ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

SEAN CONNERY, O ETERNO JAMES BOND, FAZ 90 ANOS

No mundo inteiro toda uma geração de fãs do famoso agente 007, que acompanhou a franquia com Daniel Craig e sabe honrar os clássicos, deve estar se perguntando: por onde anda Sean Connery? O primeiro —e para a maioria dos fãs o melhor— James Bond do cinema completa 90 anos no último dia 25 de agosto, levando uma vida reclusa longe dos flashs de Hollywood. O escocês, também conhecido como pai de Indiana Jones, aposentou-se. POIS BEM!!! E aquele papo de ele se arrependeu de ter feito James Bond? É verdade mesmo? Acredite se quiser, é verdade. Sean se recusou a comemorar os 50 anos de “007 Contra o Satânico Dr. No”, o primeiro de seus sete filmes como agente secreto. Ele via o legado do personagem como uma “maldição” em sua carreira, a quem sempre foi e será associado. Mais recentemente, no entanto, ele fez as pazes com o personagem…

“Bond. James Bond.” Não precisou mais que três palavras para Sean Connery ser imortalizado na história do cinema. Mesmo que seja discutível quem melhor interpretou o espião 007, é inegável que foi o astro escocês que, ao longo de seis filmes (ou sete, se contarmos “Nunca Mais Outra Vez”), fez da criação de Ian Fleming um ícone global. Mas Connery, que acabou de completar 90 anos, foi muito mais que a primeira encarnação de James Bond. O jornalista e pesquisador da história do agente 007 Roberto Sadovski, nos afirma que ao longo de sua carreira, o ator colecionou altos e baixos, trabalhou com os melhores e deixou os holofotes com um legado inigualável. Sean Connery é uma das últimas lendas vivas do cinema, um ator completo que tornou-se símbolo do melhor que a arte pode oferecer. Portanto, temos o privilégio de celebrar uma lenda que continua entre nós.

Para não ser repetitivo ao apresentar os conhecidos 7 filmes como James Bond, eis os 12 melhores filmes (sem James Bond) do astro: Marine, Confissões de Uma Ladra(1964), A Colina dos Homens Perdidos(1965), Ver-te-ei no Inferno(1970), Assassinato no Expresso do Oriente(1974), O Homem que Queria ser Rei(1975), Os Bandidos do tempo(1981), O Nome da Rosa(1986), Os intocáveis(1987), Indiana Jones e a Última Cruzada(1989), A Caçada ao Outubro Vermelho(1990), A Rocha(1996), Encontrando Forrester(2000). Mesmo sem ser o James Bond, Sean foi um gigante. É o que podemos chamar de o cinema em sua plenitude e esplendor.

Ao longo da franquia “007”, o protagonista James Bond já foi interpretado por Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, e Daniel Craig. Mas qual deles é o preferido do público? De acordo com uma pesquisa publicada pela Radio Times, Connery foi o escolhido do público, com 56% dos votos entre 14.000 entrevistados online. A pesquisa foi dividida em várias rodadas, que colocavam ator contra ator para que o público escolhesse o vencedor. Ao final, Dalton terminou em 2º lugar, com respeitáveis 32%, enquanto Brosnan ficou em 3º, com 23%. Daniel Craig ficou em 4º lugar, seguido por Moore e Lazenby.

Os produtores responsáveis pelo sucesso da franquia “007” no cinema celebraram o aniversário de Sean Connery com um vídeo com seus melhores momentos como James Bond. “Feliz aniversário ao nosso 007 original, Sean Connery, que completa 90 anos hoje. Com amor de Michael, Barbara, todos na Eon e de todos os seus fãs”, diz a mensagem publicada nas redes sociais oficiais da franquia cinematográfica, assinada por Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, que desde 1995 comandam a Eon, produtora dos filmes de James Bond. Ele está aposentado do cinema desde 2012, tendo recusado vários convites para voltar a atuar. Que saudade do sarcasmo do melhor 007, o Gigante Sean!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

BARTÔ GALENO, O BAIXINHO QUE SATISFAZ, JÁ É UM SETENTÃO…

Quem conhece esse clássico que tocava muito em parque de diversão e foi parada de sucesso nas rádios do interior, no final da década de 70, do paraibano Bartolomeu Silva, que é uma verdadeira lenda viva do nosso cancioneiro brega romântico?!?!?! EI-LO: No toca-fitas do meu carro / Uma canção me faz lembrar você / Acendo mais um cigarro / E procuro lhe esquecer / Do meu lado está vazio / Você tanta falta me faz / Pois cada dia que passa / Eu te amo muito mais. / Encontrei no porta-luvas um lencinho que você esqueceu / E num cantinho bem bordado o seu nome junto ao meu… Esse autêntico hino gandaieiro composto por Bartô Galeno e Carlos André, sem dúvida alguma estará na cápsula do tempo, pois quase me mata de beber cachaça nos cabarés de Maria do Bago Mole e Maria Gorda na Rua da Madeira.

De Palmares à Arapiraca, de Garanhuns à Caicó ou de Maceió à cidade de Mossoró, passando por Palmeira dos índios e Carpina, as casas embelezadas por LUZ NEGRA e entupidas com mulheres de corpo ou tipo violão, abasteciam seus frequentadores com verdadeiras pérolas de Bartô Galeno, como Malena, Esta Cidade é Uma Selva sem Você, Olhos Que Eu Não Posso Ver, Pelo Menos Uma Palavra, Nosso Amor Já Morreu e Nesta Casa Onde Morou Felicidade fizeram o prazer de muitas pessoas, algumas delas, foram pra cama com uma mulher pela primeira vez… Seu principal parceiro nas composições era Carlos André. Da parceria veio músicas como “Amor Vagabundo” e “Cadeira Vazia”, “Coração mentiroso”, “Chorei por amor”, “De que vale a minha vida agora”, “Longe de você” e a emblemática “No toca-fitas do meu carro”.

Desde 1975, o cantor e compositor Bartô Galeno lançava um LP a cada ano, todos eles com músicas que o público nunca esqueceu. Ele tem uma rica discografia e uma baita história no mercado musical brasileiro, pois na época vendia discos tanto quanto Roberto Carlos. Por isso, faz parte das lembranças, memórias e vida de muitas pessoas. Quantos anônimos por aí afora, não têm uma história desta para contar: “Meu pai amava muito suas músicas, infelizmente ele já faleceu, mas fez questão de colocar o nome da minha irmã de Malena, ele gostava bastante”. Para quem não sabe, Malena é o nome de uma música que o cantor fez em homenagem para uma namorada.

Conforme nos conta o locutor, e apresentador de programas musicais, Ronaldo Sá, quando afirma que, apesar da futura estrela do estilo brega ter nascido em Sousa(PB), aos 10 anos foi residir em Mossoró(RN) e na adolescência, Bastinho Silva, como era conhecido ganhou um concurso na Rádio Rural da cidade “A Mais Bela Voz”. Em seguida, resolveu migrar para Recife e logo após para São Paulo. Teve a participação importante na sua carreira, que foi a do mossoroense Oséas Lopes, hoje CARLOS ANDRÉ, que também saíra daqui a fim de tentar a sorte no Sudeste do país. “Bastinho Silva não soa bem como nome artístico”, opinou o parceiro. Já que seu nome próprio é Bartolomeu, resolveu adotar Bartô Galeno. Até então o seu forte era compor.

Mas São Paulo não era o ideal, porque na época estava no auge do movimento da Jovem Guarda, promovido basicamente pela gravadora CBS, e todas as atenções estavam voltadas para o Rio de Janeiro. Bartô Galeno mudou-se para lá. Parcerias de peso e seu talento fizeram com que 40 músicas fossem gravadas com suas assinaturas. Os nomes de Carlos André, Fernando Léllis, Fernando Mendes, Odair José e tantos outros atingiram o ápice do sucesso.

Agora, foi com Genival Santos (com a música machista de grande sucesso que diz “Se errar uma vez, dou castigo para não se acostumar; se errar outra vez, mando embora para aprender a me respeitar”), que alavancou sua carreira de maneira extraordinária. Aí passou, também, a cantar, que ninguém é de ferro. Em 1975, grava o seu primeiro Long Play(LP), tendo como carro-chefe a música “Só Lembranças”, até hoje cantada e servindo de piada quando alguém passa um cheque sem fundos ou desaparece alguma coisa sem chances de recuperação: “Só lembranças… Só lembranças…” . O cantor brega Bartô Galeno é um pequeno no tamanho, mas um gigante na humildade e um vencedor em quase 50 anos de carreira.

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HÁ 12 ANOS QUE O FRANK SINATRA BRASILEIRO CANTA BOLERO LÁ NO CÉU…

Waldick Soriano (1933-2008), baiano de Caetité e que ficou conhecido como o Frank Sinatra Brasileiro, encantou-se há 12 anos, no dia 4 de setembro de 2008, e deve tá fazendo um sucesso danado lá no céu. Ele iniciou sua carreira artística com o lançamento, em 1960, do primeiro LP: QUEM ÉS TU. Fez enorme sucesso no começo dos anos 1970, quando protagonizou dois filmes e vários comerciais. Gravou aproximadamente 900 músicas, além de haver composto cerca de 500. Dono de voz única, sua música é dita por vezes como “piegas”, e chega mesmo a ser o símbolo do estilo que hoje, já sem a pesada conotação pejorativa de antigamente, chama-se de brega – e que na verdade passeia pelos boleros, tangos e choros. O Waldick que conhecemos que encantou-se em setembro de 2008, aos 75 anos precisamente há uma dúzia de anos. O cara tinha em seus melosos boleros aquelas temáticas da vida noturna, bares sombrios, amores perdidos e puteiros que varavam toda uma noite.

Eurípedes Waldick Soriano foi um cantor e compositor brasileiro, ícone da música classificada como brega. O “fenômeno” Waldick e a posição quase marginal que o ritmo “cafona” ocupou mereceu uma análise mais apurada e científica no livro escrito pelo historiador e jornalista Paulo César de Araújo, Intitulado “EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO – Música popular cafona e ditadura militar” (Rio de Janeiro, Record, 2005), a obra traz, já em seu título, uma referência a este cantor e sua música de maior sucesso. Ali o autor contesta, de forma veemente, o papel de adesista ao regime de exceção implantado a ferro e fogo no Brasil pelos militares, por parte dos músicos “bregas”. Waldick, segundo ele, é um dos exemplos, tendo sua música “TORTURA DE AMOR” censurada em 1974, quando foi por ele reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra “TORTURA”…

O sucesso absoluto veio na década de 70, quando ele se tornou ícone da música conhecida como brega, mas que ele preferia dizer ROMÂNTICA. Suas canções eram tocadas nas rádios populares. Nesse período, sua presença era disputada por programas de televisão como o “Cassino do Chacrinha” e o “Programa Silvio Santos”. O maior sucesso foi à música “EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO”, do disco “Ele Também Precisa de Carinho”, lançado em 1972. O nome da música se tornou expressão popular no Brasil. Nos anos 90. Soriano foi homenageado por Falcão, outro cantor da música brega, que regravou “Eu Não Sou Cachorro, Não” em inglês, na versão “I’M NOT DOG NO”.

No fim da primeira década do Século XXI, o cantor se mudou para Fortaleza, no Ceará e excursionou pelo Nordeste. Dois anos antes de morrer, o artista foi tema do documentário “WALDICK, SEMPRE NO MEU CORAÇÃO”, dirigido pela atriz Patrícia Pillar, que abordou a carreira e a vida íntima do artista no filme. Em 2007, foram lançados pela Som Livre os CD e DVD “Waldick Soriano – Ao Vivo”. O cantor se casou três vezes. Sua última mulher foi Walda Soriano, uma galegona ao molho pardo de dois metros de altura. Por natureza, Waldick era um manguaceiro nato e também um mulherengo machista a toda prova. Waldick Soriano deixou uma das frases mais bem cunhadas nos anais da boemia e dos cabarés da vida: “Digo sempre que, cachaça moderada e mulher em exagero não fazem mal a ninguém”…

Considerado também, pelos seus fãs, como o DURANGO KID brasileiro, Waldick Soriano cantou o amor visceral, aquele amor destrambelhado de arrebentar a boca do balão. Cantor performático, muito atuante, ele criou estilo próprio, inesquecível para cantar sentimento de amor entre o homem e uma mulher do sentimento amoroso às mazelas do cotidiano que envolvem os casais. A sua carreira musical deslanchou nos anos 50, com a música “QUEM ÉS TU?”. Suas músicas se caracterizavam por tratar de relações amorosas, traições e de “dor de cotovelo”. Assista ao vídeo logo abaixo e ouça a última vez que ele interpretou a canção Quem és tu?

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

ENCANTOU-SE RENATO BARROS, ÍCONE DA BANDA RENATO E SEUS BLUE CAPS

Em razão da pandemia que assola o país, passou despercebida no último dia 28 de agosto, a morte do cantor e guitarrista Renato Barros que estava com 76 anos. O lamentável falecimento se deu no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, após uma cirurgia cardíaca quando ele teve complicações pulmonares. Nos anos 1960, Renato fez nome na época da Jovem Guarda com versões em português de sucessos do rock inglês de conjuntos como Beatles e The Mammas and the Papas, a banda se projetou com hits como “Até o fim”, “Não te esquecerei”, “Feche os Olhos” e Menina Linda(o primeiro grande sucesso da versão de 1964. O nome “Renato e Seus Blue Caps” foi inspirado em uma banda americana. A banda de rock era a que estava há mais tempo em atividade no Brasil.

O artista fundou a banda no início dos anos 60, com seus irmãos Ed Wilson e Paulo César Barros, e com os músicos Euclides de Paula e Gelson. O grupo lançou seu primeiro disco em 1962 e logo se tornou um sucesso no movimento musical da Jovem Guarda. Desde então, vários músicos passaram pela banda, entre eles Erasmo Carlos, que substituiu Ed Wilson quando ele deixou o grupo em 1963 para tentar carreira solo. Erika Barros, filha do roqueiro, homenageou o pai publicando em seu perfil, na rede social Facebook, a letra da música NÃO TE ESQUECEREI, versão de Renato e seus Blue Caps para a música California Dreaming, do grupo The Mamas and the Papas.

A jornalista e pesquisadora Clara Menezes, nos afirma que durante a década de 1960, ele teve papel significativo na Jovem Guarda, movimento cultural que trazia referências do rock britânico e estadunidense para o Brasil. A música, apesar de ser considerada “ALIENADA” para os jovens engajados politicamente do período, tinha grande popularidade. As temáticas tratavam, principalmente, de amor, de adolescência e de exaltação de bens materiais, como carros e roupas. Diversos artistas já integraram o grupo, incluindo Erasmo Carlos. Há mais de 20 anos, porém, participavam Renato Barros, Cid, Gelson, Darcy Velasco, Amadeu Signorelli. Na discografia da banda, constam “Twist” (1962), “Viva a Juventude” (1964), “Um Embalo com Renato e Seus Blue Caps” (1966), “Suco de Laranja” (1979) e “Batom Vermelho” (1987).

Os amigos de banda se despediram de Renato com uma declaração na rede social: “Nosso amado e muito querido cantor, compositor e guitarrista não suportou tanto sofrimento e descansou! Foi tocar sua guitarra no plano superior, onde está agora ao lado de seus pais e de sua amada esposa Lúcia Helena”. Toque direito aí no céu, viu meu amigo Renato Barros?…Tenho orgulho de ter sido um Blue Cap em 1962… Meu Rock’n’roll está triste;, escreveu Erasmo Carlos…

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A HISTÓRIA DE AMOR DE LAUREN BACALL E HUMPHREY BOGART

A bela atriz Betty Joan Perske, o nome real de Lauren Bacall que morreu em 2014 aos 89 anos de idade, casou-se quando tinha apenas 19 anos com o ator Humprey Bogart que já estava com 43. O casamento durou 12 anos até a morte de Bogart que faleceu em 1957 com 57 anos de idade. Juntos tiveram dois filhos. O casal era amigo de Frank Sinatra, Marilyn Monroe, Judy Garland, Peter Lorre e David Niven. O grupinho se reunia em casa pras fofocas regadas a muita bebida e cigarros. Bogart era bom de copo como seus personagens. E como os heróis de “Relíquia macabra” e “Casablanca”, em que contracenou com Ingrid Bergman, pois não tinha muita sorte com as mulheres. Ao menos até 1944. O astro vivia com Mayo Methot, atriz alcoólatra e violenta, depois de dois casamentos infelizes, quando se envolveu com Lauren Bacall, 25 anos mais jovem que ele, durante as filmagens de Uma aventura na Martinica.

Consta no livro biográfico de Lauren Bacall que Bogart se portava muito mal com a bebida. Não existia beber socialmente para ele. Seus problemas começavam na quarta dose de whisky, quando, usualmente começavam as brigas. Ele era um bêbado chato, e se divertia empurrando os convidados na piscina. Após a morte de Bogart, Lauren se aproximou mais de Frank Sinatra e os dois chegaram a namorar. Mas o romance terminou pouco depois que a imprensa soube do caso. Bogart e Bacall trabalharam juntos em quatro filmes. Em 1956 ele adoeceu, sendo diagnosticado com câncer de esôfago. Faleceu um ano depois, deixando uma jovem Bacall e dois filhos pequenos. Em 1961 casou-se com o ator Jason Robards, com quem teve um filho. Os dois se divorciaram em 1969 e não mais voltou a casar-se.

Conhecida por sua voz rouca e aparência sensual, ela tornou-se modelo para a mulher moderna. Hoje ela é considerada uma atriz lendária, em parte devido a sua longevidade como atriz por 70 anos. Em que pese ter mantido sempre uma atitude bastante reservada na glamorosa Hollywood, seu estilo marcou toda uma geração, pois era magra e possuía lábios grossos e com um olhar embriagante, sua imagem permaneceu continuamente na memória, fazendo escola entre outras atrizes. Seu romance e posterior casamento com o tipo mais durão na tela, Humphrey Bogart, foi considerado uma das histórias mais românticas de uma indústria acostumada aos amores passageiros. Um amor trágico que lhe partiu o coração quando o câncer levou seu primeiro marido. Demorou muito tempo para sair da sombra de Bogart, o que fez graças a seu trabalho teatral, mesmo casando 4 anos depois de ficar viúva com o ator Jason Robarts.

Aos 19 anos, Lauren Bacall conseguiu o papel de protagonista no filme Uma aventura na Martinica, ao lado de Humphrey Bogart e Walter Brennan. O desempenho de Lauren foi considerado sublime. Sua beleza e elegância, a voz profunda e o olhar penetrante hipnotizaram o público. Era o início de uma carreira de sucesso. Nos anos seguintes, Bacall atuou em filmes que se tornariam clássicos, como À beira do abismo, Prisioneiro do passado e Paixões em fuga. Durante sua carreira, a atriz conquistou inúmeros prêmios, destacando-se o Cecil B. DeMille do Globo de Ouro, em 1993, pelo conjunto da obra, e, em 2000, o Prêmio do Festival de Cinema de Estocolmo, também por sua extensa e variada filmografia.

A bonita atriz que teve uma vida longa no cinema, teatro e televisão, surpreendentemente, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1997, por sua atuação em O ESPELHO TEM DUAS FACES, Bacall não ganhou o prêmio, derrotada pelo desempenho de Juliette Binoche em O paciente inglês. A injustiça, contudo, foi corrigida em novembro de 2009, quando Bacall, aos 85 anos de idade, recebeu um Oscar honorífico por sua carreira dos seus 29 filmes, como uma das mais legendárias e lembradas intérpretes da Hollywood da época de ouro. Ela foi escolhida pela Empire Magazine a 6ª personalidade mais sexy da história do cinema. Hoje, possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada na 1724 Vine Street. Como curiosidade em sua vida pessoal, Betty Joan Perske conhecida como Lauren Bacall detestava ser chamada de viúva de Humphrey Bogart…

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JASON ROBARDS, O MAGNÍFICO ATOR DO FILME A MORTE NÃO MANDA RECADO

Jason Robards que morreu no ano 2000 aos 78 anos de idade foi casado quatro vezes – uma delas com a atriz Lauren Bacall. A consagração pela Academia veio em dois anos consecutivos, 1976 e 1977, quando Robards conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelas atuações em “Todos os Homens do Presidente” e “Julia”, respectivamente. Não esteve presente na cerimônia de entrega do seu segundo Oscar, na qual ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante. O ator Maximilian Schell recebeu a estatueta em seu nome.- É o único ator a ganhar o prêmio de coadjuvante no Oscar em dois anos consecutivos.- Em 1988 tornou-se o 11º ator a ganhar a chamada “tríplice coroa de atuação”, que inclui o Oscar (cinema), o Tony (teatro) e o Emmy (TV).

A terceira mulher de Jason Robards, a estonteante atriz Lauren Bacall, antes, teve vários encontros com o ator Humphrey Bogart nos estúdios de filmagem de Uma Aventura na Martinica, que na época era casado. Passaram a se relacionar dentro do set das filmagens; dentro de algumas semanas, eles começaram a se encontrar fora dos estúdios. Depois do divórcio de Bogart, casaram-se e tiveram filhos. O filme levou-a a um estrelato instantâneo. Sua participação foi mais tarde considerada uma das mais impactantes estreias na história do cinema. Então com 20 anos, Bacall ganhou manchetes nos jornais do mundo inteiro. Quando da visita ao National Press Club em Washington. em 10 de fevereiro de 1945, seu assessor de imprensa (Charlie Enfield, chefe de publicidade da Warner Brothers) pediu para ela se sentar no piano que estava sendo tocado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Harry Truman. As fotos do incidente causaram um escândalo.

Robards teve seis filhos de seus quatro casamentos, incluindo o ator Jason Robards III, como também o ator Sam Robards com sua terceira esposa, a atriz Lauren Bacall, com quem ele se casou em 1961. Eles se divorciaram em 1969, em parte por causa de seu alcoolismo. Em 1972, ele ficou gravemente ferido em um acidente de automóvel quando dirigia seu carro ao lado de uma montanha em uma sinuosa estrada da Califórnia, exigindo uma extensa cirurgia e reconstrução facial. O acidente pode ter sido relacionado à sua luta de longa data com o alcoolismo. Robards superou seu vício e passou a fazer campanha publicamente pela conscientização sobre o alcoolismo. Em sua filmografia consta os filmes faroestes A Hora da Pistola(1967), Era Uma Vez no Oeste(1968), A Morte Não Manda Recado(1970).

No bom filme A Morte Não Manda Recado dirigido pelo cineasta Sam Perckinpah, alguns críticos consideram o melhor filme de Peckinpah, o que é um exagero, como afirma o crítico de faroeste Darci Fonseca. E assim também não pensaram os executivos da Warner Bros. que relegaram este western a uma distribuição em cinemas de segunda categoria e com insignificante publicidade. Diante de seus melhores filmes, ambos faroestes – “Pistoleiros do Entardecer” e “Meu Ódio Será Sua Herança” – este “A Morte Não Manda Recado” é um filme menor e Peckinpah não tencionava repetir a grandeza de seu western anterior mesmo porque sabia que o material que tinha em mãos não tinha a mesma magnitude. Com A Morte Não Manda Recado, Sam Peckinpah fez aquilo que mais gostava de fazer, falar do fim do Oeste mítico. Pena que com um filme que não se tornou lendário como o Velho Oeste.

Jason Robards foi um ator completo. Ele sabia dominar como poucos, qualquer meio de atuação que estivesse presente. No filme Era Uma Vez No Oeste, interpretou um fantástico personagem, Cheyenne. Robards foi homenageado pelo presidente Bill Clinton na Casa Branca por sua contribuição à cultura norte-americana. Seu último papel no cinema, um ano antes de morrer, foi no papel de um paciente terminal de câncer, no intrigante e ótimo “Magnólia”, de 1999. Ele tem atuação precisa e sensível na pele de um pai arrependido pelos atos com seus próximos ao longo da vida, no filme ele faz o papel de pai de Tom Cruise. À época, já lutava contra um câncer de pulmão, causa de sua morte, um ano depois das filmagens.

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KLAUS KINSKI, O LOIRINHO PERVERSO DE PERSONALIDADE MUITO FORTE

O galego malvado, Klaus Kinski, nasceu em Zoppot, Polônia, posteriormente a família mudou-se para Berlim e naturalizou-se alemã. Klaus Teve uma infância e juventude atribuladas. Desde cedo se mostrou empreendedor e desembaraçado. Durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem Kinski foi convocado para a Wehrmacht e serviu na Frente Occidental nos Países Baixos. Kinski deserta e rende-se às tropas britânicas, passando a maior parte do conflito como prisioneiro de guerra. Foi no campo de prisioneiros que descobriu seu talento de ator, representando para os outros prisioneiros. Após a guerra, decide retornar à Alemanha Ocidental em vez da Polônia devido ao regime comunista lá instalado. Ao retornar, descobre que seu pai morrera durante a guerra e que sua mãe fora morta em um bombardeio na cidade de Berlim.

Tornou-se ator do emergente cinema alemão do pós-guerra e no início dos anos 60 a sua carreira internacionalizou-se, tendo participado do filme Doutor Jivago, de David Lean, em Western spaghetti como o personagem SARTANA e em inúmeros filmes B. Durante a sua carreira, Kinski teve propostas de realizadores como Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti ou Steven Spielberg, mas, segundo ele, recusava quase sempre a favor de papéis em filmes de realizadores menores ou medíocres, que lhe pagassem melhor e lhe dessem menos incômodo. No entanto, essas recusas deviam-se, provavelmente, ao fato de Kinski não querer trabalhar com realizadores com personalidades tão fortes quanto a sua.

A enciclopédia WIKIPÉDIA nos abastece com a biografia do controvertido ator, ao afirmar que a personalidade de Kinski era bastante pitoresca e controversa. Era uma pessoa em evidência, caprichosa e difícil e as suas violentas explosões coléricas, por motivos insignificantes, tornaram-se lendárias. Era o terror dos realizadores e produtores. Por outro lado, era um Don Juan insaciável e chegava a querer participar num filme só para ter oportunidade de seduzir determinada atriz. Não era um ator camaleônico ou minimalista ou que pudesse representar vários tipos de personagens. A sua personalidade forte sobressaía e representava quase sempre personagens do tipo dostoievskiano: atormentados, fanáticos, violentos, obcecados, intensos, criminosos, apaixonados ou loucos.

Um fato negativo na biografia de Kinski fora narrado pela própria filha, Pola Kinski, filha mais velha do ator alemão quando afirma em uma autobiografia ter sido abusada sexualmente pelo pai dos 5 aos 19 anos de idade. Hoje com 67 anos, Pola é filha da primeira mulher do ator. Ela explica que seu pai se aproveitou da separação para levar a filha em viagens pela Europa, durante suas filmagens. Na autobiografia, Pola Kinski relata que seu pai era agressivo e constantemente a jogava contra a parede antes de violentá-la. Depois dos abusos, Kinski presentearia com objetos caros. “Quando o vejo em seus filmes, sinto que ele era exatamente igual em casa”, afirmou, em relação aos papéis de homem furioso e louco que lhe deram fama, como Aguirre, a Cólera dos Deuses. Ele também era conhecido por ter interpretado o Conde Drácula no filme Nosferatu – O Vampiro da Noite — todos de Werner Herzog, com quem trabalhou constantemente.

Na sua biografia encontra-se relatos de uma vida intensa e atormentada, as suas ardentes e inúmeras paixões e aventuras eróticas, e onde também revela a sua personalidade excessiva e algo fantasiosa. Foi casado quatro vezes e pai de três filhos. O ator morreu em 23 de Novembro 1991, com a idade de 65 anos em sua propriedade em Lagunitas, Califórnia de um problema de coração. De acordo com seus desejos, seu corpo foi cremado e suas cinzas espalhadas em San Francisco, no Pacífico. Seus principais filmes de projeção internacional foram: Fitzgerald, Nosferatu: O Vampiro da Noite e Aguirre, A Cólera dos Deuses, além de vários bicos em filmes de bang bang. Assista na íntegra ao filme Por um Caixão Cheio de Dólares estrelado pelo loirinho mais temperamental do Western americano.

Clique aqui para assistir na íntegra ao filme Por um Caixão Cheio de Dólares

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O ECLÉTICO ATOR DE HOLYWOOD, RICHARD WIDMARK, JAMAIS RECEBEU UM OSCAR DA ACADEMIA

Richard Widmark que morreu no ano de 2008 aos 93 anos de idade foi uma das figuras marcantes do cinema antigo e dos anos dourados de Hollywood. Em que pese ter sido um excelente ator jamais ganhou um prêmio da Academia. Widmark sempre foi uma pessoa discreta, porém um baita intelectual e professor de direito. iniciou no cinema quando já estava com 34 anos, idade considerada fora do padrão para quem começa no mundo deslumbrado de Hollywood. O cinéfilo Paulo Telles o ver como um ator eclético que sabia desempenhar muito bem tanto vilões como heróis. Seu primeiro filme associado ao gênero Western aconteceu em 1949 que foi Céu Amarelo (Yellow Sky) com os ótimos Gregory Peck e John Russel. Este filme é dirigido por William A. Wellman e tem uma fotografia em preto e branco deslumbrante.

Sua estreia no cinema deu-se com o filme “O Beijo da Morte”, de Henry Hathaway, num papel que lhe valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, e o Globo de Ouro como Melhor Revelação Masculina. Nesse filme, ele fazia o papel de um vilão sádico que entrou para a história do cinema pela risada cínica que antecedia os atos de violência, como o de empurrar uma paralítica do alto de uma escada, fato este que chamou a atenção do público devido à presença magnética do ator. No Brasil, quando o filme foi lançado, Widmark recebeu aqui o apelido de “RISADINHA”. Neste filme ele não foi laureado com o Oscar, mas ganhou o Globo de Ouro com o prêmio de Melhor Revelação Masculina.

Foi no filme Punido pelo Próprio Sangue de 1956 que traz o loiro ator pela primeira vez como o protagonista de um western, dirigido por um especialista, John Sturges. A Última Carroça, também de 1956, talvez traga o mais heroico personagem feito por Widmark, COMANCHE TODD, um branco criado pelos índios e que termina se convertendo em herói para salvar alguns dos pioneiros dos peles vermelhas em pé de guerra e assumindo o comando da caravana. Um faroeste de categoria que só mesmo o primor de Delmer Daves pode conceber. Ação vibrante em belas paisagens e com uma moral: a história de um homem que descobre como, para viver condignamente, deve aprender a sofrer com as adversidades. Segundo o historiador de filmes faroestes Paulo Telles, talvez, a maior interpretação de Richard Widmark dentro ou fora do gênero.

Na minha concepção, um dos melhores filmes de western que teve a participação de Richard Widmark foi no lendário MINHA VONTADE É A LEI de 1959. A película traz Widmark como um fora da lei regenerado, que se cansa da vida de bandido e de andar com um bando liderados por um perverso chefe. O bando promove arruaças em San Pablo e cometem crimes no vilarejo, levando os moradores a contratar um “domador de cidades”, o invicto pistoleiro Clay Blaisdell (Henry Fonda), que infunde respeito aos desordeiros, sempre trajado de negro e com suas pistolas de coldre dourado, além de acompanhado pelo seu capanga, o aleijado Morgan (Anthony Quinn). Entretanto, Blaisdell é lúcido e sabe que os que o apoiam agora, mais tarde criticarão seus métodos quando a cidade estiver pacificada, e detendo o Poder, a população desejará sua partida. Não demora e isto vem a acontecer, quando o povoado nomeia Johnny Gannon para xerife, que conhecera Blaisdell em seu tempo de fora da lei. No elenco, as belas Dorothy Malone, interesse romântico de Gannon(Quinn), e Dolores Michaels, interesse romântico de Blaisdell(Fonda).

Para quem não sabe, Fora dos sets de filmagem, Widmark era um defensor dos direitos humanos e da preservação de patrimônios históricos em geral, sendo um liberal democrata na política. Mas em 1960, Widmark recebeu um convite de John Wayne para interpretar o lendário Jim Bowie, o aventureiro lutador de facas e inventor da faca Bowie no épico O Álamo (The Alamo), que reconstituiria o episódio da história da luta da independência do Texas, anterior a sua anexação aos Estados Unidos. Antes, o papel havia sido oferecido pelo Duke a Charlton Heston, que se recusou a trabalhar na ocasião com Wayne, por ser um Republicano brutamontes.

Ao trabalhar no filme O ÀLAMO que teve a direção de John Wayne, Widmark, por profissionalismo, resolveu esquecer seu lado político, mesmo sabendo que o Duke era um radical republicano. Não nutria de grandes amores por Wayne, mas em 1960, Widmark estava sem projetos ou filmes a fazer, por isto aceitou o convite de trabalho, que seria uma superprodução. O encontro com os dois astros de pensamentos políticos diferentes rendeu boas histórias, e uma delas é que quando após a assinatura do contrato, foi publicado um anúncio com a foto do ator que interpretaria Jim Bowie e a frase “Welcome aboard, Dick” (bem-vindo a bordo, Dick). Ao recepcionar Widmark em Brackettville, Wayne teve que ouvi-lo dizer na frente de todos os presentes: “Diga ao seu pessoal de publicidade que o meu nome é Richard!”, deixando claro que não queria nenhuma intimidade com John Wayne. Chocado, o Duke apenas respondeu: “Eu vou dizer sim, Richard”, enfatizando o nome do já declarado inimigo. Entretanto, anos depois, Richard negou este fato, afirmando que todos os colegas o chamavam de Dick e que nunca se incomodou. O eclético ator Richard Widmark encerrou sua carreira com o filme True Colors (1991), onde interpretou o papel de um senador.

Clique aqui para assistir na íntegra ao filme “Minha Vontade é a Lei”

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

JOE KIDD, UM ESTILO DIFERENCIADO DO COWBOY CLINT EASTWOOD

Joe Kidd é uma película filmada no ano de 1972, que de um certo modo deixa a desejar por conta de seus poucos 88 minutos, além de que sua história poderia ser mais envolvente. Conta com um elenco de astros consagrados pelo cinema, como Clint Eastwood e até Robert Duvall; possui uma bela trilha sonora; um local de filmagem bem escolhido, porém a maior falha é a de que não souberam aproveitar muito bem todos esses importantes quesitos e fizeram com que o filme ficasse meio cansativo. O consagrado diretor John Sturges tinha de tudo em suas mãos para realizar um dos melhores westerns, inclusive dois grandes nomes do cinema (Clint Eastwood e Robert Duvall, ambos aparecendo em grandes trabalhos fora do filme). Infelizmente, John Sturges não soube trabalhar com o que tinha em que pese ser um dos melhores diretores norte-americanos de filmes de faroeste, com absoluta certeza.

É interessante notar que, quando o filme JOE KIDD foi lançado, em 1972, Clint Eastwood já havia dirigido seu primeiro filme Perversa Paixão, que é de 1971. No ano seguinte, 1973, dirigiria seu segundo filme, O Estranho Sem Nome em que interpreta um personagem bastante parecido com o dos filmes de Sergio Leone e com este Joe Kidd. É bom que se diga que Joe Kidd foi um dos últimos filmes de diretor John Sturges (1910-1992), um bom cineasta que realizou vários belos filmes. Fez westerns clássicos que arrebataram plateias no mundo inteiro – A Fera do Forte Bravo(1953), Sem Lei e Sem Alma(1957), Duelo de Titãs(1959) e Sete Homens e um Destino (1960), além de ter dirigido bons filmes de guerra e ação, como Fugindo do Inferno e Quando Explodem as Paixões(1959). E fez ainda um grande filme, um marco, sobre preconceito racial, Conspiração do Silêncio, com uma das grandes interpretações de Spencer Tracy. O grande Tracy fez com ele também uma ousada filmagem de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, em 1958.

A sinopse do filme nos revela que Joe Kidd(Clint Eastwood), um caçador de recompensas professional, está em sérios apuros: depois de causar muito tumulto em terras indígenas em um de suas missões, acabou sendo preso. Mas, depois de receber a proposta para lutar contra o revolucionário por nome de CHAMA, que tem causado sérios transtornos aos moradores, ele decide que precisa voltar ao trabalho de qualquer jeito. Quer dizer, durante a guerra dos EUA com o México, Joe Kidd um ex-caçador de recompensas, se envolve na disputa entre o líder mexicano Louis Chama e o dono de terras Frank Harlan. Toda história está voltada para um ex-caçador de recompensas que ajuda de forma relutante um rico proprietário a perseguir um líder revolucionário mexicano. Há quem diga que Joe Kidd é o filme mais fraco que Clint Eastwood já atuou.

A trilha do Lalo Schifrin é muito bacana, mas o filme é razoável, Duvall chama mais atenção que Eastwood nessa atuação. Diga-se de passagem, Joe Kidd é um western mediano e cheio de clichês, como o malvadão que quer terras e o ”revolucionário” que luta por uma ”causa” e tudo mais ou mais alguma coisa. Na verdade, para quem assistiu ao filme parece que faltou inspiração para todos nesse filme, está longe de ser das melhores obras do John Sturges e do Clint. Se isso fosse uma partida de futebol poderíamos afirmar que os times só entraram em campo para cumprir tabela.

No filme Joe Kidd. a gente se confronta com um Clint Eastwood um pouco diferenciado do que foi seu estilo até os dias de hoje. O Clint mudou até demais, largou o velho cowboy sem nome e misterioso para um sujeito dono de rancho. É curioso que dessa vez o nome dele foi o título do filme. Porém tem uma cena nele que torna essa película inesquecível: usar um TREM para entrar no Saloon, pois isso aconteceu no final e foi o que salvou todo o enredo. Em suma é um filme até legal, mas não espere muito achando que o trio Sturges, Eastwood e Duvall, os três fizeram um filme digno de top 10 do western, pois é uma película mediana.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

MORRE AOS 104 NOS, OLIVIA DE HAVILLAND, ESTRELA DE “…E O VENTO LEVOU”

A brilhante e talentosa atriz Olivia de Havilland, estrela de “… E o Vento Levou” e uma das últimas sobreviventes da era de ouro de Hollywood, morreu na noite de domingo dia 26 de julho de 2020 aos 104 anos. A atriz morreu de causas naturais enquanto dormia. De Havilland venceu dois Oscar em sua carreira, por “Só Resta Uma Lágrima” (1946) e “Tarde Demais” (1949). Foi indicada outras três vezes, por “… E o Vento Levou” (1939), “A Porta de Ouro” (1941) e “Na Cova da Serpente” (1948). Olivia de Havilland como Melanie em “… E o Vento Levou”. Famosos usaram as redes sociais para lamentar e prestar homenagens à atriz, ícone da era de ouro do cinema. Entre eles, o ator Antonio Banderas: “Olivia de Havilland, um grande ícone da cinematografia, faleceu. Descanse em paz.”…

No filme E O Vento Levou não se deve confundir os papéis da protagonista Vivien Leigh que tinha como personagem Scarlett O’Hara com Olivia de Havilland que representava a personagem de Melanie Hamilton. O cinéfilo Paulo Telles nos faz uma brilhante observação quando diz que “Não foi só de canduras que viveu esta grande atriz dentro e fora das telas. Ela se impôs como mulher e artista, desafiando o sistema hollywoodiano de estúdios e com isso, conquistando o respeito de seus amigos e colegas de profissão (entre os quais, se destaca Bette Davis”. Ela foi premiada pela Academia em duas ocasiões. Dame Olivia Mary de Havilland é uma atriz britânico-américo-francesa NASCIDA NO JAPÃO, por muito tempo, radicada na França e tinha como seu esporte predileto o ciclismo que praticava diariamente até os 100 anos de idade.

Um dos maiores estudiosos do cinema, o brasileiro e natalense Antonio Nahud, é um profundo conhecedor da história pessoal de Olívia de Havilland( nascida no Japão) e sua irmão, também atriz, Joan Fontaine (nascida em Tóquio, Japão, e falecida em 2013 aos 96 anos de idade). O cinéfilo Nahud nos conta que, AS DUAS ATRIZES IRMÃS ERAM INIMIGAS FIGADAL e jamais se conciliaram em vida mesmo vivendo no estrelato em seus longínquos anos. Essas duas atrizes como Havilland, em contraste com sua imagem pública comportada e boazinha, sempre teve um temperamento inflexível e brigão. Fontaine, insossa e sofisticada, em cena parece estar repetindo o mesmo personagem de inúmeros outros filmes que fez: a vítima apaixonada, frágil e desorientada, mas sempre foram duas excelentes atrizes.

Através do livro de Charles Higham e os escritos de Antonio Nahud podemos conhecer os “puxavancos” de cabelos que rolavam entre as irmãs inimigas. Elas sempre tiveram uma relação difícil, começando na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan, forçando-a a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento resultam também da percepção de Joan em relação ao fato de Olivia ser a filha favorita da mãe delas, a atriz Lillian Augusta Ruse. JOAN FONTAINE, certa vez, declarou: “Lamento, mas não me lembro de um ato de bondade de minha irmã durante toda a minha infância. Em 1933, quando ela tinha 17 anos, jogou-me na laje da piscina e pulou em cima de mim, fraturando a minha clavícula”. Segundo o biógrafo Higham, OLIVIA DE HAVILLAND nunca conseguiu dividir a atenção maternal com a irmã mais nova, além disso ela se via como “a mais bonita e a mais talentosa”, chegando a fazer um testamento, em uma de suas brincadeiras de criança, deixando toda a sua beleza para a sua irmã, “que nada possui”. Nos estudos, no entanto, era Joan quem se destacava.

Ambas vencedoras do Oscar, com estrelas na Calçada da Fama de Hollywood e aclamadas por seus papéis em filmes maravilhosos dos anos 30, 40 e 50, Olivia de Havilland foi a primeira a se tornar atriz, estreando na comédia “Esfarrapando Desculpas em 1935. Enquanto sua carreira decolava, através de clássicos de aventuras ao lado de Errol Flynn (com quem fez oito filmes), como “Capitão Blood, “A Carga da Brigada Ligeira de 1936 e “As Aventuras de Robin Hood 1938, JOAN FONTAINE desenvolvia um “complexo de Cinderela” e se via como coitadinha. Para piorar as coisas, sua mãe exigiu que mudasse seu sobrenome para Fontaine, evitando uma possível associação com Olivia, e proibiu-a de aceitar um interessante contrato com a Warner Bros., “porque era o estúdio de sua irmã”.

Em 1942, elas foram nomeadas para o Oscar de Melhor Atriz. Joan indicada pela atuação em “SUSPEITA”, de Alfred Hitchcock, e Olivia por “A Porta de Ouro. Joan acabou levando a estatueta. O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da cerimônia de premiação, afirmando que Joan avançou empolgada para receber seu prêmio, rejeitando as tentativas da irmã cumprimentá-la. Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Depois, Joan declararia: “Quando foi anunciado o meu nome como vitoriosa, percebi que Olivia teve vontade de dar um salto e me agarrar pelos cabelos”. Anos mais tarde, em 1947, seria a vez de Olivia ganhar o Oscar, pela atuação no melodrama “SÓ RESTA UMA LÁGRIMA”.

A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após os incidentes na cerimônia do Oscar. Em 1975, aconteceria algo que faria com que elas deixassem de se falar definitivamente: segundo Joan, Olivia não a convidou para um ritual religioso em homenagem a mãe delas recentemente falecida. Mais tarde, Olivia afirmou que tentou comunicar Joan, mas ela se encontrava muito ocupada para atendê-la. Charles Higham também diz que Joan tem uma convivência distante com suas próprias filhas, talvez porque tenha descoberto que elas sempre mantiveram uma amizade secreta com a tia Olivia. Até pouco antes de JOAN morrer as irmãs se recusavam a falar publicamente sobre sua delicada situação, apesar de JOAN FONTAINE ter comentado em entrevista que muitos boatos a respeito delas surgiram dos “cães de publicidade” do estúdio.

Ocasionalmente, uma rara trégua acontece entre elas. Em 1961, passaram o Natal juntas no apartamento de Joan, em Nova York, mas a noite terminou em briga. Oito anos depois, Joan recebeu um pedido de ajuda de OLIVIA DE HAVILLAND, então adoentada e em dificuldades financeiras. “Deixei um gordo cheque”, lembra Joan. Mas os ressentimentos e a mesquinha antipatia continuaram. Quando a mãe morreu de câncer, deixou sua herança para os filhos de Olivia e nada para as filhas (uma delas, adotiva) de Joan. Vingativa, Joan lançou em 1978 a autobiografia “No Bed of Roses” (Nenhum Mar de Rosas), que segundo um dos seus ex-maridos – William Dozier – não contém nenhuma verdade, fazendo um retrato cruel da irmã, inclusive descrevendo-a como venenosa.

Interessante é falarem da Olivia de Havilland pelo seu papel em E o vento levou, pois o principal papel não era dela, mas de Vivien Leigh, que ganhou o Oscar de melhor atriz. Além disso, seu desempenho como Melanie em E o vento levou, apesar de ótimo, e isso lhe rendeu a indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (que ela perdeu com justiça para outra atriz de E o vento levou, HATTIE MAC DANIEL, que fez a Mammy, e foi a primeira afro-americana a vencer o Oscar), não foi o melhor de sua carreira. Quem nunca viu Tarde demais (The heiress), de 1949, dirigido por William Wyler, que lhe deu seu segundo Oscar de melhor atriz, veja. Trabalho maravilhoso de Olivia, como uma moça solteirona, de poucos atrativos e talentos, rejeitada pelo pai e enganada e abandonada pelo namorado. O último ato da carreira da atriz foi na TV, vencendo um Emmy e um Globo de Ouro pela minissérie “Anastácia: O Mistério de Ana” (1986). Seguiu atuando até 1988, se afastando então dos holofotes para viver em Paris, na França. No país europeu, era uma figura adorada, sendo premiada com a Legião de Honra em 2010. “Você honra a França por nos escolher como sua morada”, disse o presidente Nicolas Sarkozy na cerimônia de premiação.