FRED MONTEIRO - MASCATEANDO

A CORDELARIA MONTEIRO HOMENAGEIA OS POETAS DA BESTA FUBANA

Nessa mania de fazer cordel, surgida há uns dois anos, já produzi algumas centenas de estrofes de toda ordem (quadras, sextilhas, septilhas, décimas, martelos) em comentários e pelejas virtuais no Jornal da Besta Fubana, onde assino coluna.

Motivos os mais diversos podem resultar em pelejas animadas em que os poetas se digladiam por horas e até dias, pela WEB, resultando disso folhetos muito interessantes, alguns dos quais já publiquei aqui.

Parte deste, cuja capa encima esta matéria, vou trazer hoje para vocês, por um motivo especial: quero aqui fazer uma homenagem aos meus amigos poetas daquele Blog, sem os quais eu não teria entrado nessa vertente artístico/literária que é a poesia de cordel.

Como vocês vêem a capa não tem a ver com a homenagem que acabo de mencionar. E tem…

Pois foram os versos de uma animada peleja, começada para glosar um mote do Escritor e Editor do JBF, Luiz Berto, que me fizeram ser escolhido como um dos cinco colocados num concurso interno de glosas, o que nos divertiu bastante.

O mote também se prestava a muita chacota: 

“Tua mãe morre e não acha
outro macho que nem eu”

A ilustração também é da minha autoria, pois meto-me a imitador de desenhista e assim vou matando a vontade de ser artista.

Através da minha fictícia (mas eficiente) Cordelaria Monteiro, que já editou 32 títulos e tem muitos outros na fila de edição, tenho registrado essas brincadeiras para distribui-las com amigos e admiradores da poesia de cordel.

Divirtam-se com o texto.

* * *

AOS MEUS AMIGOS POETAS DO JBF

Faço aqui uma homenagem aos colegas de Jornal que sempre estão postando poemas, folhetos, comentários em verso, como também provocando, com seus ricos motes, diversas e boas pelejas entre a poetada que frequenta o Jornal da Besta Fubana, esta fronteira da boa poesia nordestina e brasileira.

1.
Ismael, Filó, Dalinha
Jessier e Dom Capeta
Xico Bizerra é porreta
Itaerço anda na linha
Claude Bloc é a rainha
Do Crato tão festejado
Nesse blog consagrado
Que tem Gregório e Crisanto
E Alamir, lá no seu canto
Fazendo verso rimado

2.
Hélio, Jefferson, Nonato
Hardy Guedes e Aristeu
Tem gente que apareceu
E depois sumiu, no ato
Com medo que o carrapato
do poema de cordel
grudasse no seu chapéu
Pois eu não faço questão
Cutuco meu violão
E aí é sopa no mel

3.
Só uma coisa desafina
Nesse papo de poeta
é quando vira uma meta
é quando vira uma sina
brigar por coisa mofina
apelar pra grosseria
insistir na hipocrisia
de defender aloprado
falando papo furado
pra defender utopia

4.
Tem poeta que sumiu
por conta dessa pendenga
de toda essa lenga-lenga
que a política pariu
e a solução não viu
Pois eu digo com certeza
que as cartas estão na mesa
Pra quem quiser arengar
eu nunca mais vou entrar
nesse rio de correnteza

5.
E agora peço desculpa
se ofendi a alguém
intenção nunca se tem
não precisa sentir culpa
pois não há gênio que esculpa
a estátua da verdade
com mil faces sem maldade
e mais mil tão tenebrosas
Pois nem tudo são só rosas
Nesta nossa humanidade

FRED MONTEIRO - MASCATEANDO

VONTADE DE SER MENINO OUTRA VEZ

Nos muitos Natais da minha vida, sempre me fascinou e continua me fascinando o espírito da chamada Festa Maior da Cristandade.. Que eu diria da Humanidade inteira.

O Natal, estranhamente, é a festa mais universal de todas. É comemorada, como também a Passagem de Ano Novo por todos os povos do mundo. Jesus Cristo marcou a História como divisor de eras. AC e DC passaram a ser a contagem oficial do tempo, apesar dos calendários judeu e muçulmano, muito mais antigos, honrando seus Profetas e Patriarcas.

Por isso tudo, pela importância que o Natal tem nas nossas vidas, eu o comemoro sempre como a mesma criança que ainda se lembra nitidamente da imagem do pai colocando presentes junto à cama dos filhos pela madrugada do dia 25, somente pra rir com eles de alegria pura e santa ao ver seu entusiasmo descobrindo brinquedos ou roupas novas, felizes em ter a certeza de que todos os Natais pela frente seriam tão felizes quanto aquele.

E o Natal vem sempre ligado à Música, essa deusa eterna das artes, que nos alegra tanto e também nos traz recordações algo tristes, por não estarem presentes, nos Natais que se seguem na esteira do Tempo, os entes queridos que se foram pelo caminho…

Assim, gravei esta faixa abaixo com meus atuais recursos de um estúdio doméstico e alguns instrumentos , que insisto em aprender a tocar enquanto vivo estiver, uma sequência de músicas natalinas executadas na gaita de boca, guitarra e teclados, às vezes também o banjo, enfim, o que estiver à mão.. Vamos recordar juntos !

FELIZ NATAL !

FRED MONTEIRO - MASCATEANDO

MASCATEANDO

De BESTA ela não tem nada…
Num estilo bem bacana
que envolve a macacada
numa prosa tão FUBANA
quanto o papo bem esperto
d’um escritor consagrado
( O querido Luiz Berto
Editor mui estimado )

Andei por aqui uns tempos
escrevinhando e rimando
os dias correndo lentos
e a alegria dominando
Uma turma bem unida
esclarecida, informada
que sempre levava a vida
como deve ser levada

Com muito humor e às vezes
também indignação
as brigas foram revezes
a que dei atenção
Pois aqui a LIBERDADE
De exercer opinião
é levada com vontade,
com muita dedicação

E o Papa Berto tranquilo
Sacerdote fervoroso
comungava mais de quilo
de “tira gosto” gostoso
agora só bebe suco
num regime fervoroso
Deu adeus à gengibrina
Orgulho de Pernambuco

Eu trago uma novidade
para todos os amigos
Tô voltando com vontade
pois esse sonho persigo
desde que saí da BESTA
fiquei triste, macambúzio,
Fui bola fora da cesta,
Marisco fora do búzio !

A coluna fica, então,
uma vez só por semana
e pra não dar confusão
com aquela DAS LEMBRANÇAS
seu nome é MASCATEANDO
pois em tempo sem bonanças
meus versos ficam minguando
Ainda assim, entro na dança

Um abraço forte aos amigos e poetas desta gazeta arretada de boa.

E meu agradecimento ao Papa Berto por receber de volta este Mascate Velho.

Recife, 21 de dezembro de 2020

(Primeiro dia dos setenta e cinco anos de vida e também primeiro dia do meu Jubileu de Ouro de Bacharelado)