FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

POR UM NOVO FHC

Não se pense que desejo o ressurgimento do ex-mandatário sociólogo, idealizador do Plano Real de tanto sucesso até hoje, apesar de todos os pesares, preconceitos, discriminações regionais, insalubridades gerenciais planaltinas, incompetências estratégicas em todas as esferas estaduais e municipais, além de uma persistentemente vexaminosa distribuição de renda e um sistema educacional esgotante há décadas, de ministro fugindo descuecado e todo borrado de medo para o exterior.

Meu intuito é bem outro, diante das incontáveis merdices praticadas nas áreas públicas e empresariais dos quatro cantos de um rincão que tanto amamos, profeticamente aplaudido como “pátria futura do Evangelho”.

Com toda simplicidade de cidadão nordestino setentão, ousaria propor um novo FHC – FOMENTO HUMANÍSTICO CRÍTICO, estruturalmente mundializante, favorecedor de uma continuada comunicabilidade planetária sobrevivencial pós pandemia, sem a qual seguramente estaremos condenados a terríveis amanhãs degrigolantes. Para tanto, sugeriria às cabeças ainda pensantes, de todas as faixas etárias e de escolaridade, umas leituras inspiradoras, abaixo listadas sem referências exaustas e enfadonhas:

1. HISTÓRIA CONCISA DO MUNDO, Merry E. Wiesner-Hanks, São Paulo, Edipro, 2018, 415 p.

A autora, professora emérita do Departamento de História da Universidade de Wisconsin, EEUU, também é autora de livros didáticos para jovens adultos da América, sempre analisando a evolução social e cultural planetária de ângulos globalizantes, inclusive grupos familiares, hierarquias sociais, sexualidade, raça, etnia, trabalho, religião e consumo. Análises que poderão definir emergentes novas redes mundiakis de comércio, ajustando diversidades e particularidades entre povos e regiões.

2. POR QUÊ? O QUE NOS TORNA CURIOSOS, Mario Livio, Rio de Janeiro, Record, 2018, 251 p.

O autor é astrofísico de nomeada, integrante da Associação Americana para o Avanço da Ciência, além de consultor científico da Orquestra Sinfônica de Baltimore, Estados Unidos.

O livro é um exame fascinante da curiosidade que todos os antenados possuem para conhecer e entender fatos, feitos, descobertas e outras coisas. Ele analisa questões triviais que ampliam a curiosidade de muitos, tais como a escolha que faz a nossa mente por alguns objetos e temas fascinantes.

As vidas de Leonardo da Vinci e Richard Freynman são investigadas, além de feitas inúmeras entrevistas, compondo páginas cativantes sobre um tema que tornou o autor expert na matéria. Uma leitura que provoca mentes e corações para iniciativas antes adormecidas no fundo dos grotões memoriais.

3. BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO, Bill Bryson, São Paulo, Companhia das Letras, 2019, 541 p.

O autor, nascido nos EEUU em 1951, juntou uma série de perguntas sobre o big-bang, as partículas atômicas, as placas tectônicas, as eras geológicas, a evolução das espécies e outros questionamentos sobre o universo, entrevistou uma enorme quantidade de especialistas, construindo uma reportagem que encanta, desasbestalha e ainda deixa o leitor com uma gigantesca vontade de querer mais. E que o fez merecedor do maior prêmio europeu para literatura científica.

4. A ARTE DE QUESTIONAR – A FILOSOFIA DO DIA A DIA, A.C. Grayling, São Paulo, Editora Fundamento Educacional, 2014, 320 p.

O autor, PhD em Filosofia, participou do Fórum Econômico Mundial, Davos, 2000-2004, se preocupa com a permanência da Filosofia em sala de aula, favorecendo a emersão de horizontes mais significativos para as comunidades planetárias, repensando o todo através de argumentos simples, convincentes e profundamente multiplicadores, ampliando os olhares sobre uma humanidade que busca ser mais solidária entre ricos e pobres.

Uma leitura integralmente descomplicada, favorecendo mudanças no agir dos executivos políticos e empresariais.

5. 50 PENSADORES QUE FORMARAM O MUNDO MODERNO, Stephen Trombley, Rio de Janeiro, LeYa, 2014, 368 p.

O autor é escritor, editor e cineasta vencedor do Emmy Award. Seu livro esboça o perfis acessíveis dos pensadores mais influentes desde 1789, filósofos, cientistas, teóricos políticos e sociais e líderes espirituais que favoreceram a configuração do mundo moderno. Dizer que a filosofia está morta é o mesmo que afirmar que o pensamento está morto. O pensador Martin Heidegger (1889-19760 afirmava que “filosofia é pensamento” e que “tudo que diz respeito à ciência é objeto de ampla reflexão por parte da filosofia”. A humanidade necessita de uma consistente cidadania crítica, amplamente binoculizadora, nunca individualista nem tampouco egolátrica. Um livro que estimula leituras outras, complementares por derradeiro.

6. 50 GRANDES PENSADORES DA HISTÓRIA, Marnie Hughes-Warrington, São Paulo, Contexto, 2008, 399 p.

A autora, ex-professora das universidades de Oxford e Washington, atualmente leciona na Macquire University, Austrália, sempre vocacionada para análises sobre a natureza da História e seu papel nos processos educacionais. Investiga sobre as utilidades da História, buscando disseminar pensamentos pioneiros que favoreceram a ampliação da enxergâncias dos que se especializam cada vez mais sobre cada vez menos.

No prefácio, ela comunga com o multiculturalista Charles Taylor, quando este alerta para os não-reconhecimentos ou falsos reconhecimentos históricos prejudiciais, que podem expressar apenas formas de opressão, aprisionando inúmeros em modos de ser distorcidos e empobrecidos.

7. A ARTE DE PENSAR, Ernst Dimnet, Rio de Janeiro, CEDET, 2020, 198 p.

O leitor quase que instantaneamente perceberá que o livro foi escrito para ele, sejam quais forem suas deficiências. Sem jargões filosóficos pedantes, tampouco atraindo extensas bibliografias, o livro se destina a mentes comuns, que sentem dificuldades e obstáculos nos nas elaborações de um pensar objetivo, capaz de enfrentar argumentações adulteradas com ímpar serenidade analítica.

Na orelha do livro, uma explicação claramente objetiva: “A arte de pensar é a arte de ser eu mesmo, e essa arte só poderá ser aprendida se estivermos sozinhos. A sociedade só produz pensamentos sociais, vulgo slogans, ou seja, palavras, mas palavras dotadas do poder de um comando. A solidão produz a alegria da consciência, a consciência de nosso interior, e nunca deixa de ter efeito.”

Leituras que certamente favorecerão um urgente FHC pós pandemia, composto de centenas de milhões de mentalidades empreendedoras crítico-libertadoras, capazes de promover uma nova etapa do desenvolvimento mundial, onde todos terão condições mínimas para o exercício de uma vivência democraticamente integradora, radicalmente sem quaisquer sectarismos esquerdopatas ou nazifascistas.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

TEXTOS MENTALMENTE RECONSTRUTORES

Diante dos incômodos existenciais provocados pela COVID-19, um autêntico chute nos bagos de um planeta que se portava desvairadamente individualista, faz-se urgentemente indispensável algumas leituras que orientem abilolados e abilolantes para amanhãs mais humanamente solidários, mais dignificantes, menos egolátricos e autofágicos por derradeiro.

Em isolamento quarentênico necessário, curtindo apenas a presença da Sissa, dos meus livros e dos zapzaps e e-mails permutados com filhos, parentes e gente muito amada, do Oiapoque ao Chuí e até da Austrália, Holanda, Portugal, Suíça e derredores, tenho recebido mensagens encarecendo a indicação de leituras não hidrocélicas que favoreçam um passar de horas mais sadiamente energizado.

Abaixo, alguns textos que me proporcionaram momentos sensibilizadores, amplamente binoculizantes, que muito fortificaram meus interiores de filho de Deus. Ei-los:

1. DOZE HOMENS, UMA MISSÃO – Aramis C. DeBarros – São Paulo, Hagnos, 2020, 520 p.

O livro analisa o perfil histórico-bíblico-cultural de Bartolomeu, Mateus, Simão Zelote, Judas Iscariotes, Tomé, André, Filipe, Judas Tadeu, João, Tiago filho de Alfeu, Tiago filho de Zebedeu e Simão Pedro. Narra a vida dos líderes que caminharam com o Nazareno, seguramente o homem mais amado da história terrestre.

2. COMPÊNDIO UNIVERSAL DA ESPIRITUALIDADE DITADO PELOS ESPÍRITOS ALQUIMISTA E POETA – Marcos Melone Cesario (autor das psicografias) – Curitiba PR, Appris, 2019, 399 p.

SUMÁRIO: Químico e psicológico; Poesia; Psicologia; Físico; Pequenos fragmentos da consciência; Conclusão: só o amor transforma.

Um compêndio que nos ensina a pensar, raciocinar diante dos fatos, com uma fé raciocinada para sempre alcançar resultados positivos, dando cor e sabor à nossa caminhada em direção à Luz Eterna.

Um livro que muito auxilia os depressivos, transformando seus interiores pessimistas.

3. NAS FRONTEIRAS DA NOVA ERA: UMA LEITURA DA OBRA DE MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA – Suely Caldas Schubert -Santo André SP, EME Editora, 2017, 480 p.

SUMÁRIO: Prefácio de Manoel P. de Miranda; Apresentação; Prólogo; Primeira Parte – Transição Planetária; Segunda Parte – Amanhecer de uma nova era; Conclusão – O amanhecer da Nova Era.

A autora nasceu em Carangola, MG, residindo em Juiz de Fora. Dedica-se há mais de 50 anos ás atividades mediúnicas e divulgação do Espiritismo. Em 1986 fundou, com um grupo de companheiros, a Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, MG.

O trabalho da Suely é dedicado ao Manoel Philomeno de Miranda e ao Divaldo Franco, dois amigos inseparáveis da autora, o primeiro já desencarnado.

Nos Agradecimentos, uma citação que sensibiliza: “Ao querido e inesquecível amigo Hermínio Miranda, que retornou ao Lar Espiritual, deixando para todos nós, seus leitores, seus admiradores, seus alunos, como eu mesma me considero, livros notáveis que exalam o perfume de sua alma nobre e feliz. A ele o preito da minha gratidão e amor.”

No Prefácio de autoria de Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo Franco, na Mansão do Caminho, Salvador, em 16 de junho de 2013, ele assim se expressou: “A nossa querida consóror Suely Caldas Schubert, portadora de alta sensibilidade parapsíquica e inspirada escritora, amadurecida psicológica e moralmente pelas expressivas experiências no serviço aos sofredores de ambos os planos da vida, que, reflexionando em torno das nossas propostas nos dois livros de nossa lavra mediúnica – Transição Planetária e Amanhecer de uma Nova Era – , penetrou em profundidade a sonda das análises felizes em torno do nosso pensamento e apresenta-nos o seu trabalho valioso, que nos merece grande respeito e consideração.”

4. HISTÓRIA DE JESUS PARA QUEM TEM PRESSA – Anthony Le Donne – Rio de Janeiro, Valentina, 2019, 208 p.

SUMÁRIO: Introdução: um guia para um caminho tortuoso; 1. Jesus, o homem; 2. Jesus na Literatura do Cristianismo Primitivo; 3.Jesus na Imaginação Pré-Moderna; 4. Jesus na Visão da Elite Intelectual; 5. Jesus na Cultura Pop.

Um livro que inspira, entretém e instrui, destinado a todos aqueles que nada ou pouco conhecimento possuem nesta área de estudo, mas que sentem uma profunda curiosidade sobre as faces do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador, que nos legou um gigantesco acervo de mensagens redentoras como o mais consagrado e amado ícone da história da humanidade.

Um livro que deve ser lido e meditado por crentes e não-crentes, gregos e troianos.

5. A VIDA DAS ESFERAS ESPIRITUAIS – Geziel Andrade – Capivari SP, Editora EME, 2019, 392 p.

Se alguém deseja se informar mais detalhadamente sobre a vida na esfera espiritual, recomendo com entusiasmo um estudo valioso efetivado por um economista paulista, Mestre e Doutor em Economia, também palestrante e pesquisador kardecista aplaudido nacionalmente:

Criteriosamente, o Andrade compila ensinamentos psicografados pelo amado médium Chico Xavier, recebidos pelos Espíritos Emmanuel, André Luiz, Irmão X (Humberto de Campos), Irmão Jacob e Maria João de Deus, para quem deseja se aprofundar nos ensinamentos indispensáveis para quem busca uma continuidade evolucionária na direção da Luz.

O livro vale por um curso preparatório, também como um alerta para quem busca desfrutar de uma situação mais benéfica após a desencarnação.

Um trabalho de fôlego intelectual, bastante enriquecedor da literatura kardecista.

SUMÁRIO: Apresentação; Fatos importantes que marcaram o surgimento dos livros psicografados por Chico Xavier; Primeira Parte – Trindade Universal; Segunda Parte – Relação entre os espíritos, os mundos materiais e suas esferas espirituais; Terceira Parte – Espíritos, Regiões e colônias da primeira esfera espiritual; Quarte Parte – Regiões da segunda esfera espiritual e das esferas intermediárias da vida espiritual; Quinta parte – Esferas superiores da vida espiritual; Palavras finais: tributo, homenagem e gratidão a Chico Xavier; Bibliografia.

A leitura sem precipitações do livro do Andrade proporcionará um redirecionamento para novas atitudes existenciais, muito favorecendo a trajetória evolucional de todos. Um livro que retrata bem como será nossa situação no outro lado da vida terrestre, a depender das atitudes tomadas na caminhada terrestre.

No mais, é favorecer, através de iniciativas não parasitárias, as diversas manifestações da caminhada existencial de todos: a financeira, a intelectual, a política a física, a social, a emocional e a transcendental, sem prejuízo de outras leituras, sem nunca esquecer Mário Quintana: “A mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer”. Quintana era um doutor de Vida, sem brasão nem lamentações fuxiquísticas. Apenas lastimando não ver na cadeia um ex-ministro da educação que fugiu para os EEUU, rabinho todo obrado de medo de não ser preso e ser linchado.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

RECOMENDAÇÃO PÓS COVID-19

Diante da pandemia gigantesca que ainda agride o todo mundial, recebo um e-mail de amigo sulista muito querido, inteligência muitos furos acima dos atuais índices mediocrais societários, políticos, midiáticos e religiosos. Em determinado trecho, ele escreve: “Estou muito cansado, muito cansado mesmo e nada mais que venha da Vida ou de Deus me importa”.

Amando-o fraternalmente ainda mais, posto que gosto de ser solidário com os que estão depressivos, enviei-lhe uma resposta, citando Albert Einstein, procurando uma explicação parcial da apatia existencial revelada na correspondência. Diz o Nobel de Física, inteiramente despido dos orgulhos e imodéstias dos encharcados de hipocrisias e falsidades: “O mistério da vida me causa a mais forte emoção. Este sentimento suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece este sentimento ou não pode mais experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram. Aureolada de temor, é a realidade secreta do mistério que constitui também a religião… Deste modo e somente deste modo, sou profundamente religioso”.

Aproveitei a conjuntura existencial do amigo querido, também lhe remeti a reflexão de um poeta que muito admiro, o Fernando Pessoa, que era possuidor de “uma religiosidade não definida, e visionária, de um acontecer mítico cuja significação se inscreve fora dos próprios acontecimentos em que se exemplariza”, segundo a ensaísta Maria Aliete Galhoz, uma analista do gênio lusitano que morreu quase totalmente ignorado pelo público lisboeta, que à época se extasiava com os textos de inteligibilidade primária da lírica de então. Disse o poeta: “Tivesse Quem criou / O mundo desejado / Que eu fosse outro que sou / Ter-me-ia outro criado”… “Sejamos simples e calmos, / Como os regatos e as árvores, / E Deus amar-nos-á fazendo de nós / Belos como as árvores e os regatos, / E dar-nos-á verdor na sua primavera, / E um rio aonde ir ter quando acabemos!” … “Anjos ou deuses, sempre nós tivemos, / A visão perturbada de que acima / De nós e compelindo-nos / Agem outras presenças”… “Quanto mais alma ande no amplo informe, / A ti, seu lar anterior, do fundo / Da emoção regressam. Ó Cristo, e dormem / Nos braços cujo amor é o fim do mundo”

Também encaminhei para o amigo uma outra reflexão do luso notável, autor do sempre à minha cabeceira Livro do Desassossego: “Para vencer – material e imaterialmente – três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar as oportunidades e criar relações”. Sem jamais esquecer o ensinamento de Luiz Lira, outro amigo meu e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, uma personalidade especialíssima: “Feliz do Ser Humano que tem o dom da arte. Arte é a energia do amor materializada. Não se deve jogar fora essa dádiva.”… “A alegria é uma aliada do amor. Dê alegria, use essa energia que dissolve o medo. Sorrir é o melhor remédio. Aprenda com as crianças o que você esqueceu. Seja puro sem ser tolo. Não importa que os outros pensem que você é inocente. Seja como uma criança sempre disposta a sorrir”.

Aproveitei o e-mail enviado e anexei para o amigo em crise um afoito poema por mim escrito há alguns anos: Busquei intensamente e me percebi / Pulsando sobre o tudo que amava / Louvando até não mais quase sentir / As amarras sobre as quais trilhava; Achei o que jamais perdi / O encanto de ter, aberta a porta / Desenho belo de amanhã que vi / De amor intenso, que a dois reporta; Luz intensa, marca-compromisso / Calor inteiro atapetando além / Sempre integralmente em paz; Caminhar em tempo algum demisso / Ultrapassando sem nenhum desdém / Os ontens vividos, sem olhar pra trás.

Sabendo ser o amigo desiludido portador de uma religião desvinculada de uma espiritualidade exigida para os enfrentamentos contemporâneos, ousei indicar-lhe uma leitura restauradora para a época junina, que se avizinha. Textos que me proporcionam frequentes releituras binoculizadoras diante dos desafios planetários dos amanhãs que se aproximam:

O FUTURO DAS HUMANIDADES – CIÊNCIAS HUMANAS DESAFIOS E PERSPECTIVAS -Jeilson Oliveira, Ericson Falabretti (orgs.) – Caxias do Sul RS, Educs, 2019, 269 p.

Ousei chamar a atenção do amigo para a dedicatória do livro citado: “Dedicamos este livro a todos(as) os(as) estudantes de ciências humanas, cuja vocação é o pensamento e cuja meta é a virtude. Que as intempéries do tempo e as adversidades da hora não afetem seu pendor e entusiasmo.”

Os autores reconhecem que escrever é uma forma de expurgar seus próprios incômodos. E que todo livro nunca sectário de Ciências Humanas é um manifesto de esperança, uma convocação indispensável para resistir às arbitrariedades dos que se imaginam os únicos escolhidos por Deus.

Desejo plena existencialidade comportamental para o amigo sempre presente em minha memória caminheira.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

ESCRITOS GENIAIS DESCOMPLICANTES

Assusta-me profundamente a ignorância explicitada por pessoas que minimamente não conseguem efetivar uma simples operação aritmética, sempre recorrendo a uma calculadora bem simplinha, executora apenas das quatro operações fundamentais.

Creio que a incultura pelo cálculo simples tem origem, nos primeiros anos de vida, a uma educação fundamental comandada por professoras mentalmente desabilitados nos princípios mais elementares de um raciocínio numérico.

Para quem tem filhos e parentes no Segundo Grau se preparando para enfrentar o ENEM ou Concursos Vestibulares similares, recomendaria a leitura de alguns textos fascinantes sobre a ciência dos números, sua história e seus procedimentos lógico-evolucionários, desde os distantes ontens até os dias atuais, onde só será possível ampliar as análises enxerganciais através de argumentos constituídos de consistentes comprovações quantitativas.

As recomendações abaixo são escritos esclarecedores por derradeiro, não matematizantes nem hidrocélicos, mais semelhantes a romances instrutivos, binoculizadores por excelência, que favorecem o despertar de neurônios adormecidos por incompetências docentes, descasos familiares, complexos introjetados ou pura hereditariedade mental asnática geradora de complexos sociais os mais diferenciados.

Vejamos os textos mais oportunos, apontados abaixo, como um desabestalhamento progressivo século 21 amplamente indispensável, independentemente de idade, crença, sexo e outros trejeitos sociais, diurnos e noturnos. Favorecendo ignorâncias adquiridas ou natas, quando os experimentos científicos mais recentes comprovam que até bebês de quatro meses possuem elementares capacidades de raciocinar, não havendo desculpas para se eximir de uma espiadinha básica despertadora. Ei-los:

1. HISTÓRIA BIZARRA DA MATEMÁTICA – Luciana Galastri – São Paulo, Planeta do Brasil, 2020, 256 p.

A autora é curitibana, graduada em Jornalismo, apaixonada por ciência. Através de histórias inusitadas, algumas até macabras, ela proporciona a descoberta da matemática, não mais como bicho de sete cabeças, mas por razões incrivelmente outras. No livro, a história de Florence Nightingale, uma enfermeira norte-americana que inventou o gráfico de pizza durante a Guerra da Crimeia. Também a revelação de que nenhuma maçã caiu na cabeça de Newton, nem que Pierre Laplace achava que acreditava na existência de um demônio poderoso que era capaz de calcular as probabilidades de todos os eventos terrestres. E que também contará como a matemática nada mais é que resultados provocados por personagens curiosos, que toparam resolver todos os desafios quantitativos que lhes fossem apresentados.

SUMÁRIO: Introdução – Por que o livro de matemática pulou de um prédio; 1. O princípio: cachorros, ossos e mamilos; 2. Peladões e múmias: quem começou a usar a matemática para além do óbvio; 3. Mortes medonhas na idade das trevas; 4. O renascimento da matemática na era moderna; 5. Confusão infinita na era contemporânea; 6. Alienígenas e caos nos dias de hoje.

Uma leitura que retirará muitos de um sofrimento permanente, percebendo que a matemática foi feita por aqueles que encaram os problemas, possuindo a sensação de encarar com paixão a tarefa de resolvê-los.

2. DESBRAVADORES DA MATEMÁTICA: DA ALAVANCA DE ARQUIMEDES AOS FRACTAIS DE MANDELBROT – Ian Stewart – Rio de Janeiro, Zahar, 2019, 327 p.

O autor, um dos mais famosos matemáticos contemporâneos, Professor Emérito da Universidade Warwick, Inglaterra, é reconhecido mundialmente pelo seu intenso interesse em difundir a disciplina através de explicações acessíveis a todos os interessados. Seu livro não é matemática pura, mas páginas contaminadas de muita sagacidade, sabedoria e fascínio, um misto de aula de cálculo e livro de história, revelando com ampla didática elucidativa descobertas fantásticas de cálculos numéricos.

No livro, as descobertas feitas por 25 desbravadores, antigos e modernos, homens e mulheres, orientais e ocidentais, apresentadas de forma quase cronológicas, favorecem múltiplos desejos de conhecer outras etapas da mais fácil de todas as ciências.

3. A FASCINANTE HISTÓRIA DA MATEMÁTICA: DA PRÉ-HISTÓRIA AOS DIAS DE HOJE – Mickaël Launay – Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2019, 263 p.

O autor, matemático e PhD em Probabilidade, tem dedicado sua carreira na divulgação dos conhecimentos matemáticos para jovens e também para o público em geral. O texto parece um romance instrutivo envolvente, bem humorado, onde Launay questiona “a origem das convenções que os não matemáticos foram incapazes de enxergar como pequenas revoluções para a mente”.

Segundo ainda o autor, a matemática dá medo, mas fascina todo mundo. Não é amada, mas todo mundo gostaria de curti-la. E ele convida todos a dar uma olhadinha indiscreta em mistérios matemáticos aparentemente inacessíveis, amplamente explicados por quem sabe transmitir sem medo algum de ser feliz.
Na contracapa, um testemunho valioso sobre o autor: “Seus vídeos no YouTube são muitíssimos bem feitos, e quando ele troca a câmera pela caneta é igualmente empolgante”.

Segundo ainda o autor, “quase todo mundo gosta de matemática. O problema é quase ninguém sabe disso.”

Finalizando, uma conclamação de apaixonado: saibamos todos envolver-se numa ciência extremamente oportuna para os tempos de amanhã, orientando seus derredores para uma esperteza numérica cada vez mais efetiva.

E entendamos de uma vez por todas que a divisão proclamada entre “ciências exatas” e “ciências humanas” deve ter sido da autoria de alguém que detestava raciocinar quantitativamente, pois teria sido gerado em pé numa rede…

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

SOBRE COISAS

Recebi o texto abaixo da amiga Carminha Costa, nabuqueana de tempos de coisas bem mais lindas:

“A palavra “coisa” é um bombril do nosso idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia. Coisas do Português.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há o “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica “O Coisa” em 1943.” “A Coisa” é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu “A Força das Coisas”, e Michel Foucault, “As Palavras e as Coisas.”

Em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

Canção famosa: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Mas, quando aparece mulher chata ou feia, logo se diz “lá vem aquela coisa” ou “olha que coisa horrorosa”…

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Em 1997, a NASA lançou a “Missão Mars Pathfinder”, enviando um robô para explorar Marte. O mecanismo foi programado para ser acionado a partir do som de uma música e a escolhida foi um samba de Jorge Aragão/Almir Guineto/Luís Carlos da Vila. Assim, o robô da Nasa, foi “acordado” com a música: “Ô coisinha tão bonitinha do pai…” Lembra-se?

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa de cinema! “A Coisa” virou nome de filme de Hollywood, que tinha o “seu Coisa” no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: “Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”, e A Banda, de Chico Buarque: “Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor”.

Naquele ano do festival, no entanto, a coisa estava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não estava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”.

Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei” das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade afinal, “são tantas coisinhas miúdas”. “Todas as Coisas e Eu” é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa…Já qualquer coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música “Qualquer Coisa”, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal.

O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa.

Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema “Eu, Etiqueta”, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

Se as pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas, para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?

Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas mais.

Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.

Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento:

“AMARÁS A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS”.

Entenderam todos o espírito da coisa?

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

EXTRAÇÕES DE ARQUIVO

Revendo pastas e documentos, encontro algumas reflexões feitas que parecem continuar exigindo mais criatividade, competência, ética comportamental em reuniões ministeriais e compromisso dos atuais dirigentes públicos e empresariais, explicito alguns “recados” encontrados em teréns arquivados:

1. O propósito da vida é sobreviver para, com dignidade, conquistar, evitar tensões desnecessárias, saber perder para ganhar posteriormente, sacudindo a poeira e dando a volta por cima, para desesperança daqueles que, de alma pequena, jamais chegarão à Pasárgada do pernambucaníssimo Manuel Bandeira.

2. Vivemos na era das pulhas as mais diferenciadas, inclusive planaltinas. Que independem de sistemas econômicos, escolaridade e renda, raça e religião, sexo e ideologia. Ilude-se hoje abertamente, utilizando os mais diferenciados meios e métodos de enganação, da praça pública à televisão a cabo, passando pela Internet, universidades e organizações não-governamentais, algumas delas descaradamente neo-governamentais. Vitimando os abestados de sempre, os assaltados pelos que buscam levar vantagem em tudo. Os filhos da pulha são os enganados, posto que distanciados de ambientes criativos e críticos, republicanos por derradeiro.

3. As economias, como a brasileira, enfrentarão, após pandemia, prolongadas estagnações se não incrementarem mais produtividade na área do conhecimento, sobretudo do setor humanístico. Elas não sobreviverão aos mais elementares obstáculos sociais se não desenvolverem uma agressiva política cultural, erudita e popular, a primeira nunca debiloide, a segunda jamais com objetivos eleitoreiros.

4. Muitos executivos brasileiros, de instituições públicas e privadas, ainda não perceberam que suas áreas de comando se encontram em processo de irreversível decomposição. Por não atentarem, eles e seus subordinados, que o trabalho se despojou de uma simples materialidade, tornando-se polo gerador de um paradigma onde despontam a inventividade, a parceria, a flexibilidade, a versatilidade e a capacidade de desaprender para reaprender com mais futuralidade.

5. Miguel de Cervantes, o pai do Dom Quixote, proclamava que “não há amizade, parentesco, qualidade, nem grandeza que possam enfrentar o rigor da inveja”.
Uma tese potencialmente superável, se efetivamente vivenciadas algumas diretrizes comportamentais:

a. Leve em consideração que grandes amores e novas conquistas envolvem grandes riscos;

b. Quando perder, não perca a lição;

c. Observe cotidianamente três R’s: Respeito a si mesmo, Respeito aos outros e Responsabilidade por todas as suas ações;

d. Lembre-se que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte;

e. Aprenda as regras de modo a saber quebrá-las da maneira mais apropriada;

f. Jamais deixe uma disputa por questões menores ferir uma grande amizade;

g. Quando perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo;

h. Passe algum tempo sozinho todos os dias;

i. Abra seus braços para as mudanças, sem abrir mão de seus valores permanentes;

j. Lembre-se que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta;

k. Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez;

l. Uma atmosfera de amor em seu ambiente é fundamental para a vida;

m. Em discordância com entes queridos, trate apenas da situação corrente, sem levantar questões passadas;

n. Compartilhe amplamente o seu conhecimento, uma maneira de alcançar a imortalidade;

o. Seja gentil para com a terra;

p. Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes;

q. Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor que cada um precisa do outro;

r. Julgue o seu sucesso por aquilo que teve de renunciar para consegui-lo;

s. Entregue-se total e irrestritamente nas mãos de Deus, consciente do seu papel de também construtor do Reino;

t. Sinta-se em contínua superação, tal e qual a “metamorfose ambulante” do Raul Seixas. E entenda cotidianamente o pensar do saudoso João Cabral de Mello Neto: “E não há maior resposta que o espetáculo da vida”.

6. Enxugar o Estado para melhor agilizá-lo, eliminar o voto obrigatório, reagrupando as agremiações partidárias, promovendo educação, saneamento, segurança e saúde para todos, erradicando da impunidade e da economia as especulação espúrias, reduzindo o fosso comunitário entre norte e sul, respeitando às comunidades indígenas e promovendo uma reestruturação agrária humanamente planejada, eis um receituário estratégico mínimo, sob pena de se inventar, breve , um outro significado para desenvolvimento.

7. Cidadaniza bastante, diariamente ao acordar, reler a reflexão de Bertolt Brecht: “O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio”.

8. Como diz uma lindona amiga minha, portadora de muita carne de peito: “Tenho descoberto que algumas pessoas têm o dom de não valerem nada”. Menina amada, nunca se apresse. Há pessoas que foram geradas em pé numa rede. Jamais saberão se comportar com dignidade profissional. Sabe por que? Porque são lambecusistas, nunca percebendo as idas e vindas da História. São executivos bostocratas, que impedem o país de ser mais criativo e menos patologicamente nostálgico. Só sabem rir com toda pornofonia presidencial, sempre a imaginar que “rir é o melhor remédio”.

No mais, é abraçar carinhosamente o João Silvino da Conceição pelas suas notações, inclusive a última, revelada semana passada: “Somente os que imaginam que os fins justificam os meios, possuem a certeza que diz “pimenta no rabete dos outros é refresco”. E que “mandioca na mão para enfiar em fiofós desprotegidos” é coisa de ministros descompensados, ansiosos para alisar os ovos de capitães malucos e seus filhos maluquetes.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

ANOTAÇÕES PARA O MOMENTO

1. A atual pandemia planetária direcionou mentes sadias e corações solidários para adoção de paradigmas existenciais mais fraternos, abandonando posturas e crenças já manjadas. Foram rejeitados posicionamentos sociais embasados em teorias econômicas ultrapassadas, das duas extremidades ideológicas, erradicados os acovardamentos fundamentalistas e os trejeitos marqueteiros populistas dos messiânicos. Para inúmeros, uma posição foi tomada: que seja melhorado o bom, descobrindo-se a essência das missões individuais e coletivas. Que sejam erigidos propósitos de passos largos e consistentes, ainda que se correndo o risco de não se fazer coisas inéditas, ou recapturando passados, muitos até ridicularizados. E que todos saibam melhor o seu direcionamento para a Luz.

2. Tem muita gente ajudando outros a obter uma nova visão de mundo, explicando os porquês de algumas tensões e outras tantas turbulências, todas elas reflexos de uma conflitividade nem sempre positiva, embora sempre na busca de superações contínuas, jamais definitivas.

3. Quais deveriam ser os mandamentos de um Eleitor Esperto 2020? Abaixo, alguns sinais, todos atentos para erradicar a quantidade enorme de arroteiros:

a. Eliminar os candidatos de partidos-picaretas, que somente vêm a público em campanhas eleitorais.

b. “Dize-me com quem andas e eu direi quem tu és” ainda é um ditado muito arretado de ótimo.

c. Charme e distinção só para escolher óculos de grau.

d. Nunca se deve sufragar apenas pelo lado bonitinho. Vez por outra, elegemos picaretas repletos de “armações”, ordinaríssimos todos.

e. Caridade é bonita. Aproveitamento da miséria dos outros é coisa bem diferente. Cestas de alimento, tíquetes de leite, dentaduras, sacos de cimento e caminhões-pipas devem ser recebidos com mil agradecimentos, o voto continuando a ser reflexo de uma escolha consciente, refletida com maturidade e muita cidadania.

f. Desconfiar sempre de quem promete resolver tudo sozinho, arranjar novos empregos, zerar de uma só vez o não saneamento municipal, arrotando grandezas, tal e qual um Pai Grande, protetor dos “frascos e comprimidos”, na ingenuidade de um rapazote interiorano.

g. Observar bem se o candidato tem o “rabo” preso a atitudes que contrariam os interesses da maioria. Ou que resultem em prejuízos para milhões de desprotegidos.

h. Desconfiar de quem explora a vida pessoal dos outros candidatos. Crítica política é uma coisa, chafurdices velhacas são outros mil reais.

i. Já levar no caminho da urna a sua seleção, entrando na cabine com a escalação toda, deixando a turma da boca-de-urna sem vez nem voz.

j. Não basta votar. Tem que acompanhar a atuação dos eleitos. Se esquecer deles, como esperar que eles se lembrem das promessas que fizeram?

4. Um desenvolvimento eficaz dos Recursos Humanos será o principal indicador que evidenciará o Nordeste Brasileiro nos próximos anos perante a comunidade nacional, após o término da atual pandemia. E os líderes públicos e empresariais da região devem principiar a perceber que pessoas capacitadas, criativas e empreendedoras serão o único fator de produção que continuará insubstituível nos futuros próximos. Apesar dos avanços extraordinários da informática e da robotização, ambas jamais se tornarão independentes dos neurônios da raça humana.

5. Tenho uma profunda admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal, notável matemático, definia como esprit de finesse. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado repleto de reais, que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não lhe pedir autógrafo nem ficar com lero-leros bajulatórios. ¨

6. Já foi dito certa feita: “A maior tragédia do homem contemporâneo está na sua dominação pela força dos mitos, abdicando de uma soberana capacidade de discernir. … Nós, brasileiros, muitas e muitas vezes oscilamos entre um otimismo ingênuo e uma desesperança que somente beneficiam os reacionários. Otimismo ingênuo e cavilosa nos fazem esquecer as manhas de um poder invisível que se encontra comodamente instalado nos atapetados gabinetes da república, a desarticular propostas de uma reestruturação nacional consistente e duradoura, adversária primeira dos interesses oligárquicos”.

7. Um sistema universitário cientifica e humanisticamente sadio é aquele alicerçado sobre consistentes e eficazes ensinos fundamental e médio, permanentemente alimentado por recursos financeiros que proporcionem um mínimo de decência existencial e contínuo aprimoramento para seus corpos docentes, discentes e administrativos, dispensados os omissos e incompetentes.

8. Não há nada mais ridicularizável que determinados dirigentes públicos em início de gestão. Sentem-se os próprios cães do segundo livro do Felisberto de Carvalho. Eliminam projetos de futuro já propostos, destroem eficazes construções passadas, contaminam procedimentos empreendedores, erigem tribunais inquisitoriais, suspeitam de tudo e de todos aqueles que não estavam do seu lado. E vão além do cotidiano necessário: arrotam “bombrilmente” mil e um novos empreendimentos, nomeando incapazes, buscando o sensacionalismo barato através de posturas bananeiras demagógicas.

9. Para todos aqueles aprovados na área do Ensino Superior, curiosidades afloram sobre o surgimento das primeiras noções recebidas: como e por que os grandes pensadores tiveram as ideias que alteraram os rumos da humanidade, o que se deve esperar da Filosofia e para que ela serve. A atual geração universitária, sem os embasamentos humanísticos necessários que fomentaram as grandes transformações universais, carece ter mais conhecimentos sobre o como se processou a história do pensamento, evitando engasgar-se nos argumentos mais elementares e desafiadores dos amanhãs.

10. Recomendaria um livro que muito ensinaria acerca da história das ideias que servem até hoje como ferramentas essenciais para os debates contemporâneos: A Mais Bela História da Filosofia, Luc Ferry & Claude Capelier, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2017, 322 páginas. O primeiro, PhD em Filosofia, foi Ministro da Educação da França, tendo sido professor universitário, hoje dedicado em tempo integral à elaboração de livros. O segundo é filósofo, escritor e assessor científico do Conselho de Análise da Sociedade da França. O texto retrata, de uma forma muito original, uma questão que inquieta profundamente os ainda pensantes: como responder às nossas atuais desorientações diante de um universo que persiste em nos escapar entre os dedos, apesar das estupendas explorações interplanetárias?

PS. Fiquemos em casa para erradicar mais rapidamente a COVID-19, tida por “simples gripezinha” pelos dinossauros que buscam notoriedade através de fálicas manifestações.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

COMO ULTRAPASSAR A VISÃO TECNICISTA DO ESPECIALISTA

Com a pandemia do COVID-19, inúmeros apressadinhos resolveram dar um “stop” em suas caminhadas existenciais egolátricas e hedonistas para encarecer aos mais próximos algumas leituras que lhes proporcionassem uma ampliação das sua enxergâncias de especialistas em quase nada de um todo bastante míope, dada seus frágeis níveis humanístico, distanciados léguas mil de conteúdos mínimos de Ciências Humanas.

Para um amigo fraterno de infância, especializado em química petrolífera de subsolo, atendendo um telefonema seu meio angustiado por não saber conversar sobre assuntos de vida com antenados netos pré-vestibulandos, preparei algumas leituras recentes que muito ampliarão sua convivência dialogal com os parentes jovens, estudiosos todos e que estimam bastante o vovô Ado (nome fictício para não entornar o caldo). São cinco livros pequenos, notavelmente descomplicados, que amplamente elucidam, sem as complexidades dos eruditismos ostentatórios dos nunca didáticos. Ei-los, numa sequência que considero a mais enriquecedora possível:

1. FILOSOFIA PARA OCUPADOS – DOS PRÉ-SOCRÁTICOS AOS TEMPOS MODERNOS EM 208 PÁGINAS – Lesley Levene -Rio de Janeiro, LeYa, 2019, 208m p.

Um livro indispensável para quem busca refletir sobre questões existenciais. Um livro leve, sucinto e divertido, para ser lido em qualquer tempo e lugar. Um livro que analisa questões vitais debatidas ao longo de milhares de anos, que levaram Voltaire a concluir magistralmente:

“A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda.”

Uma leitura que seguramente despertará a vontade de saber cada vez mais sobre inúmeras indagações contemporâneas, aprimorando nosso pensar sempre inconcluso, posto que todos somos meros aprendizes de tudo.

2. DIÁLOGO DE CULTURAS – Leandro Karnal – São Paulo, Contexto, 2018, 192 p.

Um autor de mil e uma entrevistas sedutoras e profundamente didáticas, que sempre externou que “educar não é adestrar, mas ampliar e estimular o repertório para que cada ser faça parte da aventura humana. A educação pela arte é poderosa e pode mudar, para sempre, a vida de alguém.”

Segundo o autor, sempre é fascinante ampliar a binoculização muito além das paredes técnicas dos especialistas. Lendo com atenção, sempre destrinçando parágrafo por parágrafo, é aprimorar o olhar além dos seus derredores, sabendo combater preconceitos e discriminações, imbricando temas diferenciados em busca de novas interpretações, quiçá inovadoras.

Um livro que bem ressalta a diferença entre medíocres fascistas e democratas historicamente determinados.

3. 21 IDEIAS DO FRONTEIRAS PENSAMENTO PARA COMPREENDER O MUNDO ATUAL – Fernando Schüler & Eduardo Wolf (organizadores) – Porto Alegre, Arquipélago Editorial, 2017, 240 p.

O livro retrata ideias de pensadores contemporâneos, vitais para um entendimento do papel de cada um numa sociedade que evolui estonteantemente, desfavorecendo as mentalidades mais arrumadinhas e fundamentalistas. Os diversos temas ressaltam parametricamente: uma ideia é conhecimento, é informação gerada, é um anseio de mudança.

Os textos selecionados são ferramentas indispensáveis para debates esclarecedores sobre questões vitais sobre o mundo atual e os nossos amanhãs.

4. O DILEMA DO PORCO ESPINHO: COMO ENCARAR A SOLIDÃO – Leandro Karnal – São Paulo, Planeta do Brasil, 2020, 192 p.

O autor viaja pela modernidade líquida, expressão cunhada por Zygmunt Bauman, analisando a solidão dos que vivem soterrados nos whatsApps e caixas de e-mails lotadas de informações, muitas bobagens, algumas falácias, rezas invocatórias, mensagens afetivas, produtos exóticos, remédios que levantam muitas coisas mortas, eliminando distâncias e enfrentamentos de uma solidão que se encontra disseminada pelos quatro cantos do mundo, camuflada pelas práticas e posturas da eletrônica moderna.

5. CRENÇA, DÚVIDA E FANATISMO: É ESSENCIAL TER ALGO EM QUE ACREDITAR? – Osho – São Paulo, Planeta, 2015, 254 p.

Se você deseja ler reflexões sobre algumas questões contemporâneas – Qual o motivo da necessidade humana de acreditar em algo?, Como devemos encarar as afirmações feitas pelas religiões?, Como podemos nos afastar das verdades impostas e seguir pelo caminha da dúvida e da descoberta? –, o livro acima contém balizamentos de um dos mestres espirituais mais inspiradores do século XX, reconhecido mundialmente pelas suas contribuições para a ciência da transformação pessoais.

O livro analisa inquietações interiores que estão afetado a caminhada de milhões, mormente agora quando o planeta está sendo abalado por uma pandemia de consequências nada previsíveis. E disseca didaticamente sobre, segundo ele, as sete religiões do mundo: 1. A orientada pela ignorância; 2. A orientada pelo medo; 3. A orientada pela ambição; 4. A religião da lógica, do cálculo.

As outras três são consideradas religiões mais verdadeiras: 5. A religião da inteligência; 6. A religião da meditação; 7. A religião do êxtase, o samadhi.

Um livro que que analisa uma questão basilar no século XXI: É essencial ter algo em que acreditar?

Livros que ampliam a humanização dos especialistas, a grande maioria ainda embatucada diante de uma célebre reflexão feita pelo saudoso economista brasileiro Celso Furtado:

“O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos num triângulo retângulo. Mas será que o triângulo será mesmo retângulo?”

Saibamos ler muito além das tecnicalidades temporárias, para apreender melhor sobre os nossos basilares amanhãs planetários !

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

TESTEMUNHOS VALIOSOS

1. No cenário brasileiro do Espiritismo, entre os mais talentosos divulgadores, um se destaca pelo conhecimento e bravura em defesa da doutrina de Allan Kardec: Jorge Rizzini, um paulistano eternizado em 2008, criador, em 1982, do Primeiro Festival de Música Mediúnica, realizado no Teatro Municipal de São Paulo.

Durante mais de 10 anos debruçou-se sobre uma gigantesca pesquisa documental, onde registrou experiências sobre realidade espiritual efetivadas através de fenômenos e análises de notáveis personalidades, entre as quais Leon Tolstoi, Goethe, Victor Hugo, Conan Doyle, Charles Dickens, Victorien Sardou, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Rui Barbosa e Olavo Bilac, entre tantos outros, que relataram feitos e fatos espíritas que marcaram suas vidas.

Um dos seus livros mais lidos, o que relatou os testemunhos dos acima citados e mais alguns, teve apresentação da sua neta Veridiana Rizzini L. Mantovani, que o considerava “um homem muito especial, descontraído e brincalhão, mas imbatível em seus propósitos, quando se tratava da coerência na divulgação do espiritismo.” O livro intitulou-se:

ESCRITORES E FANTASMAS – Jorge Rizzini – São Bernardo dos Campos SP, Correio Fraterno, 3ª. ed., 2017, 352 p.

Através de depoimentos convincentes, os leitores encontrarão uma excelente oportunidade para se perguntar sobre as suas relações com a outra dimensão, sobre as suas origens e os seus destinos.

O livro é dividido entre testemunhos nacionais e testemunhos estrangeiros. E traz uma Introdução do autor intitulada O espiritismo e os expoentes da cultura universal, onde ele explicita: “Não é nosso objetivo fazer aqui um serviço de estatística. Todavia, recuaremos no tempo e encontraremos Sócrates e Platão. O primeiro, desde a infância ouvia uma voz que o orientava nos momentos cruciantes. Era o filósofo médium auditivo. ‘Essa voz não intervém senão para me afastar do erro’, contava Sócrates, momentos antes de morrer. E declarava: ‘Ela nunca me leva a fazer mal.’”

Citemos algumas citações, para provocar, no futuro, o interesse dos amigos eitores para o conhecimento de todos os relatos:

“Não julgueis que em todo esse drama há alguma coisa de além-túmulo?” (Fagundes Varela)

“O espiritismo será a religião de amanhã, porque prova a sobrevivência.” (Monteiro Lobato)

“A proporção que uma folha se completava, sempre em grafia bem legível, eu ia verificando o que ali fixara o lápis do Chico.” (Agripino Grieco)

“Ah! tu deves ter sido em tempos longínquos minha irmã ou minha esposa.” (Goethe)

“Tornei a adormecer. Durou o fenômeno cerca de uma hora.” (Victor Hugo)

“Considero muito importante pôr em evidência, cada vez mais, o lado religioso do espiritismo.” (Conan Doyle)

2. A ameaça pandêmica da COVID-19-19, forçando um recolhimento compulsório ao lar, me proporcionou a oportunidade de rever notas e reflexões escritas bem dormidas, favorecendo a distinção entre alhos e bugalhos. Linhas -extraídas de vários naipes ideacionais, algumas delas amplamente divulgadas. Algumas delas:

“Somente a Razão torna a vida alegre e agradável, excluindo todas as Concepções ou Opiniões falsas que podem perturbar a mente.” (Epicuro)

“A vida que não é examinada não vale a pena ser vivida.” (Sócrates)

“O que somente pode guiar o homem? Somente uma coisa, a filosofia.” (Marco Aurélio)

“O homem não pode superestimar a grandeza e o poder de sua mente.” (Hegel)

“Fazer filosofia é explorar o próprio temperamento, e ao mesmo tempo tentar descobrir a verdade.” (Iris Murdoch)

“Ser filósofo não é meramente ter pensamentos sutis, nem mesmo fundar uma escola… É resolver alguns dos problemas da vida, não na teoria, mas na prática.” (Henry David Thoreau)

“O carpinteiro molda a madeira, os arqueiros moldam flechas; o sábio molda a si mesmo.” (Buda)

“A escrita popular requer a transformação engenhosa, se bem que fidedigna, de questões complexas em questões espantosamente simples – uma tarefa que eu não teria conseguido conceber, muito menos executar, sem uma assistência especializada.” (Lou Marinoff)

O último autor dos citados acima é autor de um livro por mim lido de fio a pavio, que muito bem demonstrou a eficácia da filosofia aplicada aos problemas cotidianos como os atuais:

MAIS PLATÃO E MENOS PROZAC – A FILOSOFIA APLICADA AO COTIDIANO – Lou Marinoff – Rio de Janeiro, Record, 2001, 380 p.

O autor oferece o livro “para aqueles que sempre souberam que a filosofia servia para alguma coisa, mas não conseguiam explicar exatamente para quê.”

O trabalho de Marinoff é composto de quatro partes: I – Novos usos para a sabedoria antiga; II – Administrando problemas cotidianos; III – Além do aconselhamento do paciente; IV – Recursos complementares.

Uma leitura pra lá de oportuna, no momento em que as instituições religiosas estão com suas credibilidades reduzidas, levando-se em conta que a filosofia abarca lógica, ética, valores, significado, racionalidade e tomada de decisão em situações complexas.

E o autor faz uma advertência contundente: “O estudo básico da filosofia deveria fazer parte de toda educação; uma universidade sem um departamento de filosofia é como um corpo sem a cabeça.” Infelizmente, nos últimos tempos os especialistas da área enfatizaram demasiadamente a teoria em detrimento da prática, tornando a filosofia incompreensível e inaplicável para a grande maioria das pessoas comuns.”

Vale a pena ler ou reler Marinoff, para saber enfrentar os problemas causados pela atual pandemia.

As duas leituras acima, excepcionalmente didáticas, destinam-se a pessoas saudáveis em busca de articulações promissoras e nunca nostálgicas com pensadores que marcaram época, na construção de amanhãs mais comunitariamente solidários entre si e vinculados filialmente com a Criação.

FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

PARA SABER BEM CAMINHAR NA VIDA

Tenho uma admiração acentuada pelo filósofo William James, que um dia assim se expressou num dos seus textos famosos: “A vida humana mais profunda está em toda parte, é eterna.”

Para todos aqueles que buscam combater um existir alienado, vitimista, chafurdento, fuxicoso, ananicado, hedonista, inculto e individualista por derradeiro, recomendo três leitura que muito poderão favorecer um caminhar, mais consequente, mais apropriado, com posturas comportamentais eticamente respaldadas num humanismo evolucionário:

1. A FILOSOFIA DA VIDA COTIDIANA: UMA INTRODUÇÃO SIMPLES AOS GRANDES TEMAS FILOSÓFICOS – Scott Samuelson – Rio de Janeiro, Zahar, 2020, 271 p.

Confesso que não esperava manusear um livro pra lá de arretado, editado este mês, oportuno por derradeiro, para quem sabe resistir civilizadamente à pandemia do COVID-19, e às merdalhadas ditas por mandatários contaminados pelo idioticusvirus, que vitima gente iludida com o atual andar das carruagens brasileira e mundial. Um deles, dirigente maior de nação gigante, é amplamente metido a nada ler, sem a mínima preocupação com o cotidiano conjuntural, egolátrico por derradeiro e amplamente cênico, sempre irresponsavelmente apoplético.

O autor acima, docente no Kirkwood Community College, Iowa City, toma a filosofia de eruditos e vaidosos especialistas, recolocando-a no centro da nossa ambiência comunitária. Segundo ele, deixar os assuntos filosóficos para apenas os doutos é proporcionar um fim trágico tanto para nossas vidas quanto para a própria filosofia. Scott nos guia, com uma didática amplamente desfrescurizada, oferecendo uma generosa exposição sobre as complexidades do cotidiano. Parte de Sócrates e termina suas exposições sedutoras interpretando o que o antropólogo Claude Lévi-Strauss narrou em seu ensaio “O feiticeiro e sua magia”, sobre um índio chamado Quesalid, que acreditava que a arte praticada pelos xamãs de sua tribo não passava de um punhado de truques. Um herói que despertou para uma realidade cotidiana menos fantasiosa.

SUMÁRIO: Prelúdio sobre a poluição luminosa e as estrelas; Parte 1 – O que é filosofia?; Parte 2 – O que é felicidade?; Parte 3 – O conhecimento de Deus é possível?; Parte 4 – Qual é a natureza do bem e do mal?; Conclusão: A coisa mais bonita do mundo; Leituras adicionais recomendadas.

Logo no início do livro, o autor reproduz uma aplaudida metáfora de Mark Twain, também revelando denúncia de um misterioso poeta indiano do século XV: “Eles desperdiçaram seu nascimento em ismos.” Uma bofetada gigantesca nas religiões, afiliações políticas, espiritualidades, identidades forjadas por marqueteiros oportunistas, bananeiros sabidamente populistas e hipnotizadores de abestados sempre massa de manobra.

Uma leitura que minimiza os tédios dos confinamentos indispensáveis. A exigir amplas meditações e releituras.

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