CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

CIDADANIA

Ao nascer, a criança recebe uma porção de direitos e obrigações que devem ser cumpridos à risca, durante toda a vida. Embora não perceba a complicação do presente que recebeu da natureza, por ser novinho, o recém-nascido tem de carregar o fardo de cidadania nas costas até o óbito. Quando acontece a desencarnação.

O peso dos direitos que a legislação reserva ao cidadão é tão pesado quanto as obrigações a cumprir. Caso a pessoa deixe de receber um direito, a luta é de um indivíduo contra a sociedade. Todavia, no momento em que a pessoa descumprir uma obrigação, a sociedade vem em cima. Cobra a falta, sob pena de impor regras. Penalizar o culpado pela negligência.

O principal direito concedido ao cidadão é poder ocupar o espaço que lhe é reservado no meio social. Poder ir e vir, sem atropelos. Ter facilidade para encontrar assistência na saúde, moradia, alimentação e educação. Sagrados direitos constitucionais, que desatento, o Estado costuma desobedecer. Sempre. Priorizando, ao contrário, os direitos apenas para os peixes grandes e as autoridades. Exemplos corriqueiros neste país desgovernado.

Por outro lado, o Estado, por direito, cobra do cidadão a responsabilidade do voto eleitoral, o cuidado de manter o espaço ocupado na sociedade dentro de certo padrão de organização, mediante o dever de cumprir a legislação vigente.

Quando, por desleixo, o cidadão comete delito, a cidadania é restringida. É o que acontece com o preso. Ao ser trancafiado no xadrez, automaticamente, o detento perde o direito de circular livremente em público por determinado período. Até cumprir as sanções que a sociedade lhe impingiu.

Mas, como tudo na vida tem exceções, tem individuo despreparado para exercer as suas obrigações de cidadania. Ter capacidade para entender o motivo do outro viver numa boa. Com total liberdade, justamente por não agredir itens relacionados à condição social, estrutural e material.

Enquanto alguém ferir a ética, não decifrar as diferenças, a tolerância e o respeito, entre os indivíduos, as divergências serão constantes. As desavenças sociais nunca serão eliminadas.

Está claro que para aguçar os instintos de cidadania, os princípios começam na escola. É na sala de aula onde a criança aprende as primeiras noções de como tomar decisões, pensando no futuro. No colégio, no meio da coletividade, o jovem adquire o hábito da convivência sadia, para não se considerar pior, nem melhor do que ninguém. Ser apenas mais um concorrente na vida social. Em igualdade de condições. Sem segundas intenções.

Pra isso, a escola tem de ensinar a diferença entre o diálogo e o monólogo. Com diálogo, o povo se entende, mas com monólogo, o desentendimento vai longe. Às vezes, acaba em conflitos bestiais. Por uma simples besteira.

Nas escolas do Japão, as crianças aprendem e executam tarefas extracurriculares. Respeitar o bem público. Repor a água consumida, e carregar o material esportivo dos alunos veteranos. Ajudar na limpeza da escola. Lavar e secar a caixinha de leite servido no lanche para não poluir o meio ambiente. Ensaiar as primeiras noções de como respeitar a cultura e o patriotismo.

É normal o japona adulto baixar a cabeça diante de outra pessoa, como sinal de respeito e reverência. Também é rotina uma pessoa que topa com outra na rua apinhada de japinhas, pedir desculpas, humildemente por algum deslize cometido em público. Sem se sentir ofendida, nem humilhada.

A cidadania é regida sob três princípios básicos. Liberdade, justiça e solidariedade. Todos cobram esses reconhecimentos. É praxe. No entanto, assumir o compromisso, é obrigação de poucos.

Faz séculos, o termo cidadania varia de concepção. As alterações surgem de acordo com a mudança do tempo e as passagens históricas. Mas, não elimina a obrigatoriedade de o cidadão participar e cobrar do governo os seus direitos, sem deixar de obviamente cumprir os seus deveres de cidadão para não perder o compasso na ideia de construir um país melhor.

Atualmente, foram acrescentados aos parâmetros de cidadania, além da liberdade à vida, o direito à propriedade e à igualdade jurídica, a plenitude sobre os direitos civis. A lealdade nas ações, atitudes e padrões de comportamento.

O ensaio para a personalização de princípios surgiu na Grécia antiga que julgava os homens serem livres e iguais na tomada de decisões. Porém, como a principal qualidade de cidadania era basicamente dirigida apenas aos homens que ostentassem riquezas materiais, serem donos de imensas propriedades de terra, a concepção de cidadania falhou. Alterou a concepção.

No Brasil, atualmente, por questões óbvias, o cidadão perdeu o direito à liberdade, cerceada pela violência que atropela os direitos civis. Impede a pessoa de se locomover livremente na sociedade pelas ruas a qualquer hora. Por culpa da incompetência do Estado e do cidadão que observa os erros se repetir publicamente, mas não reclama. Ao contrário, aceita os desacertos, caladinho.

Os tímidos exemplos de cidadania são reflexos de alguns fatores, aponta a crítica. Desconfiança na Polícia, no Judiciário, na ineficiência do Estado e no abusivo uso de força na repressão aos protestos de rua. Sem resultados definidos.

É bonito ver o país se pronunciar educadamente nas vias públicas, em protestos. Fazer manifestações, sem vandalismo, contra a corrupção, as mazelas, as deturpações, a roubalheira do dinheiro da Nação e o baixo astral. Compete ao cidadão, insatisfeito, gritar contra as injustiças e os abusos cometidos sob o manto de autoridade. Prejudicando meio mundo de gente desassistida. Mas, preservando as suas extravagantes mordomias.

Uma coisa erradíssima se eterniza no Brasil. O Estado deve perder o velho costume de querer mandar em tudo e em todos. Senão, a canalhice nunca perde o trono. Desprezando o povo que, no fim das contas, é o único dono do Brasil.

Á sociedade tem plenos poderes para eleger e cobrar dos gestores públicos, donos de cargos passageiros, o anseio popular. Exigir o cumprimento da vontade social de estar num país decente, onde as famílias possam viver dentro de padrões morais e éticos. Respeitando os bons costumes e a dignidade. Mas, condenando as safadezas que ainda fervilham em todos cantos do território brasileiro.

Na política, o mar de imoralidades envergonha a sobriedade do cidadão. A compra de votos para a reeleição, os inúmeros conchavos para as privatizações, o mensalão e o petróleo, de tristes lembranças, o descumprimento sobre os interesses da Nação.

Se bem que, para chegar fácil ao orçamento público, as corporações funcionam na maior esperteza. Com olho grande, na maior agilidade. Deixando a sociedade a ver navio. Constantemente.

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CORONAVÍRUS

Eita bichinho ruim da peste, esse tal de coronavírus. Apesar de invisível é casca grossa. Derruba até gigante. Afoito, não pede licença. Invade, emburaca e se instala nas cidades, lotando hospitais. Não respeita sexo, idade, tamanho, peso, profissão, qualificação e posição social de ninguém. Tá em pé, pimba!

Com ele, é tiro e queda. Se escapar do óbito, padece. Os impactos são violentos. O infestado é hospitalizado e se baixar na UTI, os cuidados dobram. Afinal, é necessário acompanhar a tosse seca, a febre, cansaço e a dificuldade para respirar do paciente.

Não interessa se a vítima é presidente de país, primeiro ministro, ministro, deputado, senador, médico, autoridade, religioso, rico ou pobre. A coisa tá preta e segundo dizem, o pico da pandemia deve ocorrer entre abril e junho no Brasil.

Desde 2012, a ciência alertou o mundo sobre a presença de vírus e bactérias perigosas. Capazes de infestar tanto animais selvagens como domésticos. De hospedeiros, os animais transmitem o vírus para a raça humana que despreparada, adoece ou morre.

Quem alertou o mundo sobre a infestação, foi o escritor americano David Quammen. Durante viagens internacionais, entrevistando cientistas a respeito de zoonoses, o escritor colheu dados sobre a transferência de vírus ou micróbios para o homem pelo animal ou ave.

O morcego é considerado um depósito em potencial para vírus infectantes. Toda vez que o homem penetra em áreas estranhas, invade o meio ambiente, se expõe a pegar doenças e posteriormente passar a contaminação à frente. Multiplicando progressivamente a doença, via população.

É desta forma que o mundo vez por outra enfrenta ataques de vírus. A lista de infecções é longa. O Hantavírus, embora semelhante a um resfriado comum, foi fatal. O primeiro surto no Brasil aconteceu em 1993. Causa desconforto respiratório agudo e descuidado a doença ataca prospera em edema pulmonar, insuficiência respiratória e choque. Matou gente.

A raiva é uma das velhas zoonoses a preocupar a saúde do homem. Faz 4 milênios, a ciência debate sobre a sua existência. Na época de Aristóteles, a história já registra casos sobre essa enfermidade contagiosa. Como também ataca animais e homens, é chamada de zoonose.

A raiva é infecciosa, transmissível, ataca primeiro os nervos periféricos do animal. Depois atinge o sistema nervoso central, vai para as glândulas salivares para dali se multiplicar e propagar-se em todas as direções. Basta o homem manter contato com o cachorro doente para também se contaminar.

Agora, o mundo se ver enroscado com o coronavírus. A transmissão da doença é feita de forma simples. Basta um toque de mão, gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, coriza ou via contatos com celular, mesa, maçanetas de portas, brinquedos, e teclados de computador tocados por quem está infestado.

Depois de passar dois meses em rigoroso confinamento, a cidade chinesa de Wuhan, onde apareceu o vírus, de 11 milhões de habitantes padeceu desses males.

Por isso, a recomendação médica é fundamental. Lavar as mãos com água e sabão, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, evitar tocar nos olhos, evitar abraços, beijos, apertos de mão e manter a distância mínima entre duas pessoas. Após o contato, usar gel.

O impressionante é o alerta dado por David Quammen no seu famoso livro Spillover, lançado em 2012. O escritor chamou a atenção do mundo para o próximo vírus que estaria prestes a chegar. A China, calou-se. O mundo foi na onda.

Pena que apesar da prevenção, a cegueira prevaleceu. Agora enfrenta devastadoras consequências. Desde a chegada do coronavírus no final do ano, o impacto tem sido desastroso. Na saúde, na economia e no lado social.

Um fato é verídico. Antes de se tornar pandemia, o agente infeccioso passa por transformações. A agressão ao meio ambiente e o contato com os animais ajuda a fortalecer o vírus.

Toda pandemia provoca isolamento social. As pessoas são obrigadas a se enfurnar, senão o bicho pega. Se não morrer, a vítima sofre um bocado. O pior de tudo, são as consequências. Ver o caos que se instala, principalmente na economia do país atacado.

Com o Convid-19, o PIB da China caiu 6,8% no primeiro trimestre deste ano. Decepção que não acontecia desde 1992. Também pudera, para conter o avanço do vírus, a China fechou fábricas, comércio, escolas, cancelou voos, isolou Wuhan do resto do mundo. Com a redução do consumo, o desemprego viralizou. Até nos eventos, cancelados nos setores de turismo, tecnologia e automotivo os prejuízos foram enormes.

Imagina a rebordosa. Mais de 20% dos produtos manufaturados consumidos no mundo, são fabricados na China. São chips, circuitos integrados e peças utilizadas na fabricação de celular, televisor, máquina de lavar e diversos outros aparelhos eletrônicos.

Daí se conclui. O caos é geral. Varre o mundo. Empesta economias. Fecha fronteiras. Derruba Bolsas de Valores. Os danos são tão impressionantes que adiaram até a Olimpíada de Tóquio.

Especialistas admitem que uma recessão global deve invadir o mundo, causando estragos maiores do que os vividos com a Grande Depressão de 1929. De triste lembrança.

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PRAGAS

Mal se refaz de uma praga, de repente aparece outra no mundo. Só para chacoalhar, torrar a paciência do homem. Cada epidemia que rola no planeta, age de forma diferente. Maltrata a humanidade. Perturba a economia, muda a história. Os efeitos são devastadores, as sequelas, profundas.

Depois da globalização, então, as consequências são as piores possíveis. Os impactos mexem com está quieto. Na economia, os baques são monstruosos. Não importa se a economia é poderosa ou emergente. O cacete é o mesmo.

Quanto mais o tempo as crises passam, os danos vão repercutindo. Causando mais dissabores. Quando o vírus ataca, quem primeiro sente o impacto é a economia. Com a redução de consumo. Aí, indefeso, o processo produtivo cai enfermo. Sente o peso da doença. Perde força.

O resultado são os desequilíbrios nos negócios. O mercado enfraquece. A indústria perde folego financeiro, o emprego é ameaçado. A consequência imediata é o consumo se debilitar e com as sobras de estoque, os preços declinarem.

Sem alternativas, para sair do marasmo, o negócio é se valer de precaução e serenidade. São os remédios indicados para atravessar o mal tempo. Vencer as incertezas. Pular os inúmeros problemas que surgem, paulatinamente.

Conta a história que cinco epidemias fizeram o diabo no mundo. Implantaram inquietação em vários setores de negócios.

A peste bubônica no século 14 foi aterrorizante. Quando apareceu na Europa, lá pelo ano de 1350 não deixou por menos. Matou um terço da população. O alto índice de mortalidade escasseou a mão de obra. Os senhores feudais, grandes proprietários de terras, foram os que sentiram o poder da bubônica.

Porém, como toda epidemia repulsiva, a bubônica deixou um bom recado. Estimulou a Europa Ocidental a raciocinar melhor a respeito do desenvolvimento econômico. Ensinou a modernizar a economia e a comercialização de mercado, tendo como parâmetro o dinheiro. A mola dos bons negócios que na época não tinha tanto valor.

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EX-PRESIDENTES

Quando afirmam que o Brasil é o país de contrastes, chove contestações. Muitos desacreditam na informação. Acham que é Fake News. Mas, os números são infalíveis. Dificilmente erram. Distorcem a realidade.

Enquanto apenas cinco ex-presidentes custam uma nota preta para os cofres do país, mais de 12 milhões de brasileiros passam necessidades. Integram a lista de pessoas vivendo na extrema pobreza. Em média, a renda dessa gente não passa de R$ 140,00 mensais.

Para aumentar a desgraceira, o IBGE comprova que a lista de indigentes cresce e preocupa. Entre 2016 e 2017, a pobreza no Brasil pulou de 25,7% para 26,5/% da população. Entretanto, para surpresa dos governantes entre 2018 e 2019, os estados de Roraima e Rio de Janeiro surgiram com outras novidades. Apresentaram incremento acima de 10% na linha de pobreza extrema.

Os registros comprovam. É a falta de políticas públicas que faz a extrema pobreza crescer exageradamente. Passar dos limites. Impactar o sofrimento da população carente. Fato que nunca foi novidade no país. Afinal, é a parte da população que elege os maus deputados, que nada fazem pelo bem do país.

No entanto, com apenas cinco ex-presidentes, e agora com Temer, para engrossar a lista, a história registra outros fatos pitorescos. Tudo regado a luxo, mordomias, deslumbramento, ostentação.

José Sarney passou 5 anos na presidência. Foi de 1985 a 1990. O próximo hóspede do Alvorada foi Fernando Collor, que ocupou as dependências do Palácio por quase 3 anos, de 1990 a 1992 e acabou no impeachment. O presidente seguinte foi FHC que ficou por 8 anos, dois mandatos, de 1995 a 2003. O sucessor foi Lula, que também ocupou a cadeira presidencial por 8 anos. Foi empossado em 2003 e passou a faixa em 2011 para Dilma Rousseff que governou o país por quase 6 anos. De 2011 a 2016. E foi destituída do cargo sob a acusação de ter cometido crime de responsabilidade fiscal.

Cada presidente apresenta uma característica diferente. Nos tempos de Collor e Lula, os puros charutos cubanos invadiram os gabinetes do Palácio Alvorada. Aliás, por conta dos exageros, as más línguas detonaram a emblemática frase. “Lula gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”.

Outro extravagancia de Lula, além da bem sortida adega, foi a compra de um avião presidencial importado ao custo de US$ 56 milhões. O excessivo gasto com esse avião, superou o montante que seria investido no programa Primeiro Emprego, e no saneamento urbano que beneficiaria milhões de famílias carentes. Caso fosse realizado, o programa impediria o avanço de sérias doenças pelas comunidades.

Até a Constituição de 1967, os ex-mandatários recebiam gordas aposentadorias e pensões. Porém, os militares cortaram o barato. Contudo, como não são bestas, os ex-presidentes aos poucos foram reconquistando benefícios.

Sob a alegação de garantir segurança e apoio aos chefes do Executivo brasileiro, o Congresso aprovou a Lei 7.474/86 e o presidente da época sancionou, concedendo a todo ex-presidente o direito de contar com 8 assessores comissionados de livre escolha, distribuídos da seguinte forma.

Dois assessores, quatro servidores para segurança e apoio pessoal e dois motoristas. Além disso, esses ex-Chefes do Executivo brasileiro passaram a dispor de dois veículos oficiais, com combustível, para circular à vontade pelo país. Direito que foi reforçado pelo Decreto 6.381/2008.

Alguns dos veículos são oferecidos por montadoras brasileiras. Os demais são postos à disposição dos ex, são de propriedade da Secretaria de Administração da Presidência da República que se incumbe das despesas de manutenção e do seguro.

No entanto, quando um ex-presidente viaja ao exterior, é competência do Ministério das Relações Exteriores colocar um veículo à disposição do ex viajante para os devidos deslocamentos em cada país visitado.

Desde 1990, o primeiro ex-presidente a ter direito aos benefícios foi José Sarney. Na sequência, apareceram Collor (1993), FHC (2003), Lula, Dilma e por último Temer. A média anual das despesas dos dois primeiros ficou na casa de R$ 400 mil. O terceiro quase dobra as despesas, ao gastar R$ 716 mil por ano.

No entanto, Lula e Dilma foram mais afoitos. As despesas de Lula ficaram em 1,17 mil, enquanto Dilma foi mais fominha nas despesas, ao contabilizar R$ 1,4 mil. No ano passado, os gastos repassados ao quadro de funcionários dos ex-presidentes da República passaram de R$ 4 milhões.

O impressionante é o fato de que, como não há legislação sobre o assunto, o ex-presidente mesmo preso, teve direito a essas regalias. Assessores integrantes do quadro de funcionários da Presidência da República. O exemplo está claro na contabilização do ex-presidente Lula que registra o montante de despesas entre 2011 a 2017, no valor superior a R$ 7 milhões.

Uma curiosidade impacta nas obrigações do país com os ex-presidentes. Dilma foi a ex-presidente que mais onerou os cofres públicos no ano de 2018. Nas viagens de Dilma, o Brasil gastou barbaridade com passagens e diárias de seus assessores para acompanhá-la nos trajetos até no exterior. Vez que é um direito assegurado pela legislação vigente.

Nos Estados Unidos o ex-presidente assegura os seguintes direitos. Dois assessores, tratamento em hospital militar, benefício extensivo aos familiares, funeral com honras militares, direito de levar dois assessores nas viagens, inclusive fora do país e salário vitalício de US$ 16 mil. Valor equivalente ao rendimento de um ministro. Atualmente, quatro ex-presidentes americanos permanecem vivos.

Faz tempo, tramita no Congresso um projeto para reduzir parte dos benefícios concedidos aos ex-presidentes do Brasil. Cancelar, inclusive, as regalias oferecidas aos ex que forem condenados por improbidade administrativa, porém desde que a decisão tenha transitada em julgado. No projeto, consta que as mordomias não ultrapassem os 20 anos depois do cargo. Embora legal, as mordomias dos ex-presidentes são injustas.

Beneficia apenas meia dúzia de ex-presidentes, com a inclusão de Temer, com mordomias, regalias e bem-estar, enquanto deixa mais de 12 milhões de pessoas viver à míngua, dentro da miséria, passando necessidades. Rodeado de carências. Sem socorro do Estado.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SAÚDE PÚBLICA

A expressão saúde pública sintetiza um termo fundamental, mas complexo. O tema é debatido constantemente no mundo, com a intenção de descobrir um meio de prestar melhores condições de vida ao cidadão.

Tem países que acertam na mosca, quando oferecem um bem-estar decente às famílias. No entanto, tem nações que se perdem na luta a favor do bem-estar coletivo, ao negligenciar os meios de saúde para a população.

A saúde pública no Brasil atravessou várias etapas. No tempo colonial, foram os pajés, com as ervas e os cantos, seguido das enfermarias dos jesuítas e os boticários que curavam as doenças do povo. Na sequência surgiram as Santas Casas de Misericórdias.

Dessa fase em diante funcionaram as instituições Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, o Butantã e o Adolfo Lutz. Foi a família real portuguesa, forçada pelas necessidades, que trouxe na mala a ideia de criar escolas de medicina no Brasil. Instituíram uma em Salvador, Bahia, o Colégio Médico-Cirúrgico e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro.

No Brasil, o problema da saúde pública começou a ser regulamentado com a Lei 8.080, de setembro de 1.990 que instituiu e oficializou o SUS-Sistema Único de Saúde. O plano já tinha sido idealizado com a Constituição de 1988, ao reconhecer que “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”.

Compete ao SUS a responsabilidade de oferecer assistência médica, gratuita, em todos os postos de saúde, hospitais públicos e em clínicas que pertençam ao Estado. É um direito do cidadão, inclusive, receber medicamentos de graça, garantir internações e, quando houver necessidade, fazer até transplante por conta do governo. O que atrapalha os bons serviços no SUS é a demanda crescente, pacientes em excesso, e a falta de investimentos governamentais.

Antes do SUS, o sistema de saúde pública no Brasil era limitado. Quem prestava a assistência médico-hospitalar era o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS). Os gastos eram divididos entre o governo, o patrão e a população. Mas, a barra pesou demais e em 1980, o INAMPS foi-se. Deu adeus à saúde pública.

Aliás, antes do SUS, o país estava concentrado em debater temas centrais como a reforma agrária, a reforma tributária, a reforma urbana e a reforma sanitária, praticamente a base política que gerava desigualdades no país. Temas que impactavam, depois que a sociedade percebeu a despedida do milagre econômico, enterrado em 1970.

A despedida do proveitoso ciclo econômico, a chegada dos efeitos da crise do petróleo, o enfraquecimento do governo militar e o aumento da morte de crianças, acometidas de graves doenças, como sarampo, difteria, coqueluche, tétano, poliomielite e diarreia, muitas vezes causadas justamente por falta de saneamento e de investimentos públicos, escureceram o cenário político brasileiro. Estouraram a boca doa balão.

A partir daí, a questão da saúde pública no Brasil, no sistema universal e gratuito, é questionável. Criticada. Atualmente quase metade da população brasileira sofre de doenças crônicas não transmissíveis. A causa de muitas mortes no país são o descontrole de hipertensão arterial, diabetes, colesterol, depressão e dores de coluna, decorrentes de vícios como tabagismo, álcool, excesso de peso e sedentarismo.

A OMS já fez reconhecimento público de que o SUS é o maior sistema de saúde gratuito e universal do mundo. O problema é a sustentabilidade que balança a estrutura do órgão. Porém, os incentivos fiscais dispensados pelo governo aos planos de saúde privados causam desequilíbrios. O setor mais atingido é justamente o SUS.

No Canadá, não existe competição entre o setor público e o privado. Lá, é cada um na sua. A saúde pública oferece um tipo de serviço, o setor privado, outro. O bom é que a saúde pública é gratuita. O investimento do Estado na saúde pública canadense é de 8% do PIB.

No Reino Unido, o sistema de saúde é financiado por impostos. O investimento do Estado corresponde a 8,2% do PIB. A França explora um tipo de serviço universal e compulsório. A maioria dos médicos franceses são clínicos. Não especialistas.

Os gastos públicos do Brasil no SUS, ano de 2015, importaram em 3,8% do PIB. No ranking de 183 países, o Brasil ocupou a 64ª posição. Sinal de precisa melhorar para o bem do povo.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

LENIÊNCIA

A Lava Jato, embora criticada por muitos, revela boas decisões contra a impunidade. Joga duro contra a corrupção. Tem obtido excelentes resultados, traz bons proveitos para o país. Embora alguns homens de toga aleguem que a operação de investigação presta um desserviço ao país.

Mas, com firmeza, a Lava Jato, pelo menos até o momento, corta o barato das quadrilhas, cujos componentes disfarçados de gestores do bem público, trabalhavam apenas para sugar o dinheiro do país. Roubar os cofres públicos. No maior descaramento.

Em cinco anos de atuação, mediante corajosa investigação sobre a onda da corrupção, a Operação pode comemorar excelente feitos. Nas 60 fases executadas até agora, a Lava Jato prova com números o que já foi feito. Os dados são impressionantes.

Abriu 300 inquéritos, recebeu 113 denúncias, concretizou 1302 buscas e apreensões, fez 162 prisões temporárias, 165 preventivas, realizou 116 ações penais, efetivou 285 condenações, aceitou 49 acordos de colaboração, oficializou 14 pactos de leniência, aplicou penas a bandidos que somadas ultrapassam a 3 mil anos. Ora, todos esses dados só existem para fantasiar, enganar a sociedade.

Os bandidos, de colarinho branco, pegos com a mão na massa e mascarados de gente de bem, grandalhões na sociedade, se infiltravam no Poder, apenas com a intenção de roubar. Enriquecer rápido, às custas da ganância financeira e da inocência do povo. Os roubos, de descarados, deixam o cidadão acanhado de cobrar atitudes positivas, exigir providências enérgicas.

Na lista das gangues da corrupção, aparece todo tipo de gente. Empresários, doleiros, ex-presidentes, ex-governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Raça política que só faz envergonhar a Nação. Em vez de engrandecê-la. Enriquecer a economia.

O consolo é saber que 426 denunciados passaram pelo menos uma noite na cadeia. Vendo o sol nascer quadrado. Embora o STF, com peninha, conceda liberdade para carradas de pessoas denunciadas como desonestas, corruptores e corruptos. Reforçando a impunidade.

O caso mais afamado da corrupção é o do mensalão do PT, derivado do desvio de verbas públicas, da compra de votos, de pagamento de propinas e de lavagem de dinheiro que sujou geral a imagem do Brasil. Em 2005, quando o escândalo foi descoberto, envolvendo pessoas e organizações, dos 34 julgamentos, 24 corruptos acabaram em condenação.

Dos 14,3 bilhões de reais previstos de recuperação dos acordos de leniência, R$ 4 bilhões foram devolvidos pela Lava Jato aos cofres públicos. Todavia, a quantia presumível dos roubos ultrapassa os R$ 48 bilhões. Quer dizer, ainda tem vultosa grana escondida em malas, apartamentos, cuecas, meias e em esconderijos diversos para ser recuperada da corrupção pela via legal.

O que ficou estampado nas incursões da Lava Jato é a descoberta dos rombos ter acontecido a partir do ano de 1980. Os danos eram praticados através do pagamento de propinas a políticos em troca da aprovação de projetos de governos, inclusive com a Petrobrás.

O primeiro caso de corrupção foi descoberto em 2003. Bando de falsos políticos desviou 228,3 mil dólares do Banestado, Banco do Estado do Paraná, para ser remetido ilegalmente aos paraísos fiscais do exterior, entre 1996 e 2002. Se bem que parte do montante desviado, inicia a viagem de volta, com a colaboração dos acordos de leniência.

Um dos escândalos desviou divisas para 107 contas mantidas numa agência do banco em Nova York. Dos 30 bilhões retirados indevidamente do país, US$ 17 milhões foram recuperados e devolvidos ao Brasil, através desse programa de clemência contra infratores cofessos.

O Acordo de Leniência permite aos autores de infração, caso colabore nas investigações, para aliviar a sua barra, receba benefícios, como extinção da pena punitiva, redução de penalidade e ressarcimento de prejuízos.

Com a vigência da Lei Anticorrupção o país deu um passo importante. A medida visa apurar responsabilidade civil e administrativa contra pessoas e empresas que pratiquem atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira.

Os acordos de leniência têm uma vantagem. Embora o infrator goze de alguns benefícios, como atenuação de penalidades, porém não livra o envolvido na questão de restituir o que foi levado na surdina do erário público.

Outro fator positivo da leniência é a identificação de outros nomes envolvidos nas fraudes, metidos em atos de corrupção. Vivendo nababescamente na sociedade, rodeados de atenção.

Para alegria do brasileiro de bem, no início deste mês de abril, a Justiça Federal de Curitiba determinou o bloqueio de R$ 18 milhões do PT. A ação da Lava Jato logrou êxito ao investigar o desvio de recursos que seriam destinados à construção da sede da Petrobrás, de Salvador, e em boa hora desvendou o mistério. Cortou o barato da gatunagem.

Fora essa decisão judicial, a Justiça Federal de Curitiba também decretou a indisponibilidade de bens e direitos de outros 18 réus participantes do esquema de desvios de recursos. O bom é o total do bloqueio somar R$ 400 milhões. Montante que dá para quebrar o galho deste país que teve o patrimônio dilapidado pela ganância de malandros políticos.

Um fato é claro na Lei Anticorrupção. A necessidade em atualizar a legislação tem objetivos específicos. Dirimir dúvidas que ainda pairam na norma jurídica em relação a três itens importantes. Os efeitos da lei, a validade e a capacidade para não deixar escapar nada que possa favorecer o réu. Malandro.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

ROTEIRO

É como diz o ditado popular. “Uma andorinha só não faz verão”. Então, tá na cara. Pensou em desenvolvimento, de jeito algum pode-se ignorar dois itens básicos. Investimentos e infraestrutura.

Investimento e infraestrutura são semelhantes a duas passadas que devem seguir unidas, grudadas, cadenciadas, como dois irmãos siameses. Uma complementando a outra porque se uma falhar, automaticamente a outra balança.

Pode desmoronar. Derrubar o mano, prostrar, travar tudo. No campo econômico, isoladamente, atividade produtiva nenhuma consegue seguir adiante, caso haja falta ou bloqueio em investimentos e em infraestrutura. Dois itens essenciais.

Investimento é um desembolso financeiro de terceiros, visando obter benefícios futuros. Pode ser injetado em pesquisa, tecnologia e em educação.

Infraestrutura é um suporte construído para suportar a base do progresso. Enquanto investimento pressupõe dinheiro, infraestrutura engloba estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telecomunicações, centros de distribuição de produtos, de água, esgoto e de energia.

Cada país define o tipo de característica que deve focar nos investimentos. Os Estados Unidos são o país que mais investe no mundo. Em 2013, os americanos aplicaram US$ 450 bilhões, algo em torno de 2,8% do PIB americano, em pesquisa e desenvolvimento. Em seguida, vem a China, que se dedicou durante dez anos a investir pesado em desenvolvimento, priorizando a educação como ponto inicial.

De acordo com os planos chineses, está previsto a China aplicar quase metade dos investimentos na ciência básica. Área destinada a desvendar o interesse pelo conhecimento e respectiva aplicação no setor produtivo.

Com característica definida, o Japão especializou-se em investir na microinformática. A França na tecnologia da informática. Por isso possui um dos seis supercomputadores mais potentes do planeta.

Todavia, nem todos os países tem a sorte de saber investir com eficiência e determinação nas áreas de maior projeção de desenvolvimento. O Brasil é uma dessas desafortunadas nações que se perde no emaranhado de melhorias.

Por falta de atitudes, condições financeiras e reduzido conhecimento no campo científico a economia brasileira, muitas vezes, fica à deriva. Ao sabor dos ventos. Embora invista até bem em educação, mas o investimento é mal feito. Pessimamente aplicado. Por isso, obtém pouca repercussão. O impacto é quase despercebido.

O baixíssimo nível técnico brasileiro começa pela fragilidade do sistema educacional. Prossegue no nanico investimento no campo das pesquisas cientificas. Atualmente, em processo de bloqueio em algumas áreas. A negligência passa, inclusive passa pela falta de regulamentação da profissão de cientista. Aí, é evidente que a consequência natural da apatia em investimentos resulta obrigatoriamente em atraso tecnológico.

Aliás, em matéria de investimentos, a decisão praticamente fica restrita ao setor público. Até a década de 90, em função da pobreza da iniciativa privada, competia ao Estado, como o senhor do dinheiro, o direito de investir. Posteriormente, depois que surgiram as privatizações e as parcerias pública e privadas, as conhecidas parcerias PPP, os aportes de investimentos começaram a rolar com maior intensidade na parte das empresas.

No início, pintaram os primeiros indicativos de investimentos, derivados de contratos de concessões. Todavia, o balde esfriou em virtude das universidades públicas, consideradas os principais centros de pesquisa e produção cientifica nacionais virem se arrastando nos projetos por falta de recursos. Decorrentes de cortes no orçamento.

Por esta razão, o país anda super devagar na luta pelo progresso. Não tem qualidade no ensino, as empresas, atrasadas, somente agora pensam em descobrir o segredo da logística, como produzir melhor, de que forma produzir e distribuir com agilidade, utilizando a avançada tecnologia na fabricação. Patamar que os países mais industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, dominam a técnica de produção há tempo. Via tecnologia de ponta.

Apesar de ter uma população superior a 200 milhões de habitantes, o Brasil segue em marcha lenta. Por causa de sofrível nível de produtividade, o país tem pouca participação no contexto produtivo mundial.

O incrível é que, embora detenha boas qualificações, possua extensa base territorial, tenha expressivo mercado consumidor, diversidade de recursos naturais, o país sente dois atropelos na caminhada do desenvolvimento.

Capital pouco utilizado e quando utilizado, é mal-empregado. Recursos humanos com péssimo nível de qualificação profissional. Por falta, justamente de investimentos no campo educacional. Na preparação de mão de obra.

Impressionante observar o desemprenho de três países. No século 19, o Brasil era um país rico. Competia em termos de riqueza com a Austrália e a Suécia. A causa da perda de desenvolvimento bate em dois pontos fundamentais.

Por falta de visão futurística, o Brasil preferiu especializar-se apenas na produção de produtos básicos. Esquecendo a formação do capital humano. Uma prova são os latifúndios dispensarem atenção somente na mineração e na agricultura.

E agora, arrependido, paga o pato pela insensata decisão. Resolução que varou anos e anos. Sem o povo se tocar no crime econômico cometido.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DESIGUALDADES

Todo ano, nas vésperas de eleições surgem candidatos a cargos eletivos, prometendo mundos e fundos para extirpar as desigualdades das fronteiras brasileiras. Nesse tempo todo, caso as promessas fossem cumpridas, o país estaria navegando em águas mansas. Com poderes para garantir ao cidadão os direitos básicos que a Constituição Federal lhe reserva.

Porém, como os políticos são esquecidos, não gostam de cumprir a palavra, o Brasil se entulha de desigualdades. Enfrenta mil disparidades. Tá cheio de carências enraizadas na cultura, na educação, na escolaridade, na saúde, no lazer e na moradia. Marca presença em todas as áreas.

Embora não seja uma exclusividade brasileira, as desigualdades massacram. Está na desigualdade de gênero, na parte econômica, no social e principalmente na questão regional. Causa da existência de dois brasis.

Qualquer um percebe a diferença. O Brasil do Sul é estruturado, dispõe de renda maior. É rico. Já o Brasil do Nordeste engloba o país da pobreza. Enforcado em necessidades. O que evidencia o Brasil ser um país plenamente injusto e falso. Onde as mulheres ganham menos do que os homens e o cidadão de cor raça negra dificilmente consegue equiparar a sua faixa salarial à do branco.

Evidente quem existem exceções, mas com raridade. A não ser no futebol e na música onde a raça negra domina, aparece socialmente. Participa da elite. Está na crista da onda. Nas manchetes da mídia, lotando campos de futebol e teatros com seus excelentes shows.

É fácil perceber a presença das desigualdades no país. Basta verificar a imagem e o comportamento das pessoas na rua, nas caminhadas, no metrô, no trânsito, no trabalho, no futebol, no bar e na praia. Este panorama é resultado da concentração de renda, da falta de solidariedade e da vaidade humana.

O problema é grave. Submete milhares de pessoas às privações. Mas, quem criou as desigualdades. Ora, o criador das desigualdades foi a sociedade e o brasileiro no final das contas é o responsável por colocar o país dentre as nações com maiores índices de desigualdades.

Começa pela má distribuição da terra e se estende pelo modo de usar e a maneira de explorar a terra. A terra do rico é explorada com mecanização. A roça do pobre ainda é preparada na base da enxada. Sem técnica, apenas com a experiência do caboclo que herdou do pai.

Essa maneira improvisada de limpar o terreno para o plantio, acaba provocando às vezes agressão ao meio ambiente. Incentiva o desmatamento e as queimadas. Como a maioria dos agricultores possuem apenas um pedaço de terra para sobreviver, procuram fazer milagres. Mesmo agredindo a natureza.

Outro fator fruto das desigualdades recai sobre a renda e a riqueza. Apenas 1% da população detém mais de 30% da riqueza do país. Então, quanto maior a renda, menos imposto os ricos pagam. É por isso que a arrecadação de impostos acaba caindo nas costas do assalariado que injustamente sustenta a barra do país. Apesar de não usufruir das mordomias, o pobre é o verdadeiro pagador de impostos no Brasil.

As consequências das desigualdades são mortais. O racismo, o desequilíbrio do sistema tributário, o desemprego e a péssima distribuição de renda revelam a ausência de políticas públicas para combater os eternos problemas brasileiros.

Um país que metade da população é da ração negra, é público e notório a discriminação e a segregação dificultarem a aproximação social. Mais da metade da população é da raça negra, consequentemente ganha menor renda. Daí a rejeição. A nítida presença da segregação racial entre as três raças. A europeia, a africana e a indígena.

A pesada carga tributária, resultante dos extorsivos gastos públicos, é outro problema grave. O excesso de impostos indiretos e os poucos impostos diretos é desleal. Desta forma, sobra para o pobre que nas compras de bens para consumo paga o mesmo valor pago pelo rico. O que é uma injustiça. Esta desvantagem está explícita na falta de retorno dos impostos cobrados no país. Quem depende do serviço público recebe as pauladas da precariedade, todo dia.

A educação para aos filhos das famílias pobres não tem a mesma qualidade do ensino oferecido pelas escolas particulares, onde estudam os descendentes das madames. Na saúde pública, então nem se fala. A discrepância é maior. A saúde pública disponibilizada aos pobres é ruim à beça. Os profissionais da saúde nem sempre atendem com a mesma atenção dispensada aos figurões.

Onde o normal na faixa pobre é a demora nas consultas, exames e cirurgias eletivas. As filas intermináveis, os longos prazos para o atendimento, a falta de leitos nos hospitais, a precariedade no atendimento e o elevado número de mortes, estressam, humilham.

O pior é o IBGE constatar que as desigualdades aumentam no país. Em 2018, do total da renda do país, 40% estavam concentradas nas mãos de apenas 10% da população.

Apesar de não enfrentar guerras internas, o Brasil apresenta a maior média de homicídios do mundo. A causa está na desigualdade social, no baixo nível de escolaridade, no preconceito que alimenta o alcoolismo e nas drogas, que estimulam a violência, contribuindo para a criminalidade explodir.

O impressionante é Gana, um país da África Ocidental. Embora seja um dos países mais ricos do continente africano, exportador de ouro e cacau, detentor do título do segundo maior exportador mundial, Gana, em relação à economia brasileira, é considerado uma nação pobre.

Em 2012, Gana viu parte de sua população deixar o país para fugir da violência. No entanto, a situação mudou. Gana dribla a criminalidade. Atualmente, a população se dar ao luxo de caminhar na rua, sem o medo de sofrer ataques de bandidos na próxima esquina. Fato comum no Brasil.

O que realçou a desigualdades no mundo foi a Revolução Industrial. Os industriais enriqueceram, esmagando os empregados. Este é o pecado do capitalismo. Quando mal aplicado, adora mesquinhar, violentar, esfomear, desempregar, maltratar os menos favorecidos.

Porém, no dia em que o homem aprender a respeitar os humildes, expulsando o ódio, a ambição e a brutalidade reinantes nos labirintos do poder, a pobreza e as desigualdades tendem um dia a ser menos explosivas. Menos violenta e discriminatória. Pelo menos, a tendência mundial das políticas públicas visa preparar a humanidade para impor aos homens de poder mais compreensão e leveza e menos imposição, diferenças e cobranças.

Mas, se vai dar certo ou não é outra história. Afinal, o homem é um ser de difícil discernimento.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

PESTES

Desde que o mundo é mundo, a população é vítima de pestes. Das mais diferentes espécies. Por conta da variedade de epidemias, nos últimos 1500 anos mais de 3 bilhões de vidas sucumbiram. Entram em óbito. Desapareceram da face da Terra.

À medida em que a população aumenta, surgem novas doenças. Causadas justamente pela ação de novos vírus e bactérias que chegam com gosto de gás, apavorando famílias.

Por volta do ano 540, a praga de Justiniano assombrou. A peste invadiu os navios mercantes que aportavam na Itália, vindos do Mar Negro, região situada entre a Europa e a Turquia. Sem contar com um arsenal de remédios, muitos marinheiros foram atacados pela praga de Justiniano e morriam em seguida. Enquanto avançava pela Europa, a doença chegou a ceifar 30 milhões de vidas.

Justiniano foi um imperador romano da época. De temperamento autoritário e dotado de visão ambiciosa, recebeu dos súditos, o título de o “imperador que nunca dorme”. A ideia surgiu diante da ansiedade de Justiniano em restaurar e unificar o desarrumado Império Romano, outrora todo poderoso.

A propagação da doença se deu através de roedores, justamente os mesmos transportadores de bactérias endêmicas que atuam até hoje. A situação só veio a melhorar, depois da ação da penicilina, descoberta em 1928, por Alexander Fleming.

A peste negra foi outra infecção mortal. Quando apareceu, matou mais de 200 milhões da população da Europa, entre 1347 e 1351. Por isso foi considerada pandemia. Segundo pesquisadores do Canadá, em 2011 a ciência conseguiu eliminar a bactéria Yersinia Pestis, causadora da terrível doença que era transportada pela urina do rato. O grupo de risco era formado por coveiros, médicos e padres que mantinha intenso contato com os infectados.

Os sintomas da peste negra eram febre alta, fortes dores pelo corpo e complicações pulmonares. Como o corpo se enchia de manchas negras, a peste foi batizada por esse nome.

Depois, por quase um século, a partir de 1896, o mundo foi atacado por outra peste de lascar. O surto da varíola foi também violento. Até ser eliminada, a enfermidade chacinou 500 milhões de vítimas, principalmente europeus.

Mas, com o decorrer do tempo foram aparecendo outros males generalizados. Teve a febre amarela, o tifo, sarampo, malária, hepatite, doença de Chagas, filariose, raiva, a dengue, a gripe aviária, a cólera, a ebola, a meningite meningocócica e a impactante leptospirose, proveniente também da urina do rato. No total, em função dessa doença, morreram mais de 3 milhões de pessoas no mundo.

A gripe espanhola provocou outra tragédia mundial no ano de 1918. Mas, até hoje o povo lamenta até hoje a sua ferocidade ao trucidar quase 80 milhões de pessoas ao redor do[l1] mundo. Aliás, por conta da ferocidade da peste, a gripe espanhola é comparada à gripe H1N1.

Todavia, as famílias ainda não se esqueceram do vírus que trouxe a peste HIV, na década de 1990, que matou milhares de vítimas. A solução foi a descoberta de vacinas que evitou um mal maior.

Agora, a preocupação recai sobre o surto do coronavírus, pra medicina, uma gripe comum. O agente foi descoberto no ano passado e como causa transtornos respiratórios, tem preocupado o mundo, ainda desguarnecido de vacinas.

O Brasil, então, país totalmente necessitado de melhores condições sanitárias básicas, é comum se ver esgotos a céu aberto por aí, a situação e preocupante. A invasão de insetos, baratas, mosquitos, barbeiro, é um fato comprovado. A falta de políticas públicas favorece os ataques permanentes ao povo.

Desde 1937, a medicina tem conhecimento do coronavírus. Mas, o assunto ficou em surdina nesse tempo todo porque nunca atacou o ser humano.

Segundo o infectologista chinês, Leo Poon, cientista da Universidade de Hong Kong, descobridor do vírus, a origem da doença veio de um animal para depois se espalhar pelos seres humanos.

Poon definiu o coronavirus como um grupo de vírus muito comuns em animais. Semelhante a uma gripe comum, os principais sintomas do coronavirus ataca o sistema respiratória, provocando tosse, coriza, dor de garganta e às vezes dor de cabeça e febre. A transmissão entre humanos acontece geralmente pelo contato com as secreções da pessoa infectada, como a gotícula da tosse.

Por enquanto, não existe tratamento, porém as pesquisas estão intensificadas. e logo, logo trarão bons resultados. A China acredita que o pior já passou e tudo indica que muito em breve possa resolver as consequências econômicas e de saúde da população chinesa.

O maior problema do Brasil é o relaxamento com a limpeza de ruas, canais e a ausência da vigilância sanitária. Como as políticas públicas não são frequentes, quem paga o pato é o povo. A causa é a precária estrutura física disponibilizada para a população. Daí a superlotação nos serviços públicos, o sofrimento, as críticas e a decepção com os gestores que quando se despedem do cargo, deixam a imagem de incompetentes. Por terem trabalhado durante a função somente para si.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

AÇAÍ

Foi a partir do século XV que o brasileiro começou a ter contato com o trabalho. O país era habitado por tribos seminômades que, para sobreviver, praticavam a caça, pesca, coleta e a agricultura.

Pensando em desenvolver o país recém descoberto e criar um sistema de administração, a Coroa Portuguesa iniciou a política de colonização. Dividiu o país em capitanias hereditárias e distribuiu entre os membros da nobreza alguns hectares de terra. Prova que naquela época, pobre já não tinha vez.

Como o sistema não deu certo, a Coroa resolveu criar o Estado do Brasil, em 1548, vinculado a um governo-geral. A sede colonial ficava em Salvador, Bahia. Nessa época, predominava o extrativismo do pau-brasil.

Foi quando a mão de obra escrava passou a ser utilizada, primeiro com os índios e posteriormente com os africanos. Foi aí que Pernambuco surgiu do nada com a exploração da cana-de-açúcar. A notoriedade foi tão grande que de repente o estado figurou como o maior produtor de açúcar do mundo. Também pudera. Em 1549, Pernambuco já tinha trinta engenhos-banguê em pleno funcionamento.

No século XVII, descobriu-se as primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais. Com o poder econômico em ascensão, o estado mineiro libertou-se da Capitania de São Paulo e passou a fortalecer a sua própria economia.

Em 1808, chegou a corte portuguesa ao Brasil. Após a chegada, foram abertos os portos da colônia, fábricas foram instaladas e o Banco do Brasil apareceu. Era dada a arrancada para uma nova estruturação econômica do Brasil.

Por ser uma região pobre, cada estado nordestino caracterizou-se pela exploração de um produto básico. Produto básico na verdade é aquele que tem baixo valor agregado, porém intensiva utilização de mão de obra.

Cada estado nordestino mantém o seu esquema, visando garantir trabalho e renda para as pobres famílias do setor rural.

O Maranhão destacou-se com o plantio de babaçu. O coco, além de funcionar como suplemento alimentar, tem o óleo que é utilizado tanto na cozinha, como nas fábricas de cosméticos, detergentes e até no artesanato.

O que sustentou o Piauí por um bom tempo, foi a carnaúba. Pela sua importância, a palmeira é apelidada de a árvore da vida. Na seca, a carnaúba produz uma cera que é aproveitada na produção de cosméticos, plásticos, tintas, chips e códigos de barra.

O Ceará tira bom proveito de seus produtos básicos. A castanha de caju é altamente consumida no país. Depois da Bahia e Pernambuco, o Ceará tem o terceiro PIB mais forte da Região.

O Rio Grande do Norte também é forte na produção de castanha de caju, porém, é poderoso na exploração de jazidas de sal. Os municípios de Mossoró, Macau e Areia Branca são os maiores exportadores do sal marinho norte-rio-grandense para o mundo.

O abacaxi da Paraíba é o dez. Tomou o lugar do sisal que foi o rei do pedaço nas décadas de 50/60 no estado. Os municípios que mais produzem abacaxi Sapé, Mari e Mamanguape.

O estado de Sergipe, o menor do Brasil, tem no setor de extrativismo. O petróleo e o gás natural, são o seu forte econômico.

O destaque econômico da Bahia é o cacau. Nem a praga da vassoura de bruxa dizimou a lavoura. Com novas mudas, resistentes à praga da vassoura de bruxa, o cultivo do cacau deslanchou. Reconquistou o prestígio no mundo. Apesar do Pará avançar na disputa pela liderança cacaueira no país.

Agora a bola da vez é o açaí, especialmente para a região Norte do Brasil, particularmente Amazonas e Pará. O fruto da açaizeira é um superalimento e excelente fonte de antioxidantes. O açaí é muito utilizado na fabricação de bebidas, geleias, doces e sorvetes. O praticante de esportes descobriu no açaí, fruta exótica, um poderoso energético natural. Cheio de vitaminas e nutrientes, o açaí impactou no Brasil e vai desbravando mercado na América do Norte, Europa e Ásia para sustentar de trabalho e renda milhares de agricultores ribeirinhos da região.

É assim que o Norte e o Nordeste, pobre de recursos tem de se virar para não ser esmagado pela rica industrialização do Sul brasileiro.