FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

AMPLIANDO ENXERGÂNCIAS

Diante das pandemias reais ou fabricadas, deixando os sectários disputando nacos transitórios de mando, às vésperas de mais uma Semana Santa, relembremos uma inesquecível advertência do inolvidável Dom Hélder Câmara, sempre amado ex-arcebispo emérito de Olinda e Recife: “O Cristianismo que difundimos no Continente, atribuindo tudo a Deus e quase não apelando para a iniciativa e a responsabilidade do homem chamado, pelo Criador, a dominar a natureza, a completar a Criação, a conduzir a História, alimentou nas Massas latino-americanas um sentimento passivo, fatalista e mágico”.

Está na hora de todos, cristãos e não-cristãos, sem firulas egolátricas nem fricotes vitimistas, perseguirem uma auto avaliação corajosa, descobrindo seus pontos fracos, suas comunicações eletrônicas caluniosas e nada construtivas, suas agressividades para com os desvalidos e suas posturas midiáticas apenas marqueteiras, oferecendo sugestões que resultem em maiores aspirações para um desenvolvimento mais humano e solidário de todos os povos, capazes de convencer a maioria sem enganações nem protelações demagógicas.

Sempre se deve acreditar firmemente, na evolução da caminhada terrestre, embasando-se na orientação dada por Lucas 14,28: “Quem dentre vós, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro para completá-la?”. O que talvez o apóstolo não avaliou na devida conta, os tempos eram bem outros, foi o agigantamento da cobiça delinquente na construção desses empreendimentos, hoje também captadores de muitos milhões de dólares ilegais por debaixo dos panos, iludindo idiotizados e desesperançados, que sempre imaginam soluções mágicas para velhos e cruciantes problemas mundiais, solucionáveis todos, se forem assimilados efetivamente as mensagens do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.

Juntemos as sadias mentes dos cidadanizados do planeta, antes que vírus ainda mais destruidores emerjam nos amanhãs terrestres, sendo tarde demais. Saibamos compartilhar a criatividade empreendedora dos jovens de mentes sadias, compreendendo que os amanhãs já chegados serão muitíssimo diferenciados de um hoje que já se está indo embora, incentivado pela atual pandemia.

Uma crise só se torna saudável quando não se contenta em ser apenas um amontoado de críticas aos outros, mas quando se torna, oportunamente, um julgamento de si mesma. E isso somente advirá com mais efetividade através de uma promissora Educação Brasileira, favorecendo um PCC – Pensar Criativo Cidadão, erradicando os sinais da nossa atual desconstrução nacional: o racismo, a subserviência da nossa elite econômica aos mecanismos globais de dominação imperialista, o fundamentalismo religioso e o autoritarismo latente em todas as nossas classes sociais, todos sempre atentos para uma advertência famosa do educador Paulo Freire: “Todo cuidado para que o oprimido não se torne opressor”.

Para quem deseja ampliar mais sua enxergância futura, dois textos podem muito favorecer um caminhar brasileiro mais resoluto e consequente:

O primeiro é A GUERRA CONTRA O BRASIL, Jessé Souza, Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2020, 208p. O autor é graduado em Direito, Mestre em Sociologia pela USP e também PhD em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha. E ainda Pós-Doutor em Psicanálise e Filosofia pela The New School for Social Research, New York.

O livro analisa o a união do poderia norte-americano com o crime organizado no Brasil para destruir a sociedade e o Estado brasileiros, tudo integrando um projeto mundial de poder planejado em mínimos detalhes. Diz a primeira orelha do livro: “Esta é uma leitura para quem acredita que os fatos do mundo não são obra do acaso, como quer nos fazer crer uma imprensa que isola os fatos e fragmenta a realidade para torná-la incompreensível. … Este mundo tem donos que efetivamente conspiram, todos os dias, para reproduzir seus privilégios e explorar os que foram feitos de tolos. Geralmente, tolos são os que acreditam no acaso e na coincidência.”

Um texto analítico que ressalta as precondições históricas que ensejaram as dominações pretendidas pelos portentosos do momento. Ele é composto de três partes, além de uma Introdução: A construção da ideologia do imperialismo informal americano; A elite colonizada brasileira e sua estratégia: a transformação do racismo em moralismo; e As metamorfoses do neoliberalismo.

Um livro que desnuda fingidos cinismos executivos travestido de combatividade à corrupção.

O segundo livro é A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS: DESDE A REVOLTA DAS ELITES DO PT ATÉ A REVOLTA DO SUBSOLO DE OLAVO DE CARVALHO, Martin Vasques da Cunha, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2019, 192 p. O autor é PhD em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo.

O livro é composto de oito ensaios: 1. Os testamentos traídos; 2. A abolição da vergonha; 3. A tirania dos especialistas; 4. Em busca do eros perdido; 5. A tragédia da política; 6. O impasse da esquerda; 7. As ruínas circulares; 8. As máscaras do exílio.

No primeiro ensaio, um último parágrafo: “Portanto, pouco importa o que aconteça no futuro. Mesmo com o lento desaparecimento do ‘marxismo ocidental’, conforme a expectativa dos atuais céticos, chegará a hora em que a política da fé, como sempre, cumprirá seu papel efetivo para que uma administração faça o que tem de fazer – a saber: governar para o Bem Comum.

Ensaios que ressaltam o quietismo político dos alienados, a tirania dos especialistas, a ilusão tecnocrática e a política do cretinismo cênico.

Leituras deveras contundentes, mas que consolidam enxergâncias muitos pontos acima das palhaçais bananas dos que se imaginam eternos no poder.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PERDA DA FÉ

Na história do século XX, um tema encontrou múltiplos prognósticos e interpretações: a perda da fé. Os avanços científicos demonstraram que a origem da Terra datava de muitos bilhões de anos, não apenas os seis mil anos declarados num texto sagrado, embora o atual presidente da CAPES do Brasil creia firmemente que ela não é redonda, apenas do jeitão de uma moeda.

Os métodos críticos utilizados nas análises dos textos evangélicos revelaram que uma parte da vida do Nazareno não era histórica, apenas mitos, lendas e acontecimentos acrescentados muito tempo depois da sua passagem entre nós.

Qual a consequência dessa não evolução religiosa? Alguns se refugiaram no tradicionalismo e no fundamentalismo, outros permaneceram com uma fé vaga e insatisfatória, inúmeros se afastaram ou simplesmente se desorientaram.

Em pleno terceiro milênio, no entanto, um fato tornou-se evidente: é impraticável vivenciar uma fé de maneira irrefletida, respaldado nos não mais consistentes dogmas das denominações religiosas, tampouco nas verdades literais contidas nos livros sagrados.

Relegadas as instituições, muitos buscaram ampliar uma espiritualidade consequente, numa transcendência revigorada pelas leituras e pesquisas que reexaminaram textos antigos, como os Manuscritos do Mar Morto e a Biblioteca de Nag Hammadi, exemplos recentes mais notáveis. E inúmeros estão se interessando pelo que se chama gnose, uma palavra grega que significa conhecimento, um conhecimento muito específico, um conhecimento intuitivo direto que ultrapassa os níveis da razão comum, proporcionando uma consistente libertação espiritual.

E o conhecimento que libera a consciência é denominado muitas vezes de esotérico, outra palavra que vem do grego e que quer dizer “mais além”. Segundo os especialistas, o esoterismo ensina que há um mundo muito rico dentro de nós, o além sendo escalonado em níveis múltiplos, tal e qual apregoado pelo Galileu em João 14,2: “Na casa de meu Pai há muitos lugares para morar”.

Alguns analistas fazem uma distinção entre esotérico e místico. O esotérico se define como aquele que se interessa por diversos níveis de consciência e do ser. O místico enfoca mais como chegar a Deus de um modo mais direto e imediato. O místico tende a uma maior passividade, enquanto o esotérico busca aprender algo dos cenários ao longo da caminhada. Em outras palavras: o místico é portador de uma “silenciosa espera por Deus”, enquanto o esotérico se dedica a uma investigação ativa na sua caminhada para Deus.

O esoterismo sustenta que a Bíblia deve ser lida em vários níveis diferenciados, onde apenas um é literal. E foi Orígenes, padre da Igreja do século XIII quem escreveu: “Muitos erros foram cometidos porque um grande número de leitores ainda não descobriu o método correto de examinar os textos sagrados, pois têm o hábito de seguir a letra nua…”

A frase “A Verdade vos libertará” não será a expressão de uma contemporaneidade exemplar? Para todos aqueles seres humanos que buscam consolidar sua fé, um livro afirma categoricamente que a ciência, embora cada vez mais ampla, não basta para esclarecer o que se manifesta nos territórios etéreos:

EVOLUÇÃO ANÍMICA – ENSAIOS DE PSICOLOGIA FISIOLÓGICA SEGUNDO O ESPIRITISMO – Gabriel Delanne – Limeira SP, Editora do Conhecimento, 2008, 239 p.

Um escrito editado em francês, onde o autor (1857-1926), personalidade de ligação muito significativa com Allan Kardec, que o chamava carinhosamente de “meu mestre”, tem o seguinte Sumário: Introdução; 1. A vida; 2. A alma animal; 3. Como o períspirito pôde adquirir suas propriedades funcionais; 4. A memória e as personalidades múltiplas; 5. O papel da alma do ponto de vista da reencarnação; 6. O Universo; Conclusão.

Na Introdução, Delanne é categórico: “É chegada a hora de reagir energicamente contra os sofismas pseudo-sábios , que orgulhosamente decretaram que a morte é incognoscível e, derrubando todos os entraves que pretenderam opor à investigação do além, poderemos afirmar que a sobrevivência e a imortalidade do princípio pensante são verdades demonstráveis com incontestável rigor.” E mais: “Os novos conhecimentos, que devemos às inteligências extraterrenas, ajudam-nos a compreender toda uma categoria de fenômenos psicológicos e psíquicos, que sem eles são inexplicáveis.” E foi além: “No dia em que a ciência se convencer da verdade da nossa doutrina, ocorrerá uma verdadeira revolução nos métodos por ela preconizados.”

Desde então, os véus estão sendo sucessivamente rasgados. Novos horizontes se estão abrindo para amanhãs da humanidade mais radiantes, onde a fraternidade seguramente imperará, sem discriminações de espécie alguma, todos sendo portadores de uma fé racionada amplamente libertadora, conforme promessa feita pelo Homão da Galileia, nosso muito amado Irmão Libertador.

O escrito do Delanne, do século XIX, guarda uma impressionante atualidade, tornado um texto que vale a pena ser analisado e refletido nos tempos de agora.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PARA DEBATES RECONSTRUTORES

Diante do besteirol idiotizante que se agigantou nos últimos tempos no cenário brasileiro, onde atitudes as mais estapafúrdias se notabilizaram pelas vias internéticas, a mais espetaculosa delas foi aquela que aconselhava “fazer cocô dia sim, dia não para preservar o meio ambiente”, amigos que se reúnem mensalmente para um almoço fraternal resolveram se indagar sobre que leituras deveriam ser indicadas para debates que possibilitassem, sem bravatas, pieguismos religiosos, histerias abilolantes, posturas ideológicas sectárias extremistas e fajutadas messiânicas, a reconstrução socioeconômica do Brasil, até bem pouco um país respeitado internacionalmente, hoje motivo de pilhérias e charges nos quatro cantos do planeta, um quase continente encharcado de dirigentes dotados de incultas bocas frouxas, travestidos de mandatários.

Foi recomendado, depois de boas sugestões, a leitura atenta, quiçá grupal, de um livro recentemente editado pela LVM Editora: Lacerda: a virtude da polêmica, Lucas Berlanza, 2019, 336 p. Na Introdução, uma explicação segura do escritor Antônio Paim: “O Brasil já há muito convive com demagogos, populistas, falsários, vendedores de sonhos, que seduzem com seu palavrório eivado de jargões venenosamente simpáticos, direcionam a devoção e a ingenuidade do público em favor de seus projetos de poder”.

Um pouquinho além da metade do século XX, 1963, Carlos Lacerda escreveu com bravura e intrepidez: “esses agentes da mentira atuam como ventríloquos de si mesmos, obrigam-se a emprestar ideias e até gramática aos aventureiros e desonestos para os quais o comunismo, hoje, como ontem o fascismo, é um pretexto para tomar a carteira do público, enquanto o público, de nariz para cima, contempla, cintilante, a Ideologia”.

No livro, o autor Berlanza avalia o ex-governador da Guanabara: “É um ícone do conservadorismo e do liberalismo no Brasil, em sua luta contra o comunismo e o populismo autoritário; porém, mesclado, com alguns excessos e incongruências ao regime de 64, é apagado, defenestrado e diminuído, e muitos porta-vozes da direita moderna parecem ter extremo pudor em assumir qualquer inspiração nele, em fazer qualquer referência a ele”.

O objetivo do livro, ainda segundo Paim, é “mostrar que o lacerdismo não é nem de longe um bicho feio e obscuro que pintam e que a direita nacional pode colecionar referências no passado do próprio Brasil – sem o que será um esforço de transposição de teses estrangeiras pairando ineficazes sobre o mundo. É oferecer um primeiro antídoto contra a mentira e a tirania do silêncio imposto à sua memória, bem como ao espaço a ser merecidamente cultivado por seus admiradores”.

Sobre município, Lacerda assim se expressou: “No município se forma a consciência nacional. Atualmente, a União é rica, o estado é pobre e o município paupérrimo. É preciso inverter a ordem, tornar rico o município, dar-lhe força econômica e administrativa. Somente à base de um municipalismo autêntico será possível resolver nossos problemas”.

Se Lacerda vivesse hoje perceberia a imensa proletarização municipal da nação brasileira, armadilha que preserva a postura de mando de corruptos e demagogos, incompetentes e aproveitadores inclementes do erário público, através de oligarquias rurais, algumas fingidamente progressistas.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda, um nascido em 30 de abril de 1914 no Rio de Janeiro, embora registrado em Vassouras, eternizou-se em 21 de maio de 1977, fulminado por um infarto do miocárdio. E o autor Lucas Berlanza assim o sintetiza: “O Carlos Lacerda serve de inspiração por seus erros, cometidos em geral em defesa das mesmas causas que hoje defendemos, para que não os repitamos; e também por seus acertos, os resultados positivos de sua batalha e sua disposição pela grandeza. … Para seguir adiante é olhar o que os grandes já fizeram e, diante deles, galgar novos degraus”.

A leitura do livro, com posteriores debates grupais serenamente explicitados, é vacina mais que efetiva contra os que se imaginam donos da verdade, que demagogicamente sugerem defecar dia sim, dia não, para favorecer o meio ambiente nacional.

Espero que todos, ao final da leitura em grupo, reverenciem George Bernanos, quando ele dizia que “nada no mundo se compara à cólera dos imbecis”.

Vale a pena também o grupo conhecer mais detalhes do passado planetário, evitando repetições futuras que ensombrearão os horizontes libertários historicamente soberanos, para gáudio de nossos descendentes. Para tanto, todos deverão dar uma vista d’olhos no texto memorável Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991), Eric J. Hobsbawn, São Paulo, Companhia das Letras, 1995, onde se encontra o seguinte texto: “As pessoas de classe média escolhiam sua política de acordo com seus temores. … As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando, uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais.”

Na atual conjuntura brasileira, tudo faz crer que a representação dos indignados estabelecerá as maiorias nas próximas eleições municipais, nos impulsionando para amanhãs talvez mais nobilitantes. Defenestrando as esquerdopatias e os messianismos sempre desnobilíssimos dos nunca comandantes.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

SUSTANÇAS COGNITIVAS MAIS QUE ÓTIMAS

Programe-se para ler, depois de passadas as bbbósticas exibições carnavalescas televisivas, uns textos cidadanizadores, desses que ampliam enxergâncias e cidadanias de uma gente que ainda não atingiu um patamar mínimo civilizatório capaz de promover uma redistribuição de renda menos vexaminosa que a atual, uma das mais perversas do planeta. Leituras recomendadas para gregos e troianos, crentes e não-crentes, a cuca bem antenada sendo o único sinal para uma salutar apreendência.

1. JESUS: A BIOGRAFIA, Jean-Christian Petitfils, São Paulo, Benvirá, 2015, 528 p.

Embora Jesus não tenha deixado nada por escrito, nenhuma pesquisador histórico contemporâneo duvida da sua existência: um judeu pregador itinerante que percorria a Galileia e a Judeia, condenado à morte por instigar o alto clero de Jerusalém, sendo crucificado às portas da Cidade Santa por ordem do governador romana Pôncio Pilatos.

Alguns questionamentos, entretanto, até hoje persistem: O que sabemos sobre o conjunto da sua vida? Como ele era visto por seus conterrâneos? Por qual motivo foi executado? Teria sido ele o verdadeiro fundador do cristianismo? Quem terá sido ele: um profeta, um reformador judeu, o Messias esperado por Israel ou o filho de Deus?

O livro ainda tem sete anexos: I. As fontes exteriores; II. Os evangelhos sinópticos; III. João Evangelista, testemunha da história; IV. Historicidade dos evangelhos; V. O Qumran e os manuscritos do Mar Morto; VI. As relíquias da Paixão; VII. Cronologia. E ainda Indicações Bibliográficas e Índice Onomástico.

A biografia de Jesus retrata o maior personagem da história da humanidade sob um viés histórico, reintegrando-o no ambiente religioso, cultural e político da Palestina daquela época.

2. HISTÓRIA DA AMAZÔNIA: DO PERÍODO PRÉ-COLONIAL AOS DESAFIOS DO SÉCULO XXI – Márcio Souza -Rio de Janeiro, Record, 2019, 391 p.

Um relato que interessa a todos os brasileiros, posto que a região não é apenas uma geografia e sua história, mas um viveiro de criaturas exóticas de futuro incerto. Seguramente um espaço onde a humanidade pode aprender um pouco mais sobre si mesma.

O livro escrito por autor consagrado é uma síntese reveladora da complexidade de um processo histórico, explicitada a partir de dentro.

SUMÁRIO: Introdução; 1. Geografia do subcontinente; 2. A Amazônia antes dos europeus (15.000 a.C. – 1.500 d.C.); 3. A conquista; 4. A colonização; 5. Soldados, cientistas e viajantes; 6. A Amazônia e o Império do Brasil; 7. A Cabanagem; 8. O ciclo da borracha; 9. A sociedade extrativista; 10. A fronteira econômica; Bibliografia; Índice Onomástico.

3. D. PEDRO II: O ÚLTIMO IMPERADOR DO NOVO MUNDO REVELADO POR CARTAS E DOCUMENTOS INÉDITOS – Paulo Rezzutti – São Paulo, LeYa, 2019, 576 p.

Através de gestos e palavras pesquisadas pelo autor, uma notável biografia de um dos mais importantes, ricos e complexos personagens da nossa história. Uma biografia que prende o leitor das primeiras linhas até a última, revelando o homem que acreditava na educação e defendia a Abolição, sendo banido do país com a chegada da República.

SUMÁRIO: Prólogo; I. Infância e Adolescência (1825-1840); II. O imperador e o Brasil (1840-1864); III. O imperador e o mundo (1889-1891); Anexo: Fé de Ofício; Cronologia; Bibliografia.

Relatos ainda não contados dos bastidores do 15 de Novembro de1889. Leitura apaixonante da primeira à última linha.

4. O FUTURO DE DEUS: UM GUIA ESPIRITUAL PARA NOVOS TEMPOS – Deepak Chopra – São Paulo, Planeta, 2015, 286 p.

SUMÁRIO: Prólogo; Por que Deus tem futuro?; Deus é um verbo, não um substantivo; O caminho para Deus – Etapas 1 – Descrença; Etapa 2 – Fé; Etapa 3 – Conhecimento; Epílogo: Vislumbrando Deus.

O autor, um especialista em endocrinologia, fundou, em 1985, a Associação Americana de Medicina Védica. É autor de 25 livros traduzidos em 35 idiomas, o médico hindu é sempre figura obrigatória nos debates onde se debate sobre espiritualidade. A revista Time o considerou uma das 100 personalidades do século XX, classificando-o de poeta e profeta das medicinas alternativas.

No livro, ele nos convida para uma viagem do espírito, oferecendo um caminho prático para a compreensão de Deus e do nosso lugar no universo, incentivando-nos para um momento de renovação, posto que o agora é o futuro.

Um texto confiável para todos aqueles que buscam a Deus mesmo em tempos confusos como os atuais. E Chopra procura responder uma questão das mais significativas do presente século: o que será necessário para dar às pessoas uma vida espiritual mais poderosa que a oferecida pela religiões atuais?

5. EM TORNO DO MESTRE – Vinicius (1878-1966) – Brasília, FEB, 9ª. edição, 2019, 462 p.

O autor, Pedro de Camargo, conhecido por Vinicius, um pseudônimo que adotou e usou por mais de 50 anos, nasceu em Piracicaba, São Paulo, transferindo-se em 1938 para a capital, onde desenvolveu um programa evangélico de grande proveito para os kardecistas.

No prefácio da 2ª edição: ”Vinicius faz jus ao título de pedagogo. É o que afirmam suas numerosas obras e teses magistrais, girando os assuntos invariavelmente em torno de uma ideia central que é o esclarecimento, a formação moral e espiritual de seus semelhantes.

As 135 mensagens do autor objetivam uma única meta: tornar acessível a Mensagem de Jesus para todos aqueles que buscam melhor entender as mensagens do Homão.

Um livro para a cabeceira da cama, para o Evangelho no Lar, para ser utilizados nas exposições doutrinárias, direcionando todos na direção da Luz e do Bem.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

HERÓIS DE GUERRA

Há fatos reais que enobrecem a raça humana, exemplos concretos contra as pusilanimidades dos descuecados que se urinam todos diante dos travestidos de donos do pedaço, borrando-se todo nas calças diante das ordens fétidas dos chefetes mequetrefes mal encarados. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando da instalação dos criminosos do III Reich no poder, um jovem dinamarquês, Knud Pederson, de apenas 15 anos, juntamente com seu irmão e mais um punhado de colegas, resolveu enfrentar os nazistas, diante das subserviências cagônicas dos dirigentes patrícios. E fundaram o Clube Churchill para enfrentarem os assassinos comandados por Adolfo Hitler, ajudando, pelo exemplo de heroísmo, a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca. Toda a epopeia dos adolescentes foi registrada em livro, no Brasil sendo editado sob título OS GAROTOS DINAMARQUESES QUE DESAFIARAM HITLER, Phillip M. Hoose, São Paulo, Vestígio, 2020, 222 p.

A história do livro acima é digna de ser lida e contada. No verão de 2000, o autor Hoose, fazendo um tour de bicicleta pela Dinamarca, fez uma visita ao Museu da Resistência Dinamarquesa, em Copenhague, capital do país. Em um dos cantos do museu, ele deparou-se com uma mostra denominada O Clube Churchill, contendo fotos, narrando a história de um grupo de adolescentes dinamarqueses da cidade de Odense, a terceira cidade do país, que promoveram uma heroica resistência ao truculento regime nazista.

Durante a visita de Hoose ao Museu, o curador do museu lhe informou que alguns dos meninos – agora idosos – ainda continuavam vivos, inclusive Knud Pedersen, o mais conhecido e o mais bem informado de todos sobre a resistência praticada pelos jovens e que atualmente o antigo resistente adolescente administrava uma biblioteca de artes no centro da cidade. E o próprio curador forneceu o e-mail do Pederson. Em setembro de 2012, o autor e sua senhora desembarcavam em Copenhague, para conhecer Pederson e iniciar uma série de entrevistas gravadas, narrando os feitos da resistência heroica acontecida.

A invasão da Dinamarca aconteceu em 9 de abril de 1940, quando, ao final da tarde daquele dia, 16 mil alemães já se haviam implantados em solo dinamarquês, prometendo dias melhores para todos, anestesiando muitos comerciantes, inclusive em Odense, onde cretinos vibraram muito em vender cerveja e tortas às tropas invasoras.

Embora pequena, a Dinamarca era muito valorizada pelo regime nazista, pois dispunha de uma malha ferroviária de primeira qualidade, que serviria para transporte de minério de ferro da Noruega e da Suécia, indispensável para fabricação do arsenal bélico do III Reich. Além disso, Hitler enxergava o povo dinamarquês como uma gente perfeitamente inserida na raça superior, imaginando a Dinamarca como uma sócia-fundadora de uma elite governante mundial.

Em Odensen, no entanto, um grupo de jovens, leitores diários de jornais, tomavam conhecimento da invasão também havida na Noruega, onde milhares de noruegueses foram barbaramente assassinados pelos nazistas, lá tendo sido implantada férrea censura aos meios de comunicação. Mas os noruegueses continuavam bravamente resistindo, diferentemente dos principais dirigentes públicos dinamarqueses, o rei Christian X e o primeiro-ministro Thorvald Stauning, que tinham se subordinados mediocremente à dominação. Tais notícias despertaram os ânimos dos adolescentes na direção da promoção de estratégias de também resistir aos assassinos invasores, muito envergonhados das suas autoridades públicas.

A leitura do livro é deveras sedutora, e também restauradora, para todos aqueles que se imaginam sem esperança nos amanhãs de uma humanidade alienada e que facilmente adere às ideologias mais esdrúxulas, histórica e amplamente superadas. E que se queda docilmente aos ditames de demagogos e populistas rabos de cabra, incultos e ananzados, capitães que jamais serão generais nas reestruturações planetárias democráticas exigidas pelas atuais circunstâncias históricas.

Os testemunhos acerca dos acontecidos valem a pena ser registrados neste canto de site:

“Esses adolescentes arriscaram tudo – e perderam muito. Esta eletrizante obra de não ficção vai agitar os corações de leitores de todas as idades.” (The Wall Street Journal)

“Um poderoso testemunho dos atos de bravura desses jovens, que se arriscaram a vida pelo seu país.” (The Washington Post)

“Uma notável história real, contada com primor.” (Kirkus Reviews)

Na contra capa uma panorâmica: “Batizando seu clube secreto com o nome do impetuoso líder britânico, os jovens patriotas do Clube Churchill cometeram incontáveis atos de sabotagem, despertando a fúria dos alemães, que acabaram identificando e prendendo os garotos. Mas seus esforços não foram em vão: as façanhas do clube e a captura dos seus membros ajudaram a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca.”

O autor Hoose desenvolve, no livro, uma sedutora metodologia: intercala sua própria narrativa com as memórias pessoais de Knud Peterson, que conta a história inspiradora de um grupo de jovens heróis de guerra.

Vale a pena rememorar heroísmos para execrar frouxidões e disenterias cívicas, morais e religiosas em um mundo há décadas muito apalermado por hedonismos e individualismos terrivelmente viróticos.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

LEITURAS SADIAS PARA O PERÍODO MOMESCO

Para os que ficarão bem longe da folia de Momo, preparando-se para um início de ano que se iniciará após a quarta-feira de Cinzas, uma atividade bastante provocante: fixar os olhos para o céu numa noite estrelada e buscar respostas para uma série de indagações existenciais: Que lugar ocupo no espaço?, O que tudo isso significa?, Como isso tudo teve início? Como isso funciona?, Que papel exercemos nesse processo?, Que fim tudo isso terá?, Quem organizou o Cosmo? E quem pode elucidar tudo isso, sem apelar para raciocínios eruditos de alta complexidade, em capítulos enxutos, próprios para todos os curiosos que não possuem tempos disponíveis extensos para pesquisas exploratórias e outras elucubrações mentais quilométricas.

Dois textos significativos por derradeiro:

O primeiro é bastante elucidativo, de autoria de aclamado astrofísico-pesquisador, escrito especialmente para os avexados de carteirinha, poderá ser um bom começo para os primeiros passos elucidativos na aquisição de um conhecimento fundamental das descobertas relacionadas ao universo. Ei-lo:

ASTROFÍSICA PARA APRESSADOS
Neil deGrasse Tyson
São Paulo, Planeta, 2017, 180 p.

O autor, astrofísico do Museu Americano de História Natural de New York, também diretor do Planetário Hayden, tem bacharelado em física pela Harvard University e doutorado em astrofísica em Colúmbia.

O livro tem o seguinte Sumário: Prefácio; 1. A maior história já contada; 2. Na Terra como no céu; 3. Faça-se a luz; 4. Entre as galáxias; 5. Matéria escura; 6. Energia escura; 7. O cosmo na tabela; 8. Sobre ser redondo; 9. Luz invisível; 10. Reflexões sobre a perspectiva cósmica.

No prefácio, o autor incentiva: “Com este pequeno livro você ganhará uma fluência básica em todas as principais ideias e descobertas que conduzem nossa moderna compreensão do universo. Caso eu tenha sucesso, você ficará culturalmente familiarizado com minha área de especialização e sedento por mais.”

O segundo é de autoria de um cientista brasileiro de renome internacional, docente de filosofia natural, de física e de astronomia na Dartmouth College, USA. Em 2019, ganhou o Prêmio Templeton, considerado o “Nobel da espiritualidade”, sendo o primeiro latino-americano a receber tamanho galardão:

O CALDEIRÃO AZUL: O UNIVERSO, O HOMEM E SEU ESPÍRITO
Marcelo Gleiser
Rio de Janeiro, Record, 2019, 5ª. edição, 223 p.

Diz uma das orelhas: “Os ensaios aqui reunidos são fruto da reflexão de Marcelo Gleiser sobre as questões que considera mais relevantes para o momento atual: nossa relação com o planeta e suas criaturas, com os membros da sociedade em que vivemos, e com a tecnologia, que está transformando, com velocidade impressionante, quem somos e como nos relacionamos.” E diz mais: “Gleiser nos lembra que a ciência, aliada à busca por respostas e ao fascínio pelo mistério que nos cerca, pode ser usada tanto como ponte para um mundo melhor, como para construir a pior distopia imaginável.” Caberá, então, à Cidadania Planetária, decidir sobre os amanhãs que desejamos, respeitadas as diferenças de pensar de cada um, sempre abertos diante dos que pensam de outras formas. Sempre se pautando sob a reflexão do extraordinário Albert Einstein: “Em cada explorador da Natureza encontramos uma reverência religiosa.”

O livro do Gleiser se encontra desenvolvido em quatro partes: I – Ciência e Espiritualidade; II – A Importância de Ser Humano; III – Um Mundo em Crise; IV – O Futuro da Humanidade.

É deveras significativa a Parte III, composta de ensaios que devem ser lidos com ampla acuidade mental, sinceridade de uma militância cósmica socialmente progressista e releituras recheadas de novos compromissos para com a Paz Mundial.

Na primeiro deles – Holocausto nuclear: história e futuro -, o autor denomina de Destruição Mútua Assegurada, o que aconteceria se as grandes potências nucleares do mundo entrassem em conflito aberto. E revela um dado impressionante: “No auge da Guerra Fria, os EEUU tinham 1.054 mísseis balísticos internacionais e 656 mísseis nucleares detonáveis armados em submarinos. E hoje, vários países fazem parte desse clube de armas atômicas: EEUU, China, Grã-Bretanha, Israel, África do Sul, Índia e Paquistão. E quanto maior o número de países com armamentos nucleares, maior o risco de conflito.

No segundo ensaios – Predação Planetária -, Gleiser ressalta a urgente necessidade de cuidados especiais com o aquecimento global e a qualidade da água. E ele estabelece uma indispensável regra existencial ética: “trate todas as formas de vida como quer ser tratado; trate do planeta como quer que sua casa seja tratada.”

Os dois últimos ensaios, significativos e complementares aos dois primeiros ressaltam os amanhãs que inúmeros não querem ver, alienados ou comprometidos com forças econômicas que apenas contabilizam lucros, pouco importando os modos de conseguir. A fome levará milhões para longe de seus pagos de nascença, o derretimento do gelo no Ártico liberará incalculáveis quantidades de gás metano na atmosfera, atingindo níveis 34 vezes maior que os atuais, até o final do século, e a acidificação dos oceanos, destruindo um quarto da vida marinha, exigirão soluções, a exigir preliminarmente uma mudança radical de mentalidade.

Na parte IV, o fenômeno do “transumanismo”, a junção do humano com a máquina, é estudado, ressaltando-se atenção redobrada para o documentário Uma verdade inconveniente, do Al Gore, vencedor de dois Oscars. Um documentário que foi manchete mundial, hoje relegado ao baú do esquecimento pelos alienados dirigentes mundiais, amplamente carentes de um humanismo século XXI, amplamente despreocupados com as ditaduras digitais que se avolumam pelos quatro cantos da terra.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

JORNADAS DE RESGATES

Recebi da Sissa, minha inspiração diária, antecipando a estadia no Portal de Gravatá no Carnaval, o romance mediúnico Nas Trilhas do Umbral – Eulália, Mônica Aguieiras Cortat, Capivari-SP, Editora EME, 2019, 200 p., com uma dedicatória que muito me sensibilizou, significando uma postura comportamental equilibrada sem fricotes nem exageros. A autora do livro, médium natural de Vitória, ES, é formada em administração de empresas, pós-graduada em contabilidade. Autora premiada, escreve desde os 13 anos, também sendo autora de dois CDs bastante aplaudidos nos quatro cantos do Brasil.

Na Introdução, Ariel, o mentor espiritual da autora, explica o que é um umbral: “transposição entre o mundo dos vivos e a espiritualidade, vão da porta entre essas duas realidades, que parecem tão diferentes, mas não passam de uma continuação eterna do caminho na imortalidade para o espírito. É o lugar para onde vão aqueles que se sentem perdidos, deslocados, culpados ou infelizes de alguma forma”. E esclarece: “Como espíritas, não podemos aceitar a eternidade das penas, se acreditamos num Deus infinitamente superior, expressão de bondade e amor absolutos. Nosso Pai amoroso quer que o filho aprenda e evolua. Por isso, a dádiva da reencarnação”.

Para quem não está familiarizado com o linguajar kardecista, sugerimos um suporte valioso: o dicionário O Espiritismo de A a Z, 4ª. edição, coordenado pelo Geraldo Campetti Sobrinho, Brasília, Federação Espírita Brasileira, 2013, 964 p., onde encontramos os seguintes esclarecimentos do que seja umbral: “dolorosa região de sombras, erguida e cultivada pela mente humana, em geral rebelde e ociosa, desvairada e enfermiça”. E mais: “É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos”. Ou ainda: “Funciona como região destinada a esgotamento de resíduos mentais, uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezado o sublime ensejo de uma existência terrena”.

Na trama desenvolvida no livro Nas Trilhas do Umbral, Fabrício, um suicida, é procurado por pessoas solidárias, que o buscam, atendendo solicitações aflitivas de sua mãe. Um romance que norteia, balizando, os desorientados e potencialmente adeptos da morte voluntária. Uma leitura que favorece meditações múltiplas sobre a capacidade de favorecer “enxergâncias” mais consistentes sobre atos impensados, que retardam caminhadas na direção da Luz.

Para os que buscam também aprofundar o conhecimento sobre mortes voluntárias, recomendaria também a leitura do estudo História do Suicídio: a sociedade ocidental diante da morte voluntária, de George Minois, editado pela Editora Unesp, 2018, 414 p., onde o autor analisa a grande ausência, nos estudos historiográficos dos anos 1970 e 1980, da chamada morte voluntária. Uma lacuna que é explicada por causas documentais: as fontes que fazem referência às mortes voluntárias são diferentes das que relatam as mortes naturais, pois os suicidas não tinham direito ao sepultamento religioso, os obituários paroquiais não possuindo qualquer registro. Além da morte voluntária ser um tipo de óbito cujo significado não é de ordem demográfica, mas filosófica, religiosa, moral, cultural, instaurando um clima de mal-estar em torno dela. Pois Albert Camus já escrevia: “Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio”. E mais: “É preciso seguir e compreender esse jogo mortal que leva da lucidez diante da existência à fuga para longe da luz”.

O livro de Georges Minois possui o seguinte sumário: Introdução; 1. As nuances do suicídio na Idade Média; 2. A herança medieval: entre loucura e desespero; 3. A herança antiga: saber se retirar a tempo; 4. Primeiro renascimento: uma questão formulada, depois abafada; 5. Ser ou não ser? A primeira crise da consciência europeia (1580-1620); 6. A resposta das autoridades no século XVII: a repressão do suicídio; 7. Persistência do problema e substitutos do suicídio no século XVII; 8. A origem da “doença inglesa” (1680-1720); 9. O debate sobre o suicídio no século das luzes: da moral à medicina; 10. A elite: do suicídio filosófico ao suicídio romântico; 11. A persistência do suicídio entre o povo; Epílogo: Da revolução ao século XX, ou do livre debate ao silêncio.

No livro Nas Trilhas do Umbral, a autora reproduz a informação recebida do Espírito Ariel, de que no umbral, o egoísmo é intenso, suplanta a razão, enevoa o raciocínio, e a solidão é dura e intransponível. E conclui que quanto mais perverso é o ser, mais vazio ele é, e mais orgulhoso ele se torna.

Que vacina eficaz pode-se tomar para combater efetivamente os egoísmos que ampliam o orgulho e se revestem de infelicidade fatídica? O Emmanuel, também Espírito, nos dá a Oração do Socorro, para mim um verdadeiro bálsamo. Ei-la para todos os que estão lendo esta crônica:

Nas horas serenas,
Agradecer a Deus.
Nos momentos de crise,
Confiar em Deus.
Nos problemas da vida,
Soluções em Deus.
Ante injúrias e golpes,
Silêncio e fé em Deus.
Nos erros e nas falhas,
Recomeçar em Deus.

No mais, seguir adiante, sempre confiante no Jesus que se encontra em nosso interior de seres humanos incompletos direcionados para a Luz.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UMA COLEÇÃO VALIOSA

Acabo de receber pelos Correios o sétimo e último volume da coleção O Evangelho por Emmanuel, Comentários às cartas universais e ao apocalipse, coordenação de Saulo César Ribeiro da Silva, editado em julho passado pela FEB, 322 páginas.

A coleção O Evangelho por Emmanuel completa tem os seguintes títulos:

Vol. 1 – Evangelho segundo Mateus
Vol. 2 – Evangelho segundo Marcos
Vol. 3 – Evangelho segundo Lucas
Vol. 4 – Evangelho segundo João
Vol. 5 – Atos dos Apóstolos
Vol. 6 – Cartas de Paulo
Vol. 7 –Cartas Universais e ao Apocalipse

Uma coleção editada inicialmente em janeiro de 2016, onde, na Apresentação feita por Joanna de Ângelis, em página psicografada pelo médium Divaldo Franco em 15 de agosto de 2013, onde ela destaca: “Pelas diversas décadas, o nobre Espírito Emmanuel, através do mediumato do abnegado discípulo de Jesus, Francisco Cândido Xavier, analisou incontáveis e preciosos versículos que constituem o Novo Testamento, dando-lhe a dimensão merecida e o seu significado na atualidade para o comportamento correto de todos aqueles que amam o Mestre ou não o conhecem, sensibilizando leitores que se permitiram penetrar pelas luminosas considerações”. E mais ela disse: “Inegavelmente, é o mais precioso conjunto de estudos do evangelho de que se tem conhecimento através dos tempos, atualizado pelas sublimes informações dos Guias da sociedade, conforme a Revelação Espírita”. E conclui assim a Apresentação: “Que a claridade mirífica destas páginas que se encontram ao alcance de todos que a desejem ler, possam incendiar os sentimentos com as chamas do amor e da caridade, iluminando o pensamento para agir com discernimento e alegria na conquista da plenitude”.

No Prefácio, o coordenador Saulo César Ribeiro da Silva esclarece: “Os comentários de Emmanuel sobre o Evangelho encontram-se distribuídos em 138 livros e 441 artigos publicados ao longo de 39 anos nas revistas Reformador e Brasil Espírita. Além dos comentários aos versículos, os relatos presentes no livro Paulo e Estêvão, que fazem paralelo ao texto de Atos dos apóstolos, constituem um inestimável material de estudo sobre o Evangelho. … Em cada volume foram incluídas introduções específicas, com o objetivo de familiarizar o leitor com a natureza e característica dos escritos do Novo Testamento, acrescentando, sempre que possível, a perspectiva espírita. … O que surgiu inicialmente em uma reunião familiar, composta por algumas pessoas em torno do Evangelho, hoje está colocado à disposição do grande público, com o desejo sincero de que a imensa família humana se congregue cada vez mais em torno desse que é e será o farol imortal a iluminar o caminho de nossas vidas. Relembrando o Mestre inesquecível em sua confortadora promessa: “Pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18,20)”.

Na contracapa do volume 7, uma explicação pra lá de convincente: “Este trabalho foi promovido por uma equipe de pesquisadores da FEB (Federação Espírita Brasileira) e organizado em sete volumes, que compõem o projeto, com a finalidade de tornar acessível os preciosos ensinamentos presentes no Novo Testamento, referentes ao estudo e interpretação da mensagem de Jesus. … Que o leitor amigo possa meditar e mais uma vez se surpreender com a Mensagem que nunca envelhece, pois é fonte de vida abundante”.

Para servir de amostra mínima aos leitores amados, caminheiros que nem nós na direção da Luz Infinita, apresentamos, abaixo, cinco comentários feitos com base no Apocalipse. Fortalecerão seguramente a iniciativa de fomentar grupo de estudo nos comentários de Chico Xavier e o Espírito Emmanuel, orientador do maior médium brasileiro de todos os tempos:

a. Ainda que os teus melhores propósitos apareçam frustrados, não te desencorajes das empresas de elevação. Perseverança é a base do êxito na realização de todas as boas obras;

b. Ainda que as tuas mais belas esperanças se esfumem, ao toque de inesperados desenganos, não te abatas sob o peso de inquietações desnecessárias;

c. Mantém na confiança em Deus e espera por Deus, trabalhando e servindo na edificação do bem d todos, tanto quanto isso se te faça possível, porque Deus também confia, esperando por ti;

d. Aterra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as idades; Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito. Muitos deles não saíram ainda do jardim da infância espiritual;

No mais, a leitura sistemática, individual ou em grupo, da coleção O Evangelho por Emmanuel, de Chico Xavier, muito favorecerá a caminhada de todos na identificação do Mestre no interior de cada um. Pois, segundo Allan Kardec, “é pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a humanidade.” E eu acredito piamente nisso, sem tirar nem pôr uma vírgula.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UMA NARRATIVA BEM HUMORADA

Confesso que meu nível de satisfação existencial, depois da presepada nazista praticada pelo Roberto Alvim, demitido exemplarmente do cargo de Secretário de Cultura do atual Governo Federal, tornou-se de nível mais elevado diante de uma narrativa humoristicamente bem traçada através de um livro de filosofia que me provocou algumas horas de sadio contentamento: Uma Viagem pela Filosofia em 101 casos anedóticos, Nicholas Rescher, São Paulo, Editora Ideias & Letras, 2018, 416 p. O autor, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Leibniz da América do Norte, da Associação Filosófica Católica Americana e da Sociedade Metafísica da América, tornou-se o primeiro pensador a escrever algumas histórias que alguns filósofos contaram para lidar com temas de interesse filosóficos, questões de relacionados com verdade, conhecimento, valor, ação e ética., envolvendo lógica e epistemologia, ampliando compreensões que elucidam melhor complexos temas do pensamento. Segundo o professor de filosofia Robert Audi, Universidade Notre Dame, “o livro de Nicholas Rescher tem um alcance imensamente amplo, é altamente instrutivo e um deleite para qualquer pessoa interessadas em ideias, enigmas intelectuais e na amplitude da imaginação filosófica. O estilo narrativo envolvente convida à leitura pelo prazer; o alcance dá ao livro uma relevância sobre diversos telas filosóficos; e as próprias anedotas contribuem com ideias sobre temas de grande importância.”

O livro é desenvolvido em 5 partes: I – Da antiguidade ao ano 500 D.C.; II. Idade Média, 500-1500; III. Primórdios da modernidade, 1500-1800; IV. O passado recente, 1800-1900; V. A era corrente, de 1900 ao presente. E ele é muito bem desenvolvidos, sob os seguintes blocos temáticos: Epistemologia, Ética e Antropologia filosófica, Lógica e linguagem, Metafilosofia, Metafísica, Filosofia e Religião, e Sociedade e Política.

O autor explicita na Introdução: “Este é um livro de anedotas filosoficamente instrutivas escrito para pensadores filosoficamente sofisticados. Assim como uma prova matemática consiste em uma série de pequenos passos incrementais de argumentação, um percurso de raciocínio e reflexão filosóficos consiste em uma sequência de considerações, cada uma das quais é, em princípio, suficientemente pequena em escopo e escala para admitir ser examinada de uma maneira anedótica. … Uma anedota frequentemente serve para tornar vívido e memorável um ponto cujo desenvolvimento doutrinário de outro modo seria longo e tedioso.”

No capítulo 12, apenas servindo como amostra, intitulado A República de Platão, o autor ressalta que o texto do filósofo grego (428-347 a.C.) não é apenas a primeira obra filosófica realmente substancial, mas também uma das mais grandiosas. E reproduz recomendação do filósofo: “Devemos escolher dentre os guardiões os que observamos serem os mais cuidadosos durante todas suas vidas; que fazem com todo seu coração o que pensam ser vantajoso para a cidade. […] Eles devem ser observados desde a infância; devemos estipular-lhes testes nos quais um homem teria maiores chances de esquecer tal resolução ou ser enganado, e devemos escolher aqueles que têm boa memória e que não facilmente enganados, e rejeitar os outros […]. Então, quem quer que seja testado assim, na infância, na mocidade e na idade madura, e saia imaculado, deve ser estabelecido como governante e guardião da cidade; e devem receber honrarias enquanto vivos, e depois de mortos túmulos públicos e magníficos memoriais. […] Esses governantes devem manter-se vigilantes sobre os inimigos do exterior e sobre os amigos no interior, devem cuidar para que os amigos não desejem causar danos e para que os inimigos sejam incapazes de tal coisa”.

Segundo Platão, ninguém discordaria de boas leis com bons homens é algo muito bom, como más leis com homens maus é algo terrificante. Mas o que aconteceria nos casos mistos? Quem deveria ser prioridade, boas leis ou bons comandantes para operá-las? E os conflitos reais, como deveriam ser resolvidos? E se os Tribunais Superiores forem apodrecidos, o que aconteceria com a sociedade?

Encarecemos ao leitor amigo adentrar nas páginas do livro do Nicholas Rescher. E serenamente chegar ao capítulo 95, onde a filósofa inglês Philippa Foot (1920-2010) apresentou uma charada ética amplamente discutida: “Você está parado ao lado de um trilho, quando vê um bonde desgovernado vindo em sua direção. Claramente o condutor perdeu o controle. À frente há cinco pessoas atadas no trilho. Se você não fizer nada, as cinco serão atropeladas e mortas. Felizmente, você está ao lado de uma alavanca comutadora: girar esse comutador fará com que o veículo fora de controle siga por um trilho lateral, um trilho lateral, um trilho de manobra, logo à sua frente. Mas há uma dificuldade: no trilho de manobra você vê uma pessoa atada ao trilho. Desviar o bonde resultará inevitavelmente na morte dessa pessoa. O que você deveria fazer?”

Reflita demoradamente sobre uma pergunta operante: será que um agente moral é obrigado a assumir a responsabilidade causada por um mau resultado a fim de impedir um resultado que seja ainda pior para o esquema geral das coisas? Ou você sairia de mansinho da situação, cantando bem baixinho: “Se a vida me levar, me leva eu” ?

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

VIDA: CARA & COROA

Quando da minha última viagem a João Pessoa, PB, na companhia da Sissa, minha atual inspiração, e do casal Cleide/André Martins, ele um enteado quase-filho, ficamos hospedados numa pousada à beira-mar, de excelentes acomodações para visitantes rápidos que nem nós. Na primeira manhã, após um café-com-pão matinal sem firulas, um sábado chuvisquento, visitamos um shopping famoso, onde me despertei por um livro exposto numa livraria de excelente qualidade expositiva: As duas faces da vida – textos reunidos, Hermínio C. Miranda, Bragança Paulista, SP, Instituto Lachâtre, 2013, 320 p.

O desejo de compra ampliou-se quando constatei ser de Dora Incontri a autoria da apresentação, ela que considero uma pedagoga-pesquisadora de gigantesco valor, sempre a nutrir uma admiração imensa pelo Miranda, segundo ela um analista kardecista que seguiu rigorosamente a recomendação deixada pelo Codificador, a de “conter tanto o sério quanto o agradável”.

Na Apresentação, Dora Incontri ressalta os dois tipos de escritos contidos no livro. Nos primeiros, o autor do livro escreve sobre as mediunidades acontecidas na história, onde se destaca uma história oculta do nazismo, ressaltando as raízes profundas de uma das maiores tragédias de todos os tempos, inclusive os componentes espirituais que engendraram o nazismo, uma maquinação muito bem estruturada e consciente das forças das trevas, que tinham por fim a dominação do planeta. Nos segundos textos, também escritos pelo Hermínio Miranda, reflexões sapienciais sobre temas metafísicos e morais, como o que trata de Deus e do perdão, além de análises envolvendo a psicologia e a bioética. E ela conclui: “o leitor fará um passeio ávido e estimulante pela diversidade dos assuntos e das narrativas entre as duas faces da vida, a física e a espiritual, ambas pertencentes a uma mesma realidade”. E mais: “Somos seres interexistentes. Tudo na história, no cotidiano, na mente, se expande além da dimensão física e restrita do corpo, para se projetar na interexistência. A consciência disso torna a vida muito mais excitante, com sentido mais pleno e propósito mais nobre”.

Na mesma estante, um outro livro de Miranda me deixou com uma vontade danada de quero-outro: Guerrilheiros da intolerância, Bragança Paulista SP, Lachâtre, 2018, 256 páginas. Nele, num capítulo inicial denominado História do Livro, o autor revela como e por que escreveu o texto editado. Ele explica: “houve tempo em que um ambicioso projeto literário ocupou grande espaço da minha mente. Eu desejava escrever um livro no qual estudasse reencarnações do meu espírito em mais de uma existência. Escolhi para isso algumas figuras históricas conhecidas sobre as quais dispunha de informações que, pelo menos, justificavam o empenho em relatar aquilo que, provisoriamente, eram suas multibiografias”. Depois de idas e vindas e algumas coincidências, três personalidades foram biografadas: Hipácia, bela filósofa de Alexandria, Giordano Bruno, o metafísico do Renascimento, e Annie Besant, escritora que conseguiu isolar-se do tumulto à sua volta para ler, meditar e escrever, tornando-se teosofista em 1889. Apelidada também de “procelária” – palmípede que, voando em bandos sobre as ondas do mar, anuncia que vem tempestade –, insistia em desafiar sem temor o establishment para falar sobre incômodas realidades espirituais, como a reencarnação. O ateísmo também tendo sido um dos seus temas favoritos, ela sendo contrária a qualquer tipo de restrição à liberdade de pensamento.

No primeiro livro, acima citado, uma série de artigos publicados na imprensa, Hermínio Miranda, desencarnado em 2003, 8 de julho, concedeu quatro entrevistas, uma à Revista Internacional de Espiritismo, outra no GEAE – Grupo de Estudos Avançados do Espiritismo, uma terceira à Folha Espírita e a quarta ao Correio Fraterno do ABC. Além de duas conferências, a primeira intitulada A Hora da Decisão, a outra sobre A Síndrome da personalidade múltipla e suas implicações com a obsessão e a possessão. Para encantar mais os leitores, o primeiro artigo do livro – O Fantasma do Redingote Amarelo – ressalta os avisos dados ao rei Luís 18, cujo infeliz reinado encerrou-se com sua morte, em 1824.

Hermínio Corrêa de Miranda é ainda considerado um dos campeões de venda da literatura espírita do Brasil. Formado em Ciências Contábeis, trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional de 1949 a 1980, tendo exercido parte de suas atividades, cinco anos, no escritório da Companhia em Nova York. É considerado a maior autoridade brasileira no campo da mediunidade. Inquestionavelmente, uma pena precisa e talentos.

Um terceiro livro do Miranda foi lido há algumas semanas, enviado pelo Clube do Livro de Divinópolis, Minas Gerais: O Evangelho Gnóstico de Tomé, Bragança Paulista SP, 6ª. edição, 2017, 256 p. Contendo uma Introdução e duas partes amplamente esclarecedoras: I – O gnosticismo e a realidade espiritual; II – O Evangelho de Tomé. Na Introdução, um esclarecimento ignorado pela grande maioria dos cristãos, a de que, no decorrer dos três primeiros séculos da era cristã, mais de uma centena de seitas dissidentes pugnaram pela hegemonia da Mensagem do Nazareno. O livro analisa sobre as tendências diversas que buscavam o reconhecimento da maioria, resultando inúmeras vezes em contendas ideológicas nem sempre pacíficas. E vai além, o Miranda: “Estamos diante de uma estrutura doutrinária danificada por inúmeras infiltrações e irrecuperáveis fraturas e que nada tem a dizer a uma humanidade aturdida que, à falta de conhecimento confiável, vaga sem rumo, em busca de mecanismos de fuga, em esforço inútil para escapar a uma realidade incompreensível e perversa.”

Livros amplamente recomendáveis para períodos de férias e reflexões 2020, ampliando enxergâncias e consolidando uma consistente criticidade cidadã.