FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

MORTE TRÁGICA

Com um fio do teu cabelo
O meu pescoço enlacei
A outra ponta amarrei
Numa folha de cebola
Não havia outra escolha
Pra decisão que tomei
Subi nos meus calçados
E vigorosamente pulei
Caí, morri, ao pó misturei
Coração, doído, angustiado
Troncho de amor por você

Nem sei se você fé deu.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

TUDO QUE EU PENSO

Quando os meus olhos
Solitários eles enxergam
A claridade dos templos
Veem a extensão dos Céus
No meu infantil sossego
Aí sim, eu penso em Deus

Quando o meu sorriso
De esperança ele é cheio
Quando abro os meus lábios
E acalento a minha dor
Quando feliz eu me creio
Eu logo penso no amor

Quando o que é mais belo
E o singular me encanta
Quando eu sinto o prazer
O prazer de estar aqui
Quando a luz da esperança
Vem a mim imagem santa
Juro amor, eu penso em ti.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

GUARDA-ME CONTIGO

Se algo em mim te apraz
Toma e guarda contigo
Tu hás de cuidar melhor
Do que cuida meu espelho
Desconfio que o fedelho
Rouba-me todos os dias
Minha beleza e energia…
Quando me olho, me vejo
De relance, num lampejo
No rosto, rugas e estrias

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

EVOLUÇÃO DO PECADO

Nas tardes antigas
O Sol se escondia
No poente mais cedo
Morria de medo
E tinha vergonha
De ver tanta orgia.
Já hoje em dia
Acorda mais cedo
Não há mais segredo
Vê gente despida.
Nas praias da vida
É pura alegria
Matéria prima
Para o poeta
Fazer poesia

Deus, por favor
Dai-me mais tempo
Mais inspiração
Uma boa visão
Papel e uma pena
Pra guardar a cena
Dessa evolução.
Só isso mais nada.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

RETRATO DE MÃE

Mãos na massa
Pés no batente
Leite de peito
Colo quente
Cantigas de ninar
Sempre presente
Antes de dormir
Palavras sussurradas
No ouvido da gente
Deus protege
Meu filho inocente.
Frágil e cansada
Se mostra contente
É o retrato de mãe
Que trago na mente

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

QUAIS SÃO OS MORTOS?

“Quantos mortos trago vivos
No fundo do meu coração
Dentro de mim quantos vivos
Há muito mortos estão.”

Belmiro Braga

Serão eles os mortos?
Os que estão sob a tumba.
Não, não são eles os mortos!
Mortos são os que vivem
Que sobre os vícios afundam

Serão eles os mortos?
Os que partiram pra vida eterna
Não, não são eles os mortos!
Mortos são os que vivem
Sem dignidade aqui na terra

Enfim, quem são os mortos?
Os espíritos que vagam no firmamento!
Ainda não são eles os mortos
Mortos são os que vivem
Transgredindo os mandamentos

Partindo destes princípios
Sem nenhum medo de errar
Ratifico o que tenho dito
Mortos são os que não creem
Em um Deus Trino a lhes guiar

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

DÚVIDA CRUEL

Oh Jussara!
Você é tão linda
Tão jovem ainda
Tão pequenina
Destemida guerreira
Quase uma menina…
Quando você faz juçara
Numa taça me brinda
Fico na dúvida
Qual Jussara escolher:
Jussara com SS
Ou juçara com Ç
A dúvida persiste
E se ela existe
A culpa é da língua.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

MEUS DESEJOS

Não desejo viver muito
Aspiro muito é viver bem
Não me atrai a riqueza
Mas desejo adquiri-la
Chorar não me envergonha
Quando choro de alegria
Não me mato por lazer
Mas morro por não tê-lo
Não sei se te quero tanto
Mas sei o tanto de te querer
Confesso que não é pouco
Pouco é viver sem você.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

DECLARAÇÃO DE VOTO

Mote:

Eu vou votar no seu “ninga”
Porque em ninguém mais creio

Custei a me decidir
Depois de muito pensar
Declaro que vou votar
Em quem nada me pedir
E nem adianta insistir
Pois mentir é muito feio
Na TV, FACE ou e-mail
Onde a mentira respinga
Eu vou votar no seu “ninga”
Porque em ninguém mais creio

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

DESPUDOR DA LUA

O sol debruçou-se
Sobre o firmamento
Esperando a lua
Pro acasalamento
A lua como sempre
Chegou atrasada
Grávida de sonhos
Vazia de pudor
Cheia de astros
Minguante de amor
E foram dormir
Em quarto crescente
Pra acordar novamente
Nem nova, nem cheia
Lua simplesmente