CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

GLOSAS

Mote de autoria deste colunista:

O “corona” tronou-se uma ameaça
De extermínio pra toda humanidade.

Em Wuhan teve início e se espalhou
Pelo mundo esse vírus que amedronta
Contamina, apavora e faz afronta,
Ao planeta, pois já se propagou,
A ciência sequer inda encontrou
Um remédio, e tem dificuldade,
De encontrar, e está sem capacidade,
Pra conter o avanço da desgraça,
O “corona” tronou-se uma ameaça
De extermínio pra toda humanidade.

Uma guerra de grandes proporções
Em que nosso inimigo é invisível
Com um poder destrutivo tão terrível
Sem que use torpedos nem canhões,
Mesmo mísseis potentes e aviões,
Nessa guerra não tem utilidade
Já que o vírus provoca mortandade
Sendo a arma letal por onde passa,
O “corona” tronou-se uma ameaça
De extermínio pra toda humanidade.

Não respeita a criança ou o idoso
Nem o jovem, a quem pegar arrasa,
A melhor prevenção? Ficar em casa,
Pois andar pela rua é perigoso
E pra que não se sinta um ocioso
Use a mente com criatividade
Inventando qualquer atividade
Pra sair da cortina de fumaça,
O “corona” tronou-se uma ameaça
De extermínio pra toda humanidade.

Não existe um remédio para a cura
Sem vacina que faça prevenção
O “corona” tornou-se num vilão,
Que provoca agonia e nos tortura,
Nossa vida virou uma loucura
Qual um barco em meio a tempestade,
Pois existe a probabilidade
Do maldito por fim na nossa raça,
O “corona” tronou-se uma ameaça
De extermínio pra toda humanidade.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

ACREDITO NO DOUTOR OU ESCUTO O PRESIDENTE?

Estamos literalmente
Entre a cruz e a espada,
Ou num beco sem saída
Ante a fera esfomeada,
O que sai pra trabalhar
Está sujeito a pegar
Esse vírus que consome!
E aquele que não sair
Nada vai adquirir
Ficando a mercê da fome.

O presidente diz: saia
Vá pra rua, produzir,
O doutor diz: fique em casa
Precisa se prevenir,
Esclareçam por favor!
Eu obedeço ao doutor
Ou, vou pelo presidente,
Que pensa na economia
E acha que a pandemia
É um resfriado somente?

O doutor diz que a doença
Vai matar gente de eito,
Porém nosso presidente
Não pensa do mesmo jeito
Incentiva e insinua
Que o povo saia pra rua
E pra o vírus não dê bola
Porque não vê atrapalho
Tendo o povão no trabalho
E as crianças na escola.

O presidente acredita
Em autoimunização,
E diz que essa gripezinha
Não vai derrubá-lo não!
E disso está convencido
Pois se for acometido
Sabe que não passa mal,
Terá um bom tratamento
Num pomposo apartamento
De um luxuoso hospital.

Mas, o coitado da plebe,
Se contrair, tá lascado!
Entra num hospital público
Que está desestruturado
Pra receber tal mazela;
Triste daquele ou daquela
Que ali internado for
Em busca de tratamento
Morre sem medicamento
E por não ter respirador.

O doutor diz que em casa
Estarei bem amparado,
Não irei contaminar
Nem serei contaminado
E em justa recompensa
Se não pegar a doença
Não passarei pra ninguém
E se não fugir da norma
Agindo assim dessa forma
Poderei ir mais além.

O presidente contesta
Essa determinação,
Diz que o vírus só ataca
O idoso, o ancião,
Afirma que a juventude
Que contém boa saúde
Pode e deve trabalhar
Porque existe a tendência
De o país ir a falência
Se assim continuar.

Então fiquei eu aqui
No mais completo dilema,
Sem encontrar a saída
Pra resolver o problema,
Ir pra rua é arriscado
Mas, em casa confinado,
Irá faltar alimento
Essa incerteza me arrasa!
O que faço, fico em casa,
Ou vou buscar suprimento?

Lá na rua eu adquiro
Essa virose cruel,
Porém não posso parar,
Tem água, luz, aluguel,
Pra fazer o pagamento,
E dinheiro para o sustento
Do remédio e da comida,
Como é que vou arranjar?
Parado e sem trabalhar
Sei que a causa está perdida.

Eu procuro e não encontro
O ponto “X” da questão,
O presidente está certo
Ou o doutor tem razão?
O doutor pensa na plebe
Que de fato é quem recebe
O impacto da pandemia,
Ao presidente, no entanto,
O que está causando espanto
São os rumos da economia.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

A PANDEMIA DO CORONA VÍRUS

Parece que estou ouvindo
O que minha mãe diria
Meditando e refletindo
Sobre essa tal pandemia!
Conforme o costume antigo
Logo afirmava: é castigo!
E nos pensamentos meus,
Essa punição tirana
É porque a raça humana
Quer ser maior do que Deus.

O ser humano esqueceu
Que Deus, é o Pai Criador,
E até já se atreveu
A ser seu superior,
Com atitude antiética
Faz transformação genética
Clone, e outras coisas mais,
Numa atitude sem nexo
Casam dois do mesmo sexo
Em condições anormais.

Ante tal situação
Essa atitude me leva
A pensar, Deus fez Adão,
E logo depois fez Eva,
Os dois com sexos distintos
E lhes dotou dos instintos
Causadores de atrações
Para que enfim copulassem
E assim proliferassem
Milhares de gerações.

Despudor, pornografia,
Estão com a bola da vez,
A moral se deprecia
Com a descarada nudez,
O respeito do outrora
Findou-se: quem reina agora
É a imoralidade,
Deboche, devassidão,
Estão na televisão
E sem distinção de idade!

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CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

Declamação deste colunista. Fundo Musical Biu do Pife do (CD) Pife do Biu

Nessa vida de poeta
Já cantei em palco e praça,
Com um bom cachê ou de graça
Querendo alcançar a meta,
Mas de maneira discreta
Vou mudando o meu roteiro,
Com esse jeitão roceiro
De mansinho fui chegando
E já estou “Proseando
Na sombra do Juazeiro”!

A natureza me inspira
E dela faço usufruto,
Pois um poeta matuto
Não deixa de ser caipira,
Sempre fala em macambira
Umburana e marmeleiro,
Mandacaru e facheiro
Mas ao longo do caminho
Para e descansa um pouquinho
Na sombra do Juazeiro.

Pois essa brisa arejada
Tão refrescante e gostosa,
Convida a gente pra prosa
Que já começa animada,
A poesia embalada
Nesse clima alvissareiro
Manda inspiração ligeiro
Para o poeta cantante
Que aqui repousa um instante
Na sombra do Juazeiro!

O gado também desfruta
Dessa sombra acolhedora,
Que é a grande protetora
E de forma absoluta
Qualquer animal disputa
O espaço desse sombreiro,
Até o velho umbuzeiro
Vai passar despercebido
Pois o lugar preferido
É a sombra do Juazeiro!

Ali procuram descanso
O besouro e a abelha
A vaca, a cabra, a ovelha,
A galinha, o pato, o ganso,
Cavalo, jegue, boi manso,
O sabiá prazenteiro,
O galo deixa o poleiro
Aonde vai pernoitar
E também vem se abrigar
Na sombra do Juazeiro!

Eu aproveitando o clima
De bonança e calmaria,
Versejo com alegria
Dando um capricho na rima
Aqui tem matéria prima
Pra cantar um dia inteiro,
Esse ambiente fagueiro
A qualquer um só faz bem.
Caro leitor, vem também,
Pra sombra do Juazeiro!

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

8 DE MARÇO – DIA DA MULHER

Deus fez a mulher, tão forte, tão linda,
E proveu-lhe ainda, de fertilidade!
Para que procrie, povoando o mundo,
Deu-lhe o dom fecundo da maternidade.

Não lhe fez rainha, nem lhe fez escrava,
Fez-lhe forte brava, franca, obstinada,
Mesmo que aparente, ser frágil, ser leve,
Não pode e nem deve, ser subjugada.

Deu ao seu semblante, meiguice, candura,
Afeto, ternura, graça e sedução,
Por conter beleza, no corpo e no rosto,
Causa ao sexo oposto desejo e atração.

Sempre é espancada pelo companheiro,
Que por ser grosseiro só lhe causa dor,
Violenta, estupra, persegue, extermina,
Com a mão assassina cheia de furor.

E sendo a mulher um ser tão completo
Carece de afeto, carinho e amor,
E não da bruteza do homem ingrato
Que dar-lhe maltrato desprezo e rancor.

Todas as mulheres merecem respeito
Por lei, por direito, de forma irrestrita,
Tanto a nobre e rica que habita a mansão
Quanto a do lixão, beco ou da palafita.

Mulher, não merece sofrer preconceito,
Adote o conceito de dar-lhe valor,
Portanto não deve fazer-lhe ameaça
Alegando a raça, o credo ou a cor.

Nesse oito de março da mulher é o dia,
Venho com alegria parabenizar,
Todas as mulheres, e a minha querida,
Meu amor, minha vida, e dona do meu lar.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

A TENTAÇÃO DO CANDIDATO E O MATUTO DESENROLADO

Eu sou um matuto broco
Sem instrução, sem leitura,
Criei-me arrancando toco
Com chibanca em terra dura,
Tirando ração pra o gado,
Cuidando do meu roçado
Pois aqui me sinto bem!
Vivo colhendo o que planto
Bem quietinho no meu canto
Sem dever nada a ninguém.

Levo a vida sossegada
Do nascer ao pôr-do-sol,
No final da madrugada
Contemplando o arrebol
E escutando a serenata
Que vem da orquestra nata
Do palco da natureza,
Agradeço orando a Deus
Por poder nos dias meus
Desfrutar dessa riqueza.

Eu vivo alegre demais
Morando no meu ranchinho,
No meio dos carrascais
Escutando os passarinhos
Cantando as modas nativas,
Olhando pras cores vivas
Do campo com seu matiz,
Aqui é o meu paraíso
Pois tem tudo que preciso
Pra que viva bem feliz.

Aqui não se justifica
Transtorno, aperreação,
Porque nessa terra rica
Não tem inquietação,
A tranquilidade é tanta
Que até quando o galo canta
Na madrugada serena
A gente sente prazer,
Dá gosto de se viver
Em felicidade plena.

Mas, mesmo nesse sossego,
Que a paz de Deus apresenta,
Logo o “demo” pega arrego
Nessa calma, e nos atenta!
Vem chegando sorrateiro
Parece um bom cavalheiro
Repleto de boa ação,
Porém, tudo é falsidade,
Pois a fingida bondade
Só são laços de traição.

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CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

UM APELO AO TEMPO

Tempo ingrato, mordaz e inclemente,
Tu, com tua atitude inconsequente,
Corroestes tão progressivamente
O luzir dos meus dias joviais!
Sem dar chance pra uma escapatória
Desmanchastes a minha farta história
Meus momentos de êxito, de vitória,
Tu levaste, e não trará jamais.

Minha face contém profundas rugas
As carquilhas, as pregas e verrugas,
Não me dão uma chance para fugas,
Minha cara já está desfigurada,
O espelho é sincero! Não me ilude,
Já me disse que agiste em plenitude,
Enviando-me para a decrepitude
De uma forma brutal, despudorada.

Deste cabo da minha mocidade
Sem ternura, sem maviosidade,
E o transporte sem freio da idade
Pela estrada da vida me conduz,
Vou seguindo em paz, resignando,
No caminho por Deus determinado,
Redimido, contido e sufocado,
Com o peso excessivo dessa cruz.

Mas em meio a tanto desalento,
Não reclamo, lastimo nem lamento,
Ao tempo, eu apelo no momento,
Pra que tenha comigo a sensatez,
De um viver que contenha qualidade
Dando a aura, a possibilidade,
Pra ceder-me a oportunidade
De chegar ao final com lucidez.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

JAMAIS PERCA A FÉ EM DEUS

Quem está tristonho, arrasado, deprimido,
Acha que a vida perdeu todo o seu sentido,
Que é azarado, um infeliz que não tem sorte,
Sem ter prazer, nem quer viver, prefere a morte?
Se, incriminar, se censurar ou se culpar,
Eu lhe garanto que não vai adiantar,
Pra lhe ajudar, tentar curar os males seus!
Dou-lhe um conselho, dobre o joelho e ore a Deus!

Não interessa se o seu Deus é um Deus pagão!
Pois Deus é Uno em qualquer religião,
Quem crê em Deus necessita força e fé,
Para o que crê, não importa Deus quem é,
Seja Deus Pai, seja Jesus, ou seja, Alá,
Deus de Abraão, Deus de Jacó ou Jeová,
Seja Orixá, ou se é Javé, Deus dos hebreus,
Quem implorar alcançará graças de Deus.

Então implore, faça fé na sua crença,
Deus vai ouvir e vai curar sua doença!
Vai dar-lhe apoio, lenitivo, subsídio,
Na hora infausta que planeja um suicídio!
Jamais esqueça que Deus é eficiente,
Onipresente, Onipotente, Onisciente,
E até aquele que se diz um antideus,
Ao crer em si passa a ser seu próprio Deus.

Deus está pronto pra tirá-lo do abismo,
Sem requerer paga, cota, taxa ou dízimo,
Deus é clemência, é bondade, é paz, amor,
Sem definir nação, credo, raça ou cor,
Mesmo que esteja em missa, culto ou oração,
Faça a morada de Deus em seu coração,
Não se proclame um ser maior, um semideus!
Só os humildes estarão perto de Deus.

Deus não só está nos altares da igreja
Deus lhe protege em qualquer lugar que esteja!
Deus não se agrada de algazarra e alarido,
Quem pede a Deus em silêncio, é mais ouvido,
Quem ora a Deus confiante, com firmeza,
Deus vai ouvi-lo e socorre-lo, com certeza!
E na mensagem que passei nos versos meus
Deixo um alerta! Jamais perca a fé em Deus.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

AS COISAS DO MEU LUGAR

Ó Senhor! Como eu queria,
Retornar ao meu rincão,
Pra sentir a brisa fria
Que em noites de verão
Chega pra nos refrescar!
E no pomposo arrebol
Escutar o rouxinol
Contente a cantarolar
Na hora do sol nascer!
Eu bem queria rever,
E outra vez me embevecer,
Com as coisas do meu lugar.

Ouvir do vento o açoite,
Banhar-me lá no regato,
E em cada boca de noite
Sentir o cheiro do mato,
Que com seu odor ameno
Em contraste com o sereno
Inebria o nosso olfato.
Daqui fico a implorar
Pedindo a Deus um aprovo,
Pra que eu volte de novo,
Pra curtir junto ao meu povo,
As coisas do meu lugar.

Ver a lua majestosa
Despontar por trás da serra,
Tão imponente e garbosa
Prateando a minha terra,
Espalhando no baixio
Um lençol fino e macio,
Onde a beleza se encerra.
Eu, estando a contemplar,
Tenho a fiel impressão
Que o Autor da Criação
Atingiu a perfeição
Nas coisas do meu lugar.

Como eu queria morar
Na casa grande, alpendrada,
Para outra vez me acordar,
No final da madrugada
Escutando os passarinhos,
Que ao deixarem seus ninhos
Pra saudar a alvorada
Declamam seu poetar
Sem que saia do esquema.
Cada um com seu poema,
Na dissertação do tema?
As coisas do meu lugar.

Hoje vivo tão distante
Da minha terra querida,
Sendo um mero viajante,
Pelas estradas da vida,
Deus que tudo determina,
Fará com que minha sina
Um dia seja cumprida,
Jamais canso de esperar!
Peço a Deus por caridade
Que me dê a liberdade,
Pra que eu mate a saudade,
Das coisas do meu lugar.

Meu desejo é só um sonho
Não passa de uma quimera,
Mas, meditando eu suponho,
Quem sabe o mesmo prospera?
Se esse é meu objetivo
Vou tentar mantê-lo vivo,
Implorando, ah! Quem me dera
Que eu pudesse retornar!
Praquele meu solo amado,
Aonde eu deixei guardado,
No cofre do meu passado,
As coisas do meu lugar.

CARLOS AIRES - PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO

ESSE O BRASIL DA GENTE

O nosso Brasil possui
Dimensões continentais,
Mas, os bens são divididos,
Em proporções desiguais
De um lado a elite nobre
Que dispõe de ouro e “cobre”
Não tem do que reclamar!
Usa perfume francês,
E com o vinho português
Degusta um bom caviar.

Do outro lado a pobreza
“Rala” pra sobreviver!
E rende graças a Deus
Quando arranja o que comer,
Paga caro a condução,
Só come arroz com feijão,
Macaxeira, mungunzá,
Salame, cachorro-quente!
Esse o Brasil da gente
Daqui, do lado de cá!

A vida é bem diferente
Do que vive no outro lado,
Que veste roupas de marca,
Passeia em carro importado,
Desfruta do privilégio
De estudar em bom colégio.
Se acaso acomete um mal
Que venha a lhe incomodar?
Vai depressa se tratar
No mais pomposo hospital.

Do lado de cá a vida
É dura, e não tem padrão,
Que estabeleça uma norma
Mínima, pra que o cidadão,
Sinta um breve refrigério.
Se, adoece, o caso é sério,
Tem que apelar pra Jesus
Pra que venha o socorrer,
Porque senão vai morrer
Na espera pelo SUS.

Só tem do lado de lá
Promotor, advogado,
Prefeito, vereador,
Governadores de estado,
Deputados, senadores,
Além dos grandes gestores
Que mandam nessa nação,
Cheios de pompas e brilhos
Já vão preparando os filhos
Pra dar continuação.

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