ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

EXTERMÍNIO: 28 DIAS DEPOIS…

Diante daqueles dias quaisquer, em um futuro não muito distante, uma penca de ativistas invadem um laboratório na Inglaterra para libertar animais que estão sendo usados como cobaias. Numa cena que remete à lavagem cerebral mostrada em A LARANJA MECÂNICA (A Clockwork Orange, de Stanley Kubrick – 1971), vemos macacos sendo obrigados a assistir a cenas de violência. Para azar dos chimpanzés, dos próprios invasores e da humanidade, os manifestantes chegam tarde demais. Os animais já estavam contaminados por um vírus psicológico, a RAIVA!!! Ao abrir a jaula do primeiro primata, uma das ativistas é atacada e contrai o vírus. Em poucos segundos ela se torna um zumbi raivoso, cujo instinto é atacar sem hesitação, infectando suas vítimas, que por sua vez vão atacar mais pessoas. Quem sobrevive aos ataques é transformado neste ser movido a ódio. Desta forma, a Inglaterra é devastada em 4 semanas. Trata-se do filme 28 dias depois que no Brasil foi batizado de EXTERMÍNIO.

O crítico de cinema Marcelo Forlani nos explica que o filme Extermínio, lançado no ano de 2002(já existe o Extermínio 2 e estão filmando o 3), tenta trazer uma mensagem daquelas que quando você está fora de seu estado normal, seu corpo vai além dos limites que a mente estabelece para sua própria segurança. Essa é uma das boas novidades que a direção do filme trouxe para a renovação do gênero.Usando pequenas câmeras digitais de fácil manuseio, o diretor Danny Boyle pôde filmar in loco a impressionante sequência inicial, que mostra Londres completamente evacuada. Enquanto os policiais paravam o trânsito por alguns segundos, eles filmavam. Para quem nunca passou pela capital inglesa, tente imaginar o que seria ver a Avenida Paulista completamente às moscas às 17h, ou então Copacabana vazia num dia de verão…

Um dos melhores filmes de Terror/Zumbi dos últimos tempos, com uma das melhores trilhas sonoras, em seu lançamento não foi bem divulgado no Brasil, mas com a internet acabou se tornando um filme cultuado por intelectuais no mundo todo. Definitivamente um filme para quem gosta de suspense e terror. Um jovem acorda em um quarto de hospital, ainda plugado às maquinas, tudo desligado e o hospital deserto. Ao sair pelas ruas, notas de dinheiro rolando pelo chão e centenas de cartazes de desaparecidos colados nas paredes. Ao perambular mais acaba por descobrir que um vírus atacou a cidade e que todos estavam contaminados, e que ele foi deixado pra trás. Conforme nos alerta o produtor de filmes na Web, Ricardo Cury, durante o filme todo eles não sabem se estão sozinhos no mundo ou se existem mais sobreviventes.

Como se vê, EXTERMÍNIO, em inglês 28 Days Later, é um filme que conta a história de um vírus que é transmitido pela saliva ou sangue e devasta a cidade de Londres. A doença se espalha de forma rápida e em pouco tempo a metrópole londrina está destruída. A mensagem do filme é de como uma epidemia pode acabar rapidamente com umas das grandes capitais do universo. Todos os infectados se transformam em “ZUMBIS” e se tornam indivíduos agressivos e violentos com qualquer pessoa que está próxima deles. Extermínio é um bom filme de zumbis, um ponto positivo é que ele não só fica focado nos infectados, mas como tem ação e riscos dos sobreviventes em outra área e isso contribuiu muito para a trama ficar melhor. Pontos bons é a imagens de lugares como Londres vazia, isso foi muito bem produzido. Antes do advento do coronavírus seria inimaginável, Londres, uma das maiores metrópoles do mundo, entregue às moscas, totalmente desabitada. VALE A PENA CONFERIR.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

EPIDEMIA: UMA TRANSMISSÃO VIRÓTICA COMETIDA POR UM MACAQUINHO TRELOSO…

Redundantemente, o filme EPIDEMIA é mais um daqueles que envolve epidemias, pragas e contágios com vírus letais, contudo a diferença é que apesar do drama, suspense ou ficção temos boas cenas de ação. Com um elenco espetacular de monstros sagrados da cinematografia atual, o filme é do ano de 1995, com premiados atores, e um roteiro bem apresentado. Morgan Freeman e Dustin Hoffman comandam de forma excepcional o longa. Dando pouco espaço para Kevin Spacey e Cuba Gooding Jr. Rene Russo se apresentava em ótimos filmes na época. Nesse aqui, não é diferente. Linda atriz. Em que pese alguns exageros fantasmagóricos, é um dos melhores filmes já feito sobre o tema que nos dias atuais possui uma denominação equivalente ao COVID-19. Tem uma duração desnecessariamente estendida (130 minutos) pra uma estória que poderia ser contada em menos tempo.

A sinopse do filme retrata sobre um tal de vírus por nome de MOTOBA de origem africana totalmente desconhecido. Mas extermina toda uma população e os animais de uma pequena tribo do continente negro. Convocados pelo exército americano para investigar a situação, o Dr. Sam Daniels (Dustin Hoffman) e sua equipe estão frente a frente com uma nova e perigosa doença. Um macaco, portador do vírus, é contrabandeado para a pequena cidade americana e contamina um jovem. Em pouco tempo, a doença começa a mostrar sinais de que está se espalhando a uma velocidade assustadora. Ao lado de sua ex-mulher, Dra. Robby Keough, o Dr. Sam Daniels luta contra o tempo para descobrir um antídoto… Enfrentando a resistência do General Billy Ford (Morgan Freeman), e as tropas armadas de McClintock que invadiram a cidade para esconder um terrível segredo militar.

Como sempre, filmes de epidemias tratados de forma hollywoodiana são bastante conhecidos em razão dos seus clichês típicos da época tendo como voluntários principais médicos ou militares. Pra variar, a trama se desenvolve através de conspirações do gênero, como as forças armadas americanas tentam a todo custo manter o velho segredo de epidemia em massa debaixo de sete capas. Na época que o filme EPIDEMIA foi lançado, o mundo estava no auge do EBOLA Por isso foi muito impactante na ocasião, apesar da conspiração militar manter uma boa dose de exagero, quem rever o filme no ano do coronavírus, se desloca um pouco da realidade que estamos vivendo, também por outros filmes com a mesma temática, mas realizados com mais precisão. Trazendo o tema para os dias atuais, como entretenimento é um reflexo assustador pois tem todos os clichês possíveis daquela babaquice esquizofrênica dos corredores hospitalares dos Estados Unidos. Ou seja, conspiração, família em perigo, herói idealista e improvável solução imediata.

Com um elenco de peso, o filme Epidemia entrega o que o telespectador quer!!! Com direito a mostrar a crueldade de alguns seres humanos maldosos e egocêntricos, que em nome de esconder uma pandemia, aceitam dizimar vidas inocentes. Para quem tem embasamento científico ou um pouco de conhecimento biológico é um excelente filme, muito bem feito em questões de “VIDA REAL DOS TEMPOS DO CORONAVÍRUS”, sem cenas gritantes aos olhos que fogem da realidade. A história possui altos e baixos, misturas com drama/crítica social, mas é o que, de um modo geral, o público considera mais perto da realidade com relação à epidemia. Na verdade é um filme cheio de adrenalina. Epidemia, do diretor Wolfgang Petersen é bem pensado; cada papel coadjuvante conduz a linha principal da trama, tem seu próprio peso e se estende a uma mitologia de divisão nacional e reconciliação entre classes, raças e gêneros, RECOMENDO-O!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CONTÁGIO IMEDIATO DE UMA PANDEMIA

O quadro resumido de uma obra cinematográfica do porte do filme CONTÁGIO, lançado em 2011, detalha um tremendo drama de suspense e ficção cientifica que informa a respeito de uma paranoia que segue o rápido progresso de um vírus letal, transmissível pelo ar, que mata em poucos dias. Como a epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. O progresso exponencial de um vírus transmissível pelo ar que mata em poucos dias assusta milhares de pessoas. Enquanto o pânico se espalha, as pessoas lutam para sobreviver e buscam pela cura numa sociedade tomada pelo desespero. Nada desse filme intitulado CONTÁGIO é ficção científica. A propósito, qualquer semelhança com a realidade dos dias de hoje, NÃO é mera coincidência…

O excelente crítico de cinema Lucas Salgado, nos relatas fatos pitorescos nesse filme de mediano pra ruim quando nos faz uma advertência que a primeira coisa a se ressaltar com relação à película CONTÁGIO é o sensacional elenco que o diretor Steven Soderbergh conseguiu reunir. Matt Damon, Kate Winslet, Laurence Fishburne, Jude Law, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow e Bryan Cranston são alguns dos nomes presentes na produção. Só aí estão três vencedoras do Oscar de melhor atriz e outros dos atores mais badalados da atualidade. Já a segunda coisa a se ressaltar com relação ao filme não surge em forma de afirmação, mas sim através de uma pergunta: como o diretor conseguiu fazer um filme tão ordinário com tantos bons nomes na equipe?!?!?!

Para o bom discernimento do leitor deste texto ou do espectador do filme. nada em Contágio foge do padrão “FILMES SOBRE EPIDEMIAS”, não conseguindo em momento algum deixar o expectador interessado com o que está acontecendo. Para piorar tudo, ainda oferece um final péssimo em que busca explicar a razão pela qual aconteceu tal situação. É o que podemos chamar de um filme de suspense apenas para bulir com o emocional tristonho… No sentido crítico propriamente dito, trata-se de uma obra rasa e assustadoramente fria. Não há emoção alguma e é difícil acreditar que alguém irá se envolver com os dramas dos personagens. Todas as situações são construídas em cima de clichês e de personagens desprovidos de autenticidade. Quem se sai melhor no elenco é Jude Law, interpretando uma espécie de blogueiro radical que tenta fazer barulho no meio da calamidade pública.

Mais uma vez somos socorridos pelo ferrenho crítico de cinema Lucas Salgado, quando afirma que o cineasta Soderbergh já realizou bons trabalhos na sétima arte, como em Sexo, Mentiras & Videotape e Traffic, mas é inegável também que é um dos diretores mais inconstantes de Hollywood, tendo deixado muito a desejar em obras como Full Frontal, Solaris e Treze Homens e um Novo Segredo. Pouco antes de lançar CONTÁGIO, muito se falou de que o cineasta iria se aposentar em breve. Ele desmentiu, mas reconheceu que deverá ficar um tempo afastado das telonas. Tendo em visto o último trabalho, parece mesmo importante que tire um tempo para refletir sobre a carreira ou sobre o que ainda tem a dizer.

Contagion (no original) possui 105 minutos, mas é provável que a pessoa que assista ao filme pense que este tem mais de duas horas. Tudo é muito lento e tudo é sem emoção, e a falta de um clímax colabora para passar a ideia de que a história não se desenvolve. Outro grave problema é a fotografia sem personalidade. Steven Soderbergh poderia, inclusive, dividir a culpa pelo fracasso do longa com seu diretor de fotografia, mas isso acaba sendo difícil pois é o próprio cineasta que realiza a função. O filme é nada mais que um grande desperdício de talento, mas que no final deixa algo positivo: a certeza de que em poucos anos será totalmente esquecido pelo público, o que não condiz com realidade de hoje, quase 10 anos depois do filme ser produzido, pois o coronavírus conseguiu ressuscitá-lo!!!

Agora, não se há de negar que o diretor do filme Contágio anteviu o surto do Covid-19. Não é à toa que ficou interessante assistir ou até mesmo revê-lo, pois muitas situações agora fazem mais sentido que no ano que ele foi lançado, pois naquela época de seu lançamento, mesmo que ainda houvesse lembranças recentes do H1N1 de 2009 ninguém deu muita bola pro fato, porém, hoje, o buraco é mais embaixo. O filme retrata algumas situações muito semelhante aos acontecimentos atuais, porém tem uma sequência lenta (apesar de não ser um filme tão longo) com muitos personagens (ótimos atores), sem conseguir trabalhar cada um de forma satisfatória. É oportuno afirmar que CONTÁGIO é como um documentário, não um dramalhão barato. Fica aqui um palpite: o filme pode não ser espetacular, mas não deixa de ser um entretenimento reflexivo. O final apesar de simples gera uma grande meditação sobre o que nós mesmos causamos ao ambiente em que vivemos. Alias, o filme nos deixa um recado sombrio, silencioso e angustiante…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

SHARON STONE: SEDUTORA, PORÉM RÁPIDA E MORTAL

De um modo geral, o filme faroeste é um território historicamente dominado pela macharia, no qual a mulher ou era submissa esposa ou puta de saloon. Eis que de repente, não mais que de repente, o diretor de filme de terror Sam Raimi arriscou todas suas fichas, em pleno ano de 1995, numa atriz de 36 anos à bela Sharon Stone vestida de cowboy, arma no coldre, chapéu e aquele olhar ferino tipo “Estranho Sem Nome”, ela chega até a cidade Redemption em busca da boa e velha vingança, tema abundante num período em que 10 entre 10 pessoas carregavam armas nas ruas e, não raro, davam vazão à raiva metendo bala na cabeça de alguém. O filme chama-se Rápida e Mortal que, como diz o crítico de cinema Marcelo Muller, “É um filme de brios, empolgante e cheio de energia. Se não trouxe nada de novo para o gênero, o resgatou dignamente do limbo”.

O jornalista e crítico de cinema Marcelo Muller levanta uma lebre bastante interessante quando afirma que o diretor Sam Raimi “Cozinha esse assado numa panela repleta de referências, sendo a principal delas o italiano Sérgio Leone, ícone do chamado spaghetti western”. Entre filiar-se à tradição estadunidense e seguir a maior dramaticidade do bangue-bangue europeu, o diretor envereda visualmente pela linha de Leone, muito mais próxima de seu itinerário estilístico repleto de ângulos inéditos e tipos marcados, em que pese o diretor saber muito bem que o faroeste em si, contribuiu não apenas para a consolidação dos EUA como potência cinematográfica, mas para a própria linguagem do cinema. Sabe-se lá por que, o público passou a não mais responder nas bilheterias aos chamados vindos dos grandes desfiladeiros, planícies e dos ranchos, dos valorosos e crápulas pistoleiros apresentados na tela. Ou seja, o diretor forçou a barra para trazer de volta o western sabendo do provável fracasso nas bilheterias em pleno final do Século XX.

Em Rápida e Mortal, Sharon Stone consegue ser sensual até em um bang bang. Vemos também o ainda desconhecido Leonardo DiCaprio com apenas 21 anos de idade já mostrando que seria um grande ator. Agora, não há de se negar que o filme representa apenas mais um dos muitos faroestes revisionistas dos anos 90 que tentaram embarcar na onda do sucesso de Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood. Esse conto de vingança genérico se beneficia das atuações bastante dignas de Russell Crowe e Gene Hackman(sempre um ótimo vilão). Rápida e Mortal é um daqueles faroestes descartáveis, que diverte, mas você só assiste uma vez. Está a milhões da anos de ser uma obra-prima. o filme em si é exagerado e talvez seja por isso que não decolou e caiu no esquecimento. O roteiro é de razoável pra bom e tanto a fotografia quanto o cenário são lindos. mas não é feito pra se ver mais de uma ou duas vezes. É um western moderno, mas traz todas as características e preserva os modos à moda antiga.

Em sua sinopse, Rápida e Mortal traz uma mulher misteriosa que cavalga até o vilarejo de Redenção. Carrega na cintura seu revólver e uma sede de vingança que incendeia seu coração. Ela vem para matar o poderoso da cidade, o homem que tornou a sua vida desolada como o deserto que agora ela atravessa. Mas os demônios que a levaram para este mortal conflito são os mesmos que a colocaram numa situação limite; e o estranho é que pode ser a única a cair morta ao final do acerto de contas. Estrelando Sharon Stone (a gata de Instinto Selvagem) e Gene Hackman (5 vezes indicado e 2 vezes vencedor do Oscar). O vilarejo recebe, todos os anos, um concurso de pistoleiros organizado por John Herod. Ellen vai ao evento disposta a enfrentar Herod, que destruiu sua vida no passado. Assim que chega à vila, ela conhece o pastor Cort, que decidiu nunca mais apontar uma arma para ninguém. Porém, Herod sabe que Cort é um dos principais pistoleiros da região e tenta convencê-lo a também participar do concurso.

Mesmo fora do contexto, mas como o tema é atualizadíssimo e altamente preocupante, Sharon Stone comemorou seu aniversário de 62 anos no último dia 10 de março(2020). Entretanto, tanto a aniversariante quanto os convidados precisaram passar por uma rigorosa inspeção médica contra o coronavírus (COVID-19). O surto de coronavírus que já contaminou mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo mudou completamente a rotina de algumas pessoas. Mas há quem prefira continuar seguindo com sua agenda de compromissos mesmo que tenha que fazer algumas adaptações. Foi o caso da atriz Sharon Stone, lembrada até hoje pela personagem icônica do filme Instinto Selvagem (1992). A propósito, vale a pena assistir ao filme Rápida e Mortal, principalmente a macharia, para se lembrar daquela cruzada ou travada de pernas entre ela e Michael Douglas em Instinto Selvagem…

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O QUE FIZERAM DOS PRÉDIOS DE CINEMAS COM SUAS ARQUITETURAS MONUMENTAIS E FACHADAS EXUBERANTES?

Quando as luzes se apagaram em milhares de cinemas por esse “interiozão” afora no Brasil, não era só um cineminha qualquer indo embora, ali se consignava ou estava junto e misturado em uma crise maior, a do cinema de rua. Agoniado pela concorrência dos shopping centers ou prédios sendo vendidos para construção de condomínios nas metrópoles ou sendo alugados pelos templos evangélicos no interior, entre tantos motivos havia um que era de fundamental importância: SEGURANÇA. Haja vista que nas capitais com sua promessa de garantia e comodidade, e da grandiosidade impressa no número de salas e luxuosas poltronas, os enormes prédios de exibição com porta para a calçada das ruas e avenidas dos grandes centros viviam um momento difícil. “O cinema de rua tornou-se um negócio em extinção”, afirmou Ricardo Difini, presidente da Federação Nacional Das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec).

Cine Trianon, Recife

Segundo dados do começo do ano de 2020 da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), 92% dos municípios não possuem cinemas, outro dado afirma que em 400 cidades do Brasil entre 50 a 100 mil habitantes também não possuem salas de projeções cinematográficas comercialmente falando. Tudo isso concentra cerca de 30 milhões de pessoas. A título de comparação seria o equivalente à população do Chile e Portugal juntas (18 e 10 milhões de habitantes respectivamente), superando a população da Austrália (25 milhões de habitantes). O mercado brasileiro conta presentemente (ano de 2020), com 3.500 salas (centralizadas nas metrópoles), o que representa um número de 60 mil habitantes por sala de exibição. O índice brasileiro é inferior ao dos Estados Unidos, França, Austrália, Espanha, Alemanha, Portugal, México, Rússia, China, Japão, Argentina, Colômbia e Chile. Por exemplo, para alcançar o índice francês seriam necessárias 20 mil novas salas. Para igualar ao índice mexicano seria necessário a construção de 10 mil salas, ao passo que para equiparar o índice argentino seriam necessárias 2 mil inaugurações de novas salas.

Prendendo-se exclusivamente à capital de Pernambuco, Recife, relatamos aqui o que nos informam os historiadores do cinema pernambucano, André Santa Rosa, Mikhaela Araújo e Samantha Oliveira, quando nos dizem que a cidade do Recife sempre foi polo cultural e abriga diversas formas de expressão de arte. Não obstante, a arte do cinema ganhou espaço em meados de 1920, quando produções regionais caíram no gosto do público. Com o passar do tempo, o número de cinemas foi aumentando e chegou a aproximadamente 55 unidades. Quem não se lembra da “loucura” do público que assistiu aos filmes Spaghetti western, Faroeste espaguete ou Faroeste Macarrônico estrelados pelos ídolos Franco Nero (Django) e Giuliano Gemma (Ringo) no final da década de 1970. Tubarão (1975), Apocalypse Now (1979) e as famosas pornochanchadas, entre elas, o fenômeno de público A Dama do Lotação em cinemas como o Moderno ou Veneza da capital. Todas essas películas ora citadas e mais outras também foram sucesso de público nos cinemas Glória, Veneza, Eldorado e no Cine Theatro Jardim da cidade de Garanhuns(PE).

Cine Guarany, Triunfo-PE

Passa-se o tempo e com a mudança de hábitos da classe média e da sociedade em geral, que se distanciaram do centro, além do advento da televisão, os cinemas do centro do Recife começaram a entrar em decadência. A qualidade da programação foi caindo, e a pornochanchada invadiu as telas. Esses cinemas começaram a ser esvaziados no mesmo período em que a vida pública na cidade começou a mudar. Além disso, os cinemas eram controlados por empresas, que em certo momento, decidiram vendê-los, fenômeno que aconteceu com muita velocidade. Depois desse boom de vendas e fechamentos de cinemas, sobraram apenas três: o São Luiz, o Veneza e o Moderno, todos localizados no centro. Um dos únicos que ainda sobrevivem é o famoso e tradicional Cinema São Luiz. Quanto à cidade de Garanhuns, só resta mesmo o Cine Eldorado.

Debruçando-me somente sobre uma área territorial onde este escriba se esconde há bastante tempo, não tem como não sentir saudades de doces lembranças que hoje transformo em matéria-prima para um novo acalanto ou conforto ao me lembrar de monumentais prédios feitos de tijolo, pedra e cal como aquele de nome pomposo que era o Cine Real da cidade de Cacimbinhas(AL), como também o do cinema Rio Branco da cidade de Arcoverde – PE. (fundado no ano de 1917), Cine Theatro Jardim de Garanhuns, Cine Brasília de Bom Conselho, Cine Teatro Guarany da cidade de Triunfo(PE) – Que é uma elegância e perfume francês no ar -, Cine Teatro Apollo de Palmares(PE) – o mais antigo do interior de Pernambuco – , Cine Palácio da cidade de Palmeira dos Índios(AL), Cines Moderno, Trianon, Veneza e São Luiz de Recife.

Cine Rio Branco, Arcoverde-PE

Complementando a reminiscência cinematográfica, o texto depara-se com a cidade de Floresta dos Leões. Hoje, Carpina, capital da Mata-Norte da bonita região de cana-de-açúcar do Estado de Pernambuco – Terra do colunista fubânico e estudioso de cinema Cícero Tavares, lá, havia o Cine Gruta Azul, mas com o modernismo transformou-se no CENTERPLEX, com Três salas de cinema, com tecnologia 3D, no Shopping Center Carpina, onde neste ano de 2020, no final de novembro irá promover o 3º Festival de Cinema de Carpina(CINECAR). Portanto, casas tradicionais como essas que se alimentavam da arte cinematográfica embalaram meus sonhos e de minha geração inteira por esse Pernambuco, Nordeste e Brasil afora.

Dos antigos cinemas interioranos sobraram apenas detalhes soltos e traços vagos, resquícios de um aglomerado de pessoas em que assistir às fitas de faroeste ou de Sansão, Hércules e Maciste era ao mesmo tempo um entretenimento e por que não dizer, um cerimonioso ritual… A história desses lugares hoje se esconde embaixo de novas fachadas ou por trás de portas que não se abrem mais. É uma pena que essas portas não mais se escancarem para as disputadas matinês de outrora que nos faz viajar no tempo e se alimentar dessa saudosa relembrança, costumeiramente aos domingos. Mas, tudo isso vem um certo conformismo com essa tal teoria da evolução que sofre suas devidas alterações pela ação do tempo que é implacável. Fazer o quê?!?!?! E por falar em matinês aos domingos, vem a nossa memória a canção bem aprimorada daquele bom poeta: Eu me lembro com saudade das Jovens tardes de domingo, Tantas alegrias, Velhos tempos, Belos dias…

Cine Teatro Apolo, Palmares-PE

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

HOMENS VIRIS E MULHERES SUBMISSAS FAZEM O UNIVERSO MACHISTA DOS FILMES FAROESTE

Enxergando por um certo ângulo, de certo ponto de vista ou até mesmo por um olhar retrospectivo, todos hão de convir que, o western sempre foi uma categoria cinematográfica pródiga em construir uma ficção na qual homens viris e mulheres submissas são lugares-comuns em películas desta modalidade que é conhecida como filmes de bangue bangue, caubói ou faroeste. Agora, não se há de negar ou ressaltar a importância positiva no que diz respeito a representação feminina nesse papel de coadjuvante. O ator Randolph Scott sempre achou ou costumava afirmar que em um enredo típico de western, “É a mulher que faz o herói agir do jeito que ele age. Ela é o centro de tudo. Em si mesma, claro, ela não tem a mínima importância”, observava ele. Sempre pragmático e honesto, o ótimo diretor Anthony Mann foi autor de um depoimento franco. “Uma mulher precisa sempre ser incluída no roteiro, senão o western não funciona como gênero.” Poucos diretores se comportam desta maneira, basta ver os faroestes do italiano Sergio Leone, quando a atriz Claudia Cardinale interpreta único papel feminino em sua esplendorosa obra.

O jornalista e professor do curso de cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que é doutor em Comunicação Social, Rodrigo Carreiro, nos faz enveredar por um caminho auspicioso e bastante oportuno quando nos retrata e relata ao retornar no passado e traça uma cronologia sucinta da presença feminina no western. Essa retrospectiva pode começar, aliás, no lendário filme de John Ford, No Tempo das Diligências(1939), quando o diretor mapeou e definiu a maioria dos personagens clássicos que o gênero explorou nas décadas seguintes: o herói altruísta e valente, o médico beberrão, o cínico vendedor de uísque, o militar engomadinho, a dama altiva (e incapaz de dizer um “não” a qualquer ordem proferida por alguém do sexo oposto), a prostituta envergonhada de não ser igual à dama, e assim por diante.

Nos anos seguintes, o western construiu seus próprios mitos e a figura feminina foi mantida, de modo geral, como uma participante passiva dos enredos. Em outras passagens, ainda temos como algumas exceções A trama de Johnny Guitar (1954); antes, o filme Pimenta (Calamity Jane), dirigido em 1953 por David Palmer. Mas esse filme, como diz o professor Carreiro, foi concebido como veículo de merchandising para faturar em cima da fama da cantora Doris Day (que interpretou o papel-título); tivemos também o sangrento spaghetti western, Os Violentos Vão Para o Inferno de Sergio Corbucci (1968); e Quando os homens são Homens (1971), que traz Julie Christie como uma prostituta que ensina um apaixonado Warren Beatty a gerenciar um prostíbulo; nos anos 90 a representação feminina no gênero ganhou contornos com Os Imperdoáveis(1992) do excepcional Clint Eastwood (foi diretor e protagonista), no qual um grupo de prostitutas enfurecidas com o ataque que desfigura uma delas oferece uma recompensa ao pistoleiro que matar o agressor. Recentemente apareceu na galeria do gênero, a projeção Dívida de Honra que é de 2015. Todos esses filmes acima citados foram alguns poucos western que, efetivamente, remaram contra a maré.

Ícone de beleza, com belos olhos verdes e cabelo ruivo, a irlandesa Maureen O’ Hara é considerada a mais atuante ou destacada mulher em filmes faroestes. Foi elogiada por cineastas como John Ford, com quem fez cinco filmes. Apelidada no meio cinematográfico de “A rainha do Technicolor”, Maureen foi a protagonista de um dos beijos mais antológicos da história do cinema, no filme “Depois do Vendaval”, de 1952, numa cena em que tenta escapar de um casebre e é puxada de volta para dentro e, em seguida, para os braços e os lábios de John Wayne. Ficou conhecida por interpretar heroínas fortes e apaixonantes com notável sensibilidade. Trabalhou 5 vezes com o diretor John Ford em filmes faroestes e 7 com John Wayne, seu amigo de longa data. O’Hara trouxe um temperamento forte, uma língua afiada e sua obstinação para seus papéis. Apesar de suas atuações memoráveis, ela nunca foi indicada para um Oscar. Em 2014, no entanto, ela recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra e mostrou que ainda mantinha o seu temperamento forte aos 94 anos, ao protestar quando seu discurso de aceitação foi cortado e ser conduzida para fora do palco em sua cadeira de rodas. Maureen O’ Hara morreu um ano depois de receber o prêmio aos 95 anos de idade.

A psicanalista britânica Laura Mulvey é uma das teóricas sobre cinema mais importantes em relação a como as mulheres são representadas na tela. Mulvey juntou cinema e psicanálise para explicar porque os personagens femininos servem ao bel-prazer do olhar masculino, em primeiro e, às vezes, único lugar. A psicanálise é usada para desmascarar como a sociedade dominada por homens estrutura o cinema. Não é para menos. O cinema é uma indústria feita por homens, para homens e sobre homens. E vai mais além a psicanalista quando afirma com todas as letras que, o cinema da modalidade faroeste não é apenas feito por homens, mas sim por homens heterossexuais. A psicanalista britânica inspira-se em filmes de faroeste para rever alguns aspectos, pois nas histórias de faroeste, geralmente, utilizam alguns pontos dos contos clássicos, como o herói invulnerável e o casamento como final feliz. O casamento é tido como um assunto tipicamente feminino. Elas é que querem encontrar o príncipe encantado, machão, viril e casar.

Poucos filmes conseguem ilustrar o imaginário tradicional de virilidade como os famosos faroestes. Os personagens principais são homens. Neste território sem leis, os desejos dos homens não têm limites e as desavenças são acertadas na base da munheca, da bala e do puro machismo. Porém, em se tratando da mulher na cinematografia mundial, o texto será encerrado dando-se uma guinada de 180 graus ao comentar sobre alguns vestidos que simbolizaram uma época do cinema hollywoodiano, a começar pelos figurinos de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado(1955), o vestido cor de marfim ficou famoso naquela cena do metrô; já o arrebatador vestido preto usado por Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo(1963) era sem mangas muito elegante e incrivelmente básico. Feito em cetim, era complementado com o uso de acessórios como o colar de pérolas, e longas luvas também em cetim; logo em seguida vem o conhecido vestido usado por Vivien Leigh em E o Vento Levou (1939). Ele, segundo os estilistas, é um modelo que foi feito em tecido leve cristal e seda de cor verde que trazia estampas florais e chiffon. Essas são apenas algumas amostras dos mais famosos e lindos vestidos da história do cinema americano que essas atrizes modelos desfilaram nos palcos e telonas nos salões dos cinemas desse mundão de meu Deus.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

QUEM É O MELHOR JAMES BOND (AGENTE 007) DE TODOS OS TEMPOS?

O agente secreto mais famoso do cinema está completando 60 anos desde sua primeira aparição nas telas. Sedutor, mulherengo, elegante e rico, JAMES BOND imprimiu uma marca singular na história da cultura mundial com a franquia “007”. O personagem já foi interpretado por seis atores. Na ordem: SEAN CONNERY, George Lazenby, ROGER MOORE, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. A série de filmes é a mais lucrativa da história: todos juntos já arrecadaram mais de 12 bilhões de dólares. “007 – Contra a Chantagem Atômica” foi o que mais arrecadou bilheteria, tendo ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão. Ao todo, foram lançados 22 filmes oficiais sobre Bond ao longo de quase 60 anos. James Bond é um só. Por isso, há muita discussão sobre quem foi o melhor ator que interpretou o agente secreto mais famoso das telonas. Dos seis que tiveram o privilégio de estar na pele do antológico personagem, dois se destacaram: Sean Connery e Roger Moore.

Quem melhor interpretou o agente inglês James Bond, sem sombra de dúvida foi o escocês Sean Connery que está prestes a completar 90 anos. O pesquisador Nahud filho descreve o ator escocês como o mais espetacular 007 que o cinema já viu. Sexy, valente, atrevido, destemido e elegante espião a serviço de sua majestade britânica, tornou-se um dos nomes fundamentais da cultura pop dos anos 1960. Frio na hora de matar e galanteador com as mulheres, o ícone nunca foi uma unanimidade, acusado de violento e machista, mas se beneficiou de um fã célebre – o presidente dos EUA, John Kennedy, notório mulherengo, que declarou não haver filme melhor para dissipar ou clarear as pressões do cargo do que assistir filmes de espionagem com 007. Afinal, quem não recorda a frase emblemática: “Meu nome é Bond. James Bond”?

Em uma de tantas entrevistas que já deu, Sean Connery afirmou que odiava o personagem James Bond. “Fiquei terrivelmente deprimido por anos, pensando em como Bond havia tomado minha vida. Digo, não é que eu não gostasse do dinheiro que ganhei ou de toda a atenção que eu estava recebendo, eu só me sentia frustrado por ser identificado constantemente com esse personagem – o que, se você é um ator sério, é tipo a morte. Eu me senti preso e passei muito tempo amargurado. Mas com o passar do tempo fiz as pazes com Bond. Ele é tipo um velho camarada que se parecia comigo. Por fim, nesta mesma entrevista perguntaram-lhe: como você classificaria James Bond?!?!?! Como um sexy filho da puta!!! (Ri e levanta-se para apertar a mão do entrevistador)”.

Outro ótimo James Bond foi o ator inglês ROGER MOORE, que morreu a pouco mais de dois anos aos 90 anos de idade. Depois de Sean Connery, foi o melhor e mais fiel personagem que interpretou o lendário James Bond. Roger Moore foi o mais popular 007 entre outras razões porque contava com mais recursos visuais em seus filmes. Mesmo tendo participado de mais de 80 produções nos cinemas e na televisão, o nome de Roger Moore está muito ligado a um personagem específico que é James Bond. O ator interpretou o espião mais famoso da sétima arte em sete longa. Assumiu o papel de 007 em 1973, atuando em Com 007 Viva e Deixe Morrer. Sua última participação na franquia aconteceu em 85, com 007 Na Mira dos Assassinos. O ator possui uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood e recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Britânica em 2003.

O cinéfilo Paulo Telles tem uma ponderada opinião quando diz que é verdade que Sean Connery é considerado o PRIMUS INTER PARES entre todos os intérpretes, contudo, Connery dava ao seu James Bond um ar de implacabilidade e virilidade para o papel. Não que Moore não fosse implacável como 007, e muito menos não fosse viril. Mas Moore dava mais sofisticação ao papel, e, além disso, o charme que encantou todas as mulheres se tornou uma marca imprescindível na atuação do ator para com o personagem. Se por sua vez Connery era irônico em certas situações, Roger assumia uma postura debochada, se tornando muitas vezes, um simpático fanfarrão.

Curiosamente, Roger Moore foi o ator mais velho a personificar 007 (era quase dois anos mais velho que Sean Connery), e o que mais tempo durou interpretando o papel do agente secreto britânico, ao longo de doze anos e sete filmes, entre 1973 a 1985. 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985), último filme de Roger Moore no papel de James Bond. Roger Moore confere humor, elegância e charme letal à sua última interpretação como o personagem. Com pouca agilidade (afinal, Moore já contava com 58 anos de idade e já se iniciava a próxima “caçada” para o novo Bond, ocupado dois anos depois por Timothy Dalton), mas sem perder qualquer brilho.

Entre tantas curiosidades do Agente 007, o seu criador, IAN FLEMING, tirou o nome do personagem criado por ele de um livro que estava lendo em suas férias na Jamaica, em que o autor da obra também se chamava James Bond; “Bond, James Bond” é uma das frases mais conhecidas da história do cinema. Ela foi dita pela primeira vez aos 5min38s de “007 – Contra o Satânico Dr. No” (1962), o primeiro filme da série; O biquíni branco usado pela atriz Ursula Andress em “007 – CONTRA O SATÂNICO Dr. NO” foi leiloado em 2001 por 60 mil dólares; no campo musical Já gravaram canções de “007” grandes nomes da música mundial, como Paul McCartney, Tina Turner e Madonna.

Ainda sobre as curiosidades do personagem, o último James Bond, Daniel Craig, foi bastante criticado por ser loiro e baixo para o papel. Entretanto, o sucesso de “007 – Cassino Royale” fez com que ele fosse mais aceito pela crítica e fãs; O ator Pierce Brosnan, o penúltimo James Bond, era o favorito do produtor Albert Broccoli para interpretar o personagem desde 1985, quando Roger Moore aposentou-se aos 58 anos de idade. Entretanto, um contrato de televisão vigente com a NBC impediu o ator de aceitar o convite e quem substituiu Roger Moore foi Timothy Dalton; Os filmes ’007′ foram por diversas vezes acusados de serem machistas, por conta da quantidade de mulheres seminuas que transaram com Bond.

O criador dor personagem IAN FLEMING utilizou como matéria-prima para seus romances muitas das experiências que teve na Inteligência Naval durante a Segunda Guerra Mundial. Ele escreveu um total de 14 livros de Bond, dois deles coleções de histórias curtas. O último foi “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” e foi lançado em 1965. Há vários flagrantes na série onde se vê o agente demonstrando ser leitor da revista Playboy em dois filmes: “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969) e “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971). O único Oscar de James Bond foi conquistado por “007 – CONTRA GOLDFINGER” (1964), na categoria Efeitos Especiais.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O PAPA DO FAROESTE, JOHN WAYNE, HERÓI DAS PLANÍCIES E PENHASCOS DO OESTE AMERICANO

Cavalgando no seu alazão puro de origem pelas vastas planícies e enormes penhascos, montanhas e desfiladeiros do Oeste Cinematográfico, o PAPA do FAROESTE se tornou uma lenda imortal. O curioso na vida pessoal desse astro é que o seu nome de batismo é MARION (nome afeminado ou feminino) que na sua meninice foi motivo de gozação por parte dos garotos do seu tope ou idade. Quem diria que o maior cowboy do cinema mundial, símbolo do machismo e virilidade, tinha em seu nome da eucaristia do sacramento e do registro de nascimento um nome de mulher?

A Trajetória de Wayne se confunde com a própria história do cinema americano, já que iniciou sua carreira em 1927. Ganhou um apelido tão logo ingressou na Meca do cinema, Hollywood, a alcunha de “Duke”. O grandalhão Duke em sua vida pessoal, também tinha suas preferências. Com acentuada atração por mulheres latinas, John Wayne foi casado com duas mexicanas: JOSEPHINE SAENZ (33/44) de quem teve os filhos Melinda, Michael (que se tornou produtor) e Patrick (ator) e ESPERANZA BAUER (46/53). Em 1954 casou-se com a peruana PILAR PALETTE, que lhe deu os filhos Aissa, Marisa e Ethan (nome de seu personagem em Rastros de ódio), e terminou em divórcio em 1973.

Entre tantos, os dois maiores pesquisadores e estudiosos, aqui no Brasil, da biografia de John Wayne são Paulo Telles e Darci Fonseca – Outro muito bom é o pernambucano de Caruaru Joaílton – O carioca Telles, em suas pesquisas e seus escritos nos informa que, “Se medirmos a grandeza dos astros pelo número de pessoas que vai assistir aos seus filmes, Wayne talvez possa ser considerado o maior astro de cinema em todos os tempos. Na verdade, recuando a 1932 e verificando, daí em diante, o produto das bilheterias de todos os filmes produzidos no mundo, vamos perceber logo que ele é a maior atração do Cinema sonoro, tendo alcançado o estrelato e ficado entre os dez maiores sucessos de cada ano, a partir de 1949 até 1974”.

Já o paulista Darci Fonseca nos confirma que, “Em 1958 John Wayne se considerava (e era considerado) um homem rico e tinha muitas razões para isso. A partir de 1949 o Duke(como era apelidado) esteve sempre na lista dos dez atores cujos filmes mais arrecadavam nas bilheterias, tendo encabeçado essa lista nos anos de 1950, 1951 e 1954, sendo o segundo em 1956 e 1957 e terceiro em 1952, 1953 e 1955. WAYNE COBRAVA 500 MIL DÓLARES POR FILME e ainda recebia porcentagem pelo lucro dos mesmos, isto além de produzir muitos filmes com a sua produtora independente”. A partir da década de 1960 John Wayne não era mais uma grande atração de bilheteria, haja vista que sua saúde não ia nada bem e era impossível esconder dos jornalistas que em seus últimos filmes ele atuava com a desagradável companhia de um cilindro de oxigênio para compensar sua dificuldade respiratória, além de um batalhão de dublês…

Seu grande bilhete de sorte foi quando conheceu o diretor John Ford que acabou sendo um de seus maiores amigos e exerceria uma grande influência em sua vida artística. Em 1939, acontece a grande chance de sua carreira: NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS “Stagecoach”, considerado um dos maiores clássicos do Western. A princípio, os produtores relutaram em aceitar um principiante saído de faroestinhos baratos e de orçamento duvidoso para o papel célebre de Ringo Kid. Mas John Ford decidiu que já havia dado o papel a Wayne e que jamais voltaria atrás. Já O Homem que Matou o Facínora do ano de 1962 fez com que os dois se separassem. Um dos maiores clássicos do Western que tinha um elenco formado por John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e o negão Woody Strode. O Homem que Matou o Facínora registrou o último filme da parceria Wayne/Ford.

Para além da figura do americano duro e vigoroso, John Wayne é considerado um dos atores mais conservadores e reacionários da história de Hollywood. Ele protagonizou heróis imbatíveis em dezenas de filmes, pretendendo simbolizar a característica típica de um norte-americano vigoroso, duro e rápido no gatilho. Fora das telas, Wayne se tornou conhecido por suas visões políticas reacionárias, pois era um REPUBLICANO convicto. Produziu, dirigiu e atuou em “O Álamo” (1960) e “Os Boinas Verdes” (1968), com recursos próprios, ambos refletindo suas inclinações nacionalistas e conservadoras. O roteiro da Guerra do Vietnã deste último alimentou a fúria dos opositores a essa intervenção militar estadunidense, que realizaram vários protestos contra a exibição do filme.

Há uma grande confusão, por parte de muitos críticos, entre as interpretações de Wayne no Cinema, como um grande individualista, bem como as posições políticas e reacionárias do homem, como republicano de direita, onde realmente ele se opunha a qualquer atitude mais liberal. Por incrível que possa parecer, o maior inimigo que teve em vida não foi no cinema, e sim, na vida real, e começou a caçá-lo em 1964. Era o Câncer. Em 1964, Wayne foi obrigado a tirar um pulmão. Ele morreu de câncer do pulmão (fumava seis maços de cigarros por dia) em 1979 aos 72 anos de idade. Precisamente há 40 anos falecia o número um do faroeste mundial.

Em 1976, Wayne daria ao mundo sua maior performance num duelo de vida e morte, onde se despediu das telas e realizou sua derradeira fita, O Último Pistoleiro (The Shootist), dirigido por Don Siegel, com Lauren Bacall e Ron Howard (que se tornaria um grande cineasta como bem o conhecemos), no papel de um velho caubói morrendo de câncer mas ainda lutando para sobreviver. O roteiro, que tinha muito a ver com a própria vida do astro trazia a história de um velho e lendário pistoleiro que sofria de câncer e procurava um local onde pudesse morrer em paz. Mas não conseguia escapar de sua reputação. Este foi o último filme em vida da fascinante carreira de John Wayne.

Independente de gostos partidários ou posições políticas que o Duke defendia, mesmo nos anos 60/70, onde pareciam querer sepultar o faroeste, lá estava o nosso cowboy, mesmo doente, cansado, despedaçado, ali seguia ele, ereto em sua cela, brigando, disparando e ainda nos enchendo da alegria e prazer de vê-lo em ação. Assim era o velho, enfermo e cansado Wayne, Marion ou Duke que, através de seu derradeiro filme do ano de 1976, O ÚLTIMO PISTOLEIRO, Wayne se despediu da vida com uma pistola na mão. Lamentavelmente, o Duke nos abandonou para sempre em 1979. A vida nos privou de novidades do nosso grande herói do faroeste, mas nos legou o trabalho de toda sua vida em prol dessa modalidade de cinema: o filme faroeste de cowboy ou bang, bang!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

CLÁSSICAS CENAS DE CLÁSSICOS DUELOS NOS FILMES FAROESTES

O Velho Oeste americano foi um lugar diferente de tudo que estamos acostumados hoje em dia. Lá, os xerifes cuidavam das cidades, os bandidos roubavam caravanas e duelos eram feitos para decidir os mais diversos problemas. A importância dessas disputas com armas era tanta, que acabaram moldando a cultura do Velho Oeste e criando suas histórias mais famosas. Portanto, película de faroeste que se preza tem que ter um bom duelo para emocionar o espectador. Alguns embates foram eletrizantes e ajudaram a tornar o filme inesquecível. Há inúmeros duelos arrebatadores como o de Charles Bronson e Henry Fonda naquele duelo antológico de ERA UMA VEZ NO OESTE, do cineasta italiano Sergio Leone. Um desafio por excelência, trilha sonora magnífica, vilões inescrupulosos e dois atores no auge das suas excepcionais carreiras na modalidade faroeste. O enfrentamento dos dois, nos mostra uma cena enigmática, mística, com estupenda precisão em seus 8 minutos de suspense avassalador que faz prender a respiração de quem está assistindo na telona de exibição.

O duelo que encerra o filme Era uma Vez no Oeste é simplesmente excepcional, espetacular!!! Pela história, tema musical, o elenco de artistas primorosos, cada um com um papel relevante e inesquecível. Todos os temas primordiais dessa película cinematográfica ao gênero estão nessa projeção. Pioneirismo, ambição, coragem, vingança, roteiro, direção, elenco, tudo é impecável. No tocante ao duelo que tem 8 minutos de duração, talvez seja o mais longo da cinematografia dos foras da lei. É cena para ver, rever, e sempre descobrir detalhes sequenciais antológicos daquele duelo que encerra o filme. A melhor vingança da história do cinema!!! Foi preciso um italiano para resgatar Fonda de seus habituais papéis de bom moço no cinema americano, para que este criasse o que foi denominado como um dos mais frios vilões da história do cinema. Bronson tem aqui o começo de sua longa carreira em papéis de justiceiros de poucas palavras. Impossível imaginar o filme sem a MÚSICA de Morricone. Com tão poucos diálogos e tantos longos silêncios antecedendo o embate. Ela é a alma da fita… Uma cena final que fica melhor a cada vez que se vê e a cada dia mais clássica ao nosso olhar. Repito: É a melhor e a mais clássica vingança da história do cinema!!!

Já os maldosos, cruéis e malfazejos foras da lei, interpretados pelos assombrosos e portentosos atores, Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood, que são três homens barbudos, sujos, bigodudos, relativamente mal trajados e castigados por anos de exposição a procura de um tesouro estão encarando uns aos outros em um cemitério. Eles trocam olhares suspeitos, mas permanecem quase que estaticamente parados, sem dizer uma só palavra. Veem-se as pálpebras nervosas e aqueles olhares irrequietos movendo-se lado a lado numa demonstração que expressam inquietações e contemplando as faces enrugadas de cada um. Toda essa bem bolada trama durou uma eternidade de quase três minutos. Esta é uma das mais celebradas sequências cinematográficas de todos os tempos em películas de faroestes. Trata-se do duelo que encerra o excelente filme, o último da trilogia do cineasta italiano Sergio Leone, o exuberante filme que no Brasil ficou com o título de Três Homens em Conflito.

Hoje, fica evidente que, Três Homens em Conflito traz muito do que em tempos modernos chamamos de clichês, mas que para a época (1966), era uma ferramenta dramática excepcional. a tradução consegue expor bem qual é a trama do filme: são três homens que, no meio da Guerra Civil Americana, entram em uma caçada acirrada para ficar com 200 mil dólares roubados. É nesse filme também que temos uma das cenas espetaculares que se distingue ou simboliza uma época, como também uma cultura no mundo do cinema, onde o feio, o mau e o bom finalmente se encontram para um duelo. A trilha musical, mais uma vez composta por Ennio Morricone, é um espetáculo à parte. E, logo nos primeiros minutos do filme, você já reconhece uma das melodias que tem os acordes mais famosas do cinema da modalidade Western spaghetti.

Por outro lado, há quem diga que a fama e fortuna conquistadas por Kirk Douglas(que morreu recentemente aos 103 anos de idade) deveu-se às custas de muitos duelos dos quais participou e mais um deles foi com seu amigo, o mexicano Anthony Quinn na película DUELO DE TITÃS do ano de 1959, dirigido pelo excelente diretor John Sturges que fez um filmaço sem chegar a ser um clássico. A proposta desse filme foi irrecusável para Douglas: 300 mil dólares(muito dinheiro pra época), além de toda essa grana Kirk teria sua produtora Bryna como associada na produção, o que aumentaria ainda mais o lucro do ator-produtor que precisava de muito dinheiro para seu projeto chamado “Spartacus”.

Douglas e Quinn já tinham trabalhado duas vezes tanto em Ulysses(1954) como em Sede de Viver(1956) em que Quinn ganhou o Oscar como ator coadjuvante. No terceiro encontro desses monstros sagrados, os dois grandes atores fazem Duelo de Titãs valer ainda muito mais por suas impecáveis atuações. O especialista em faroeste Darci Fonseca faz uma análise bem ponderada quando nos conta que, “Duelo de Titãs é um primoroso estudo sobre o poder, sobre como ele é implacavelmente exercido e sobre como homens acovardados se submetem a esse poder. Craig Belden(Anthony Quinn) manda na cidade e é temido e obedecido por todos que o cercam, intimidados pelo seu poder do qual de alguma maneira se beneficiam inescrupulosamente. Situação não muito diferente da encontrada em tantos outros rincões do Velho Oeste”. Enredo, roteiro, música, tudo nota 10. Filme para guardar em arquivo, e, assisti-lo sempre que sentir saudades das matinês espetaculares dos saudosos domingo à tarde.

Pois bem, para aqueles cinéfilos que têm idade para haver consumido o gênero de filmes Western, há 7 ou 8 anos, a revista “Super Interessante” veiculou uma matéria que rezava sobre “O verdadeiro Velho Oeste”, a matéria contrapõe o mito criado pelo cinema ao verídico e bem diferente modo de vida no Oeste americano do século XIX. Baseados em livros de historiadores que estudaram a fundo o assunto, os autores da matéria, Andreas Müller e Ricardo Lacerda afirmam que os famosos duelos na rua principal da cidade, onde, sob olhares ansiosos, vencia o pistoleiro que fosse mais rápido no gatilho, NUNCA ACONTECERAM. A verdade é que no Velho Oeste havia muito menos violência do que a dos filmes. havia lá muito mais lei, ordem e civilidade do que se pensa. Os grandes diretores de Hollywood, como John Ford, Howard Hawks, Raoul Walsh, Anthony Mann, Delmer Daves, John Sturges, investiram no mito e… O resto da estória vocês conhecem. Mas, a propósito, entre um embate John Ford versus Sergio Leone, em que você apostaria?!?!?! Eu fico com o último, até por causa das sacadas irônicas do diretor italiano.

A encenação que o leitor vai assistir a respeito do filme Duelo de Titãs se passou na fazenda do cinéfilo Darci Fonseca na cidade de Piratininga(SP). Assista aos três duelos:

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

MORRE O ATOR KIRK DOUGLAS, AOS 103 ANOS

“É com tremenda tristeza que meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas nos deixou hoje(5) aos 103 anos de idade”, declarou Michael Douglas, de 75 anos, filho mais velho de Kirk. Em tom sereno, mas firme, continuou Michael: “para o mundo, ele era uma lenda, uma estrela da Era de Ouro do cinema que viveu bem seus próprios anos dourados, um humanitário cujo compromisso com a justiça e as causas em que acreditava definiram um padrão ao qual todos nós aspiramos”. O ator que fez fama e fortuna, além de Michael, Kirk deixa a mulher, Anne Buydens, com quem era casado há 66 anos, e os filhos Joel e Peter, também produtores de cinema. Seu caçula, o comediante Eric, morreu em 2004, aos 46 anos, vítima de uma overdose acidental.

A causa da morte não foi revelada, mas a saúde do artista já estava em declínio há alguns anos. Em 1991, sofreu um acidente de helicóptero que deixou grande parte de seu corpo queimada e quase lhe tirou a vida. Há mais de 20 anos, ele teve um AVC que prejudicou sua fala. Em entrevista ao GLOBO em novembro de 2016, um mês antes de completar 100 anos, Kirk Douglas revelou o que mudaria se pudesse voltar no tempo: — Não teria feito minhas cenas de machão sem dublê. Por causa disso, tenho um problema grave na coluna e meus joelhos são próteses. Suas últimas aparições nas telas foram em 2004, quando participou do longa Illusion e em 2008, no telefilme Meurtres à l’Empire State Building, dirigido por William Karel. Ele comemorou seu 103º aniversário, em 9 de dezembro do ano passado, com sua família, incluindo o filho Michael e a nora Catherine Zeta-Jones.

Kirk Douglas interpretou papeis históricos no cinema, como o pintor Van Gogh e o escravo Spartacus, além de Doc Holliday, lenda do velho oeste americano, como também O Último Pôr do Sol em 1961. Trabalhou em mais de 80 filmes e foi indicado ao Oscar por três vezes, Kirk Douglas se aposentou depois que passou a ter dificuldades para falar após um AVC sofrido em 1996. Ele venceu dois Globos de Ouro, um de melhor ator por Sede de Viver, de 1956, e outra por sua filmografia, o prêmio especial Cecil B. DeMille. Kirk também recebeu três indicações ao Emmy. Ele recebeu sua primeira indicação ao Oscar em 1950, por O Invencível. Também foi indicado em 1953, por Assim Estava Escrito, e em 1957, justamente por sua atuação como Vincent Van Gogh na cinebiografia Sede de Viver. Em 1996, ele foi premiado com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

Particularmente, para este escriba que ora escreve sobre a morte dessa lenda de Hollywood, o primeiro filme que assisti de Kirk Douglas foi o Último Pôr do Sol, na cidade de Palmeira dos Índios(AL), aos 14 anos de idade, que marcou para sempre minha paixão pela modalidade de filmes faroestes. Uma das maiores tragédias gregas da cinematografia hollywoodiana que o telespectador vai encontrar em películas faroestes, está lá no final desse filme, em seus últimos 5 minutos, que é na esplendorosa fita interpretada por Kirk Douglas e Rock Hudson em O ÚLTIMO PÔR DO SOL do ano de 1961. O torturante e penoso roteiro é um tenso melodrama digno daqueles que até mesmo com a ação se passando em cenários abertos, os personagens principais parecem viver num ambiente claustrofóbico no qual incessantemente expõem as paixões que afloram, bem como o ciúme e o visceral antagonismo.

O Último Pôr do Sol que tem uma duração de quase duas horas tem Kirk Douglas, que interpreta o personagem Brendan O’Malley, é o centro motivador de todas as reações culminando com a juvenil paixão que desperta em Missy (Melissa) e os momentos que passa com ela. E O PIOR: Só no final do filme é que ele vai descobrir que é pai da jovem. Só aí é que vai perceber que será através do duelo que já estava programado para quando o sol se por naquela sangrenta tarde é que ele vê ou encontra uma saída apenas na própria morte para a solução da tragédia em que se deixou envolver.

Como já foi dito, o enredo do filme conta a trajetória da jovem Melissa que se apaixona pelo cinquentão O’Malley(Kirk Douglas), envolvendo-se em um amor dilacerado entre pai e filha sem eles saberem. Desesperada a personagem Belle, interpretada pela irresistível atriz Dorothy Malone conta a O’Malley que Melissa é sua filha e que a relação deles é incestuosa e daí, o personagem de Kirk Douglas se defronta com o de Rock Hudson num duelo suicida. Em resumo, O Último Pôr do Sol é um filme que, se não é a maior maravilha em faroestes, ganha pontos por ser um western diferente, forte e até bem feito. Um western superior que deixou sua marca no gênero. Destacada atuação de Kirk Douglas, Rock Hudson e Dorothy Malone. É, sem o menor farelo de dúvida, uma película de faroeste com um dos enredos mais trágicos e fatais de todos os tempos. A respeito de Dorothy Malone, cuja sensualidade foi excepcionalmente bem aproveitada como uma sedutora e irresistível atriz, aos 35 anos, espalhou toda sua voluptuosidade em cada cena que participou desse filme. A propósito, em 1992, fez seu último trabalho que se tem notícia com o filho de Kirk Douglas, Michael Douglas, no filme Instinto Selvagem com a bonita Sharon Stone. Dorothy Malone morreu em 2018 aos 92 anos de idade.

Por fim, em se tratando deste monstro sagrado do cinema mundial, entre atuações e participações, o norte-americano possui 91 filmagens como ator. Mas o que marcou realmente em Kirk foi o seu primórdio como galã, em uma época onde os “DURÕES” eram o que ditavam a indústria do faroeste. Kirk Douglas foi mais que uma lenda do cinema. Ele foi o último de uma geração diferente de galãs. Naquela época os valores eram outros. O homem, por exemplo, não podia demonstrar fraqueza. Imperavam regras como “HOMEM NÃO CHORA”. Hoje em dia a viadagem tomou conta do pedaço e essa boiolada que aí está e não é chegada a mulher dá um cu que rincha!!! Hoje, esse papo furado que homem não chora ou mesmo rótulo dessa natureza, não passa de um título de música brega na voz do bom, romântico e inesquecível Waldick Soriano…