CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SAÚDE PÚBLICA

A expressão saúde pública sintetiza um termo fundamental, mas complexo. O tema é debatido constantemente no mundo, com a intenção de descobrir um meio de prestar melhores condições de vida ao cidadão.

Tem países que acertam na mosca, quando oferecem um bem-estar decente às famílias. No entanto, tem nações que se perdem na luta a favor do bem-estar coletivo, ao negligenciar os meios de saúde para a população.

A saúde pública no Brasil atravessou várias etapas. No tempo colonial, foram os pajés, com as ervas e os cantos, seguido das enfermarias dos jesuítas e os boticários que curavam as doenças do povo. Na sequência surgiram as Santas Casas de Misericórdias.

Dessa fase em diante funcionaram as instituições Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, o Butantã e o Adolfo Lutz. Foi a família real portuguesa, forçada pelas necessidades, que trouxe na mala a ideia de criar escolas de medicina no Brasil. Instituíram uma em Salvador, Bahia, o Colégio Médico-Cirúrgico e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro.

No Brasil, o problema da saúde pública começou a ser regulamentado com a Lei 8.080, de setembro de 1.990 que instituiu e oficializou o SUS-Sistema Único de Saúde. O plano já tinha sido idealizado com a Constituição de 1988, ao reconhecer que “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”.

Compete ao SUS a responsabilidade de oferecer assistência médica, gratuita, em todos os postos de saúde, hospitais públicos e em clínicas que pertençam ao Estado. É um direito do cidadão, inclusive, receber medicamentos de graça, garantir internações e, quando houver necessidade, fazer até transplante por conta do governo. O que atrapalha os bons serviços no SUS é a demanda crescente, pacientes em excesso, e a falta de investimentos governamentais.

Antes do SUS, o sistema de saúde pública no Brasil era limitado. Quem prestava a assistência médico-hospitalar era o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS). Os gastos eram divididos entre o governo, o patrão e a população. Mas, a barra pesou demais e em 1980, o INAMPS foi-se. Deu adeus à saúde pública.

Aliás, antes do SUS, o país estava concentrado em debater temas centrais como a reforma agrária, a reforma tributária, a reforma urbana e a reforma sanitária, praticamente a base política que gerava desigualdades no país. Temas que impactavam, depois que a sociedade percebeu a despedida do milagre econômico, enterrado em 1970.

A despedida do proveitoso ciclo econômico, a chegada dos efeitos da crise do petróleo, o enfraquecimento do governo militar e o aumento da morte de crianças, acometidas de graves doenças, como sarampo, difteria, coqueluche, tétano, poliomielite e diarreia, muitas vezes causadas justamente por falta de saneamento e de investimentos públicos, escureceram o cenário político brasileiro. Estouraram a boca doa balão.

A partir daí, a questão da saúde pública no Brasil, no sistema universal e gratuito, é questionável. Criticada. Atualmente quase metade da população brasileira sofre de doenças crônicas não transmissíveis. A causa de muitas mortes no país são o descontrole de hipertensão arterial, diabetes, colesterol, depressão e dores de coluna, decorrentes de vícios como tabagismo, álcool, excesso de peso e sedentarismo.

A OMS já fez reconhecimento público de que o SUS é o maior sistema de saúde gratuito e universal do mundo. O problema é a sustentabilidade que balança a estrutura do órgão. Porém, os incentivos fiscais dispensados pelo governo aos planos de saúde privados causam desequilíbrios. O setor mais atingido é justamente o SUS.

No Canadá, não existe competição entre o setor público e o privado. Lá, é cada um na sua. A saúde pública oferece um tipo de serviço, o setor privado, outro. O bom é que a saúde pública é gratuita. O investimento do Estado na saúde pública canadense é de 8% do PIB.

No Reino Unido, o sistema de saúde é financiado por impostos. O investimento do Estado corresponde a 8,2% do PIB. A França explora um tipo de serviço universal e compulsório. A maioria dos médicos franceses são clínicos. Não especialistas.

Os gastos públicos do Brasil no SUS, ano de 2015, importaram em 3,8% do PIB. No ranking de 183 países, o Brasil ocupou a 64ª posição. Sinal de precisa melhorar para o bem do povo.

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LENIÊNCIA

A Lava Jato, embora criticada por muitos, revela boas decisões contra a impunidade. Joga duro contra a corrupção. Tem obtido excelentes resultados, traz bons proveitos para o país. Embora alguns homens de toga aleguem que a operação de investigação presta um desserviço ao país.

Mas, com firmeza, a Lava Jato, pelo menos até o momento, corta o barato das quadrilhas, cujos componentes disfarçados de gestores do bem público, trabalhavam apenas para sugar o dinheiro do país. Roubar os cofres públicos. No maior descaramento.

Em cinco anos de atuação, mediante corajosa investigação sobre a onda da corrupção, a Operação pode comemorar excelente feitos. Nas 60 fases executadas até agora, a Lava Jato prova com números o que já foi feito. Os dados são impressionantes.

Abriu 300 inquéritos, recebeu 113 denúncias, concretizou 1302 buscas e apreensões, fez 162 prisões temporárias, 165 preventivas, realizou 116 ações penais, efetivou 285 condenações, aceitou 49 acordos de colaboração, oficializou 14 pactos de leniência, aplicou penas a bandidos que somadas ultrapassam a 3 mil anos. Ora, todos esses dados só existem para fantasiar, enganar a sociedade.

Os bandidos, de colarinho branco, pegos com a mão na massa e mascarados de gente de bem, grandalhões na sociedade, se infiltravam no Poder, apenas com a intenção de roubar. Enriquecer rápido, às custas da ganância financeira e da inocência do povo. Os roubos, de descarados, deixam o cidadão acanhado de cobrar atitudes positivas, exigir providências enérgicas.

Na lista das gangues da corrupção, aparece todo tipo de gente. Empresários, doleiros, ex-presidentes, ex-governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Raça política que só faz envergonhar a Nação. Em vez de engrandecê-la. Enriquecer a economia.

O consolo é saber que 426 denunciados passaram pelo menos uma noite na cadeia. Vendo o sol nascer quadrado. Embora o STF, com peninha, conceda liberdade para carradas de pessoas denunciadas como desonestas, corruptores e corruptos. Reforçando a impunidade.

O caso mais afamado da corrupção é o do mensalão do PT, derivado do desvio de verbas públicas, da compra de votos, de pagamento de propinas e de lavagem de dinheiro que sujou geral a imagem do Brasil. Em 2005, quando o escândalo foi descoberto, envolvendo pessoas e organizações, dos 34 julgamentos, 24 corruptos acabaram em condenação.

Dos 14,3 bilhões de reais previstos de recuperação dos acordos de leniência, R$ 4 bilhões foram devolvidos pela Lava Jato aos cofres públicos. Todavia, a quantia presumível dos roubos ultrapassa os R$ 48 bilhões. Quer dizer, ainda tem vultosa grana escondida em malas, apartamentos, cuecas, meias e em esconderijos diversos para ser recuperada da corrupção pela via legal.

O que ficou estampado nas incursões da Lava Jato é a descoberta dos rombos ter acontecido a partir do ano de 1980. Os danos eram praticados através do pagamento de propinas a políticos em troca da aprovação de projetos de governos, inclusive com a Petrobrás.

O primeiro caso de corrupção foi descoberto em 2003. Bando de falsos políticos desviou 228,3 mil dólares do Banestado, Banco do Estado do Paraná, para ser remetido ilegalmente aos paraísos fiscais do exterior, entre 1996 e 2002. Se bem que parte do montante desviado, inicia a viagem de volta, com a colaboração dos acordos de leniência.

Um dos escândalos desviou divisas para 107 contas mantidas numa agência do banco em Nova York. Dos 30 bilhões retirados indevidamente do país, US$ 17 milhões foram recuperados e devolvidos ao Brasil, através desse programa de clemência contra infratores cofessos.

O Acordo de Leniência permite aos autores de infração, caso colabore nas investigações, para aliviar a sua barra, receba benefícios, como extinção da pena punitiva, redução de penalidade e ressarcimento de prejuízos.

Com a vigência da Lei Anticorrupção o país deu um passo importante. A medida visa apurar responsabilidade civil e administrativa contra pessoas e empresas que pratiquem atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira.

Os acordos de leniência têm uma vantagem. Embora o infrator goze de alguns benefícios, como atenuação de penalidades, porém não livra o envolvido na questão de restituir o que foi levado na surdina do erário público.

Outro fator positivo da leniência é a identificação de outros nomes envolvidos nas fraudes, metidos em atos de corrupção. Vivendo nababescamente na sociedade, rodeados de atenção.

Para alegria do brasileiro de bem, no início deste mês de abril, a Justiça Federal de Curitiba determinou o bloqueio de R$ 18 milhões do PT. A ação da Lava Jato logrou êxito ao investigar o desvio de recursos que seriam destinados à construção da sede da Petrobrás, de Salvador, e em boa hora desvendou o mistério. Cortou o barato da gatunagem.

Fora essa decisão judicial, a Justiça Federal de Curitiba também decretou a indisponibilidade de bens e direitos de outros 18 réus participantes do esquema de desvios de recursos. O bom é o total do bloqueio somar R$ 400 milhões. Montante que dá para quebrar o galho deste país que teve o patrimônio dilapidado pela ganância de malandros políticos.

Um fato é claro na Lei Anticorrupção. A necessidade em atualizar a legislação tem objetivos específicos. Dirimir dúvidas que ainda pairam na norma jurídica em relação a três itens importantes. Os efeitos da lei, a validade e a capacidade para não deixar escapar nada que possa favorecer o réu. Malandro.

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ROTEIRO

É como diz o ditado popular. “Uma andorinha só não faz verão”. Então, tá na cara. Pensou em desenvolvimento, de jeito algum pode-se ignorar dois itens básicos. Investimentos e infraestrutura.

Investimento e infraestrutura são semelhantes a duas passadas que devem seguir unidas, grudadas, cadenciadas, como dois irmãos siameses. Uma complementando a outra porque se uma falhar, automaticamente a outra balança.

Pode desmoronar. Derrubar o mano, prostrar, travar tudo. No campo econômico, isoladamente, atividade produtiva nenhuma consegue seguir adiante, caso haja falta ou bloqueio em investimentos e em infraestrutura. Dois itens essenciais.

Investimento é um desembolso financeiro de terceiros, visando obter benefícios futuros. Pode ser injetado em pesquisa, tecnologia e em educação.

Infraestrutura é um suporte construído para suportar a base do progresso. Enquanto investimento pressupõe dinheiro, infraestrutura engloba estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telecomunicações, centros de distribuição de produtos, de água, esgoto e de energia.

Cada país define o tipo de característica que deve focar nos investimentos. Os Estados Unidos são o país que mais investe no mundo. Em 2013, os americanos aplicaram US$ 450 bilhões, algo em torno de 2,8% do PIB americano, em pesquisa e desenvolvimento. Em seguida, vem a China, que se dedicou durante dez anos a investir pesado em desenvolvimento, priorizando a educação como ponto inicial.

De acordo com os planos chineses, está previsto a China aplicar quase metade dos investimentos na ciência básica. Área destinada a desvendar o interesse pelo conhecimento e respectiva aplicação no setor produtivo.

Com característica definida, o Japão especializou-se em investir na microinformática. A França na tecnologia da informática. Por isso possui um dos seis supercomputadores mais potentes do planeta.

Todavia, nem todos os países tem a sorte de saber investir com eficiência e determinação nas áreas de maior projeção de desenvolvimento. O Brasil é uma dessas desafortunadas nações que se perde no emaranhado de melhorias.

Por falta de atitudes, condições financeiras e reduzido conhecimento no campo científico a economia brasileira, muitas vezes, fica à deriva. Ao sabor dos ventos. Embora invista até bem em educação, mas o investimento é mal feito. Pessimamente aplicado. Por isso, obtém pouca repercussão. O impacto é quase despercebido.

O baixíssimo nível técnico brasileiro começa pela fragilidade do sistema educacional. Prossegue no nanico investimento no campo das pesquisas cientificas. Atualmente, em processo de bloqueio em algumas áreas. A negligência passa, inclusive passa pela falta de regulamentação da profissão de cientista. Aí, é evidente que a consequência natural da apatia em investimentos resulta obrigatoriamente em atraso tecnológico.

Aliás, em matéria de investimentos, a decisão praticamente fica restrita ao setor público. Até a década de 90, em função da pobreza da iniciativa privada, competia ao Estado, como o senhor do dinheiro, o direito de investir. Posteriormente, depois que surgiram as privatizações e as parcerias pública e privadas, as conhecidas parcerias PPP, os aportes de investimentos começaram a rolar com maior intensidade na parte das empresas.

No início, pintaram os primeiros indicativos de investimentos, derivados de contratos de concessões. Todavia, o balde esfriou em virtude das universidades públicas, consideradas os principais centros de pesquisa e produção cientifica nacionais virem se arrastando nos projetos por falta de recursos. Decorrentes de cortes no orçamento.

Por esta razão, o país anda super devagar na luta pelo progresso. Não tem qualidade no ensino, as empresas, atrasadas, somente agora pensam em descobrir o segredo da logística, como produzir melhor, de que forma produzir e distribuir com agilidade, utilizando a avançada tecnologia na fabricação. Patamar que os países mais industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, dominam a técnica de produção há tempo. Via tecnologia de ponta.

Apesar de ter uma população superior a 200 milhões de habitantes, o Brasil segue em marcha lenta. Por causa de sofrível nível de produtividade, o país tem pouca participação no contexto produtivo mundial.

O incrível é que, embora detenha boas qualificações, possua extensa base territorial, tenha expressivo mercado consumidor, diversidade de recursos naturais, o país sente dois atropelos na caminhada do desenvolvimento.

Capital pouco utilizado e quando utilizado, é mal-empregado. Recursos humanos com péssimo nível de qualificação profissional. Por falta, justamente de investimentos no campo educacional. Na preparação de mão de obra.

Impressionante observar o desemprenho de três países. No século 19, o Brasil era um país rico. Competia em termos de riqueza com a Austrália e a Suécia. A causa da perda de desenvolvimento bate em dois pontos fundamentais.

Por falta de visão futurística, o Brasil preferiu especializar-se apenas na produção de produtos básicos. Esquecendo a formação do capital humano. Uma prova são os latifúndios dispensarem atenção somente na mineração e na agricultura.

E agora, arrependido, paga o pato pela insensata decisão. Resolução que varou anos e anos. Sem o povo se tocar no crime econômico cometido.

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DESIGUALDADES

Todo ano, nas vésperas de eleições surgem candidatos a cargos eletivos, prometendo mundos e fundos para extirpar as desigualdades das fronteiras brasileiras. Nesse tempo todo, caso as promessas fossem cumpridas, o país estaria navegando em águas mansas. Com poderes para garantir ao cidadão os direitos básicos que a Constituição Federal lhe reserva.

Porém, como os políticos são esquecidos, não gostam de cumprir a palavra, o Brasil se entulha de desigualdades. Enfrenta mil disparidades. Tá cheio de carências enraizadas na cultura, na educação, na escolaridade, na saúde, no lazer e na moradia. Marca presença em todas as áreas.

Embora não seja uma exclusividade brasileira, as desigualdades massacram. Está na desigualdade de gênero, na parte econômica, no social e principalmente na questão regional. Causa da existência de dois brasis.

Qualquer um percebe a diferença. O Brasil do Sul é estruturado, dispõe de renda maior. É rico. Já o Brasil do Nordeste engloba o país da pobreza. Enforcado em necessidades. O que evidencia o Brasil ser um país plenamente injusto e falso. Onde as mulheres ganham menos do que os homens e o cidadão de cor raça negra dificilmente consegue equiparar a sua faixa salarial à do branco.

Evidente quem existem exceções, mas com raridade. A não ser no futebol e na música onde a raça negra domina, aparece socialmente. Participa da elite. Está na crista da onda. Nas manchetes da mídia, lotando campos de futebol e teatros com seus excelentes shows.

É fácil perceber a presença das desigualdades no país. Basta verificar a imagem e o comportamento das pessoas na rua, nas caminhadas, no metrô, no trânsito, no trabalho, no futebol, no bar e na praia. Este panorama é resultado da concentração de renda, da falta de solidariedade e da vaidade humana.

O problema é grave. Submete milhares de pessoas às privações. Mas, quem criou as desigualdades. Ora, o criador das desigualdades foi a sociedade e o brasileiro no final das contas é o responsável por colocar o país dentre as nações com maiores índices de desigualdades.

Começa pela má distribuição da terra e se estende pelo modo de usar e a maneira de explorar a terra. A terra do rico é explorada com mecanização. A roça do pobre ainda é preparada na base da enxada. Sem técnica, apenas com a experiência do caboclo que herdou do pai.

Essa maneira improvisada de limpar o terreno para o plantio, acaba provocando às vezes agressão ao meio ambiente. Incentiva o desmatamento e as queimadas. Como a maioria dos agricultores possuem apenas um pedaço de terra para sobreviver, procuram fazer milagres. Mesmo agredindo a natureza.

Outro fator fruto das desigualdades recai sobre a renda e a riqueza. Apenas 1% da população detém mais de 30% da riqueza do país. Então, quanto maior a renda, menos imposto os ricos pagam. É por isso que a arrecadação de impostos acaba caindo nas costas do assalariado que injustamente sustenta a barra do país. Apesar de não usufruir das mordomias, o pobre é o verdadeiro pagador de impostos no Brasil.

As consequências das desigualdades são mortais. O racismo, o desequilíbrio do sistema tributário, o desemprego e a péssima distribuição de renda revelam a ausência de políticas públicas para combater os eternos problemas brasileiros.

Um país que metade da população é da ração negra, é público e notório a discriminação e a segregação dificultarem a aproximação social. Mais da metade da população é da raça negra, consequentemente ganha menor renda. Daí a rejeição. A nítida presença da segregação racial entre as três raças. A europeia, a africana e a indígena.

A pesada carga tributária, resultante dos extorsivos gastos públicos, é outro problema grave. O excesso de impostos indiretos e os poucos impostos diretos é desleal. Desta forma, sobra para o pobre que nas compras de bens para consumo paga o mesmo valor pago pelo rico. O que é uma injustiça. Esta desvantagem está explícita na falta de retorno dos impostos cobrados no país. Quem depende do serviço público recebe as pauladas da precariedade, todo dia.

A educação para aos filhos das famílias pobres não tem a mesma qualidade do ensino oferecido pelas escolas particulares, onde estudam os descendentes das madames. Na saúde pública, então nem se fala. A discrepância é maior. A saúde pública disponibilizada aos pobres é ruim à beça. Os profissionais da saúde nem sempre atendem com a mesma atenção dispensada aos figurões.

Onde o normal na faixa pobre é a demora nas consultas, exames e cirurgias eletivas. As filas intermináveis, os longos prazos para o atendimento, a falta de leitos nos hospitais, a precariedade no atendimento e o elevado número de mortes, estressam, humilham.

O pior é o IBGE constatar que as desigualdades aumentam no país. Em 2018, do total da renda do país, 40% estavam concentradas nas mãos de apenas 10% da população.

Apesar de não enfrentar guerras internas, o Brasil apresenta a maior média de homicídios do mundo. A causa está na desigualdade social, no baixo nível de escolaridade, no preconceito que alimenta o alcoolismo e nas drogas, que estimulam a violência, contribuindo para a criminalidade explodir.

O impressionante é Gana, um país da África Ocidental. Embora seja um dos países mais ricos do continente africano, exportador de ouro e cacau, detentor do título do segundo maior exportador mundial, Gana, em relação à economia brasileira, é considerado uma nação pobre.

Em 2012, Gana viu parte de sua população deixar o país para fugir da violência. No entanto, a situação mudou. Gana dribla a criminalidade. Atualmente, a população se dar ao luxo de caminhar na rua, sem o medo de sofrer ataques de bandidos na próxima esquina. Fato comum no Brasil.

O que realçou a desigualdades no mundo foi a Revolução Industrial. Os industriais enriqueceram, esmagando os empregados. Este é o pecado do capitalismo. Quando mal aplicado, adora mesquinhar, violentar, esfomear, desempregar, maltratar os menos favorecidos.

Porém, no dia em que o homem aprender a respeitar os humildes, expulsando o ódio, a ambição e a brutalidade reinantes nos labirintos do poder, a pobreza e as desigualdades tendem um dia a ser menos explosivas. Menos violenta e discriminatória. Pelo menos, a tendência mundial das políticas públicas visa preparar a humanidade para impor aos homens de poder mais compreensão e leveza e menos imposição, diferenças e cobranças.

Mas, se vai dar certo ou não é outra história. Afinal, o homem é um ser de difícil discernimento.

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PESTES

Desde que o mundo é mundo, a população é vítima de pestes. Das mais diferentes espécies. Por conta da variedade de epidemias, nos últimos 1500 anos mais de 3 bilhões de vidas sucumbiram. Entram em óbito. Desapareceram da face da Terra.

À medida em que a população aumenta, surgem novas doenças. Causadas justamente pela ação de novos vírus e bactérias que chegam com gosto de gás, apavorando famílias.

Por volta do ano 540, a praga de Justiniano assombrou. A peste invadiu os navios mercantes que aportavam na Itália, vindos do Mar Negro, região situada entre a Europa e a Turquia. Sem contar com um arsenal de remédios, muitos marinheiros foram atacados pela praga de Justiniano e morriam em seguida. Enquanto avançava pela Europa, a doença chegou a ceifar 30 milhões de vidas.

Justiniano foi um imperador romano da época. De temperamento autoritário e dotado de visão ambiciosa, recebeu dos súditos, o título de o “imperador que nunca dorme”. A ideia surgiu diante da ansiedade de Justiniano em restaurar e unificar o desarrumado Império Romano, outrora todo poderoso.

A propagação da doença se deu através de roedores, justamente os mesmos transportadores de bactérias endêmicas que atuam até hoje. A situação só veio a melhorar, depois da ação da penicilina, descoberta em 1928, por Alexander Fleming.

A peste negra foi outra infecção mortal. Quando apareceu, matou mais de 200 milhões da população da Europa, entre 1347 e 1351. Por isso foi considerada pandemia. Segundo pesquisadores do Canadá, em 2011 a ciência conseguiu eliminar a bactéria Yersinia Pestis, causadora da terrível doença que era transportada pela urina do rato. O grupo de risco era formado por coveiros, médicos e padres que mantinha intenso contato com os infectados.

Os sintomas da peste negra eram febre alta, fortes dores pelo corpo e complicações pulmonares. Como o corpo se enchia de manchas negras, a peste foi batizada por esse nome.

Depois, por quase um século, a partir de 1896, o mundo foi atacado por outra peste de lascar. O surto da varíola foi também violento. Até ser eliminada, a enfermidade chacinou 500 milhões de vítimas, principalmente europeus.

Mas, com o decorrer do tempo foram aparecendo outros males generalizados. Teve a febre amarela, o tifo, sarampo, malária, hepatite, doença de Chagas, filariose, raiva, a dengue, a gripe aviária, a cólera, a ebola, a meningite meningocócica e a impactante leptospirose, proveniente também da urina do rato. No total, em função dessa doença, morreram mais de 3 milhões de pessoas no mundo.

A gripe espanhola provocou outra tragédia mundial no ano de 1918. Mas, até hoje o povo lamenta até hoje a sua ferocidade ao trucidar quase 80 milhões de pessoas ao redor do[l1] mundo. Aliás, por conta da ferocidade da peste, a gripe espanhola é comparada à gripe H1N1.

Todavia, as famílias ainda não se esqueceram do vírus que trouxe a peste HIV, na década de 1990, que matou milhares de vítimas. A solução foi a descoberta de vacinas que evitou um mal maior.

Agora, a preocupação recai sobre o surto do coronavírus, pra medicina, uma gripe comum. O agente foi descoberto no ano passado e como causa transtornos respiratórios, tem preocupado o mundo, ainda desguarnecido de vacinas.

O Brasil, então, país totalmente necessitado de melhores condições sanitárias básicas, é comum se ver esgotos a céu aberto por aí, a situação e preocupante. A invasão de insetos, baratas, mosquitos, barbeiro, é um fato comprovado. A falta de políticas públicas favorece os ataques permanentes ao povo.

Desde 1937, a medicina tem conhecimento do coronavírus. Mas, o assunto ficou em surdina nesse tempo todo porque nunca atacou o ser humano.

Segundo o infectologista chinês, Leo Poon, cientista da Universidade de Hong Kong, descobridor do vírus, a origem da doença veio de um animal para depois se espalhar pelos seres humanos.

Poon definiu o coronavirus como um grupo de vírus muito comuns em animais. Semelhante a uma gripe comum, os principais sintomas do coronavirus ataca o sistema respiratória, provocando tosse, coriza, dor de garganta e às vezes dor de cabeça e febre. A transmissão entre humanos acontece geralmente pelo contato com as secreções da pessoa infectada, como a gotícula da tosse.

Por enquanto, não existe tratamento, porém as pesquisas estão intensificadas. e logo, logo trarão bons resultados. A China acredita que o pior já passou e tudo indica que muito em breve possa resolver as consequências econômicas e de saúde da população chinesa.

O maior problema do Brasil é o relaxamento com a limpeza de ruas, canais e a ausência da vigilância sanitária. Como as políticas públicas não são frequentes, quem paga o pato é o povo. A causa é a precária estrutura física disponibilizada para a população. Daí a superlotação nos serviços públicos, o sofrimento, as críticas e a decepção com os gestores que quando se despedem do cargo, deixam a imagem de incompetentes. Por terem trabalhado durante a função somente para si.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

AÇAÍ

Foi a partir do século XV que o brasileiro começou a ter contato com o trabalho. O país era habitado por tribos seminômades que, para sobreviver, praticavam a caça, pesca, coleta e a agricultura.

Pensando em desenvolver o país recém descoberto e criar um sistema de administração, a Coroa Portuguesa iniciou a política de colonização. Dividiu o país em capitanias hereditárias e distribuiu entre os membros da nobreza alguns hectares de terra. Prova que naquela época, pobre já não tinha vez.

Como o sistema não deu certo, a Coroa resolveu criar o Estado do Brasil, em 1548, vinculado a um governo-geral. A sede colonial ficava em Salvador, Bahia. Nessa época, predominava o extrativismo do pau-brasil.

Foi quando a mão de obra escrava passou a ser utilizada, primeiro com os índios e posteriormente com os africanos. Foi aí que Pernambuco surgiu do nada com a exploração da cana-de-açúcar. A notoriedade foi tão grande que de repente o estado figurou como o maior produtor de açúcar do mundo. Também pudera. Em 1549, Pernambuco já tinha trinta engenhos-banguê em pleno funcionamento.

No século XVII, descobriu-se as primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais. Com o poder econômico em ascensão, o estado mineiro libertou-se da Capitania de São Paulo e passou a fortalecer a sua própria economia.

Em 1808, chegou a corte portuguesa ao Brasil. Após a chegada, foram abertos os portos da colônia, fábricas foram instaladas e o Banco do Brasil apareceu. Era dada a arrancada para uma nova estruturação econômica do Brasil.

Por ser uma região pobre, cada estado nordestino caracterizou-se pela exploração de um produto básico. Produto básico na verdade é aquele que tem baixo valor agregado, porém intensiva utilização de mão de obra.

Cada estado nordestino mantém o seu esquema, visando garantir trabalho e renda para as pobres famílias do setor rural.

O Maranhão destacou-se com o plantio de babaçu. O coco, além de funcionar como suplemento alimentar, tem o óleo que é utilizado tanto na cozinha, como nas fábricas de cosméticos, detergentes e até no artesanato.

O que sustentou o Piauí por um bom tempo, foi a carnaúba. Pela sua importância, a palmeira é apelidada de a árvore da vida. Na seca, a carnaúba produz uma cera que é aproveitada na produção de cosméticos, plásticos, tintas, chips e códigos de barra.

O Ceará tira bom proveito de seus produtos básicos. A castanha de caju é altamente consumida no país. Depois da Bahia e Pernambuco, o Ceará tem o terceiro PIB mais forte da Região.

O Rio Grande do Norte também é forte na produção de castanha de caju, porém, é poderoso na exploração de jazidas de sal. Os municípios de Mossoró, Macau e Areia Branca são os maiores exportadores do sal marinho norte-rio-grandense para o mundo.

O abacaxi da Paraíba é o dez. Tomou o lugar do sisal que foi o rei do pedaço nas décadas de 50/60 no estado. Os municípios que mais produzem abacaxi Sapé, Mari e Mamanguape.

O estado de Sergipe, o menor do Brasil, tem no setor de extrativismo. O petróleo e o gás natural, são o seu forte econômico.

O destaque econômico da Bahia é o cacau. Nem a praga da vassoura de bruxa dizimou a lavoura. Com novas mudas, resistentes à praga da vassoura de bruxa, o cultivo do cacau deslanchou. Reconquistou o prestígio no mundo. Apesar do Pará avançar na disputa pela liderança cacaueira no país.

Agora a bola da vez é o açaí, especialmente para a região Norte do Brasil, particularmente Amazonas e Pará. O fruto da açaizeira é um superalimento e excelente fonte de antioxidantes. O açaí é muito utilizado na fabricação de bebidas, geleias, doces e sorvetes. O praticante de esportes descobriu no açaí, fruta exótica, um poderoso energético natural. Cheio de vitaminas e nutrientes, o açaí impactou no Brasil e vai desbravando mercado na América do Norte, Europa e Ásia para sustentar de trabalho e renda milhares de agricultores ribeirinhos da região.

É assim que o Norte e o Nordeste, pobre de recursos tem de se virar para não ser esmagado pela rica industrialização do Sul brasileiro.

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SEGREDO

Na antiguidade, os livros não existiam. Eram desconhecidos até no lado Ocidente do mundo. Então, para preservar e garantir a transferência do conhecimento e das descobertas do passado e da época para gerações futuras, os pensamentos eram escritos em pergaminhos.

Pergaminho é a pele de animal, caprino ou ovino, devidamente preparada para receber textos de documentos importantes.

Nessa época, Idade Média, os chineses ainda não tinham inventado o papel. Então, todo os assuntos de importância histórica eram transcritos em pergaminhos. A valiosa coletânea de textos, escritos há dois mil anos, foi descoberta no Mar Morto, no deserto da Judeia, nas proximidades de Israel. Transcorria a década de 50, porém os manuscritos ainda estavam em perfeito estado de conservação.

O Pergaminho do Templo, um dos maiores, na análise de especialistas, foi constatado que o estado de conservação do material era devido à mistura de sais, sulfatos e colágenos que dificultavam a invasão de microrganismos. Daí a conservação. Nos manuscritos constavam Livros da Bíblia judaica, além de regras da Lei Mosaica.

Mas, o que é o Mar Morto, um lago ou um mar de fato? Na verdade, o Mar Morto, distante 117 quilômetros de Jerusalém, é um imenso lago, com água extremamente salgada. Tão salgada que não permite qualquer sistema de vida em suas águas. Até os peixes que chegam pelo rio Jordão, no sul de Israel, morrem imediatamente no primeiro contato com o excesso de sal do Mar Morto, em seus 605 quilômetros de extensão.

Localizado no Oriente Médio, o mar separa Israel da Jordânia, na região conhecida por Palestina. Nesta área, 400 metros abaixo do nível do mar, está o Vale do Jordão, constituído por imensa depressão absoluta de terra, nas proximidades das Colinas de Golan.

Por possuir gigantesco grau de salinidade, com índice de sal superior a dez vezes mais do que existe nos oceanos, no Mar Morto é impossível alguém afundar. Por mais que queira, tudo nesse lago boia, flutua à toa. Da superfície não passa. Nem a pau.

O lado negativo do Mar Morto é a impossibilidade de existir vida. A exceção são as plantas halófitas, as únicas sobreviventes desse gigantesco lago. Vegetais bem parecidos com os que vivem nos mangues brasileiros, aproveitando a riqueza dos nutrientes desse ecossistema costeiro, cheio de lama escura, são utilíssimos para o planeta.

A existência do mar Morto atribui-se a falhas geológicas, derivadas de movimentos entre a placa tectônica da África e da Arábia. É graças à movimentação das placas que se formou a enorme abertura na crosta terrestre.

O impressionante é constatar que, embora seja desnudo de flora e de fauna, o Mar Morto fascina no turismo. Tanto no turismo religioso, por ter sido berço de valiosas histórias sagradas, quanto no turismo medicinal, em função dos sais minerais oferecerem poderes curativos.

Nas redondezas de Israel e da Jordânia foram construídos muitos spas, resorts e clínicas terapêuticas para atrair o turista. Por outro lado, o provável desaparecimento do Mar Morto, no futuro, incentiva as pessoas a antecipar a visita àquelas paragens para aproveitar o banho de lama, dotado de propriedades medicinais.

Por ser um lugar diferente, exótico, o Mar Morto atrai. Não é recomendável nadar, passar mais de trinta minutos em suas águas, molhar os olhos, senão o cara se arrepende. Chora de dor. No entanto, o turista encontra mil encantos. Nas proximidades, fica o Ein Gedi Beach, um belo oásis que contempla o visitante com magnífico jardim botânico em pleno deserto.

O lugar é paradisíaco. Exibe extraordinária vegetação e duas propriedades naturais. A água é cristalina e a lama negra possui propriedades cosméticas. É curativa, terapêutica e revitalizante.

Aliás, na reserva de Ein Gedi, o turista topa com grutas, cachoeiras nascentes e densa vegetação, apesar do ambiente ter clima de deserto.

No deserto da Judeia, o visitante pode passear pelas falésias, de jipe, e acampar para curtir uma bela noite, debaixo do céu estrelado do deserto. Outra atração bastante procurada em torno do Mar Morto é fazer rapel no Cânion da antiga cidade de Qumran para lá do alto admirar as antigas ruinas do local.

Assim é o Mar Morto, um verdadeiro paraíso na Terra. O fenômeno proporcionado pela natureza, coberto de água parecida com um óleo denso, que hidrata, oferece extraordinário relax a quem quiser desfrutar de suas extraordinárias potencialidades.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DESCONTROLE

O desarranjo das contas públicas, embora seja mantido em segredo pelos falsos gestores, é público e notório. Só não ver quem não quer. Basta analisar as contas de estados e municípios para constatar a verdade mascarando diversas irregularidades.

Antes do Plano Real, a desarrumação financeira no setor público era causada pela inflação. O Orçamento vivia sofrendo bombardeios diretos. Chovia arrumadinhos para esconder a real situação.

Agora, apesar de serem alimentadas pela alta carga tributária, as despesas públicas crescem vertiginosamente, Afetam os investimentos, abalam a serenidade social no país.

Afinal, as constantes alegações da falta de recursos tornaram-se um assunto tremendamente rejeitado pelo cidadão, que acredita ser conversa pra boi dormir. Mas, depois de descobrir a desonestidade de gestores de meia tigela, as mentiras apareceram. As máscaras caíram. A real situação foi revelada.

Na verdade, depois que o governo perdeu a condição de permanecer imprimindo dinheiro para financiar seus programas meramente políticos, os pensamentos mudaram. O despertar desta nova descoberta deu para a sociedade perceber dois importantes detalhes.

O panorama nacional no quesito fiscal não escapou da deterioração. Bagunça total. As perdas orçamentárias eram encobertas por manobras políticas que não produziam nenhum efeito positivo. Muito pelo contrário.

Embora tivessem aumentado a carga tributária entre 1994 e 2012, ao elevar os impostos de 27,9% para 35,6%, a situação não melhorou, em absoluto. Continuou claudicante. Cada vez pior.

Por sua vez, o desajuste estrutural continuou se degenerando, cada vez mais. Apesar dos repetidos alertas de analistas, que desde 1980, clamavam sobre a necessidade de o país fazer urgentemente algumas reformas, inclusive, a da Previdência. Alerta que entrava por um ouvido e saia pelo outro, sem ser levado em consideração pelos governantes que assumiram o Poder daquele ano pra cá.

Não adianta governo algum berrar que fez isso e aquilo para consertar o país porque chuta mentira. Não fala a verdade, encobre o medo de comprometer o nome político. Os dados mostram o lado inverso da questão. No período em foco, a renda familiar parou de crescer e o PIB per capita permaneceu enfraquecendo.

Aliás, o tão propagado período fértil, que alegam ter acontecido entre 2004 e 2010, não passou de um sonho. Uma quimera deslanchada. Como não imaginaram que a escassez de poupança era temerária. Não garantia a ausência de recursos, o barco furou e submergiu, justamente por não terem segurado as pontas dos gastos obrigatórios que continuaram crescendo. De forma ascendente. Daí a dureza nas questões orçamentárias nos dias de hoje para tentar segurar a barra pesada.

Espanta o assustador aumento das despesas do Estado entre 1997 e 2018. O custo da máquina administrativa cresceu 917%, ao contrário da inflação que só registrou 508,1% em pouco mais de duas décadas.

Outro desgastante costume dos gestores se relaciona ao descumprimento da Lei de Responsabilidade fiscal. Apesar da norma dispor de boas recomendações, os gastos governamentais continuam excessivos. Avolumam os rombos e dificilmente o país pune os irresponsáveis.

O excesso de gastos talvez comprometa 80% do Produto Interno Bruto até o final do ano. O que seria um desastre.

A prova está no Ceará. Dos 184 municípios, o TCE do estado comprova que 63 prefeituras gastaram além do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal com o pagamento da folha de servidores ativos, inativos e terceirizados. Numa clara demonstração de total descumprimento da Lei.

O brasileiro festeja os 25 anos do Plano Real que abateu a fúria da inflação. Mas, não segurou as pontas das contas públicas que desembestaram. Permanecem desequilibradas para dessossego do país e da população. Sempre enrolada com as más políticas públicas.

O forte do Plano Real foi comemorar a substituição de seis fracassados planos econômicos, lançados entre 1986 e 1994. Cruzado, Bresser, Verão e Collor, com direito a repeteco.

A derrubada da gigantesca taxa de inflação de 1993, que chegou a 2.477% e depois de anos de vigência, caiu para apenas 47%.

Antes do Real, o Brasil conviveu com oito moedas. Réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro novamente, cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real.

O Plano, aguerrido, enfrentou três crises internacionais brabas e conseguiu escapar, mesmo chamuscado. Afrontou a do México, em 1995, a Asiática, de 1997 e a crise da Rússia, em 1998.

Para não comprometer a estabilidade da economia, criaram a taxa Selic que tem dado certo. Tem conseguido dominar a fera inflacionária. Nos 25 anos de ação do Real, a inflação, aferida pelo IPCA, entre julho de 1994 a abril de 2019, chegou a 507%.

O bom é que apesar dos incômodos causados à sociedade, o Plano Real conseguiu se manter na estrada da vida. Venceu a intolerável hiperinflação, acabou com as constantes cortadas de zero na moeda em vigor.

Fatos que corroíam a economia brasileira e o sossego da população. Por fim, segurou a desalmada pelo rabo e mandou as remarcações de preço para o quinto dos infernos. Sem deixar um pingo de saudade para a sociedade que, finalmente, se livrou de um tremendo abacaxi.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DINAMARCA

A Dinamarca, terra dos vikings, tem qualidades. A economia é de primeira linha. O desemprego é de menor porte. O povo recebe um dos mais altos salários no contexto mundial. O índice de satisfação da população é elevadíssimo. A expectativa de vida é alta, ultrapassa 79 anos, em média.

Diversos aspectos tornam o Reino da Dinamarca, governado por uma monarquia com sistema parlamentar, um país encantador. Cheio de belíssimos panoramas, históricos castelos e palácios deslumbrantes. Por sua vez a cultura e a culinária dinamarquesa, aliadas às belezas naturais, elegem este país como destino certo no setor turístico.

A qualidade de vida da sociedade é tão magnífica que mendigo nas ruas é mosca branca. Não existe. A mendicância afronta a dignidade da sociedade. Dificilmente aparece um pedinte nas avenidas e caso seja flagrado dando sopa nas vias, é cadeia na certa. Não tem escapatória. Segundo as tradições locais.

O dinamarquês tem uma filosofia básica. A mendicância é intolerável, aborrece o pedestre. Quando o estrangeiro invade as ruas, geralmente se torna agressivo com as pessoas, o que não é admissível no país nórdico.

As pessoas creditam na educação, saúde e, sobretudo, na renda, a razão do contentamento geral. A prova são as boas relações sociais até com as instituições, especialmente com a Polícia, o Judiciário e a política. Para ninguém ser jogado para escanteio.

Na lista de extensão territorial, a Dinamarca ocupa a 133ª posição mundial. As terras são praticamente planas, pois existem reduzidas elevações territoriais. Foi graças à bravura dos guerrilheiros vikings que o país cresceu em tamanho.

Na Segunda Guerra Mundial, o país foi ocupado pelas forças alemãs. Mas, com o fim das batalhas mundiais, o país reconquistou o poderio. Na prestação de contas, um ex-primeiro ministro caiu em desgraça. Não conseguiu comprovar uma despesa de apenas 145 dólares. Enquanto isto as autoridades brasileiras, viajam pra cima e pra baixo nos aviões da FAB, muitas vezes desnecessariamente. Apenas por vaidade.

Em 2017, o país escandinavo foi classificado como um dos mais prósperos do planeta em função de oferecer boas oportunidades no empreendedorismo e nas ofertas de empregos. A Dinamarca mantém a educação como um primor de compromisso, conserva o paisagismo livre de contaminação para não afrontar a aproximação com a Alemanha e a Suécia, países fronteiriços.

Desde 1973, a Dinamarca faz parte da União Europeia. No entanto, fez questão de permanecer com a coroa dinamarquesa, como moeda oficial. As relações comerciais da Dinamarca são fortes.

A economia dinamarquesa tem expressiva exportação com a Alemanha, Suécia, Grã-Bretanha, Estados Unidos e a Noruega. Apesar do transporte público ser eficiente, a população adora andar de bicicleta para se locomover por Copenhague, a capital do país.

As maiores qualidades do povo dinamarquês são honestidade, simplicidade, confiança, segurança, liberdade de expressão e sexual. O bem-estar social é indiscutível. Permite o conforto, a felicidade coletiva e a sustentabilidade.

O único inconveniente na Dinamarca são os preços, caríssimos. Mas, em compensação os salários são altíssimos. Cobrem os gastos necessários. Sem forçar as pessoas ao endividamento.

Devido aos altos preços de aluguel, de supermercado, da gasolina, água, energia, internet e academias de ginástica, o custo de vida na Dinamarca é um dos mais altos da Europa.

Mas, existem compensações. A inflação, sob controle, é baixa. O Estado, ao contrário do Brasil, pouco interfere na economia. Deixa que a iniciativa privada administre os seus problemas. As contas públicas são equilibradas, o desemprego é baixíssimo e a mão de obra é de alta qualidade. Bem formada. Em virtude do alto grau da educação.

O que orgulha o dinamarquês é o PIB. Desde 2010 vive num estágio de constante crescimento. Por isso, no quadro de países ricos, a Dinamarca ocupa a 23ª posição. A população oscila em torno de seis milhões de pessoas.

Embora conte com poucos recursos naturais, a economia dinamarquesa é destaque no setor de serviços, bancos, educação, assistência médica e em produtos manufaturados.

O país é bamba na produção de maquinaria, alimentos processados, metais, materiais impressos e em produtos de borracha e de plásticos. Não é à atoa que a Dinamarca se esmera em explorar uma agricultura de alta tecnologia, uma indústria moderníssima, um nível de segurança social exemplar e uma balança de pagamento de fazer inveja a muitos países do mundo. Apesar de ser pequena no tamanho.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

CASSINOS

O homem alimenta muitos vícios na vida. Um deles, é o de disputar a sorte em jogos de azar. Existem vários tipos de jogos de azar ou de apostas. O bingo, a rifa, o baralho, as loterias que exploram os jogos esportivos, tidos como de pura diversão, as máquinas de cassinos e os mais conhecidos de todos, o jogo do bicho.

No jogo, existem duas possibilidades para o jogador. Ganhar ou perder. A sorte ou o azar depende de probabilidades matemáticas. Para sair vitorioso, o ganhador tem de contar com o azar do perdedor, já que não existe uma técnica aprimorada que garanta ganhos sequenciados.

Porém, uma coisa é certa. Só perde quem joga e a história é clara ao assegurar que muito jogador alisou, torrou riquezas, devido à constância nos jogos. Na maioria das vezes, perder dinheiro com frequência, e raramente ganhar acarreta riscos, riscos, incertezas e transtornos. Apesar dos 200 milhões de reais da mega-sena fascinar o país.

Sob a alegação de que o jogo fere a dignidade humana, o Brasil proibiu o jogo desde 1946. Então, a partir dessa data, o jogo do bicho passou a ser classificado como contravenção penal, sujeito a prisão. Por isso, até o momento, os cassinos são proibidos de se estabelecer no país. Todavia, o próprio governo comete infração ao administrar jogos de loterias.

Os jogos de azar surgiram no início das civilizações. O que determina o jogo de azar é a casualidade. Os jogadores fazem apostas com o intuito de ganhar, jamais de perder. E quando perde, dana-se a jogar mais na tentativa de recuperar o prejuízo. Reaver o valor perdido.

Mas, muitos sofreram perdas consideráveis com o jogo de azar porque na ânsia de recuperar as perdas, o jogador acaba dilacerando as finanças pessoais. Torra salário, poupança, investimentos e leva o jogador a contrair dívidas apenas para financiar o vício maldito do jogo.

Muitas vezes o jogador azarado se envolve em conflitos. Em vez de julgar um bom passatempo, termina afetando as relações pessoais, foge das amizades com medo de encarar a realidade, descumpre responsabilidades, principalmente financeiras, cria desentendimentos familiares ou profissionais.

São várias as maneiras que tornam a pessoa um jogador inveterado, impulsivo. A ciência esclarece que a curiosidade, a ansiedade, a irritação, a excitação, a dependência química ou comportamental, são elementos motivadores que direcionam a pessoa para os jogos de azar.

Tramita no Congresso brasileiro projetos para a legalização dos jogos de azar no país. Tem muita gente torcendo para que a chegada dos cassinos não demore tanto. Afinal, está comprovado que dos 193 países membros da ONU (Organização das Nações Unidas), somente 37 proíbem[l1] os cassinos.

Esses, incluído o Brasil, rejeitam a ideia de faturar bilhões de impostos arrecadados com os cassinos. Entretanto, as nações que aprovam os jogos de azar, agradecem a geração de empregos, diretos e indiretos e o fortalecimento do turismo.

Nos Estados Unidos o impacto econômico é fortíssimo. Dos 50 estados americanos, apenas 10 desaprovam os cassinos. No entanto, a American Gaming Association vibra com a inscrição de 1000 cassinos operantes.

Las Vegas, uma famosa cidade turística dos Estados Unidos, apelidada de “Cidade do Pecado” transformou o deserto de Nevada em ambicioso paraíso. Como prova de progresso, a cidade vive do luxo de shows, musicais, circos, mágicos e lutas marciais que arrastam milhares de apreciadores nos engalanados hotéis da cidade.

Na China, Macau, a Vega chinesa, se deleita com 30 cassinos em pleno funcionamento. Ao todo no The Venetian, funcionam 3.400 máquinas caça- niqueis e 800 mesas de jogos. Todavia, Hong Kong não fica atrás. Os seus cassinos se esmeram em sofisticação e luxo, visando atrair gigantesco número de jogadores. Sempre.

No mundo, os mais famosos cassinos se espalham por Mônaco, Uruguai, Baden-Baden, Alemanha, Bahamas, África do Sul, Cingapura e Melbourne, Austrália.

No Brasil, dos 513 deputados da Câmara, um pouco mais de 200 se mostram favoráveis à legalização dos cassinos e jogos de azar. Contudo, os parlamentares contrários à ideia, defensores do pensamento “A jogatina leva ao vício e o vício destrói famílias” são contrários, até a morte, à provação do projeto. Pretendem proibir o retorno dos cassinos no Brasil. Julgamento ruim para um país que precisa de recursos financeiros para solucionar os seus terríveis problemas sociais. As massacrantes desigualdades.