FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

GOIABEMICÍDIO

Você é tão doce
Como se mel fosse
Está sempre cercada
De abelhas e zangões
As abelhas são dóceis
Mas lhes falta ferrões
Pra defender a posse
Aí é que a vaca tosse
Não lhes agrada viver
Rodeadas de sócios
Oh vida dura
Goiaba madura
Toma cuidado
Elas podem cometer
Um goiabemicídio
E você é culpada

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

BANHO EXÓTICO

Ensaboa-me
Com teus beijos
Enxagua-me
Com teus abraços
Enxuga-me
Com tuas carícias
Torce-me
Com teus amassos
Depois
Fica de sentinela
Enquanto
Seco no varal
Em frente
A tua janela
Cuida
Pra que as outras
Não levem
A mim pra elas

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

MINHA CASA MINHA VIDA

Eu amo ficar em casa
Muito mais eu amaria
Se eu fosse um caracol
E para evitar o sol
Minha casa ficasse em mim.
Pudéssemos sair pra rua
Juntos, eu e minha casa
Mas, porém, como castigo
A minha casa se nega
Sair para rua comigo
Prefere ficar aqui
Tenho que sair sozinho

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

UMA GLOSA

Mote deste colunista:

Em tempo de coronavírus
Toda coceira é suspeita.

Eu conheci uma “mina”
Que estava passando mal
Com enjoo e coisa e tal
Coçando por todo corpo
Deixando o pai absorto
Vivia pois, insatisfeita
Pensando tá com maleita
Sua vida era um martírio
Em tempo de coronavírus
Toda coceira é suspeita.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

UMA GLOSA

Mote deste colunista:

Fico com minha patroa
Só saio se ela deixar.

O caso está muito sério
Uma fogueira com brasa
Um diz pra ficar em casa
Outro já estou saindo
Confessa quase sorrindo
Eu me ponho a meditar
Um “pé aqui outro acolá”
Não creio em qualquer pessoa
Fico com minha patroa
Só saio se ela deixar.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

UMA GLOSA

Mote do colunista:

Preso sem cometer crime
É um preço alto demais

Esse meu confinamento
Tá me deixando sem graça
Vontade de ir à praça
Me vem a todo momento
Quem tiver discernimento
Diga pois, se lhe apraz
Se necessário se faz
Aguentar esse regime
Preso sem cometer crime
É um preço alto demais

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

UMA GLOSA

Mote deste colunista:

Se eu escapar desse virus
Morrerei fazendo amor

Essa tal de quarentena
Está me deixando louco
Estou no maior sufoco
Tô pagando a maior pena
Desliguei minhas antenas
Para me desligar da dor
Trancafiado como estou
Para mim é um martírio
Se eu escapar desse vírus
Morrerei fazendo amor

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

DUAS GLOSAS

Mote:

Eu não quero ver o vírus
Nem que o vírus me veja

Daqui de casa não saio
Mas, nem que seja na peia
Na rua a coisa está feia
É vírus pra todo lado
Não quero ser culpado
Por uma gripe que seja
Deus do Céu que me proteja
Morrer de fome prefiro
Eu não quero ver o vírus
Nem que o vírus me veja

Não sairei mais de casa
Mas, nem que a vaca tussa
Vou botar a carapuça
E ficar de quarentena
Prefiro sair de sena
Por alguns dias que seja
Continuar na peleja
Abater o mal com um tiro
Eu não quero ver o vírus
Nem que o vírus me veja.