CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

ATUALIDADE

Durante algumas décadas aconteceram muitos fatos positivos no Brasil. Na do ano 2000, o crescimento econômico deu sinal de vida. A atividade industrial efervesceu. Registrou expansão.

O PIB revigorou-se. O sistema financeiro experimentou bons momentos de liquidez. O café ganhou projeção na pauta de exportação do país, a ponto de a conquista causar ciumeira noutros concorrentes, especialmente os de fora.

Mas, no passado, a situação era lamentável. A classe média, os militares e os profissionais da iniciativa privada começaram a chamar atenção, fazendo exigências. Cobrar maior participação política e social.

Inconformada com a rápida ascensão das classes ditas populares, a burguesia, impaciente, sentindo-se menosprezada pelos governantes, reagiu. Também quis meter o bico na colher dos outros, cobrando a execução de regras e participação nas decisões sobre os gastos públicos.

O resultado, como era esperado, acabou gerando a Revolução de 30 que introduziu uma nova era no país. Impondo mudanças. A principal alteração centralizou-se na diversificação produtiva e na produção industrial.

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CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

BOLSA

A Bolsa de Valores é a casa onde são negociadas as ações de empresas de capital aberto. O capital, formado por ações, é controlado por um conselho de contabilidade, cujos membros são escolhidos pelos acionistas.

Fazia um período que a Bolsa de Valores andava meio pra baixo, mas, de repente, deu uma guinada. Aconteceu uma reviravolta e as ações passaram a se valorizar diariamente, a ponto de atrair a volta de muitos investidores que se afastaram do ramo por justas razões. Mas, agora retornam e vibram com o novo lucrativo momento.

A mudança de comportamento da Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, tem um significado importante. Quando está em alta, cria riqueza para o dono da ação. Significa que o preço das ações negociadas subiu. Quem tinha uma determinada ação, depois da alta da Bolsa, o preço do papel valorizou.

A função da Bolsa de Valores, associação civil, é dar transparência ao ambiente de negociação de valores mobiliários. Administrar o que é negociado, comprado ou vendido, de títulos mobiliários num mercado aberto e livre organizado pelos próprios membros participantes.

No cômputo geral, as altas da Bolsa de Valores têm um importante significado. Reflete otimismo no cenário nacional. Sinaliza a retomada da atividade econômica. Revela a saída do estado de letargia e de desconfiança que predomina na imagem do país, até então.

Nos Estados Unidos, onde mais da metade da população tem cultura suficiente para acreditar neste tipo de investimento, quando acontece alta do mercado de ações, o impacto econômico é altamente comemorado. Aliás, o comportamento do mercado de ações é quem define as decisões tomadas pelas autoridades responsáveis pela política monetária norte-americana.

Porém, quando o valor da ação cai, é dor de cabeça para o investidor. O brasileiro, ainda desinformado, se mantém incrédulo quanto ao desempenho do mercado de ações. Por isso, somente 1% da população costuma investir em ações.

Por desacreditar que, negociando ações de empresas na Bolsa, o investidor será beneficiado no futuro, a longo prazo. Já que negociar ações, pensado apenas em resultados imediatos, é sonho furado. Irreal.

Daí a dica para o bom investidor o negócio é comprar ações em baixa, aproveitando os momentos de crise, para usufruir de bons resultados, justamente quando a bolsa permanecer em alta. Como no presente momento.

O indicador do comportamento da Bolsa de Valores é um índice chamado Ibovespa. É o termômetro para analisar o comportamento da carteira de ações no Brasil. O indicador avalia o fechamento do dia em relação ao fechamento do dia anterior.

Ao fechar o ano de 2019, o Ibovespa apresenta uma alta de 31%. Um dos melhores resultados dos últimos três anos. O índice só perde para o do ano de 2016, quando apresentou uma alta de 38,94%.

Alguns fatores contribuíram para o bom desemprenho da Bolsa. Os juros baixos, a inflação sob controle, as reformas já aprovadas, a preparação para novos ajustes, o fiscal, o tributário e outros de efeito regulatórios, já engatilhados para novos debates.

Completam o incentivo para a compra de ações, a geração de emprego e a calmaria reinante no mercado global, especificamente o cenário de otimismo reinante no país.

O cenário não foi bom nos anos de 2015 e 2016. As causas são conhecidas. As interferências complexas e indefinidas, provenientes de decisões políticas e econômicas fora do esquema. Sobretudo, devido a recessão de 2016.

O responsável para acompanhar o registro das companhias abertas, da distribuição de valores mobiliários, do regulamento e da organização da Bolsa de Valores é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão criado em 1976.

O que determina o sobe e desce constante do preço das ações na Bolsa de Valores é o mecanismo de oferta e procura. Caso uma ação se desvalorize, baixe de preço, aa causa é a exagerada oferta de ações. Muitos investidores oferecendo ações para venda. Enquanto poucos investidores se mostram interessados em comprar os papéis. Toda oferta maior do que a procura, tende a desvalorizar a ação. Com a perda de valor.

Felizmente, no fechamento da Bolsa de Valores em 2019, constatou-se alguns bons indicadores. A maior alta dos últimos três anos, o avantajado índice de mais de 117 mil pontos, a presença de 1,6 milhões de pessoas físicas.

A confirmação de que o brasileiro aprende a negociar na Bolsa. Nutre confiança neste tipo de investimento. Começa a perceber que, por enquanto, o país reinicia o passo da retomada econômica. Resta torcer para que essa euforia dure. Não se transforme em desespero, choro, decepção. Novamente. Como em passado recente.

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QUALIFICAÇÃO

O graduado em nível superior tem melhor chance no mercado de trabalho, especialmente quando o desemprego anda exagerado.

A instrução intelectual concede ao graduado a preferência na disputa por emprego. Reserva ao candidato melhor preparado à vaga, a oportunidade de ganhar um salário digno.

Pela lógica, o candidato de nível superior é mais qualificado do que quem mal passou do ensino fundamental ou parou no ensino médio. Tomou rumo desconhecido. Todavia, diploma de curso superior não é tudo. Precisa de outras forcinhas de complementação para assegurar privilégios.

É evidente que a idade pesa. No entanto, na prática, os processos seletivos analisam outros fatores, além do grau de instrução. De antemão, a empresa, quando contrata, visa no novo funcionário condições de oferecer reciprocidade. Preencher requisitos para perseguir o lucro. Afinal, é com lucro que a empresa cobre os custos do empregado. Todo funcionário tem um custo. Custo com salário, benefícios e transporte.

Para traçar o perfil do candidato, o recrutador solicita currículo que informe dados sobre a formação profissional e nível de experiência. Todavia, com a globalização do mercado de trabalho, outros requisitos são fundamentais. Um deles, básico, é cobrar do candidato à vaga a capacidade de ser um empregado multitarefa. Jogar em várias posições. Demonstrar habilidades. Não ficar restrito somente a uma função específica. Ter relação com a tecnologia da informação, ser expansivo, interessado, pontual, desenrolado, organizado, sincero e, sobretudo, extrovertido.

De cara, dois itens são imprescindíveis. Requisitos primordiais para se tornar o escolhido pela empresa. O objetivo da luta pela vaga. A entrega de um resumo de qualificação, onde conste os principais destaques sobre as habilidades profissionais para o exercício de determinada atividade, sobretudo a respeito do modo de pensar e agir diante de um problema comum no mercado de trabalho.

Existem três caminhos para uma pessoa se qualificar. Através de cursos técnicos, superior e de pós-graduação. Portanto, é imprescindível o candidato ser direto na apresentação. Informar o grau de conhecimento, experiência atual e a capacitação para desempenhar terminada tarefa.

A cada momento o mercado de trabalho se torna mais exigente em função da competitividade, sempre em fase crescente. Por isso, o empregador nunca relaxa na hora de selecionar candidatos, justamente para evitar surpresas desagradáveis, perda de tempo e prejuízos.

Um dos obstáculos para o candidato à vaga no mercado de trabalho é o tempo de duração dos cursos de preparação. Existem cursos de curta, média e longa duração. Cursos de curta duração preocupam-se com matérias dedicadas a preparar a pessoa, visando determinadas funções.

Atualmente existem cursos com apenas dois anos de duração. Então, por causa do tempo exíguo, as disciplinas são rigorosamente escolhidas de modo a garantir sucesso na careira profissional.

Trabalhar em uma atividade atraente, composta por metas e objetivos, que incentivem a busca de aperfeiçoamento, extensão na especialização, favoreça o trabalho em equipe para que a imagem do trabalhador seja sempre simpática, consolide a personalidade.

Na atualidade, está claro que diploma de curso superior, apenas, não garante emprego. Não abre as portas do mercado de trabalho, como antigamente. Hoje, a prevalência é pela experiência. A prática é o que interessa. O resto virou apenas complemento. Afinal, a tecnologia mudou todos os parâmetros de qualificação.

Para não perder o bonde andando, o candidato a emprego, mesmo formado, tem de ficar ligado em outros detalhes, superimportantes. Procurar estágios, cavar vagas de trainees, comparecer a palestras, não se desligar de eventos corporativos, visitar constantemente os sites de emprego, distribuir currículos, ligar o farol da interação com os colegas de formatura para não sobrar nas convocações.

É nessa hora de dúvidas, ao encarar a longa lista de profissões mais procuradas, que muitos graduados percebem que erraram na escolha do curso universitário certo. A predominância pelos cursos de ontem, Medicina, Direito e Magistério cede a vez para outras profissões, até então desvalorizadas. Algumas, inclusive, inexistentes até ontem.

É por isso que, para cair em campo com a coragem e a cara na busca de emprego, o candidato deve mostrar raça. Provar conhecimento do ramo, competência, habilidade e potencialidade profissional.

Qualidades que mostram estar o candidato à vaga devidamente preparado para enfrentar a fase da tecnologia digital. Fase de mudanças rápidas no mercado de trabalho. Não se enrolar com bobagens, nem perder tempo na produção. Afinal, a banda toca e a fila anda. Sempre.

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CORRUPÇÃO

É, finalmente, apesar de trancos e barrancos, o brasileiro, chega, traumatizado com tantas arruaças, a mais um final de ano. Poder, comemorar, enfim, o que os dados confirmam. Alguma coisa, embora timidamente, começa a melhorar. Alguns indicadores positivos renovam as esperanças de que dias melhores estão por vir. Com certeza.

Chega de enroladas, Inverdades, desgovernos, arrumadinhos, enfeites, mentiras, falsas promessas políticas. Queda de confiança na Justiça. De estrondosas animosidades. Basta!

Conta a história que o Brasil começou a despontar com a chegada dos primeiros habitantes no final do século XV. Eram componentes de tribos seminômades que vivam de caça, pesca, coleta e agricultura. Era gente rude dedicada apenas a descobrir meios de sobrevivência.

No ano de 1500, mais precisamente no dia 26 de janeiro, portanto três meses antes de Pedro Álvares Cabral ter desembarcado em Porto Seguro, na Bahia, e descoberto o Brasil, Pinzón, desembarcou no município do Cabo de Santo Agostinho, na enseada de Suape. Todavia, o fato é contestado por alguns historiadores.

Incentivado pela política espanhola de permitir que navegadores particulares realizassem viagens de descobrimento, com recursos próprios, Pinzón saiu com quaro pequenas caravelas e, depois de passar por Cabo Verde, na África, aportou no litoral de Pernambuco.

Considerado um desastre financeiro, a proeza do histórico descobrimento do Brasil coube a Pedro Álvares Cabral. Sem sofrer ameaças de tremor de terra e nem dos horrores dos catastróficos vulcões, o Brasil é considerado uma terra abençoada.

Mas, vítima de eternas maracutaias, realizadas por ladrões e corruptos que só pensam em podridão. O Congresso brasileiro é uma vergonha. Promete, promete, porém só se preocupa em arrumar a vida dos parlamentares que gozam do bom e do melhor, em detrimento do bem-estar social da sociedade, que vive rodeada de miséria, ladroagem e propinagem, pagamento de dinheiro em troca de favores e vantagens em licitações de negócios.

Quando pede socorro ao Judiciário, a Justiça só atende os anseios dos grandões do suborno. Deixando o povo na mingua, sem a necessária educação, saúde, segurança, em virtude de vultosos desvios de verbas públicas. Enquanto servidores públicos, técnicos fazendários, empresários e parlamentares desonestos, embora acusados de corrupção, de receber valores sonegados, condenados em primeira instância, vivam livres na rua. Sem tornozeleiras.

A polícia passa meses de investigação, mas num instante os homens de toga, que envergonham a honestidade do país, canetam a soltura dos “pobrezinhos” presos indevidamente. Geralmente pessoas do alto escalão das empresas roubadas. Sem se preocupar, jamais, com a péssima imagem no Brasil no exterior e com o acúmulo de sujeiras por todos os cantos do país.

Por isso é comum diariamente o cidadão saber pela mídia notícias ruins. Mostrando sempre um figurão no rolo. Em quatro anos de investigação, a Polícia Federal apurou o desvio de mais de R$ 48 bilhões. Valores que aumentam ano a ano. Em 2014, a Investigação de Combate ao Crime Organizado da PF apurou R$ 198 milhões. Em 2015, R$ 2,5 bilhões. Em 2016, R$ 18,7 bilhões e em 2017, R$ 29,4 bilhões.

É farra em cima de farra, patrocinada por dinheiro lavado na cueca, em malas, correrias, cinismo e elevada desonestidade. Não é mole, somente na Lava Jato, a PF levantou que em 2015 foram roubados do pais, cerca de R$ 8 trilhões. Valor bem maior do que o PIB brasileiro que naquele ano somou apenas R$ 5,9 trilhões.

Nesta operação, a PF instaurou 1.200 processos, efetuou 160 prisões, acusou 209 réus, condenou 105 pessoas, envolveu 16 empresas no caso para apurar o desvio de R$ 42,8 bilhões. Os roubos, o suborno e a corrupção fazem parte da cultura nacional. Mas, tem de acabar um dia.

Casos famosos. Na década de 80 e início de 1990, surgiu o caso dos Anões do Orçamento, composto por 37 deputados federais. O valor desviado importou em R$ 100 milhões de dinheiro público que beneficiou governadores, ministros, senadores e deputados.

Entre 1991 e 1998, apareceu em cena o caso TRT, de São Paulo. Dos R$ 235 milhões destinados à construção do prédio, R$ 169 milhões foram desviados. Também em 1991, sugiram as fraudes milionárias no INSS, quando desviaram R$ 2 bilhões.

Em 2007, foi a vez da Operação Navalha na Carne. A Organização Criminosa, composta por 49 autoridades, fraudaram licitações nas áreas de infraestrutura, transportes e energia. Outra vultosa quantia desviada estava em jogo.

Em 2015, foi a vez dos fundos de pensão se arrobarem com a malandragem, de onde foram desviados R$ 3 bilhões. Acontece que dos valores desviados, o prejuízo chega a R$ 77,8, que ainda não foram recuperados.

A Procuradoria Geral da União, desde 2009, trabalha para recuperar o dinheiro público desviado. As maiores vítimas dos roubos são as aéreas de saúde, educação e saneamento básico. È preciso muito esforço e honestidade para limpar a sujeira deixada pela corrupção política, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos que atolaram a economia do Brasil. Causam desemprego, fila nos hospitais, educação desqualificada.

Então, punindo com rigor os corruptos, o Brasil pode mudar. Depende apenas de a sociedade ficar alerta, cobrar punição da Justiça e não eleger mais os bandidos do dinheiro púbico que se autoproclamam “defensores” do povo. Então, para os desonestos, os falsos políticos, rua. Cadeia.

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ABANDONO

A vida para milhares de brasileiros é dureza. Essa gente, completamente desassistida, forma um contingente de 54 milhões de pessoas que diariamente é obrigado a comer o pão que o diabo amassou. Por incrível que pareça, o salário médio dessa gente não passa de R$ 406 por mês, em média. Esdrúxula quantia.

Jogado às traças, o cidadão integrante da faixa de pobreza sofre pra burro. É vítima da recaída dos indicadores sociais. É escravo da linha de carência, onde falta tudo. Tem péssima renda, improvisa a moradia, muitas vezes construída à base de papelão. É um ser desprezado pela política que só aparece na hora de pedir voto. Mas, depois das eleições foge da raia, como bandido, na fuga para escapar da polícia.

Afinal, são 27 milhões de pessoas se escondendo em casebres, sem banheiro e saneamento público no local. Com a ausência de recursos, a pobreza é obrigada a aceitar um ensino completamente desqualificado para os filhos. Enquanto isso, nos municípios é comum o descobrimento de desvios de recursos púbicos.

A descoberta de fraudes no Bolsa Família inquietou porque políticos e famílias ricas, com carrões na garagem, se beneficiavam do programa destinado aos pobres. Peixes grandes, comendo por debaixo do pano o dinheirinho do pobre, sem ter direito ao programa, lógico.

Juntando todas as maracutaias, descobre-se o verdadeiro motivo do país encontrar-se lascado. Com o pé atolado na lama. A causa é desonestidade. Como tem despudor neste Brasil imenso.

Desde 2014, a economia brasileira sofre desarranjos. Os dados de crescimento são vergonhosos. Houve desaceleração econômica no período, a recessão prejudicou os setores produtivos, fortalecendo as crises. Os reflexos são desemprego, redução do número de vagas no mercado de trabalho, o consequente aumento da informalidade, a subtilização da força de trabalho e a natural queda na renda. Tanto de assalariados, quanto de autônomos.

Por isso, a quantidade de pobres aumentou bastante no país, desde 2015. Em 2016, haviam 52,8 milhões de pessoas pobres. No entanto, em 2017, o quadro passou para 54,8 milhões. A taxa pulou de 25,7% para 26,5%. É tanta gente pobre e desassistida que dá pena.

Enquanto isso desembargadores de Pernambuco recebem mais de um milhão de salário acumulado. Como presentaço de Natal. São esses fatos estranhos e negativos que enchem de tristeza a população sensata. A estupidez arranha a imagem do país.

Realmente, a situação reinante é de estarrecer. Enquanto isso, as caras mordomias enchem o papo de ministros da Corte Superior, de instâncias inferiores e de parlamentares que não movem uma palha sequer, nem em pensamento, para minorar o sofrimento da pobreza crescente.

No Brasil, muitos estados registram altos índices de pobreza extrema. Dos 13 milhões de pessoas, vivendo em situação de miséria, muitos vivem no Piauí, Maranhão, Paraíba e até no Rio de Janeiro. Enquanto não houver sinais de crescimento, o cenário brasileiro permanecerá desanimador e tristonho.

Um grave problema que atrapalha a solução de muitos problemas nacionais é a forte vinculação entre a economia e a política de quinta categoria que, em vez de ajudar a levantar o país da desgraceira, implanta é mais incerteza para desvirtuar o prumo do ambiente. País algum consegue trabalhar direito se a insegurança jurídica é um calo seco a atormentar os programas traçados.

As consequências dos desentendimentos políticos recaem sobre a fuga de investidores, acentua as desigualdades socioeconômicas, afeta o ingresso no ensino superior, atormenta o graduado, recém-saído da faculdade, a encontrar vaga no mercado de trabalho, atualmente super fraco. Então, desestimulada, muita gente improvisa moradias debaixo de marquises para fugir do calor do sol e da umidade da noite.

Esses três anos que passaram, de 1915 a 1917, foram terrivelmente cruéis para boa parte da população brasileira. Açoitado, o cidadão perambulou sem destino, procurando abrigo e apoio, inutilmente. Muitos dos desempregados, perdidos e desorientados, não encontram escora em canto algum para se apoiar. Engolidos pelo desconforto.

O esquema do radicalismo e arrogância não é a recomendação ideal para consertar o país. Muito pelo contrário, o efeito é totalmente prejudicial. Traz sérias consequências negativas. Agita geral, inflama a massa, acentua as provocações, perturba a ordem, leva a confrontos, incita o vandalismo e o quebra quebra nas ruas, induz os manifestantes a incendiar ônibus. Enfim, transforma vias públicas em verdadeiras praças de guerra.

Um detalhe que desperta atenção no quadro das desigualdades, refere-se ao acesso no ensino superior. Dos alunos oriundos do ensino médio na rede pública, apenas 35,9% chegam à universidade.

Enquanto do contingente de estudantes preparados pela rede privada, a dos bacanas, 79,2% conseguem se matricular no ensino superior. A desigualdade prova que a qualidade do ensino na rede pública anda precaríssima. Bem abaixo das necessidades do conhecimento. Os sinais de decadência, revelam que o ensino brasileiro precisa melhorar bastante.

Como o Brasil é um país pobre, dificulta erradicar a pobreza e a fome em poucos anos. O primeiro passo para dar a volta por cima é manter a renda dos mais pobres numa média superior ao crescimento da média nacional.

No entanto, a Índia deu um belo exemplo. Numa década apenas, de 2006 e 2016, o grande país da Ásia Meridional tirou 271 milhões de pessoas da linha de pobreza.

Todavia, o desconforto é saber que o Brasil tem o desprazer de acomodar enorme população em situação de pobreza extrema superior à soma dos pobres que vivem na Bolívia, Bélgica, Grécia e Portugal.

A iniciativa do garoto Alan Moreira, 9 anos, de São Carlos-SP, devia servir de exemplo. A carta que endereçou a Papai Noel, pedindo ajuda para a família foi massa. Bastou viralizar numa rede social para obter tremendo sucesso.

A sociedade também devia ser determinada. Confiante na lenda do bom velhinho, a população deveria se unir para cobrar do excessivo quadro de parlamentares insensíveis, aquela forcinha para tirar o Brasil da lama. Todavia, sensatez é justamente o que mais falta na cabeça desmiolada do político brasileiro.

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ENRASCADAS

A política monetária brasileira é complexa. Tem hora que dá certo. Tem momentos que desalinha. O resultado, se positivo ou negativo, depende da forma como o governo usa este importante instrumento para monitorar o desenvolvimento da estrutura financeira do país.

Não tem exceção, todos os países empregam a política monetária para administrar a economia. A política monetária é a diretriz mais indicada para estabelecer a relação entre renda, emprego e a competividade brasileira no mercado externo. Funciona como uma balança para dimensionar a variação do que acontece no setor interno, a respeito do emprego/desemprego e também para revelar a performance do país no setor externo.

Por ser uma economia modesta, sem impor privilégio na competitividade internacional, no período entre 1980 e 2000, o Brasil obteve poucos resultados positivos. Do total das exportações, cerca de 70% da pauta de vendas externas eram constituídas de bens com baixa complexidade. Foram vendidos bens primários diversificados em produtos agrícolas, minérios e energéticos. Os produtos exportados não passavam de bens industriais básicos.

Por sua vez, as importações concentravam-se na compra de máquinas e de insumos químicos para serem transformados em novos produtos. Como a década de 80 foi atacada por grave crise, e muitas turbulências no mercado externo, o resultado foi desanimador.

Pintou estagnação econômica, paralização do PIB, elevação do endividamento externo e inflação elevada. Com queda na renda familiar e crescimento da taxa de pobreza. Por produzir efeitos negativos, 1980 ficou conhecido como a “década perdida”. Apesar da Fundação Getúlio Vargas ter registrado em 1,6% a taxa de crescimento econômico.

Nos anos 90, o país viveu nova tendência. Depois de anos de regime militar, aconteceram as eleições diretas. O Presidente eleito, Fernando Collor, foi enérgico. Mas, pisou na bola. Tomou medidas radicais. Mudou a moeda. Confiscou depósitos bancários. Alterou a correção monetária. Enxugou a máquina administrativa. Extinguiu ministérios. Privatizou estatais. Demitiu servidores públicos. Congelou preços e salários. A trajetória governamental foi tão truncada que o governo Collor acabou em impeachment.

O decepcionante desempenho em matéria de inovação nos anos 90 esbarrou em três entraves, responsáveis para distanciar a economia brasileira da competição no mercado globalizado. Os baixos investimentos e o corte de verbas em áreas especificas, como a educação deixaram a tecnologia capenga, ultrapassada em relação ao avanço no mundo.

O esquecimento em acionar a política de desenvolvimento, capaz de acelerar a evolução industrial e tecnológica, amoleceu o ânimo dos investimentos. Esfriou o empreendedorismo.

A impureza que jogou as transformações básicas contra a parede no Brasil, que aconteciam sistematicamente no mundo, nos campos da privatização, da liberalização do comércio e até na constituição acionárias de importantes empresas estrangeiras, tem um nome bem conhecido da população. O chamado déficit público que tem a mania de inadvertidamente cortar gastos em áreas estritamente fundamentais. Educação, pesquisa e desenvolvimento.

Quando implantaram o Plano Real, em 1994, a política macroeconômica tinha a finalidade de estabilizar os preços e abrir espaço para as reformas estruturais. Na época, as taxas de juros eram vergonhosamente altas. Tão exorbitantes que sobrevalorizou a taxa de câmbio.

Todavia, como o comércio não aguentou o baque, a salvação foram as commodities que imediatamente ganharam projeção no cenário internacional, devido aos preços competitivos, sobretudo no preço das matérias primas e de insumos agrícolas. Os negócios produziram bons resultados especialmente nos setores industriais de baixo valor agregado de áreas como minerais não metálicos, mineração, papel, polpa, aço e metalurgia.

O deslize da história foi a perda de oportunidade do país para renegociar a dívida externa. A tática na época rolava sob a seguinte estratégia. Dívida não é para ser paga, mas, simplesmente rolada para a frente. Tal como realizou o México em 1982.

Mas, apesar de tudo, o país tirou boas lições dessa engrenada. Começou a introduzir a automação dos bancos, fomentar a exploração do petróleo, incrementar o setor de aeronáutica e inclusive cair de cara na modernização das telecomunicações que andavam bem atrasadas.

A mancada foi que embora o país tenha alcançado a estabilidade de preços, realizado a mudança da moeda, confiscado depósitos bancários, alterado a sistemática da correção monetária, enxugado a máquina administrativa e promovido o congelamento de preços e de salários, acabou balançando na estrutura da estabilidade econômica.

Mas, pelo andar da carruagem, a década de 2000 não mostra a tão esperada desenvoltura. Pelo menos nas projeções do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, no período entre 2011 a 2020, o crescimento médio do Brasil deve ser muito baixo. Desestimulante.

Faz tempo, as condições macroeconômicas do país têm piorado. Desde 2014, os sucessivos déficits nas contas públicas causam transtornos internos. A dívida do país aumenta abafa o ritmo de crescimento. A consequência é trazer mais desarrumação. Derrubar o PIB, adiar a recuperação.

Em dois anos, o PIB, preguiçoso, só cresceu 1,1%. Para 2019, a previsão dos analistas também não é boa. Por conta dos seguidos recuos, possivelmente o Produto Interno Bruto feche em torno de 2,2%. E olhe, lá.

Em 2018, a greve dos caminhoneiros e as incertezas eleitorais repercutiram negativamente. Até hoje, a economia se ressente dos ataques indiretos. Por outro lado, o baque da Argentina, grande parceiro comercial do Brasil, travou a retomada da economia. A desaceleração mundial também ajudou a acochar a enrascada.

A esperança para se livrar das embrulhadas recai nas reformas. A Trabalhista, a Previdenciária, a Tributária, a Orçamentária, a Administrativa, a Política e, sobretudo, a Reforma Econômica. Todas imprescindíveis.

Algumas em andamento, outras, no entanto, permanecem preguiçosamente enveredando no caminho da concepção. Engavetadas. Para deixar o tempo correr e o povo terminar esquecendo da utilidade delas para o bem do país. E não cobrar pela negligência.

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DESRESPEITO

Um fato é lamentável. Apesar da grandeza continental, o Brasil é fichinha no combate à corrupção. Não tem estrutura para evitar o pior mal da política, que, fominha, tem olho grande na desorganização do serviço público e nos recursos financeiros. Abocanhar os milhares de reais que dão sopa nos bastidores da administração pública, durante o mandato parece ser o único objetivo do parlamentar ou gestor.

Embora seja o representante legal do cidadão, o vereador, verdadeiro representante do cidadão na Câmara municipal, não demonstra interesse em fiscalizar o Executivo. Para não complicar, o edil prefere apenas legislar. Aprovar leis. Fechar os olhos quanto a atuação do Executivo.

Por isso, é que não param as denúncias de desvios e de desperdícios de dinheiro do povo. É difícil se encontrar uma repartição que esteja isenta de irregularidades. É uma questão de cultura o servidor não se comportar como manda o figurino. Daí o desrespeito ao cargo que desempenha que, geralmente, descamba para a ilegalidade, em virtude da fragilidade na fiscalização.

Se bem que a estrutura para controlar o servidor, o Estado, com raríssima exceção, possui até demais. A administração pública brasileira possui quatro esquemas para o controle interno do servidor. Existem as ouvidorias, as auditorias governamentais, as corregedorias e as controladorias em todos os níveis, federal, estadual e municipal.

Dos quatro órgãos responsáveis pelo bom desempenho do serviço público, as corregedorias têm a missão de chegar junto da gestão púbica para evitar tanto o desvio de conduta do servidor, fraudes em especial, bem como a metida de mão no dinheiro do povo.

Recentemente, vinte vereadores de Uberlândia, Minas Gerais, foram presos. Dos 20 mandados de prisão, apenas um não foi comprido porque o responsável no momento da execução do serviço pela Polícia Federal evadiu-se. Deu no pé.

O principal motivo das prisões. Tremendas irregularidades cometidas na Câmara Municipal da cidade. Houve suspeitas de desvio de verbas indenizatória de gabinete. A galera, pensando estar isolada do povão, montou um esquema para desviar verbas, através da falsa contratação de serviços de impressão com gráficas da cidade que emitiam notas fiscais frias.

Foi apurado que em três anos os vereadores em cana contrataram a impressão de 17,5 milhões e informativos. Ora, considerando a população do munícipio a impressão houve um exagero na quantidade de informativos dirigidos ao povo. Constatou-se que a extravagante chegou a 35 informativos por eleitor. O certo é que de janeiro de 2017 a dezembro de 2019 o montante gasto com as impressões chegou à quantia de R$ 4 milhões.

O bom foi que a desconfiança avançou e constatou a contratação de funcionários fantasmas, principalmente nos setores de vigilância e de limpeza. Faziam farra com o erário público e provavelmente serão soltos já, já pela Justiça. Pelo bom exemplo de desonestidade.

A prova do desrespeito à legislação está no fato da Lei de Acesso à Informação, em vigor há cinco anos, nunca ter sido executada na íntegra. A razão da desobediência está comprovada no diminuto número de municípios que montaram e executam a estrutura de acordo com as normas. Fazer falcatruas, cometer deslizes, enricar o quanto antes com o dinheiro alheio.

Casos de desonestidade é o que mais rola no país, descaradamente. No ranking mundial, o Brasil se coloca na 26ª posição. Bem distante da Suíça, onde a honestidade é questão cultural.

A mídia registra absurdos exemplos de imoralidade no serviço público. Entre 2002 e 2003, o restaurante do Congresso Nacional foi alugado por um deputado federal de Pernambuco, que embolsava a grana. Em 2012, foi descoberto que concursos públicos se transformaram em cabides de emprego. A fraude beneficiava parentes e assessores de políticos.

As indecentes imagens de pacotes de dinheiro público escondidos em caixas de papelão, meias e cuecas por político enganadores são vergonhosas. Segundo estimativas, calculam em torno de 51 bilhões de reais, o total da dinheirama que, escandalosamente, foi furtado dos cofres púbicos.

Em 2018, cinco deputados do Rio de Janeiro foram presos sob a suspeita de trocarem apoio por 422 cargos públicos. Ontem, a Policia Federal desarticulou uma organização criminosa suspeita de desviar R$ 134,2 milhões dos recursos da Saúde do estado da Paraíba para financiar campanhas eleitorais nos anos de 2010, 2014 e 2018. Foram expedidos 54 pedidos de busca e apreensão em vários estados. Entre os que tiveram a prisão preventiva decretada, aparece o nome do ex-governador Ricardo Coutinho. Será verdade?

Então, diante de tantas maracutaias, só resta ao Estado cumprir a lei. Aos homens que exercem mandato ou função do Estado, a obrigação de cada um é cumprir o papel com hombridade e decência que é o mínimo que se cobra do homem público. Mas, roubar a coisa alheia é crime. E crime, caso seja comprovado, só é pago com condenação, cadeia e ressarcimento do valor roubado. Sem perdão.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

INVESTIMENTOS

O mercado de capitais é um canal para a capitalização. Através da Bolsa de Valores, corretoras e instituições financeiras, pessoas com espírito empreendedor negociam títulos mobiliários com o propósito de conseguir recursos financeiros da sociedade para aplicar na constituição de empresas com atividade econômica. Tanto do ramo do comércio, serviços, negócio próprio ou na área industrial.

Existem diversos caminhos para investir. Fazer o capital circular, custear o desenvolvimento econômico, comprar ações, títulos públicos, aplicar em fundos de investimentos ou na previdência privada. Todavia, muitos investidores, de menores possibilidades financeiras preferem encarar o próprio negócio. Esquecem os demais roteiros de investimento.

Então, para realizar uma ideia, executar um projeto, concretizar um plano, o investidor tem de estar atento, ficar alerta, para não dar um tiro no escuro. Arriscar o investimento, esbarrar em problemas para evitar a perda do capital.

O sonho geral é garantir perspectiva de retorno do capital investido, com rentabilidade. Para isso, é necessário investir com segurança e equilíbrio de modo a evitar erros, não dar um tiro no escuro, pisar em falso, amargar bancarrota, lamentar arrependimentos.

O investimento nunca deve ser tratado como uma aposta, mas como uma possibilidade de ganhar dinheiro, via trabalho, de modo a tornar real o sonho da liberdade financeira. Fantasia quase generalizada.

Através de pesquisa, o investidor encontra o ramo de negócio mais viável de acordo com suas pretensões. Opções, são diversas. Têm de montão. O fato mais concreto é o investimento não ter um canto certo. Ele aterrissa onde encontrar melhores vantagens. Pousa onde vislumbra boas ofertas de rentabilidade.

Em virtude das crises, especialmente a financeira, que afetaram a economia brasileira, muitos investidores nacionais optaram por procurar porto seguro nos mercados estrangeiros. Por uma simples razão. No exterior, a perspectiva para obter gordos rendimentos é bem mais fácil do que no Brasil. A facilidade cativou ema porção de brasileiros capitalizados. Muitos políticos aproveitaram a facilidade para dar guarida ao dinheiro obtido via corrupção, a fim de render uns bons trocados roubados do povo.

Na República Popular da China, a chamada para os investidores estrangeiros desembarcar na economia chinesa começou com a reforma econômica. Foram vinte anos de arrumação da casa. Entre 1979 e 1999 começaram a rolar parcerias comerciais e industriais. Atualmente, 60% das exportações e importações da China tem a participação do capital estrangeiro, principalmente depois que o governo chinês distribuiu vantagens tributárias para muitas empresas multinacionais atuarem nos setores energético, de telecomunicações e de transportes.

Da mesma forma, na medida em que economia brasileira cresce, as oportunidades de participação empresarial se ampliam e a classe média melhora de situação financeira, o Brasil cativa a atenção do exterior.

Por isso, há 50 anos o país regulamenta normas direcionadas ao capital externo. Busca direcionar atrações para conquistar a permanência de capitalistas estrangeiros no país.

Os cinco maiores investidores estrangeiros no Brasil são Estados Unidos, China, Japão, França e Itália. No segundo trimestre deste ano, foram registrados 36 projetos, dos quais 28 confirmaram a aplicação de US$ 15 bilhões. Caso o restante dos países interessados em investir no Brasil se concretize a soma de investimentos estrangeiros em 2019, até o presente momento, pula para US$ 17,9 bilhões.

O Mercosul, forte bloco da América do Sul, surge como um excelente guia para fortalecer as relações econômicas no cenário internacional. Por sua vez, caso o Brasil consiga a aprovação do selo de reconhecimento internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, a situação brasileira melhora bastante.

Afinal, o poderoso bloco da União Europeia é composto por 36 países membros, todos com robusta economia. Não é à toa que a OCDE é definida como o clube dos ricos.

De repente, o Brasil, país emergente, tornou-se um porto seguro para os investimentos internacionais. Pelo menos no semestre passado o país recebeu o montante de US$ 28 bilhões de investimentos estrangeiros. A decisão elegeu a economia brasileira como o quarto destino de capital estrangeiro no grupo do G-20, grupo das maiores potencias econômicas mundiais. Na frente do Brasil, aparecem os Estados Unidos que receberam US$ 151 bilhões, a China, com US$ 82 bilhões e a França, com US$ 33 bilhões. Nada mal, hein?

Imagina se a candidatura brasileira for aprovada na OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A tendência é a abertura de portas para os investimentos estrangeiros, a expansão das exportações, o aumento da confiança dos investidores no âmbito internacional. Somando as consequências, a imagem do Brasil no exterior muda da água para o vinho. Fica com a cara e o sabor do famoso prato Pot-au-feu, da gastronomia francesa. Prato também conhecido como carne de panela no fogo, semelhante ao nosso tradicional guisado.

A vantagem do investimento estrangeiro no Brasil é abrir de imediato novas empresas, gerar emprego, fortalecer a renda, aumentar a concorrência comercial, baixar os preços na praça.

As desvantagens do capital estrangeiro no país é a remessa do lucro para o exterior e o perigo de empresas mais fortes forçarem o fechamento das empresas nacionais fracas de caixa.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

BANCOS

Por causa de atraso econômico do Brasil, o sistema financeiro passou por várias tendências para também sair do retardo. Até 1960, paulatinamente, os bancos implantaram reformas. Para dar suporte ao desenvolvimento econômico do país e gerir os efeitos maléficos da inflação, a Reforma Bancária de 1964 criou o Banco Central para substituir a antiga Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) que exercia fraco controle na política monetária.

Nos anos 80, o país atravessou mais uma etapa recessiva. Aliás, a América Latina vivia balançada por tremendas crises financeiras. O Brasil não era exceção. As dívidas externas avolumaram, os déficits fiscais agigantaram-se. A consequência natural foi o mercado financeiro fragilizar.

As incertezas decorrentes das flutuações de mercado, fruto das variações inflacionária e cambial, produziram um sobe e desce constante dos ativos. Uma hora os ativos valorizavam-se, noutra o preço caia, repentinamente.

Embora o preço das matérias primas permanecesse baixo, a taxa de juros nos países industrializados abriu a porteira para a fuga de capitais. As mudanças momentâneas provocavam sérias consequências. A taxa de câmbio caía, ao contrário da taxa de juros da dívida pública, que explodia.

A reação foi desastrosa para os países afetadas pelas alterações, principalmente por causa da excessiva burocracia. Como perdeu capacidade na competição de produtos importados, a indústria brasileira sentiu o peso e implodiu.

Incluído no desastre, e devido ao aperto para pagar suas obrigações, o Brasil entrou na dança do enforcamento. Então, para escapar do sufoco, e sem aliviar os enormes déficits fiscais, adotou uma fase austeridade que pegou a população de calça curta. Indefesa.

Como nada dava certo na economia, o crescimento econômico não vingava e o desenvolvimento emperrava, aí a hiperinflação deitou e rolou. Fez o diabo. Apertou até enquanto pode. Nem os congelamentos seguraram a barra. Os insucessos serviram para classificar a década de 80 com a “Década Perdida”.

Os contrastes econômicos e sociais começaram a efervescer. Por causa da concentração de renda, a qualidade de vida da população declinou. Por falta de investimentos, a maioria do povo brasileiro foi riscada dos serviços básicos, como educação, saúde, saneamento e moradia. A saída para reverter a terrível situação foi fortalecer os sindicatos, as associações científicas e comunitárias, a criação de novos meios políticos nas ONGS.

Até 1964, os bancos eram pequenos, com exceção do Banco do Brasil, gigante que dominava as operações em 40% do mercado financeiro. Por conta do tamanho financeiro, os bancos emprestavam pouco dinheiro, geralmente a curto prazo. O forte da documentação empregada na época se restringia praticamente às Notas Promissórias e as Letras de Câmbio. Até certo ponto, o golpe militar de 1964 ajudou os bancos a se modernizar. Com o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) que expedia normas e diretrizes, o Sistema Bancário tomou outro rumo.

A partir de 1970, surgiram os conglomerados, cujo controle pertencia aos grandes bancos comerciais. Em seguida, em 1975, apareceu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com a missão de regulamentar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do pais. Em 1979, surgiu o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) com o propósito de administrar as operações com títulos públicos.

Foi justamente em função dessa saraivada de desastres que o sistema bancário brasileiro resolveu inovar. Penetrar em nova estrutura. O início das mudanças aconteceu com o processo de fusões e aquisições. Os bancos menores foram comprados pelos maiores. Os bancos estaduais entraram na dança da privatização, fazendo desaparecer muitos gigantes pertencentes aos Estados, a exemplo do Banespa, Banerj, Bandepe e outros.

Um detalhe ficou evidente no sistema bancário. O capital bancário adotava uma estrutura bem diferente da atual. A partir de 1964, o sistema começou a se internacionalizar, potências bancárias estrangeiras surgiram no mercado, introduzindo inovações. Desemprego, terceirização no setor e profundas alterações na área tecnológica, nos serviços e sistema de atendimento ao cliente, foram as principais novidades no setor.

Em seguida apareceram os primeiros sinais de automação. Os caixas se transformaram em baterias de caixas, foram introduzidas as centrais de atendimento, pintou os primeiros caixas eletrônicos, conhecidos como ATMs, oriundos do inglês Automated Teller Machine, que começaram a diminuir o tamanho das estressantes filas nos bancos.

Em 2012, foi a vez da Febraban-Federação Brasileira de Bancos dar o ar de sua graça. Aparecer com o objetivo de representar os bancos na praça. A sede da entidade fica em São Paulo.

Foi graças a essas reformas que o sistema bancário brasileiro cresceu e se reorganizou. O Plano Real, implantado em 1994, deu aquela forcinha para a reestruturação bancária nacional. As instituições mais fracas não resistiram ao impacto e desapareceram. Cederam espaços para os maiorais.

O maior ativo do banco comercial, independente de reformas, são os empréstimos. Tendo os depósitos como uma das principais fontes de recursos. As operações cambias fortalecem as fontes de recursos.

Além de passar por várias fases de reestruturação o sistema bancário brasileiro tem competência para disputar vaga no mercado de capitais. Atualmente, para se destacar na oferta de produtos financeiros e de serviços bancários, as instituições financeiras se esmeram na tecnologia da automação dos serviços.

Com vistas a obter queda de custos com produtividade, bons resultados na recepção de recursos internacionais, os bancos digitais brasileiros ampliam o leque de opções para os clientes. A oferta de serviços por meio digital permite que o ciente abra conta, saque, pague boleto, faça aplicações financeiras ou tire empréstimos no maior conforto possível. Sem contar com a presença do gerente. Se for o caso, a clientela realiza até operações de maneira remota.

O lado negativo da história bancária brasileira é a concentração do mercado ficar sob o domínio de apenas 5 instituições gigantescas, destinadas a atender somente as grandes empresas. Tirar dos pobres e das pequenas empresas a opção de conseguir empréstimos a juros baratos. Cobrar juros e tarifas bancárias altíssimas para lascar mais ainda os clientes piabas que, apesar de ser maioria no cenário brasileiro, é fichinha. Não tem vez.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

OCDE

A OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico é uma organização internacional com a finalidade de promover políticas econômicas que tragam desenvolvimento econômico e o bem-estar social no mundo. A Organização é composta por 36 países seduzidos pela democracia representativa e pela economia de mercado.

O lado positivo da OCDE é ter como membros somente países desenvolvidos. Donos de elevado PIB per capita e de excelente nível de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A OCDE surgiu em Paris em 1948, onde mantém a sede, com o propósito de administrar o Plano Marshall e reconstruir a Europa destruída pelas bombas da Segunda Guerra Mundial.

Em 1961, a OCDE trocou de nome, adotou a identidade atual e abriu as portas para que países não europeus, mas genuinamente ricos, pudessem se filiar à Organização. O lado positivo da OCDE é que agrupa num só teto mais da metade da riqueza do mundo.

Todavia, desde a sua criação, a OCDE não arreda pé dos reais objetivos. Lutar por um desenvolvimento duradouro de seus associados, abrir empregos, aumentar o nível de vida, acabar com a instabilidade financeira, colaborar na luta para que outros países também se desenvolvam e, finalmente, manter a concentração na expansão do comércio mundial.

Afinal, poder contar com a assistência da Organização visando se manter estruturada em temas importantes como comércio, investimentos, finanças, tributação, energia, siderurgia, serviços, economia do trabalho, política ambiental. Poder receber, quando necessário, aquela gabaritada assistência de quem entende do riscado é o sonho dos países membros.

Da fundação da OCDE participaram 16 países. Posteriormente dois países ingressaram na Organização. A Alemanha em 1955 e a Espanha em 1959. Depois da Reforma, em 1961, chegaram o Canadá e os Estados Unidos. Daí em diante foram engrossando a lista de países membros o Japão, o México, a Hungria, a Coreia do Sul, o Chile, Israel e mais alguns.

Na lista de espera pela aprovação do pedido de adesão encontram-se Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia. O Brasil estar confiante da aprovação do seu ingresso no conceituado grupo dos fortes.

A maior virtude em fazer parte da Organização que congrega o clube dos ricos é garantir vantagens comerciais nas transações internacionais. Exportar para obter divisas, importar produtos, máquinas e equipamentos de primeira qualidade para reciclar a tecnologia, barateando preços. Estar no topo do comércio internacional.

Porém, os participantes da OCDE pagam. A efetivação não é gratuita. O custo não é barato. A contribuição anual obrigatória é calculada de acordo com o tamanho do PIB de cada país.

Contudo, compensa estar na companhia das mais elevadas economias como membro efetivo. O país associado ganha projeção e credibilidade internacional. Torna-se destino de investimentos. Para mostrar serviço na solicitação, o Brasil prova que tem metade do PIB sul-americano e um mercado consumidor em franca expansão.

Mas, não é fácil o ingresso nesse seleto grupo. Poucos países pobres conseguiram o intento. O México faz parte do grupo desde 1994 e o Chile entrou em 2010. Todavia, o Peru, faz tempo, tenta e não consegue aprovação. Mais recentemente a Argentina e a Colômbia passaram a figurar como pretendentes. Sem outras alternativas, o negócio é a convocação oficial. Sem politicagem.

Por isso, resta ao Brasil apenas aguardar o ok da OCDE. Enquanto isso, tem de continuar batalhando para cumprir algumas exigências do clube nos campos fiscal e econômico. No primeiro convite feito em 2007, na era petista, o governo recusou o convite sob a alegação de que já tinha o selo de qualidade. Provava que sua política econômica e social estava bem montada. Dando bons resultados. Não precisava de mais conselhos. Grande erro. Enorme arrogância.

Até hoje, o Brasil paga caro pela falsa condição de grandeza. No entanto, especialistas também discordam do interesse do Brasil em participar do grupo. Caso participe, obtenha aprovação, o Brasil perde a liderança entre os países emergentes e pula para o último lugar em qualificação dentre as nações desenvolvidas e ricas

Outro detalhe compartilhado pelos especialistas diz respeito à condição do Brasil figurar, ao lado da China, também não integrante da OCDE, como um dos cinco destinos internacionais, dentre as dez mais importantes economias do mundo, de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Por outro lado, caso o pedido seja aprovado, Brasil perde a liderança entre países em desenvolvimento e pobres do grupo G77.

Como efeitos positivos, a entrada do Brasil na OCDE visa facilitar a captação de recursos a taxa menores. No longo prazo, a sociedade seria favorecida, tendo em vista a abertura de portas para os investidores estrangeiros com a nova imagem do país a ser exibida no exterior. Embora as vantagens só comecem a aparecer no cenário internacional após longo prazo.

Todavia, para ser aceito, como possuidor do famoso selo de reconhecimento internacional, fornecido pela Organização, o Brasil tem de concordar com os 238 instrumentos normativos da OCDE. Por enquanto, o país só assinou umas 40 resoluções. O caminho é longo e cansativo.