CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SISTEMA S

Transcorria o ano de 1940, e insatisfeito com a falta de mão de obra qualificada, o país vivia procurando em cada esquina, um profissional capaz de desempenhar determinada função no setor produtivo. Na maioria das vezes, não achava o técnico pretendido. Aí, tinha de improvisar, preparando o futuro profissional na própria empresa.

Sem bem que com menor consequência. O problema é que na qualificação, perdia-se tempo para deixar o profissional habilitado. A carência de pessoa capacitada, era um dos piores quebra-cabeças do mercado de trabalho brasileiro do passado. Inconveniente, ainda persistente na atualidade, embora o Sistema S tenha contribuído para amenizar os impasses.

Preocupado com a dor de cabeça das empresas que passavam vexames, um cidadão iluminado teve a feliz ideia de criar o Sistema S. O Sistema S é um grupo de organizações, constitucionalmente definidas, com a finalidade de preencher lacunas. Formar, capacitar e requalificar pessoas no campo profissional para atender aos interesses da indústria, comércio e do setor de serviços.

Além da formação profissional e promover o trabalhador a nível pessoal, o Sistema S se estende em outros campos. Presta assistência técnica e social, faz consultoria e também oferece assistência na educação básica, no lazer, cultura e dar alguns passos no campo da saúde.

Existem nove organizações das entidades corporativas, dedicadas no treinamento profissional.

Tem o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sesi (Serviço Social da Indústria), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), Sesc (Serviço Social do Comércio), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Senat (Serviço Nacional de Apredizagem de Transporte), Senar (Serviço Social do Transporte), Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo).

As cinco principais instituições surgiram em 1940, porém as quatro restantes, Senar, Senat, Sest e Sescoop só aparecerem com a Constituição de 1988.

O Sistema é autônomo, e embora mantido pela iniciativa privada, o valor mensal é obtido da folha de salário dos funcionários das empresas. O recolhimento segue junto com os tributos do INSS. Compete ao Ministério da Previdência fazer a distribuição para as respectivas Confederações Nacionais.

O repasse mensal pelas empresas é fabuloso. Em 2018, a arrecadação fechou em R$ 17 bilhões. Então, insatisfeitos, diversos governos tentaram mexer no montante das contribuições, sob a desconfiança se de fato o total recebido pelo Sistema S chegava a financiar também alguns serviços essenciais da maioria da população.

O Sistema S deu uma bobeira. Passou a cobrar mensalidade em alguns cursos, que deveriam por lei serem gratuitos. A primeira investida ocorreu em 2008, quando o governo central tentou comer uma bolada dos recursos do Sistema S para aplicar em outros fins.

A saída foi o Sistema se comprometer em investir mais da metade dos recursos recebidos em cursos de formação, gratuitos, para a população. Em 2015, o governo do PT voltou a sonhar com alguma fatia do gordo repasse mensal do Sistema para equilibrar as contas públicas, totalmente desequilibradas. Os empresários chiaram, rejeitando qualquer tipo de acordo com o governo, que temendo rebordosas, calou-se.

Como todo serviço destinado ao público, o Sistema S também tem virtudes e defeitos. Uma das virtudes é a promoção de atividades de aprendizagem e sociais. Porém, o Sistema não escapa das constantes cantadas para financiar campanhas políticas e garantir apoio na aprovação de leis favoráveis a determinados grupos no Congresso.

Por outro lado, surgiram críticas sobre o empreguismo (cabide de empregos) de parentes de políticos em altos cargos e os gordos salários pagos aos seus servidores nessas organizações. Alegam os críticos, alguns salários ultrapassam o de governadores, especialmente do Nordeste.

Por isso, o Congresso recebeu propostas para reformular o Sistema S que virou vítima dos ataques de partidos políticos. Em vez de profissionalizar mão de obra, prestar assistência social nos campos da saúde, do ensino, da técnica e da pesquisa, as organizações S passaram a financiar campanhas e comprar prédios, alguns inclusive já abandonados, e sofrer desvios de milhares de reais para outros fins.

Então, para acabar com a farra com os recursos do S, as propostas querem dar transparência no orçamento e na distribuição dos recursos. Obter, especialmente critérios de governança e de arrecadação.

Na proposta da reforma tributária consta a ideia da desoneração da folha de pagamento, mediante a redução da contribuição das empresas para essas instituições. Aí, o bicho vai pegar.

Resta saber se algum iluminado apresente uma proposta decente para acabar com a malversação do dinheiro público. A ganãncia em comer sempre mais.

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DINHEIRO PÚBLICO

O dinheiro público é a mola que impulsiona o bem-estar social. Quando bem aplicado, constrói estradas, facilita a vida da população, escoa a produção, incentiva o turismo, enfim, move a economia. Bem administrada, a grana em poder do Estado oferece ouros bons serviços. Educação de qualidade, saúde de primeira, saneamento para evitar alagamentos nas ruas, além de manter um serviço de segurança capaz de tranquilizar a população.

Mas, infelizmente, a cultura do país, desde o tempo do Brasil colonial, é contaminada por atos de corrupção. O intuito das autoridades da época era roubar as riquezas brasileiras. Então, sem alternativas, a população de então sentia-se obrigada a fazer donativos e pagar pesados tributos aos colonizadores.
A coisa era tão feia que Rui Barbosa, no início do Brasil República, por volta de 1914, denunciava a traquinagem, berrava contra a esperteza, a injustiça e a desonestidade tão arraigada no Brasil de outrora.

O danado é que a mania pegou. Viciou muitos homens públicos. O tempo passou, o país se modificou, no entanto, o vício do roubo nunca mais acabou.. Permanece ativo. Esfacelando o patrimônio nacional através do superfaturamento, desvio de verbas, desvio de função, abuso de autoridade e tráfico de influência. Por isso, os projetos sociais de envergadura demoram anos para serem concluídos.

A culpa é do Estado que, passivo, aceita a roubalheira. Não dissolve as irregularidades. Não toma atitude em tem hábil, e quando resolve reagir, a turma do contra logo se manifesta, tentando neutralizar as ações punitivas.

Nem os inúmeros órgãos criados para estruturar a deficiência existente, revigorar a legislação vigente, fiscalizar a aplicação do dinheiro público nas obras, impedem a catastrófica ladroagem. Observe que tem muitos órgãos com a missão de impedir as sacanagens políticas. Todavia, ficam na deles, sem tomar iniciativas. No Rio de Janeiro, a comilança do dinheiro público invade o serviço público. A Lava Jato, combatida, é a comprovação do desmonte das decisões do Judiciário.

Um dos males da corrupção é o encarecimento dos projetos. A elevação do preço através das licitações. A malandragem dos homens públicos que não valorizam o dinheiro público, geralmente escasso para as necessidades do país carente, cega os órgãos fiscalizadores dos recursos arrecadados, desrespeita o cidadão, fere a Constituição de 1988.

As autoridades, geralmente, aproveitam a facilidade dos estados durante a fase de calamidade pública para relaxar a necessária inspeção sobre a aplicação dos recursos financeiros. Apesar de Lei federal, deste ano, determinar que os contratos emergenciais devem ser identificados nas áreas específicas dos governos.

A população deve se conscientizar de que também tem papel preponderante na aplicação dos recursos públicos. A vigilância deve ser ativa nos portais de transparência, a desconfiança sobre irregularidades deve ser constante, embora o modelo tributário nacional seja realmente complexo e pouco transparente.

O cidadão deve se interessar por gestão fiscal. Ser participativo nas questões que envolvam a geração, a aplicação e a fiscalização dos recursos públicos. Compreender o motivo sobre o pagamento de tributos. Entender a importância de recolher os impostos para manter as atividades do Estado em plena ordem.

Afinal, é a tributação que financia o Estado na realização de obras. Como não negocia, o Estado cobra taxas, contribuições e impostos do cidadão e de empresas para ter caixa, pagar as despesas obrigatórias, disponibilizar serviços públicos essenciais à população e girar a economia.

Embora o homem público tenha a mania de desrespeitar, mas o dinheiro do Estado é útil e merecedor de respeito. Portanto, deve ser gerido com moralidade. Os gastos públicos devem ser controlados para evitar exageros, descontrole das contas públicas e, sobretudo agressão à moral, ética, caráter e honestidade dos gestores.

Desrespeitar as Leis é a coisa mais normal nos poderes brasileiros, federal, estadual e municipal. Salvo raras exceções, os gestores costumam superfaturar obras, usar a máquina pública em proveito próprio e de grupos políticos apadrinhados, sustentar cabides de empregos, interagir com negociatas para sustentar esquemas.

Por conta de péssimas administrações, o Brasil sofre com mazelas. É o país das filas, o idoso é desconsiderado pelo Estado, ao contrário do Japão, onde a velhice á tratada com respeito, atenção e dignidade.

A diferença entre o Japão e o Brasil é que no país nipônico, a cultura da transparência e da prestação de contas pelo poder público são levadas a sério. Enquanto houver mais Estado e menos participação da sociedade nos interesses nacionais, o dinheiro público é sugado. Jamais respeitado.

Lamentavelmente, o brasileiro ainda não atinou para a importância da educação fiscal. Instrumento que permite ao cidadão compreender o limite de seus direitos e deveres fiscais. Entender a funcionalidade social dos tributos, a fim de acompanhar de perto a maneira como os recursos públicos são investidos.

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DESEQUILÍBRIOS FISCAIS

O maior defeito do Estado é não saber gerar riquezas. Então, para cobrir a deficiência, cabe aos governos efetuar gastos. Mas, sem desperdiçar, lógico.

Como o capital sempre foi um fator de produção, gastando os recursos disponíveis, os gestores movem a economia. Geram empregos, aumentam a renda, estimulam o consumo, energizam a produção, acionam o giro econômico, promovem o crescimento da economia de um país.

O que tem prejudicado o país é a visão populista contemporânea. Ideologia política vidrada na demagogia, cujo fundamento é impressionar o povo. Fabricar e perpetuar lideranças interessadas em se perpetuar no poder como salvadores da pátria. Sem eliminar os male sociais.

A missão desses “defensores” da razão é motivar e atrair os incautos que se deixam levar pelos discursos bonitos para esconder a realidade. Evitar cobranças rígidas pela falta de ações, culpando outros fatores externos para encobrir a desídia governamental.

Todavia, o maior erro dos governos populistas é se meter em delitos, atos de corrupção, acobertados pelas mazelas sociais cultivadas pela ignorância popular e pela esperteza de gananciosos homens públicos, cujo propósito é se aproveitar das oportunas ocasiões.

Desde 2014, o estado brasileiro dança na chapa quente. As contas públicas não batem. Ficam avermelhadas. Os estados e municípios vivem atolados em déficits primários. Apesar de tirar os gastos dos juros da dívida pública, as despesas públicas agigantam-se. Crescem mais do que as receitas. Conduzem a contas públicas a navegar em marés de decadência. Numa clara demonstração de que os impostos recolhidos, embora pesados e beirando na faixa de 33% do PIB, não dão pros gastos.

Entre 2011 e 2016, a dívida bruta brasileira cresceu abruptamente. Saltou para 76,5% do PIB, justamente no período do final de 2013 até 2018.

Quando se fala em dívida bruta, entenda-se o montante dos débitos dos governos, federal, estaduais e municipais adquiridos com o setor privado, bancos e o mundo em geral.

Então, espremido contra a parede, com a falta de poupança privada, é lógico que faltam recursos para o setor público investir em infraestrutura capaz de gerar renda e emprego.

Não tem mistério, a mola que impulsiona o progresso são os recursos financiados pela poupança real. Quando faltam, atropelam a produção de bens de consumo e de serviços. Expandem o desemprego, comprometem o bem-estar das pessoas, encurtam a vida, engrossam os tormentos pessoais em virtude dos problemas físicos e emocionais do cidadão se expandirem.

O Brasil passou três décadas amargando dissabores. De 1982 a 2008, o país comeu chumbo grosso para se livrar da crise da dívida. Foi a época da dureza, dos baixos investimentos públicos, da carência de recursos para combater a pobreza, suportar a inflação persistente.

A dureza financeira impedia o país até de dar o tiro certeiro na criminosa hiperinflação. Por causa da miserabilidade, o Brasil teve de presenciar a progressão das desigualdades sociais, da moratória dos juros externos e dos calotes internos.

Daí a existência dos juros altos cobrados pelos bancos, a dificuldade para financiar o capital de giro das empresas, especialmente das pequenas e médias empresas.

Intrinsicamente, o país amargou os males do populismo que jura ter deixado bons resultados, quando na verdade, apenas confundiu alhos com bugalhos.

Tá na cara, o dinheiro funciona apenas como meio de troca. Enquanto o nível de produção de bens de consumo se mantiver crescente, via autofinanciamento, as anormalidades se afastam, e com a infraestrutura em expansão, as brechas sugadoras das riquezas se fecham automaticamente, fortalecendo as poupanças.

Nesta conjuntura, está claro que os verdadeiros geradores de riquezas são os poupadores, jamais os governos que funcionam apenas como intermediários na construção de infraestruturas. Caso demonstrem incompetência na distribuição dos recursos obtidos dos reais poupadores, os gestores se tornam na verdade provocadores de desequilíbrios. Maus exemplos, existem tem em todo canto. 

Este é o cenário que se tem observado na economia brasileira. Estados e municípios vivem com o caixa zerado e, sobretudo, endividados. O que causa justamente o descontrole financeiro é o desconhecimento administrativo e a vaidade política dos gestores sem a mínima condição de gerência com os recursos fornecidos pelos poupadores reais.

Era praxe no Brasil até recentemente. Os governos protegeram mercados e indústrias nacionais deficientes. A decisão visava dificultar a livre concorrência, fechar portas para a importação, rejeitar a entrada de inovações, contribuir para a economia permanecer atrasada em relação ao mundo, concentrado unicamente no avanço tecnológico, graças evidentemente à aplicação de conhecimentos voltados para a inovação.

Por uns tempos, o Brasil foi jogado no esquema da depredação por desconhecer a importância da concorrência, azucrinar o cidadão com burocracias, ignorar o valor do empreendedorismo, impor barreiras para a importação, distribuir subsídios para as empresas de amigos, cobrar pesados tributos, fechar os olhos para as novidades no mundo, tolher a liberdade de criação.

Foi da década de 90 em diante que o Brasil começou a se descontrolar financeiramente. Estados e municípios viram o dinheiro público sumir gradativamente. Então, para socorrer os endividados, aliviar a barra, a União socorreu os chorões, temendo a insolvência geral.

Mas, sem planejamento no curto prazo, o socorro federal derrapou. Levou estados e municípios a berrar novamente por outra ajuda financeira. Uma das causas que esvaziou o caixa dos gestores foi o aumento dos gastos obrigatórios com pessoal, educação e saúde, sobretudo, depois que perderam as chaves dos repasses das verbas da União para os estados e município dos três mecanismos repassadores oficiais de verbas. Fundeb, FPE e FPM. 

A esperança para mais de 70% dos brasileiros é a reforma tributária. A maioria da população joga todas as fichas para apagar a insegurança que rola no país.

A nova legislação tributária seja, de fato, capaz de regularizar um seríssimo obstáculo que dificulta a captação de investimentos. Tanto interno, quanto externamente.

Tomara as novas regras não venha atrapalhar a competição de mercado, possa facilitar a compreensão sobre os tributos pagos, reduzir a burocracia e, pincipalmente abrir brechas para estimular o desenvolvimento da economia brasileira. Tão atrapalhada por falta de estímulos.     

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

MISTÉRIO

Quem sonha em viver num país sério, não precisa ser mágico. Basta o cidadão exigir da sociedade um pouco de coragem, mais participação e menos omissão, seja justa, tenha ideias politizadas e aja com democracia.

Onde o povo é soberano, facilita o país atingir metas, realizar projetos, defender os seus direitos, decidir sobre que rumo tomar, resolver, enfim, qual o melhor caminho para solucionar os eventuais problemas. Poder, enfim, criar condições para perseguir os sonhos futuros.

Não basta eleger os seus representantes e soltá-los na arena política. Sem cobrança, o político vira a besta fera, se acha o máximo. Esquece os compromissos assumidos em campanha e passa a agir, baseado apenas nos seus interesses particulares. E o povo que se dane. Quem mandou votar no homi e dormir no ponto?

É através da política que a sociedade aspira coisas melhores. Então, como não pode agir diretamente, delega poderes para os autênticos representantes do povo falar, agir, trabalhar e traçar planos, tanto no poder executivo, quanto no legislativo. Com a esperança de se sentir seguro, caso necessite do judiciário, que no Brasil deixa a desejar.

Esse é o maior problema enfrentado pelo brasileiro. Depois de eleger o parlamentar ou gestor, o cidadão acaba esquecendo em quem realmente votou. Aí, se fechar os olhos, os planos vão pro brejo. Antes que a vaca tussa.

É o que realmente acontece nos bastidores políticos brasileiros. Cheio de direito e sem ser fiscalizado, o político vira as costas para a sociedade e se dana a fazer besteiras. Seguindo somente os seus princípios ideológicos. Tornando-se defensor estratégico de grandes empresas que financiam vários partidos políticos no Congresso nacional.

Como não participa das decisões, os interesses comuns e sociais são substituídos pelos interesses particulares. Quando era para beneficiar a coletividade, o político vira a casaca e só ampara os protegidos. O resto que se lasque.

Por isso, as instituições democráticas perderam a credibilidade. A sociedade, também perdeu o interesse em cobrar os seus direitos. Desinteressou-se em entender que a política, além de servir como instrumento para valorizar a cidadania, é também o aparelho mais indicado para solucionar as desigualdades sociais. A arma mais indicada para lutar pelo bem-estar da sociedade. Fortalecer o interesse público.

O que arranha a imagem do Brasil é a corrupção que não tem limites. A roubalheira sem fim, classifica o país como extremamente corrupto no conceito mundial. Esta definição colocou o Brasil na 79º posição no Índice de Percepções de Corrupção, no ano de 2016. A situação estava péssima, considerando encontrar-se atrás de três nações africanas, Botsuana, Namíbia e Ruanda.

Além da pandemia, outros aspectos atormentam o cenário nacional. A instabilidade política, o medo do investidor em investir, as crises simultâneas, as estimativas indefinidas e as barreiras tributárias afastam o crescimento econômico. Melam os parâmetros de produtividade.

Evidentemente que existem saídas para descomplicar a situação do país e iluminar o cenário nebuloso. Vencida a crise da saúde, com o domínio do Covid-19, as próximas etapas são combater as crises políticas, econômica e tentar recuperar o mais breve possível a perda da credibilidade.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

RECESSÃO À VISTA

Com a recessão não se brinca. A bicha é parada dura. Não entorta fácil. Contaminada pelo vírus da contração, se não for levada a sério, a recessão faz a economia recuar, lançar-se ladeira abaixo, rapidamente. Foi o que aconteceu no Brasil. Em 2014, o PIB caiu de maduro. O que derrubou o produto interno brasileiro foi a crise política, a alta do preço das commodities no mercado externo, que abalou as exportações do país, e a redução do capital estrangeiro, que desviou a rota dos investimentos para outros destinos. Longe do Brasil, que não oferece segurança.

Desprotegida, a economia, ao ser atingida pela recessão, foi a pique rápido. A estrela guia, de imediato perdeu a luminosidade e a robustez que exibia, enfraqueceu. Então, imprevidente e sem saída, o PIB brasileiro repetiu a dose em 2015 e também em 2016. A bordoada foi tão grande que o desemprego disparou. Atingiu a taxa de 13,7%, deixando mais de 14 milhões de brasileiros desamparados. Sem emprego.

O Brasil não aprende. Leva cacetada, mas não descobre o Norte. De tanto repetir os erros, vive desabando. Desde 2011, a pisada tem sido essa. Começou com a tal da nova matriz econômica que adotava as seguintes medidas. Pesada intromissão governamental na economia, redução da taxa de juros, aumento dos gastos estatais, concessão de subsídios e adoção de política de preços.

Quando o governo se mete em assuntos que devem ser geridos unicamente pela iniciativa privada, dar zebra. Sempre deu. Mas, descarados, os governos não tomam jeito. São intrometidos.

Como não demonstrou habilidade na questão, as medidas tomadas na década de 2010, geraram uma porrada de consequências negativas. Crise de sustentabilidade fiscal, elevação do risco-país e da taxa de juros a longo prazo. No entanto, a principal sequela foi a aterrisagem da incerteza, que enfraqueceu o consumo e os investimentos na economia.

Difícil esquecer as oito quedas trimestrais seguidas que a economia sofreu neste período. Também, não dá para ignorar a taxa de desemprego elevadíssima, especialmente depois da descoberta dos escândalos políticos, que trouxeram mais incertezas.

Houve governo que procurou tirar vantagem política da rápida melhoria econômica, gabando-se de ser o responsável pelo crescimento econômico, ocorrido na década de 2000 na economia brasileira. Porém, na época, fizeram questão cerrada de omitir as causas. O forte aumento do preço das commodities que a China importava em larga escala do Brasil. Os chineses compravam cada vez mais petróleo, minério de ferro e soja produzidos no país, despejando divisas na economia nacional. Favorecendo, então, os índices de crescimento.

Este desempenho, fez o Brasil esquecer, pelo menos, momentaneamente as reações negativas que a crise econômica global de 2008 espalhou pelo mundo, cujo início se deu nos Estados Unidos.

Essa crise, também conhecida como a crise financeira do capitalismo, vez que foi alimentada pela crise financeira internacional, foi eleita como a pior adversidade econômica do mundo, após o aperto provocado pela Grande Depressão de 1929. De triste lembrança, quando várias bolsas de valores do mundo quebraram.

Tudo começou com a bolha especulativa no mercado imobiliário. Não suportando a afoiteza do crédito bancário, que se ampliou extraordinariamente pelo mundo, e a recusa do banco central americano, o Federal Reserve (FED), em acudir o banco de investimentos Lehman Brothers, que passava por maus momentos, a bomba estourou, comprometendo a liquidez de muitos bancos comerciais.

O primeiro sinal veio com a certeza da quebra e falência do banco de investimentos dos Lehman Brothers, com sede em Nova Iorque.

Desde 1850, o tradicional banco atuava nos Estados Unidos, dando aquela força para o desenvolvimento norte-americano. Até que em 2008, não suportando os entraves da crise financeira internacional, deu adeus ao mercado. Despedindo-se para sempre do cenário norte-americano.

Caso se confirme de fato as previsões de nova fase de recessão no Brasil, especula-se com base em estudos do Banco Mundial, que essa será uma recessão de grande envergadura. Será, talvez, uma das piores da história brasileira.

Vale destacar as duas grandes crises que ocorreram no país. A de 1981, que estourou em consequência da dívida externa do país, e a de 1990, quando, na intenção de barrar a fúria da inflação que andava na casa de 84% ao mês, o governo Collor resolveu confiscar o dinheiro da poupança e das aplicações em overnight dos brasileiros. Os US$ 100 bilhões confiscados por 18 meses, cerca de 30% do PIB da época, deixou o cidadão puto da vida até hoje.

Todavia, alguns dados levam à possibilidade de nova recessão. O país caminha para registrar o sétimo rombo nas contas e a dívida bruta espanta ao atingir 76,5% do PIB.

Com a pandemia, muitas atividades produtivas foram paralisadas, eliminando diversas fontes de renda. Daí a necessidade de o país não parar com os programas sociais, tentar enfraquecer o rigoroso cordão da informalidade, lutar pela econômica, impedir a quebra de empresas, não esquecer que no primeiro trimestre de 2020, o país atravessou uma leve recessão, segundo a Fundação Getúlio Vargas, e torcer para que o desemprego não chegue aos 18% previstos.

Uma boa ação foi a adoção do auxílio emergencial, atualmente de R$ 600,00 que foi estendido até dezembro próximo.

Essas providências são as mínimas necessárias para o Brasil retornar aos trilhos, pular fogueiras, afastar-se do precipício à frente e “nem aceitar mais derrotas” conduzidas pelas politicagens ultrapassadas de governos anteriores.

Segundo os analistas, a economia brasileira será uma das últimas a entrar no eixo da recuperação, após a passagem do coronavírus.

Contudo, batalhando em tempo integral no combate ao desemprego e às desigualdades, centrar-se na retomada da atividade produtiva, trabalhar no saneamento dos gastos públicos e na recuperação da confiança perdida, já é meio caminho andado.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

LÍBANO

No extremo leste do mar Mediterrâneo, lá no Oriente Médio, está localizado o Líbano. O pais, da Ásia Ocidental, fronteiriço com a Síria e Israel, serve de ponto de ligação entre o continente asiático e a Europa. As terras libanesas serviram de abrigo para diversas civilizações antigas. Por lá passaram povos como os fenícios, assírios, persas, gregos, bizantinos e turcos otomanos.

Os primeiros sinais de civilização surgiram faz um tempão. Segundo a história, há 7000 anos. Quem primeiro apareceu por aquelas bandas, foram os fenícios, uma das mais importantes civilizações da Antiguidade.

Durante 2.500 anos, os donos do mar, como era conhecida a civilização fenícia, em virtude da habilidade na navegação marítima, os fenícios partiam de uma estreita faixa de terra, entre o Líbano e o mar Mediterrâneo, para comerciar, navegando a bordo de galés.

Mas, além da arte de comerciar, os fenícios inventaram o analfabeto, de onde se originou o alfabeto romano, o grego e o arábico. Além dessa potencialidade criativa, os fenícios fabricavam moedas e exploravam o artesanato.

De guerra em guerra, o Líbano atravessou eras, apesar de estar encravado numa região rica de História. Por ser vítima dos mais inflamados conflitos conflagrados no planeta nos últimos 50 anos, os libaneses são privados de total liberdade. Tem suas limitações, razão pela qual a maioria dos libaneses vive em outros países para fugir das guerras.

Junto com outros 14 países, o Líbano integra o Berço da Humanidade. Por isso, guarda importantes curiosidades históricas. A bíblia, livro sagrado para o cristianismo, teve o nome originado de Biblos, a cidade mais velha do mundo. Por ser uma cidade portuária, Biblos é importante para a economia libanesa.

Mas, além de Biblos, existe outra cidade com repercussão histórica. Qana, implantada numa área sob o controle da ONU, é registrada pela história como o local onde Jesus Cristo realizou o milagre de transformar a água em vinho.

No período do julgo Romano, Beirute, a capital do Líbano, na época conhecida como Berilos, recebeu a primeira Faculdade de Direito do Império Romano. Um redobrado privilégio.

Mais recentemente, em 1943, o Líbano era colônia francesa. Todavia, forçadas pelas circunstancias[l1], as tropas francesas, que ocupavam a região, se retiraram. A partir desse ano, o país experimentou uma etapa de calmaria e prosperidade.

A injeção de dinheiro vinda do turismo, agricultura e serviços bancários reforçou a prosperidade do Líbano. Em função do poder financeiro, o Líbano ficou conhecido como a “Suíça do Oriente”. Também por conta dos turistas, a capital Beirute recebeu o apelido de “Paris do Oriente Médio”.

No entanto, durante a Guerra Civil do Líbano, que se desenrolou no período de 1975 a 1990, a coisa ficou preta. Conflitos armados explodiram de todos os cantos. Combates e massacres, não cessavam, envolvendo comunidades religiosas e partidos. Com a invasão de Beirute, as Nações Unidas interviram para finalizar as divergências de opiniões, acabar com os combates, os massacres de civis e os atos terroristas.

O Líbano, duas vezes menor do que o estado de Sergipe, ficou dividido. Uma parte era supervisionadas pela OLP-Organização para a Libertação da Palestina, outra pelos cristãos e um pedaço pelos sírios.

O problema são os combates que não cessam. Não pararam com o encerramento da Guerra Civil Libanesa. Mantiveram-se inflamados nos anos subsequentes. Em 2011, eclodiu o conflito do Líbano.

É evidente, com as guerras, o Líbano perdeu prosperidade. As guerras destruíram metade da produção nacional. A economia se ressentiu, o país perdeu a condição de permanecer como centro financeiro regional. No entanto, após as guerrilhas, o país conseguiu recuperar a estabilidade política, base para partir para a reconstrução. Permitiu, inclusive reconstruir Beirute, detonada sete vezes pelos conflitos.

Mas, a República do Líbano ainda impacta. Apesar de tudo, o libanês tem o que comemorar. Pelo menos, abriga 18 comunidades religiosas. A população fala 3 línguas. O árabe, o idioma oficial, e mais o inglês e o francês.

A taxa de alfabetização é alta, passa dos 90%. A quantidade de universidades impressiona. São 41 universidades, entre públicas e privadas. A mão de obra é qualificada. A agricultura é forte. A vontade viver do libanês supera o medo de ataques repentinos das forças inimigas.

O PIB libanês é sustentado pelo turismo e o comércio, 60%, a agricultura, contribui com a participação de 20% e a indústria, também, 20%. Evidencia de que depois da onda de conflitos, a econômica libanesa pegou a reta. Tem mantido a taxa de crescimento variando entre 5,5% a 7%, graças ao bom desempenho do setor de serviços. Os bancos e o turismo, valorizados pelos indícios de fatos históricos, atraem o turista. No Oriente Médio, o maior padrão de vida é dos libaneses.

O incômodo é a dívida pública, elevadíssima. Outras coisas chatas no Líbano são o suborno, a corrupção, os pesados impostos, a raiva, a tristeza e a velha legislação em vigor.

Talvez por isso e, sobretudo pelas as guerras constantes que ferem a paz, a maior parte da população libanesa vive noutros países. Só retornando à terrinha para matar saudades, rever familiares e amigos.

As duas megaexplosões do dia 4 de agosto em Beirute, formaram um gigantesco cogumelo. Matou mais de 170 pessoas, número que pode aumentar, deixou milhares de feridos e outra enorme quantidade de desabrigados, atraiu a atenção mundial.

A onda de choque foi tão violenta que quebrou janelas, inutilizou equipamentos e danificou estruturas hospitalares.

Afinal, não estava no programa de ninguém, o armazenamento em segredo de 2.750 toneladas de nitrato de amônia, substância altamente explosiva, no porto de Beirute que, ao explodir, aniquilaram 15 mil toneladas de trigo, milho e cevada, que se encontravam estocados nos silos portuários, O estrondo, além de destruir completamente uma fábrica de farinha, instalada nas cercanias do porto, deve implantar uma braba crise alimentar no país e aumentar o medo da população. Já traumatizada com tantos conflitos intermináveis.

Agora, o Líbano, além de conviver com uma inigualável crise econômica, protesta contra a crise política. No momento, a sociedade lamenta a perda de alguns sonhos. O desejo de dias melhores, a esperança de alcançar o fim das guerras e a eliminação das fases de incertezas que periodicamente escurecem os céus do Líbano.

Todavia, apesar de tudo, o libanês acredita num futuro promissor. Permanece esperançoso.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

PREVIDÊNCIA

Quando o filho perde o apetite, anda dorminhoco e indisposto, a mãe logo pede auxílio ao médico. Em resposta à consulta, o doutor, após exames, receita, em geral, fortificante para o garoto recuperar o ânimo e voltar a correr como um verdadeiro atleta. Cheio de gás. Como era antes.

Assim, também são os países, quando querem resolver seus problemas. Solucionar descontroles, reformar regras, atualizar normas, modernizar as leis vigentes. Na maioria das vezes, as medidas tomadas são drásticas e impopulares. Desagradam a população, que nunca é consultada se aceita ou não as inovações na legislação.

Em resposta, o governo faz ouvido de mercador, não dar bolas para as reclamações, argumenta a necessidade de mudanças, sob pena de acumular mais problemas. Então, o Poder Executivo acaba sancionando as novas medidas aprovadas pelo Congresso. Aceite ou não a sociedade. Goste ou não o povo.

Os três governos anteriores, também reformaram as normas da previdência. Mais modificaram muito pouco. Por isso, não repercutiram tanto como esta reforma, aprovada em 2019, e já vigorando, atualmente. A atual reforma é mais abrangente. Trouxe mudanças para quem está na agulha para se aposentar. Introduziu regras de transição para o trabalhador que já participa do sistema. Extingue a aposentadoria por tempo de contribuição.

Está claro que nos debates sobre a reforma, não existiu consenso. As opiniões divergiam. Umas a favor, outras, contra. Na opinião de analistas, a reforma foi fundamental para o Brasil. Os resultados devem começar a aparecer a médio e longo prazo, sobretudo para a população mais pobre.

Não tem mistério. Quem paga a aposentadoria é o trabalhador que está na ativa, mediante contribuição, compulsória ou não. Mas, como a população envelhece e o desemprego cresce, acaba faltando dinheiro para pagar as aposentadorias em vigor, já que a quantidade de aposentados, tende a crescer regularmente.

Então, para cobrir o rombo de R$ 150 bilhões por ano, panorama de momento do INSS, cerca de 2,3% do PIB, o governo tira dos tributos recolhidos e empresta o dinheiro, que é da sociedade, emitindo títulos públicos.

Todavia, diante da dificuldade para fechar a conta, vez que os velhinhos estão vivendo mais um tempinho, em função do aumento da expectativa de vida, o jeito foi reformar. Colocar ideias novas para não sobrecarregar o caixa do Estado.

A saída para eliminar o déficit previdenciário é a reforma, que reduzirá as despesas do governo. Desse jeito, é possível o país pensar em investimentos e incentivar a indústria a aumentar a produção para no fim das contas, elevar a receita tributária.

Aliás, desde 1980, o mundo inteiro passa por alterações no sistema previdenciário. Sem dar a mínima para o beneficiário, os gestores alegam o mesmo argumento. O envelhecimento da população.

Antigamente, predominava a população jovem. A população idosa, era pequena, comparada à juventude. Então, o que os países arrecadavam nas contribuições previdenciárias, davam para pagar as aposentadorias. Sem aperreio ou desequilíbrio financeiro.

Todavia, com o passar dos anos o quadro previdenciário se modificou. Atualmente, a quantidade de trabalhador jovem é pequena para sustentar o contingente crescente de aposentados, que triplicou nos últimos anos.

Hoje, faltam trabalhadores ativos. O número de contribuintes diminuiu, enquanto sobram aposentados. Estatística com tendência a crescer em função da fila de futuros aposentados andar acelerada. Não parar de crescer. É justamente isso que desequilibra as contas.

Existem dois modelos de previdência social em vigor no mundo. Tem o sistema de repartição e o de capitalização. O entendimento é fácil.

No sistema de repartição, as contribuições dos trabalhadores ativos pagam as aposentadorias dos inativos. O que é arrecadado pela Previdência, paga o benefício do aposentado e pensionista. Sistema mais usual na maioria dos países, inclusive no Brasil.

O outro sistema é o de capitalização. Nesta modalidade, o que prevalece são as poupanças individuais. Cada trabalhador deposita recursos numa conta própria. No momento da aposentadoria, é essa reserva que vai sustentar os benefícios do aposentado.

Muitos países foram forçados a alterar as regras de aposentadora. A França, que adota o sistema de repartição, remodelou o sistema previdenciário em 2010. A idade mínima aumentou para 62 anos. Aposentadoria integral, só a partir de 67 anos.

A Alemanha faz reformas previdenciárias constantemente. Reformou o modelo em 1992, em 2007 e em 2014. A idade mínima para a aposentadoria é de 67 anos. Na Alemanha, vigora o sistema de repartição.

A Grécia, também remodelou o sistema em 2010, 2012 e em 2016. A idade mínima pulou para 67 anos para homens e mulheres. O tempo de contribuição para aposentadoria integral é de 40 anos.

O Japão, cuja população maior é de idosos, teve de reformar, sob pena de desequilibrar as contas. Então, para equilibrar as contas públicas, a idade mínima exigida, desde 1994, é de 65 anos. Atualmente, o pagamento de benefícios previdenciários corresponde a 10,2% do PIB japonês.

O projeto de Reforma brasileira passou 9 meses transitado no Congresso. Perdeu muito em debates e discussões, possibilitando rápidas alterações no perfil previdenciário.

Os principais fundamentais para a reforma estão bem claros. Constante alteração do cadastro dos participantes da Previdência. Então, para evitar desequilíbrios financeiros, pouca gente pagando e muitos recebendo benefícios do INSS, exemplo típico do brasileiro, caso o país não aprovasse a Reforma, daqui a pouco não teria mais condições para garantir as aposentadorias e pensões do trabalhador.

Com a inovação, o futuro trabalhador e parte dos que já estão empregados, com carteira assinada, sofrerão reflexos na aposentadoria. O motivo tem explicação. O valor do benefício corresponderá a 70% da média da maioria dos mais altos salários recebidos pelo trabalhador, durante a vida ativa no emprego.

No entanto, para a economia, os efeitos são positivos. Equilibra as contas públicas, torna a economia confiável, estimula os empresários a investir. Com isso, gera emprego, aumenta o consumo, amplia as vendas, eleva a arrecadação, reduz as desigualdades futuras no sistema previdenciário.

Agora, acabou o tempo de contribuição. Aumentou a idade mínima para a aposentadoria. Mulher, 62 anos e homem, 65.

A outra dificuldade para o trabalhador pensar em aposentadoria está bem clara. O homem, só se aposenta após 20 anos de contribuição e a mulher, depois de 15 anos. Antes disso, nem milagre.

Doravante, o trabalhador da iniciativa privada se igualou ao servidor público. Uma coisa é clara. O projeto cortou uma bolada em direitos, é verdade. Todavia, reduziu também o valor do benefício, ampliou o tempo de contribuição. Apesar de duras medidas, foi o jeito, por enquanto.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

CACHAÇA

A civilização egípcia antiga, que viveu nas férteis margens do Nilo, especialmente a do período entre 3200 a.C. até 32 a.C. soube tirar proveito da fertilidade do rio.

Aproveitando as cheias do grande Nilo, os egípcios foram criativos. Na agricultura, então, deram show. Importada da Ásia, a cana de açúcar adaptou-se de imediato ao solo egípcio.

Com o domínio da cultura da cana, os egípcios partiram para a fermentação do caldo extraído da gramínea. Inicialmente para curar moléstias. Depois enveredaram para a fabricação da água que pega fogo. A água ardente.

Produzida em quantidade, a aguardente obtida da uva e da cerejeira foi exportada para a Europa e para o Oriente Médio. Depois introduziram a pinga extraída da cana de açúcar. Após a invenção de equipamentos para a fermentação do caldo da cana, os destilados também foram aparecendo mundo afora.

Na Escócia, o whisky, na Itália, o vinho da uva, na Rússia, a vodka de centeio e no Japão, o saquê de arroz. Para não ficar de fora das empreitadas dos destilados, como já dominavam o destilado da uva, os portugueses entram na dança e trazem a cana de açúcar para o Brasil.

Entre 1532 e 1548, os portugas instalam um engenho da Capitania de São Vicente para extrair a garapa da cana. Na época, os engenhos eram conhecidos como casas de cozer méis. No começo, o caldo que recebeu o nome de Cagaça era servido apenas para os escravos, posteriormente o nome da fermentação foi oficializado como cachaça.

Devido à importância comercial, a cachaça tornou-se moeda corrente. Servia para comprar escravos na África. De repente, os engenhos se espalharam pelo país. Dos 192 engenhos em funcionamento em 1585, o número passou para 349, no ano de 1629.

A cachaça nada mais é do que o caldo de cana fermentado e destilado. No processo de fermentação, o caldo é invadido por microrganismos conhecidos por leveduras. Os microrganismos transformam o açúcar da garapa aquecido em álcool.

É claro que existem diversos relatos sobre a origem da cachaça no Brasil. Um dia, cansados de tanto fabricar açúcar, os escravos do engenho resolveram parar um instante para o natural descanso. Enquanto descansavam, observavam que depois de passar pela tubulação do alambique, a garapa ou caldo de cana fermentava se transformando em vapores.

Na fermentação, na medida em que a temperatura variava, o caldo se evaporava e condensava. Neste processo, no teto do engenho formavam pingos de cachaça, que caiam. Daí o nome pinga dado à cachaça.

Alambique é um equipamento utilizado na produção de bebidas alcoólicas. Então, com a instalação do aparelho de destilaria foram surgindo ideias. Durante a passagem pela serpentina do alambique, o álcool se condensa e quando esfria, passa a pingar. O líquido obtido das primeiras pingadas é muito forte, geralmente causa problemas estomacais. É a chamada cachaça de cabeça, obtida de apenas 10% da condensação. Quem toma a cachaça de cabeça, sente o gole queimando, enquanto desce goela abaixo.

Quando o caldo de cana fervia, fazia subir à superfície uma espuma. Essa primeira espumada, era distribuía aos animais. A segunda espuma que aparecia no lado de cima do tacho, também de baixa qualidade, era destinada aos escravos.

Estudioso do tema, o historiador Câmara Cascudo logo deduziu. “onde moi um engenho, destila um alambique”. Segundo o historiador, foi em São Vicente, São Paulo, no Engenho São Jorge dos Erasmos que travaram a primeira experiência com a cachaça, no ano de 1532. Na oportunidade, misturaram espuma, melaço e água.

Tá na cara que o brasileiro é chegado a uma branquinha. Motivos, não faltam. A lista da curtição é extensa. Por lazer, esquentar o frio, curtir o momento, gostar de bicadas, beber por tradição ou sorver uns tragos no balcão para estreitar amizades de botequins.

Todavia, o prazer de beber uma pinga da boa virou paixão nacional. A “preciosa” é boa companheira nos instantes de divagação. Esquenta o ânimo, desinibe o tomador da “branquinha”

Na verdade, o destilado é apreciado por ter um gosto deferente. Ser o par perfeito para casar com qualquer tipo de tira gosto e, especialmente, por ser bem baratinho. O preço de uma talagada de cana não pesa no bolso de ninguém. Por isso, a “gengibirra” cai no gosto do povo. A cachaça é limpa. A “birita”, outro dos apelidos, é obtida quando se aproveita justamente a fermentação e a destilação do caldo de cana ou do melaço.

Realmente, produzir cachaça no Brasil é um bom negócio. Existem dois tipos de produção da cachaça. A artesanal e a industrial.

A artesanal, mesmo não dispondo de boas condições de produção e de padrão de qualidade, os apreciadores a qualificam como a de melhor sabor, graças ao alambique de cobre que é utilizado na produção.

A cachaça artesanal gera mais de 500 mil empregos. Minas Gerais lidera a produção nacional, enquanto a Paraíba é a campeã no Nordeste na produção de cachaça de alambique.

A cachaça industrial é destinada a um público de melhor poder aquisitivo. Por ser produzida por máquinas, tem padronização e fermentação, incrementada por produtos químicos. Em 2019, o Brasil exportou cachaça industrial para 167 países. Faturou US$ 14,4 milhões.

O título de estados mais produtores de cachaça no Brasil são Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

PROTESTOS

Finalmente, a humanidade resolveu botar pra fora aquela coisa que tava engasgada na goela. Em todo canto do mundo rolam manifestações, nos mais diversos idiomas, inglês, francês, japonês, mandarim, italiano, na língua russa e principalmente em português. A galera se une num só estribilho. Justiça. Fora o racismo, o autoritarismo, a ganância, a roubalheira e a truculência policial.

Mesmo girando a toda velocidade, o mundo quer paz, justiça, calma, paciência e proteção. As pessoas, independente de cultura e de comportamento, sonham com sossego, ordem, menor depredação no patrimônio público, menos roubo e violência, inclusive a policial.

A questão, agora pública, viralizou tanto que até o Papa Francisco resolveu intervir, emitindo opinião: “Não é hora de olhar as indiferenças e ficar calado”. Realmente, o momento pede irmandade e reação para exigir menos ganância e mais ação para evitar a depredação, principalmente do ecossistema.

De uns tempos pra cá, o mundo demonstra ter perdido a paciência. Por isso, faz explodir revoltas pelo globo terrestre. No ano passado, as estatísticas registraram várias manifestações de conflitos populares.

Na Bolívia, o povo afrontou a polícia por causa de manipulação de urnas. A oposição rejeitou o resultado das eleições de outubro de 2019, desconfiado de fraudes. A quarta reeleição consecutiva de Evo Morales provocou crise política. Então, o jeito foi Morales renunciar.

No Chile, o caos tomou contas das ruas centrais de Santiago. O povo, insatisfeito com a majoração no preço das passagens, tocou fogo em ônibus, saqueou lojas. A situação ficou tão preta que o presidente da época não teve outra saída, senão declarar estado de emergência.

No Equador, em virtude do cancelamento dos subsidio aos combustíveis, vigentes há décadas, a população provocou violentos distúrbios. O motivo da maior crise dos últimos doze anos no país, foi consequência de severas medidas econômicas recomendadas pelo FMI.

Todavia, a onda de protestos não se restringe apenas à América do Sul. Hong Kong, na China, importante centro comercial, movimentado porto e detentora de impactante polo financeiro também enfrentou distúrbios no ano passado. Os protestos culminaram em greve geral nos transportes públicos e nos voos internacionais. No aeroporto de Hong Kong, um dos mais movimentados do mundo, a coisa pegou fogo. Os tumultos, generalizados, de tão dramáticos, perturbaram a lei e a ordem no país por um bom tempo.

Mas, neste ano, de 2020, os protestos se multiplicam absurdamente por todos os cantos do planeta. Dois fatos repercutem intensamente. O racismo e a violência policial.

Em junho passado, eclodiram ondas de protestos por todos os cantos que nem a pandemia do coronavírus, matando gente adoidado, impediu os distúrbios de se espalhar pelo mundo afora.

Na França, a morte do jovem negro francês, Adama Traoré, ocorrida há quatro anos, de forma brutal, foi o estopim para reunir mais de 20 mil pessoas no Norte francês e deflagrar um tremendo confronto.

Na Austrália, a causa de manifestações de protestos foi o preconceito contra os aborígenes. De máscaras, os manifestantes protestavam respeitando a distância regulamentar, em obediência às medidas de prevenção contra o Covid-19.

No Reino Unido, bastou o Parlamento britânico suspender as atividades, conforme autorização concedida pela rainha Elizabeth 2ª, como chefe de Estado, para gerar discordâncias. Os manifestantes, sob o slogan “de assalto à democracia”, chegaram inclusive a pedir a renúncia do primeiro ministro britânico, Boris Johnson.

Da onda de protestos, nem as estátuas de figuras famosas da História, escaparam da fúria dos manifestantes. Em Londres, em plena Trafalgar Square, ativistas travaram confrontos contra policiais de choque com cães.

De um lado, grupos de extrema-direita, insultavam os manifestantes antirracistas, todos mascaradas por conta do Covid-19. Atordoadas com as manifestações de protesto, que escambavam para a violência e a desordem no centro londrino, as autoridades solicitavam ao povo que se mantivesse longe das praças de guerra.

Nos confrontos, nem a estátua de Winston Churchill, safou-se dos ataques. A estatura foi pixada com a frase “era um racista”. No entanto, Churchill, foi considerado líder da Segunda Guerra Mundial, É admirado por boa parte dos ingleses por ter exercido importante papel na derrota da Alemanha, de Hitler.

A morte, de forma cruel e desumana do norte-americano, George Floyd, 46 anos, em Minneapolis, no estado de Minnesota, provocada por um policial branco, abriu a boca do furacão nos Estados Unidos.

A ocorrência desencadeou protestos antirracistas em várias partes do mundo: Alemanha, Inglaterra, Canadá. México, Bélgica, Espanha e Portugal. A rejeição à truculência policial é tema crescente entre os ativistas.

A frase dita por Floyd, deitado no chão submisso e sem poder de reação, “Não consigo respirar” permanece no ouvido dos manifestantes que não se conformam com a barbaridade policial que matou Floyd, por asfixia.

Portland, no estado de Oregon, cidade mais progressista e mais branca dos Estados Unidos, também foi palco de manifestações de protestos antirracismo. Depois da chegada, então, de agentes federais, enviados pelo presidente Trump, a massa saiu às ruas, protestando.

O ato, incentivou a população a lembrar da década de 1920, quando a poderosa organização supremacista branco Klu Klux Klan realizava desfiles, cerimônias públicas e queima de cruzes. O interessante do grupo terrorista é a participação de membros que ocupavam importantes cargos no governo local.

Até os italianos, inconformados com os atos de arrogância no mundo, se reuniram na Piazza del Popolo, Roma, e de punho erguido, berravam “Sem Justiça, não há paz”.

No Brasil, os protestos têm acontecido de várias formas. Contra a política, contra os ideais antirracistas e antifascistas, contra as medidas de isolamento impostas pelos governos estaduais e o fechamento do comércio, e também contra a ditadura do STF.

Insatisfeitos, os manifestantes não se conformam com o tratamento dispensado por alguns governos que julgam os protestos como conduta de perturbação da ordem púbica e de terrorismo.

É isso o que dá o autoritarismo, o abuso de poder, as violações, a mania de policiais tirar a tarjeta de identificação na farda, contendo o nome e a graduação, num claro desrespeito à lei. Salvo raras exceções.

Ora, logo o policial, que tem o dever de proteger, garantir a segurança do cidadão e cumprir a lei. No entanto, nos atos de repressão, os agentes policiais agem anonimamente e armados até os dentes. Valorizando a impunidade e estimulando a violência.

A metade da população mundial tem bons motivos para andar insatisfeita com o declínio da democracia, a radicalização e as instabilidades política e econômica reinando absolutas em vários países, inclusive no Brasil. Também pudera. Tantos Poderes mandando, mas usando línguas diferentes que ninguém entende. Acaba levando o povo aos protestos. Com razão.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

MOMENTO CONTURBADO

O Brasil não tem sossego. Cheio de problemas, tenta dar uma ajeitada no meio da saraivada de desajustes, mas acaba levando novas cacetadas. É uma atrás da outra. Sem trégua. Mas, valente, raçudo, o país segue em frente, guiando-se pelo radar para não perder o prumo.

Por isso, acostumado com tantas desgraceiras, o brasileiro tem por hábito tirar um ronco, enquanto o pau rola solto por aí. Todavia, pensando que o pior passou, quando desperta o cidadão percebe que nada mudou no cenário nacional. Tudo permanece no mesmo pandemônio.

Agora, o cidadão anseia melhorias, trava contato com outra terrível situação. A Selic caiu de novo. Baixou para 2,25%. Atingiu o menor patamar da história que começou em 1996. É o oitavo corte em sequência e o quarto oficializado este ano

A medida do Copom surpreendeu até os gurus da economia que juravam de pés juntos que a tendência da taxa Selic era permanecer em 4,5% até o ano 2021.

Todavia, pode haver novos cortes, quem determina a condição é o cenário da economia, ainda dependente do andar da carruagem da pandemia.

Acreditavam os economistas infiltrados na administração de Corretoras que que o patamar da Selic estava consolidado. Portanto, até o ano de 2021, a Selic estaria imexível. Intocada.

Porém, não foi isso o que aconteceu. As autoridades monetárias rasgaram as previsões. Enroscaram as projeções. Cortaram a taxa mais uma vez, deixando os analistas perplexos, de boca aberta, diante da inesperada surpresa.

Parece até reprise do filme projetado pela primeira vez em 2016. De 14,25%, caiu para 6,5%. Porém em 2018 e 2019 deu uma paradinha, mantendo a taxa nesse patamar de 6,5%. Apesar do Banco Central ter feito mais 10 reuniões, sem fazer uma mudança, sequer.

Pela decisão de baixar a taxa para 2,25%, realmente, pouca gente esperava. Embora houvesse alguém viesse cogitando tal decisão no Banco Central. Já que existe espaço na economia para essa decisão. Com a medida, o câmbio oscilou.

A cotação do dólar aumenta tem aumentado ultimamente. O real tem se desvalorizado, o cenário externo estimula e o preço da carne, na época, tendia a se estabilizar.

A Selic é a taxa básica de juros. É a referência para manipular o crédito e os investimentos em renda fixa. Quando os juros voltarem a subir, com certeza anunciarão boas notícias.

A Selic sinaliza que a economia retomou o caminho do crescimento, o desemprego caiu e com renda maior, a sociedade aumentou o consumo. Sonho quase que geral na população brasileira. Mas, pelo menos no momento, diante das circunstancias, o sonho, a vontade do brasileiro não passa de devaneios.

Também os analistas creem que caso a taxa Selic volte a crescer, não deverá aumentar com força, com a mesma rispidez do passado que derrubou a economia nacional. Gerando inflação.

Nesse ponto, alguns detalhes estimulam os analistas a pensar diferente. No momento, os juros no mundo andam baixos, a economia brasileira apresenta sinais de eficiência e os bancos digitais estão focados em reduzir os juros para quem pretende investir ou melhorar o consumo.

Num ponto, os economistas concordam. Em virtude de a política econômica não despertar desconfiança de que navegue em maré alta, a economia e o emprego não apresentem, nem tão cedo, sinais de crescimento acelerado, senão acorda a pressão inflacionária.

De qualquer modo, o maior receio é o dólar ter ultrapassado a barreira de cautela, estipulada na casa de R$ 5,30. Comprometendo o risco de investimento no Brasil e assombrar o dragão da inflação.

De todo modo, o cidadão tem de ficar alerta, de olho no desenrolar de duas políticas econômicas. A política monetária e a cambial.

A política monetária, responsável pelo controle da quantidade da moeda, do crédito e das taxas de juros Selic) não pode afrouxar a vigilância, senão os juros dos financiamentos e dos cartões crédito ultrapassam as nuvens. Explodindo tudo. Este tipo de política, também conhecida como política monetária restritiva, tem o poder de desestimular o consumo e os investimentos.

Atualmente, o Brasil adota o tipo de política monetária expansionista. Com a taxa de juros baixa, a prioridade é estimular o consumo e o investimento. Com a intensão de atrair indústrias, favorecer negócios, estimular a construção civil, enfim, gerar emprego.

O que tem valorizado o dólar é a crise externa. A alta do dólar desencoraja o brasileiro a viajar para o estrangeiro. Encarecem as passagens aéreas, a hospedagem e, sobretudo as importações, em face do preço dos produtos internacionais ficar mais caro. Obrigando os empreendedores a comprar seus estoques no mercado interno.

Outra boa possibilidade é o incentivo ao turismo nacional. Com o Real desvalorizado, o Brasil pode ser escolhido como destino turístico pelos gringos por concluir ser vantagem visitar o país que oferece tudo mais barato em relação ao mundo. O problema é o coronavírus que mete medo e atrapalha as viagens.

A desvantagem da alta do dólar é elevar o preço do pão francês. Como o trigo é importado, automaticamente o preço do pãozinho francês também sobe. Encarece. Aí quem reclama e com razão é a dona de casa que nota o apertado dinheirinho brasileiro desaparecer pelo ralo.