CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

LONGEVIDADE

O sonho de toda pessoa é viver mais. Quantos mais tempo passar na Terra, rodopiando entre os seres vivos, desfrutando da atenção de amigos, ótimo. Quanto mais anos puder comemorar, melhor.

Não importa a idade, porém quanto mais velho o cidadão partir para o plano superior, beleza. Esta é a vontade geral, lógico.

No mundo, a expectativa de vida é variável. Depende de uma série de fatores. Questões estratégicas são levadas em consideração. A lista de critérios é extensa.

São analisados os critérios geográficos, demográficos, econômicos, sociais, militares, onde é analisada a quantidade de armas de fogo per capita, e por fim os critérios relacionados ao meio ambiente.

Nos países onde a população costuma envelhecer, passar da média de idade, os governos priorizam os investimentos em programas de saúde para atender os velhinhos nos momentos de necessidade. Já nas nações onde a predominância dos habitantes é constituída de jovens, compete às autoridades investir mais em educação para garantir um futuro melhor à juventude e consequentemente robustecer a economia local, tirando proveito do conhecimento intelectual dos jovens e de sua habilidade profissional.

Na mulher, há um detalhe impressionante. No sexo feminino, a expectativa de vida é maior do que a do homem. Geralmente a mulher morre mais tarde, segundo as estatísticas. Enterra os parentes masculinos, embora sinta na pele a dor da perda dos entes queridos.

De acordo com análise feita pelo Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), da ONU, para o período 2005/2010, o quadro de expectativa de vida no geral apresentava a seguinte composição. Evidentemente que, atualmente, a expectativa de vida é outra bem diferente.

No Japão era de 82 anos. Na Suíça, 81 anos. Na Suécia, 80 anos. Na Alemanha, 79 anos. No Brasil, 72. Na Rússia, 67 e em Serra Leoa, país da África Ocidental, a média de expectativa de vida era de apenas 46 anos.

No estudo, ficou constatado que Serra Leoa era o país com menor expectativa de vida no mundo. As causas eram derivadas dos problemas econômicos e sociais que forçam o país apresentar um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mundial. A pobreza extrema, vivida por 70% da população de Serra Leoa, aliada aos problemas familiares, levam a juventude a viver delicadas situações de vida.

Com relação ao Brasil, o IBGE analisou a situação referente à expectativa de vida do brasileiro e concluiu que, para o ano de 2015, a média de vida foi de 75 anos. Já em Portugal, a Organização Mundial de Saúde definiu a base de 81anos, realçando a esperança média de vida dos portugueses.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aprovado os estudos feitos pela Universidade de Tóquio, as razões que aplicam a longevidade na população nipônica são diversas. Dieta equilibrada, educação, cultura, política, economia e, sobretudo, a higiene diária das pessoas. Quer dizer o japonês leva o modo de vida seriamente.

Nem sempre, o japonês gozou de tanta expectativa de vida. Foi a partir da década de 50, quando o país implantou um sistema de desenvolvimento acelerado, que a situação melhorou significativamente.

O início da reviravolta no país do sol nascente começou em 1961. Os maciços investimentos feitos pelo Japão nos programas de saúde pública para combater gratuitamente a tuberculose e as infecções intestinais, além da intensificação das campanhas de vacinação em massa repercutiu na saúde do povo.

Com essas medidas, diminuiu bastante a quantidade de mortes por AVC-Acidente Vascular Cerebral. Outros benefícios que fortaleceram a saúde do japonês vieram através do controle da pressão arterial, dos conselhos para a redução do sal na comida e da utilização de melhores tecnologias de custo-benefício para a saúde, como medicamentos anti-hipertensivos fornecidos pelo sistema de saúde do país.

O lado negativo do programa de governo, com a preocupação de manter a população saudável, foi o desequilíbrio populacional. A quantidade de idosos aumentou exageradamente, fazendo com que o envelhecimento das pessoas se transforme num verdadeiro desafio para o sistema de saúde do Japão. Afora a expansão de vícios como alcoolismo, tabagismo e suicídio. Estes, decorrentes do desemprego e das crises econômicas prolongadas.

Com relação à China, há um detalhe interessante. Em 2015, a expectativa de vida do povo chinês era de 76 anos. No entanto, no sul da China, na província de Guangxi, fronteira com o Vietnã, se localiza o Condado de Bama. A aldeia, de repente, ganhou fama mundial por ser eleita como a terra dos centenários. A curiosidade elegeu Bama como a capital da longevidade do povo chinês. Então, pra comemorar o feito, batizou Bama como a terra da promessa de vida longa.

Graças ao clima de montanha e à purificação da água, as pessoas costumam viver mais de cem anos em Bama. O ar puríssimo da cordilheira e a água santa de um rio alivia as dores do corpo, renova a mente, rejuvenesce o corpo, recupera a vitalidade das pessoas. Basta passar apenas uns dias em Bama para os velhinhos ficarem ouriçados, em plena forma. Cheios de gás.

Por isso, não é à toa que Bama passou a ser conhecida como o refúgio dos milagres. Anualmente, mais de dois milhões de visitantes procuram Bama em turismo médico. A curiosidade é que na aldeia moram apenas 270 mil habitantes, dos quais, 82 são pessoas comprovadamente centenárias.

Então, para não perder o interesse de visitantes, os habitantes centenários de Bama guardam o segredo da vida longa a sete chaves, justamente para tirar proveito dos lucrativos roteiros turísticos de saúde. Bastante procurados naquele recanto chinês.

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INSATISFAÇÃO

Incomoda ver a política gastar bilhões nas campanhas eleitorais, na comilança em mordomias, no recebimento de exagerados benefícios pelas autoridades e no fim das contas não sobrar um níquel sequer, nem a boa vontade dos candidatos e atuais parlamentares para suprir a carência nos hospitais públicos.

Insatisfeito com os descasos e a obrigação de chegar de madrugada para tentar a sorte na fila dos hospitais e nos postos de saúde púbicos, quando não dorme ao relento no chão e em cima de papelão, o cidadão carente reclama, com razão, contra a dificuldade para marcar exames e obter consultas.

No hospital Pelópidas Silveira, no Curado, Recife, teve ocasião que uma paciente teve de aguardar sete meses para conseguir vaga.

Enquanto isso, o ex-ministro da Saúde, da época, Ricardo Barros, comentou sobre o excesso de hospitais no Brasil. Segundo o ex-ministro, 1.500 hospitais seriam suficientes para cuidar da saúde pública no país. Sem atropelos. Segundo o ex-ministro, é má gestão que atrapalha a estrutura hospitalar.

Até as unidades básicas de pronto atendimento servem de moeda de troca para a política explorar a seu bel prazer o descalabro. Quanto maior a fila, melhor é a chance de conseguir votos para a reeleição.

Na visão dos gestores da Saúde brasileira, lamentável é observar um paciente ocupar um leito sem, no entanto, usar o tomógrafo, a ressonância magnética e o centro cirúrgico disponíveis de um hospital público, que ficam parados, sem uso. Enquanto dezenas de pacientes passam horas deitados em macas improvisadas nos corredores, reclamando a falta de atendimento.

É, mas ninguém comenta o tempo que os equipamentos médicos ficam parados por causa de defeito e a demora para consertar que depende da boa vontade do diretor do órgão, que por sua vez, depende de autorização superior que passa uma temporada para chegar até a origem do pedido. Situação perfeitamente desconhecida nos bastidores dos dirigentes da saúde pública. Mas, comumente criticada pela população que vive de olho nas desgovernanças.

Tudo bem que o Sistema Único de Saúde, quando bem executado apresenta bons resultados. Justamente porque o SUS foi criado com esta finalidade. Resolver as dificuldades, reparar os erros. Eliminar as deficiências na saúde oferecida ao povo.

Não é mole deixar 75% da população brasileira depender de uma saúde pública, administrativamente deficiente e precária.

Apesar do país investir mais de R$ 103 bilhões por ano. Enquanto apenas 25% da sociedade, por ter dinheiro, ter condições de pagar consultas e exames à vista ou pagar caros planos de saúde, gozar de outro tipo de atendimento médico na saúde privada.

A saúde suplementar, cuja receita chega bem próxima, pelo menos os últimos dados revelam que a saúde privada os pacientes investem R$ 90,5 bilhões anuais. Relata o Conselho Federal de Medicina que o contingente médico brasileiro, depois da abertura de novas faculdades de medicina, a partida da década de 70, registra mais de 450 mil médicos em atuação no país para atender a população que se danou a envelhecer mais depressa e que basicamente se concentram em centros evoluídos, desprezando o interior, sempre carente de tudo. Ignorando o preceito defendido pela Organização Mundial de Saúde, órgão integrante da ONU, que recomenda ser imprescindível a presença de um médico para cada mil habitantes da localidade. E o Brasil, atualmente, dispõe de 2,11 médicos para cada mil habitantes. Alguma coisa tá errada. Tá, não?

Domingo foi dia de eleição. Nos dias anteriores o povo só ouviu promessas, promessas, promessas de candidatos a prefeito e vereadores. Algumas, perfeitamente absurdas.

O que interessa é saber quantas das promessas e campanha serão de fato executadas ou ficarão para as próximas eleições de cargos inferiores.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

ARGENTINA

Um dia, um navegador espanhol, em tempos idos, depois de dias de navegação, aportou sua embarcação num lugar lindo. Abismado por tanta beleza, o navegante resolveu andar pelo local.

Na medida em que andava, apaixona-se cada vez pela descoberta. A cena produzida pela maré era deslumbrante. Endoidava o espanhol. Como se encontrava no estuário do Rio da Prata, o vai e vem da maré provocava um espetáculo fantástico da natureza.

Numa hora, o rio avançava mar a dentro, despejando água doce do rio no marzão. Noutro momento, acontecia o inverso. Era o mar que avançava no Rio da Prata, deixando a água do local salobra.

O impressionante espetáculo da natureza aconteceu em fevereiro de 1516.

O feliz navegante que presenciou a fantástica cena chamava-se Juan Dias de Solis. Então, apaixonado pelo grandioso espetáculo, Solis declarou em voz alta que a Espanha tinha de ser dona da terra descoberta.

A colonização espanhola da Argentina deu-se no ano de 1512, porém a consolidação como colonização espanhola tenha se concretizado de fato em 1776.

Como foi encontrada prata nas mãos de indígenas, a nova terra recebeu o nome de Argentina, que em latim significa o metal prata.

No entanto, as primeiras notícias da presença de pessoas em solo argentino aconteceram há 11 mil anos antes de Cristo. Nômades, vindo do Chile, se estabeleceram na Patagônia.

Dois detalhes, dão destaque à Argentina. É o segundo maior país sul-americano em extensão de terra e o terceiro no campo populacional. Todavia, três países de língua espanhola superam a população da Argentina: México, Colômbia e Espanha.

A federação da República Argentina conta com 23 províncias e uma cidade autônoma chamada Buenos Aires, a capital do país.

Mas, como nem tudo que encanta, se eterniza. A Argentina também experimentou o gosto amargo de fel. De azedume. O que acabou com a Argentina foram os seguidos golpes militares. Esses golpes provocaram, além de prisões e mortes, instabilidade política e diversas crises econômicas, cujos resultados foram catastróficos. Bloqueio do desenvolvimento econômico e social.

O que salvou a Argentina foram os investimentos estrangeiros que permitiram ao país elevar o nível de Desenvolvimento Humano, implantar um bom poder de compra e dispor de alta tecnologia de bens manufaturados destinados à exportação.

Também pudera. No passado, a economia argentina era destaque no cenário internacional. Em 1865, o país detinha a primazia de ser a 25ª economia mais rica, ultrapassando diversas potências: Dinamarca, Canadá, Suíça, Estados Unidos e o Reino Unido. A renda per capita dos argentinos era 70% maior do que a dos italianos. Comparados ao Japão, os argentinos viviam na maior tranquilidade financeira.

É duro verificar como uma economia que detinha o título de ser a 15ª mais rica do mundo até a metade do século 20, cair paulatinamente, graças aos conchavos políticos malconduzidos que empurraram a outrora toda poderosa economia para um estágio de país subdesenvolvido.

Na era Peron até houve uma ligeira recomposição econômica. A nacionalização de indústrias e de serviços estratégicos obteve méritos. Elevou os salários e as condições de trabalho. O país quase atingiu o pleno emprego. A ousadia permitiu inclusive pagar a dívida externa.

Contudo, a partir de 1950 aconteceu a grande desgraça. O excesso de despesas nos Poderes públicos do país ajudou a derrubar a economia. Implantou o caos, deixando a economia anêmica.

Depois da pandemia de agora, então, a situação piorou. A barra pesou demais. Os setores mais atingidos são a construção civil, bares e restaurantes e os serviços domésticos. Até a forte produção de grãos enfraqueceu. A exportação de veículos também sofreu uma brusca freada.

As consequências negativas foram se acumulando. O PIB em junho passado recuou em 19,1%. A taxa de desemprego agigantou-se, marcou 13,1% para uma população economicamente ativa de 11 milhões de pessoas. A inflação, um problema crônico, em 2019 atingiu 53,8%, a pobreza em ascensão, chegou a 40,9% da população, a arrecadação do Estado caiu bruscamente, a dívida externa é crescente e os gastos descomunais do dinheiro público arrombaram os cofres públicos. Arrobaram a arrecadação de impostos.

Para piorar a situação, quase 50 mil pequenas e médias empresas fecharam as portas e as exportações de carros continuam em queda.

Mas, como tudo na vida tem remédio, o governo argentino resolveu reagir contra os males da infernal crise.

A reação começa pelas exportações que terão de aumentar. Pra isso, as autoridades econômicas encontram-se concentradas para achar saídas.

Dentre outras medidas que compõe o pacote de emergência pública, constam aumento tributário sobre propriedades, renegociação da dívida externa, elevação de tarifas nas exportações agrícolas e congelamento de preço cobrado nos serviços prestados pelo Estado.

Resta agora, apenas esperar o resultado do complexo exame e aguardar os efeitos da acreditada receita que, segundo os argentinos devem provocar bons resultados na política de recuperação econômica, em vigor.

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CAPITALISMO

Quando se fala em capitalismo, fica evidente que o foco do tema é a propriedade privada dos meios de produção, lucros, acúmulo de riquezas modernização tecnológica e crescimento econômico. Fora estes itens primordiais, deve-se acrescentar a acumulação de capital, o trabalho assalariado, a política de preços, o comércio da produção e a competição de mercado. O produtor mais eficiente, lógico, abocanha as melhores fatias na ferrenha concorrência.

Está claro que a tendência do sistema capitalista é dividir a sociedade em classes. No topo está a burguesia. A dona dos meios de produção. Logo abaixo, aparece o proletariado. São os trabalhadores que vendem a sua força de trabalho em troca de salário.

No meio dessa guerra capitalista, aparece o lado agrário. Os latifundiários contratam os camponeses para trabalhar a terra, fortalecendo a agricultura comercial. Donos de enormes extensões de terra, os empresários rurais se dedicam a explorar extensivamente os seus recursos.

O capitalismo surgiu por volta do século 13. O sistema veio com o propósito de competir com o feudalismo que dominava a Europa, dividida em vários feudos.

Com o passar dos tempos, o capitalismo se aprimorou e se estabeleceu em cidades voltadas para o comércio. A burguesia, cada vez mais fortalecida, implantou uma inovação. Incentivou a urbanização dos antigos burgos que recebeu vantajosa contribuição das Grandes Navegações.

Enquanto se expandia, o capitalismo ganhava dimensões. Passou do período inicial, baseado no acúmulo de matérias-primas para a posse dessas riquezas. Foi com essa ideia que o capitalismo antigo pulou para o Capitalismo Comercial. Fase identificada como Mercantilismo.

Ao estado mais forte, era assegurado o poderio de sair por aí para garantir dois objetivos na disputa pelos mercados internacionais. Acumulação de lucros e ter mais facilidade às matérias primas a preços baratos para baixar os custos, poder entrar na fase da produção de mercadorias manufaturadas, valorizar o metalismo, com o acúmulo de metais preciosos e manter a balança comercial altamente favorável, mediante o emprego da fórmula. Vender e exportar sempre mais, importar e comprar cada vez menos.

Está claro que nesse ínterim, o capitalismo já estava divido em três vertentes. Capitalismo comercial, industrial e o financeiro.

O século 18 trouxe algumas inovações no sistema econômico do capitalismo. As revoluções políticas e a tecnológica, introduziu novas técnicas de produção, substituíram o processo do mercantilismo.

A Revolução Industrial, iniciada na Grã-Bretanha, deu origem ao Capitalismo industrial. Os empresários, donos do capital e dos meios de produção, e a classe operária, denominada a força de trabalho, começaram e a se desentender. A causa eram os locais de trabalho, insalubres, estimulou o surgimento do movimento sindical.

Os sindicatos apareceram com a missão de defender os interesses dos trabalhadores que viviam subjugados às péssimas condições de trabalho e de vida. Então, combater as injustiças trabalhistas era e ainda é a missão do sindicato.

A sequência do sistema capitalista esbarrou no capitalismo financeiro que se estendeu até 1929. Época da famosa crise, conhecida como a Grande Depressão.

O movimento foi vigoroso. Trouxe muitas inovações. Monopólio, oligopólio, crescimento econômico e especulação financeira. O mercado financeiro cresceu sustentado pelas negociações com ações, moedas, empréstimos e financiamentos.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os bancos e as empresas, de olho nos lucros, se unem para constituir as empresas multinacionais e transacionais que trabalhavam para se agigantarem.

A marca dessa fase do capitalismo é caracterizada pela negociação com ações das empresas, juros e títulos de dívidas.

Devido à forte concorrência entre as multinacionais, sempre de olho no lucro, surgiu o capitalismo selvagem.

A característica mais simples do capitalismo selvagem está marcada na acirrada competição entre as multinacionais. Como ninguém que perder espaço na concorrência, a luta pelo lucro é constante. Aí, o mais forte abocanha fatia maior na disputa financeiro, lógico.

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ALTERAÇÕES

O mundo começa a pensar nas prováveis alterações comportamentais que obrigatoriamente serão cumpridas, após a passagem da onda do coronavírus. Pelos menos, a maioria das pessoas acredita que a pandemia veio para abrir os olhos da humanidade que vivia imaginando ser inatingível por graves doenças.

As conclusões surgiram depois que o Covid-19 obrigou os países adotar medidas radicais, na tentativa de baixar a curva da doença infecciosa, que de repente extrapolou. Duplicou o número de internações forçadas, aumentou a utilização de vagas na UTI, dilatou os registros na quantidade de óbitos diários. Tanto o isolamento social, quanto as estatísticas de mortalidade impressionam. Por conterem registros desagradáveis.

De fato, não é mole, de uma hora para a outra as pessoas se virem afastadas de obrigações e dos meios de diversão. Para as crianças, o fechamento das escolas, obrigando a meninada a ficar trancada em casa, sem poder correr, brincar à vontade no parque ou com os coleguinhas foi uma lástima.

Também para os adultos, está sendo duro se afastar dos jogos de futebol, dos teatros, de restaurantes, das reuniões com amigos e dos papos legais nos bares, regados a geladinhas.

Até viajar, pode ficar diferente daqui pra frente, pois tudo depende como estarão as fronteiras, fechadas ou abertas como antigamente, e as vagas nos aviões estarão disponíveis, sem usar a metade desocupada da aeronave para evitar a contaminação geral.

O ruim da história é pensar que essas medidas de restrição, tomadas no auge da pandemia, foram de fato temporárias ou ficarão em vigor por mais algum tempo. Se realmente terão de serem estendidas por mais um bom período ou quem sabe por mais um semestre, depois que a onda da pandemia passar.

Os registros da pandemia são assustadores. Impressiona a quantidade de pessoas infectadas diariamente através do contato direto ou indireto. Desde que surgiu em Wuhan, na sétima maior cidade da China, capital da província de Hubei, o novo coravirus tem causado muitas tristezas na humanidade que não estava devidamente preparada para enfrentar bestial fera.

A população da 42ª maior cidade do mundo, Wuhan, de repente perdeu a liberdade por causa do coronavírus. As pessoas não podiam mais circular livremente pelas ruas. O transporte público urbano, constituído de metrô, trens, balsa e ônibus intermunicipal tiveram de parar. Até o aeroporto internacional da cidade também teve de trancar o movimento por um bom período.

Infelizmente, a pandemia faz miséria, também no Brasil. No momento, o país é o segundo na estatística mundial, atrás dos Estados unidos, o atual campeão em óbitos ocasionados por essa miserável doença.

Realmente, as consequências da pandemia são nefastas. O impacto bateu forte no mundo globalizado. Paralisou economias, o comércio mundial enfraqueceu, diversas fronteiras comerciais foram fechadas, derrubou bolsas de valores, cancelou muitos eventos por aí afora, abalou o turismo. A pior consequência foi implantar recessão em muitos países, inclusive o Brasil está seriamente ameaçado de prolongar a estagnação da atividade econômica por mais um longo período.

Imagine a economia mundial sofrer graves abalos, com repercussão na produção industrial, no comércio, no emprego e, especialmente na renda da sociedade.

O pior de tudo, na concepção de especialista, é a duração dos efeitos que pode se estender por anos. Retardando a recuperação econômica.

Todavia, enquanto a retomada econômica não aparecer, os registros vão marcando seguidas derrotas. Na China, o PIB caiu 6,8% no primeiro trimestre deste ano. Na zona do euro, a queda do PIB em igual período foi de 3,8%. A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima um recuo de 32% para 2020.

No geral, o quadro é desalentador. Em virtude da consequente quebrada das cadeias globais de produção e da derrubada de demanda, muitos acontecimentos econômicos sociais tiveram de ser cancelados. Viagens, negócios e eventos, como shows, festivais, lançamentos de filmes e de carros foram desfeitos. Até a Olimpíada de Tóquio foi adiada para 2021.

Pelas estimativas, é possível a economia mundial entrar numa fria. Registrar o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929, de acordo com análise do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Dos atuais 193 países registrados pelos órgãos competentes no mundo, tudo indica que 154, marcando 80% do total, entrarão pelo cano. Marcarão declínio na atividade econômica. Por enquanto, nesta etapa de retrocesso, Alemanha e Japão já marcaram presença.

Para aliviar a barra, alguns bancos centrais entraram na dança da colaboração. Outras empresas também tentam ajudar o mundo a sair dessa gangorra. Anunciam redução da taxa de juros, de lucros, de investimentos, prometendo, sobretudo, facilidade na concessão de empréstimos de socorro.

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TRANSFORMAÇÃO

A agricultura brasileira registra fatos interessantes. Os indígenas deram o pontapé inicial no cultivo agrícola. Depois, os nativos tomaram a iniciativa de seguir em frente, plantando mandioca, amendoim, batata doce e milho.

Tempos depois surgiu o extrativismo vegetal, quando a população da época percebeu que depois de comer o babaçu, o pequi, a jabuticaba, o caju, a cajá e a goiaba, sobravam algumas fatias aproveitáveis. Aí, passaram a aproveitar também a palha e a madeira das plantas para muitas utilidades domésticas e profissionais. Abrindo brechas para a indústria madeireira.

Todavia, foi o monocultivo da cana de açúcar, no Nordeste do século XVI, com a política das Capitanias Hereditárias, que incentivou os agricultores a tirar proveito também da cafeicultura. Foi o período colonial que deu aquele grau na tarefa rural, mediante a exploração da mão de obra escrava.

De repente, apareceu a Revolução Verde. Essa Revolução trouxe o emprego de novas técnicas agrícolas que começaram a chamar a atenção da indústria. Essa sociedade, incentivou a extensão de novas monoculturas voltadas exclusivamente para a exportação.

Aos poucos, o Brasil fez uma longa travessia. Subiu alguns degraus no ramo da produção rural. Saiu da monocultura, entrou no agronegócio. Passou da fase da agricultura de subsistência, pulou para a diversificação agrícola.

Na cultura de subsistência, no minifúndio, o produtor cultiva alimentos apenas para sustentar a família, garantir a sobrevivência dos filhos e o pouco que sobrar da colheita, vender na feirinha para arranjar uns trocadinhos.

Na monocultura, predomina o plantio de uma única cultura. Característica dos latifúndios. Latifúndios são enormes propriedades rurais, pertencentes geralmente a famílias, que, ao invés de aproveitar a imensa extensão de terra para plantar variadas leguminosas, como feijão, grão de bico, lentilhas, fava e amendoim, dedicam-se somente a plantar um único tipo de cultura vegetal. A soja, predomina. Típico exemplo de monocultura modernizada.

Como visava abastecer apenas o mercado interno, as técnicas de produção eram mínimas e a produtividade, baixíssima. Nesta época, era comum a utilização de mão de obra escrava, arduamente explorada na plantação de cana de açúcar, tabaco e café. Copiando os exemplos adotados na região sul dos Estados Unidos, do século 19.

No início, o latifúndio exigia poucos investimentos. Ideia de exploração econômica não existia, então, a produção era praticamente improdutiva. A prática adotada pelo período colonial, começou com a distribuição de imensas terras, através das capitanias hereditárias e o regime de sesmarias.

Atualmente, depois da descoberta da grandeza do mercado externo, as empresas familiares tomaram conta. Então, os latifúndios passaram a empregar maquinário pesado, moderna tecnologia e mão de obra assalariada.

Mas, a monocultura, apesar de proporcionar benefícios, como a aplicação de herbicidas, visando controlar as pragas e as doenças nas plantas e gerar bons resultados econômicos, traz também algumas desvantagens. Favorece o desmatamento, causa impacto ambiental, inclusive de biodiversidade, acaba agredindo os recursos hídricos, quando a irrigação é feita sem planejamento.

Depois de descobrir que as terras brasileiras eram joias para o plantio de grãos, o país realmente acordou para o sucesso. Contando com o apoio cientifico, a oferta de insumos modernos, maquinário atualizado e uma política agrícola mais eficiente, a produção agrícola brasileira deslanchou.

O incentivo surgiu após a comprovação de que as terras brasileiras eram de fato férteis para a cultura de grãos e o agronegócio era o melhor caminho para deslanchar no meio rural. A disponibilidade de vasto campo estimulou o agricultor a produzir comida barata para uma população que cresce aceleradamente.

Bastou juntar o avanço da ciência para oferecer insumos modernos, crédito subsidiado, inovações tecnológicas, pesquisas disponíveis. Eficientes técnicas de correção do solo, a descoberta do cerrado e política agrícola para o capital aparecer e levar adiante a vontade de transformar a até então cansada agricultura em uma fonte de renda fixa e crescente.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do planeta. Porém, cabe aos Estados Unidos o privilégio de ser o maioral na produção em foco. No entanto, atualmente o país recebe os cumprimentos por bater recorde na safra de grãos de 2019/20 que marcou 257,8 milhões de toneladas de grãos.

A expressividade está no fato de que em 1980, o país colheu apenas 50,8 milhões de toneladas de grãos. Apesar da totalidade de áreas agricultáveis, 152,5 milhões de hectares, só utilizar no momento cerca de 62 milhões de hectares.

No Brasil, os estados que se destacam na cultura agrícola são Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso. A soja é o destaque, seguido do milho, arroz, café, trigo e feijão.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

VIAJAR

Um dos maiores desejos do cidadão é botar o pé na estrada, dar umas voltinhas por lugares diferentes, viajar a passeio, livre de compromissos. Pegar o carro, trem, navio ou avião e sair por aí sozinho ou acompanhado para curtir um lazer joinha. Na medida. Tanto no lado social, quanto no aspecto financeiro e pessoal.

Opções é o que não faltam neste país. Tem para todos os gostos e condições financeiras. Cenários deslumbrantes, culinária deliciosa, cultura e costumes diversificados, trilhas, clima quente de sol direto ou de temperatura fria pra quem gosta de se agasalhar. Afinal, parques, pousadas, resorts e hotéis nas mais diferentes categorias, estão prontinhos, só esperando ocupação. Basta escolher o destino, cair em campo e sair por aí. À vontade.

O prazer de viajar é preenchido por uma séria de satisfações. Gozar a liberdade, desgrudar-se da rotina, chutar os compromissos pro baú, escapar dos problemas, livrar-se das responsabilidades do trabalho e das compras semanais no supermercado. Nas viagens, basta sentar à mesa, traçar o roteiro, escolher o cardápio, engolir a comida, pagar a conta e tamos conversado. O resto é só descanso pra novas investidas no lazer.

Além disso, viajar enriquece conhecimentos, amplia relacionamentos, favorece a experiência, renova as energias. É prazeroso visitar pontos turísticos, somar experiências, rejuvenescer o coração, aliviar o estresse, somar felicidade, valorizar o bem-estar. As viagens preparam o viajante para enfrentar novas jornadas, especialmente no trabalho. Finalmente, na volta, o turista chega tranquilim, tranquilim. Renovado, super feliz. Novamente em forma para enfrentar outra jornada.

Como os destinos internacionais estão em baixa por causa da pandemia, cola pensar num turismo doméstico. Mais fácil de ser realizado, preferencialmente em locais de praia e de sol. Afinal, o verão começa fervendo e o fim do ano se aproxima.

Então, quem não quiser curtir o estrangeiro, vale dar umas voltinhas pelo Brasil. País extenso territorialmente e rico de lindas paisagens, belezas naturais e formidável biodiversidade de flora e fauna. Infindáveis atrações, na porta de casa.

Segundo a crença popular, o Brasil tem formidáveis destinos turísticos, pra ninguém botar defeito. Fora os tradicionais e famosos roteiros que atraem turistas do mundo inteiro, como Copacabana, Ipanema e Corcovado, vale dar uma esticadinha por lugares diferentes, poucos conhecidos. Mas aconchegante de verdade.

Foz do Iguaçu tem de estar no roteiro de viagem. As quedas d’água das Cataratas, deslumbram. O marco das três fronteiras, Brasil, Argentina e Paraguai, cativam.

Nas aventuras selvagens, de ecoturismo ou no plano de animais exóticos e de lindas aves em seu habitat natural, o Pantanal, das terras alagadas, é o bicho. Tá à disposição, seja em Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul, o encanto é o mesmo. Tanto faz andar a pé, a cavalo ou de barco. Fugindo das piranhas, os dourados e os pacus esperam o viajante para aquela curtição.

Quem quiser lances diferentes de ecoturismo, a cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, tem um sonhado perfeito. A natureza em seu esplendor, a fauna, a flora, os rios cristalinos, as cachoeiras, as cavernas são o máximo. A Gruta do Lago Azul, de Bonito, com 90 metros de profundidade, é a caverna das fortes emoções.

Logo ali pertinho, o visitante topa com o Jalapão, no estado de Tocantins. Uma maravilha ao natural. Terra de cerrado, dunas, cânions, cachoeiras, fervedouros e morro avermelhado. A cor dos arenitos, avermelha o paraíso das trilhas.

Nas vizinhanças, fica a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que oferece um conjunto de formações rochosas, esculpidas pelo vento, com um visual semelhante às crateras lunares. Nesse ambiente, o visitante dispõe de grutas, fendas, cachoeiras e piscinas naturais de águas cristalinas e fascinantes.

Do cerrado, vale dar uma esticada até a Rota das Emoções, no Nordeste. No Maranhão, os Lençóes Maranhenses fascinam pelo contraste. Paisagem desértica, com lagoas sazonais de água da chuva, rodeadas por dunas de areia branca.

Depois do rio Nilo, na África, e Mekong, no Vietnã, o Delta do Parnaíba, no Piauí, é o único das Américas que deságua em mar aberto. No Brasil, o despejo do Rio Parnaíba é no oceano Atlântico, através de cinco saídas, que formam um belo santuário ecológico, enriquecido por manguezais, igarapés e variada biodiversidade. A Revoada dos Guarás é inesquecível.

Integrando a Rota da Emoções, o Ceará oferece Jericoacoara, terra de sol permanente e deliciosas praias. Razão de Jeri tornar-se num badaladíssimo vilarejo do Nordeste. A paixonite por Jeri começa pelo divertido passeio de buggy pelas dunas ou em aventuras na tirolesa, no tobogã e no kitesurf.

Descendo um pouquinho, o turista esbarra na cidade de Ipojuca, Pernambuco. Nessa cidade, o viajante encontra praias paradisíacas. Tem a de Muro Alto, Cupe, Maracaípe e a soberana praia de Porto de Galinhas.

Num pulo, descortina-se a beleza do Caribe brasileiro em plena cidade de Maragogi, no estado de Alagoas. O cenário também é vibrante com arrecifes de corais, flora e fauna exuberantes para bater forte nas emoções do visitante.

Ao lado, desponta Sergipe prontinho para encantar o viajante que escolher passar pelo município de Canindé do São Francisco, distante somente 186 quilômetros de Aracaju, capital sergipana. Ali, nas margens do rio São Francisco, o forasteiro pode deslumbrar-se com enormes cânions.

Porto Seguro é a estância turística costeira da Bahia. A água é cristalina, o lugar, inesquecível. Aliás, Porto Seguro tem o monumento do Marco do Descobrimento do Brasil, colocado em 1503, durante a expedição de Duarte Coelho.

No entanto, convém esticar as pernas até a Chapada Diamantina no abençoado estado da Bahia. Região de serras, a Chapada Diamantina tem lindos cenários para se curtir. Além de estar rodeada por uma cadeia de serras, o pico de Barbados tem 2033 metros de altura, o visitante encontra 24 cidadezinhas banhadas pelas borbulhantes águas de belas cachoeiras.

Uma dessas cidades serranas é chamada simplesmente de Lençóis. No passado, Lençóis reinou absoluta na extração de diamantes. Nas suas ruas, existem muitos prédios do século XIX. Lençóis contorna o vasto Parque Nacional da Chapada Diamantina que oferece bela área montanhosa, lindas florestas, quedas de água e grutas para o deleite turístico.

Completado o roteiro, sobram apenas saudades e aquele gostinho de quero mais. Plano de fazer novos giros pelos belos cenários espalhados por este Brasilzão maravilhoso.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

ESTRUTURA EDUCACIONAL

Queira ou não, os países de primeiro mundo e as economias emergentes agem de modo diferente. Pensam de maneira desigual. Enquanto as nações desenvolvidas costumam valorizar os profissionais, os países atrasados não gostam de dispensar atenção a quem exerce uma profissão específica, especialmente o magistério. Mesmo comprovado pelo diploma.

Na Alemanha, por exemplo, que não se guia pelas ideologias populistas, mas segue uma diretriz política/social definida há duzentos anos, o professor executa uma profissão valorizada. Por isso tem valor. É reconhecido como profissional de primeira linha.

No território alemão, obrigatoriamente, aos 6 anos, a criança começa a estudar numa das 16 regiões estatais para frequentar o fundamental e o ensino médio pelo período de nove anos, no mínimo.

Embora, cada região siga a sua própria estrutura, mas, neste aspecto, o consenso prevalece. Com um detalhe, compete aos estados assumir maior responsabilidade pela manutenção do ensino na fase inicial, sobrando para o poder federal um compromisso bem menor.

Porém, desde que os país possam assumir obrigação financeira, pagando a mensalidade das escolas, aos 3 anos de idade, a criança já pode se matricular no jardim de infância, no Kindergarten. Chamado de pré-escola, este estágio de educação é bastante procurado, obrigando os país a garantir a reserva de vaga com antecedência, apesar das elevadas mensalidades cobradas pelas escolas, geralmente da iniciativa privada.

A etapa seguinte é o Grundschule, equivalente à escola primária, com duração de 4 anos. Conhecida como a fase do ensino obrigatório, o aluno já sai avaliado e com credencial para disputar maior escolaridade.

Durante o ensino fundamental, o estudante já está preparado para definir a sua escolha na próxima etapa, a secundária. A escolha da melhor escola é fundamental. A depender da nota, o aluno escolhe estudar no Hauptschule, Realschule ou Gymnasium. Exatamente, os três modelos de escola secundária.

No primeiro estágio, o Hauptschule, considerado o básico, com duração de até 6 anos, o estudante recebe orientação para passar à etapa seguinte. No Realschule, também com duração de 6 anos, o aluno começa a experimentar os cursos profissionalizantes. Neste curso, o jovem se prepara para atuar profissionalmente na área industrial ou no setor agrícola.

O curso do Hauptschule dura 5 anos. Nesta etapa, o aluno estuda até os 14/15 anos. Depois, passa para Realschule, onde passa 6 anos, obtendo capacitação para ingressar num curso técnico, que oferece pouca capacitação. A última etapa é o Gymnasium, que dura 6 anos, e cuja conclusão acontece por volta dos 17/18 anos. Ao final, o aluno faz o Abitur, prova nacional, idêntica ao vestibular brasileiro, que significa o térmico do colegial e o credenciamento para disputar uma vaga na faculdade.

A partir do ensino fundamental e até à universidade, o Estado assume a responsabilidade pela gratuidade do ensino aos alunos. Oferece escola pública, apesar de também existir a escola como a universidade particular, geralmente reservada aos estudantes de pais ricos. Com condições de pagar caras mensalidades.

O curioso é a existência de cursinhos preparatórios, normalmente com um ano de duração, a fim de garantir vaga na acirrada disputa para o estágio fundamental, cuja duração do curso dura de 4 a 6 anos. Como é bastante concorrido, os futuros alunos costumam se preparar antecipadamente, especialmente no idioma alemão. Como as escolas públicas realmente se dedicam a ensinar, os alunos saem desse estágio de estudos com base para enfrentar novas jornadas que têm acirrada competição.

O interessante são as universidades públicas querer alegar a falta de vagas. Todavia, nas mais concorridas, o aluno, se quiser, pode se sentar até no chão, por falta de cadeiras, embora as faculdades não estejam capacitadas para oferecer um curso decente ao universitário.

Embora a Alemanha gaste menos do que estabelece a média da OCDE, que determina 10.200 dólares por estudante universitário, o ensino contribui para colocar a economia alemã no quarto lugar como potência econômica mundial.

Ao contrário do Brasil, que embora invista maior recurso na educação, consegue muito menos resultados positivos. Em virtude da péssima qualidade emprregada no ensino e da falta de estrutura educacional.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

COMBUSTIVEL

Como a compra de carros elétricos é um desafio para o futuro, ainda um pouco distante, o jeito é o brasileiro de classe média se contentar com os veículos disponíveis, que usam tecnologia um pouco ultrapassada em relação ao mundo.

Quem não puder pagar altos impostos de importação, por ora os veículos elétricos e híbridos, já comuns na Europa e países ricos, passa de um sonho restrito apenas a um reduzido grupo de endinheirados. Neste país de desocupados por falta de emprego.

Então, sobra para o brasileiro a obrigação de comprar carros que utilizam somente os tradicionais combustíveis, uma mistura de gasolina com álcool. São dois os tipos de combustível comuns no Brasil. O derivado de combustíveis fósseis e o bioetanol.

Dos combustíveis fósseis, surge a gasolina, oriunda de recursos não renováveis, descoberta no início do século 20. O combustível de álcool é obtido pela utilização da cana-de-açúcar, mandioca, batata, milho e beterraba como matéria-prima para a fabricação do produto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha utilizou o álcool combustível, produzido a partir da batata. Os Estados Unidos, ao contrário, usam o milho para produzir o etanol. Apesar do elevado custo de produção, os “isteites” figuram como o maior produtor desse tipo de biocombustível.

O Brasil, permanece como o segundo maior produtor mundial de álcool combustível, atrás dos Estados Unidos, utilizando como matéria prima a cana de açúcar, cujas usinas de moagem ficam concentradas no Nordeste e na região do Centro-Sul.

Predominam no mercado automotivo, os veículos leves fabricados para trabalhar com o motor flex, onde o etanol entra na combustão do motor, desde 2003. Tanto que nos Estados Unidos, Brasil e Europa, com destaque para a Suécia, circulam milhares de carros flexíveis consumindo o etanol como combustível.

Combustível é a substância que, através do contato com o oxigênio, libera energia. A energia pode aparecer sob a forma de calor, chamas e gases. Dentre as substâncias mais comuns utilizadas como combustível estão o carvão, a madeira e a turfa. O carvão é reservado para as caldeiras. Já a madeira e a turfa destinam-se a aquecer os ambientes doméstico e industrial.

No passado, as locomotivas queimavam madeira para gerar energia. Aliás, a combustão da madeira foi usada pela primeira vez há dois milhões de anos, posteriormente substituída pelo carvão vegetal no período de 6 mil anos a.C.

Acontece que em virtude do desmatamento de florestas europeias verificado a partir do século 18, surgiram automaticamente a substituição sucessiva por outros tipos de combustíveis, como os de origem vegetal, animal e minerais.

Considerados fósseis, os combustíveis minerais, incluídos os gasosos, tipo gás natural ou GLP, indicados como combustíveis reservas para os momentos de escassez, são explorados na forma de gasolina, óleos diesel e querosene.

Apesar da Petrobrás ser a produtora nacional de parte do combustível consumido no país, o preço final do produto comprado nos postos é composto pela soma de 4 fatores independentes.

Na composição do preço da gasolina, cuja pequena parcela cabe à Petrobrás, apesar de monopolizar o produto desde 2002, são incluídas as parcelas que cabem aos demais agentes do setor de comercialização. Importadores, distribuidores, revendedores e produtores de biocombustíveis.

Começa pelo preço cobrado pelas refinarias ou pelo importador do combustível. Depois vem a carga tributária, a parcela mais pesada no cálculo do preço de venda, que é composta pelo ICMS, atualmente em torno de 18%. Em seguida, é acrescentada a parcela do custo do etanol que, obrigatoriamente é adicionado à gasolina, e mais o valor de margem da distribuição e revenda. Por isso, é que a gasolina no Brasil é tão cara. No cálculo dessa parcela, a porcentagem de cobrança chega a 25%.

Comparada ao resto do mundo, a gasolina brasileira não é a mais cara. Está colocada na 77ª posição, encostado na China e Canadá. Portanto, o preço em vigor no Brasil está dentro da média mundial. A cidade-estado que vende o combustível mais caro no mundo é Hong Kong, ao contrário da Venezuela que mantém o preço mais barato.

Num ponto, o Brasil tem acertado. Há 20 anos, o petróleo consumido no país era quase que totalmente importado. Atualmente, com a produção em torno de 2 milhões de barris diários, o país dá-se ao luxo de produzir o suficiente para suprir o mercado interno. Na América Latina, a produção brasileira fica apenas atrás da Venezuela.

A importação de petróleo do Brasil é para atender critérios econômicos e técnicos. As jazidas de petróleo da camada do Pré-Sal, localizada na Bacia de Santos, presta aquela ajuda desde 2005. Junto às nove bacias petrolíferas, a camada do pré-sal coloca o Brasil em posição de destaque no ranking mundial.

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

SISTEMA S

Transcorria o ano de 1940, e insatisfeito com a falta de mão de obra qualificada, o país vivia procurando em cada esquina, um profissional capaz de desempenhar determinada função no setor produtivo. Na maioria das vezes, não achava o técnico pretendido. Aí, tinha de improvisar, preparando o futuro profissional na própria empresa.

Sem bem que com menor consequência. O problema é que na qualificação, perdia-se tempo para deixar o profissional habilitado. A carência de pessoa capacitada, era um dos piores quebra-cabeças do mercado de trabalho brasileiro do passado. Inconveniente, ainda persistente na atualidade, embora o Sistema S tenha contribuído para amenizar os impasses.

Preocupado com a dor de cabeça das empresas que passavam vexames, um cidadão iluminado teve a feliz ideia de criar o Sistema S. O Sistema S é um grupo de organizações, constitucionalmente definidas, com a finalidade de preencher lacunas. Formar, capacitar e requalificar pessoas no campo profissional para atender aos interesses da indústria, comércio e do setor de serviços.

Além da formação profissional e promover o trabalhador a nível pessoal, o Sistema S se estende em outros campos. Presta assistência técnica e social, faz consultoria e também oferece assistência na educação básica, no lazer, cultura e dar alguns passos no campo da saúde.

Existem nove organizações das entidades corporativas, dedicadas no treinamento profissional.

Tem o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sesi (Serviço Social da Indústria), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), Sesc (Serviço Social do Comércio), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Senat (Serviço Nacional de Apredizagem de Transporte), Senar (Serviço Social do Transporte), Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo).

As cinco principais instituições surgiram em 1940, porém as quatro restantes, Senar, Senat, Sest e Sescoop só aparecerem com a Constituição de 1988.

O Sistema é autônomo, e embora mantido pela iniciativa privada, o valor mensal é obtido da folha de salário dos funcionários das empresas. O recolhimento segue junto com os tributos do INSS. Compete ao Ministério da Previdência fazer a distribuição para as respectivas Confederações Nacionais.

O repasse mensal pelas empresas é fabuloso. Em 2018, a arrecadação fechou em R$ 17 bilhões. Então, insatisfeitos, diversos governos tentaram mexer no montante das contribuições, sob a desconfiança se de fato o total recebido pelo Sistema S chegava a financiar também alguns serviços essenciais da maioria da população.

O Sistema S deu uma bobeira. Passou a cobrar mensalidade em alguns cursos, que deveriam por lei serem gratuitos. A primeira investida ocorreu em 2008, quando o governo central tentou comer uma bolada dos recursos do Sistema S para aplicar em outros fins.

A saída foi o Sistema se comprometer em investir mais da metade dos recursos recebidos em cursos de formação, gratuitos, para a população. Em 2015, o governo do PT voltou a sonhar com alguma fatia do gordo repasse mensal do Sistema para equilibrar as contas públicas, totalmente desequilibradas. Os empresários chiaram, rejeitando qualquer tipo de acordo com o governo, que temendo rebordosas, calou-se.

Como todo serviço destinado ao público, o Sistema S também tem virtudes e defeitos. Uma das virtudes é a promoção de atividades de aprendizagem e sociais. Porém, o Sistema não escapa das constantes cantadas para financiar campanhas políticas e garantir apoio na aprovação de leis favoráveis a determinados grupos no Congresso.

Por outro lado, surgiram críticas sobre o empreguismo (cabide de empregos) de parentes de políticos em altos cargos e os gordos salários pagos aos seus servidores nessas organizações. Alegam os críticos, alguns salários ultrapassam o de governadores, especialmente do Nordeste.

Por isso, o Congresso recebeu propostas para reformular o Sistema S que virou vítima dos ataques de partidos políticos. Em vez de profissionalizar mão de obra, prestar assistência social nos campos da saúde, do ensino, da técnica e da pesquisa, as organizações S passaram a financiar campanhas e comprar prédios, alguns inclusive já abandonados, e sofrer desvios de milhares de reais para outros fins.

Então, para acabar com a farra com os recursos do S, as propostas querem dar transparência no orçamento e na distribuição dos recursos. Obter, especialmente critérios de governança e de arrecadação.

Na proposta da reforma tributária consta a ideia da desoneração da folha de pagamento, mediante a redução da contribuição das empresas para essas instituições. Aí, o bicho vai pegar.

Resta saber se algum iluminado apresente uma proposta decente para acabar com a malversação do dinheiro público. A ganãncia em comer sempre mais.