maricas, que máscara é bobagem, que isolamento social é coisa de frouxos e que está morrendo muito mais gente de outras coisas do que da tal doença e por aí vai.

O fascista também quer fechar o Supremo Tribunal Federal, porque os magistrados eventualmente julgam diferente das convicções dos fascistas.

Para o fascista, índio não precisa de tanta terra.

E o fascista opõe, aos defensores de nossas florestas, o argumento de que na Europa queimam as florestas mas só reclamam da Amazônia.

E garantem os fascistas que direitos humanos têm de ser só para as pessoas boas.

Para afirmar sua macheza, fascistas dizem que os ambientalistas são uns fresquinhos.

Fascista? Eu?

Sim, talvez. Responde você mesmo, sabendo que aderir a isso aí é ser fascista.

És um fascista se defendes ideias fascistas, se segues políticas fascistas, se apoias fascista ou fascistas – o quadro está exposto.

Basta vestir a carapuça.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

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EURO DANDO DE SETE A UM É COVARDIA

Eu tinha acabado de chegar de Paris em dezembro de 2019.

Paris é um sonho; não precisas ser rico para maravilhar-se com a cidade, basta ter um lugar modesto para ficar e o suficiente para a alimentação: andar pelas ruas, pela beira do Sena, respirar a História da civilização, encher os olhos de arte, visitar os museus nos dias de entrada liberada, perambular pelos parques e jardins, coisas simples assim.

No meu caso, além dessas atividades procuro fazer algum curso que enriqueça, não currículo, a cultura e a profissionalização.

Somados os períodos, morei na Cidade Luz por uns quatro anos bem vividos.

Pois, desembarco no Rio de Janeiro e tão logo possível sento-me à mesa de um bar para o bate-papo bem brasileiro: política, futebol e religião.

Logo um dirá, irritado com minhas posições políticas: – Por que em vez de Paris não vais para Cuba?

Meu primeiro impulso é mandar à, ou para.

Mas me contenho e tento explicar que, primeiro, ser esquerdista não significa ser comunista; e, segundo, que minhas viagens não são frequência a cursos de ciência política.

Acabo deixando essa discussão para lá, esperando a próxima bravata.

Não tarda: – Vocês querem transformar o Brasil em uma Cuba ou em uma nova Venezuela.

Pergunto: – Será? A esquerda ficou quase quinze anos no poder e não conseguiu. Conseguirá em mais quatro?

A lógica não produz efeito, logo vem a garantia de que as esquerdas tomaram conta das escolas e que seguindo o método gramsciniano “eles” vão comendo pelas beiradas, corrompem a juventudes com o ativismo ideológico e é preciso lutar por algo como “escolas sem partido”.

É preciso, dizem, que as pessoas vão à escola para estudar e aprender, não para serem doutrinados e virarem comunistas, maconheiros e boiolas.

A contestação de que a formação política também deve começar ali, na escola, que é das universidades que sairão as lideranças da sociedade, não sensibiliza: – Escola é para aprender matemática, ponto final.

A conversa envereda por assuntos de segurança; e quando defendo prisões mais humanas sou convidado a levar um assassino, ladrão ou estuprador para a minha casa e cuidar dele com carinho.

A falácia chega ao seu ponto alto quando procuram me encostar na parede e me perguntam: – E se fosse com a tua filha?!

Tento explicar algo sobre direitos humanos e me dizem que direitos humanos aqui são só para bandidos, que quando um policial é assassinado as entidades de direitos humanos não se manifestam e que quem tem de ter direitos humanos são as pessoas boas.

Tento esclarecer, em vão, que as entidades de direitos humanos têm como foco a defesa das pessoas, sejam pessoas bandidas, sejam pessoas boas, contra abusos praticados pelo poder público, de modo que se um policial for assassinado mediante violência praticada pelo Estado essas entidades agirão contra tal ação desrespeitadora de direitos humanos.

Cheguei de Paris e vou precisar compreender tudo isso e mais: que meninos vestem azul e meninas rosa (tento desviar meu pensamento para Caymmi, Rosa, morena, morena Rosa), mas será preciso que eu compreenda, ainda, para que índio quer tanta terra e que eu aceite que os ambientalistas são apenas uma cambada de boiolas.

Percebo que a hora é de cantar que eu preciso saber da Ivermectina, da Cloroquina, baby, eu sei que é assim ou estarei assado.

Enquanto divago, mais um se senta a meu lado e me explica que o isolamento social é um plano para acabar com as economias e destruir o capitalismo e que a China fez o vírus em laboratório e o disseminou para dominar o mundo.

Outro provoca: – Vamos tirar a máscara e ir para as ruas, adquirir imunidade de rebanho, já está provado que a pneumonia mata mais do que esse vírus que está aí.

Vejo nas mesas em volta pessoas assegurando que tortura é necessária para o bandido abrir o bico, que tem de fazer igual lá onde tem pena de morte e por isso não tem esse negócio de corrupção, que mulher tem de ganhar menos porque pare, que tá pegando fogo nas matas lá na Europa e ninguém fala nada, que isso não dá no jornal, que a Globo é comunista, que pobre não quer trabalhar, que ajuda do governo é incentivo para vagabundo…

Minha cabeça gira, sou minoria, estou só, imprensado em um canto pela família, tradição e propriedade; não sei se bebi demais, mas chego a ver Deus, enrolado na bandeira nacional, me apontando um dedo de reprovação.

Contudo, me seguro, agora é aqui, nada de Paris, mesmo que quisesse, fronteiras fechadas, Euro a sete reais… e não quero! Nem Cuba, nem Venezuela, nem Miami, nem Paris.

Assim como Leonardo Padura ama os cães e ama a sua terra e apesar de tudo de lá não sai, eu amo o meu chão e vou ficar aqui, resistindo, daqui ninguém me tira, nem eu, nem meus cachorros!

A não ser que com a vitória de Joe Biden o Euro caia lá das alturas e venha para um precinho normal, porque aí eu vou. Mas volto. Vou e volto, vou e volto.

Paris é i-rre-sis-tível!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A VACINA É UM NEGÓCIO DA CHINA?

As vacinas salvam milhões de vidas todos os anos.

No mundo inteiro, estima-se que cerca de três milhões de pessoas deixam de morrer por sarampo, poliomielite (paralisia infantil), rubéola, coqueluche e tétano, mas a quantidade total de pessoas salvas é incalculável se forem consideradas outras doenças, como gripe e tuberculose, febre amarela e dengue, meningite e hepatites, por exemplo.

Só a gripe (influenza) infecta cerca de um bilhão de pessoas por ano, causando centenas de milhares de mortes (entre 300 e 600 mil), apesar das campanhas de vacinação.

Também em torno de setecentas a oitocentas mil crianças deixam de ficar inválidas ou paralíticas graças à imunização, que costuma ser obrigatória para elas.

Além da vacinação de humanos, nossas vidas também são salvas pela vacinação maciça (obrigatória) de animais, como o gado, bovino, equino, suíno, aves e cães, pois sem a imunização eles nos transmitiriam enfermidades fatais ou incômodas – e certamente outros milhões de vidas humanas deixam de ser ceifadas por esse benefício indireto das vacinas.

Por isso, a expressão “negócio da China”, que se aplica a transações muito vantajosas, se ajusta ao uso das vacinas, chinesas ou não.

VACINAÇÃO OBRIGATÓRIA OU FACULTATIVA

Uma das discussões mais acaloradas do momento é a da obrigatoriedade, ou não, da vacinação da população brasileira contra a Covid 19.

Os que são a favor alegam que se trata de medida necessária para a proteção de toda a sociedade, uma vez que qualquer pessoa que deixe de vacinar-se poderá ser o vetor para a permanência do vírus em atividade no meio social, continuando a causar óbitos que, no Brasil, já chegam em outubro de 2020 a quase cento e sessenta mil, com aproximadamente cinco milhões e quinhentos mil infectados.

E esses, a favor, garantem que a Constituição, nos dispositivos relativos à proteção da saúde, dão sustentação à possível obrigatoriedade, de modo que uma interpretação sistemática, com foco no dispositivo de que ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, permite a criação de lei nesse sentido.

E tanto que, dizem, leis já existem nesse sentido, inclusive a assinada pelo presidente da república neste ano de 2020 (14.035) , dando poderes “às autoridades, no âmbito de suas competências”, para, dentre outras coisas, determinar a realização compulsória de vacinação.

Os que são contra a vacinação obrigatória afirmam que são donos do próprio corpo. Dizem que a obrigatoriedade fere a liberdade individual garantida pela Constituição, embora haja leis que criam limites a liberdades individuais em favor do bem coletivo e da vida.

Têm, contudo, certa razão ao se rebelarem contra a obrigatoriedade de vacinas pouco testadas, de eficácia e efeitos colaterais postos em dúvida pela quebra de protocolos, pela queima de etapas, uma vez que em geral as vacinas levam vários anos para serem produzidas com segurança, o que não está acontecendo com a da Covid 19, que vem sendo objeto das pesquisas há apenas alguns meses.

Dando-lhes força está a garantia de Jair Messias Bolsonaro de que é ele quem manda e que a vacina não será obrigatória.

SOLUÇÃO INTERMEDIÁRIA: VACINAÇÃO OBRIGATÓRIA “PARA O GOVERNO”

Talvez fosse possível estabelecer que o governo é obrigado a vacinar toda a população e que quem não quiser ser vacinado deve recusar-se por escrito, comprometendo-se a lavar as mãos várias vezes por dia, higienizar-se com álcool gel, usar máscara direto e nunca mais sair de casa, enquanto o vírus ainda estiver andando por aí.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

O PATRONO DA EDUCAÇÃO AO GOSTO DE BOLSONAROS

Há diferenças entre militante de esquerda e pensador de esquerda.

Um “militante de esquerda” é aquele que luta, ativamente, pelas causas da esquerda.

O objetivo do militante é convencer, obter adesão, fazer com que a esquerda (qualquer esquerda) alcance o poder e se torne a força dominante da sociedade para alcançar os objetivos que essa esquerda pretende realizar.

O pensador de esquerda não é, necessariamente, um militante: ele procura compreender quais são as forças ideológicas em ação na sociedade para estabelecerem a forma de atuação política, econômica, social e, até, filosófica, por assim dizer, com vistas a obter os resultados que essas forças consideram que devem ser adequados para administrar o Estado (país ou nação).

A partir daí, ele manifesta seu pensamento pelos meios possíveis e disponíveis, escrevendo livros, artigos em publicações, dando entrevistas, ministrando aulas, estabelecendo teses, criando teorias, com o objetivo de ampliar o conhecimento humano.

Não estamos dando um valor positivo ou negativo ao pensador, porque suas ideias podem ser úteis, adequadas e convenientes, ou não.

Por exemplo, Paulo Freire e Olavo de Carvalho.

Ambos podem, eventualmente, em campos radicalmente opostos, terem produzido ideias, o primeiro à esquerda, o segundo à direita, de alguma utilidade para o respectivo reforço ideológico.

O militante é aquele que “fechou” o seu pensamento, suas convicções estão estabelecidas e ele sai em campo para a luta de obter adesão.

Embora ambos, pensador e militante, acabem tendo pontos em comum, quando sua filiação a determinadas ideias coincidem, o pensador é o criador e o militante o operário.

Para o pensador Olavo de Carvalho, conservadorismo significa fidelidade, constância, firmeza e “não é coisa para homens de geleia”.

É esse um exemplo de pensamento a respeito da política de direita, que dá sustentação ao militante para que vá em busca de outras pessoas que não sejam de geleia e que, assim, se encantem com o conservadorismo.

Para o pensador Paulo Freire, desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estaremos ajudando nossos filhos a serem sérios, justos e amorosos da vida e dos outros.

É esse um típico pensamento de esquerda, embora não a traduza nem resuma, pois põe em evidência os poderosos em relação aos mais fracos e preocupa-se com aqueles que a sociedade discrimina, como índios, negros e mulheres, cujo militante sairá às ruas para granjear a simpatia dos que sejam de geleia.

Falamos, então, do pensador de esquerda que foi Paulo Freire.

Muitos têm a falsa visão de que a pedagogia de Paulo Freire se resume ao método de alfabetização que, unindo o ensino da leitura às circunstâncias da vida do alfabetizando, leva o indivíduo a pensar sobre a (sua) realidade, de tal modo que ao invés dos então tradicionais métodos que levavam o indivíduo a, sim, aprender a ler, mas desvinculada essa leitura de questões sociais, seu método fazia e faz uso de palavras ligadas ao meio social do educando – mas não só isso.

A pedagogia de Paulo Freire vai muito, muito além da alfabetização, sempre preocupada com a conscientização dos estudantes e dos professores, com a dignidade humana, com a ética e a moral – com os valores humanistas, enfim.

Seu esquerdismo reside, precisamente, no fato de levar o indivíduo a pensar, a pensar sobre si, sua situação no mundo, sobre a justiça, sobre a opressão, sobre as transformações individuais e sociais necessárias a sua emancipação.

Um dos perigos da aplicação da Pedagogia do Oprimido reside no fato de que ela tem caráter político, libertador, conscientizador – o que estabelece tal diferencial da metodologia de Paulo Freire com outros métodos educacionais.

“Paulo Freire, em sua obra, critica as formas de ensino tradicionais. Defende uma pedagogia fundada na ética, no respeito, na dignidade e na autonomia do educando. Questiona a função de educador autoritário e conservador, que não permite a participação dos educandos, suas curiosidades, insubmissões, e as suas vivências adquiridas no decorrer da vida e do seu meio social. Coloca vários argumentos em prol de um ensino mais democrático entre educadores e educandos, tendo em vista que somos seres inacabados, em constante aprendizado. Todo indivíduo seja educadores ou educandos devem estar abertos a curiosidade, ao aprendizado durante seu percurso de vida. Nesse sentido destaca a importância dos educadores e suas práticas na vida dos alunos”.

Para ele, “Ensinar não é transferir conhecimento”, e Marcelo Ricardo Camara Nalin analisa os ensinamentos de Freire para concluir que ele lecionava que é preciso respeitar a autonomia e a identidade do educando e que para passar conhecimento o educador deve estar envolvido com ele, para envolver os educandos, e deve estimular os alunos a desenvolverem seus pensamentos, argumentando que dessa forma é possível o desenvolvimento da crítica e do “pensar certo”.

Não pretendo, aqui e agora, desenvolver monografia a respeito do pensamento, da obra e da vida de Paulo Freire, apenas destacar, em face de inúmeras críticas aparentemente injustas quanto ao seu trabalho, que convém estudá-lo com mais profundidade e situá-lo no seu momento histórico, para avaliar a sua importância – que o nomeou Patrono da Educação Brasileira.

Certo que esse título foi concedido em pleno governo de esquerda, em 2012, quando Dilma Roussef era presidente da república, de modo que hoje, outubro de 2020, em pleno governo de direita de Jair Messias Bolsonaro, não se vê como improvável que o título lhe seja cassado e uma outra lei torne Olavo de Carvalho o novo detentor do título de Patrono da Educação Brasileira.

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A TERCEIRA CULTURA POPULAR EM PEQUENAS DOSES – EPÍLOGO

Nas duas colunas anteriores, fizemos um apanhado da primeira parte da exposição que executamos, em 10 de setembro de 2020, no Canal de TV Besta Fubana, sobre a cultura popular brasileira, que é rica em música, pintura, prosa e verso, mas ficou para hoje o final, o miolo, o cerne, o mérito, a coisa em si mesma, que era o ponto central da palestra sobre letreiros de para-choques de caminhão, ocasião em que os institutos de pesquisa e os sistemas hospitalares registraram milhares e milhares de acessos por quem assistiu.

Como eu não me sentia apto a falar sobre o assunto, chupei tudo do Aristeu Bezerra, nosso colega do Jornal da Besta Fubana, que tem uma coluna, a Cultura Popular, que apresenta relâmpagos, ou flashes, da sabedoria do povo.

Uma coisa muito interessante é o resumo das coisas da vida que os motoristas de caminhão expressam e espalham no mundo pelas estradas.

Vejamos:

A) FILOSOFIA FILOSÓFICA:

1) “Até as flores dependem da sorte. Umas enfeitam a vida, outras, a morte.”

(TU ESTÁS ATRÁS DO CAMINHÃO, LÊ UMA FRASE DESSAS E FICA PENSANDO, PENSANDO, E VAIS PENSAR A VIAGEM TODA, SEM SABER O QUE O CARA QUIS DIZER hahaha).

2) “A vida é uma estrada livre para quem quiser conhecer e só depende de você caminhar, parar ou correr.”

(MAS A VERDADE É QUE SE PARA O BICHO PEGA, SE CORRE O BICHO COME, sai dessa, tu decides: queres ser pego ou ser comido?)

3) “Nunca troque o que mais quer na vida, por o que mais quer no momento.”

(TEM DE TROCAR? Vou querer uma bem gelada agora e o que mais quero na vida depois, pode ser?)

4) “A felicidade não é um destino onde chegamos, mas sim, uma maneira de viajar.”

(MAS… tem gente que pega todo dia o ônibus lotado! E chega ao destino todo suado!

5) “O primeiro a se desculpar é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o mais forte. O primeiro a esquecer é o mais feliz.”

(E O PRIMEIRO A ENFRENTAR É O PRIMEIRO A APANHAR).

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