DEU NO JORNAL

MP ATRAVESSA DEBATE SOBRE EXAMES PARA AVALIAR FORMAÇÃO MÉDICA

Editorial Gazeta do Povo

exames medicina enamed profimed

Lula quer o Enamed, realizado pelo Ministério da Educação. CFM quer o Profimed, organizado pelo conselho

O presidente Lula e o Conselho Federal de Medicina entraram em uma queda de braço na qual está em jogo muito mais que a autorização para organizar um exame: o resultado afetará diretamente o exercício da medicina no país e, consequentemente, a qualidade do serviço recebido pelo brasileiro que busca atendimento médico. Em 19 de junho, Lula assinou uma medida provisória que obriga o egresso de uma faculdade de Medicina a ter uma pontuação mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed, realizado pelo Inep, órgão do Ministério da Educação) para que tenha o registro profissional; no entanto, já tramitava no Congresso um projeto de lei que instituía o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), organizado pelo CFM.

O debate sobre a qualidade da formação médica ganhou corpo no início deste ano, quando se revelou que 57 cursos de Medicina haviam sido punidos pelo MEC pelo desempenho medíocre de seus alunos na primeira edição do Enamed, realizada em 2025. O projeto de lei do Profimed, no entanto, é anterior a essa polêmica, sendo protocolado em 2024; em fevereiro deste ano, foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em caráter terminativo, mas houve pedido de senadores para que o plenário também o analisasse, e o texto está parado. Ele prevê que o CFM aplique o Profimed, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) organiza o Exame de Ordem, sem o qual o egresso das faculdades de Direito não pode exercer a advocacia.

Como regra geral, regulamentações que buscam restringir a entrada de pessoas em atividades profissionais – normalmente limitando o exercício de uma profissão à posse de algum diploma universitário ou certificado de curso profissionalizante – são deletérias e desproporcionais. Como afirma a Gazeta do Povo em suas convicções, “não há motivo para que um indivíduo com as qualidades necessárias à execução de determinada atividade seja barrado pela falta de um diploma ou certificado quando o que mais importa são suas habilidades e a capacidade de bem realizar o trabalho em pauta. Mais do que isso, não deve o Estado pretender aferir essa capacitação onde o próprio mercado – ou seja, as pessoas, no uso de sua liberdade – pode fazê-lo”. Não raro, projetos de regulamentação não passam de tentativas de estabelecer reservas de mercado.

Mas esta regra geral tem exceções; quando determinada profissão lida diretamente com os chamados “bens indisponíveis” – a vida, a saúde, a integridade física e a liberdade –, a regulamentação não é apenas possível, mas desejável, para impedir que as pessoas coloquem sua saúde, por exemplo, nas mãos de gente despreparada. A exigência de diploma de Medicina para médicos, portanto, é totalmente razoável e passa pelos três critérios do princípio da proporcionalidade; o mesmo se pode dizer de medidas adicionais, seja o fechamento de cursos notoriamente incapazes de formar médicos qualificados, seja, eventualmente, um exame adicional que avaliasse a proficiência de quem recebeu seu diploma.

Se por acaso a sociedade e a classe médica concluírem que não basta impedir que as faculdades entreguem maus médicos – tanto os formados em instituições fracas quanto os que passaram por uma boa escola de Medicina, mas foram individualmente negligentes e acabaram aprovados mesmo assim –, e que por isso será melhor realizar uma prova, há uma série de outras dificuldades a resolver, a começar pela própria estrutura desse exame, para que ele realmente avalie o que deveria avaliar. Conselheiros do CFM têm apontado, por exemplo, que o Enamed não inclui uma prova prática, mas apenas questões objetivas de múltipla escolha; por outro lado, dada a multiplicidade de especialidades dentro da medicina, um eventual exame prático correria o risco de ser ou genérico demais, ou de exigir uma logística que contemplasse o máximo possível de especialidades, transformando um exame em muitos exames diferentes. Independentemente de que solução se dê a essa questão, no entanto, ainda há outros problemas.

O histórico do Inep na realização de outros exames, como o Enem, aponta para o risco de que ao menos algumas questões tenham cunho mais ideológico-identitário que propriamente técnico. Uma das perguntas do Enade 2025 tratava do encaminhamento a ser dado a um homem trans; em outra, optou-se por usar como personagem um travesti, em uma situação que podia se aplicar perfeitamente a uma mulher biológica. Um exame de proficiência em medicina serve para avaliar se o candidato tem a capacidade necessária para dar atendimento médico de qualidade do paciente, não para saber se ele compartilha desta ou daquela convicção ideológica ou se está alinhado aos identitarismos do momento – especialmente aqueles que, para existir, precisam negar a biologia, fundamento de toda a ciência médica.

Isso não nos leva a concluir automaticamente que o Profimed seria o exame ideal, até porque hoje ele existe apenas na teoria, e o PL 2294/2024 ainda pode ser alterado. O que se pode dizer com toda a certeza é que um bom exame de proficiência médica não pode ser sequestrado com propósitos ideológicos; também é razoável que o órgão responsável por regular o exercício da medicina no país esteja envolvido na sua elaboração, assim como o órgão que regula o exercício da advocacia no Brasil cuida da prova que permite a um bacharel em Direito tornar-se advogado. E com ainda mais certeza pode-se dizer que, com sua MP, Lula atravessou totalmente uma discussão que já estava ocorrendo no Congresso, louco para, em ano eleitoral, poder se vender como o salvador da qualidade da medicina nacional. Nenhum diploma ou exame garantirá o fim do erro médico, mas isso não exime a sociedade, o poder público e a classe médica de buscar meios de reduzir as chances de que um brasileiro sofra com negligências e imperícias.

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O ALERTA CONTRA A INVASÃO “ESTADUNIDENSE”

Guilherme Fiuza

Lula - Brasil - Guerra - Mauro Vieira - Itamaraty - EUA

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira

O Itamaraty emitiu uma nota mencionando o risco de ação militar dos EUA no Brasil. O alerta foi motivado pela decisão do governo norte-americano de classificar oficialmente facções criminosas brasileiras como terroristas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, precedentes de atitudes intervencionistas da administração Trump no continente justificam a preocupação.

A Secretaria de Estado dos EUA respondeu à nota do Itamaraty. As autoridades da política externa norte-americana consideraram “absurda” a premissa de intervenção militar no Brasil. E foram além: disseram que esse tipo de posicionamento (alegação de ameaça à soberania) frequentemente é uma tentativa de desviar as atenções da opinião pública — e costuma beneficiar as ações de grupos violentos.

Com sua retórica habitualmente voltada para miragens “progressistas”, o grupo político liderado por Lula se acostumou a jogar nos adversários “conservadores” o estigma do nacionalismo “xenófobo”. Há muito tempo, esse grupo se habituou a dar uma surfada no chamado “globalismo”, bancando o cosmopolita.

Tem sido assim no mundo todo. A demagogia migratória — que hoje está na base das novas políticas de censura — alimenta o fisiologismo “progressista” em tudo quanto é canto. E, naturalmente, o discurso da benevolência com a imigração desordenada embute, entre outros aspectos indesejáveis, a negligência com o crime — como estamos assistindo no debate sobre a tipificação das facções brasileiras como terroristas.

O PT vinha marcando posição nesse filão — e só se via a presença do velho nacionalismo em seu discurso para “defender” a Petrobras e demais estatais como patrimônio “do povo”. As coincidências da vida fizeram com que essas empresas fossem gravemente lesadas durante administrações petistas. Fora isso, o time de Lula vinha apresentando sempre um sotaque internacionalista. Até porque fundações bem abastadas vêm, há um bom tempo, premiando a demagogia sem fronteiras através de suas pautas supostamente humanitárias.

A consolidação de Donald Trump como personagem central na política mundial mudou alguns parâmetros do oportunismo. Como o atual presidente dos EUA age fortemente contra o complexo propagandístico que dominou a imprensa tradicional, “notícias” tratando-o como o vilão do planeta proliferam diariamente por todos os continentes. Até segmentos mais equilibrados do jornalismo cultivam a cara de nojo quando o assunto é Trump. Esse poderoso universo de repúdio automático ao ocupante da Casa Branca se tornou um ativo para os franco-atiradores.

Assim surgiu, 25 anos após o “Lulinha paz e amor”, o “Lula patriota”. A retórica petista explorou todos os ataques possíveis à presença do verde-amarelo na política, às manifestações de rua com lemas patrióticos e à figura do patriota como um bobo manipulado por totalitários. Agora surge tranquilamente com o discurso da soberania contra os “traidores da pátria”.

E parece ter êxito, a julgar pelo comportamento do candidato mais cotado da oposição até aqui, Flávio Bolsonaro — que decidiu pedir ao governo americano para não aplicar tarifas punitivas ao Brasil. As tarifas são uma resposta ao que os EUA consideram práticas desleais — incluindo complacência com a corrupção exposta pela Lava Jato. O prejuízo político da taxação seria, portanto, inteiramente direcionado ao governo Lula.

Mas a oposição parece preferir tentar provar que não é traidora da pátria. Até prova em contrário, o bizarro discurso da invasão estadunidense colou.

DEU NO JORNAL

ANIVERSÁRIO

Rebatizado de ‘X’ por Elon Musk, o Twitter completa 20 anos nesta quarta (15).

É uma das maiores redes sociais do mundo.

Com mais de meio bilhão de usuários, são cerca de 5,8 mil postagens por segundo.

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20 aninhos.

Duas décadas.

Esse tal de Twitter é de uma serventia enorme.

Inclusive aqui nesta gazeta escrota.

Mais de meio bilhão de usuários: um número impressionante!

DEU NO JORNAL

REDUNDÂNCIA

A decisão do Reino Unido de classificar a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista, foi ignorada pela maior parte da mídia.

A esquerda ignorante continua rimando terrorismo com “heroísmo”.

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Essa nota aí de cima fala em “esquerda ignorante”.

Tremenda redundânica.

É automático: ser canhoto é ser ignorante.

Simples assim.

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DEU NO JORNAL

VISITAS

O senador Rogério Marinho (PL-RN) tem boa memória. Ele lembra que Lula (PT), preso, manteve livre articulação política e comandava o PT do cárcere, onde cumpria pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

Mas Jair Bolsonaro não pode ver o filho Flávio por 90 dias.

Lula recebeu inúmeras vezes ao menos 15 aliados, incluindo Fernando Haddad (PT), candidato a presidente por ele designado do xilindró, e escrevia cartas sem censura.

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Não há motivos para espantos.

Tá tudo dentro do normal da nossa republiqueta.

Isso é um retrato perfeito do Brasil 2025.

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O TURISTA

Ao criticar os jogadores da Seleção Brasileira, que não voltaram ao País após a Copa do Mundo, Lula perdeu a chance de explicar as viagens que fez aos 71 destinos mundo afora apenas neste terceiro mandato.

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Fiquei bestinha com esse número: 71.

71 avuamentos pelo mundo.

Isso é que é gostar de fazer turismo!

E tudo pago pelos contribuintes.

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IRÃ E ESTADOS UNIDOS RETOMAM A GUERRA

Editorial Gazeta do Povo

guerra estados unidos irã

O frágil “memorando de entendimento” assinado semanas atrás entre Estados Unidos e Irã descarrilou de vez nos últimos dias. Na quarta-feira passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, havia dito durante a cúpula da Otan que era “perda de tempo negociar com eles [iranianos]”; àquela altura, os dois países já vinham trocando agressões na região estratégica do Estreito de Ormuz, que já tinha tomado o lugar do programa nuclear iraniano como o principal ponto de discórdia. O fim de semana também foi marcado por ataques mútuos, com a Guarda Revolucionária Iraniana anunciando um novo bloqueio da passagem marítima, o que os Estados Unidos negam.

O memorando assinado em junho, reconheça-se, era frustrante, e foi muito criticado mesmo entre aliados de Trump por entregar ao Irã muito mais do que o regime dos aiatolás fazia por merecer naquele momento. O texto prometia apenas a continuação das discussões sobre o programa nuclear do regime islâmico, do qual Teerã já havia dito que não abriria mão – a promessa de não produzir uma bomba atômica até constava do memorando, mas também já tinha sido feita no passado, o que não impediu os aiatolás de seguir enriquecendo urânio a níveis muito superiores aos necessários para uso pacífico. Sanções seriam levantadas, fundos iranianos no exterior seriam descongelados, enquanto não se dizia absolutamente nada sobre o financiamento iraniano ao terrorismo internacional, ou sobre o reconhecimento do direito de Israel à existência.

As concessões norte-americanas, as pouquíssimas contrapartidas iranianas, e a “descoberta”, por parte de Teerã, de que poderia usar o Estreito de Ormuz para levar o caos ao mercado internacional de energia podem ter sido vistas pelos iranianos como uma combinação propícia à retomada das hostilidades – até porque os norte-americanos não parecem interessados em provocar uma troca de regime, ao contrário do que havia insinuado Trump nas primeiras horas após o primeiro ataque ao Irã, no fim de fevereiro. Imagens de satélite dão a entender que os iranianos também aproveitaram o tempo passado desde a assinatura do memorando para iniciar a reconstrução de ao menos uma de suas instalações nucleares.

Paralelamente, segue em curso uma guerra retórica: Trump afirma que os iranianos estão levando “uma surra”, enquanto o líder supremo Mojtaba Khamenei afirma que em breve aplicará sua “vingança” pela morte de seu pai, Ali Khamenei, ocorrida no primeiro ataque norte-americano e israelense. E, na reviravolta discursiva mais recente, agora é Trump quem promete cobrar taxas pela passagem de navios por Ormuz. “Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados ​​com uma taxa de 20% sobre toda carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, escreveu o presidente nas mídias sociais, com seu habitual uso de letras maiúsculas. A cobrança, quando havia sido anunciada pelo Irã, havia sido veementemente criticada pelo norte-americano.

O presidente que se elegeu duas vezes prometendo reduzir o envolvimento militar norte-americano no exterior se vê, mais uma vez, em uma encruzilhada. Os Estados Unidos podem até ter entrado na guerra com um objetivo definido, mas em algum momento essa clareza se perdeu e já não se sabe ao certo o que pretendem. Os termos do memorando agora abandonado deixaram subentendido que, embora tendo menos poderio militar e sofrendo com os ataques norte-americanos, o Irã tem uma vantagem estratégica que pretende explorar até o limite. Um Oriente Médio de fato seguro requer o fim do programa nuclear iraniano e do terrorismo patrocinado pelo Irã, e o retorno da navegação livre, mas as perspectivas de que isso ocorra vão se tornando cada vez menores.

DEU NO JORNAL

PELOS ARES

Há quatro meses a Justiça procura por Silvio Almeida, mas sem sucesso.

O ex-ministro dos Direitos Humanos de Lula foi denunciado por importunação sexual, mas o judiciário não consegue fazer a notificação.

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Não acharam ainda porque estão procurando ele aqui embaixo.

Tem que procurar em aviões.

O bando petralha adora viver avuando e esbanjando nosso dinheiro pelos ares.

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APOIO OFICIAL À BANDIDAGEM

O senador Jorge Seif (PL-SC) aponta hipocrisia do governo (petista) do Piauí de dar cotas a presos:

“Desgoverno não garante emprego a quem nunca cometeu crime e obriga empresas a contratar ex-presidiários”.

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Vindo de um governo petralha, nada é motivo para espantos.

Suporte oficial para os companheiros da bandidagem.

Tudo normal, normal, normal.