JOSÉ DOMINGOS BRITO – SÃO PAULO-SP

Caro Berto

Em compromisso com os leitores do JBF em dar alguma noticia da tragédia ocorrida na escola de Suzano, SP, informo que todas as “autoridades” do Estado e Prefeitura estão muito preocupadas com o fato, e estão fazendo o que podem para mitigar o sofrimento dos envolvidos e aliviar a preocupação. de todos. Vão abrir a Escola nesta 2ª feira com psicólogos, sociólogos, pedagogos, animadores etc para receber os alunos e professores que quiserem ir lá participar de uma confraternização/reflexão sobre a tragédia e superá-la. Se não quiserem ir ,não tem problema, vão quando acharem que devem ir, que estão prontas para retornar à vida escolar.

No instante em que todas as “autoridades” no assunto, que ninguém sabe direito qual é – é uma patologia pessoal ou social ? – se pronunciam a todo instante no rádio, TV e jornal,. surge outra tragédia ainda maior na Nova Zelândia com 50 mortos. O criminoso arvorou-se à sociólogo, e disse que o Brasil está fraturado devido a sua diversidade.

Se este cara, assumido representante do movimento “supremacia branca” acredita e divulga isso é porque o Brasil está no caminho certo. Pode estar meio fraturado agora devido a outros fatores, políticos, passageiros em sua tradição e talento para a convivência entre os diferentes povos.
.
A rachadura que está havendo agora deve-se a muitos fatores, entre os quais a banalização da violência espelhada a toda hora em toda mídia e nos jogos eletrônicos. Você pergunta a uma criança o que ela quer ser quando crescer e ela responde “sniper”. Fui numa loja comprar um brinquedo.para meu neto e encontrei uma enorme estante com armas sofisticadíssimas, grande e caras com 90 tiros, luneta e apoio no ombro pra acertar melhor a vítima.

Não tem como regular esse mercado, já que toda economia é fartamente regulada? Bem sei que vão dizer que isso é bobagem, que é a menor parte de toda essa “problemática”. É verdade, é a parte menos importante .Mas, se não estão conseguindo resolver as mais importantes, que tal começar do menor para o maior; do mais fácil para o mais difícil?

Abraços

MARCOS ANDRÉ M. CAVALCANTI – RECIFE-PE

Berto, Bom dia.

Segue questionamentos pertinentes para o momento.

OS SUSPEITOS DE MATAR MARIELLE

Escolham, qual desses ítens os partidos de esquerda e “movimentos sociais” irão, AGORA, erguer bandeira e defender esses posicionamentos e narrativas enfadonhas!

A. Os assassinos de Marielle serão considerados “vítimas da sociedade”?

B. Será que mais iluminação na rua teria evitado o assassinato?

C. O estatuto do desarmamento desarmou os suspeitos?

D. A prisão deles, só depois de transitado em julgado e 2ª instancia daqui a uns 20 anos, conforme o STF, ou já pode enjaular os meliantes?

E. O encarceramento dos suspeitos não iria “inflar” a população carcerária?

F. Terão direito a indulto de natal? Saidinha? Dia dos Pais? Dia das Mães? Das Crianças ? Páscoa? Etc.

G. Terão flexibilização das penas por bom comportamento: 1/6 da pena? Prisão domiciliar? Tornozeleira?

H. Terão direito a comparecer em velórios dos familiares?

I. Os direitos humanos , ongs e outros movimentos irão apoiá-los ou só é acionado para amparar bandidos de estimação?

J. Irão defender um laudo constando serem eles malucos, e considerados inimputáveis, tal como o Adélio Bispo?

Façam sua apostas, senhores!

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Caro editor Luiz Berto:

Em ‘Golpe contra a Lava Jato e as aspirações do povo brasileiro’, o senador Álvaro Dias, um dos raros políticos no Brasil que honram o voto dos seus eleitores, reage ao Golpe mais violento contra a Lava Jato quando o Supremo Tribunal de Favores definiu por 6X5 que investigações de corrupção com caixa 2 são de competência da Justiça Eleitoral.

Essa transferência dos crimes do caixa dois e outros conexos de competência da Justiça Federal para a Justiça Eleitoral só favorece a impunidade, afronta a sociedade, promovendo um retrocesso, nas palavras sinceras do senador.

Essa transferência de responsabilidade só beneficia os malandros, os marginais de colarinhos brancos. Sobretudo os marginais, concluiu ele, que assinou a CPI da Lava Toga.

O vídeo está impagável! Vale apenas assisti-lo com o senador Álvaro Dias comentando esse Golpe do STF contra a Operação Lava Jato e outros muitos assuntos políticos de alta relevância.

MARCOS ANDRÉ M. CAVALCANTI – RECIFE-PE

Berto, boa tarde.

Uma homenagem aos apreciadores de poesia, e aos poetas do JBF. Colunistas e leitores.

Forte abraço.

R. Meu caro, complementando sua homenagem ao Dia da Poesia, vou transcrever um poema do meu ídolo, o genial Castro Alves, que encantou-se com apenas 24 anos de idade, deixando uma obra incompleta.

Aliás, esta data, 14 de março, assinala exatamente o dia de nascimento do Poeta. Daí a homenagem

Um poema que vou transcrever intitula-se O Adeus de Teresa, que eu memorizei e que vivia declamando quando ainda era adolescente.

Um poema no qual Castro Alves grafou propositadamente a palavra “orquestra”  como “orquesta”, pra fechar a rima com a palavra “festa”

Fiz suspirar e ganhei muitas meninas lá em Palmares, nos tempos do Ginásio Municipal…

Na verdade, cheguei quase a decorar todos os poemas do livro Espumas Flutuantes, principalmente O Navio Negreiros, que até hoje me deixa emocionado.

O  ADEUS DE TERESA – Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos sec’los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei! descansa!. . . “
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Antonio Frederico de Castro Alves (14/Mar/1847 – 6/Jul/1871)

JOSÉ DE ANCHIETA BATISTA – RIO BRANCO-ACRE

OS MESMOS URUBUS

Ali sempre estavam eles…
Eram centenas, milhares,
Com seus voos circulares,
Boçais, garbosos à beça,
Nos céus brincando sem pressa,
Como senhores dos ares…

Ali sempre estavam eles…
Vestidos muito a rigor,
Em preta e retinta cor.
Naquele horrível mormaço
Eles brincavam no espaço,
Dos ventos, indo ao sabor.

Ali sempre estavam eles…
Uns nos céus, outros no chão,
Em meio à putrefação…
Pra eles – fartura e festa,
Para nós – cena funesta
Dos horrores do Sertão.

Faz muito tempo… a saudade
Ao meu rincão me conduz…
– Mesmo sofrer, mesma cruz,
Mesma dor, mesma tristeza…
A sede, a fome, a pobreza
E os mesmos urubus…