CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

CONSEQUÊNCIAS

Em 2019, os analistas internacionais, diante de tantos indicadores desfavoráveis, sentiram a possibilidade da economia mundial desacelerar o ritmo.

Depois da grande depressão verificada no ano de 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque arriou subitamente, em virtude da exagerada expansão do crédito e da emissão de dinheiro, feitos anteriormente, houve quebradeira geral. A reação foi desemprego e fome. Até a própria Bolsa de Valores nova-iorquina, não suportando o peso da recessão, também quebrou.

Com o passar do tempo, algumas economias conseguiram se manter de pé. Outras, empoeiradas, sucumbiram. A década de 1990 foi mortal. Então, para tentar escapar das garras das crises que abalam o mundo, desde então, foi criado o grupo do G20, em 1999.

O grupo, constituído pelas economias mais desenvolvidas do planeta, iniciou a trajetória com 19 países e mais o fortalecido bloco da União Europeia.

Integram o G20, os oito países mais ricos do mundo, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. Além das 11 economias consideradas emergentes. O Brasil, a Argentina e o México compõem a lista dos países emergentes.

A missão do G20 é segurar a barra, favorecendo as negociações internacionais e a estabilidade econômica global.

Periodicamente, os países membros se reúnem num determinado local com o propósito de debater importantes temas como finanças, comércio exterior e, sobretudo, desenvolvimento.

Os países participantes respondem por 85% do desenvolvimento mundial, por 66% da população global, respondem por 75% do comércio, 90% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento e 80% dos investimentos que rolam no mundo.

Todavia, apesar da vigilância do G20 sobre o desenrolar da economia mundial, as crises não deixam de atormentar.

Ultimamente, a preocupação gira em torno dos sinais de desaceleração que atacam as economias. Um deles, versa sobre a queda das taxas de crescimento, especialmente depois que os Estados Unidos e a China decretaram uma guerra comercial e as incertezas decorrentes de outros fatores como o Brexit, a crise política da Itália e os desentendimentos entre os países produtores de petróleo.

O Brexit foi o processo que o Reino Unido utilizou para se desligar do Bloco da União Europeia. Como é um processo lento e demorado, foram gastos muito tempo, até acontecer a aprovação em 2020.

A União Europeia foi crida com a finalidade de manter a paz entre países do continente europeu.

A desaceleração da atividade industrial é um fato. A falta de investimento é outro problema que incomoda. Um caso é concreto. Caso a atividade industrial reduz o ritmo, o PIB enfraquece, automaticamente, a renda cai e o desemprego tende a aumentar.

Em 2019, o mundo deu sinais de enfraquecimento industrial. Com isso, o Brasil, enfraquecido economicamente, vai na rasteira. O consolo são novas perspectivas para 2020.

Os indicadores demonstram que muitas fortes economias estão se levantando. Alguns dados revelam leves sinais de recuperação. Por isso, o mercado financeiro estar de olho nos levantamentos que indicam a tendência de estabilização do comércio global e da possibilidade do aumento de lucros.

Pelo menos, algumas previsões são encorajadoras. A contração da economia na Europa enfraquece, enquanto a produção industrial reage positivamente. Bom sinal, apesar de tudo.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

GRÃOS

Até a Segunda Guerra Mundial, a fome era um seríssimo problema que afetava a população. Os países que mais sofriam com a falta de alimentação eram localizados na parte sul do Deserto do Saara e na região da Ásia Meridional.

Para escapar da desgraçada fome, a Guerra, além de matar gente à beça, prestou excelente ajuda à humanidade. Desenvolveu a tecnologia, descobriu sementes de plantas realmente germinativas, avançou na produção de fertilizantes para combater pragas, inovou na plantação de cereais e tubérculos.

O início da agricultura aconteceu de fato há 12 mil anos com as primeiras civilizações. O local onde surgiram as primeiras práticas agrícolas ficava nas áreas férteis banhadas pelos rios do Oriente Médio. Depois que o homem enjoou viver somente da caça e da pesca, resolveu partir para outra atividade. Topou com a agricultura e se apaixonou.

Porém, insatisfeito com as limitações de terras disponíveis, o homem prosseguiu nas pesquisas até achar novos métodos de administração rural. Os estudos permitiram avançar no emprego da irrigação e na utilização de implementos agrícolas. O resultado acabou no lançamento de plantadeiras e colhedeiras para substituir a falta de mão de obra especializada na agricultura.

Com o andar da carruagem, o agricultor acabou lançando uma espécie de revolução, intitulada a Revolução Verde. A base da Revolução Verde concentrou-se na descoberta de variedades de sementes e de práticas agrícolas que deu aquele gás na produção agrícola e expandiu a colheita de alimentos ao redor do mundo, a partir da década de 1960.

Foi graças à atitude do pesquisador norte-americano Norman Borlaug na pesquisa do trigo, iniciada em 1930, que a evolução no campo engrenou rápido e partiu para novas batalhas. Uma delas, a da resistência aos contratempos. Com isso, descobriram que as variedades da planta tornavam o trigo mais resistente às doenças. A solução para vencer as barreiras foi a descoberta das sementes transgênicas que permitiu avançar na produtividade.

De repente, de importador de trigo, o México passou a ser autossuficiente na plantação da gramínea. Atualmente, o trigo é o segundo cereal mais cultivado no mundo. O campeão é o arroz, tendo o milho como o terceiro cereal mais plantado em todos os continentes.

A agricultura no Brasil deu os primeiros passos foi no Nordeste, com a implantação das Capitanias Hereditárias. Era o século 16, quando começou o cultivo da cana de açúcar. A base da atividade agrícola brasileira foi baseada em três pilares. Monocultura, mão de obra escrava e grandes latifúndios.

Até a década de 50, o Brasil não passava de um simples importador de alimentos em função da precária prática agrícola. A soja, atualmente a rainha do agronegócio nacional, era desconhecida. O trabalho no setor, era puramente braçal. Pouquíssimas fazendas tinham máquinas agrícolas. Na época, a tradição mandava usar enxada, pá e foice. Tecnologia no campo e fertilizantes eram palavrão. Sonhos futuros.

A ineficiência predominava na lavoura. Máquinas agrícolas só na fazenda de doutô. Casas de farinha eram simples e imperfeitas para a produção. A ordenha era manual. Enfim, no campo predominava a precariedade, muitas vezes, a improvisação. Coisa de louco.

As mudanças começaram a surgir durante a década de 1960/70. Neste período, aconteceram três positivas inovações. A urbanização, a industrialização e o crescimento econômico. Porém, fraquinha, a agricultura permanecia inexpressiva. Fomentava a importação de grãos. A pobreza imperava na zona rural.

O empurrão veio com a mudança de políticas agrícolas, no ano de 1980. Governos investiram em pesquisas e desenvolvimento, em extensão rural e crédito subsidiado para aumentar a produção e a produtividade.

Estimulados com as iniciativas, produtores rurais começaram a empreender. O agronegócio tomou fôlego. Com a abertura comercial de 1990, as exportações foram dinamizadas.

Em 2016, o agronegócio registrou forte participação no PIB nacional. Marcou 26,6% no Produto Interno Bruto Nacional. Deu um grande salto, iniciado em 1990. O feito, representou quase a metade do saldo comercial das exportações do país, empregou 19 milhões de pessoas no campo. A inclusão do feijão e da soja nas vendas externas do arroz, milho e trigo foi providencial.

Em 40 anos de exploração do agronegócio, o Brasil pulou da categoria de simples importador de alimentos para se tornar um fantástico exportador de grãos para o mundo. A notoriedade começa na produção. Ocupa a terceira posição, depois da China e dos Estados Unidos.

O Brasil é sortudo. As exportações de grãos são crescentes, apesar das estiagens. No entanto, graças à tecnologia em evolução e as terras em disponibilidade, o cerrado em extensão, os estados que mais produzem grãos no país são Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Para a safra de grãos de 2020/2021, a previsão é de 265,9 milhões de toneladas. Uma representativa colheita, está prestes a se realizar.

E se de tato a estimativa se concretizar, estiver dentro das projeções do Ministério de Agricultura, confirma os estudos a indicar que o agronegócio brasileiro tem tudo para deslanchar nos próximos anos.

As estimativas são maravilhosas. Na próxima década, caso não ocorram acidentes políticos, o país se manterá como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos para o mundo, ao lado dos EUA. Nas vendas de frango para o exterior, será um líder.

Outro benefício para o país, será o incremento do mercado interno no consumo de grãos. Entre 2029/2030, 50,4% da produção de soja será para abastecer apenas o mercado interno. No milho e no café, o consumo será maior, respectivamente 69% e 56,6%. Outro dado significativo das estimativas. Em 2030, segundo as projeções, 52% das exportações de soja no mundo, serão brasileiras.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DIFERENÇAS

A terra recebeu dois tipos de seres para ocupar os seus espaços livres. O homem e o animal. O homem é ser racional, o animal, irracional. Ao homem foi concedido algumas características fundamentais. O poder de falar para se comunicar com os semelhantes, a inteligência, a maneira de se comportar em sociedade e a facilidade de adaptação a mudanças para não perder o contato com a natureza e não se privar das suas necessidades de sobrevivência.

Com a inteligência, o homem se transforma. Estuda, adquire conhecimentos, torna-se capaz de realizar atividades. Aprende a planejar, executa o dom de se habilitar profissionalmente. Por isso, enquanto se qualifica, a pessoa promove mudanças nos procedimentos, costumes, crenças e culturas.

A capacidade mental leva o homem a falar, o raciocínio faz o ser humano sentir emoções. Reagir com risos na alegria, demonstrar tristezas, diante de fatos repentinos e incontroláveis, ter esperança de conquistas e sentir vergonha quando fizer merda.

Mas, de tanto progredir em suas habilidades, ser criativo, o homem, às vezes, chega a perder a razão. Executa atitudes desagradáveis. Acaba produzindo males até contra a sua própria vida. Fabrica armas, promove guerras, desmata florestas, faz queimadas, derruba e quebra rochas, mata animais, muitas vezes por vaidades e não por necessidades, muda o curso de rios. Em outras ocasiões, por causa de ganância e vaidade, o ser humano alimenta desentendimentos entre os seus semelhantes. Corrompe e pratica crimes.

Além disso, achando pouco, o ser racional parte para outras aventuras desaconselháveis. Contamina o meio ambiente, destrói florestas, extermina animais, às vezes, desnecessariamente, entra nos vícios, torna, a vida, enfim, insuportável.

Já o animal, ao contrário do homem, é mais comedido. Embora também possua Inteligência, procura agir por instintos, sensações e apetites. Como não pensa, não liga para as consequências. Não se importa com o amanhã, pois o fundamental é o momento. O agora. O animal, depende do comportamento da barriga. Caso esteja cheia, fica dócil, porém quando o estômago esvazia, a animal parte pra briga. Afinal, a fome é o limite. Pouco importa as consequências.

Diversos filósofos opinaram sobre as diferenças entre os seres racionais e os irracionais.

Platão sintetizou a diferença entre os seres em foco da seguinte forma. Como o homem possui uma alma, perfeita e imaterial, e um corpo, material, limitado e imperfeito, é possível viver uma vida plena. Segundo o filósofo, graças à racionalidade, o homem consegue viajar pelo mundo das ideias. Consideradas perfeitas e imutáveis.

Aristóteles definiu o homem com outra visão. Por ser um animal político, é chegado a partilhar a vida em sociedade. Dividindo regras.

Mas, como possui o dom da linguagem, o homem vai além. Cria conceitos, dar nome aos bois, identifica objetos, executa atividades, como o do conhecimento que lhe permite desenvolver técnicas em diversos campos de trabalho e divertimento. No campo da música, na medicina, arte, engenharia, ciências, esportes e também na informática. Condição que os seres irracionais não possuem.

É graças à habilidade de raciocínio que o homem acompanha a passagem da vida, através de estágios, até chegar à modernidade. Esse dom do homem de pensar, falar, discordar e movimentar-se de acordo com a sua vontade, não lhe transforma num autômato da natureza. Função exclusiva dos animais, extremamente ligados às tarefas mecânicas.

É justamente devido à sua capacidade de racionalização que o homem, na maioria das vezes, não costuma copiar o modo de vida e de raciocínio do outro. Muito ao contrário, prefere viver à sua maneira. Obedecendo dois critérios. Via comportamento natural ou biológico.

O homem transmite através da hereditariedade ou por intermédio de comportamento e interação social, saudável ou não, ou então recebe e passa à frente influências do ambiente onde vive. Segundo o seu nível cultural.

Aliás, por conta do aprendizado, cada um interpreta, à sua maneira, a sensação de ver, agir, sentir, interpretar, viver emoções e julgar as coisas. O desenvolvimento da cultura varia segundo as necessidades. Quem manda é o relacionamento no convívio social.

Daí a diferença. O homem é um ser cultural, chegado a hábitos, modismos, certos ou errados, enquanto o animal não passa de um ser natural, atrelado ao ambiente onde vive.

Aos animais selvagens, como às vezes é difícil a convivência com o homem, a floresta é o seu lar, o ambiente doméstico. A vida em liberdade, confere aos animais selvagens o poder de disputar territórios para dar continuidade à espécie. Embora haja animais que são colocados em cativeiro para satisfazer o egoísmo humano.

Contudo, quando domesticados, os animais dividem espaços com o homem na base da confiança, parceria e amor. O cachorro e o gato são os melhores exemplos deste exemplo de cumplicidade.

Da mesma forma que o animal, o homem sente fome. No entanto, saber comer, como comer, onde e quando matar a fome é que distancia o comportamento entre os animais, racional e irracional. Neste aspecto, o homem leva vantagem. Sabe destrinchar os problemas com sabedoria, usando a experiência de vida.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SALÁRIO

O homem exerce uma série de atividades. Uma delas, e de extrema importância, é o trabalho. Labuta que é dividida em tarefas criativas ou produtivas. Então, para compensar as horas dedicadas ao trabalho, o empregado é recompensado com um bônus, chamado salário. Muitas vezes, com o valor mínimo necessário para a pessoa sobreviver na base do sacrifício.

Salário, pois, é a remuneração paga pelo serviço. Dependendo da atividade, o pagamento pode ser feito de três maneiras. Por mês, por hora ou por tarefa.

Com o dinheiro ganho no exercício da profissão, o homem sobrevive. Garante a alimentação, moradia, educação, transporte, plano de saúde, higiene, vestuário, aluguel, pagamento de contas, previdência e lazer para se divertir nas horas vagas. A alimentação no Brasil, tem o maior peso, leva quase a metade do salário do trabalhador médio.

Antes da invenção da moeda, o pagamento do salário era feito com mercadorias. Em vez de salário, o trabalhador recebia um animal, como carneiro, porco, às vezes peles ou então sal. Além de dar sabor e conservar a comida, o sal auxilia na saúde. Então, da palavra sal, surgiu salário.

Na Roma antiga, era costume os soldados serem pagos com uma porção de sal. A utilização do sal como pagamento de um trabalho, surgiu depois do homem descobrir a importância da substância.

Todavia, até o século 14, o pagamento do trabalho tinha outra conotação. Os servos, para receber proteção e garantir o sustento, trabalhavam para os nobres que lhes compensavam com parte da produção colhida em suas terras. O esquema funcionou até o sistema feudal enfraquecer.

Foi com o capitalismo que o salário assumiu o seu verdadeiro significado. Tornou-se o único modo de remunerar a mão de obra. Esquema atotado até a atualidade.

A condição para uma pessoa viver bem, manter as contas equilibradas, mas sem luxo, é receber um bom salário.

É evidente que o salário varia de país para país. Na maioria dos países europeus, o salário vigente é alto. A economia é rica e a qualificação da mão de obra, excelente. Pela ordem, os melhores salários são pagos na Austrália, Luxemburgo, apesar da tradição ruralista, Holanda, Bélgica, Alemanha França e Reino Unido. Na América, o maior salário é pago nos Estados Unidos.

Um dos principais motivos para países pagarem altos salários é o fato de salário representar riqueza e quanto melhor a distribuição, maior é a circulação da riqueza. Enfim, a sensatez prevalece. Faz justiça.

Outra razão para o salário ser alto é a mínima interferência do Estado na iniciativa privada. Não é à toa que os EUA possuem 134 grandes empresas como as maiorais do mundo. Enquanto no Brasil só existem 6 empresas gigantes. Três são bancos, além da Petrobrás, da Vale e de outra menos expressiva.

Todavia, existem outras razões para influenciar o pagamento de altos salários em determinados países. Desenvolvimento econômico, alta escolaridade, excelente qualificação profissional, talentos, bom índice de produtividade, moderna tecnologia, comércio livre, menos impostos, alto retorno da arrecadação para a sociedade.

No lado contrário, os países que se destacam como os pagadores dos menores salários no mundo são México, Brasil e Haiti, dentre outros.

Os motivos que fazem determinados países pagar baixos salários e aceitar a exploração do trabalhador pelas empresas. A lógica relata o pequeno desenvolvimento, a pobreza econômica, a baixa produtividade, o reduzido grau de escolaridade, os pequenos investimentos estrangeiros, a pouca eficiência produtiva, mão de obra desqualificada, altíssima interferência estatal, rígidas leis trabalhistas e desequilibrada concorrência,

No Brasil, um fato comum são as diferenças salariais. Às vezes, dois funcionários exercendo a mesma tarefa e com nível de qualificação e experiência idênticos, ganham salários desiguais. São vítimas de discriminação salarial.

O caso mais comum é o gênero sexual. A mulher, de cara, sempre leva desvantagem. Geralmente, ganha menos do que o homem.

No entanto, existem outros fatores que reforçam a discriminação salarial. A idade, a habilitação profissional, a fraqueza do setor empresarial, a tímida condição da empresa e quando ocorre arrocho salarial intencional. . Isto é, quando os reajustes salariais não repõem a inflação. Existem muitos acordos salariais condenados. Significa que a força mais poderosa esmaga a mais fraca a da categoria dos empregados.

O fenômeno acontece constantemente no Brasil. No entanto, foi de amargar. Durante o regime militar e no governo de José Sarney, em 1985. Nessas duas ocasiões, o salário mínimo perdeu cerca de 50% de seu valor real. Os salários acima do salário mínimo também perderam poder de compra.

São três os fatores que provocam achatamento salarial. Através de acordos mal planejados, pela inflação e pele demissão. Quando a empresa demite o funcionário antigo para admitir um novato no mesmo setor com o propósito de substituir o salário mais alto pelo menor.

A ocorrência é tão perniciosa que também atinge e prejudica a economia do país, pois, além de derrubar o poder aquisitivo do cidadão, embaralha todos os setores produtivos. Indústria, comércio, serviços, construção civil e agricultura.

Na faixa dos maiores salários, os registros mostram a decadência da remuneração ao empregado. As categorias mais atingidas com arrocho salarial são a de petroleiros, médicos, bancários, professores e de engenheiros.

O salário mínimo é tão baixo no Brasil porque o governo utiliza este mecanismo para conter a inflação, não para distribuir renda.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

CUSCUZ

Quem tem barriga, valoriza a culinária, a arte de cozinhar. Quem sente fome morre de amores pela técnica de preparar o alimento certo para agradar o paladar. Cozinhar é a habilidade de deixar todo mundo faminto e de água na boca, a partir do cheiro agradável que chega da cozinha.

Cada região do mundo tem o seu segredo particular para preparar um bom prato. Por isso, cada país tem a sua comidinha predileta, afinada com a cultura do povo e a habilidade do chef em manusear os ingredientes certos na preparação da boa alimentação.

Em Portugal, o bacalhau e a sardinha cativam a atenção do público. Na Itália, a lasanha e a pizza tem a preferência. Na Índia, ninguém é besta de pedir prato com carne de vaca, senão apanha. No Brasil, a feijoada, a carne de sol e o churrasco são as iguarias mais pedidas.

Aliás, dois estilos de culinária condenam o consumo de carne de vaca. O vegetarianismo e o veganismo. O vegetariano detesta comer carne, embora coma proteínas animal, como o ovo e o leite. Já o vegano, que adota o veganismo como filosofia de vida, reprova o consumo ou o uso de qualquer produto de origem animal. Seja na alimentação ou no vestuário.

Como o modernismo levou as pessoas que trabalham longe de casa a comer fora, aconteceram mudanças na dieta diária. Foi convocada a gastronomia para tratar da dieta e da nutrição para cuidar dos aspectos de saúde e de conselhos médicos. Além, evidentemente da culinária industrial que veio justamente preencher uma lacuna ao introduzir técnicas na preparação de refeições rápidas.

No início da história mundial, o homem não tinha outra alternativa, senão comer vegetais e animais crus. Foi com a descoberta do fogo e a utilidade das mãos que a humanidade aprendeu a cozinhar, preparar melhor o prato, dar mais sabor à alimentação.

Mas, alguns alimentos, apesar de serem consumidos apenas em determinados locais, com o avanço da tecnologia, passaram a ser ingeridos também em outros locais.

O trigo que era consumido apenas na culinária mediterrânea começou a se espalhar pelo mundo, graças às viagens fenícias. Atualmente, compra-se trigo em qualquer país. Na Ásia, o arroz também pulou fora. Se faz presente em várias mesas do planeta Terra. A batata, originária dos Andes, é procurada no mundo inteiro. O milho, antes exclusivo do México, agora é encontrado em muitos países.

Por ser extenso no tamanho e na diversificação cultural, o Brasil adotou outros mecanismos na culinária.

O Norte brasileiro tomou o costume dos indígenas de preparar o pato no tucupi. Depois de assado, o pato é misturado com o caldo da mandioca que descascada, ralada, espremida e fermentada se transforma no molho, chamado tucupi.

Os pratos típicos do Centro-Oeste são o arroz com pequi, o olhinho de arroz, as carnes exóticas e o caldo de piranha.

No Sudeste a preferência é pelo virado à paulista, moqueca capixaba, feijão tropeiro, pastel de feira e o peroá frito.

Na região Sul o pessoal é doido por arroz carreteiro, espeto corrido, paçoca de pinhão, tainha e a cuca feita de pão doce.

No Nordeste, o gosto da população também é variado. Tem muita comida pra não deixar ninguém com fome. Quem gosta, come tapioca, acarajé, vatapá, moqueca de peixe, ostra, camarão, buchada de bode, feijoada, baião de dois, macaxeira, mariscos, lagosta, fritada de siri, paçoca de carne, caruru, carne de sol e o indispensável cuscuz de milho.

Existem diversos tipos de cuscuz feitos à base de farinha ou polvilho de arroz e mandioca. Entretanto, o tradicional na região nordestina é o cuscuz de milho.

O cuscuz de milho foi importado da África. No Nordeste, o cuscuz é consumido no café da manhã ou no jantar. O nordetino é vidrado no cuscuz, lambe o beijo só em sentir o cheiro da cozinha. O bom cuscuz pode ser acompanhado de guisados de carne, charque, peixe ou de vegetais. Quem manda é o freguês.

Durante o preparo, mistura-se a farinha com sal e água. Mexe-se a combinação com as mãos e quando notar que não está quebradiça, mas, apenas úmida, sem deixar escorrer água pelos dedos, o produto está pronto para ser finalizado e posto na mesa para a comilança.

O cuscuz é uma ótima indicação para regularizar a pressão arterial, pois contém nutrientes que beneficiam o organismo. Desde que não esteja acompanhado de embutidos, defumados, frituras e componentes ricos em sódio.

O problema é o excesso no consumo. Afinal, comer muito cuscuz, engorda. Arredonda a cintura.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

RECESSÃO

Não é brincadeira, não! Perder fábricas, nos tempos atuais, é de fazer chorar. Só em pensar que a recessão, durante o período de 2015 a 2018, foi a responsável pelo fechamento de mais de 20 mil plantas industriais no Brasil, é de cortar o coração.

Quem divulga esta dolorosa informação é a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O desaparecimento das unidades industriais, em virtude da cacetada recessiva, é resultado das perdas que o setor acumulou seguidamente entre os anos de 2014 e 2016.

As consequências para o Produto Interno Bruto foram devastadoras. O PIB caiu por onze trimestres. Fato anormal. O longo tempo de retração acabou classificado como a mais demorada fase de contração que o país enfrentou, desde 1992.

O caso foi tão feio que o Brasil só percebeu ter se livrado da recessão no mês de outubro de 2017. O baque foi generalizado. Da queda, só quem escapou foi o setor agropecuário. O restante entrou pelo cano. Não teve escapatória.

A área produtiva mais atingida foi justamente a das indústrias de transformação. Sem defesa, o jeito foi recuar na produção. Permanecer quase paralisada, aceitar o padrão de estagnada, sem respirar direito, operar abaixo do ritmo apresentado no ano de 2011.

Então, como não houve crescimento no tempo em foco, a única solução foi diversas fábricas encerrarem as atividades, senão o tombo seria bem maior.

Das 384.721 indústrias de transformação instaladas no país no ano de 2018, só restaram 359.345 unidades no ano seguinte. As 2.535 plantas encerraram as atividades. Sem a mínima condição de sobrevivência. São Paulo, foi o estado mais atingindo pela tormenta de fechamento, no espaço de quatro anos.

Ainda bem que nem tudo está perdido. Ainda resta um fio de esperança para o setor de transformação dar a volta por cima. As expectativas de mercado são boas. A economia dava sinais de recuperação. Mas, a pandemia só fez atrapalhar a jornada.

Pelo menos se vislumbrava a possibilidade da abertura de novas fábricas. O parque fabril demonstrava sinais de fortalecimento, mediante a redução da capacidade ociosa, algumas indústrias estão dando tempo ao tempo para cair em campo. Outras, se encontravam preparando o terreno para festejar a inauguração.

Na verdade, recessão é a cara de uma série de fatores negativos numa economia. Basta falar em recessão para surgir a imagem de muita coisa que não presta. Depressão, crise, estagnação, paralisação, retrocesso e atraso econômico.

Quando se constata a economia estar sob a bandeira da recessão é porque a atividade econômica entrou em parafuso. Retraiu-se. Desacelerou o ritmo de produção. A oferta de produtos cai, reduzindo automaticamente a demanda. O resultado é desemprego, redução da renda familiar, diminuição do lucro das empresas, popularização do quadro de falências e concordatas.

O ramo industrial mais atingido pela recessão geralmente é o de bens de capital. São as indústrias produtoras de ferramentas e as fornecedoras de matérias primas que perdem a movimentação por causa da escassez de pedidos.

Todavia, as que se dedicam a fabricar bens de consumo, é comum acontecer algumas escaparem pela tangente. O motivo é simples. O consumo cai, mais não some.

Nestas condições, o quadro que se apresenta é deflacionário que reacende a chama de reformas fiscais e estruturas, sem mais delongas.

Os primeiros sintomas de recessão surgiram nos Estados Unidos, no ano de 1974. Então, para reverter a situação, o governo, que reduz seus gastos com a indústria, recorre à política macroeconômica de efeito expansivo. Reduz tributos, volta a expandir os gastos para incentivar a produção e o parque industrial.

Em 2008, a crise econômica derrubou o PIB dos Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental. Consequência repercutida também nas economias capitalistas desenvolvidas.

Entre abril e junho de 2019, a recessão fez o PIB do Brasil tomar na jaca, novamente. A economia nacional anda tão fragilizada que está difícil o país acionar a chave da recuperação. Quando liga, a chave dá sinal de fraqueza. Se desliga automaticamente.

Daí os registros de baixo índice de crescimento para tristeza da sociedade que, sem defesa, apenas se lamenta.

A arrecadação de impostos não cresce, os investimentos do Estados não correspondem à expectativa. O desânimo esmorece a geração de empregos, que enfraquece o consumo, perturba a confiança do cidadão que, desiludido, começa a bombardear a incompetência política do país.

De imediato, o investidor, pessoa física, também fica preocupado quanto a proteção que dá ao seu patrimônio, construído à base de muito sacrifício. O sobe e desce da Bolsa é outro fator que incomoda barbaridade. De repente, o investidor espera acender a luz para os investimentos de longo prazo, cujos preços de compra possam baixar.

A confusão de 2019 se generalizou. A repentina desaceleração atacou fortes economias. A China e a Alemanha estremeceram nas bases. Os Estados Unidos tiveram de baixar a taxa de juros, fato, que não acontecia há 12 anos.

A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos plantou incertezas. Alimentou o temor de uma recessão global. No Brasil, dois registros impacientam. O consumo anda estagnado, o desemprego cresce e a capacidade ociosa permanece altíssima.

O que favorece o país é possuir um mercado consumidor imenso e uma abertura para investimentos e parcerias internacionais. O que está segurando a corrida para sair dessa, é a falta de ação travada pela pandemia e o legislativo ajudar o país a escapar dessa perigosa armadilha, que só entristece a sociedade, entristecida com a embaralhada e terrível onda de desarrumação.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

INQUIETAÇÕES

A história do Brasil é recheada de passagens políticas. Tanto antes, quando depois do golpe de 1964, a situação é controvertida. Festejada pelos governos populistas.

Apesar da mudança de presidentes, a chateação são os graves problemas brasileiros permanecerem intactos. Torrando a paciência da população.

O governo de Getúlio Vargas, em quase duas décadas de duração, provocou mudanças de investimentos para a industrialização. Desentendimentos não faltaram. Marcou o fim da oligarquia cafeeira. Com a ditadura de Varga, o Congresso e o empresariado foram para a oposição. Estimularam os Altos Comandos planejar a sua destituição. Então, pressionado, Getúlio disparou um tiro no peito na madrugada de 21 de agosto de 1954.

Em 1956, assumiu Juscelino Kubitschek. Trouxe o inovador plano de desenvolvimento econômico e social acelerado. A meta era desenvolver “Cinquenta anos em cinco”.

De fato, promoveu a industrialização. Implantou as indústrias de base, fortaleceu a infraestrutura, fez a substituição de importações, abriu o mercado ao capital estrangeiro. Cativou a indústria automobilística.

Os erros de JK foram a multiplicação da Dívida Externa, a ardente repressão aos movimentos trabalhistas e a imbatível corrupção.

Na sequência, surgiu Jânio Quadros, em janeiro de 1961. Curtíssimo, o governo só durou sete meses. O intuito de Jânio era alterar a política externa e tentar ajeitar os conturbados negócios internos. Mas, o resultado foi decepcionante.

A vassourada não limpou, pelo contrário, sujou. Encorajou a corrupção, desmoralizou o cenário político, não sufocou a inflação, não arrumou o déficit público, embora tenha aprovado a reforma cambial, reduzido o crédito na praça e congelado o salário mínimo. Como proibiu os desfiles de biquínis, as brigas de galo, o lança-perfume e as corridas de cavalo, dançou. A pisada de bola foi evitar uma reunião com o presidente John Kennedy, Estados Unidos, e a condecoração a Ernesto Che Guevara, líder revolucionário cubano. Depois desses atos, Jânio teve de renunciar. Rápido.

O vice de Jânio, João Goulart, que estava em missão internacional para fechar negócios de cooperação comercial com a China, teve de apressar o retorno ao país e assumir o cargo vago.

A marca do governo de João Goulart incomodou pela radicalização e pela instabilidade política. Como não emplacou a experiência democrática, o sonho do brasileiro da época, acendeu a chama da agitação popular. Aí, cresceram os partidos políticos, duplicou a quantidade de sindicatos de trabalhadores, aceitou a projeção do movimento estudantil.

Continue lendo

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

IMPACTOS

A ideia de transformar o meio ambiente, via utilização de matérias em disponibilidade é antiga pra chuchu. Vem desde os tempos remotos. No entanto, sobressaltado e cabreiro com tantas notícias desastrosas, o mundo procura buscar alternativas para esquecer as dificuldades. Vencer os obstáculos que sempre aparecem, inesperadamente.

Acreditando na esperança de sucesso, o empreendedorismo entrega-se às pesquisas para encontrar saídas viáveis. O caminho tem sido através de estudos planejados, visando vencer barreiras, obter provas de que nem tudo está perdido. Apesar da descrença generalizada nas políticas públicas, que no Brasil são deficientes. Merecedoras de críticas.

Embora a sociedade mundial não acredite, mas os registros comprovam que, anualmente, crescem as diferenças em dois importantes temas. Pesquisa e Desenvolvimento. Tradicionalmente chamado de P&D, pesquisa e desenvolvimento é o tipo de estudo que direciona os negócios dentro da lógica. Afinal, negócio não é jogo de loteria, cujo acerto depende da sorte.

Quem pensa em crescimento, para evitar dissabores, submete-se a uma série de fatores. Conhecimento de mercado, preço baixo, qualidade do produto, viabilidade econômica, rapidez no atendimento e projeções inovadoras.

Evidente que para levar projetos adiante, dois fatores são fundamentais. Recursos humanos e financeiros. Dominados, estes dois itens possibilitam conhecer o conceito sobre a originalidade do produto, a aplicabilidade, a relevância, a concorrência, o comportamento das leis mercadológicas, e, sobretudo, o modo de verificar a possibilidade de expansão.

Compete à área de Pesquisa e Desenvolvimento a responsabilidade de checar todo tipo de informação para captar a capacidade de mercado, o foco da clientela, a tecnologia empregada na exploração comercial, as possíveis inovações para despertar o consumo, sugestão para entrar de frente com novos investimentos e, finalmente, descobrir as possíveis tendências na concorrência.

O maior problema de muitos países relaciona-se com a estagnação da produtividade do trabalho e da redução da renda. Culpa do ensino de baixa qualidade.

O Brasil, a Rússia e a África do Sul são vítimas da estagnação econômica desde 1980, ao contrário da China e da Índia que obtiveram crescimento no período. Outro detalhe de significativa importância, é que em toda a América Latina, o Chile é o único país a registrar boa performance entre 1980 e 2010.

Por outro lado, no cômputo geral, a Coréia do Sul tem mostrado raça nas pesquisas de desenvolvimento que apontam o enquadramento deste país como nação desenvolvida.

No entanto, o surpreendente é constatar que no quesito depósito de patentes, o crescimento mundial tem sido pequeno e a tendência de aumento preocupa, em virtude da timidez nas pesquisas.

Com relação ao Brasil, o fator preocupante é concluir que, se não fossem as universidades, quase não existia produção de patentes e de inovações. Sinal de que o país anda muito devagar, bastante atrasado na evolução de pesquisas industriais, principalmente no setor privado.

Aliás, nesse campo, está claro que as empresas ainda não despertaram para a importância das pesquisas. Preferem contratar os órgãos públicos, funcionando atrofiados e com aquela contumaz lentidão.

O fato é comprovado nas estatísticas que mostram o atraso brasileiro na área da base técnico cientifica. Os levantamentos são vergonhosos. Mostram que o contingente de brasileiros sem instrução, quase se equipara à quantidade de pessoas diplomadas no ensino superior.

Por outro lado, os dados relacionados às pessoas com fundamental incompleto são altíssimos. É muito estudante fugindo dos estudos, antes da conclusão do curso, por motivos diversos. No secundário, o Brasil também ainda não valorizou o ensino como realmente deve ser administrado. A formação de doutores, com curso de doutorado, é baixa, permanece insignificante para a grandeza do país. Daí, quase não aparecer cientista brasileiro, capaz de apresentar impacto intelectual na produção científica do cenário global.

Sinal de que as universidades brasileiras continuam carentes de autonomia, governança, financiamento e bom desempenho no ensino, na pesquisa e também no relacionamento perante a sociedade.

Graças ao empreendedorismo, o Brasil tem melhorado de situação. Desde que o Sebrae entrou no circuito, os impactos têm melhorado. Embora os desafios a vencer sejam enormes. O motivo é a pequena quantidade de empresas, mesmo de pequeno porte, que se instalam no país, comparado ao excessivo número de pessoas sem trabalho.

Também pudera! Empreender no país não é uma tarefa fácil. Se bem que cresce a quantidade de pessoas que entram no ramo dos negócios.

Em 2017, existiam 52 milhões de brasileiros metidos em negócios. Figurando como franqueados, sócios de empresas ou então como investidores, seja direta ou indiretamente.

O que atrapalha é a burocracia. O porrilhão de documentos que o interessado tem de tirar nas repartições públicas, no âmbito federal, estadual e municipal, desestimula. São alvarás, inscrições, autorizações, registros em cartórios, guias e outros documentos necessários para autorizar o funcionamento da empresa. Mesmo de pequeno porte.

O sistema de tributação é outro entrave desencorajador. O entrave é enorme. Além de taxas, a tributação envolve IRPJ, CSL, PIS, COFINS, CPP, IPI, ICMS e ISS. Caso o empreendedor não siga na linha, recebe pesadas multas. Isso, sem contar com os encargos sociais do trabalhador, rodeando o salário, como o 13º, férias e o FGTS.

Toda vez que o capitalista empreende, a economia sente positivos impactos. Gera produção, cria emprego e renda, traz inovação para o mercado, melhora a qualidade de vida da sociedade, implanta um estilo de sustentabilidade. O benefício é sentido nas comunidades, cidades, regiões e na economia do país, sob o selo de motivação.

No entanto, como o Brasil é gigantesco em extensão, mas pobre de recursos financeiros, existe um enorme buraco sugando a tranquilidade das famílias de baixa renda. São 168 milhões de pessoas, segundo o IBGE, sofrendo pressões sociais, em função da carência nos serviços básicos, como educação, saúde, moradia, emprego e saneamento.

Está na hora do país entrar com gosto de gás na aprovação de projetos causadores de impacto social.

Projetos de impacto social são aqueles, cuja finalidade é promover efeitos econômicos, sociais e culturais entre pessoas de uma comunidade. Transformar de forma positiva o mundo em sua volta, de modo a instaurar mudanças.

Exemplos de impacto social: erradicação da pobreza, fome zero, oferta de boa saúde e bem-estar à população carente, educação de qualidade, água potável, saneamento, energia limpa e, especialmente, trabalho decente.

Com a pandemia do coronavírus, então, que castigou a economia brasileira em demasia, a situação, que não estava boa, piorou. A bagunça provocada pelo vírus é sentida no consumo, na inflação, no desemprego, na dívida pública que estourou a boca do balão, além de chafurdar também nos setores produtivos. Deixando a economia brasileira de calças curtas, mostrando sequelas, desarmonias e muito disse me disse. Sem fundamentos.

Até a taxa da inflação de 2020 disparou para 4,52%, passando a meta estimada. Parece querer perseguir o alto índice de 2016, que atingiu 6,29%.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DESEQUILÍBRIO FISCAL

Com peninha da situação do caixa dos governos regionais, a União resolveu renegociar as dívidas. Quem tiver débitos ativo com a União, inclusive empresas e indivíduos, e tiver interesse em negociar o débito, pode procurar o órgão competente para encontrar uma maneira de saldar o compromisso sem maiores aperreios.

É o que consta no programa de Transação Excepcional, cuja finalidade é encontrar alternativas para ajudar empresas e pessoas físicas, que entraram no atoleiro, jogadas pela pandemia, a saldar seus compromissos. Renegociar os débitos contraídos com a União de forma parcelada. Condição que não é possível em qualquer situação. Somente em casos emergenciais, como este do coronavírus.

No caso de empresas, a redução de vendas, depois do Covid-19, acumulou estoque e estoque parado é causa de prejuízo, em virtude de o dinheiro ter ficado parado. Sem movimentação.

Estima-se que o total de dívidas, denominadas de difícil recuperação ou irrecuperáveis, chega à casa de R$ 60 bilhões. É o que prevê o Programa de Recuperação Fiscal.

A partir da década de 90, ocorreu uma novidade no país. O sistema de repartição de renda do trabalho sofreu profundas transformações. Até 1980, o rendimento do trabalho na renda nacional chegava a 50%. Com as transformações, o rendimento caiu para 39,1%. Isto significa que a renda de ricos proprietários, através de juros cobrados, lucros e aluguéis de imóveis, cresceu mais do que a participação do rendimento do trabalho no conjunto da renda nacional.

A causa foi o severo achatamento dos maiores salários de trabalhadores pagos no Brasil. A nova política salarial introduzida no Brasil, entre 1964 e 1985, arrochou tremendamente o salário então vigente. Os reajustes salarias geralmente passaram a não acompanhar a inflação. Com isso, o salário mínimo perdeu 50% do seu valor real, o que fez crescer absurdamente as desigualdades sociais.

A inovação é decorrente do novo modelo econômico adotado no país. Forçado pela privatização do setor produtivo estatal e diante da nova política empresarial na administração pública que permitiu a flexibilização nos contratos de trabalho, introduziu a remuneração variável, o emprego da rotatividade, a tradicional troca de funcionários de maiores salários por outros de menor rendimento mensal e, sobretudo, a terceirização da mão-obra.

Esta nova tendência surgiu depois que o mercado sofreu desestruturação, quando a área de trabalho sofreu agressivo aumento de empregos precários e sem regulamentação. O que ocasionou repetidas quedas na geração de empregos na classe média.

Além disso, com referência ao setor público, o governo também reformulou o Sistema de Garantias da União. O programa, criado em 2018, permitiu reduzir a taxa de juros, alongar o prazo de pagamento, oficializar a aplicação de novas regras de governança.

Por este programa, visto como elo de transparência para a prestação de contas à sociedade, o governo, através da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), visa acompanhar de perto a contratação de créditos feita pelos estados e empresas federais. Pelos relatórios, a União verifica a elegibilidade dos tomadores de recursos, analisa os Relatórios de Honra de avais e os limites aprovados pelo Senado. O intuito é acompanhar de perto o equilíbrio das contas públicas.

Um dos esquemas que atrapalhou o bom entendimento entre a Federação e os estados foi a falta de reformas fiscais estruturais e a deficiência no gerenciamento de políticas públicas.

O país é gigante comparado ao mundo, é verdade. É o quinto em extensão e no quesito populacional. Por azar, o poder é descentralizado. É gerido por 27 governadores e mais de cinco mil prefeitos, com autonomia fiscal e amplos poderes para contrair dívidas. Essa liberdade administrativa, dificulta o modo de gerenciamento dos recursos. Enquanto facilita o descontrole fiscal.

É justamente a insensatez dos governantes em gerir os recursos disponíveis com competência que levam o caixa público ao descontrole. Foi a crise de 1980, multiplicando o endividamento brasileiro, que obrigou o país a levantar empréstimo com o FMI. Foi a inflação de 1994, cujo índice marcou 916,4%, que queimou e quebrou as receitas estaduais.

Depois dessas derrapadas, o Brasil se contaminou geral. Vive cheio de alergias e de irritação financeira. Aperreado por se sentir incapaz de realizar projetos sociais, os governos têm de se virar, agir dentro dos conformes, senão deixam o caixa deficitário. Mais do que recebeu. Caixa no vermelho, é sinal de falta de arrecadação, é vítima de desequilíbrios fiscais.

É o que acontecido no Brasil nos últimos anos. Os rombos nas contas públicas são constantes. De 2014 a 2016, atravessamos uma bruta recessão e de 2017 a 2018 o índice de crescimento econômico foi vergonhoso. Ficou lá embaixo, se arrastando.

Contaminada por desajustes fiscais e do estouro dos gastos públicos, a economia brasileira enfrenta sérios desafios. Um das principais adversidades é o engessamento do orçamento que prende recursos para os investimentos, esconde o dinheiro para suportar os gastos sociais. Gastos, aliás, necessários sob todos os aspectos para manter a máquina em funcionamento. Embora em alguns aspectos, alimente incompetência administrativa.

Até o atraso no pagamento dos servidores, ativos e aposentados, e o aumento de impostos afetam as vendas no comércio. A consequência imediata é o rombo fiscal.

Em 2019, segundo o Tesouro Nacional, por conta do excessivo gasto com pessoal, em desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, 14 estados perigavam entrar na relação de envolvência fiscal. Os estados mais desconcertados na época, eram Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Com relação aos municípios, a situação é mais periclitante.

A razão é simples. Conforme o IBGE, nas regiões Norte e Nordeste, o setor público responde por 90% da economia, enquanto o percentual dos municípios sofrendo abalos na saúde públicas das contas públicas, chega a 55%.

Para sair dessa turbulência, a melhor alternativa é os gestores públicos agir sem subterfúgios na gestão das finanças. Um dos caminhos, sem sombra de dúvidas, é a reforma tributária.

Mas, teimosamente, a União quer permanecer recebendo 60% do bolo tributário. No entanto, não pensa em reduzir as despesas públicas. Não acha um jeito de diminuir o excessivo gasto com pessoal que em alguns casos chega até a 60% da receita líquida corrente.

Então, por que a Reforma Tributária não sai do papel. Está engavetada. A resposta é simples, O desinteresse político é visível e a sociedade permanece alheia a essa falta de vontade de arrumar a casa, totalmente desequilibrada. Por causa, principalmente, dos 63 impostos diferentes em vigor no Brasil que chafurdam a vida no país.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

VIAJAR

Um dos maiores desejos do cidadão é botar o pé na estrada, dar umas voltinhas por lugares diferentes, viajar a passeio, livre de compromissos. O tempo, pede pegar o carro, trem, navio ou avião e sair por aí sozinho ou acompanhado para curtir um lazer joinha. Na medida. Quando a viagem é programada, satisfaz. O resultado é positivo, tanto no lado social, quanto no aspecto financeiro e pessoal.

Opções é que não faltam neste país. Curtição, tem para todos os gostos e condições financeiras. Cenários deslumbrantes, culinária deliciosa, cultura e costumes diversificados, trilhas, clima quente, de sol direto no Nordeste ou de temperatura amena e até fria, na região Sul, para quem gosta de se agasalhar.

Afinal, parques, pousadas, resorts e hotéis nas mais diferentes categorias, estão prontinhos, só esperando ocupação. Basta o viajante escolher o destino, cair em campo e sair por aí. À vontade.

O prazer de viajar é preenchido por uma séria de detalhes. Gozar de liberdade, desgrudar-se da rotina, chutar os compromissos pro baú, escapar dos problemas cotidianos, livrar-se das responsabilidades do trabalho e das compras semanais no supermercado.

Nas viagens, basta traçar o roteiro, chegar ao destino, sentar à mesa, escolher o cardápio, engolir o rango, pagar a conta e tamos conversado. O resto é só descanso e pernas pro ar. Afinal, pra isso, valem as investidas de lazer.

Tem outro detalhe superimportante. Viajar, enriquece os conhecimentos, amplia relacionamentos, favorece a experiência, renova as energias. É prazeroso visitar pontos turísticos, somar experiências, rejuvenescer o coração, aliviar o estresse, somar felicidade, valorizar o bem-estar.

As viagens preparam o viajante para enfrentar novas jornadas, especialmente no trabalho. Finalmente, no regresso, o turista chega em casa tranquilim, tranquilim. Cheio de energia, renovado, feliz da vida. Prontinho para enfrentar novas paradas.

Continue lendo