ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

MORRE O HOMEM FICA A FAMA

Antes de adentra nesse mundo fantástico da musicalidade que eu não manjo absolutamente nada, apenas sou um curioso e intrometido, gostaria de oferecer o texto a seguir ao grande maestro do JBF que é o nosso querido colunista PENINHA. Este sim, sabe de tudo!!! Pois bem, no campo da maestria musical falar de Ennio Morricone é o mesmo que falar que o açúcar é doce. Todos nós sabemos que a mente humana é mero artifício da sua manifestação. Em se tratando de obra artística então isso se aprofunda ainda mais quando ouvimos uma música e ficamos a imaginar como pode um ser criar aquele mundo, aquela linguagem poética, aquela verdadeiríssima miniatura do universo que nos transporta para tão longe em um vasto horizonte do conhecimento musical que é a obra que resultou em toda essa maestria e perfeição desse regente mestre da harmonia que foi o aclamado maestro Morricone.

No último dia seis do mês de julho de Senhora Santana do ano de dois mil e vinte, o maestro italiano se encantou aos 91 anos de idade, em Roma. Em um obituário escrito pelo próprio onde ele se despede de amigos, familiares e da esposa, Maestra Maria, a quem deixou seu “ADEUS MAIS DOLOROSO”. Escreveu ele: Estou anunciando a minha morte a todos os meus amigos que sempre foram próximos de mim e também aqueles que não vejo há algum tempo. Eu os saúdo com grandioso carinho. É impossível nomeá-los todos. E completou com a pureza ou a argumentação singela dessa frase que é de arrepiar: “Só existe um motivo que me faz dizer adeus a todos vocês dessa forma, e é o fato de eu ter decidido que gostaria de ter um funeral privado: eu não queria incomodar”. Ao nos deixar, Morricone escreveu: Eu, Ennio Morricone, estou morto.

VIDA QUE SEGUE!!! Foi na “Bota” da Europa que alguns dos melhores artistas de todos os tempos emergiram, tais como os renascentistas Leonardo da Vinci, Michelangelo ou Rafael. Séculos decorridos, a tendência para a produção artística de grande valor prevaleceu e a Itália orgulha-se de um filho pródigo voltado para a música. Com um currículo repleto de bandas sonoras dos mais diversos filmes, Ennio Morricone é um colosso no que toca à associação do mundo da música com o do universo do cinema. Com o “TOQUE DE MIDAS” da composição, o europeu tem o condão de conceder o complemento necessário para que nenhum detalhe impregnado num filme passe despercebido. Como afirma o ótimo cinéfilo de Caruaru-PE, Joaílton, Ennio Morricone esgotou todos os adjetivos para qualificá-lo…

O escritor Lucas Brandão que escreve para a revista eletrônica Comunidade Cultura e Arte é taxativo em afirmar quando nos relata que o legado do maestro se estende por mais de 6 décadas e de 500 composições para filmes. Ennio Morricone é um satélite que orbita tanto no planeta da música como no do cinema, fazendo a conexão fantasiosa entre os mesmos. Com um legado quase impossível de ser descrito num finito número de parágrafos, importa reforçar o caráter fascinante e unificador das composições musicais que reforçam já a aura única que cada filme transporta. Se já não bastasse que, pelo seu enredo e personagens, nos maravilhasse, a varinha mágica de Morricone dá uma fragrância de musicalidade etérea à história transmitida.

Um fato curioso e diferenciado na vida do maestro ou uma interessante peculiaridade da sua carreira é a de que nunca abandonou a cidade que o viu nascer e morrer (Roma) para fazer as suas composições e nunca aprendeu a falar inglês, passando esta evidência despercebida com a sua versatilidade tanto como compositor para diversos tipos de trabalhos artísticos como nas funções de maestro e nas de diretor dos mesmos. Abdicando de viajar o máximo possível, o italiano é também conhecido pela originalidade das suas composições musicais, elaborando-as sempre do zero e abdicando de usar elementos predefinidos e já existentes. Atualmente, no mundo do cinema, destaca-se a reciclagem do norte-americano Quentin Tarantino de vários êxitos do compositor em filmes dirigidos pelo cineasta, como por exemplo, em 2013, Django Livre.

Em janeiro de 2018, na cidade São Paulo, aconteceu uma mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, dedicada ao trabalho do maestro e compositor Ennio Morricone, provavelmente o maior de todos os compositores de trilhas sonoras para o cinema. “SONORA: ENNIO MORRICONE“ exibiu 22 filmes de gêneros e diretores diferentes, mas com algo em comum: a trilha marcante do maestro. Para todo o fã de cinema, é impossível medir a importância do SIGNORE MORRICONE para a história. Desde os spaghetti Westerns de Sergio Leone, até Os Oito Odiados, pelo qual finalmente recebeu um Oscar de trilha sonora, Morricone escreveu trilhas fantásticas. As preferidas, recentemente, são as de Os Intocáveis e a simplesmente perfeita de Cinema Paradiso – impossível não se emocionar com todas essas cenas….

A propósito do filme Era Uma Vez no Oeste que é um majestoso faroeste dirigido por Sergio Leone, muito da beleza visual desse filme deve-se ao maestro e compositor Ennio Morricone pois como é sabido, Leone pediu a Morricone que compusesse os temas musicais do filme, o que o compositor fez a partir da leitura do roteiro e de suas conversas com o diretor. Para as sequências e personagens principais, Morricone criou composições específicas e Leone executava essas peças durante as filmagens. Isso não só ajudou os atores, mas despertou nele, diretor, uma transcendente inspiração. Como diz o estudioso de faroeste Darci Fonseca: “Ennio Morricone já havia criado admiráveis e inovadoras trilhas sonoras para westerns spaghetti. Nenhuma delas, porém, atingiu a perfeição das peças musicais composta para “Era Uma Vez no Oeste”, especialmente o tema principal que tem o mesmo título do filme”.

Sob encomenda do cineasta SERGIO LEONE, Ennio Morricone escreveu as trilhas sonoras de quatro dos 10 principais filmes de Western Spaghetti: Por um Punhado de Dólares) (1964), Por Uns Dólares a Mais)(1965), Três Homens em Conflito (1966) e Era uma Vez no Oeste) (1968). Aliás, No filme Era Uma Vez no Oeste, a música conjugada com as imagens é uma das coisas mais bonitas que o cinema já proporcionou. Mas como nem só de um estilo vive a obra de um gênio, o maestro também assinou a trilha de obras de comédia, horror e drama. Os filmes Exterminação 2000 (1977), de Alberto De Martino; Áta-me! (1990), de Pedro Almodóvar e Reviravolta(1997), de Oliver Stone são alguns dos destaques da vida musical de Morricone fora do velho oeste. Pelo conjunto da obra, a indústria cultural assume que um gênio do calibre de Ennio Morricone surge uma vez a cada nunca mais.

A seguir, para os apreciadores da boa música, clique na imagem abaixo para ouvir por uma hora esta coleção de músicas originais comandada pelo maestro Ennio Morricone, todas fazem referência aos filmes Spaghetti Westerns.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

AS MAIORES INJUSTIÇAS COMETIDAS PELA ACADEMIA DE HOLLYWOOD NA ENTREGA DO PRÊMIO OSCAR

O médico argentino Ernesto Che Guevara de La Serna que matava gente como se sangra porco ou bode no alto sertão de Pernambuco, certa vez soltou essa prosa para o mundo inteiro: “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”… Só que, essa frase tinha uma conotação política e o jovem Che Guevara que no campo do estado democrático de direito pensava igualzinho ao hoje fantoche ou dublê de presidente do Brasil, o Bunda Suja Boca Porca Bolsonaro, pois não é à toa que Guevara “PRESERVAVA(?)” tanto a democracia que se considerava um ser humano três em um, ou seja: ele era soldado, juiz e carrasco ao mesmo tempo. Traduzindo: ele prendia, julgava e fuzilava…

Pois bem!!! Deixando as INJUSTIÇAS ideológicas de lado e partindo para os ’finalmente’ da parcialidade ou arrumadinho na arte do cinema, há muito que se sabe que as premiações desses 92 anos do PRÊMIO OSCAR, nunca conseguem agradar a todos. Isto é fato e notório em todos os anos que acontece a tal cerimônia festiva. Na verdade, a maior premiação do cinema mundial também costuma desagradar um ou outro – até mesmo a maioria, em alguns casos. Por isso, resolvemos listar, em pequena escala ou resumidamente as que seriam as maiores injustiças cometidas pela Academia em boa parte dos filmes, diretores e atores. SENÃO VEJAMOS:

Filmes de comédias nunca tiveram boa aceitação nas votações glamourizadas de Hollywood e seus protagonizadores, de um modo geral, sempre foram “escanteados” como se veem nos casos de Jerry Lewis, Charlie Chaplin, O Gordo e o Magro: o inglês Stan Laurel e o americano Oliver Hardy, os 3 patetas, Os Irmãos Marx e tantos outros do mundo dos filmes cômicos e divertidos. De uma das poucas comédias a vencerem o Oscar de melhor filme foi A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956). Uma das atitudes mais contraditórias da Academia, que na premiação, em 1957, deixou de fora o belíssimo ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, estrelado por Elizabeth Taylor e James Dean (o último filme da carreira do astro que inventou a moda do blusão de couro com golas levantadas. Dean morreu em um acidente automobilístico com apenas 24 anos de idade).

Páreo duro aconteceu na entrega do Oscar do ano de 1966: A Noviça Rebelde consolidou mais uma vez a preferência da Academia em relação aos musicais. O filme não é ruim, mas fica longe da qualidade narrativa do romance político Doutor Jivago (Doctor Jivago); já em 1972, o brilhante Laranja Mecânica foi indicado a quatro prêmios no Oscar, mas não levou nenhum deles. Perdendo, inclusive, a estatueta de melhor filme para Operação França. Certamente um dos maiores erros da Academia; no que diz respeito ao ano de 1986, a crítica cinematográfica bufou, xingou e caiu de pau na Academia por ter premiado Entre Dois Amores, filme estrelado por Meryl Streep e Robert Redford. O romance ambientado na África desbancou A Cor Púrpura, de Steven Spielberg, que teve 11 indicações e voltou pra casa sem nenhuma estatueta.

Nos idos de 1995, os filmes que competiam pelo principal prêmio da noite eram todos qualificados. Quem levou a estatueta foi O Contador de Histórias, até porque o longa-metragem é o típico filme americano. Mas poderiam muito bem ter vencido Tempo de Violência (Pulp Fiction), de Quentin Tarantino, com John Travolta e Bruce Willis, ou Um Sonho de Liberdade de Frank Darabont, com o negão Morgan Freeman, o melhor filme de todos os tempos segundo o ranking dos internautas no site americano muito conceituado (nesse mesmo site o filme faroeste Três Homens em Conflito ocupa a 9ª. posição do melhor filme de todos os tempos).

Para muitos cinéfilos, o Oscar de melhor ator costuma ser o prêmio mais justo. Somente em duas ocasiões o prêmio deixou certo rancor nos aficionados da telona. A primeira foi em 2009, quando Sean Penn venceu o prêmio por Milk – A Voz da Igualdade, ao invés de Mickey Rourke em O Lutador, no papel que fez o ex-galã de 9 1/2 Semanas de Amor voltar à Hollywood com uma atuação minimalista em um dos filmes mais emocionantes deste século. A segunda vez foi em 2014, quando Matthew McConaughey conquistou a estatueta por Clube de Compras Dallas, deixando mais uma vez Leonardo DiCaprio a comer poeira. Mundialmente famoso após interpretar Jack no filme Titanic (1997), DiCaprio possui cinco indicações ao prêmio de Melhor Ator do Oscar, mas conquistou apenas uma estatueta: em 2016 com o longa O Regresso.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas também gosta de pregar suas peças em diretores famosos. Não é à toa que, Alfred Hitchcok nunca ganhou um Oscar. Foi indicado em cinco oportunidades: Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), Um Barco e Nove Destinos (1944), Quando Fala o Coração (1945), Janela Indiscreta (1954) e Psicose (1960). Stanley Kubrick também nunca levou um Oscar. Foi indicado em 4 oportunidades, inclusive no filme Laranja Mecânica em 1972. Martin Scorsese só recebeu o prêmio de direção em 2007 com Os Infiltrados. O maior crime foi perder a disputa em 1991, por Os Bons Companheiros, quando Kevin Costner desbancou Scorsese no prêmio de direção por Dança Com Lobos. Com uma extensa filmografia na qual se incluem obras como “Taxi driver (1976), “Touro indomável” (1980), recente mente O Irlandês (2019) com Robert De Niro e Al Pacino e “Os infiltrados” — que finalmente lhe deu o Oscar em 2007—, documentários e séries para a TV, o consagrado diretor, roteirista e produtor Martin Scorsese já foi nomeado 9 vezes na premiação, pois é o diretor vivo mais indicado ao Oscar. O curioso nesse mundo fantástico de Hollywood é que, Charles Chaplin nunca foi indicado ao Oscar de melhor direção. E pasmem!!! John Ford, o maior diretor de filmes faroestes de todos os tempos, já foi contemplado 4 vezes com a estatueta dourada e nenhuma delas foi com filmes de cowboy ou bang bang.

Em 2010, na 82ª edição do Oscar, Bastardos Inglórios e Altas Aventuras eram, disparados, os melhores filmes indicados ao Oscar. Infelizmente, a Academia ainda não estava pronta para premiar uma animação ou um trabalho de Quentin Tarantino como o melhor do ano. Na ocasião, o prêmio foi para o superestimado Guerra ao Terror, que também rendeu à Kathryn Bigelow o prêmio de MELHOR DIREÇÃO, sendo a primeira mulher a ganhar a estatueta na história da premiação. E por falar em mulher, FERNANDA MONTENEGRO foi a única brasileira a ser indicada à categoria na História pelo filme Central do Brasil (1999). Infelizmente, ela foi “GARFADA” e o troféu ficou para a sem sal Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado. E o que dizer do filme O Resgate do Soldado Ryan perder para esse mesmo Shakespeare Apaixonado…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

A VIGÉSIMA QUINTA HORA: O ROSTO DE HITLER ERA UMA MÁSCARA DE SANGUE…

A Vigésima Quinta Hora, assim como outros livros e filmes que se têm, leem-se ou assistimos sobre o nazismo, são coisas que nos levam a pensar na nossa condição humana de URGÊNCIAR nossa liberação de preconceitos. Obviamente, a obra-base, o livro que é um romance de um escritor romeno é muito superior, mais trágica, forte, filosófica, triste e sofrida, mas o filme traz uma ótima adaptação. A película cinematográfica é exageradamente brutal em razão de um simples romeno, vira judeu, depois nazista e tudo isso pra virar romeno de novo, tornando-se numa jornada maluca. Na verdade, é um episódio trágico mas com um final triste e feliz ao mesmo tempo. No seu romance — que virou filme igualmente bem-sucedido do mesmo ponto de vista que qualifica os best-sellers —, o padre da Igreja Ortodoxa e escritor Constantin Virgil Gheorghiu deixa uma mensagem bem clara que só há um motivo para explicar tudo isso: O ROSTO DE HITLER ERA UMA MÁSCARA DE SANGUE…

A sinopse do filme que tem uma duração de uma hora e meia, trata de uma Romênia do ano 1939, que tem em Johann Moritz(muito bem interpretado pelo ator mexicano Anthony Quinn que morreu em 2001 aos 86 anos). No enredo, um simples camponês, é falsamente rotulado como um judeu e enviado para um campo de concentração nazista. O homem responsável pela deportação é um policial do distrito, que cobiça Suzanna, a mulher de Johann. A fim de salvar sua casa de ser confiscada como propriedade judaica, ela é forçada a se divorciar. Dezoito meses mais tarde Johann escapa para a Hungria, mas as organizações de refugiados judeus se recusam a ajudá-lo, porque ele insiste que não é judeu. Capturado, é ironicamente considerado por um coronel nazista, como um exemplar-modelo de ariano (medem seus ossos, nariz, rosto, etc.) e obrigado a alistar-se como um soldado da SS. Ele acaba por passar toda a guerra, sem entender os motivos, de tudo aquilo que lhe está acontecendo, nem as razões do conflito mundial.

O professor de geografia, Jesus Curado, tem uma tese bastante interessante, diz ele: “A mulher pode ser para o homem, motivo de salvação ou de perdição. Isso vale para a vida real, tanto quanto para a literatura. Na literatura talvez com um pouco mais de ênfase, que na vida real. Mas a regra vale para ambos. Helena com sua beleza inigualável, foi a perdição de Troia. E Susana foi a perdição de Johann Moritz”. Moritz e Susana, são personagens do livro que se transformou em filme. Foi por causa de Susana, que o pobre aldeão foi lançado num campo de concentração. Johann Moritz, nada fez, nem mesmo era judeu. Seu único pecado foi se casar com uma mulher bonita, Susana, que caiu nas graças de um capitão da SS, que para ficar com Susana, mesmo que a força, tinha que ter o caminho livre e Moritz era o empecilho para que ele alcançasse o seu objetivo. Alguém já disse que a alma da mulher tem algo de obscuro, de misterioso… Será?!?!?!

O desenrolar do filme é um clássico da incompreensão. Tudo isso em razão de, o camponês Moritz, interpretado por Anthony Quinn estava casado com a linda Suzanna (Atriz Virna Lisi) e levava vida normal, alheio aos embates dos tempos modernos. No filme, há um escritor que se tornou amigo do protagonista Quinn e a certa altura ele desabafa para o amigo: “O Ocidente criou uma sociedade semelhante a uma máquina. Obriga os homens a viverem no seio dessa sociedade e a se adaptarem às leis das máquinas”. Mais afinal, por que o título do livro ou do filme é a vigésima quinta hora? Nas entrelinhas, toda a história nos faz crer ou diz que esta é a hora em que nada mais poderá ser feito. Nem um Messias vai salvar a humanidade na vigésima quinta hora. O dia tem apenas 24 horas, numa alusão de que o que tem que ser feito deve ser feito enquanto for possível. Depois, não adianta mais. O tempo se esgota. VIGÉSIMA QUINTA HORA É um filme penoso, revoltante, que provoca indignação, mas serve para o telespectador concluir que cor era a máscara usada pelo ditador Hitler. Vale a pena assisti-lo.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

LEGADO PARA A POSTERIDADE DOS 90 ANOS DE CLINT EASTWOOD

Qualquer manchete cairá bem quando alguém for escrever sobre um monstro sagrado da cinematografia mundial, assim como essa!!! CLINT EASTWOOD FAZ 90 ANOS: DE CAUBÓI DURÃO A FINO DIRETOR DE OBRAS-PRIMAS. Alguém, assim como eu, já escreveu o seguinte ou mais ou menos desta forma sobre esse noventão: Clint era um magrelo que não tinha cara de ir muito longe — alto, cabelos cor de areia e tímido, ele mesmo não se via como o tipo certo para o estrelato. Há época da glamourizada Hollywood pedia-se morenos, mandões, românticos. Só que, no caminho apareceu um Leone tinha um Leone em seu caminho…

Pois bem!!! A literatura mundial do cinema e seus respectivos cinéfilos nos afirmam que, Sergio Leone não viu as coisas assim. Com a ida à Itália e Por um Punhado de Dólares, de 1964, Clint tornou popular o caubói silencioso e durão, que chega a um lugar MUDO e, aventuras depois, vai embora CALADO como chegou. O sucesso popular chegou aos 34 anos e consagrou o tipo do estranho sem nome em cujo rosto parecia que o sol batia sempre forte. Mas, para todos os efeitos, era ainda um galãzinho do “western spaghetti”, um gênero popularesco, definitivamente menor, de um intruso no Velho Oeste como Leone.

Clint Eastwood veio da TV quando apareceu com a série de western Couro Cru – Rawhide, Ele dividia a Série ao lado de Eric Fleming, cujo papel era mais importante do que o de Clint, embora este seja o segundo nome no elenco. A série foi ao ar até 1965. Mas foi graças a esta série televisiva que a estrela de Clint acabaria de encontro com o cineasta Sergio Leone (1929-1989), que introduziria o chamado Western Spaghetti, um novo estilo de se fazer faroestes bem diferentes dos americanos. Em 1964 Sergio Leone tinha conseguido 200 mil dólares para rodar seu primeiro western que se chamaria Por um Punhado de Dólares. Pensou em Henry Fonda, James Coburn, e Charles Bronson para o papel principal, mas os três recusaram.

Vejam só que ironia do destino: Indicaram então a Leone ERIC FLEMING, o astro principal da série de TV Couro Cru. Mas Eric pediu 50 mil dólares para participar do filme. Portanto, Leone recusou a pagar seu preço. Por sua vez, Leone ofereceu o papel a Clint Eastwood, o companheiro de Eric Fleming, com a oferta de 15 mil dólares, quantia esta que foi aceita por Eastwood, que acabou virando um grande astro. Eric Fleming, por sua vez, saiu da série Couro Cru, e foi filmar no Peru, onde acabou morrendo tragicamente em um acidente de filmagem, afogado num rio da floresta amazônica, aos 41 anos de idade.

Daí, Eastwood começou a ter destaque após interpretar o misterioso Homem sem nome na trilogia dos dólares de Sergio Leone. Os filmes Por Um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965), e Três Homens em Conflito (1966) foram um verdadeiro sucesso em terras italianas e norte-americanas, em especial o último, que fez Clint Eastwood se tornar famoso mundialmente. Em que pese ser um ator mediano ou meeiro, ele sempre nos passava a impressão de ser o herói ou anti-herói monossilábico, com ar impenetrável – uma combinação perfeita para o estilo cara-de-pedra. Mesmo não sendo um grande ator era uma figura bastante carismática, pois o vejo, cada um com seu estilo ou linhas bem diferentes, como o sucessor do grande John Wayne. Não à toa que o mestre Sérgio Leone costumava afirmar que, “Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. UMA COM O CHAPÉU E OUTRA SEM ELE…”.

O nosso tributo a Clint Eastwood pelo seu aniversário é em razão dele ser uma das grandes lendas VIVAS do cinema que no última dia 31 de maio completou 9 décadas de existência, e uma vida cheia de lutas, prêmios e glórias. Conforme nos relata com muita precisão o pesquisador e estudioso da biografia de Clint, o carioca Paulo Telles, ele é um artista que não se deixou abater pelo avanço da idade e que continua firme e forte em seus projetos, um exemplo para seus amigos, colegas de profissão, e fãs que com o passar do tempo se transformou nesse espetacular ator, produtor e diretor. Seu nome de batismo é Clinton “Clint” Eastwood Jr, nascido em São Francisco, Califórnia, sua família era de ascendência escocesa, inglesa e irlandesa, de classe média e protestante.

Por fim, que fique bem entendido: quando me refiro a esses dois “monstros” sagrados do cinema, pois é bom que fique bem evidenciado que, na verdade, John Wayne foi melhor apenas um degrau acima. Eu ousaria afirmar que os dois astros não eram grandes atores, e sim altamente carismáticos. Afinal, os dois tinham uma presença fascinante nas plateias do mundo inteiro!!!

Clique na imagem abaixo para assistir a live 90 anos de Clint Eastwood

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

AL PACINO, O MITO DA INTERPRETAÇÃO EM FILMES DE GÂNGSTERES COMPLETA 80 ANOS

Pois é, gente, a lenda Al Pacino já é um idoso: o nova-iorquino completou 80 anos!!! Como afirma o próprio Alfredo James Pacino, nascido em abril de 1040, “LENDA, EU? Por favor, lenda era Marlon Brando. Claro, o imitei quando era jovem”… Cresceu no Bronx, um dos bairros mais difíceis da Nova Iorque glamourizada. Quando adolescente cometeu alguns delitos e chegou a ser preso aos 20 anos. Sua verdadeira liberdade viria pelo universo da interpretação quando começou sua carreira cinematográfica atuando em 1969 no filme “Me, Natalie”, em um papel menor de apoio. A verdadeira estreia em um papel principal foi no drama “The Panic in Needle Park”, de 1971. Ali foi visto pelo grande diretor Francis Ford Coppola, que o levaria a viver o papel que o lançaria à fama mundial, o de Michael Corleone em “O Poderoso Chefão”.

Reverenciado por todos, seu rigor profissional é muito bem reconhecido. Pacino tem sido referência para seus companheiros de profissão, e imagem que garante qualidade e compromisso artístico para o público. A genialidade de Al Pacino também pode ser percebida nas recentes produções de “Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, e “O Irlandês”, de Martin Scorsese. As duas produções tiveram indicações ao Oscar 2020, mostrando parte do enorme talento do ator. Obra vasta que, para ser melhor entendida, requer um passeio pela trajetória cinematográfica deste grande ator. Um dos poucos atores que já receberam a tríade de prêmios conhecida como “Triple Crown”, usada para definir aqueles que ao longo da carreira ganharam ao menos um Oscar (cinema), um Emmy (televisão) e um Tony (teatro), Al Pacino agora é oitentão.

Incansável e talentoso, além de ser o Michael Corleone de Copolla, ele foi o Tony Montana em “Scarface”, policial, detetive, advogado, ganhou Oscar de Melhor Ator no 65ª Prêmio da Academia por sua atuação como o sedutor Frank Slade do encantador “Perfume de Mulher”, e foi muito premiado, no cinema e no teatro. Antes da vitória como Slade teve outras sete indicações à estatueta de Hollywood. Seu Michael Corleone lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, assim como por seus papeis em “Dick Tracy” e “O Sucesso a Qualquer Preço”. Suas indicações ao Oscar de Melhor Ator incluem “O Poderoso Chefão – Parte 2”, “Serpico”, “Um Dia de Cão” e “E Justiça para todos”.

Em homenagem aos 80 anos da fera, reunimos uma seleção com alguns trabalhos memoráveis do ator para quem quiser assistir nessa quarentena do coronavírus, desejando-lhe felicidade por completar 8 décadas de vida, 5 delas dedicadas ao cinema, teatro e televisão. EIS A SELEÇÃO: Trilogia O Poderoso Chefão (1972) – Serpico (1973) – Um Dia de Cão (1975) – Parceiros da Noite (1980) – Scarface (1983) – Perfume de Mulher (1992) – O Sucesso a Qualquer Preço (1992) – O Pagamento Final (1993) – Advogado do Diabo (1997) – O Informante (1999) – O Irlandês (2019) – Era Uma Vez em… Hollywood (2019).

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

SAIBA QUEM LEVOU MAIS HOMENZINHOS DOURADOS PARA CASA

Os atores mais premiados, os vencedores mais velho e a atriz que levou o Oscar aos 6 anos de idade. Confira na lista abaixo quem são as pessoas que fizeram história ao bater recorde na premiação da Academia de Hollywood do prêmio mais cobiçado do cinema.

TRÊS FILMES LEVARAM PARA CASA 11 ESTATUETAS NO TOTAL:

Ben Hur (1959), Titanic (1997), e Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003).

MAIOR NÚMERO DE NOMEAÇÕES:

Três filmes receberam 14 indicações no total: A Malvada (1950), que ganhou seis prêmios, e Titanic (1997), que levou 11 homenzinhos dourados para casa, e La La Land (2016)..

PESSOA COM MAIS VITÓRIAS:

Walt Disney é o homem com mais vitórias, 22 no total. Já Edith Head é a mulher mais vitoriosa, ela coleciona oito homenzinhos dourados, todos por seus trabalhos como figurinista.

DIRETOR QUE MAIS VENCEU:

John Ford recebeu o prêmio de melhor diretor quatro vezes, por O Delator (1935), Vinhas da Ira (1940), Como Era Verde Meu Vale (1941), e Depois do Vendaval (1952). O cineasta ainda foi indicado pelo seu trabalho em No Tempo das Diligências (1939).

ATRIZ QUE MAIS VENCEU:

Katharine Hepburn é a recordista dos prêmios de atuação, quatro vezes, por seus trabalhos em Manhã de Glória (1933), Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967), O Leão no Inverno (1968), e Num Lago Dourado (1981). Meryl Streep só precisa de mais uma estatueta para igualar o recorde.

ATOR QUE MAIS VENCEU:

Daniel Day Lewis coleciona três troféus por suas atuações em Meu Pé Esquerdo (1989), Sangue Negro (2008), e Lincoln (2013).

ATORES INDICADOS MAIS VEZES:

Meryl Streep tem um total de 20 indicações (e 3 vitórias). Já entre os homens, o campeão é Jack Nicholson, com 12 indicações (e também 3 vitórias).

VENCEDOR MAIS JOVEM:

Shirley Temple ganhou o prêmio aos 6 anos de idade, em 1934. Ela venceu a extinta categoria Juvenile Oscar, que premiava jovens talentos do cinema.

VENCEDOR MAIS VELHO:

Depois de cinco indicações em que saiu de mãos abanando, ENNIO MORRICONE se tornou a pessoa mais velha a receber um Oscar. O compositor foi premiado aos 87 anos na categoria melhor trilha sonora, por seu trabalho em Os Oito Odiados (2015). O artista já tinha recebido um Oscar honorário em 2007.

VENCEDORES CONSECUTIVOS:

Receber o maior prêmio do cinema em anos seguidos é um privilégio para poucos. APENAS DUAS ATRIZES SUBIRAM AO PALCO CONSECUTIVAMENTE: Luise Rainer, por Ziegfeld – O Criador de Estrelas (1936) e Terra dos Deuses (1937); e Katharine Hepburn por Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967) e O Leão No Inverno (1968). ENTRE OS HOMENS, OS PRIVILEGIADOS SÃO Spencer Tracy, por Marujo Intrépido (1937) e Com Os Braços Abertos (1938); e Tom Hanks, por Filadélfia (1993) e Forrest Gump (1994). NA CATEGORIA DE DIREÇÃO, três cineastas dominaram o Oscar por dois anos seguidos: John Ford, por Vinhas da Ira (1940) e Como Era Verde Meu Vale (1941); Joseph L. Mankiewicz, por Quem É o Infiel? (1949) e A Malvada (1950); e Alejandro G. Iñárritu, por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014) e O Regresso (2015).

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MORTOS QUE MATAM

Se há uma semente com 66 anos de existência que foi germinada e deu muitos frutos, esta é sem dúvidas a obra de Richard Matheson, um livro publicado no ano de 1954 intitulado I AM LEGEND. Pois bem, The Last Man on Earth (MORTOS QUE MATAM – 1964) foi a primeira adaptação para o cinema do livro “I Am Legend” (Eu sou a Lenda – 1954), houve uma segunda chamada “The Omega Man” (1971) e mais duas “I Am Legend” (Eu sou a Lenda – 2007, sim aquele com o Will Smith) e “I Am Omega” (A Batalha dos Mortos – 2007). O jornalista e estudioso de filme de terror, Ricardo Roveran, é taxativo ao afirmar que, o autor do livro participou do roteiro do filme de 1964 e este deixa claro tratar-se de uma doença que veio da Europa e que contagia todos pelo ar. Segundo o jornalista, Este “ZUMBI” está consciente até certo ponto e inclusive fala.

Pela força crítica do conteúdo, o pesquisador Ricardo Roveran concede uma nota 10 para Mortos que Matam e, segundo sua concepção, ele afirma que o elenco é bem razoável, mas Vincent Price e Franca Bettoia merecem destaque. A Ruth de Bettoia é inclusive além de personagem do filme, um estereótipo feminino, maduro e real de sua época, o que acrescenta o valor estético da obra. A trilha sonora é aquela confusão dramática pós cinema mudo, mas que vale a pena conferir e em momento algum peca contra a harmonia. A fotografia simplista numa paleta de preto e branco, clássico e expressivo, que novamente são a marca de um tempo. A edição é naquela altura motivo de elogios, com transições muito bem montadas, sobretudo nos momentos nos quais as memórias surgem e a narrativa ganha substância de alma. O roteiro é veloz, prende atenção e não deixa faltar qualquer informação.

O enredo do filme em preto & branco nos mostra que após a devastação da Terra por uma peste, um cientista se dá conta de ser o único sobrevivente vivo. A partir da catástrofe, criaturas surgidas a partir dos doentes retornam à vida e passam a habitar a Terra atacando o último sobrevivente, o Dr. Morgan. Para se livrar do ataque destas criaturas mortas-vivas, Dr. Morgan precisa utilizar-se de métodos anti-vampirescos como fogo, alho e estacas de madeira!!! Baseado em livro escrito pelo especialista em ficção científica Richard Matheson, o filme é a primeira e talvez a melhor transcrição para o cinema das três versões que foram efetuadas. A segunda versão, com Charlton Heston, teve o título no Brasil de “A Última Esperança da Terra” (1971) e a terceira chamou-se “Eu Sou a Lenda” (2007), com Will Smith. Todas as três versões têm os seus méritos. A segunda versão, com Charlton Heston, trouxe para o mundo das cores o mesmo tema e também tornou-se um primor de adaptação.

Fotografado em preto e branco e com uma coprodução entre Estados Unidos e Itália, este último teve a participação do próprio Matheson (autor do livro) como um dos roteiristas (sob o pseudônimo de Logan Swanson). O protagonista é o Dr. Robert Morgan, um cientista vivido pelo grande Vincent Price que desenvolve uma curiosa imunidade à enfermidade e prossegue num desesperador combate pela vida, enquanto busca em seu laboratório uma cura para o mal que acabou com o mundo do qual aparentemente sobrou apenas ele. Curiosamente, os ataques noturnos das criaturas infectadas contra a casa do cientista isolado serviram de inspiração para George Romero conceber o seu clássico absoluto A Noite dos Mortos-Vivos alguns anos depois, em 1968, nas sequências envolvendo os zumbis tentando invadir a casa de campo que servia de refúgio para um grupo de sobreviventes.

A ótima equipe do site BOCA DO INFERNO especialista em filmes de terror descreve-nos ou nos conta a história do cientista Robert Morgan (Price), que há 3 anos está sozinho no mundo, sendo o último homem legítimo sobre a Terra, após uma misteriosa epidemia espalhar um vírus desconhecido que transformou as pessoas em criaturas zumbificadas com características vampirescas, que somente saem de seus refúgios durante à noite. Ele é imune à praga, sente a dor de viver sozinho num mundo vazio, carrega a angústia de ter visto a mulher Virginia (Emma Danieli) e a filha pequena Kathy (Christi Courtland) serem afetadas pela contaminação, caminha de dia como uma lenda caçando e exterminando os infectados, cravando-lhes uma estaca no coração e carbonizando os corpos numa imensa vala, e se protege de noite escondendo-se em sua casa, resistindo ao constante ataque das criaturas. Há quem afirme que MORTOS QUE MATAM(1964) é o melhor entre os outros filmes já lançados.

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ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

EU SOU A LENDA

Ruas devastadas, sombrias e sem habitantes… Para a época de hoje, em tempos de coronavírus, esse é o cenário principal do filme EU SOU A LENDA, em inglês I AM LENGEND. É um dos mais famosos na categoria de filmes sobre epidemias. Protagonizado por Will Smith e dirigido por Francis Lawrence com data de lançamento, no Brasil, em 2008. Grande destaque também para a cachorra Samantha e a bela atriz brasileira Alice Braga. A história gira no entorno de um mundo totalmente destruído por uma doença que transforma as pessoas em criaturas parecidas com “VAMPIROS”. Sem dúvida é um dos melhores filmes da carreira de Will Smith, muito bem interpretado, com uma história um tanto convincente e bem desenrolada, além de bem produzida e dirigida com atuações convincentes, cenas de ação espetaculares, efeitos visuais de perder de vista e uma excelente dublagem.

Eu Sou a Lenda foi baseado no filme “A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA”, de 1971, com uma interpretação magnífica do astro Charlton Heston.. Eu Sou a Lenda é baseada em romance de Richard Matheson, pois é muito bem escrita e tem no ator Will Smith uma força impressionante. É ele sozinho que dá credibilidade a trama. As imagens de uma Nova York devastada também são impressionantes. Um terrível vírus incurável, criado pelo homem, dizimou a população de Nova York. Robert Neville (Will Smith) é um cientista brilhante que, sem saber como, tornou-se imune ao vírus. Há 3 anos ele percorre a cidade enviando mensagens de rádio, na esperança de encontrar algum sobrevivente. Robert é sempre acompanhado por vítimas mutantes do vírus, que aguardam o momento certo para atacá-lo. Paralelamente ele realiza testes com seu próprio sangue, buscando encontrar um meio de reverter os efeitos do vírus.

Lançado em 1954, o romance Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson, está em sua terceira adaptação para o cinema – e deve ganhar muitas mais no futuro. O motivo são as excelentes ideias contidas na obra, que se relacionam com os temores mais primais da humanidade, que não envelhecem. Essa base é a mesma nos três filmes – Mortos que matam (The Last Man on Earth, 1964), A Última Esperança Sobre a Terra (The Omega Man, 1971) e o atual, Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2008) – todos absolutamente distintos esteticamente e icônicos representantes de suas épocas. Filme preciso, mexe muito com a nossa cabeça e com nossos sentimentos. Um exemplo de coragem e determinação do personagem Robert Neville que fica sozinho em uma cidade em meio ao caos de um “APOCALIPSE” e que mostra como é importante ter uma companhia, no caso o seu cachorro, dando esperança e força para continuar sua luta diária.

O cinéfilo Érico Borgo nos conta que o filme deu certo em razão de ser superlativo e ter figuras como o competente cineasta Francis Lawrence e o astro Will Smith que dá certo justamente ao exercer o poder da maior indústria cinematográfica do planeta. Se o filme EXTERMINÍO tem uma das mais legais cenas de cidade abandonada já feitas, Eu Sou a Lenda tem um filme inteirinho delas – e gravadas na Nova York de verdade, interrompendo as veias da frenética capital do mundo em prol da diversão. Smith está competente como nunca (atenção para a cena com o cachorro no laboratório e as discussões com Ana, vivida pela brasileira Alice Braga), o cineasta sabe direitinho o que faz e o roteiro tem um ritmo diferente do que normalmente se vê por aí. Eu Sou a Lenda é o tipo de filme que costuma fazer sucesso nos cinemas ao misturar o carisma de um ator do porte de Will Smith a caprichados efeitos especiais e um enredo apocalíptico. Na verdade, o diretor Lawrence utiliza-se da ausência de luz e som em alguns momentos para criar o clima claustrofóbico que remete à solidão sentida pelo personagem. Eu Sou a Lenda, em tempos de coronavírus, é um filme de boa valia e vale a pena assisti-lo.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA

O excepcional ator Charlton Heston que faleceu em 2008 aos 85 anos de idade mais uma vez é o representante final da espécie humana. Como fora em O PLANETA DOS MACACOS (1968) e depois em NO MUNDO DE 2020 (1973). O grande pesquisador e estudioso de cinema, Paulo Telles, nos faz um levantamento de um filme do ano de 1971 intitulado A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA. Mais uma vez Heston no papel do cientista militar – Dr. Robert Neville – acredita ser o único sobrevivente de uma guerra bacteriológica entre a União Soviética e a China em 1975. Encontramos o Dr. Neville em 1977 numa Los Angeles deserta, vivendo em seu apartamento de cobertura, cercado de luxo e de um verdadeiro arsenal. As armas tem função de desafiar os mutantes que sobreviveram à fúria nuclear e agem como vampiros, que sofrem de FOTOFOBIA e saem pela escuridão da noite para queimar tudo que restou da cultura humana e fazer guerra contra a herança tecnológica representada pela presença de Neville. Todas as noites, os mutantes reaparecem para queimar livros, destruir pinacotecas e vestígios de progresso, numa verdadeira orgia de encenação medieval contra tudo que significou o apogeu da ciência e do progresso.

Costumamos acreditar que filmes de outras épocas não possuem os mesmos males dos filmes atuais. O “Eu Sou a Lenda” era um filme de marketing, numa época que o Will Smith era utilizado como o grande astro de Hollywood do momento, e o título, embora seja o mesmo do livro, é muito sugestivo. “A Última Esperança da Terra” é um “filme de Charlton Heston”, segue a mesma premissa do romance. e das outras duas produções com Vincent Price e Will Smith, mas desvia bastante para entregar tudo o que um “filme de Charlton Heston” tem: referências religiosas e mutantes albinos encarnando uma mistura de dr. Zaius do “Planeta dos Macacos” com os mutantes que adoram a bomba do “Além do Planeta dos Macacos”, inclusive nos discursos. O filme é bem localizado em sua época, critica a proliferação de armas de destruição em massa, criticam os religiosos radicais e sua religião como dona da verdade, tem referência ao Woodstock, tem black power, tem até dança tocando nas cenas de ação. É divertido, pelo lixo, pela nostalgia, principalmente se assistir dublado.

Mais um papel heroico de Charlton Heston nesse filmaço de ficção científica com um ótimo roteiro que prioriza a ação e o suspense em detrimento de efeitos especiais. Outro destaque são as cenas da cidade abandonada. Um clássico dos anos 70. Os monólogos de Heston são o ponto alto do filme, afinal, isolamento e desesperança são aspectos que tornam a caracterização do personagem mais atrativa. Porém, com a inserção de outros personagens, a narrativa perde fôlego. O filme nos mostra que, ao invés de simples zumbis animalescos, mudos e sedentes de sangue, temos uma seita fanática com toda uma retórica e ideologia (ainda que absurda e doentia) e isso acrescenta MUITO ao filme. Como já foi dito, na adaptação dos filmes: Mortos que Matam, Última Esperança da Terra e o filme Eu Sou a Lenda de 2007 São baseados no Livro (Eu Sou a Lenda do escritor Richard Matherson) o livro foi escrito em 1954.

O interessante no filme é que os mutantes/vampiros (conhecidos como “A Família”) desaparecem nas horas do dia, enquanto Neville busca seus meios de subsistência nas lojas semidestruídas de alimentos, nas farmácias e nas butiques de elegância masculina, isto é, o cientista tem tudo a sua disposição quando bem quer, desde as lojas, os hotéis, e até mesmo as salas de cinema, onde ele mesmo próprio projeta os filmes que assiste. São nessas ocasiões em que ele procura descobrir o esconderijo do líder dos mutantes, Matthias (Anthony Zerbe), cujos seguidores reaparecem à noite para tentar atacar Neville e tudo que sobrou da ciência. Outro fato importante do filme é que o cientista tem tudo registrado em seu gravador portátil e anota em seu diário todos os movimentos dos mutantes.

Em suas pesquisas, Paulo Telles nos relata um fato curioso em que o cineasta e os roteiristas não se aprofundaram bem no comportamento de Neville – o Homem Ômega do título original, começo e fim, que ao se fazer uma alusão a Jesus, acaba “crucificado” doando seu sangue não contaminado para a salvação da humanidade. O resultado é um filme com elementos atrativos, mas não muito convincente, apesar dos esforços do diretor e dos cuidados da produção. Charlton Heston, desempenhando mais uma vez o herói que se sacrifica pela humanidade, está ótimo como o Dr. Robert Neville, o Omega Man. A talentosa atriz Rosalind Cash perfeita como Lisa, mas quem mesmo rouba as cenas é o fantástico Anthony Zerbe como Matthias, o fanático mutante convencido de sua missão carismática. Sem dúvida, A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA é um verdadeiro clássico da década de 1970.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O REI DOS REIS

Em 1961, o diretor Nicholas Ray realizou uma das obras mais importantes da Vida de Jesus Cristo, um tributo à iconografia cristã. Na verdade, uma bela representação através de imagens. Conforme nos conta o cinéfilo Paulo Telles, o diretor traz para esta fita o seu EVANGELHO CÊNICO, HIERÁTICO, POLÍTICO, GRAVE, e COMOVENTE…

Ao contrário do que geralmente ocorre em outras versões da Paixão, REI DOS REIS inicia sua narrativa 63 anos antes do nascimento de Jesus, quando os romanos sob as ordens do General Pompeu (Conrado San Martin) invadem Jerusalém e conquistam o território. Por meio de um prólogo, narrado brilhantemente por Orson Welles (1915-1985), vemos a tomada da Judeia pelo exército romano e a nomeação do Rei Herodes (Gregoire Aslan) como uma espécie de interventor local. Inicia-se a perseguição ao povo judeu, que resiste com a crença de que a salvação está na vinda do Messias.

Assiste-se neste filme, KING OF KINGS, a vida de Cristo contada com rigor histórico. Da manjedoura em que nasceu na cidade de Belém para a adoração de milhares de fiéis espalhados pelo mundo, a vida de Jesus Cristo (interpretado por Jeffrey Hunter) foi inegavelmente repleta de grandes acontecimentos. Acompanhe em O Rei dos Reis, dirigido por Nicholas Ray e escrito por Philip Yordan – adaptado de nada menos que o Novo Testamento. Você verá seus milagres, os pilares da construção de sua igreja, a escolha dos Doze Apóstolos, a última ceia, a traição de Judas, o humilhante julgamento em praça pública conduzido por Pôncio Pilatos, a crucificação e a ressurreição. Para os cristãos, é uma grande chance de ver seu líder espiritual. Para toda a humanidade, a oportunidade de aprender mais sobre a vida de um dos ícones religiosos mais importantes da História. O Rei dos Reis tem música do vencedor do Oscar Miklos Rozsa e narração de Orson Welles.

Excelente atuação do ator Jeffrey Hunter que é o Jesus definitivo do cinema. Outro fato marcante é a bela trilha sonora, uma das melhores já compostas para esse tipo de épico. O filme é lindo e a trilha sonora original mais linda ainda. Muito interessante, principalmente por se concentrar mais no lado político da história. Portanto, não há problemas se o público não for religioso. Ele pode ser puramente visto como um filme político, mas o diretor não esqueceu em momento algum de incrementar uma boa dose de drama a partir do nascimento, até a vida e morte. um bom filme sobre a história milenar de Jesus Cristo, o Homem de Nazaré.

A película de mais de duas horas tem bons momentos, incluindo a eloquente sequência do Sermão da Montanha, o julgamento de Cristo (parece até que todo o filme foi feito em razão desse momento), e o emotivo evento que foi a crucificação. O USO DA COR VERMELHA, uma constante na filmografia, além de um deslumbrante cenário de uma terra esturricada na região da Espanha com um chão apedregulhado, também chamam muito atenção do telespectador. E as qualidades param por aí. Caracterização dos personagens, ritmo, alguns diálogos mais simplórios, além de outros elementos, elevam esta obra muito mais do que deveria.

Eis a declaração do ator que interpreta Cristo, Jeff Hunter, sobre seu sacro papel em REI DOS REIS (1961): “Senti minha responsabilidade crescer à medida que o filme prosseguia, e sinto-a ainda mesmo que o filme tenha terminado. Não creio, entretanto, que sou maior conhecedor de Cristo do que qualquer outra pessoa. Minha educação religiosa foi como a de qualquer criança americana. Conhecia a Bíblia, é claro, a história de Jesus era sagrada, mas nunca havia pensado muito sobre ele como pessoa, de carne e sangue, como um homem que viveu neste mundo como nós vivemos, entre pessoas e em um tempo não diferente dos atuais. Ao estudar o script, e enquanto prosseguia minha pesquisa, comecei a compreender pela primeira vez o significado de Sua vida e o que os seus ensinamentos trouxeram ao mundo”.

Para a escolha dos cenários, a produção optou pelas paisagens desérticas da Espanha que foram escolhidas em razão dos locais, entre pequenas aldeias e montanhas, lembravam a Palestina de 2000 anos, e pareciam reproduzir conjunturas adequadas para o filme. Cerca de 326 cenários foram construídos nos estúdios e ao ar livre. Como relata o historiador Paulo Telles, a cidade de Nazaré foi reconstituída em Manzanares, e um rio próximo de Andrea Del Fresno serviu para representar o Rio Jordão, onde João Batista batizou Jesus. Mas para a cena ao ar livre considerada o Climax Maximus do filme, “O SERMÃO DA MONTANHA”, estiveram presentes na filmagem 7.000 figurantes. Foram construídos cerca de 60 metros de trilhos ao longo das encostas. A cena, talvez o “sermão” mais espetacular de todas as fitas que tem como tema a Vida de Jesus, foi rodada em três dias. Ao longo da projeção, o “Sermão da Montanha” de Rei dos Reis leva apenas quinze minutos.

Apesar da temática política do filme, ele nos oferece belos momentos de amor e fé através das mensagens solenes de Cristo. sem dúvida, é um esplendoroso monumento épico bíblico em seus 168 minutos de projeção, e mesmo passado quase 60 anos de seu lançamento, ainda é incapaz de arranhar o fervor das plateias a santificada imagem de Cristo. Em tradução simultânea, o filme REI DOS REIS, pode ser considerado como o maior tratado de libertação de consciências. Sem purpurinas, mágicas ou utopias…