FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

QUEM FOI O HOMÃO, SEU ENTORNO E SUAS MENSAGENS

Nas comemorações de mais uma Semana, que será vivenciada com o mundo todo de quarentena, e nutrindo uma admiração acentuada pelo filósofo William James – “A vida humana mais profunda está em toda parte, é eterna”– reitero a necessidade de todos os socialmente comprometidos com o desenvolvimento da humanidade rememorar os acontecimentos vivenciados na Judeia, após o nascimento e morte de Jesus, independentemente da crença sentida pelo pregador judeu da Galileia, para mim o mais revolucionário personagem da história da humanidade.

Pedindo permissão aos leitores, ofereço, abaixo, algumas leituras que me proporcionaram uma maior enxergância sobre a caminhada do Nazareno e suas mensagens fecundas em prol de uma duradoura e nunca fingida fraternidade planetária, favorecendo uma evolucional perfeição de todos em direção a outras moradas. Livros que foram lidos e relidos, meditados e rabiscados, objetivando uma compreensão mais racionalmente espiritualizada da minha existência: origem, missão e destino após encerramento das atividades por aqui. Ei-las, sem qualquer ordem de relevância, apenas com a intenção de despertar uma maior apreensibilidade de toda a minha gente caminheira.

1. SIMPLESMENTE JESUS – N. T. Wright – Rio de Janeiro, Thomas Nelson Brasil, 2020, 304 p.

Muito além de uma simples biografia, o autor, bispo anglicano e teólogo consagrado, derruba obstáculos vários para melhor pregar a caminhada do Homão da Galileia entre nós. Ele busca elucidar algumas significativas questões, oferecendo uma nova e instigante compreensão sobre a maior personalidade da história do mundo: Quem foi exatamente Jesus?, O que Jesus pensava realizar?, Por que Jesus foi morto?, Por que ressuscitou entre os mortos?, e Como devemos nos relacionar com Ele nos dias atuais?

O livro é de um teólogo que destila erudição de uma maneira acessível, vívida e amplamente clara. Uma obra essencial para uma leitura restauradora para uma espiritualidade fragilizada.

2. CRISTIANISMO: A MENSAGEM ESQUECIDA – Hermínio C. Miranda (1920-2013) – Matão SP, Casa Editora Clarim, 2016 (4ª.ed), 416 p.

Um dos maiores especialistas brasileiro na Doutrina Espírita, o autor analisa duas questões fundamentais: Teria falhado o cristianismo na tarefa de ordenar uma sociedade, senão ideal, pelo menos razoavelmente equilibrada e feliz?; Teria ainda o cristianismo condições de realizar essa tarefa?

Na contracapa: “O autor reconstrói a história do Cristianismo, analisa a essência da mensagem de Jesus e os diversos rumos que ela tomou ao longo dos tempos, manipulada por interesses vários.”

Um livro que incita todos a conhecer mais detalhadamente a caminhada do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.

3. O JESUS QUÂNTICO – Marcelo Tezeli – São Paulo, Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier, 2019, 574 p.

A contracapa do livro me chamou muito a atenção: “O século XXI emerge diante de nós apresentando um alto grau de complexidade, com um desenvolvimento científico e tecnológico sem precedentes na história. Mas, ao mesmo tempo em que progredimos material e intelectualmente, não raro também enfrentamos uma forte sensação de vazio interior, pois as conquistas materiais não nos suprem por completo.”

Ao folhear o livro para obter maiores detalhes, me deparei com o prefácio de um extraordinário expositor espírita, o Dr. Décio Iandoli Jr., médico PhD em Técnicas Operatórias e Cirurgia Experimental, sempre atuante nos temas Endoscopia, Cirurgia, Fisiologia, Saúde e Espiritualidade, de quem sou aplaudidor de carteirinha. E que assim foi classificado: “O autor tem duas habilidades preciosas: a inteligência para entender conceitos complexos de várias áreas da ciência, e a capacidade de comunicar estes conceitos com leveza e clareza, tornando-os cognoscíveis aos seus leitores, e tais habilidades se revertem em uma agradável e instigante leitura.”

O que me impulsionou para uma leitura reflexiva do livro foi uma declaração de Albert Einstein inserida nas primeiras páginas: “Quem diz que há oposição entre a Religião e a Ciência apenas mostra que vai atrasado na Ciência. A ciência sem religião é claudicante; a religião sem ciência é cega.”

4. JESUS: A BIOGRAFIA – Jean-Christian Petitfils – São Paulo, Benvirá, 2015, 526 p.

Um texto que reconstitui com muita fidelidade, baseada nas mais recentes descobertas arqueológicas e nos manuscritos do Mar Morto, a vida e mensagem do personagem Jesus sob um viés histórico, reintegrando-o no ambiente religioso, cultural e político da Palestina de seu tempo.

Ninguém mais hoje questiona sua existência física, ainda que uma aura de mistério e inúmeras questões envolvem o Nazareno, inclusive algumas que me inquietam vez por outra: Como ele nada deixou escrito de próprio punho, será que seus discursos religiosos foram alterados em algum momento da História?; Terá havido alguma utilização fraudulenta da mensagem de amor e fraternidade por ele deixada através de outros?; Como ele se tornou, muitas vezes, reflexo de determinadas épocas históricas?

Uma leitura cativante sobre o personagem mais conhecido e misterioso de todos os tempos.

5. A VIDA DIÁRIA NOS TEMPOS DE JESUS – Henri-Daniel Rops – São Paulo, Vida Nova, 2008, 524 p.

Uma excelente oportunidade, para quem não tem condições atuais de conhecer pessoalmente as terras do Nazareno. O autor não só traz a Palestina até nós, como nos transporta através dos séculos até os tempos e sociedade em que viveu o Homão.

Uma leitura pra lá de ótima para quem deseja ampliar o conhecimento dos ambientes e costumes dos que com Jesus conviveram.

6. QUEM JESUS FOI? QUEM JESUS NÃO FOI?: MAIS REVELAÇÕES INÉDITAS SOBRE AS CONTRADIÇÕES DA BÍBLIA – Bart D. Ehrman – Rio de Janeiro, Ediouro, 2010, 318 p.

O autor, renomado especialista em estudos bíblicos, PhD em Teologia, ressalta as contradições inimagináveis nos textos evangélicos sobre a vida de Jesus, bem como comprova que a dicotomia céu x inferno não está explicitada nos ensinamentos de Jesus.

Um livro que amplia fortemente mentes e corações, favorecendo uma compreensão mais racional sobre o Novo Testamento.

As leituras acima seguramente minimizarão os tédios dos confinamentos indispensáveis, ampliando convicções e elucidando uma baita dúvida: no frigir dos ovos, ele foi um messias, um profeta, um gênio, um sábio ou um antecipador de amanhãs?

Uma abençoada Semana Santa para todos, crentes e não crentes, rememorativa da missão de quem muito amo, Jesus de Nazaré.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

ENFRENTANDO AMANHÃS INESPERADOS

Um amigo de trocentos anos, companheiro de estudos ginasianos, me telefonou recomendando a releitura de um livro por nós lidos na quarta série: A BESTA HUMANA, de Emile Zola. Segundo ele, uma leitura pra lá de oportuna para quem deseja bem entender as bosteiras pronunciadas por um mandatário brasileiro e seus filhotes trapalhões, em cadeia nacional e redes sociais, vilipendiando as recomendações dadas por autoridades mundiais da área de saúde, que orientam sobre um combate efetivo à atual pandemia mundial.

Prometi-lhe voltar às páginas de Zola, quando algumas outras indicações fossem devoradas, uma delas sobre gerenciamento do inesperado, um notável texto, uma análise brilhante sobre uma questão planetária: “Por que motivo nós, cientistas ou não, figurões ou caras comuns, tendemos a ver os centavos em vez dos dólares, concentrando-nos nas minúcias e não nos eventos significativamente grandes, reduzindo o conhecimento sobre o mundo, causando exacerbações inconsequentes e decisões precipitadas e pouco convincentes?” Em outras palavras: “Como procurar titica de passarinho, descobrindo a incerteza do impostor?”

Diante da curiosidade manifesta pelo Júnior, resolvi dar maiores detalhes sobre o que estou lendo com entusiasmo quase incontido:

A LÓGICA DO CISNE NEGRO: O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVÁVEL – Nassim Nicholas Taleb – Rio de Janeiro, BestBusiness, 20ª. edição, 2019, 458 p.

E enviei para ele o sumário do livro:

Prólogo – Sobre a plumagem dos pássaros;

Parte I – A antibiblioteca de Umberto Eco, ou como procuramos validações: 1. O aprendizado de um cético empírico; 2. O Cisne Negro de Yevgenia; 3. O especulador e a prostituta; 4. Mil e um dias, ou como não ser um trouxa; 5. Confirmação coisa nenhuma!; 6. A falácia narrativa; 7. Vivendo na antecâmara da esperança; 8. A sorte infalível de Giacomo Casanova: o problema da evidência silenciosa; 9. A falácia lúdica e a incerteza do nerd.

Parte II – Nós simplesmente não podemos prever: 10. O escândalo da predição; 11. Como procurar titica de passarinho; 12. Epistemologia, um sonho; 13. Apelles, o pintor, ou o que você faz se não souber prever?

Parte III – Os cisnes cinzentos do extremistão: 14. Do mediocristão ao Extremistão; 15. A curva em forma de sino, a grande fraude intelectual; 16. A estética da aleatoriedade; 17. Os loucos de Locke, ou curvas na forma de sino nos lugares errados; 18. A incerteza do impostor.

Parte IV – Fim – 19. Meio a meio, ou como ficar com o Cisne Negro.

Epílogo: Os Cisnes Brancos de Yevgenia.

Glossário; Notas; Bibliografia.

O autor dedica-se a problemas relacionados à sorte, à incerteza, à probabilidade e ao conhecimento. Ele é Mestre e Doutor pela Universidade de Paris. E Decano de Ciências da Incerteza da Universidade de Massachusetts.

Segundo o The Guardian, “um estudo fascinante sobre como estamos constantemente à mercê do inesperado.” Eventos que possuem três características elementares: imprevisibilidade, resultados impactantes, tornado, após ocorrência, menos aleatório e mais explicável.

Um texto que ressalta a fragilidade dos nossos conhecimentos, onde apenas uma “gripezinha” pode invalidar pretensões majestáticas, arrogâncias cretinas e ambições políticas messiânicas.

Qual o objetivo do autor do livro?: abordar nossa cegueira em relação à aleatoriedade, particularmente os grandes desvios, ressaltando que “a vida é o efeito cumulativo de um punhado de choques significativos”. E ele conclui com muita propriedade: “A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe. … Observe sempre que a ocorrência de um evento altamente improvável é equivalente à não ocorrência de um evento altamente provável.”

No Glossário, alguns termos são explicados de modo bastante elucidativo, ensejando uma rápida identificação dos atores envolvidos na atual crise pandêmica mundial. Vejamos alguns:

Arrogância epistêmica – a diferença excessiva existente entre os que realmente sabem e o que alguém pensa que sabe. Um excesso que implica em déficit de humildade.

Epistemocrata – alguém com humildade epistêmica, que suspeita enormemente do próprio conhecimento.

Cegueira no futuro – incapacidade natural de levar em consideração as propriedades do futuro, que impede de considerar opiniões dos mais entendidos.

Estratégia barbell – método que consiste na adoção simultânea de uma atitude defensiva e de outra atitude excessivamente agressiva através da proteção de recursos de todas as fontes de incertezas.

Louco de Locke – alguém que raciocina rigorosa e impecavelmente a partir de premissas falhas.

Desdém do abstrato – favorecimento ao pensamento contextual diante de questões mais abstratas, que exigem posturas estratégicas consistentes.

Uma leitura que muito ampliará a enxergância sobre os pronunciamentos fingidos e bravateiros de alguns dirigentes nacional, das informações quantitativistas incompletas dos noticiários televisivos diários, das entrevistas merdálicas com os que anseiam uma aparecidinha nos informes midiáticos, dos descuidados que não sabem categorizar crenças emergentes de acordo com a plausibilidade delas, além dos informantes amplamente reconhecidos como “chatos de galocha”, como dizia a vó Zefinha, minha madrinha já eternizada.

A leitura atenta do livro facilitará muito saber bem identificar um nerd, diferenciando-o dos merds e bosters que estão nos jornais, rádios, televisões nacionais, palácios planaltinos, ministérios e Congresso Nacional, além de tribunais superiores e instituições religiosas, para não se estender demais neste final de texto.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PARA UMA QUARENTENA PROVEITOSA

Diante das declarações debilóides de um filho de presidente, que ansiava ser indicado Embostador do Brasil nos Estados Unidos, muito debilitando as atuais relações diplomáticas com a China, dos espalhafatos divulgados ultimamente pela mídia brasileira, sempre ansiosa por informes sensacionalistas, e da nota explicitamente babaovista do atual ministrinho das Relações Exteriores, deslustrando toda a diplomacia brasileira, a leitura de bons livros pode ser uma maneira recomendável de vivenciar quarentenas sem demonstrar afobações diante das mil e uma atuais dificuldades planetárias.

Sugeriria alguns textos para uma leitura sem precipitações conclusivas, nem ansiedades histéricas, tampouco as patetices recentes de um jovem já decrépito parlamentar:

1. JESUS DE NAZARÉ: UMA NARRATIVA DA VIDA E DAS PARÁBOLAS
Frederico Guilherme da Costa Kremer
Brasília DF, FEB, 2016, 371 p.

Uma abordagem espírita que relata os principais acontecimentos da trajetória do Nazareno relatados pelos evangelistas, ensejando uma melhor vivência das suas mensagens. Reflexões que poderão aquilatar com nitidez nossas atuais fragilidades espirituais, possibilitando encarar a verdade sem adornos nem sarambeladas fundamentalistas.

O autor é graduado em engenharia, trabalhando na Petrobras, tendo integrado o Núcleo da Cruzada dos Militares Espíritas, fundada por Carlos Torres Pastorino.

Uma leitura que atualiza a famosa questão contida em Lc 9,18: “Quem as multidões dizem que eu sou?” Que revela a existência de uma dimensão oculta nas parábolas do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.

2. A EVOLUÇÃO CRIADORA
Henri Bergson
São Paulo, Martins Fontes, 2019, 398 p.

Leitura filosoficamente densa, a principal obra de Henri Bergson, Prêmio Nobel de Literatura de 1927. O livro, editado em 1907, representou a ruptura do autor com as principais correntes do fim do século XIX. Diante da apologia do saber científico, rigoroso, das rígidas leis do determinismo, Bergson afirmação que a totalidade tem a mesma natureza do indivíduo, de um movimento incessante, um impulso de liberdade criadora que transforma de forma irrefreável a matéria. O filósofo francês também discorre sobre o problema da existência humana e assevera que a mente – energia pura, impulso vital – é responsável por toda evolução orgânica.

SUMÁRIO:

Introdução; 1. Da evolução da vida, mecanismo e finalidade; 2. As direções divergentes da evolução da vida, torpor, inteligência, instinto; 3. Da significação da vida. A ordem da natureza e a forma da inteligência; 4. O mecanismo cinematográfico do pensamento e a ilusão mecanicista. Lance de olhos na história dos sistemas. O devir real e o falso evolucionismo.

Segundo Bergson, “a filosofia é a volta do espírito a si mesmo, a coincidência da consciência humana com o princípio vivo de onde emana, uma tomada de contato com o esforço criador.” Um livro que analisa o prolongamento da ciência, considerada um conjunto de verdades constatadas e demonstradas.

3. ALÉM DAS 95 TESES: A VIDA, O PENSAMENTO E O LEGADO DE MARTINHO LUTERO
Stephen J. Nichols
São José dos Campos SP, Fiel, 2017, 299 p.

O autor é PhD em História da Igreja pela Westminster Theological Seminary, presidente da Reformation Bible College.

SUMÁRIO

Introdução: O legado de Martinho Lutero; Parte 1: Lutero, uma Vida; Parte 2 – Lutero, o Reformador; Parte 3 – Lutero, o Pastor; Parte 4 – As 95 Teses de Lutero.

Um testemunho significativo: “Maravilhoso e interessante combinação de biografia, história e teologia. Se você não sentir o pulsar da Reforma nestas páginas, por favor verifique sua pressão arterial!” (Sinclair Ferguson, escritor)

Uma turnê sedutora da vida de Martinho Lutero (1483-1546), seus escritos e pensamentos, comemorando os 500 anos da afixação das 95 Teses na Porta do Castelo de Westminster.

4. O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA
Gabriel Delanne
Limeira SP, Editora do Conhecimento, 2009, 364 p.

François-Marie Gabriel Delanne, um nascido na França, em 1857, conviveu sempre num ambiente familiar onde se estudava e praticava o espiritismo. Seus pais integravam um grupo de médiuns que periodicamente se reunia no lar para manter contatos com o plano espiritual.

Desenvolvido precocemente, já aos oito anos substituía seu pai em algumas reuniões, onde participava como adulto.

O escrito de Delanne possui uma profundidade científica isenta de pieguismos e dramatizações estéreis dos menos cultos, desenvolvido numa lógica perfeita, com ampla riqueza de exemplos e detalhes. Um trabalho que reconstitui com nitidez a história daquele período histórico despertador da humanidade.

SUMÁRIO:

Primeira parte – 1. Temos uma alma?; 2. O materialismo positivista.

Segunda parte – 1. O magnetismo, sua história; 2. O sonambulismo natural; 3. O sonambulismo magnético; 4. O hipnotismo; 5. Ensaio de teoria geral.

Terceira parte – 1. Provas da imortalidade da alma pela experiência; 2. As teorias dos incrédulos e o testemunho dos fatos; 3. As objeções.

Quarta parte – 1. Que é espiritismo; 2. Provas da existência do períspirito, sua utilidade, seu papel; 3. O períspirito durante a desencarnação, sua composição; 4. Hipótese.

Quinta parte – 1. Algumas observações preliminares; 2. Os médiuns escreventes; 3. Mediunidades sensoriais, médiuns videntes e médiuns auditivos; Apêndice.

Um livro fascinante, de leitura sedutora e enxergante, radicalmente necessário para os que almejam ampliar seus conhecimentos sobre as relações do aqui com o além.

5. ESPIRITISMO – RAZÃO COMO MÉTODO, MEDIUNIDADE COMO LABORATÓRIO, MORAL COMO OBJETIVO
Isvênia L. S. Prada
São Paulo, FE Editora Jornalística, 2019, 320 p.

Segundo a orelha primeira do livro lida por ele, “a inquietude psíquica do ser humano sempre foi combustível poderoso para impulsioná-lo, ao longo de toda sua trajetória evolutiva, em busca de respostas quanto à sua essência, sua origem e ao seu destino.”

SUMÁRIO:

Prefácio; Apresentação; 1. Espiritualismo e Espiritismo; 2. Estrutura e características da Doutrina Espírita; 3. Os livros da Codificação Espírita; 4. A mediunidade com laboratório; 5. Mediunidade e cérebro triúno; 6. A mediunidade através dos tempos; 7. Moral – Jesus é a referência; 8. É necessário viver de novo – a reencarnação. 9. Homenagem a um pioneiro, Caetano de Santis, avô da autora.

Segundo meu querido amigo Zequinha, o livro em muito consolidou seus conhecimentos científicos, filosóficos e morais, ampliando mais sua fé racionada.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

AMPLIANDO ENXERGÂNCIAS

Diante das pandemias reais ou fabricadas, deixando os sectários disputando nacos transitórios de mando, às vésperas de mais uma Semana Santa, relembremos uma inesquecível advertência do inolvidável Dom Hélder Câmara, sempre amado ex-arcebispo emérito de Olinda e Recife: “O Cristianismo que difundimos no Continente, atribuindo tudo a Deus e quase não apelando para a iniciativa e a responsabilidade do homem chamado, pelo Criador, a dominar a natureza, a completar a Criação, a conduzir a História, alimentou nas Massas latino-americanas um sentimento passivo, fatalista e mágico”.

Está na hora de todos, cristãos e não-cristãos, sem firulas egolátricas nem fricotes vitimistas, perseguirem uma auto avaliação corajosa, descobrindo seus pontos fracos, suas comunicações eletrônicas caluniosas e nada construtivas, suas agressividades para com os desvalidos e suas posturas midiáticas apenas marqueteiras, oferecendo sugestões que resultem em maiores aspirações para um desenvolvimento mais humano e solidário de todos os povos, capazes de convencer a maioria sem enganações nem protelações demagógicas.

Sempre se deve acreditar firmemente, na evolução da caminhada terrestre, embasando-se na orientação dada por Lucas 14,28: “Quem dentre vós, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro para completá-la?”. O que talvez o apóstolo não avaliou na devida conta, os tempos eram bem outros, foi o agigantamento da cobiça delinquente na construção desses empreendimentos, hoje também captadores de muitos milhões de dólares ilegais por debaixo dos panos, iludindo idiotizados e desesperançados, que sempre imaginam soluções mágicas para velhos e cruciantes problemas mundiais, solucionáveis todos, se forem assimilados efetivamente as mensagens do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.

Juntemos as sadias mentes dos cidadanizados do planeta, antes que vírus ainda mais destruidores emerjam nos amanhãs terrestres, sendo tarde demais. Saibamos compartilhar a criatividade empreendedora dos jovens de mentes sadias, compreendendo que os amanhãs já chegados serão muitíssimo diferenciados de um hoje que já se está indo embora, incentivado pela atual pandemia.

Uma crise só se torna saudável quando não se contenta em ser apenas um amontoado de críticas aos outros, mas quando se torna, oportunamente, um julgamento de si mesma. E isso somente advirá com mais efetividade através de uma promissora Educação Brasileira, favorecendo um PCC – Pensar Criativo Cidadão, erradicando os sinais da nossa atual desconstrução nacional: o racismo, a subserviência da nossa elite econômica aos mecanismos globais de dominação imperialista, o fundamentalismo religioso e o autoritarismo latente em todas as nossas classes sociais, todos sempre atentos para uma advertência famosa do educador Paulo Freire: “Todo cuidado para que o oprimido não se torne opressor”.

Para quem deseja ampliar mais sua enxergância futura, dois textos podem muito favorecer um caminhar brasileiro mais resoluto e consequente:

O primeiro é A GUERRA CONTRA O BRASIL, Jessé Souza, Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2020, 208p. O autor é graduado em Direito, Mestre em Sociologia pela USP e também PhD em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha. E ainda Pós-Doutor em Psicanálise e Filosofia pela The New School for Social Research, New York.

O livro analisa o a união do poderia norte-americano com o crime organizado no Brasil para destruir a sociedade e o Estado brasileiros, tudo integrando um projeto mundial de poder planejado em mínimos detalhes. Diz a primeira orelha do livro: “Esta é uma leitura para quem acredita que os fatos do mundo não são obra do acaso, como quer nos fazer crer uma imprensa que isola os fatos e fragmenta a realidade para torná-la incompreensível. … Este mundo tem donos que efetivamente conspiram, todos os dias, para reproduzir seus privilégios e explorar os que foram feitos de tolos. Geralmente, tolos são os que acreditam no acaso e na coincidência.”

Um texto analítico que ressalta as precondições históricas que ensejaram as dominações pretendidas pelos portentosos do momento. Ele é composto de três partes, além de uma Introdução: A construção da ideologia do imperialismo informal americano; A elite colonizada brasileira e sua estratégia: a transformação do racismo em moralismo; e As metamorfoses do neoliberalismo.

Um livro que desnuda fingidos cinismos executivos travestido de combatividade à corrupção.

O segundo livro é A TIRANIA DOS ESPECIALISTAS: DESDE A REVOLTA DAS ELITES DO PT ATÉ A REVOLTA DO SUBSOLO DE OLAVO DE CARVALHO, Martin Vasques da Cunha, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2019, 192 p. O autor é PhD em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo.

O livro é composto de oito ensaios: 1. Os testamentos traídos; 2. A abolição da vergonha; 3. A tirania dos especialistas; 4. Em busca do eros perdido; 5. A tragédia da política; 6. O impasse da esquerda; 7. As ruínas circulares; 8. As máscaras do exílio.

No primeiro ensaio, um último parágrafo: “Portanto, pouco importa o que aconteça no futuro. Mesmo com o lento desaparecimento do ‘marxismo ocidental’, conforme a expectativa dos atuais céticos, chegará a hora em que a política da fé, como sempre, cumprirá seu papel efetivo para que uma administração faça o que tem de fazer – a saber: governar para o Bem Comum.

Ensaios que ressaltam o quietismo político dos alienados, a tirania dos especialistas, a ilusão tecnocrática e a política do cretinismo cênico.

Leituras deveras contundentes, mas que consolidam enxergâncias muitos pontos acima das palhaçais bananas dos que se imaginam eternos no poder.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PERDA DA FÉ

Na história do século XX, um tema encontrou múltiplos prognósticos e interpretações: a perda da fé. Os avanços científicos demonstraram que a origem da Terra datava de muitos bilhões de anos, não apenas os seis mil anos declarados num texto sagrado, embora o atual presidente da CAPES do Brasil creia firmemente que ela não é redonda, apenas do jeitão de uma moeda.

Os métodos críticos utilizados nas análises dos textos evangélicos revelaram que uma parte da vida do Nazareno não era histórica, apenas mitos, lendas e acontecimentos acrescentados muito tempo depois da sua passagem entre nós.

Qual a consequência dessa não evolução religiosa? Alguns se refugiaram no tradicionalismo e no fundamentalismo, outros permaneceram com uma fé vaga e insatisfatória, inúmeros se afastaram ou simplesmente se desorientaram.

Em pleno terceiro milênio, no entanto, um fato tornou-se evidente: é impraticável vivenciar uma fé de maneira irrefletida, respaldado nos não mais consistentes dogmas das denominações religiosas, tampouco nas verdades literais contidas nos livros sagrados.

Relegadas as instituições, muitos buscaram ampliar uma espiritualidade consequente, numa transcendência revigorada pelas leituras e pesquisas que reexaminaram textos antigos, como os Manuscritos do Mar Morto e a Biblioteca de Nag Hammadi, exemplos recentes mais notáveis. E inúmeros estão se interessando pelo que se chama gnose, uma palavra grega que significa conhecimento, um conhecimento muito específico, um conhecimento intuitivo direto que ultrapassa os níveis da razão comum, proporcionando uma consistente libertação espiritual.

E o conhecimento que libera a consciência é denominado muitas vezes de esotérico, outra palavra que vem do grego e que quer dizer “mais além”. Segundo os especialistas, o esoterismo ensina que há um mundo muito rico dentro de nós, o além sendo escalonado em níveis múltiplos, tal e qual apregoado pelo Galileu em João 14,2: “Na casa de meu Pai há muitos lugares para morar”.

Alguns analistas fazem uma distinção entre esotérico e místico. O esotérico se define como aquele que se interessa por diversos níveis de consciência e do ser. O místico enfoca mais como chegar a Deus de um modo mais direto e imediato. O místico tende a uma maior passividade, enquanto o esotérico busca aprender algo dos cenários ao longo da caminhada. Em outras palavras: o místico é portador de uma “silenciosa espera por Deus”, enquanto o esotérico se dedica a uma investigação ativa na sua caminhada para Deus.

O esoterismo sustenta que a Bíblia deve ser lida em vários níveis diferenciados, onde apenas um é literal. E foi Orígenes, padre da Igreja do século XIII quem escreveu: “Muitos erros foram cometidos porque um grande número de leitores ainda não descobriu o método correto de examinar os textos sagrados, pois têm o hábito de seguir a letra nua…”

A frase “A Verdade vos libertará” não será a expressão de uma contemporaneidade exemplar? Para todos aqueles seres humanos que buscam consolidar sua fé, um livro afirma categoricamente que a ciência, embora cada vez mais ampla, não basta para esclarecer o que se manifesta nos territórios etéreos:

EVOLUÇÃO ANÍMICA – ENSAIOS DE PSICOLOGIA FISIOLÓGICA SEGUNDO O ESPIRITISMO – Gabriel Delanne – Limeira SP, Editora do Conhecimento, 2008, 239 p.

Um escrito editado em francês, onde o autor (1857-1926), personalidade de ligação muito significativa com Allan Kardec, que o chamava carinhosamente de “meu mestre”, tem o seguinte Sumário: Introdução; 1. A vida; 2. A alma animal; 3. Como o períspirito pôde adquirir suas propriedades funcionais; 4. A memória e as personalidades múltiplas; 5. O papel da alma do ponto de vista da reencarnação; 6. O Universo; Conclusão.

Na Introdução, Delanne é categórico: “É chegada a hora de reagir energicamente contra os sofismas pseudo-sábios , que orgulhosamente decretaram que a morte é incognoscível e, derrubando todos os entraves que pretenderam opor à investigação do além, poderemos afirmar que a sobrevivência e a imortalidade do princípio pensante são verdades demonstráveis com incontestável rigor.” E mais: “Os novos conhecimentos, que devemos às inteligências extraterrenas, ajudam-nos a compreender toda uma categoria de fenômenos psicológicos e psíquicos, que sem eles são inexplicáveis.” E foi além: “No dia em que a ciência se convencer da verdade da nossa doutrina, ocorrerá uma verdadeira revolução nos métodos por ela preconizados.”

Desde então, os véus estão sendo sucessivamente rasgados. Novos horizontes se estão abrindo para amanhãs da humanidade mais radiantes, onde a fraternidade seguramente imperará, sem discriminações de espécie alguma, todos sendo portadores de uma fé racionada amplamente libertadora, conforme promessa feita pelo Homão da Galileia, nosso muito amado Irmão Libertador.

O escrito do Delanne, do século XIX, guarda uma impressionante atualidade, tornado um texto que vale a pena ser analisado e refletido nos tempos de agora.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PARA DEBATES RECONSTRUTORES

Diante do besteirol idiotizante que se agigantou nos últimos tempos no cenário brasileiro, onde atitudes as mais estapafúrdias se notabilizaram pelas vias internéticas, a mais espetaculosa delas foi aquela que aconselhava “fazer cocô dia sim, dia não para preservar o meio ambiente”, amigos que se reúnem mensalmente para um almoço fraternal resolveram se indagar sobre que leituras deveriam ser indicadas para debates que possibilitassem, sem bravatas, pieguismos religiosos, histerias abilolantes, posturas ideológicas sectárias extremistas e fajutadas messiânicas, a reconstrução socioeconômica do Brasil, até bem pouco um país respeitado internacionalmente, hoje motivo de pilhérias e charges nos quatro cantos do planeta, um quase continente encharcado de dirigentes dotados de incultas bocas frouxas, travestidos de mandatários.

Foi recomendado, depois de boas sugestões, a leitura atenta, quiçá grupal, de um livro recentemente editado pela LVM Editora: Lacerda: a virtude da polêmica, Lucas Berlanza, 2019, 336 p. Na Introdução, uma explicação segura do escritor Antônio Paim: “O Brasil já há muito convive com demagogos, populistas, falsários, vendedores de sonhos, que seduzem com seu palavrório eivado de jargões venenosamente simpáticos, direcionam a devoção e a ingenuidade do público em favor de seus projetos de poder”.

Um pouquinho além da metade do século XX, 1963, Carlos Lacerda escreveu com bravura e intrepidez: “esses agentes da mentira atuam como ventríloquos de si mesmos, obrigam-se a emprestar ideias e até gramática aos aventureiros e desonestos para os quais o comunismo, hoje, como ontem o fascismo, é um pretexto para tomar a carteira do público, enquanto o público, de nariz para cima, contempla, cintilante, a Ideologia”.

No livro, o autor Berlanza avalia o ex-governador da Guanabara: “É um ícone do conservadorismo e do liberalismo no Brasil, em sua luta contra o comunismo e o populismo autoritário; porém, mesclado, com alguns excessos e incongruências ao regime de 64, é apagado, defenestrado e diminuído, e muitos porta-vozes da direita moderna parecem ter extremo pudor em assumir qualquer inspiração nele, em fazer qualquer referência a ele”.

O objetivo do livro, ainda segundo Paim, é “mostrar que o lacerdismo não é nem de longe um bicho feio e obscuro que pintam e que a direita nacional pode colecionar referências no passado do próprio Brasil – sem o que será um esforço de transposição de teses estrangeiras pairando ineficazes sobre o mundo. É oferecer um primeiro antídoto contra a mentira e a tirania do silêncio imposto à sua memória, bem como ao espaço a ser merecidamente cultivado por seus admiradores”.

Sobre município, Lacerda assim se expressou: “No município se forma a consciência nacional. Atualmente, a União é rica, o estado é pobre e o município paupérrimo. É preciso inverter a ordem, tornar rico o município, dar-lhe força econômica e administrativa. Somente à base de um municipalismo autêntico será possível resolver nossos problemas”.

Se Lacerda vivesse hoje perceberia a imensa proletarização municipal da nação brasileira, armadilha que preserva a postura de mando de corruptos e demagogos, incompetentes e aproveitadores inclementes do erário público, através de oligarquias rurais, algumas fingidamente progressistas.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda, um nascido em 30 de abril de 1914 no Rio de Janeiro, embora registrado em Vassouras, eternizou-se em 21 de maio de 1977, fulminado por um infarto do miocárdio. E o autor Lucas Berlanza assim o sintetiza: “O Carlos Lacerda serve de inspiração por seus erros, cometidos em geral em defesa das mesmas causas que hoje defendemos, para que não os repitamos; e também por seus acertos, os resultados positivos de sua batalha e sua disposição pela grandeza. … Para seguir adiante é olhar o que os grandes já fizeram e, diante deles, galgar novos degraus”.

A leitura do livro, com posteriores debates grupais serenamente explicitados, é vacina mais que efetiva contra os que se imaginam donos da verdade, que demagogicamente sugerem defecar dia sim, dia não, para favorecer o meio ambiente nacional.

Espero que todos, ao final da leitura em grupo, reverenciem George Bernanos, quando ele dizia que “nada no mundo se compara à cólera dos imbecis”.

Vale a pena também o grupo conhecer mais detalhes do passado planetário, evitando repetições futuras que ensombrearão os horizontes libertários historicamente soberanos, para gáudio de nossos descendentes. Para tanto, todos deverão dar uma vista d’olhos no texto memorável Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991), Eric J. Hobsbawn, São Paulo, Companhia das Letras, 1995, onde se encontra o seguinte texto: “As pessoas de classe média escolhiam sua política de acordo com seus temores. … As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando, uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais.”

Na atual conjuntura brasileira, tudo faz crer que a representação dos indignados estabelecerá as maiorias nas próximas eleições municipais, nos impulsionando para amanhãs talvez mais nobilitantes. Defenestrando as esquerdopatias e os messianismos sempre desnobilíssimos dos nunca comandantes.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

SUSTANÇAS COGNITIVAS MAIS QUE ÓTIMAS

Programe-se para ler, depois de passadas as bbbósticas exibições carnavalescas televisivas, uns textos cidadanizadores, desses que ampliam enxergâncias e cidadanias de uma gente que ainda não atingiu um patamar mínimo civilizatório capaz de promover uma redistribuição de renda menos vexaminosa que a atual, uma das mais perversas do planeta. Leituras recomendadas para gregos e troianos, crentes e não-crentes, a cuca bem antenada sendo o único sinal para uma salutar apreendência.

1. JESUS: A BIOGRAFIA, Jean-Christian Petitfils, São Paulo, Benvirá, 2015, 528 p.

Embora Jesus não tenha deixado nada por escrito, nenhuma pesquisador histórico contemporâneo duvida da sua existência: um judeu pregador itinerante que percorria a Galileia e a Judeia, condenado à morte por instigar o alto clero de Jerusalém, sendo crucificado às portas da Cidade Santa por ordem do governador romana Pôncio Pilatos.

Alguns questionamentos, entretanto, até hoje persistem: O que sabemos sobre o conjunto da sua vida? Como ele era visto por seus conterrâneos? Por qual motivo foi executado? Teria sido ele o verdadeiro fundador do cristianismo? Quem terá sido ele: um profeta, um reformador judeu, o Messias esperado por Israel ou o filho de Deus?

O livro ainda tem sete anexos: I. As fontes exteriores; II. Os evangelhos sinópticos; III. João Evangelista, testemunha da história; IV. Historicidade dos evangelhos; V. O Qumran e os manuscritos do Mar Morto; VI. As relíquias da Paixão; VII. Cronologia. E ainda Indicações Bibliográficas e Índice Onomástico.

A biografia de Jesus retrata o maior personagem da história da humanidade sob um viés histórico, reintegrando-o no ambiente religioso, cultural e político da Palestina daquela época.

2. HISTÓRIA DA AMAZÔNIA: DO PERÍODO PRÉ-COLONIAL AOS DESAFIOS DO SÉCULO XXI – Márcio Souza -Rio de Janeiro, Record, 2019, 391 p.

Um relato que interessa a todos os brasileiros, posto que a região não é apenas uma geografia e sua história, mas um viveiro de criaturas exóticas de futuro incerto. Seguramente um espaço onde a humanidade pode aprender um pouco mais sobre si mesma.

O livro escrito por autor consagrado é uma síntese reveladora da complexidade de um processo histórico, explicitada a partir de dentro.

SUMÁRIO: Introdução; 1. Geografia do subcontinente; 2. A Amazônia antes dos europeus (15.000 a.C. – 1.500 d.C.); 3. A conquista; 4. A colonização; 5. Soldados, cientistas e viajantes; 6. A Amazônia e o Império do Brasil; 7. A Cabanagem; 8. O ciclo da borracha; 9. A sociedade extrativista; 10. A fronteira econômica; Bibliografia; Índice Onomástico.

3. D. PEDRO II: O ÚLTIMO IMPERADOR DO NOVO MUNDO REVELADO POR CARTAS E DOCUMENTOS INÉDITOS – Paulo Rezzutti – São Paulo, LeYa, 2019, 576 p.

Através de gestos e palavras pesquisadas pelo autor, uma notável biografia de um dos mais importantes, ricos e complexos personagens da nossa história. Uma biografia que prende o leitor das primeiras linhas até a última, revelando o homem que acreditava na educação e defendia a Abolição, sendo banido do país com a chegada da República.

SUMÁRIO: Prólogo; I. Infância e Adolescência (1825-1840); II. O imperador e o Brasil (1840-1864); III. O imperador e o mundo (1889-1891); Anexo: Fé de Ofício; Cronologia; Bibliografia.

Relatos ainda não contados dos bastidores do 15 de Novembro de1889. Leitura apaixonante da primeira à última linha.

4. O FUTURO DE DEUS: UM GUIA ESPIRITUAL PARA NOVOS TEMPOS – Deepak Chopra – São Paulo, Planeta, 2015, 286 p.

SUMÁRIO: Prólogo; Por que Deus tem futuro?; Deus é um verbo, não um substantivo; O caminho para Deus – Etapas 1 – Descrença; Etapa 2 – Fé; Etapa 3 – Conhecimento; Epílogo: Vislumbrando Deus.

O autor, um especialista em endocrinologia, fundou, em 1985, a Associação Americana de Medicina Védica. É autor de 25 livros traduzidos em 35 idiomas, o médico hindu é sempre figura obrigatória nos debates onde se debate sobre espiritualidade. A revista Time o considerou uma das 100 personalidades do século XX, classificando-o de poeta e profeta das medicinas alternativas.

No livro, ele nos convida para uma viagem do espírito, oferecendo um caminho prático para a compreensão de Deus e do nosso lugar no universo, incentivando-nos para um momento de renovação, posto que o agora é o futuro.

Um texto confiável para todos aqueles que buscam a Deus mesmo em tempos confusos como os atuais. E Chopra procura responder uma questão das mais significativas do presente século: o que será necessário para dar às pessoas uma vida espiritual mais poderosa que a oferecida pela religiões atuais?

5. EM TORNO DO MESTRE – Vinicius (1878-1966) – Brasília, FEB, 9ª. edição, 2019, 462 p.

O autor, Pedro de Camargo, conhecido por Vinicius, um pseudônimo que adotou e usou por mais de 50 anos, nasceu em Piracicaba, São Paulo, transferindo-se em 1938 para a capital, onde desenvolveu um programa evangélico de grande proveito para os kardecistas.

No prefácio da 2ª edição: ”Vinicius faz jus ao título de pedagogo. É o que afirmam suas numerosas obras e teses magistrais, girando os assuntos invariavelmente em torno de uma ideia central que é o esclarecimento, a formação moral e espiritual de seus semelhantes.

As 135 mensagens do autor objetivam uma única meta: tornar acessível a Mensagem de Jesus para todos aqueles que buscam melhor entender as mensagens do Homão.

Um livro para a cabeceira da cama, para o Evangelho no Lar, para ser utilizados nas exposições doutrinárias, direcionando todos na direção da Luz e do Bem.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

HERÓIS DE GUERRA

Há fatos reais que enobrecem a raça humana, exemplos concretos contra as pusilanimidades dos descuecados que se urinam todos diante dos travestidos de donos do pedaço, borrando-se todo nas calças diante das ordens fétidas dos chefetes mequetrefes mal encarados. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando da instalação dos criminosos do III Reich no poder, um jovem dinamarquês, Knud Pederson, de apenas 15 anos, juntamente com seu irmão e mais um punhado de colegas, resolveu enfrentar os nazistas, diante das subserviências cagônicas dos dirigentes patrícios. E fundaram o Clube Churchill para enfrentarem os assassinos comandados por Adolfo Hitler, ajudando, pelo exemplo de heroísmo, a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca. Toda a epopeia dos adolescentes foi registrada em livro, no Brasil sendo editado sob título OS GAROTOS DINAMARQUESES QUE DESAFIARAM HITLER, Phillip M. Hoose, São Paulo, Vestígio, 2020, 222 p.

A história do livro acima é digna de ser lida e contada. No verão de 2000, o autor Hoose, fazendo um tour de bicicleta pela Dinamarca, fez uma visita ao Museu da Resistência Dinamarquesa, em Copenhague, capital do país. Em um dos cantos do museu, ele deparou-se com uma mostra denominada O Clube Churchill, contendo fotos, narrando a história de um grupo de adolescentes dinamarqueses da cidade de Odense, a terceira cidade do país, que promoveram uma heroica resistência ao truculento regime nazista.

Durante a visita de Hoose ao Museu, o curador do museu lhe informou que alguns dos meninos – agora idosos – ainda continuavam vivos, inclusive Knud Pedersen, o mais conhecido e o mais bem informado de todos sobre a resistência praticada pelos jovens e que atualmente o antigo resistente adolescente administrava uma biblioteca de artes no centro da cidade. E o próprio curador forneceu o e-mail do Pederson. Em setembro de 2012, o autor e sua senhora desembarcavam em Copenhague, para conhecer Pederson e iniciar uma série de entrevistas gravadas, narrando os feitos da resistência heroica acontecida.

A invasão da Dinamarca aconteceu em 9 de abril de 1940, quando, ao final da tarde daquele dia, 16 mil alemães já se haviam implantados em solo dinamarquês, prometendo dias melhores para todos, anestesiando muitos comerciantes, inclusive em Odense, onde cretinos vibraram muito em vender cerveja e tortas às tropas invasoras.

Embora pequena, a Dinamarca era muito valorizada pelo regime nazista, pois dispunha de uma malha ferroviária de primeira qualidade, que serviria para transporte de minério de ferro da Noruega e da Suécia, indispensável para fabricação do arsenal bélico do III Reich. Além disso, Hitler enxergava o povo dinamarquês como uma gente perfeitamente inserida na raça superior, imaginando a Dinamarca como uma sócia-fundadora de uma elite governante mundial.

Em Odensen, no entanto, um grupo de jovens, leitores diários de jornais, tomavam conhecimento da invasão também havida na Noruega, onde milhares de noruegueses foram barbaramente assassinados pelos nazistas, lá tendo sido implantada férrea censura aos meios de comunicação. Mas os noruegueses continuavam bravamente resistindo, diferentemente dos principais dirigentes públicos dinamarqueses, o rei Christian X e o primeiro-ministro Thorvald Stauning, que tinham se subordinados mediocremente à dominação. Tais notícias despertaram os ânimos dos adolescentes na direção da promoção de estratégias de também resistir aos assassinos invasores, muito envergonhados das suas autoridades públicas.

A leitura do livro é deveras sedutora, e também restauradora, para todos aqueles que se imaginam sem esperança nos amanhãs de uma humanidade alienada e que facilmente adere às ideologias mais esdrúxulas, histórica e amplamente superadas. E que se queda docilmente aos ditames de demagogos e populistas rabos de cabra, incultos e ananzados, capitães que jamais serão generais nas reestruturações planetárias democráticas exigidas pelas atuais circunstâncias históricas.

Os testemunhos acerca dos acontecidos valem a pena ser registrados neste canto de site:

“Esses adolescentes arriscaram tudo – e perderam muito. Esta eletrizante obra de não ficção vai agitar os corações de leitores de todas as idades.” (The Wall Street Journal)

“Um poderoso testemunho dos atos de bravura desses jovens, que se arriscaram a vida pelo seu país.” (The Washington Post)

“Uma notável história real, contada com primor.” (Kirkus Reviews)

Na contra capa uma panorâmica: “Batizando seu clube secreto com o nome do impetuoso líder britânico, os jovens patriotas do Clube Churchill cometeram incontáveis atos de sabotagem, despertando a fúria dos alemães, que acabaram identificando e prendendo os garotos. Mas seus esforços não foram em vão: as façanhas do clube e a captura dos seus membros ajudaram a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca.”

O autor Hoose desenvolve, no livro, uma sedutora metodologia: intercala sua própria narrativa com as memórias pessoais de Knud Peterson, que conta a história inspiradora de um grupo de jovens heróis de guerra.

Vale a pena rememorar heroísmos para execrar frouxidões e disenterias cívicas, morais e religiosas em um mundo há décadas muito apalermado por hedonismos e individualismos terrivelmente viróticos.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

LEITURAS SADIAS PARA O PERÍODO MOMESCO

Para os que ficarão bem longe da folia de Momo, preparando-se para um início de ano que se iniciará após a quarta-feira de Cinzas, uma atividade bastante provocante: fixar os olhos para o céu numa noite estrelada e buscar respostas para uma série de indagações existenciais: Que lugar ocupo no espaço?, O que tudo isso significa?, Como isso tudo teve início? Como isso funciona?, Que papel exercemos nesse processo?, Que fim tudo isso terá?, Quem organizou o Cosmo? E quem pode elucidar tudo isso, sem apelar para raciocínios eruditos de alta complexidade, em capítulos enxutos, próprios para todos os curiosos que não possuem tempos disponíveis extensos para pesquisas exploratórias e outras elucubrações mentais quilométricas.

Dois textos significativos por derradeiro:

O primeiro é bastante elucidativo, de autoria de aclamado astrofísico-pesquisador, escrito especialmente para os avexados de carteirinha, poderá ser um bom começo para os primeiros passos elucidativos na aquisição de um conhecimento fundamental das descobertas relacionadas ao universo. Ei-lo:

ASTROFÍSICA PARA APRESSADOS
Neil deGrasse Tyson
São Paulo, Planeta, 2017, 180 p.

O autor, astrofísico do Museu Americano de História Natural de New York, também diretor do Planetário Hayden, tem bacharelado em física pela Harvard University e doutorado em astrofísica em Colúmbia.

O livro tem o seguinte Sumário: Prefácio; 1. A maior história já contada; 2. Na Terra como no céu; 3. Faça-se a luz; 4. Entre as galáxias; 5. Matéria escura; 6. Energia escura; 7. O cosmo na tabela; 8. Sobre ser redondo; 9. Luz invisível; 10. Reflexões sobre a perspectiva cósmica.

No prefácio, o autor incentiva: “Com este pequeno livro você ganhará uma fluência básica em todas as principais ideias e descobertas que conduzem nossa moderna compreensão do universo. Caso eu tenha sucesso, você ficará culturalmente familiarizado com minha área de especialização e sedento por mais.”

O segundo é de autoria de um cientista brasileiro de renome internacional, docente de filosofia natural, de física e de astronomia na Dartmouth College, USA. Em 2019, ganhou o Prêmio Templeton, considerado o “Nobel da espiritualidade”, sendo o primeiro latino-americano a receber tamanho galardão:

O CALDEIRÃO AZUL: O UNIVERSO, O HOMEM E SEU ESPÍRITO
Marcelo Gleiser
Rio de Janeiro, Record, 2019, 5ª. edição, 223 p.

Diz uma das orelhas: “Os ensaios aqui reunidos são fruto da reflexão de Marcelo Gleiser sobre as questões que considera mais relevantes para o momento atual: nossa relação com o planeta e suas criaturas, com os membros da sociedade em que vivemos, e com a tecnologia, que está transformando, com velocidade impressionante, quem somos e como nos relacionamos.” E diz mais: “Gleiser nos lembra que a ciência, aliada à busca por respostas e ao fascínio pelo mistério que nos cerca, pode ser usada tanto como ponte para um mundo melhor, como para construir a pior distopia imaginável.” Caberá, então, à Cidadania Planetária, decidir sobre os amanhãs que desejamos, respeitadas as diferenças de pensar de cada um, sempre abertos diante dos que pensam de outras formas. Sempre se pautando sob a reflexão do extraordinário Albert Einstein: “Em cada explorador da Natureza encontramos uma reverência religiosa.”

O livro do Gleiser se encontra desenvolvido em quatro partes: I – Ciência e Espiritualidade; II – A Importância de Ser Humano; III – Um Mundo em Crise; IV – O Futuro da Humanidade.

É deveras significativa a Parte III, composta de ensaios que devem ser lidos com ampla acuidade mental, sinceridade de uma militância cósmica socialmente progressista e releituras recheadas de novos compromissos para com a Paz Mundial.

Na primeiro deles – Holocausto nuclear: história e futuro -, o autor denomina de Destruição Mútua Assegurada, o que aconteceria se as grandes potências nucleares do mundo entrassem em conflito aberto. E revela um dado impressionante: “No auge da Guerra Fria, os EEUU tinham 1.054 mísseis balísticos internacionais e 656 mísseis nucleares detonáveis armados em submarinos. E hoje, vários países fazem parte desse clube de armas atômicas: EEUU, China, Grã-Bretanha, Israel, África do Sul, Índia e Paquistão. E quanto maior o número de países com armamentos nucleares, maior o risco de conflito.

No segundo ensaios – Predação Planetária -, Gleiser ressalta a urgente necessidade de cuidados especiais com o aquecimento global e a qualidade da água. E ele estabelece uma indispensável regra existencial ética: “trate todas as formas de vida como quer ser tratado; trate do planeta como quer que sua casa seja tratada.”

Os dois últimos ensaios, significativos e complementares aos dois primeiros ressaltam os amanhãs que inúmeros não querem ver, alienados ou comprometidos com forças econômicas que apenas contabilizam lucros, pouco importando os modos de conseguir. A fome levará milhões para longe de seus pagos de nascença, o derretimento do gelo no Ártico liberará incalculáveis quantidades de gás metano na atmosfera, atingindo níveis 34 vezes maior que os atuais, até o final do século, e a acidificação dos oceanos, destruindo um quarto da vida marinha, exigirão soluções, a exigir preliminarmente uma mudança radical de mentalidade.

Na parte IV, o fenômeno do “transumanismo”, a junção do humano com a máquina, é estudado, ressaltando-se atenção redobrada para o documentário Uma verdade inconveniente, do Al Gore, vencedor de dois Oscars. Um documentário que foi manchete mundial, hoje relegado ao baú do esquecimento pelos alienados dirigentes mundiais, amplamente carentes de um humanismo século XXI, amplamente despreocupados com as ditaduras digitais que se avolumam pelos quatro cantos da terra.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

JORNADAS DE RESGATES

Recebi da Sissa, minha inspiração diária, antecipando a estadia no Portal de Gravatá no Carnaval, o romance mediúnico Nas Trilhas do Umbral – Eulália, Mônica Aguieiras Cortat, Capivari-SP, Editora EME, 2019, 200 p., com uma dedicatória que muito me sensibilizou, significando uma postura comportamental equilibrada sem fricotes nem exageros. A autora do livro, médium natural de Vitória, ES, é formada em administração de empresas, pós-graduada em contabilidade. Autora premiada, escreve desde os 13 anos, também sendo autora de dois CDs bastante aplaudidos nos quatro cantos do Brasil.

Na Introdução, Ariel, o mentor espiritual da autora, explica o que é um umbral: “transposição entre o mundo dos vivos e a espiritualidade, vão da porta entre essas duas realidades, que parecem tão diferentes, mas não passam de uma continuação eterna do caminho na imortalidade para o espírito. É o lugar para onde vão aqueles que se sentem perdidos, deslocados, culpados ou infelizes de alguma forma”. E esclarece: “Como espíritas, não podemos aceitar a eternidade das penas, se acreditamos num Deus infinitamente superior, expressão de bondade e amor absolutos. Nosso Pai amoroso quer que o filho aprenda e evolua. Por isso, a dádiva da reencarnação”.

Para quem não está familiarizado com o linguajar kardecista, sugerimos um suporte valioso: o dicionário O Espiritismo de A a Z, 4ª. edição, coordenado pelo Geraldo Campetti Sobrinho, Brasília, Federação Espírita Brasileira, 2013, 964 p., onde encontramos os seguintes esclarecimentos do que seja umbral: “dolorosa região de sombras, erguida e cultivada pela mente humana, em geral rebelde e ociosa, desvairada e enfermiça”. E mais: “É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos”. Ou ainda: “Funciona como região destinada a esgotamento de resíduos mentais, uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezado o sublime ensejo de uma existência terrena”.

Na trama desenvolvida no livro Nas Trilhas do Umbral, Fabrício, um suicida, é procurado por pessoas solidárias, que o buscam, atendendo solicitações aflitivas de sua mãe. Um romance que norteia, balizando, os desorientados e potencialmente adeptos da morte voluntária. Uma leitura que favorece meditações múltiplas sobre a capacidade de favorecer “enxergâncias” mais consistentes sobre atos impensados, que retardam caminhadas na direção da Luz.

Para os que buscam também aprofundar o conhecimento sobre mortes voluntárias, recomendaria também a leitura do estudo História do Suicídio: a sociedade ocidental diante da morte voluntária, de George Minois, editado pela Editora Unesp, 2018, 414 p., onde o autor analisa a grande ausência, nos estudos historiográficos dos anos 1970 e 1980, da chamada morte voluntária. Uma lacuna que é explicada por causas documentais: as fontes que fazem referência às mortes voluntárias são diferentes das que relatam as mortes naturais, pois os suicidas não tinham direito ao sepultamento religioso, os obituários paroquiais não possuindo qualquer registro. Além da morte voluntária ser um tipo de óbito cujo significado não é de ordem demográfica, mas filosófica, religiosa, moral, cultural, instaurando um clima de mal-estar em torno dela. Pois Albert Camus já escrevia: “Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio”. E mais: “É preciso seguir e compreender esse jogo mortal que leva da lucidez diante da existência à fuga para longe da luz”.

O livro de Georges Minois possui o seguinte sumário: Introdução; 1. As nuances do suicídio na Idade Média; 2. A herança medieval: entre loucura e desespero; 3. A herança antiga: saber se retirar a tempo; 4. Primeiro renascimento: uma questão formulada, depois abafada; 5. Ser ou não ser? A primeira crise da consciência europeia (1580-1620); 6. A resposta das autoridades no século XVII: a repressão do suicídio; 7. Persistência do problema e substitutos do suicídio no século XVII; 8. A origem da “doença inglesa” (1680-1720); 9. O debate sobre o suicídio no século das luzes: da moral à medicina; 10. A elite: do suicídio filosófico ao suicídio romântico; 11. A persistência do suicídio entre o povo; Epílogo: Da revolução ao século XX, ou do livre debate ao silêncio.

No livro Nas Trilhas do Umbral, a autora reproduz a informação recebida do Espírito Ariel, de que no umbral, o egoísmo é intenso, suplanta a razão, enevoa o raciocínio, e a solidão é dura e intransponível. E conclui que quanto mais perverso é o ser, mais vazio ele é, e mais orgulhoso ele se torna.

Que vacina eficaz pode-se tomar para combater efetivamente os egoísmos que ampliam o orgulho e se revestem de infelicidade fatídica? O Emmanuel, também Espírito, nos dá a Oração do Socorro, para mim um verdadeiro bálsamo. Ei-la para todos os que estão lendo esta crônica:

Nas horas serenas,
Agradecer a Deus.
Nos momentos de crise,
Confiar em Deus.
Nos problemas da vida,
Soluções em Deus.
Ante injúrias e golpes,
Silêncio e fé em Deus.
Nos erros e nas falhas,
Recomeçar em Deus.

No mais, seguir adiante, sempre confiante no Jesus que se encontra em nosso interior de seres humanos incompletos direcionados para a Luz.