ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

QUEM É O MELHOR JAMES BOND (AGENTE 007) DE TODOS OS TEMPOS?

O agente secreto mais famoso do cinema está completando 60 anos desde sua primeira aparição nas telas. Sedutor, mulherengo, elegante e rico, JAMES BOND imprimiu uma marca singular na história da cultura mundial com a franquia “007”. O personagem já foi interpretado por seis atores. Na ordem: SEAN CONNERY, George Lazenby, ROGER MOORE, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. A série de filmes é a mais lucrativa da história: todos juntos já arrecadaram mais de 12 bilhões de dólares. “007 – Contra a Chantagem Atômica” foi o que mais arrecadou bilheteria, tendo ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão. Ao todo, foram lançados 22 filmes oficiais sobre Bond ao longo de quase 60 anos. James Bond é um só. Por isso, há muita discussão sobre quem foi o melhor ator que interpretou o agente secreto mais famoso das telonas. Dos seis que tiveram o privilégio de estar na pele do antológico personagem, dois se destacaram: Sean Connery e Roger Moore.

Quem melhor interpretou o agente inglês James Bond, sem sombra de dúvida foi o escocês Sean Connery que está prestes a completar 90 anos. O pesquisador Nahud filho descreve o ator escocês como o mais espetacular 007 que o cinema já viu. Sexy, valente, atrevido, destemido e elegante espião a serviço de sua majestade britânica, tornou-se um dos nomes fundamentais da cultura pop dos anos 1960. Frio na hora de matar e galanteador com as mulheres, o ícone nunca foi uma unanimidade, acusado de violento e machista, mas se beneficiou de um fã célebre – o presidente dos EUA, John Kennedy, notório mulherengo, que declarou não haver filme melhor para dissipar ou clarear as pressões do cargo do que assistir filmes de espionagem com 007. Afinal, quem não recorda a frase emblemática: “Meu nome é Bond. James Bond”?

Em uma de tantas entrevistas que já deu, Sean Connery afirmou que odiava o personagem James Bond. “Fiquei terrivelmente deprimido por anos, pensando em como Bond havia tomado minha vida. Digo, não é que eu não gostasse do dinheiro que ganhei ou de toda a atenção que eu estava recebendo, eu só me sentia frustrado por ser identificado constantemente com esse personagem – o que, se você é um ator sério, é tipo a morte. Eu me senti preso e passei muito tempo amargurado. Mas com o passar do tempo fiz as pazes com Bond. Ele é tipo um velho camarada que se parecia comigo. Por fim, nesta mesma entrevista perguntaram-lhe: como você classificaria James Bond?!?!?! Como um sexy filho da puta!!! (Ri e levanta-se para apertar a mão do entrevistador)”.

Outro ótimo James Bond foi o ator inglês ROGER MOORE, que morreu a pouco mais de dois anos aos 90 anos de idade. Depois de Sean Connery, foi o melhor e mais fiel personagem que interpretou o lendário James Bond. Roger Moore foi o mais popular 007 entre outras razões porque contava com mais recursos visuais em seus filmes. Mesmo tendo participado de mais de 80 produções nos cinemas e na televisão, o nome de Roger Moore está muito ligado a um personagem específico que é James Bond. O ator interpretou o espião mais famoso da sétima arte em sete longa. Assumiu o papel de 007 em 1973, atuando em Com 007 Viva e Deixe Morrer. Sua última participação na franquia aconteceu em 85, com 007 Na Mira dos Assassinos. O ator possui uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood e recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Britânica em 2003.

O cinéfilo Paulo Telles tem uma ponderada opinião quando diz que é verdade que Sean Connery é considerado o PRIMUS INTER PARES entre todos os intérpretes, contudo, Connery dava ao seu James Bond um ar de implacabilidade e virilidade para o papel. Não que Moore não fosse implacável como 007, e muito menos não fosse viril. Mas Moore dava mais sofisticação ao papel, e, além disso, o charme que encantou todas as mulheres se tornou uma marca imprescindível na atuação do ator para com o personagem. Se por sua vez Connery era irônico em certas situações, Roger assumia uma postura debochada, se tornando muitas vezes, um simpático fanfarrão.

Curiosamente, Roger Moore foi o ator mais velho a personificar 007 (era quase dois anos mais velho que Sean Connery), e o que mais tempo durou interpretando o papel do agente secreto britânico, ao longo de doze anos e sete filmes, entre 1973 a 1985. 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985), último filme de Roger Moore no papel de James Bond. Roger Moore confere humor, elegância e charme letal à sua última interpretação como o personagem. Com pouca agilidade (afinal, Moore já contava com 58 anos de idade e já se iniciava a próxima “caçada” para o novo Bond, ocupado dois anos depois por Timothy Dalton), mas sem perder qualquer brilho.

Entre tantas curiosidades do Agente 007, o seu criador, IAN FLEMING, tirou o nome do personagem criado por ele de um livro que estava lendo em suas férias na Jamaica, em que o autor da obra também se chamava James Bond; “Bond, James Bond” é uma das frases mais conhecidas da história do cinema. Ela foi dita pela primeira vez aos 5min38s de “007 – Contra o Satânico Dr. No” (1962), o primeiro filme da série; O biquíni branco usado pela atriz Ursula Andress em “007 – CONTRA O SATÂNICO Dr. NO” foi leiloado em 2001 por 60 mil dólares; no campo musical Já gravaram canções de “007” grandes nomes da música mundial, como Paul McCartney, Tina Turner e Madonna.

Ainda sobre as curiosidades do personagem, o último James Bond, Daniel Craig, foi bastante criticado por ser loiro e baixo para o papel. Entretanto, o sucesso de “007 – Cassino Royale” fez com que ele fosse mais aceito pela crítica e fãs; O ator Pierce Brosnan, o penúltimo James Bond, era o favorito do produtor Albert Broccoli para interpretar o personagem desde 1985, quando Roger Moore aposentou-se aos 58 anos de idade. Entretanto, um contrato de televisão vigente com a NBC impediu o ator de aceitar o convite e quem substituiu Roger Moore foi Timothy Dalton; Os filmes ’007′ foram por diversas vezes acusados de serem machistas, por conta da quantidade de mulheres seminuas que transaram com Bond.

O criador dor personagem IAN FLEMING utilizou como matéria-prima para seus romances muitas das experiências que teve na Inteligência Naval durante a Segunda Guerra Mundial. Ele escreveu um total de 14 livros de Bond, dois deles coleções de histórias curtas. O último foi “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” e foi lançado em 1965. Há vários flagrantes na série onde se vê o agente demonstrando ser leitor da revista Playboy em dois filmes: “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969) e “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971). O único Oscar de James Bond foi conquistado por “007 – CONTRA GOLDFINGER” (1964), na categoria Efeitos Especiais.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O PAPA DO FAROESTE, JOHN WAYNE, HERÓI DAS PLANÍCIES E PENHASCOS DO OESTE AMERICANO

Cavalgando no seu alazão puro de origem pelas vastas planícies e enormes penhascos, montanhas e desfiladeiros do Oeste Cinematográfico, o PAPA do FAROESTE se tornou uma lenda imortal. O curioso na vida pessoal desse astro é que o seu nome de batismo é MARION (nome afeminado ou feminino) que na sua meninice foi motivo de gozação por parte dos garotos do seu tope ou idade. Quem diria que o maior cowboy do cinema mundial, símbolo do machismo e virilidade, tinha em seu nome da eucaristia do sacramento e do registro de nascimento um nome de mulher?

A Trajetória de Wayne se confunde com a própria história do cinema americano, já que iniciou sua carreira em 1927. Ganhou um apelido tão logo ingressou na Meca do cinema, Hollywood, a alcunha de “Duke”. O grandalhão Duke em sua vida pessoal, também tinha suas preferências. Com acentuada atração por mulheres latinas, John Wayne foi casado com duas mexicanas: JOSEPHINE SAENZ (33/44) de quem teve os filhos Melinda, Michael (que se tornou produtor) e Patrick (ator) e ESPERANZA BAUER (46/53). Em 1954 casou-se com a peruana PILAR PALETTE, que lhe deu os filhos Aissa, Marisa e Ethan (nome de seu personagem em Rastros de ódio), e terminou em divórcio em 1973.

Entre tantos, os dois maiores pesquisadores e estudiosos, aqui no Brasil, da biografia de John Wayne são Paulo Telles e Darci Fonseca – Outro muito bom é o pernambucano de Caruaru Joaílton – O carioca Telles, em suas pesquisas e seus escritos nos informa que, “Se medirmos a grandeza dos astros pelo número de pessoas que vai assistir aos seus filmes, Wayne talvez possa ser considerado o maior astro de cinema em todos os tempos. Na verdade, recuando a 1932 e verificando, daí em diante, o produto das bilheterias de todos os filmes produzidos no mundo, vamos perceber logo que ele é a maior atração do Cinema sonoro, tendo alcançado o estrelato e ficado entre os dez maiores sucessos de cada ano, a partir de 1949 até 1974”.

Já o paulista Darci Fonseca nos confirma que, “Em 1958 John Wayne se considerava (e era considerado) um homem rico e tinha muitas razões para isso. A partir de 1949 o Duke(como era apelidado) esteve sempre na lista dos dez atores cujos filmes mais arrecadavam nas bilheterias, tendo encabeçado essa lista nos anos de 1950, 1951 e 1954, sendo o segundo em 1956 e 1957 e terceiro em 1952, 1953 e 1955. WAYNE COBRAVA 500 MIL DÓLARES POR FILME e ainda recebia porcentagem pelo lucro dos mesmos, isto além de produzir muitos filmes com a sua produtora independente”. A partir da década de 1960 John Wayne não era mais uma grande atração de bilheteria, haja vista que sua saúde não ia nada bem e era impossível esconder dos jornalistas que em seus últimos filmes ele atuava com a desagradável companhia de um cilindro de oxigênio para compensar sua dificuldade respiratória, além de um batalhão de dublês…

Seu grande bilhete de sorte foi quando conheceu o diretor John Ford que acabou sendo um de seus maiores amigos e exerceria uma grande influência em sua vida artística. Em 1939, acontece a grande chance de sua carreira: NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS “Stagecoach”, considerado um dos maiores clássicos do Western. A princípio, os produtores relutaram em aceitar um principiante saído de faroestinhos baratos e de orçamento duvidoso para o papel célebre de Ringo Kid. Mas John Ford decidiu que já havia dado o papel a Wayne e que jamais voltaria atrás. Já O Homem que Matou o Facínora do ano de 1962 fez com que os dois se separassem. Um dos maiores clássicos do Western que tinha um elenco formado por John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e o negão Woody Strode. O Homem que Matou o Facínora registrou o último filme da parceria Wayne/Ford.

Para além da figura do americano duro e vigoroso, John Wayne é considerado um dos atores mais conservadores e reacionários da história de Hollywood. Ele protagonizou heróis imbatíveis em dezenas de filmes, pretendendo simbolizar a característica típica de um norte-americano vigoroso, duro e rápido no gatilho. Fora das telas, Wayne se tornou conhecido por suas visões políticas reacionárias, pois era um REPUBLICANO convicto. Produziu, dirigiu e atuou em “O Álamo” (1960) e “Os Boinas Verdes” (1968), com recursos próprios, ambos refletindo suas inclinações nacionalistas e conservadoras. O roteiro da Guerra do Vietnã deste último alimentou a fúria dos opositores a essa intervenção militar estadunidense, que realizaram vários protestos contra a exibição do filme.

Há uma grande confusão, por parte de muitos críticos, entre as interpretações de Wayne no Cinema, como um grande individualista, bem como as posições políticas e reacionárias do homem, como republicano de direita, onde realmente ele se opunha a qualquer atitude mais liberal. Por incrível que possa parecer, o maior inimigo que teve em vida não foi no cinema, e sim, na vida real, e começou a caçá-lo em 1964. Era o Câncer. Em 1964, Wayne foi obrigado a tirar um pulmão. Ele morreu de câncer do pulmão (fumava seis maços de cigarros por dia) em 1979 aos 72 anos de idade. Precisamente há 40 anos falecia o número um do faroeste mundial.

Em 1976, Wayne daria ao mundo sua maior performance num duelo de vida e morte, onde se despediu das telas e realizou sua derradeira fita, O Último Pistoleiro (The Shootist), dirigido por Don Siegel, com Lauren Bacall e Ron Howard (que se tornaria um grande cineasta como bem o conhecemos), no papel de um velho caubói morrendo de câncer mas ainda lutando para sobreviver. O roteiro, que tinha muito a ver com a própria vida do astro trazia a história de um velho e lendário pistoleiro que sofria de câncer e procurava um local onde pudesse morrer em paz. Mas não conseguia escapar de sua reputação. Este foi o último filme em vida da fascinante carreira de John Wayne.

Independente de gostos partidários ou posições políticas que o Duke defendia, mesmo nos anos 60/70, onde pareciam querer sepultar o faroeste, lá estava o nosso cowboy, mesmo doente, cansado, despedaçado, ali seguia ele, ereto em sua cela, brigando, disparando e ainda nos enchendo da alegria e prazer de vê-lo em ação. Assim era o velho, enfermo e cansado Wayne, Marion ou Duke que, através de seu derradeiro filme do ano de 1976, O ÚLTIMO PISTOLEIRO, Wayne se despediu da vida com uma pistola na mão. Lamentavelmente, o Duke nos abandonou para sempre em 1979. A vida nos privou de novidades do nosso grande herói do faroeste, mas nos legou o trabalho de toda sua vida em prol dessa modalidade de cinema: o filme faroeste de cowboy ou bang, bang!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CLÁSSICAS CENAS DE CLÁSSICOS DUELOS NOS FILMES FAROESTES

O Velho Oeste americano foi um lugar diferente de tudo que estamos acostumados hoje em dia. Lá, os xerifes cuidavam das cidades, os bandidos roubavam caravanas e duelos eram feitos para decidir os mais diversos problemas. A importância dessas disputas com armas era tanta, que acabaram moldando a cultura do Velho Oeste e criando suas histórias mais famosas. Portanto, película de faroeste que se preza tem que ter um bom duelo para emocionar o espectador. Alguns embates foram eletrizantes e ajudaram a tornar o filme inesquecível. Há inúmeros duelos arrebatadores como o de Charles Bronson e Henry Fonda naquele duelo antológico de ERA UMA VEZ NO OESTE, do cineasta italiano Sergio Leone. Um desafio por excelência, trilha sonora magnífica, vilões inescrupulosos e dois atores no auge das suas excepcionais carreiras na modalidade faroeste. O enfrentamento dos dois, nos mostra uma cena enigmática, mística, com estupenda precisão em seus 8 minutos de suspense avassalador que faz prender a respiração de quem está assistindo na telona de exibição.

O duelo que encerra o filme Era uma Vez no Oeste é simplesmente excepcional, espetacular!!! Pela história, tema musical, o elenco de artistas primorosos, cada um com um papel relevante e inesquecível. Todos os temas primordiais dessa película cinematográfica ao gênero estão nessa projeção. Pioneirismo, ambição, coragem, vingança, roteiro, direção, elenco, tudo é impecável. No tocante ao duelo que tem 8 minutos de duração, talvez seja o mais longo da cinematografia dos foras da lei. É cena para ver, rever, e sempre descobrir detalhes sequenciais antológicos daquele duelo que encerra o filme. A melhor vingança da história do cinema!!! Foi preciso um italiano para resgatar Fonda de seus habituais papéis de bom moço no cinema americano, para que este criasse o que foi denominado como um dos mais frios vilões da história do cinema. Bronson tem aqui o começo de sua longa carreira em papéis de justiceiros de poucas palavras. Impossível imaginar o filme sem a MÚSICA de Morricone. Com tão poucos diálogos e tantos longos silêncios antecedendo o embate. Ela é a alma da fita… Uma cena final que fica melhor a cada vez que se vê e a cada dia mais clássica ao nosso olhar. Repito: É a melhor e a mais clássica vingança da história do cinema!!!

Já os maldosos, cruéis e malfazejos foras da lei, interpretados pelos assombrosos e portentosos atores, Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood, que são três homens barbudos, sujos, bigodudos, relativamente mal trajados e castigados por anos de exposição a procura de um tesouro estão encarando uns aos outros em um cemitério. Eles trocam olhares suspeitos, mas permanecem quase que estaticamente parados, sem dizer uma só palavra. Veem-se as pálpebras nervosas e aqueles olhares irrequietos movendo-se lado a lado numa demonstração que expressam inquietações e contemplando as faces enrugadas de cada um. Toda essa bem bolada trama durou uma eternidade de quase três minutos. Esta é uma das mais celebradas sequências cinematográficas de todos os tempos em películas de faroestes. Trata-se do duelo que encerra o excelente filme, o último da trilogia do cineasta italiano Sergio Leone, o exuberante filme que no Brasil ficou com o título de Três Homens em Conflito.

Hoje, fica evidente que, Três Homens em Conflito traz muito do que em tempos modernos chamamos de clichês, mas que para a época (1966), era uma ferramenta dramática excepcional. a tradução consegue expor bem qual é a trama do filme: são três homens que, no meio da Guerra Civil Americana, entram em uma caçada acirrada para ficar com 200 mil dólares roubados. É nesse filme também que temos uma das cenas espetaculares que se distingue ou simboliza uma época, como também uma cultura no mundo do cinema, onde o feio, o mau e o bom finalmente se encontram para um duelo. A trilha musical, mais uma vez composta por Ennio Morricone, é um espetáculo à parte. E, logo nos primeiros minutos do filme, você já reconhece uma das melodias que tem os acordes mais famosas do cinema da modalidade Western spaghetti.

Por outro lado, há quem diga que a fama e fortuna conquistadas por Kirk Douglas(que morreu recentemente aos 103 anos de idade) deveu-se às custas de muitos duelos dos quais participou e mais um deles foi com seu amigo, o mexicano Anthony Quinn na película DUELO DE TITÃS do ano de 1959, dirigido pelo excelente diretor John Sturges que fez um filmaço sem chegar a ser um clássico. A proposta desse filme foi irrecusável para Douglas: 300 mil dólares(muito dinheiro pra época), além de toda essa grana Kirk teria sua produtora Bryna como associada na produção, o que aumentaria ainda mais o lucro do ator-produtor que precisava de muito dinheiro para seu projeto chamado “Spartacus”.

Douglas e Quinn já tinham trabalhado duas vezes tanto em Ulysses(1954) como em Sede de Viver(1956) em que Quinn ganhou o Oscar como ator coadjuvante. No terceiro encontro desses monstros sagrados, os dois grandes atores fazem Duelo de Titãs valer ainda muito mais por suas impecáveis atuações. O especialista em faroeste Darci Fonseca faz uma análise bem ponderada quando nos conta que, “Duelo de Titãs é um primoroso estudo sobre o poder, sobre como ele é implacavelmente exercido e sobre como homens acovardados se submetem a esse poder. Craig Belden(Anthony Quinn) manda na cidade e é temido e obedecido por todos que o cercam, intimidados pelo seu poder do qual de alguma maneira se beneficiam inescrupulosamente. Situação não muito diferente da encontrada em tantos outros rincões do Velho Oeste”. Enredo, roteiro, música, tudo nota 10. Filme para guardar em arquivo, e, assisti-lo sempre que sentir saudades das matinês espetaculares dos saudosos domingo à tarde.

Pois bem, para aqueles cinéfilos que têm idade para haver consumido o gênero de filmes Western, há 7 ou 8 anos, a revista “Super Interessante” veiculou uma matéria que rezava sobre “O verdadeiro Velho Oeste”, a matéria contrapõe o mito criado pelo cinema ao verídico e bem diferente modo de vida no Oeste americano do século XIX. Baseados em livros de historiadores que estudaram a fundo o assunto, os autores da matéria, Andreas Müller e Ricardo Lacerda afirmam que os famosos duelos na rua principal da cidade, onde, sob olhares ansiosos, vencia o pistoleiro que fosse mais rápido no gatilho, NUNCA ACONTECERAM. A verdade é que no Velho Oeste havia muito menos violência do que a dos filmes. havia lá muito mais lei, ordem e civilidade do que se pensa. Os grandes diretores de Hollywood, como John Ford, Howard Hawks, Raoul Walsh, Anthony Mann, Delmer Daves, John Sturges, investiram no mito e… O resto da estória vocês conhecem. Mas, a propósito, entre um embate John Ford versus Sergio Leone, em que você apostaria?!?!?! Eu fico com o último, até por causa das sacadas irônicas do diretor italiano.

A encenação que o leitor vai assistir a respeito do filme Duelo de Titãs se passou na fazenda do cinéfilo Darci Fonseca na cidade de Piratininga(SP). Assista aos três duelos:

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

MORRE O ATOR KIRK DOUGLAS, AOS 103 ANOS

“É com tremenda tristeza que meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas nos deixou hoje(5) aos 103 anos de idade”, declarou Michael Douglas, de 75 anos, filho mais velho de Kirk. Em tom sereno, mas firme, continuou Michael: “para o mundo, ele era uma lenda, uma estrela da Era de Ouro do cinema que viveu bem seus próprios anos dourados, um humanitário cujo compromisso com a justiça e as causas em que acreditava definiram um padrão ao qual todos nós aspiramos”. O ator que fez fama e fortuna, além de Michael, Kirk deixa a mulher, Anne Buydens, com quem era casado há 66 anos, e os filhos Joel e Peter, também produtores de cinema. Seu caçula, o comediante Eric, morreu em 2004, aos 46 anos, vítima de uma overdose acidental.

A causa da morte não foi revelada, mas a saúde do artista já estava em declínio há alguns anos. Em 1991, sofreu um acidente de helicóptero que deixou grande parte de seu corpo queimada e quase lhe tirou a vida. Há mais de 20 anos, ele teve um AVC que prejudicou sua fala. Em entrevista ao GLOBO em novembro de 2016, um mês antes de completar 100 anos, Kirk Douglas revelou o que mudaria se pudesse voltar no tempo: — Não teria feito minhas cenas de machão sem dublê. Por causa disso, tenho um problema grave na coluna e meus joelhos são próteses. Suas últimas aparições nas telas foram em 2004, quando participou do longa Illusion e em 2008, no telefilme Meurtres à l’Empire State Building, dirigido por William Karel. Ele comemorou seu 103º aniversário, em 9 de dezembro do ano passado, com sua família, incluindo o filho Michael e a nora Catherine Zeta-Jones.

Kirk Douglas interpretou papeis históricos no cinema, como o pintor Van Gogh e o escravo Spartacus, além de Doc Holliday, lenda do velho oeste americano, como também O Último Pôr do Sol em 1961. Trabalhou em mais de 80 filmes e foi indicado ao Oscar por três vezes, Kirk Douglas se aposentou depois que passou a ter dificuldades para falar após um AVC sofrido em 1996. Ele venceu dois Globos de Ouro, um de melhor ator por Sede de Viver, de 1956, e outra por sua filmografia, o prêmio especial Cecil B. DeMille. Kirk também recebeu três indicações ao Emmy. Ele recebeu sua primeira indicação ao Oscar em 1950, por O Invencível. Também foi indicado em 1953, por Assim Estava Escrito, e em 1957, justamente por sua atuação como Vincent Van Gogh na cinebiografia Sede de Viver. Em 1996, ele foi premiado com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

Particularmente, para este escriba que ora escreve sobre a morte dessa lenda de Hollywood, o primeiro filme que assisti de Kirk Douglas foi o Último Pôr do Sol, na cidade de Palmeira dos Índios(AL), aos 14 anos de idade, que marcou para sempre minha paixão pela modalidade de filmes faroestes. Uma das maiores tragédias gregas da cinematografia hollywoodiana que o telespectador vai encontrar em películas faroestes, está lá no final desse filme, em seus últimos 5 minutos, que é na esplendorosa fita interpretada por Kirk Douglas e Rock Hudson em O ÚLTIMO PÔR DO SOL do ano de 1961. O torturante e penoso roteiro é um tenso melodrama digno daqueles que até mesmo com a ação se passando em cenários abertos, os personagens principais parecem viver num ambiente claustrofóbico no qual incessantemente expõem as paixões que afloram, bem como o ciúme e o visceral antagonismo.

O Último Pôr do Sol que tem uma duração de quase duas horas tem Kirk Douglas, que interpreta o personagem Brendan O’Malley, é o centro motivador de todas as reações culminando com a juvenil paixão que desperta em Missy (Melissa) e os momentos que passa com ela. E O PIOR: Só no final do filme é que ele vai descobrir que é pai da jovem. Só aí é que vai perceber que será através do duelo que já estava programado para quando o sol se por naquela sangrenta tarde é que ele vê ou encontra uma saída apenas na própria morte para a solução da tragédia em que se deixou envolver.

Como já foi dito, o enredo do filme conta a trajetória da jovem Melissa que se apaixona pelo cinquentão O’Malley(Kirk Douglas), envolvendo-se em um amor dilacerado entre pai e filha sem eles saberem. Desesperada a personagem Belle, interpretada pela irresistível atriz Dorothy Malone conta a O’Malley que Melissa é sua filha e que a relação deles é incestuosa e daí, o personagem de Kirk Douglas se defronta com o de Rock Hudson num duelo suicida. Em resumo, O Último Pôr do Sol é um filme que, se não é a maior maravilha em faroestes, ganha pontos por ser um western diferente, forte e até bem feito. Um western superior que deixou sua marca no gênero. Destacada atuação de Kirk Douglas, Rock Hudson e Dorothy Malone. É, sem o menor farelo de dúvida, uma película de faroeste com um dos enredos mais trágicos e fatais de todos os tempos. A respeito de Dorothy Malone, cuja sensualidade foi excepcionalmente bem aproveitada como uma sedutora e irresistível atriz, aos 35 anos, espalhou toda sua voluptuosidade em cada cena que participou desse filme. A propósito, em 1992, fez seu último trabalho que se tem notícia com o filho de Kirk Douglas, Michael Douglas, no filme Instinto Selvagem com a bonita Sharon Stone. Dorothy Malone morreu em 2018 aos 92 anos de idade.

Por fim, em se tratando deste monstro sagrado do cinema mundial, entre atuações e participações, o norte-americano possui 91 filmagens como ator. Mas o que marcou realmente em Kirk foi o seu primórdio como galã, em uma época onde os “DURÕES” eram o que ditavam a indústria do faroeste. Kirk Douglas foi mais que uma lenda do cinema. Ele foi o último de uma geração diferente de galãs. Naquela época os valores eram outros. O homem, por exemplo, não podia demonstrar fraqueza. Imperavam regras como “HOMEM NÃO CHORA”. Hoje em dia a viadagem tomou conta do pedaço e essa boiolada que aí está e não é chegada a mulher dá um cu que rincha!!! Hoje, esse papo furado que homem não chora ou mesmo rótulo dessa natureza, não passa de um título de música brega na voz do bom, romântico e inesquecível Waldick Soriano…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O CATASTRÓFICO NAUFRÁGIO DO TITANIC: SALVE-SE QUEM PUDER!!!

O longa-metragem mais amado e aclamado do mundo foi escrito e dirigido por James Cameron(o visionário diretor de “Avatar”) e teve como protagonistas Leonardo DiCaprio (Jack) que na época, 1997, tinha apenas 23 anos e sua namorada Kate Winstel (Rose), 22. A trama é de um artista pobre e uma jovem rica que se conhecem num Cruzeiro Londres/Nova Iorque e se apaixonam. Titanic é um filme trágico, um drama onde se mistura o romance, que serve de fio condutor à tragédia, e a ação, em que os excessos de efeitos especiais ocupam o lugar de honra. Baseado em fatos reais, retrata o desastre marítimo, ocorrido no início do século XX(1912), que deixou marcas profundas na história da navegação universal. O maior transatlântico de todos os tempos, considerado o mais seguro, surpreendentemente, afundou nos mares do Atlântico Norte após, à noite, bater num ICEBERG. 1.500 pessoas morreram e quase 800 salvaram-se. Entre as que escaparam, 90% foram mulheres e crianças. As mortes tanto se deram por afogamentos como também por hipotermia causada pelas águas geladas do oceano. Neste texto faça a viagem, apaixone-se e viva o Titanic, no bom sentido, claro!!!

Símbolo sagrado da ousadia humana, orgulho da engenharia náutica, colosso de 269 metros de comprimento e 46 mil toneladas, obra-prima de 7,5 milhões de dólares foi o custo na época, TITANIC, tido como indestrutível pelos mais insuspeitos especialistas, naufragou em sua viagem inaugural. Desde a tragédia, O TITANIC apareceu em todos os meios de comunicação de massa do século 20 – livros, canções, peças teatrais, filmes, e até minisséries. Sua imagem se tornou um símbolo da cultura popular desde quando desapareceu nas águas gélidas do Atlântico Norte. Das primeiras manchetes as primeiras fitas, tornou-se parte da nossa consciência coletiva, e uma história reinventada no cinema de várias formas, do melodrama a propaganda política, de lendas de coragem a atos de sacrifício por amor.

Até então, 1996, foi o 1º filme na história do cinema a ultrapassar a barreira do um bilhão de dólares arrecadados apenas nas bilheterias. O filme permaneceu na lista das 10 maiores bilheterias da semana, nos Estados Unidos, por quase seis meses. O filme Titanic custou mais do que o navio em si. A construção do navio, que ocorreu entre 1910 e 1912, custou US$ 7,5 milhões, que corrigidos para valores de 1997 ficariam em torno de US$ 150 milhões. Por sua vez, a produção cinematográfica foi orçada em US$ 200 milhões, que à época fazia da obra a mais cara de todos os tempos. A 20th Century Fox precisou construir um estúdio novo para comportar a equipe de filmagem de Titanic e a réplica do navio, que tinha quase a mesma escala do original e que não cabia em nenhuma outra propriedade da empresa. A companhia comprou 15 hectares de terra no litoral sul do México, onde construiu um tanque com mais de 60 milhões de litros d’água.

Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e mais nove estatuetas. Globo de Ouro de Melhor Filme e Melhor Direção. Usou o malfadado navio como pano de fundo para uma história de amor épica. Seu orçamento de 200 milhões de dólares foi um dos maiores de toda a história do cinema. Lotou os cinemas do mundo todo, transformando DiCaprio e Winslet em estrelas. O trágico e inesperado naufrágio fez com que, na telona, surgisse uma dezena de versões, mas os dois melhores são TITANIC de 1997 e SOMENTE DEUS POR TESTEMUNHA DE 1958, outro muito bom é O DESTINO DO POSEIDON de 1972. O interessante em tudo isso é saber que, o primeiro filme a ser produzido sobre a tragédia data do mesmo ano, 1912, e ainda mais interessante que a atriz protagonista é uma das reais sobreviventes. O primeiro filme sobre o naufrágio, “Salva do Titanic”, foi realizado ainda no cinema mudo, em 1912, seguido do alemão “Na Noite e no Gelo”, lançado no mesmo ano. Outros apenas se inspiraram no famoso naufrágio, como Atlantis DE 1913 -, Atlantic DE 1929 -, A História Começou a Noite DE 1937 -, O Grande Naufrágio de 1960 -, O Destino do Poseidon de 1972 -, e o Dramático Reencontro do Poseidon de 1979.

O episódio trouxe curiosidades bastante peculiares como por exemplo e também por ironia do destino havia um treinamento de emergência marcado com os passageiros para a mesma data em que o navio afundou, mas o capitão por algum motivo resolveu cancelar. Se o treinamento agendado realmente tivesse acontecido, provavelmente mais pessoas teriam sido salvas; posteriormente foi constatado que, muitos dos barcos salva-vidas não estavam com a sua capacidade máxima de pessoas a bordo. Se estivessem, seria possível salvar 53% dos passageiros, mas apenas 32% deles sobreviveram; outro fato bastante hilariante ou homérico aconteceu com um dos rapazes que trabalhava na cozinha do navio (Charles Joughin), que conseguiu sobreviver na água por duas horas em temperaturas abaixo de zero porque tinha bebido muito whisky antes do naufrágio, o que manteve seu corpo aquecido tempo suficiente para o resgate.

Crenças à parte, há quem diga que, o naufrágio do Titanic foi castigo divino em razão do proprietário do navio Bruce Ismay, e Thomas Andrews, o projetista, tenham usado a famosa e infame declaração que ainda hoje é lembrada como a culpa da tragédia. Eis a frase arrogante que alegam ter sido proferida: “NEM DEUS PODE AFUNDAR O TITANIC”. No entanto, o momento não é baseado em qualquer fato ou pessoa verídica, mas sim na crença não confirmada de que a frase tenha sido usada na época. Conforme a fonte destinodosnavios, o que se sabe é que a revista ”The Shipbuilder” em 1911 (um ano antes do naufrágio), se referindo à segurança dos novos navios, publicou apenas a seguinte declaração sobre os dois navios que estavam sendo fabricados, o Olympic e o Titanic: ”Na medida do que é possível conceber, estes dois maravilhosos navios são projetados para serem inafundáveis”. No entanto, apesar de muitos reveses sobre as informações, a famosa frase jamais foi utilizada com a palavra “DEUS” envolvida.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS DO ESPETACULAR GEORGE ORWELL

A Revolução dos Bichos(Animal Farm) que foi baseado no best-seller de mesmo nome do espetacular escritor indiano/inglês George Orwell. O livro é um romance satírico publicado na Inglaterra no ano de 1945 e apontado pela revista americana Time entre os cem melhores da língua inglesa. Já o filme foi lançado no ano de 1999. Em sua sinopse está escrito que “Os animais moradores da Granja do Solar, cansados dos maus tratos rotineiros, se rebelam contra o dono do local, o beberrão Sr. Jones. Após o expulsarem, os bichos se organizam e instauram novas regras, formando uma comunidade democrática, livre do domínio dos humanos. Os inteligentes porcos, no entanto, logo tratam de impor suas ideias e um novo reinado do terror ganha forma”. É uma película de aventura, animação, comédia e drama, como também uma semelhança entre os personagens do filme comparados com os homens responsáveis pela Revolução Russa que aconteceu em 1917. Dá uma impressão que seja um simples filme da sessão da tarde ou que vai começar o TELECURSO 2000, o que não é verdade.

A crítica do livro, A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, é ao sistema totalitário da União Soviética que cerceava a liberdade. O livro foi escrito como forma de deixar claro que para ele socialismo era algo oposto ao que estava acontecendo na Rússia, ou seja, o socialismo deveria ser interpretado como liberdade e igualdade, ao contrário do regime totalitário de Stálin e não me digam que é muito difícil para alguém compreender que o cara tinha posicionamento socialista mas era pró liberdade, consequentemente contrário ao comunismo totalitário. A prova é tanta que, Orwell costumava afirmar que “A liberdade, se é que significa alguma coisa, significa nosso direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir”. Há quem diga que o livro foi escrito com uma dose maciça de críticas duras, propositais e diretas ao regime de Stálin.

A Revolução dos Bichos é um dos mais emblemáticos clássicos da literatura moderna. Na obra dividida em 10 capítulos, Orwell realiza uma sátira contundente sobre a ditadura stalinista. Aborda temas como as fraquezas humanas, o poder, a revolução, o totalitarismo, a manipulação política e outras coisitas bastante sacaninhas. Além da sátira política, a obra é também considerada uma fábula, em que a moralidade é uma das principais características. Escrita no final de segunda guerra mundial (1945), o romance faz uma releitura sobre as figuras históricas, como podemos perceber nas personagens criadas pelo escritor. Como exemplos, temos Napoleão (que seria Stálin) e o Bola-de-Neve (como Trotsky). A linguagem utilizada é simples e com a presença do discurso direto, que aponta fidelidade na fala das personagens. A ideia de utilizar os bichos como atuantes da cena política, traz à tona a questão de animalização dos homens.

Eis os personagens do livro/filme: • Sr. Jones: fazendeiro do sítio que explora os animais. – • Major Porco: figura responsável pela ideia da revolução contra o fazendeiro. – • Porco Bola-de-neve: líder da revolução, depois da morte do Major. – • Porco Napoleão: figura autoritária que chega a liderar o grupo. – • Sr. Whymper: advogado de Napoleão. – • Porco Garganta: defensor e amigo de Napoleão. – • Sansão: cavalo muito trabalhador. – • Benjamin: burro, animal mais idoso da fazenda.

Trata-se de uma das obras mais emblemáticas do escritor e ensaísta indiano. Um fato interessante e porque não dizer, peculiar, é que os direitos de adaptação da obra foram comprados pela CIA assim que o autor faleceu no ano de 1950. A agência norte-americana financiou o filme, uma sátira do comunismo soviético. Este Best-seller foi transposto para o cinema em 1999 (EUA) com direção de John Stephenson, dentro de um padrão que não faz fronteira com o glamour hollywoodiano, porém preserva a particularidade das articulações políticas satirizadas sabiamente por Orwell. Certamente, a obra literária, para os mais puritanos, tem nuances que o diretor da película não se ateve, entretanto, o intento da tônica do pensamento de George Orwell é exprimido de forma honesta.

Boa parte dos críticos de livros e cinemas, no tocante à história descrita pelo autor, nos informa ou orienta que podemos acompanhar as desavenças entre Bola-de-neve e Napoleão – os dois porcos responsáveis pelas decisões, até Napoleão expulsar Bola. – alguns animais que lutam mais ou menos, trabalham mais ou menos, ajudam mais ou menos. A disputa pelo poder entre quem pensa de forma mais racional ou emocional. Os que preferem o diálogo e o pensar no futuro enquanto outros preferem se aproveitar de ocasiões e passar por cima de todos. Temos as contraposições entre os que são mais fortes e subjugam os mais fracos. Temos presente aqui tudo que caracteriza ou já caracterizou as batalhas revolucionárias humanas.

O filme é uma sátira ácida das práticas do ditador Joseph Stálin e da própria história da União Soviética, feito por um socialista democrático crítico ao que o regime instituído pela Revolução Russa se tornara. E está, claro, repleto de lições sobre o que foi o mundo no meio século 20. Não foram só leitores comuns que aprenderam muito com A Revolução dos Bichos. No topo da lista de ídolos que fizeram música inspirada na obra de Orwell está o Pink Floyd com o álbum Animals. Em 1987 o R.E.M. escreveu a canção “Disturbance at the Heron House” com o escritor britânico em mente, às vésperas do anúncio de que o conservador George H. W. Bush – pai do Bush que era presidente na época dos ataques de 11 de setembro – iria concorrer à presidência.

O livro escrito em 1945 ou a película cinematográfica que foi lançada em 1999 é uma aula de política, uma metáfora explorada de forma extremamente clara e inequívoca de como quem luta pelo poder, pode acabar sendo influenciado da pior maneira possível, logo depois de perceber que parece estar acima de tudo e de todos. A história ou o enredo nos faz crer ou deixou uma lição bem clara que, se tornou impossível distinguir quem era homem, quem era porco. O filme deixa uma mensagem reflexiva, meditativa e altamente serena: “TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OS OUTROS”…

Clique aqui para assistir ao filme completo.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

GRETA GARBO, A DAMA DAS CAMÉLIAS

Há mais de 80 anos estreava nos cinemas do mundo inteiro o clássico de 1936, A Dama das Camélias, protagonizados pelo casal Greta Garbo e Robert Taylor. No auge de sua beleza e talento(aos 31 anos de idade), Greta Garbo interpretaria Marguerite e Robert Taylor(aos 27 anos) personifica o plebeu Armand. A Dama das Camélias é um filme que você vê, revê e não se cansa. Seja pela interpretação do elenco e os cenários bem recriados, a aura do romantismo, os figurinos, como também a exuberante atuação de Garbo ou sua simples presença… O próprio diretor do filme ficou chocado ou pasmo com a leveza do toque dela – a frieza, a perversidade com que interpretava a sua personagem. Na história da cinematografia mundial, Greta Garbo tornou-se um tipo de estrela, daquela que nunca se apaga.

Na versão em preto & branco a estonteante Greta Garbo interpreta uma simples cortesã (Marguerite Gautier), que é uma mulher ambiciosa, fútil, caprichosa, vive num ambiente de colegas a quem chama de seus únicos amigos. Ela vive do dinheiro de homens. Todos se vestem muito bem, o ambiente é de festas, as mulheres não leem e mal sabem escrever. Ao encontrar o amor ela o evita porque é interesseira e pródiga, gasta mais do que pode, tem dívidas e não para de contrair novas. Quando por fim resolve aceitar o amor, condições sociais lhe são impostas de modo que se vê moralmente obrigada a deixá-lo. Então cai em desgraça, fica doente e tudo perde o sentido.

Nesta adaptação do famoso romance de Alexandre Dumas Filho, a radiante GARBO parece que veio de outro planeta. Ela tem uma estranheza que faz com que até os momentos mais exageradamente sentimentais dessa história funcionem. Ela tem um ar enigmático, mas mostra perfeita e sutilmente todas as indecisões e dilemas da personagem. Ela é alma e coração desse grande melodrama ao desempenhar o papel de uma prostituta francesa na Paris do século 19. Se apaixona por um jovem estudante, filho de uma família aristocrática, mas sua má reputação não favorece o affair e ela termina por morrer de tuberculose. O mundo inteiro derramou lágrimas com esse estrondoso sucesso, que valeu para ela mais um prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Nova Iorque, além de ser o seu filme favorito.

Sueca naturalizada norte-americana, possivelmente tudo já foi dito sobre esta estrela de rosto perfeito. Do cinema mudo passou para o falado, sem sofrer qualquer arranhão em sua trajetória, muito pelo contrário, valorizando ainda mais o status de Rainha de Hollywood. O ar andrógino e gélido solidificou a fama, conquistando um lugar único na Sétima Arte. O que fez dela uma figura tão especial – possivelmente o ícone mais duradouro das telas – foi o seu rosto. Insondável e curiosamente duro, prestava-se a todas as leituras, levando-a ao estrelato. Com seu talento e aura de mistério, tornou-se uma das atrizes mais fascinantes de sempre, eleita pelo AMERICAN FILM INSTITUTE (AFI) como a quinta maior lenda da história do cinema.

Mais uma vez nos socorremos do conhecimento do bom cinéfilo e pesquisador Antonio Nahud para falar sobre a divina e maravilhosa GARBO. No auge da fama, ela recebia, e jamais leu, quinze mil cartas de fãs por semana, muitas delas pornográficas. Em 1941, aos 36 anos, inesperadamente, abandonou o cinema e durante os seguintes 50 anos tentou que o mundo a esquecesse, numa reclusão voluntária. Foi uma tarefa impossível: considerada a mulher mais bonita do nosso planeta, GRETA GARBO era prisioneira de seu próprio mito. Durante seu retiro, poucos amigos tiveram acesso a sua intimidade. Nos tempos de glória, o visual sofisticado, com sobrancelhas e pálpebras marcadas a lápis e pó de arroz bem claro, era imitado por milhares de admiradoras.

Em 18 de setembro de 1905, em Estocolmo, na Suécia, nascia num dos mais miseráveis bairros operários da capital sueca, Greta Lovisa Gustafsson, a caçula de três filhos. Soberana nas telas em seus vestidos sofisticados, na vida real a deusa era simples, inclusive muitas vezes esnobada porque se vestia mal. Em um dos seus maiores triunfos, Grande Hotel de 1932, fala a famosa frase que a marcou pelo resto de sua vida: “I want to be alone” (Desejo ficar só). O que realmente aconteceu em 1941, depois de “Duas Vezes Meu”, retirando-se da carreira artística e nunca mais aparecendo publicamente. Contestando essa frase mítica, numa de suas raras entrevistas, GARBO declarou que “Nunca disse “Desejo ficar só”. Eu apenas disse “Quero ser deixada em paz”. Existe uma grande diferença”.

Indicada quatro vezes ao Oscar de Melhor atriz (“Anna Christie”, “Romance”, “A Dama das Camélias” e “Ninotchka”), jamais chegou a ganhá-lo, o que para ela tinha pouca importância. Em 1954 recebeu um Oscar Especial pelo conjunto da obra. Como era de se esperar, não compareceu à cerimônia para receber a estatueta, cabendo a Nancy Kelly receber o prêmio por ela. Em 1953, comprou um apartamento com sete quartos em Nova Iorque, na Rua 52, nº 450, com vista para o East River, onde passou o resto da vida. A moradia era luxuosamente decorada, com móveis do século XVIII e obras de arte, mas sem qualquer fotografia ou jarro de flores. Ocasionalmente era vista caminhando pelas ruas com roupas simplórias e enormes óculos de sol, sempre evitando a todo custo olhares curiosos, paparazzis e chamar qualquer tipo de atenção. Um dos seus prazeres secretos era escolher um estranho nas ruas e segui-lo discretamente durante horas.

De personalidade forte, entre a luz e as trevas. Era possessiva, narcisista e sofria longos períodos de depressão. Complexa e excêntrica, solitária e majestosa, construiu sua carreira sem escândalos, com firmeza e elegância. Belíssima, altiva, distante, glacial, enigmática, irônica, culta e com senso de humor: entre o encanto ambíguo e a sensualidade, a indiferença e a androginia. Sonhava em desempenhar papéis masculinos – Dorian Gray, Hamlet e São Francisco de Assis – e lutou por isso, mas a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) considerava tal pretensão absurda. Ela não gostava do seu primeiro nome, GRETA, e não respondia quando era chamada por ele. Sim, essa aí foi Greta Garbo…

A pesquisadora de teatro e cinema Danielle Crepaldi nos descreve a maestria com que Hollywood tomou a desajeitada mocinha sueca e transformou-a na sinopse da sedução e do mistério é digna de nota. A imagem da mulher inatingível que Greta mantinha na imprensa, ao fugir das câmeras, viajar e hospedar-se sob pseudônimos e se recusar a dar entrevistas, encontrava seu eco nas personagens que desempenhava. Greta Garbo, a bela, esquiva, sedutora e andrógina Miss Garbo, que raramente era premiada com o amor de seus pares românticos ao final de seus filmes, e que, curiosamente (ou não), viveu, durante toda sua existência, uma vida amorosa complicada e dúbia.

há algo de sádico que circunda a criação de Greta Garbo e de tantos outros astros e estrelas fabricados pela indústria cinematográfica, especialmente aqueles encarregados de tipos exóticos. Esta grande atriz, de uma intensidade dramática ímpar, temia envelhecer e, assim, perder aquilo que mantinha em pé sua imagem de deusa, imagem sem a qual a Hollywood daqueles tempos supunha não poder viver. No entanto, infelizmente sua maturidade como atriz chegou juntamente com o desgaste do tipo que lhe foi criado, e ela se viu obrigada a abandonar as telas aos 36 anos.

Greta viveu mais quase 50 anos, todos eles para negar o “EU” que seus filmes lhe imprimiram. Essa fotografia, logo abaixo, é a prova disso. Aliás, a última fotografia de Greta Garbo do ano de 1990. Aí está ela, aos 84 anos, flagrada antes da última visita que faria ao hospital, de onde não mais sairia. Em 15 de abril de 1990 morreu em Nova York, Greta Lovisa Gustafsson, a “ESFINGE SUECA” que se aposentou do mundo do cinema com apenas 36 anos, quando era a atriz mais bem paga de Hollywood, para fugir de uma vida pública que, segundo muitos, sempre a aborreceu.

Para assistir na íntegra ao filme A Dama das Camélias, clique aqui.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

IDIOTAS ÚTEIS QUE CULTUAM A IMAGEM DO ZUMBI LULA DA SILVA

Em que pese o bandido de estimação deles ser um analfabeto de pai, mãe e parteira, os petralhas, têm deles, com bons níveis de escolarização. Muitos são profundos conhecedores das obras dos bons escritores sul americanos como Gabriel García Marquez, Érico Veríssimo e Mario Vargas Lolsa. No que diz respeito a García Marquez, a putada petralha, deve conhecer muito bem o conto A SANTA, haja vista que a cantilena ou a narrativa do famigerado “Lula Livre” confirma que os “incarnados” são zumbis ideológicos com a cabeça feita pelos canhotos da estrela solitária rachada por corrupção.

No conto “A santa”, o colombiano narra a saga de Margarito Duarte, um pobre moribundo que vai a Roma, levando o corpo incorrupto da finada filha num estojo, esperando mostrá-lo ao papa e consignar a santidade da defunta. Mesmo sendo de pouca relevância, o “realismo fantástico” de García Márquez é envolvente, estimulador e, no caso particular desse conto, capaz de apiedar o incauto leitor: Margarito, feito Gleisi Hoffmann, acredita cegamente em sua missão e a ela dedica sua vida inteira. E haja bizarrices!!!

Na verdade, estamos com uma ruma de inqualificáveis que se entregou à insana missão de carregar um cadáver político, um zumbi, no esforço vão de consolidar o seu precioso e bajulado mito que se auto denomina um Mandela. Muitos deles, como diz o jornalista e psicólogo Renato Sant’Ana que, feito moscas numa fruta podre, enxameiam à volta do ex-presidente, hoje consignado como criminoso pela Justiça, têm essa esdrúxula devoção porque acreditam piamente em todas as beneficiosas (e falsas) “narrativas” da santidade do defunto líder.

Como se sabe, o Seboso de Caetés é aquele bom ladrão samaritano que vive muito bem com sua casta de puxa-sacos letrados que são as chamadas viúvas da Lei Rouanet… Muitos deles são militantes que não conhecem as razões da condenação do líder, mas têm convicção de que tudo ocorreu “sem provas”, de que ele é “preso político” e de que há uma conspiração dos ricos contra os pobres. Como diz Sant’Ana, são zumbis ideológicos com a cabeça feita por oráculos que criam as “narrativas” e decidem o que é ou não é verdade, isto é, por dirigentes partidários, sindicalistas, parte da elite acadêmica, impostores que se passam por religiosos, e por boa parte da imprensa.

Esses imbecis sabem de cor e salteado que as alegações que levaram “O homem mais honesto do mundo” à cadeia estão fundadas em fatos – e os fatos não são de direita nem de esquerda. Dizer que Lula é preso político é só uma tremenda patifaria. É fato provado, demonstrado, certo, acabado, laboratorialmente testado que o Jararaca sofre da síndrome da ladroagem desenfreada. Na cachola deformada desses profetas de provetas, o dinheiro afanado dos cofres públicos, a propina recebida, o enriquecimento da cúpula partidária, os enormes delitos cometidos por Lula e seus comparsas não são crimes. Por quê? Porque foram atos praticados enquanto os acusados trabalhavam pela revolução do novo socialismo do Século XXI, como apregoava o falastrão Hugo Chavez.

Sempre achei a ética e moral dos petralhas serem totalmente flexíveis, por isso a putada faz uma aposta na estreiteza cerebral de uns e na preguiça mental de outros para lhes enfiar na cabeça falsificações ideológicas que só a eles interessam. Mais uma vez, o advogado Renato Sant’Ana nos adverte que, “fazer esse jogo sujo é cada vez mais difícil, porque todo mundo está conectado. As redes sociais, que podem ser usadas para o bem e para o mal, vêm atrapalhando demais, fazendo o público lembrar fatos inapagáveis que acabam com a santidade do ex-metalúrgico”. Portanto, os internautas estão aí, noite e dia bitolados nas redes sociais para afirmar categoricamente: Lula é um ladrão transitado em julgado.

Para quem está antenado na Internet percebe muito bem que a cantiga da perua é uma só: as redes lembram, por exemplo, que foi com Lula que a corrupção virou método de poder, que o nosso dinheirinho suado financiou projetos de ditaduras escrotas e que a Petrobras entregou de graça uma refinaria ao índio cocaleiro Evo Morales, “ditadorzinho de merda” da Bolívia. Lembram, também, que Lula, mulher e filhos amealharam uma fortuna imensa, enriquecimento inexplicável; que a Justiça conseguiu bloquear parte dessa fortuna; e que a Polícia Federal e a Interpol têm motivos de sobra para crer que Lula haja escondido muito mais dinheiro em contas no exterior. Sua quenga protegida, Rosemary Noronha, tem muito o que contar…

Só nos resta rezar e ter fé para entender que, pouco a pouco vai “caindo a ficha”. Era bem mais fácil enquanto Lula estava na cadeia: colava melhor a balela do vitimismo. Por isso, juntos e irmanados roguemos todos nós de joelhos e as mãos posta pro céu à Nossa Senhora Aparecida que interceda junto dos ARCANJOS da estratosfera, dos QUERUBINS da camada de ozônio e dos SERAFINS dos ciclos solares para que protejam o nosso país dessa lástima “incarnada” conhecida como putada petralha. Quem viver verá que mais dias menos dias será cada vez menor o número dos idiotas úteis que, acreditando na incorruptibilidade do Zumbi Lula da Silva, imitam pateticamente o personagem do excelente escritor colombiano García Márquez que era um comunista caviar e amigo pessoal de Fidel Castro.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CANTANDO NA CHUVA COM GENE KELLY

Em se tratando de coreografia, a conhecida cena de Gene Kelly cantando na chuva de guarda-chuva em punho é uma referência musical quando se trata da sétima arte. Atire a primeira pedra aquele ou aquela que nunca teve vontade de fazer isso para extravasar todo um sentimento por estar feliz com a namorada ou de uma pessoa que expressa alegria ao seu lado. Toda aquela cena mágica sendo sapateada na chuva nos faz refletir que, “Os grandes momentos da vida podem estar nas pequenas coisas…”. Uma cena do cinema clássico quando Gene Kelly faz transparecer todo seu amor com um jogo de música, canto, dança e o bom e velho sapateado. A projeção cinematográfica do ano de 1952 representa um lirismo animador, além da trama original, clima festivo, diálogos espirituosos e inteligentes é um musical de tirar o fôlego. Um filme imperdível, para ser visto e revisto.

Gene Kelly que faleceu em 1996 aos 83 anos de idade, além de ator foi diretor, produtor, cantor, dançarino e um dos maiores coreógrafos que o mundo das artes já conheceu. Em 1945 Gene recebeu sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator, por seu papel em Marujos do Amor. Em 1951, uniu-se a Vincent Minelli para fazer Sinfonia de Paris, um filme “desenhado” nos mínimos detalhes, e que acabou levando 7 Oscars no ano. Gene ganhou um prêmio especial por sua versatilidade como ator, cantor e dançarino. Seu maior sucesso sem dúvida alguma é SINGIN IN THE RAIN(Dançando na Chuva de 1952), a história é baseada em altas doses de comédia e romance. A imagem do cantor sapateando no meio da chuva é sem dúvida alguma uma das mais famosas da história do cinema. Na década de 90 ele chegou a ser consultor de dança da cantora Madonna, em sua turnê Girl Show.

Cantando na chuva é um marco secular cinematográfico pela época que foi produzido, haja vista que naquele período da narrativa do filme foi inserido um importante momento da história do cinema: A CHEGADA DO SOM. Com a chegada do som, todos na indústria do cinema precisam se adaptar à nova forma de fazer filmes, e nem mesmo os grandes astros terão vida fácil neste difícil momento de transição. Conforme nos conta o cinéfilo Roberto Siqueira, O roteiro do musical aborda também outro tema interessante, a resistência das pessoas às novidades tecnológicas. O vídeo de exibição do cinema falado causa diversas reações. Alguns acham que o som vai estragar o cinema, outros que o som nunca vai vingar. É comum a rejeição às inovações técnicas no cinema, foi assim também com o filme colorido e o conflito entre cinema e teatro.

O filme se passa em 1927, onde Hollywood passava pela transição do cinema mudo para o falado e na época Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hage) eram o casal mais querido do cinema e tinham que se adaptar a esse novo tipo de cinema. Vendo o sucesso feito pela tecnologia do som no cinema, um grande estúdio de Hollywood decide fazer um filme que não seja mudo e, para isso, usa duas maiores estrelas, Don Lockwood e Lina Lamont. Para ajudá-los no trabalho, o estúdio contrata o músico Cosmo Brown, grande amigo de Don. Durante a passagem do cinema mudo para o sonoro, Don Lockwood (Kelly) se apaixona pela cantora Kathy Selden (Debbie Reynolds) escolhida para dublar a voz esganiçada da estrela Lina Lamont (Jean Hagen).

A Crítica de cinema Jornalista Claudia Farias, nos afirma através de suas análises que o cinema serviu como forma de registro para o desempenho da dança e teve papel fundamental na sua preservação no século XX. O filme musical combinou formas americanas de balé (dança de salão, sapateado e bailado acrobático) com a ópera cômica e romântica. Historicamente, o musical nasceu com o cinema sonoro, em 1927, inaugurou ao mesmo tempo o cinema falado e o cinema cantado. Contudo, o filme musical se firmou nos Estados Unidos segundo o modelo dos espetáculos da Broadway, e teve o seu verdadeiro apogeu com Vincent Minelli, que trouxe para a grande tela a sua experiência no teatro musical. Além de Minelli, destacam-se os grandes criadores de musicais, como os diretores Busby Berkeley, Stanley Donen, os atores Fred Astaire e Gene Kelly.

Já o estudioso da Sétima Arte, Carlos Massari, afirma que no seu entender acredita que raramente um único filme conseguiu ser tão emocionante e hilariante ao mesmo tempo como “Cantando na Chuva”, um musical repleto de passagens antológicas e que marcaram a história do cinema. Hoje, infelizmente, esse gênero que deu tantas obras-primas à sétima arte está quase morto. Tudo o que podemos fazer é torcer para que um dia Hollywood volte a ter o bom senso de produzir filmes tão contagiantes como esses. Vivemos em uma época onde a maioria das obras vem rotuladas com “ação”, “suspense” e sempre coisas parecidas. É impossível rotular os musicais dessa maneira, eles mesclam tudo, comédia, drama, romance, suspense, e todos os gêneros possíveis. É o cinema arte, que todos os fãs dos verdadeiros filmes lutam incansavelmente para tirar do túmulo.

Segundo observação do estudioso de filmes Roberto Siqueira quando ele afirma e nos assegura que apesar do final previsível e do citado deslize no longo número musical da Broadway (“Broadway Rhythm Ballet”), “Cantando na Chuva” é bastante agradável e deixa o espectador com uma gostosa sensação de satisfação com o que viu. Além disso, a clássica cena que dá origem ao título já seria motivo suficiente para a apreciação do filme. Goste ou não de musicais, o espectador tem o privilégio de assistir um grande espetáculo e ainda entender melhor um momento importante da história do cinema. Pode ainda fazer uma última reflexão. Até mesmo nos dias mais chuvosos podemos encontrar a felicidade.

Cantando na Chuva foi lançado nos Estados Unidos, no ano de 1952, e teve um enorme sucesso de público e bilheteria. Passando, com o tempo, a desfrutar do reconhecimento da crítica. Está em 10º lugar como um dos melhores filmes dos últimos 70 anos pelo American Filme Institute. Para o seu deleite total, click no vídeo abaixo e assista aos dois dançarinos históricos que se tornaram os melhores de Hollywood e do Universo, Gene Kelly e Fred Astaire.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O DIREITO DE NASCER, UM DRAMALHÃO CUBANO QUE FEZ O BRASIL VIRAR O PAÍS DAS NOVELAS

Há quem diga que o Brasil é o país das novelas por culpa de um cubano. Tudo começou, indiretamente, há 73 anos, em 1946, quando Félix Caignet escreveu a radionovela O DIREITO DE NASCER, um grande sucesso, exibida em vários países e com diversas reedições ao longo das décadas. O especialista em novelas Thell de Castro nos confirma que a primeira versão da história foi transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro no início dos anos 1950. Mas, a partir de 5 de dezembro de 1964, quando a TV Tupi de São Paulo passou a exibir O Direito de Nascer diariamente às 21h30, o Brasil parou para assistir à telenovela, rotina que se repetiria inúmeras vezes nas décadas seguintes…

Nas longínquas décadas de 50 e 60, o tabu existente de então na sociedade era a separação entre marido e mulher, gravidez fora do casamento e aborto. Três temas que, hoje, são recorrentes nas novelas da Globo. Essas proibições sagradas, naquela época, mexeram com o público. Esse tema proibido, aqui no Brasil, só veio a ser quebrado com a escritora e novelista Janet Clair na década de 80. A novela O Direito de Nascer era baseada em uma história original de Cuba que se passava em 1946. A trama narra a história de Maria Helena de Juncal, filha de um poderoso empresário de Havana, mas que engravida de Alfredo Martins, filho de dom Ramiro Martins, inimigo da família. A única pessoa que fica sabendo da gravidez no início é a empregada Dolores.

Em 1951, foi ao ar pela Rádio Nacional o maior fenômeno de audiência em radionovelas em toda a América Latina: era O Direito de Nascer. Texto original de Félix Caignet, com tradução e adaptação de Eurico Silva. O original possuía 314 capítulos, o que correspondia a quase três anos de irradiação. No elenco estavam Nélio Pinheiro, Paulo Gracindo, Talita de Miranda, Dulce Martins e Iara Sales, entre outros. O Direito de Nascer surpreendeu a todos os críticos e a todas as previsões que afirmavam que o rádio teatro era um gênero em decadência e que o público brasileiro não se interessava por longas tramas. Através do sucesso atingido por esse dramalhão cubando, o sonho de consumo, no Brasil, tornou-se tão avassalador que, pela primeira vez, ainda segundo o site Teledramaturgia, houve uma explosão de consumo devido a um item utilizado por uma personagem. Tratava-se do vestido de chita de Dolores, que virou objeto preferido das donas de casa.

Lembrando aqui, uma das passagens pitorescas de algumas cenas ou capítulos que empolgava a todos os ouvintes ou telespectadores, em certo momento, há um episódio em que, Dom Rafael sofre um acidente grave precisando de transfusão de sangue. Albertinho, já médico formado, ouve a notícia no rádio, se oferece como doador e salva a vida do homem, sem saber que ele é seu avô. Grato, Dom Rafael permite que Albertinho namore sua neta Isabel Cristina, sem desconfiar que ele é, na verdade, o neto que um dia renegou. O enredo era tão apaixonante e fez tanto sucesso que fizeram até uma marchinha para o carnaval de 1966: Ah Dom Rafael/ Eu vi ali na esquina / O Albertinho Limonta / Beijando a Isabel Cristina / Mas mamãe Dolores falou / Albertinho não me faça sofrer / Dom Rafael vai dar a bronca / E vai ser contra o direito de nascer…

A socióloga cearense Marineusa nos faz viajar nos saudosíssimos anos 60/70 quando afirma que nas cidadezinhas do interior o divórcio, o desquite, a separação faziam pouquíssimas vítimas, pois era um arregalar de olhos quando tal fato acontecia. Para a sociedade daquelas décadas passadas, a Lei Áurea era: “O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO SEPARA”. Na verdade, principalmente no que diz respeito a ala feminina, quantas ocorrências marcantes em âmbito municipal, estadual, nacional e por que não universal? E na nossa vidinha? Na nossa adolescência? Quantas descobertas, quantas alegrias, quantas decepções!!! Qual mocinha daquela época não lembra, por exemplo, da novela “O Direito de Nascer”, quando elas sorriam ou choravam de acordo com as emoções que o capítulo fazia brotar nelas?

Tudo isso faz parte da vida; são os elementos que a compõem. Esta foi a década dos nossos primeiros sonhos com o príncipe encantado ou das gatinhas de anáguas rendadas, dos nossos primeiros bailes e das primeiras decepções amorosas. Foi a década em que, principalmente as meninas, sonhavam ao pé do rádio de pilhas ou de bateria, com os galãs das novelas. Como elas se deleitavam ao ouvir as vozes sensuais e imaginar a beleza dos personagens. Era uma novidade. E o que dizer das benditas revistinhas muitas vezes proibidas por nossas famílias. Quem se debruçou no dia a dia da novela O Direito de Nascer deve se lembra muito bem dos vestidinhos de “Mamãe Dolores” e da música: oh! Dom Rafael, eu vi ali na esquina, o Albertinho Limonta beijando a Isabel Cristina…?

O amor romântico não estava apenas nas novelas e nos romances; ele estava vivo, palpitante nos corações dos jovens das nossas cidadezinhas interioranas. Era lindo o amor e a fidelidade existentes nos casaizinhos de namorados que durante as férias estavam sempre juntos e que no período letivo se mantinham unidos através das cartas perfumadas com talco Gessy, Palmolive ou Eucalol. O amor tinha realmente a conotação certa. Havia entre os namorados afetividade, companheirismo, sensualidade, e, sobretudo, o respeito mútuo. O namoro perdurava anos a fio enquanto cada um dos enamorados cursava o ensino médio, a faculdade e finalmente colavam grau no ensino superior. Só depois de encaminhados profissionalmente constituíam famílias, edificadas no amor verdadeiro.

Certamente, o grande sucesso, que definitivamente marca o hábito do brasileiro de acompanhar a telenovela, acontece com a produção, pela TV Tupi SP, de “O Direito de Nascer”. Durante meses, o público se emocionou com a história de Albertinho Limonta (Amilton Fernandes) e Mamãe Dolores (Isaura Bruno). O sucesso foi tão arrebatador que a telenovela passou a ser o carro-chefe de várias emissoras. Se, em 1964, a TV brasileira exibiu 25 títulos, em 1965 esse número subiu para 48, com produções da Excelsior, Tupi SP, Record, Paulista, Globo e Cultura, conforme aponta a pesquisa de Ramos e Borelli em seu livro do ano de 1991, página 62. Tudo isso turbinado pela propaganda massificada e patrocinada pela Colgate-Palmolive… LEMBRAM-SE?!?!?!