FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

MINHA PRESSÃO

Eu tenho a impressão
Que a minha pressão
Quando nos beijamos
Aumenta alguns graus

Eu tenho a impressão
Que a minha pressão
Quando nos separamos
Ela volta ao normal

Eu tenho a impressão
Que se não fosse você
Nem havia pressão

Eu tenho a impressão
Com tanta oscilação
Ainda morrerei disso.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

SE VOCÊ ME QUISER

Se você me quiser
Eu sou bronco
Mas não ronco
Não tenho posse
Nem tenho tosse
Não tenho cheiro
Nem tenho fedor
Não sou incolor
Sou sucinto
No meu falar
Sou paciente
No meu ouvir
As vezes minto…
Não fumo, não jogo
As vezes me drogo
De felicidade
Sou ótimo na cama
Me deito e durmo
Serei bom amante
Se não dormir antes
Não levo pra casa
Nenhum desaforo
Pode ficar com eles
Não procuro briga
Mas quando encontro
Disfarço e fujo…
Se você me quiser
Levo como dote
A minha mulher
E o meu carinho
Cinco filhos,
Cinco netos…
Nem pense
Que irei sozinho
Levo meu afeto
Meu abraço de poeta…
SE VOCÊ ME QUISER

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

AH SE O HOMEM QUISESSE!

Ah se o homem quisesse!
Passar a limpo o passado
Reescrever sua história
Sem cometer o pecado
De querer se igualar a Deus
Com tamanhos predicados

Ah se o homem quisesse!
Deveras, repartir o pão
Semear a concórdia
Entre todos os irmãos
Esquecer a conduta sórdida
Que o impede de estender a mão

Ah se o homem quisesse!
Tornar feliz a humanidade
Pelo amor, pela tolerância
Pelo respeito, pela igualdade
Talvez, quem sabe…refletisse
A essência divina da santidade

Bastaria que o homem
Usasse a sabedoria
Escrevesse leis amenas
Em versos, rimas e poesias
O mundo seria um poema
Ao invés de uma utopia.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

DOAÇÃO DE POBREZA

Ninguém, na verdade, é tão pobre
Que sua pobreza não lhe sobre
Para doar pobreza para outro alguém

E se o reino dos céus é dos pobres
Ajude a salvar outro alguém
Doe um pouco da pobreza que tem

Seja um doador voluntário.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

SONHO PROIBIDO

Estou tendo visões
Alma de saia curta
Acima dos joelhos
Lábios vermelhos
Cintura muito fina
Pernas grossas, longas…
O resto não sei
Não observei
Fecho os olhos
Faço uma prece
Com um pedido:
Ah quem me dera
Se acaso eu pudesse…
Abro os meus olhos
E a visão já era
Acho, era pecado
Sou um caso perdido

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

HOMENS DE NEGÓCIO

“Olho por olho”
“Dente por dente”
Gente graúda
Sentados à mesa
Nada para fazer
Comida não há
Nem lhes dá prazer
Bebida também
Só muita conversa…
De repente alguém
Fala às pressas
Caiu à Bolsa!
Todos se dispersam
Eu mastigo a sobra
Da última conversa
E me retiro também

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

ADÚLTERO CONFESSO

Você me induziu ao adultério
Não resisti, ninguém resistiria
Teu jeito alegre, às vezes sério
Ora poemas e as vezes poesia

Quando caía a noite, você aparecia
Vestida de branco, lá no horizonte
Discreta, distante, só eu percebia
Senhora de si, sedutora, confiante

Adúltero confesso, condeno a ti
O teu silêncio, prenhe de palavras
Foi mais forte que eu, não resisti

Ainda minguante, você me completava
Conduzia-me ao delírio, puro êxtase
Oh Lua cheia, paixão dos poetas.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

GOIABEMICÍDIO

Você é tão doce
Como se mel fosse
Está sempre cercada
De abelhas e zangões
As abelhas são dóceis
Mas lhes falta ferrões
Pra defender a posse
Aí é que a vaca tosse
Não lhes agrada viver
Rodeadas de sócios
Oh vida dura
Goiaba madura
Toma cuidado
Elas podem cometer
Um goiabemicídio
E você é culpada