FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

HERÓIS DE GUERRA

Há fatos reais que enobrecem a raça humana, exemplos concretos contra as pusilanimidades dos descuecados que se urinam todos diante dos travestidos de donos do pedaço, borrando-se todo nas calças diante das ordens fétidas dos chefetes mequetrefes mal encarados. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando da instalação dos criminosos do III Reich no poder, um jovem dinamarquês, Knud Pederson, de apenas 15 anos, juntamente com seu irmão e mais um punhado de colegas, resolveu enfrentar os nazistas, diante das subserviências cagônicas dos dirigentes patrícios. E fundaram o Clube Churchill para enfrentarem os assassinos comandados por Adolfo Hitler, ajudando, pelo exemplo de heroísmo, a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca. Toda a epopeia dos adolescentes foi registrada em livro, no Brasil sendo editado sob título OS GAROTOS DINAMARQUESES QUE DESAFIARAM HITLER, Phillip M. Hoose, São Paulo, Vestígio, 2020, 222 p.

A história do livro acima é digna de ser lida e contada. No verão de 2000, o autor Hoose, fazendo um tour de bicicleta pela Dinamarca, fez uma visita ao Museu da Resistência Dinamarquesa, em Copenhague, capital do país. Em um dos cantos do museu, ele deparou-se com uma mostra denominada O Clube Churchill, contendo fotos, narrando a história de um grupo de adolescentes dinamarqueses da cidade de Odense, a terceira cidade do país, que promoveram uma heroica resistência ao truculento regime nazista.

Durante a visita de Hoose ao Museu, o curador do museu lhe informou que alguns dos meninos – agora idosos – ainda continuavam vivos, inclusive Knud Pedersen, o mais conhecido e o mais bem informado de todos sobre a resistência praticada pelos jovens e que atualmente o antigo resistente adolescente administrava uma biblioteca de artes no centro da cidade. E o próprio curador forneceu o e-mail do Pederson. Em setembro de 2012, o autor e sua senhora desembarcavam em Copenhague, para conhecer Pederson e iniciar uma série de entrevistas gravadas, narrando os feitos da resistência heroica acontecida.

A invasão da Dinamarca aconteceu em 9 de abril de 1940, quando, ao final da tarde daquele dia, 16 mil alemães já se haviam implantados em solo dinamarquês, prometendo dias melhores para todos, anestesiando muitos comerciantes, inclusive em Odense, onde cretinos vibraram muito em vender cerveja e tortas às tropas invasoras.

Embora pequena, a Dinamarca era muito valorizada pelo regime nazista, pois dispunha de uma malha ferroviária de primeira qualidade, que serviria para transporte de minério de ferro da Noruega e da Suécia, indispensável para fabricação do arsenal bélico do III Reich. Além disso, Hitler enxergava o povo dinamarquês como uma gente perfeitamente inserida na raça superior, imaginando a Dinamarca como uma sócia-fundadora de uma elite governante mundial.

Em Odensen, no entanto, um grupo de jovens, leitores diários de jornais, tomavam conhecimento da invasão também havida na Noruega, onde milhares de noruegueses foram barbaramente assassinados pelos nazistas, lá tendo sido implantada férrea censura aos meios de comunicação. Mas os noruegueses continuavam bravamente resistindo, diferentemente dos principais dirigentes públicos dinamarqueses, o rei Christian X e o primeiro-ministro Thorvald Stauning, que tinham se subordinados mediocremente à dominação. Tais notícias despertaram os ânimos dos adolescentes na direção da promoção de estratégias de também resistir aos assassinos invasores, muito envergonhados das suas autoridades públicas.

A leitura do livro é deveras sedutora, e também restauradora, para todos aqueles que se imaginam sem esperança nos amanhãs de uma humanidade alienada e que facilmente adere às ideologias mais esdrúxulas, histórica e amplamente superadas. E que se queda docilmente aos ditames de demagogos e populistas rabos de cabra, incultos e ananzados, capitães que jamais serão generais nas reestruturações planetárias democráticas exigidas pelas atuais circunstâncias históricas.

Os testemunhos acerca dos acontecidos valem a pena ser registrados neste canto de site:

“Esses adolescentes arriscaram tudo – e perderam muito. Esta eletrizante obra de não ficção vai agitar os corações de leitores de todas as idades.” (The Wall Street Journal)

“Um poderoso testemunho dos atos de bravura desses jovens, que se arriscaram a vida pelo seu país.” (The Washington Post)

“Uma notável história real, contada com primor.” (Kirkus Reviews)

Na contra capa uma panorâmica: “Batizando seu clube secreto com o nome do impetuoso líder britânico, os jovens patriotas do Clube Churchill cometeram incontáveis atos de sabotagem, despertando a fúria dos alemães, que acabaram identificando e prendendo os garotos. Mas seus esforços não foram em vão: as façanhas do clube e a captura dos seus membros ajudaram a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca.”

O autor Hoose desenvolve, no livro, uma sedutora metodologia: intercala sua própria narrativa com as memórias pessoais de Knud Peterson, que conta a história inspiradora de um grupo de jovens heróis de guerra.

Vale a pena rememorar heroísmos para execrar frouxidões e disenterias cívicas, morais e religiosas em um mundo há décadas muito apalermado por hedonismos e individualismos terrivelmente viróticos.

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LEITURAS SADIAS PARA O PERÍODO MOMESCO

Para os que ficarão bem longe da folia de Momo, preparando-se para um início de ano que se iniciará após a quarta-feira de Cinzas, uma atividade bastante provocante: fixar os olhos para o céu numa noite estrelada e buscar respostas para uma série de indagações existenciais: Que lugar ocupo no espaço?, O que tudo isso significa?, Como isso tudo teve início? Como isso funciona?, Que papel exercemos nesse processo?, Que fim tudo isso terá?, Quem organizou o Cosmo? E quem pode elucidar tudo isso, sem apelar para raciocínios eruditos de alta complexidade, em capítulos enxutos, próprios para todos os curiosos que não possuem tempos disponíveis extensos para pesquisas exploratórias e outras elucubrações mentais quilométricas.

Dois textos significativos por derradeiro:

O primeiro é bastante elucidativo, de autoria de aclamado astrofísico-pesquisador, escrito especialmente para os avexados de carteirinha, poderá ser um bom começo para os primeiros passos elucidativos na aquisição de um conhecimento fundamental das descobertas relacionadas ao universo. Ei-lo:

ASTROFÍSICA PARA APRESSADOS
Neil deGrasse Tyson
São Paulo, Planeta, 2017, 180 p.

O autor, astrofísico do Museu Americano de História Natural de New York, também diretor do Planetário Hayden, tem bacharelado em física pela Harvard University e doutorado em astrofísica em Colúmbia.

O livro tem o seguinte Sumário: Prefácio; 1. A maior história já contada; 2. Na Terra como no céu; 3. Faça-se a luz; 4. Entre as galáxias; 5. Matéria escura; 6. Energia escura; 7. O cosmo na tabela; 8. Sobre ser redondo; 9. Luz invisível; 10. Reflexões sobre a perspectiva cósmica.

No prefácio, o autor incentiva: “Com este pequeno livro você ganhará uma fluência básica em todas as principais ideias e descobertas que conduzem nossa moderna compreensão do universo. Caso eu tenha sucesso, você ficará culturalmente familiarizado com minha área de especialização e sedento por mais.”

O segundo é de autoria de um cientista brasileiro de renome internacional, docente de filosofia natural, de física e de astronomia na Dartmouth College, USA. Em 2019, ganhou o Prêmio Templeton, considerado o “Nobel da espiritualidade”, sendo o primeiro latino-americano a receber tamanho galardão:

O CALDEIRÃO AZUL: O UNIVERSO, O HOMEM E SEU ESPÍRITO
Marcelo Gleiser
Rio de Janeiro, Record, 2019, 5ª. edição, 223 p.

Diz uma das orelhas: “Os ensaios aqui reunidos são fruto da reflexão de Marcelo Gleiser sobre as questões que considera mais relevantes para o momento atual: nossa relação com o planeta e suas criaturas, com os membros da sociedade em que vivemos, e com a tecnologia, que está transformando, com velocidade impressionante, quem somos e como nos relacionamos.” E diz mais: “Gleiser nos lembra que a ciência, aliada à busca por respostas e ao fascínio pelo mistério que nos cerca, pode ser usada tanto como ponte para um mundo melhor, como para construir a pior distopia imaginável.” Caberá, então, à Cidadania Planetária, decidir sobre os amanhãs que desejamos, respeitadas as diferenças de pensar de cada um, sempre abertos diante dos que pensam de outras formas. Sempre se pautando sob a reflexão do extraordinário Albert Einstein: “Em cada explorador da Natureza encontramos uma reverência religiosa.”

O livro do Gleiser se encontra desenvolvido em quatro partes: I – Ciência e Espiritualidade; II – A Importância de Ser Humano; III – Um Mundo em Crise; IV – O Futuro da Humanidade.

É deveras significativa a Parte III, composta de ensaios que devem ser lidos com ampla acuidade mental, sinceridade de uma militância cósmica socialmente progressista e releituras recheadas de novos compromissos para com a Paz Mundial.

Na primeiro deles – Holocausto nuclear: história e futuro -, o autor denomina de Destruição Mútua Assegurada, o que aconteceria se as grandes potências nucleares do mundo entrassem em conflito aberto. E revela um dado impressionante: “No auge da Guerra Fria, os EEUU tinham 1.054 mísseis balísticos internacionais e 656 mísseis nucleares detonáveis armados em submarinos. E hoje, vários países fazem parte desse clube de armas atômicas: EEUU, China, Grã-Bretanha, Israel, África do Sul, Índia e Paquistão. E quanto maior o número de países com armamentos nucleares, maior o risco de conflito.

No segundo ensaios – Predação Planetária -, Gleiser ressalta a urgente necessidade de cuidados especiais com o aquecimento global e a qualidade da água. E ele estabelece uma indispensável regra existencial ética: “trate todas as formas de vida como quer ser tratado; trate do planeta como quer que sua casa seja tratada.”

Os dois últimos ensaios, significativos e complementares aos dois primeiros ressaltam os amanhãs que inúmeros não querem ver, alienados ou comprometidos com forças econômicas que apenas contabilizam lucros, pouco importando os modos de conseguir. A fome levará milhões para longe de seus pagos de nascença, o derretimento do gelo no Ártico liberará incalculáveis quantidades de gás metano na atmosfera, atingindo níveis 34 vezes maior que os atuais, até o final do século, e a acidificação dos oceanos, destruindo um quarto da vida marinha, exigirão soluções, a exigir preliminarmente uma mudança radical de mentalidade.

Na parte IV, o fenômeno do “transumanismo”, a junção do humano com a máquina, é estudado, ressaltando-se atenção redobrada para o documentário Uma verdade inconveniente, do Al Gore, vencedor de dois Oscars. Um documentário que foi manchete mundial, hoje relegado ao baú do esquecimento pelos alienados dirigentes mundiais, amplamente carentes de um humanismo século XXI, amplamente despreocupados com as ditaduras digitais que se avolumam pelos quatro cantos da terra.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

JORNADAS DE RESGATES

Recebi da Sissa, minha inspiração diária, antecipando a estadia no Portal de Gravatá no Carnaval, o romance mediúnico Nas Trilhas do Umbral – Eulália, Mônica Aguieiras Cortat, Capivari-SP, Editora EME, 2019, 200 p., com uma dedicatória que muito me sensibilizou, significando uma postura comportamental equilibrada sem fricotes nem exageros. A autora do livro, médium natural de Vitória, ES, é formada em administração de empresas, pós-graduada em contabilidade. Autora premiada, escreve desde os 13 anos, também sendo autora de dois CDs bastante aplaudidos nos quatro cantos do Brasil.

Na Introdução, Ariel, o mentor espiritual da autora, explica o que é um umbral: “transposição entre o mundo dos vivos e a espiritualidade, vão da porta entre essas duas realidades, que parecem tão diferentes, mas não passam de uma continuação eterna do caminho na imortalidade para o espírito. É o lugar para onde vão aqueles que se sentem perdidos, deslocados, culpados ou infelizes de alguma forma”. E esclarece: “Como espíritas, não podemos aceitar a eternidade das penas, se acreditamos num Deus infinitamente superior, expressão de bondade e amor absolutos. Nosso Pai amoroso quer que o filho aprenda e evolua. Por isso, a dádiva da reencarnação”.

Para quem não está familiarizado com o linguajar kardecista, sugerimos um suporte valioso: o dicionário O Espiritismo de A a Z, 4ª. edição, coordenado pelo Geraldo Campetti Sobrinho, Brasília, Federação Espírita Brasileira, 2013, 964 p., onde encontramos os seguintes esclarecimentos do que seja umbral: “dolorosa região de sombras, erguida e cultivada pela mente humana, em geral rebelde e ociosa, desvairada e enfermiça”. E mais: “É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos”. Ou ainda: “Funciona como região destinada a esgotamento de resíduos mentais, uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezado o sublime ensejo de uma existência terrena”.

Na trama desenvolvida no livro Nas Trilhas do Umbral, Fabrício, um suicida, é procurado por pessoas solidárias, que o buscam, atendendo solicitações aflitivas de sua mãe. Um romance que norteia, balizando, os desorientados e potencialmente adeptos da morte voluntária. Uma leitura que favorece meditações múltiplas sobre a capacidade de favorecer “enxergâncias” mais consistentes sobre atos impensados, que retardam caminhadas na direção da Luz.

Para os que buscam também aprofundar o conhecimento sobre mortes voluntárias, recomendaria também a leitura do estudo História do Suicídio: a sociedade ocidental diante da morte voluntária, de George Minois, editado pela Editora Unesp, 2018, 414 p., onde o autor analisa a grande ausência, nos estudos historiográficos dos anos 1970 e 1980, da chamada morte voluntária. Uma lacuna que é explicada por causas documentais: as fontes que fazem referência às mortes voluntárias são diferentes das que relatam as mortes naturais, pois os suicidas não tinham direito ao sepultamento religioso, os obituários paroquiais não possuindo qualquer registro. Além da morte voluntária ser um tipo de óbito cujo significado não é de ordem demográfica, mas filosófica, religiosa, moral, cultural, instaurando um clima de mal-estar em torno dela. Pois Albert Camus já escrevia: “Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio”. E mais: “É preciso seguir e compreender esse jogo mortal que leva da lucidez diante da existência à fuga para longe da luz”.

O livro de Georges Minois possui o seguinte sumário: Introdução; 1. As nuances do suicídio na Idade Média; 2. A herança medieval: entre loucura e desespero; 3. A herança antiga: saber se retirar a tempo; 4. Primeiro renascimento: uma questão formulada, depois abafada; 5. Ser ou não ser? A primeira crise da consciência europeia (1580-1620); 6. A resposta das autoridades no século XVII: a repressão do suicídio; 7. Persistência do problema e substitutos do suicídio no século XVII; 8. A origem da “doença inglesa” (1680-1720); 9. O debate sobre o suicídio no século das luzes: da moral à medicina; 10. A elite: do suicídio filosófico ao suicídio romântico; 11. A persistência do suicídio entre o povo; Epílogo: Da revolução ao século XX, ou do livre debate ao silêncio.

No livro Nas Trilhas do Umbral, a autora reproduz a informação recebida do Espírito Ariel, de que no umbral, o egoísmo é intenso, suplanta a razão, enevoa o raciocínio, e a solidão é dura e intransponível. E conclui que quanto mais perverso é o ser, mais vazio ele é, e mais orgulhoso ele se torna.

Que vacina eficaz pode-se tomar para combater efetivamente os egoísmos que ampliam o orgulho e se revestem de infelicidade fatídica? O Emmanuel, também Espírito, nos dá a Oração do Socorro, para mim um verdadeiro bálsamo. Ei-la para todos os que estão lendo esta crônica:

Nas horas serenas,
Agradecer a Deus.
Nos momentos de crise,
Confiar em Deus.
Nos problemas da vida,
Soluções em Deus.
Ante injúrias e golpes,
Silêncio e fé em Deus.
Nos erros e nas falhas,
Recomeçar em Deus.

No mais, seguir adiante, sempre confiante no Jesus que se encontra em nosso interior de seres humanos incompletos direcionados para a Luz.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UMA COLEÇÃO VALIOSA

Acabo de receber pelos Correios o sétimo e último volume da coleção O Evangelho por Emmanuel, Comentários às cartas universais e ao apocalipse, coordenação de Saulo César Ribeiro da Silva, editado em julho passado pela FEB, 322 páginas.

A coleção O Evangelho por Emmanuel completa tem os seguintes títulos:

Vol. 1 – Evangelho segundo Mateus
Vol. 2 – Evangelho segundo Marcos
Vol. 3 – Evangelho segundo Lucas
Vol. 4 – Evangelho segundo João
Vol. 5 – Atos dos Apóstolos
Vol. 6 – Cartas de Paulo
Vol. 7 –Cartas Universais e ao Apocalipse

Uma coleção editada inicialmente em janeiro de 2016, onde, na Apresentação feita por Joanna de Ângelis, em página psicografada pelo médium Divaldo Franco em 15 de agosto de 2013, onde ela destaca: “Pelas diversas décadas, o nobre Espírito Emmanuel, através do mediumato do abnegado discípulo de Jesus, Francisco Cândido Xavier, analisou incontáveis e preciosos versículos que constituem o Novo Testamento, dando-lhe a dimensão merecida e o seu significado na atualidade para o comportamento correto de todos aqueles que amam o Mestre ou não o conhecem, sensibilizando leitores que se permitiram penetrar pelas luminosas considerações”. E mais ela disse: “Inegavelmente, é o mais precioso conjunto de estudos do evangelho de que se tem conhecimento através dos tempos, atualizado pelas sublimes informações dos Guias da sociedade, conforme a Revelação Espírita”. E conclui assim a Apresentação: “Que a claridade mirífica destas páginas que se encontram ao alcance de todos que a desejem ler, possam incendiar os sentimentos com as chamas do amor e da caridade, iluminando o pensamento para agir com discernimento e alegria na conquista da plenitude”.

No Prefácio, o coordenador Saulo César Ribeiro da Silva esclarece: “Os comentários de Emmanuel sobre o Evangelho encontram-se distribuídos em 138 livros e 441 artigos publicados ao longo de 39 anos nas revistas Reformador e Brasil Espírita. Além dos comentários aos versículos, os relatos presentes no livro Paulo e Estêvão, que fazem paralelo ao texto de Atos dos apóstolos, constituem um inestimável material de estudo sobre o Evangelho. … Em cada volume foram incluídas introduções específicas, com o objetivo de familiarizar o leitor com a natureza e característica dos escritos do Novo Testamento, acrescentando, sempre que possível, a perspectiva espírita. … O que surgiu inicialmente em uma reunião familiar, composta por algumas pessoas em torno do Evangelho, hoje está colocado à disposição do grande público, com o desejo sincero de que a imensa família humana se congregue cada vez mais em torno desse que é e será o farol imortal a iluminar o caminho de nossas vidas. Relembrando o Mestre inesquecível em sua confortadora promessa: “Pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18,20)”.

Na contracapa do volume 7, uma explicação pra lá de convincente: “Este trabalho foi promovido por uma equipe de pesquisadores da FEB (Federação Espírita Brasileira) e organizado em sete volumes, que compõem o projeto, com a finalidade de tornar acessível os preciosos ensinamentos presentes no Novo Testamento, referentes ao estudo e interpretação da mensagem de Jesus. … Que o leitor amigo possa meditar e mais uma vez se surpreender com a Mensagem que nunca envelhece, pois é fonte de vida abundante”.

Para servir de amostra mínima aos leitores amados, caminheiros que nem nós na direção da Luz Infinita, apresentamos, abaixo, cinco comentários feitos com base no Apocalipse. Fortalecerão seguramente a iniciativa de fomentar grupo de estudo nos comentários de Chico Xavier e o Espírito Emmanuel, orientador do maior médium brasileiro de todos os tempos:

a. Ainda que os teus melhores propósitos apareçam frustrados, não te desencorajes das empresas de elevação. Perseverança é a base do êxito na realização de todas as boas obras;

b. Ainda que as tuas mais belas esperanças se esfumem, ao toque de inesperados desenganos, não te abatas sob o peso de inquietações desnecessárias;

c. Mantém na confiança em Deus e espera por Deus, trabalhando e servindo na edificação do bem d todos, tanto quanto isso se te faça possível, porque Deus também confia, esperando por ti;

d. Aterra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as idades; Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito. Muitos deles não saíram ainda do jardim da infância espiritual;

No mais, a leitura sistemática, individual ou em grupo, da coleção O Evangelho por Emmanuel, de Chico Xavier, muito favorecerá a caminhada de todos na identificação do Mestre no interior de cada um. Pois, segundo Allan Kardec, “é pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a humanidade.” E eu acredito piamente nisso, sem tirar nem pôr uma vírgula.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UMA NARRATIVA BEM HUMORADA

Confesso que meu nível de satisfação existencial, depois da presepada nazista praticada pelo Roberto Alvim, demitido exemplarmente do cargo de Secretário de Cultura do atual Governo Federal, tornou-se de nível mais elevado diante de uma narrativa humoristicamente bem traçada através de um livro de filosofia que me provocou algumas horas de sadio contentamento: Uma Viagem pela Filosofia em 101 casos anedóticos, Nicholas Rescher, São Paulo, Editora Ideias & Letras, 2018, 416 p. O autor, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Leibniz da América do Norte, da Associação Filosófica Católica Americana e da Sociedade Metafísica da América, tornou-se o primeiro pensador a escrever algumas histórias que alguns filósofos contaram para lidar com temas de interesse filosóficos, questões de relacionados com verdade, conhecimento, valor, ação e ética., envolvendo lógica e epistemologia, ampliando compreensões que elucidam melhor complexos temas do pensamento. Segundo o professor de filosofia Robert Audi, Universidade Notre Dame, “o livro de Nicholas Rescher tem um alcance imensamente amplo, é altamente instrutivo e um deleite para qualquer pessoa interessadas em ideias, enigmas intelectuais e na amplitude da imaginação filosófica. O estilo narrativo envolvente convida à leitura pelo prazer; o alcance dá ao livro uma relevância sobre diversos telas filosóficos; e as próprias anedotas contribuem com ideias sobre temas de grande importância.”

O livro é desenvolvido em 5 partes: I – Da antiguidade ao ano 500 D.C.; II. Idade Média, 500-1500; III. Primórdios da modernidade, 1500-1800; IV. O passado recente, 1800-1900; V. A era corrente, de 1900 ao presente. E ele é muito bem desenvolvidos, sob os seguintes blocos temáticos: Epistemologia, Ética e Antropologia filosófica, Lógica e linguagem, Metafilosofia, Metafísica, Filosofia e Religião, e Sociedade e Política.

O autor explicita na Introdução: “Este é um livro de anedotas filosoficamente instrutivas escrito para pensadores filosoficamente sofisticados. Assim como uma prova matemática consiste em uma série de pequenos passos incrementais de argumentação, um percurso de raciocínio e reflexão filosóficos consiste em uma sequência de considerações, cada uma das quais é, em princípio, suficientemente pequena em escopo e escala para admitir ser examinada de uma maneira anedótica. … Uma anedota frequentemente serve para tornar vívido e memorável um ponto cujo desenvolvimento doutrinário de outro modo seria longo e tedioso.”

No capítulo 12, apenas servindo como amostra, intitulado A República de Platão, o autor ressalta que o texto do filósofo grego (428-347 a.C.) não é apenas a primeira obra filosófica realmente substancial, mas também uma das mais grandiosas. E reproduz recomendação do filósofo: “Devemos escolher dentre os guardiões os que observamos serem os mais cuidadosos durante todas suas vidas; que fazem com todo seu coração o que pensam ser vantajoso para a cidade. […] Eles devem ser observados desde a infância; devemos estipular-lhes testes nos quais um homem teria maiores chances de esquecer tal resolução ou ser enganado, e devemos escolher aqueles que têm boa memória e que não facilmente enganados, e rejeitar os outros […]. Então, quem quer que seja testado assim, na infância, na mocidade e na idade madura, e saia imaculado, deve ser estabelecido como governante e guardião da cidade; e devem receber honrarias enquanto vivos, e depois de mortos túmulos públicos e magníficos memoriais. […] Esses governantes devem manter-se vigilantes sobre os inimigos do exterior e sobre os amigos no interior, devem cuidar para que os amigos não desejem causar danos e para que os inimigos sejam incapazes de tal coisa”.

Segundo Platão, ninguém discordaria de boas leis com bons homens é algo muito bom, como más leis com homens maus é algo terrificante. Mas o que aconteceria nos casos mistos? Quem deveria ser prioridade, boas leis ou bons comandantes para operá-las? E os conflitos reais, como deveriam ser resolvidos? E se os Tribunais Superiores forem apodrecidos, o que aconteceria com a sociedade?

Encarecemos ao leitor amigo adentrar nas páginas do livro do Nicholas Rescher. E serenamente chegar ao capítulo 95, onde a filósofa inglês Philippa Foot (1920-2010) apresentou uma charada ética amplamente discutida: “Você está parado ao lado de um trilho, quando vê um bonde desgovernado vindo em sua direção. Claramente o condutor perdeu o controle. À frente há cinco pessoas atadas no trilho. Se você não fizer nada, as cinco serão atropeladas e mortas. Felizmente, você está ao lado de uma alavanca comutadora: girar esse comutador fará com que o veículo fora de controle siga por um trilho lateral, um trilho lateral, um trilho de manobra, logo à sua frente. Mas há uma dificuldade: no trilho de manobra você vê uma pessoa atada ao trilho. Desviar o bonde resultará inevitavelmente na morte dessa pessoa. O que você deveria fazer?”

Reflita demoradamente sobre uma pergunta operante: será que um agente moral é obrigado a assumir a responsabilidade causada por um mau resultado a fim de impedir um resultado que seja ainda pior para o esquema geral das coisas? Ou você sairia de mansinho da situação, cantando bem baixinho: “Se a vida me levar, me leva eu” ?

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

VIDA: CARA & COROA

Quando da minha última viagem a João Pessoa, PB, na companhia da Sissa, minha atual inspiração, e do casal Cleide/André Martins, ele um enteado quase-filho, ficamos hospedados numa pousada à beira-mar, de excelentes acomodações para visitantes rápidos que nem nós. Na primeira manhã, após um café-com-pão matinal sem firulas, um sábado chuvisquento, visitamos um shopping famoso, onde me despertei por um livro exposto numa livraria de excelente qualidade expositiva: As duas faces da vida – textos reunidos, Hermínio C. Miranda, Bragança Paulista, SP, Instituto Lachâtre, 2013, 320 p.

O desejo de compra ampliou-se quando constatei ser de Dora Incontri a autoria da apresentação, ela que considero uma pedagoga-pesquisadora de gigantesco valor, sempre a nutrir uma admiração imensa pelo Miranda, segundo ela um analista kardecista que seguiu rigorosamente a recomendação deixada pelo Codificador, a de “conter tanto o sério quanto o agradável”.

Na Apresentação, Dora Incontri ressalta os dois tipos de escritos contidos no livro. Nos primeiros, o autor do livro escreve sobre as mediunidades acontecidas na história, onde se destaca uma história oculta do nazismo, ressaltando as raízes profundas de uma das maiores tragédias de todos os tempos, inclusive os componentes espirituais que engendraram o nazismo, uma maquinação muito bem estruturada e consciente das forças das trevas, que tinham por fim a dominação do planeta. Nos segundos textos, também escritos pelo Hermínio Miranda, reflexões sapienciais sobre temas metafísicos e morais, como o que trata de Deus e do perdão, além de análises envolvendo a psicologia e a bioética. E ela conclui: “o leitor fará um passeio ávido e estimulante pela diversidade dos assuntos e das narrativas entre as duas faces da vida, a física e a espiritual, ambas pertencentes a uma mesma realidade”. E mais: “Somos seres interexistentes. Tudo na história, no cotidiano, na mente, se expande além da dimensão física e restrita do corpo, para se projetar na interexistência. A consciência disso torna a vida muito mais excitante, com sentido mais pleno e propósito mais nobre”.

Na mesma estante, um outro livro de Miranda me deixou com uma vontade danada de quero-outro: Guerrilheiros da intolerância, Bragança Paulista SP, Lachâtre, 2018, 256 páginas. Nele, num capítulo inicial denominado História do Livro, o autor revela como e por que escreveu o texto editado. Ele explica: “houve tempo em que um ambicioso projeto literário ocupou grande espaço da minha mente. Eu desejava escrever um livro no qual estudasse reencarnações do meu espírito em mais de uma existência. Escolhi para isso algumas figuras históricas conhecidas sobre as quais dispunha de informações que, pelo menos, justificavam o empenho em relatar aquilo que, provisoriamente, eram suas multibiografias”. Depois de idas e vindas e algumas coincidências, três personalidades foram biografadas: Hipácia, bela filósofa de Alexandria, Giordano Bruno, o metafísico do Renascimento, e Annie Besant, escritora que conseguiu isolar-se do tumulto à sua volta para ler, meditar e escrever, tornando-se teosofista em 1889. Apelidada também de “procelária” – palmípede que, voando em bandos sobre as ondas do mar, anuncia que vem tempestade –, insistia em desafiar sem temor o establishment para falar sobre incômodas realidades espirituais, como a reencarnação. O ateísmo também tendo sido um dos seus temas favoritos, ela sendo contrária a qualquer tipo de restrição à liberdade de pensamento.

No primeiro livro, acima citado, uma série de artigos publicados na imprensa, Hermínio Miranda, desencarnado em 2003, 8 de julho, concedeu quatro entrevistas, uma à Revista Internacional de Espiritismo, outra no GEAE – Grupo de Estudos Avançados do Espiritismo, uma terceira à Folha Espírita e a quarta ao Correio Fraterno do ABC. Além de duas conferências, a primeira intitulada A Hora da Decisão, a outra sobre A Síndrome da personalidade múltipla e suas implicações com a obsessão e a possessão. Para encantar mais os leitores, o primeiro artigo do livro – O Fantasma do Redingote Amarelo – ressalta os avisos dados ao rei Luís 18, cujo infeliz reinado encerrou-se com sua morte, em 1824.

Hermínio Corrêa de Miranda é ainda considerado um dos campeões de venda da literatura espírita do Brasil. Formado em Ciências Contábeis, trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional de 1949 a 1980, tendo exercido parte de suas atividades, cinco anos, no escritório da Companhia em Nova York. É considerado a maior autoridade brasileira no campo da mediunidade. Inquestionavelmente, uma pena precisa e talentos.

Um terceiro livro do Miranda foi lido há algumas semanas, enviado pelo Clube do Livro de Divinópolis, Minas Gerais: O Evangelho Gnóstico de Tomé, Bragança Paulista SP, 6ª. edição, 2017, 256 p. Contendo uma Introdução e duas partes amplamente esclarecedoras: I – O gnosticismo e a realidade espiritual; II – O Evangelho de Tomé. Na Introdução, um esclarecimento ignorado pela grande maioria dos cristãos, a de que, no decorrer dos três primeiros séculos da era cristã, mais de uma centena de seitas dissidentes pugnaram pela hegemonia da Mensagem do Nazareno. O livro analisa sobre as tendências diversas que buscavam o reconhecimento da maioria, resultando inúmeras vezes em contendas ideológicas nem sempre pacíficas. E vai além, o Miranda: “Estamos diante de uma estrutura doutrinária danificada por inúmeras infiltrações e irrecuperáveis fraturas e que nada tem a dizer a uma humanidade aturdida que, à falta de conhecimento confiável, vaga sem rumo, em busca de mecanismos de fuga, em esforço inútil para escapar a uma realidade incompreensível e perversa.”

Livros amplamente recomendáveis para períodos de férias e reflexões 2020, ampliando enxergâncias e consolidando uma consistente criticidade cidadã.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

ESTUDO DE GRUPO DO AT

Tenho uma admiração imensa pelos grupos que se aprimoram em estudos bíblicos, principalmente aqueles que se voltam para uma efetiva evangelização. E um dos projetos mais edificantes em implantação nos últimos tempos data de 2016, quando o Instituto SER, sob a coordenação de Haroldo Dutra, instituiu o “Estudo do Velho Testamento”, sendo o primeiro volume Estudando Gênesis à Luz do Espiritismo, Belo Horizonte, Editora SER, 2018, 176 p. Uma primeira edição, de 5.000 exemplares, lançada em maio de 2018, a segunda tiragem alcançando 10.000 unidades em setembro do mesmo ano.

Na Introdução do volume acima citado logo se dá testemunho de que Gênesis, o primeiro livro do Pentateuco mosaico, é referência, direta ou indiretamente, em todos os demais livros, Antigo e Novo Testemunhos. E nela se diz que “o livro Gênesis é um livro tão poderoso, com imagens, linguagem forte e temas importantes, que acaba inspirando todos os livros subsequentes.” E exemplifica: “Basta lembrarmos, por exemplo, o Evangelho de João, que começa usando a mesma expressão de Gênesis – ‘No princípio’ (Gn,1 – e, a partir daí, vai construindo o seu enredo, sempre dialogando com aquele.” E o Evangelho de João parece refletir um canto em resposta ao ecoar de Gênesis.

Também da Introdução, Dutra ressalta alguns pontos:

a. O livro de Gênesis, em si, é bastante esquemático (praticamente um programa de estudo), o qual está disponível em uma ordem lógica e também poética.

b. A abordagem do estudo será efetivada à luz da Doutrina Espírita, sem qualquer intenção de estabelecer disputas teológicas.

c. Para os espíritas, o Evangelho de Jesus é central. Segundo Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, “O Evangelho é o Sol da Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo”.

d. Quando estamos nos referindo ao Evangelho, estamos nos referindo a um coração vivo: ao coração do próprio Cristo.

e. As obras do Antigo Testamento e as da Doutrina Espírita, entre outras, funcionam como “telescópio”, tentativas de ampliar a nossa percepção.

f. Os livros do Novo Testamento funcionam, no estudo do Gênesis, como uma bússola, favorecendo nossa renovação pessoal.

g. Importante ressaltar que Gênesis é um patrimônio cultural do povo hebreu, pois Paulo de Tarso já fazia uma pergunta pra lá de interessante: “Qual é a importância de ser judeu?” (Rom 3, 1-2). E o próprio Cristo chamou a atenção para o patrimônio que os judeus possuíam.

h. Não devemos ser ingênuos de achar que o assunto Gênesis se inicia agora, quando ele foi escrito há mais de 3.000 anos.

i. Gênesis é literatura poética, nunca um tratado científico. É religiosidade no mais alto nível.

j. O propósito de Gênesis é dizer que há um só Deus, que é Criador, que está presente, dirige, acompanha a sua obra e atua muito na criação.

k. Ao longo do estudo do Gênesis, uma série de conceitos será desconstruído, ultrapassando atavismos religiosos, fixações mentais e interpretações sectárias, tão fortes em nós que nos causa desconforto.

O estudo de Haroldo Dutra Dias, além da Introdução, apresenta os seguintes balizamentos: Temática Central: Deus Criador; Estrutura Literária; Um único Deus, uma só Lei; Múltiplas interpretações; Os Cristos e sua união com Deus; A separação das águas: ordenação do fluido cósmico; Fluido cósmico: manifestação do pensamento divino; Diálogo inter-religioso. Além disso, um bônus engrandece um cadinho mais a análise apresentada: A Árvore do Evangelho.

Dentre as várias traduções da Bíblia utilizadas pelo Dutra Dias, a mais significativa é a Bíblia do Peregrino, do espanhol Luís Alonso Schökel , editada no Brasil pela Editora Paulus, 1ª. reimpressão da 3ª. Edição em 2018, 2617 p. Segundo Dutra, Alonso Schökel “é um gigante da teologia e dos estudos bíblicos, escrevia com muita propriedade, e a tradução traz conexões com os demais livros da Bíblia, sobretudo com os do Novo Testamento”.

O livro do Haroldo Dutra, acima citado, estudado sem ansiedades nem fobias analíticas, poderia ser complementado por um livrinho-gigante, A presença ignorada de Deus, Viktor E. Frankl, São Leopoldo RS/Petrópolis RJ, Sinodal/Vozes, 2019, 131 p. No seu livro, Frankl (1905-1997), professor de Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Viena, também docente de Logoterapia na Universidade Internacional da Califórnia, fundador da Logoterapia, ainda chamada de “terceira escola vienense de psicoterapia”. Onde no capítulo 1 do livrinho-gigante – A essência da análise existencial – é citada as únicas três virtudes existentes, segundo Arthur Schnitzler, um famoso poeta vienense, contemporâneo de Freud: a objetividade, a coragem e o senso de responsabilidade. A primeira encoraja o vencer os sentimentos de inferioridade, a segunda incita-nos à descoberta de nossas próprias deficiências, enquanto a terceira se situa na área de encarar com ampla ética na abordagem do aqui e agora de cada um. Na análise existencial, exige-se a diferenciação entre maturidade decisória e impulsividade desenfreada, onde a responsabilidade do existir será a base de toda caminhada espiritual em direção à Luz!!

Um Grupo de Estudos sempre é muito significativo nos Centros Espíritas mais desenvolvidos, favorecendo uma ampla renovação comportamental, emulando solidariedades grupais responsáveis em iniciativas sementeiras.

Um 2020 repleto de múltiplas meditações para todos os meus irmãos, crentes e não crentes, todos filhos amados da Criação, para onde retornaremos!

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

REFLEXÃO DE FINAL DE ANO

O escritor Georges Bernanos, francês de inspiração católica, dizia que “nada é mais ridículo do que um velho enrabichado.” E Alceu Amoroso Lima, o extraordinário pensador brasileiro Tristão de Athayde, complementava: “Nada mais contra a natureza das coisas e aos olhos de Deus do que a velhice inconformada com a morte.”

Morremos muitas vezes ao longo da nossa existência: quando um amigo se vai, também diante dos punhais cravados pelos parentes aparentes ou pelas animalidades cometidas pelos amigos de mentirinha, ou ainda quando as arrogâncias egolátricas corroem um já 0bastante debilitado humanismo século XXI.

Ao longo das nossas vidas, diante da inexorabilidade da morte, tomamos quatro atitudes diferentes. Quando crianças, a morte nos é indiferente. Nutrimos por ela uma curiosidade idêntica às demais sentidas diante do imprevisto. Nenhum valor específico lhe atribuímos, posto que ela não provoca qualquer reação mais profunda. Um acidente da vida como outro qualquer. O escuro, quando se é criança, provoca muito mais medo que a própria morte. Para não falar das almas do outro mundo. Brinca-se até de morto como se brinca de bandido ou de mocinho. Ou de professor. Ou de dona de casa, as meninas-da-casa fazendo comidinha para as meninas-visitas, as mais sabidas.

Na adolescência, entretanto, principiamos a pensar na morte. Idealizamos a morte, mitificamos a morte. Começamos a pensar na própria morte. E principiamos a morrer, diante dos primeiros desmoronamentos provocados em nosso castelo-derredor. Mas ainda encaramos a morte como final de uma aventura, sem tropeços nem maldades, apenas coroamento, sem as pedras do caminho. Na juventude, a morte torna-se companheira quase brincante. Conceito romântico, substituindo a indiferença da primeira idade.

A inimizade se inicia na porteira da maturidade. A morte torna-se a maior inimiga, temida, mais analisada filosófica e religiosamente. A indagação de São Paulo inquieta: “Morte, onde está tua vitória?” Túmulo ou túnel, como magistralmente o admirável Pastor Campos costumava dizer em suas pregações. Com crença ou sem ela, a agonia da morte se torna presente e o viver um contínuo e resoluto foco de resistência.

No último quadrante da vida, entretanto, “a mesa está posta e a cama feita”, como nos dizia o poeta Bandeira, que vivia aos trancos e barrancos com a Última Dama. Nessa fase, exige-se muita serenidade, capacidade de rever caminhadas menos felizes, emergindo a convicção de que bem outras seriam algumas das estratégias tomadas se os fatos fossem encarados com a mentalidade de agora.

Creio que a concepção da morte é determinada pela concepção que se faz da vida. Superar a morte, eis o desafio maior dos libertos dos encantamentos supérfluos, das prestimosidades dos lambetas, das pantufas sabichonas, dos burregos tecnocratas que desconhecem os valores de uma sociedade emergente e dos recalcados que se imaginam eternas vítimas, cordeirinhos imolados de um mundo que não os compreende devidamente. Sem falar dos azedos – homens e mulheres – que imaginam sempre estar em ambientes primeiromundistas, reinos encantados se possível, os nativos daqui nada mais sendo que peças fétidas de um contexto ofuscados pelas suas “luminosidades.”

Neste dezembro, recebi uma carta que muito me sensibilizou. Transcrevo-a:

“Caro amigo nordestino: Assim como Martin Luther King, eu também tive um sonho… Sonhei que o presidente Trump, diante da turbulência mundial que anda afetando gregos e troianos, convocava uma coletiva e dizia mais ou menos o seguinte:

É com enorme dificuldade que anuncio que não é à toa que tanto ódio tenha se acumulado em todo planeta. O mundo ficou pequeno pelas telecomunicações. Os fatos ficaram acessíveis a todos num piscar de olhos. Os avanços tecnológicos estão garantindo ao ser humano uma capacidade de realização impensável há alguns anos.

Entretanto, todo esse avanço não tem servido para acabar com a miséria, a fome e as doenças mais elementares entre os pobres. Vamos à Lua e aumenta a população sem casa para morar. Produzimos computadores cada vez mais rápidos e cresce o número absoluto de analfabetos no mundo. Desenvolvemos a engenharia genética, desvendamos o genoma humano e, aos milhões, morre-se por falta de saneamento, de doenças gástricas e de fome. Num mundo de muita desesperança, apresentamos uma insultante opulência, vivendo na sociedade do desperdício: cada americano produz 2 kg de lixo por dia; aqui existindo mais de 100 milhões de carros com ar condicionado, bebendo gasolina e poluindo a atmosfera, consumindo mais de 25 % do petróleo produzido em todo o mundo. Cada americano gasta mais de 600 litros de água por dia, enquanto o europeu gasta pouco mais de 200 e o habitante de Madagascar somente menos de 10 litros por dia.

Fomos responsáveis por inúmeras ditaduras sanguinárias. Mais de 500.000 crianças morreram no Iraque pelo cerco comandado por nós e o criminoso bloqueio à Ilha de Cuba já dura décadas. É a nossa política, com nossos aliados, que tem feito crescer o ódio entre judeus e palestinos. São primos e somente a convivência pacífica e respeitosa entre eles trará paz à região.

O terrorismo não é aceitável! Nem o terror individual, nem o terror de Estado que temos praticado sistematicamente. É mais que hora de mudar! Estou, neste momento, convocando todos os dirigentes das grandes nações, responsáveis, como nós, pela sucessão de erros apontados, para uma reunião semana que vem, quando iremos detalhar as medidas capazes de reverter a situação de injustiça deste nosso mundo. Convoco as nações mais ricas a assumirem conosco as dívidas do Terceiro Mundo, entendendo que devemos, historicamente, muito mais a eles que eles a nós.’

De todos os lados ecoaram prolongados aplausos. Que me fizeram acordar. E me lembrar do nosso querido e sempre amado dom Hélder Câmara. Peço a Deus que nós, brasileiros, nunca sepultemos o ideário do Dom por um mundo sem fome !!

Que 2020 nos proporcione redobrados instantes de reflexão capazes de favorecer um caminhar ainda mais dignamente resoluto na direção da Luz Divina. Sem medo de ser feliz, sob hipótese alguma.

Feliz 2020, irmão querido !!”

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UM NATAL PORRETA PARA TODOS

Nas proximidades do nascimento do Menino Amado, desejo ardentemente que o Natal 2019 nos proporcione instantes de reflexão capazes de favorecer um caminhar ainda mais dignamente resoluto na direção do ômega chardiniano. Sem medo de ser feliz, sob hipótese alguma.

Aproveito os votos aqui enviados para todos aqueles que nos fizeram bem, também para aqueles que não nos estimam, para ressaltar um livro-gigante que me proporcionou um bem extraordinário este ano:

EM BUSCA DE SENTIDO: UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, Viktor Emil Frankl, 46ª. edição, São Leopoldo RS – Sinodal / Petrópolis RJ – Vozes, 2019, 184 p.

Um livro que descreve a experiência vivenciada pelo autor num campo de extermínio nazista, que o levou à descoberta da logoterapia. Como prisioneiro num campo de concentração durante longo tempo testemunhou seres humanos serem tratados de modo pior que animais. Um campo de concentração nazista que assassinou seu pai, sua mãe, a esposa e um irmão. Uma experiência revelada em livro para que jamais tal anormalidade volte a acontecer.

Permitam-me os leitores que descreva a trajetória do autor do livro que me fez ser mais humano:

Viktor Emil Frankl (1905 – 1997) é reconhecido como um dos maiores psiquiatras da história, criador de um método terapêutico baseado na busca pelo sentido da vida. Em 26 de março de 1905, Frankl nascia em uma família austríaca judia e já contava com duas irmãs. Os pais eram funcionários públicos e a família tinha uma vida confortável. Até que veio a Primeira Guerra Mundial e, como muitas outras famílias judias, a de Frankl também mergulhou na pobreza, dependendo inclusive de esmolas para sobreviver.

Enquanto fazia o ensino médio, em meados de 1920, Frankl já se interessava por filosofia e psicologia. Aos dezesseis anos de idade, deu a sua primeira palestra, chamada Sobre o Sentido da Vida, na cidade onde morava. Já naquela época, o jovem tinha algumas ideias sobre o que à frente se transformaria na técnica de psicoterapia que se baseia na busca do sentido da vida, a logoterapia.

Enquanto cursava medicina, Viktor sempre esteve envolvido em questões políticas: foi membro do Partido de Jovens Trabalhadores Comunistas no ensino médio e chegou a ser presidente da mesma organização em 1924. Seu envolvimento político repercute na sua determinação de permanecer em terras austríacas mesmo com a invasão alemã na Segunda Guerra.

Viktor tinha um interesse genuíno pelo campo da psicologia e muito talento. Depois de escrever o seu trabalho de conclusão do ensino médio, Sobre a Psicologia do Pensamento Filosófico (1923), ele começa a se corresponder com o então famoso psicanalista Sigmund Freud, que não só gostou do que leu, como encoraja o jovem a continuar escrevendo. Já como graduando em medicina, Viktor publica o seu primeiro artigo científico na revista International Journal of Individual Psychology, aos dezenove anos de idade.

Enquanto fazia a faculdade de medicina, Viktor Frankl desenvolvia projetos paralelos, como falas de prevenção ao suicídio para jovens estudantes. Suas ideias em relação à vida e aos valores humanos é o que o impulsiona a fazer ligações entre a filosofia e a psicologia e em 1926 ele fala pela primeira vez, em um congresso, sobre a logoterapia, a terapia focada em buscar o sentido da vida.

Em meados dos anos 1930, quando Viktor tinha apenas vinte e cinco anos de idade, já começava a ser notado pela comunidade acadêmica e médica como um homem à frente de sua época. Convidado a apresentar trabalhos por toda a Europa, Frankl faz residência em psiquiatria e neurologia e em 1930 assume a responsabilidade por uma ala conhecida como Pavilhão do Suicídio num hospital psiquiátrico em Viena.

Em 1938, Viktor já atendia em seu próprio consultório de neurologia e psiquiatria, era reconhecido como um profissional que criou uma nova forma de tratamento terapêutico, baseado em preencher o vazio existencial com um sentido e já se relacionava com a enfermeira Tilly Grosser, que trabalhava no hospital onde ele atendia. Em março de 1938 as tropas nazistas fazem a anexação político-militar da Áustria. A família de Frankl, judia, está ameaçada. Mesmo tendo visto para viver nos EUA, o médico decide ficar no país. Salva milhares de judeus da morte recusando-se a recomendar eutanásia aos pacientes com doenças mentais.

Nessa época, o anti-judaísmo atinge a família de Viktor Frankl. Sua recém-esposa Tilly Grosser é obrigada a abortar seu primeiro filho pelas tropas nazistas. Os pais e a irmã de Viktor são enviados para campos de concentração diferentes, bem como ele e a esposa. Todos morrem: o pai de exaustão e a mãe enviada às câmaras de gás. A irmã sobrevive refugiada na Itália e Viktor passa três anos sob condições terríveis, que depois tornaram-se mensagens de esperança em seu livro Em Busca de Sentido (1946).

Em 1945 acaba a Segunda Guerra e Viktor é libertado. Ele sobreviveu a três anos de trabalho forçado em condições miseráveis e ainda assim conseguiu roubar alguns papéis e escrever as ideias principais de sua obra-prima, escrita em nove dias e lançada já em 1946.

Os anos seguintes foram de total recuperação: Frankl casou-se novamente, teve uma filha, conseguiu o seu título de doutor em filosofia, tornou-se professor da Universidade de Viena, fundador e presidente da Sociedade Austríaca de Medicina Psicoterapêutica. Recebeu também mais de 25 títulos honorários por suas ideias e trajetória e escreveu diversos livros. A logoterapia tornou-se um método de tratamento estudado e respeito pela comunidade científica e acadêmica, sendo considerada a terceira escola da terapia vienense, depois de Sigmund Freud e Alfred Adler.

Uma frase de Viktor Frankl bem resume sua linha de pensamento: “Nós podemos descobrir o significado da vida de três diferentes maneiras: fazendo alguma coisa, experimentando o amor, e sofrendo.”

Um Feliz Natal bem porreta para todos, independentemente de raça, credo, etnia, escolaridade, classe social e gênero. Que o Menino Amado nos abençoe cada vez mais intensamente !!

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UM EVANGELIZADOR ARRETADO DE ÓTIMO

Como cristão kardecista, desde rapazote possuo uma admiração pra lá de bem sedimentada pelo apóstolo São Paulo, sem a participação do qual O Caminho teria regredido às comunidades hebraicas, favorecendo outras concepções de desenvolvimento religioso. Tenho plena consciência de que Paulo foi “um homem extraordinário, cuja ação humana chega a obscurecer a própria santidade”, no dizer de Ernle Bradford, autor de O Revolucionário: a história real do apóstolo São Paulo, SP, Ibrasa, 1978, 250 p., para quem o apóstolo era “eterno revolucionário, amante da vida como poucos, o maior viajante de todos os tempos, bandeirante em luta contra o poder que corrompe, semeador de células subversivas”.

O livro tem início no outono de 59 d.C., quando um pequeno barco costeiro aproximou-se do porto de Mira, uma das cidades mais importantes do sul da Ásia Menor. A bordo, um grupo de prisioneiros que seria conduzido a Roma. Entre eles, Paulo, que atraía algumas atenções. Quase completamente calvo, de porte físico pouco atraente, tinha barba cerrada e grisalha, portando uma expressão viva, de olhar brilhante, com aparência de ser de certa importância, um judeu de nascimento, um revolucionário que estava empenhado em fundar no Império Romano uma série de comunidades embasadas no amor de um Nazareno recentemente condenado à morte, razão de ser da sua conversão numa estrada de Damasco. E os fatos seguintes deixam extasiados os que amam o Senhor através do apóstolo Paulo de Tarso, o maior bandeirante de todos os tempos.

Mas um outro livro também me sensibilizou: Paulo, um homem em Cristo, Ruy Kremer, Brasília, FEB, 2016, 303 p. O autor, em 1989, foi convidado pela Rádio Rio de Janeiro, a Emissora da Fraternidade, para efetivar uma série de programas em torno da vida e obra de Paulo de Tarso, a maior figura do Cristianismo, após o Nazareno. Transmitido várias vezes, sempre com audiência crescente, o autor recebeu convite do Sérgio Carvalho, então presidente do Instituto Cultural Espírita do Brasil e também diretor da Cruzada dos Militares Espíritas, para transformar em livro as palestras feitas radiofonicamente.

Atendendo inúmeros apelos e insistências de companheiros de farda, o Kremer acercou-se de uma bibliografia densa, onde, além das abordagens do apóstolo Lucas, que encerrou suas anotações no primeiro cativeiro de Paulo, contou ainda com as revelações do Espírito Emmanuel, que nos revela os fatos que se sucederam até o martírio do apóstolo, em Roma.

Como Capítulo 1, intitulado Proêmio (início), uma adaptação livre de um texto evangélico é explicitada. Pedimos vênia para aqui reproduzi-la (II Coríntios, 11, 22-31): “São hebreus? também eu; são israelitas? também eu; são descendentes de Abraão? também eu. São ministros do Cristo? (falo como insensato), eu ainda mais; em trabalho, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, infinitamente mais; em perigo de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus quarenta golpes menos um. Três vezes fui açoitado em varas; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; uma noite e um dia passei perdido em alto mar. Em viagens sem-número, exposto aos perigos dos rios, perigos dos salteadores, perigos da parte dos meus patrícios, perigos da parte dos gentios, perigos nas cidades, perigos nos desertos, perigos no mar, perigos da parte de falsos irmãos! Ainda mais! os trabalhos, as fadigas, as numerosas vigílias, a fome e a sede, os múltiplos jejuns, o frio e a nudez! E sem falar de outras coisas: minha preocupação cotidiana, a solicitude que dedico a todas as comunidades. Quem fraqueja, sem que eu me sinta fraco? Quem cai, sem que um fogo me abrase? Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não falto com a verdade.”

Muitos indagam o verdadeiro sentido dessa catarse de Paulo de Tarso. E inúmeros especialistas acreditam que ela revela um imenso desabafo, um libelo contra todos aqueles que apenas semeiam espinhos. Uma estupenda autodefesa, sendo considerada, a segunda carta aos coríntios, a mais pessoal e reveladora do epistolário paulino, favorecendo uma abordagem psicológica do grande missionário dos gentios, durante os 22 anos de ação apostólica. Um Paulo que foi ator e autor de uma tarefa gigantesca, cumprida de maneira tão exemplar, sem perder a ternura jamais.

No teatro de operações, uma extensa seara de três milhões de quilômetros quadrados, o apóstolo Paulo efetivou suas sementeiras, “apontando horizontes, desvendando caminhos até então desconhecidos, procurando preencher, com inesgotável força interior, o grande vazio que pressentiu em seus contemporâneos”, segundo o próprio autor da biografia paulina.

Para quem deseja inteirar-se mais acerca dos ensinamentos paulinos, recomendaria a leitura atenta do 6º. volume da coleção O evangelho por Emmanuel, editada pela FEB, em 2017, intitulado Comentários às Cartas de Paulo, 874 páginas. A coleção da FEB possui os seguintes títulos: Volume 1 – Comentários ao Evangelho segundo Mateus, Volume 2 – Comentários ao Evangelho segundo Marcos, Volume 3 – Comentários ao Evangelho segundo Lucas, Volume 4 – Comentários ao Evangelho segundo João, Volume 5 – Comentários aos Atos dos apóstolos, Volume 6 – Comentários às Cartas de Paulo, e Volume 7 – Comentários às Cartas Universais e ao Apocalipse. Segundo Prefácio de autoria do coordenador da coleção, Saulo Cesar Ribeiro da Silva, “em cada volume, foram incluídas introduções específicas, com o objetivo de familiarizar o leitor com a natureza e características dos escritos do Novo Testamento, acrescentando, sempre que possível, a perspectiva espírita.”

Para se ter uma noção da importância de Paulo, basta destacar que ele é o autor que possui a maior parte dos escritos incluídos no Novo Testamento. Dos 7.947 versículos do Novo Testamento, 2.335 (29,4%) são atribuídos a Paulo, o segundo autor sendo Lucas, com 27,1%, o terceiro lugar sendo de João com 17,7%, considerando seu evangelho, suas cartas e o Apocalipse.

A Carta aos Romanos, de Paulo, foi assim classificada por Calvino: “quem a compreendeu, recebe precisamente com ela a chave para todas as câmaras secretas do tesouro da Sagrada Escritura.” De acordo com Emmanuel, em Paulo e Estêvão, a Epístola aos Romanos foi escrita em Corinto, com o propósito de preparar a chegada do apóstolo dos gentios à capital do Império Romano.

As cartas de Paulo são ensinamentos fecundos como proposta libertadora de muita luz onde quer que estejamos. Para prestar solidariedade ao próximo, suportando com ele suas fraquezas e humilhações.