ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

SEAN CONNERY, UM HOMEM DURO COM NERVOS DE AÇO VIVIA ÀS TURRAS COM O FILHO

Sir Sean Connery nasceu em família pobre e foi criado numa casa de dois quartos e banheiro coletivo externo. Fez de tudo até chegar ao posto de astro de cinema: empurrou carroça, foi engraxate, serviu de modelo e também foi leiteiro. E não só chegou até o posto de celebridade internacional, como chegou lá muito bem remunerado e acumulou fortuna estimada em mais de 350 milhões de dólares, aproximadamente R$ 2 bilhões. Além de sua mulher, outro herdeiro é o filho único, Jason, 57 anos, nascido do casamento com a atriz australiana Diane Cilento, falecida em 2011.

Avaliada em 7 milhões de dólares (cerca de R$ 40 milhões), a casa onde o ator passou seus últimos tempos fica em Lyford Cay, condomínio luxuoso com forte esquema de segurança para impedir a entrada de curiosos e dos paparazzi. Durante algum tempo, a princesa Diana manteve um imóvel vizinho ao de Connery, onde se refugiava da perseguição da imprensa e da família real. O imóvel do ator, construído em terreno de 4.000 m², com cinco suítes, se destaca pela ampla piscina a poucos passos do deck onde ele mantinha sua lancha batizada ‘Out of Bounds’ (Fora dos Limites). Sean Connery gostava de ficar horas sentado no meio do jardim tropical e no ateliê onde sua mulher pintava quadros. O ídolo do cinema teve o último pedido atendido: suas cinzas foram jogadas nas águas transparentes que cercam sua casa dos sonhos.

A primeira mulher de Sean Connery, a australiana Diane Cilento, que foi casada com o ator por 11 anos, pois divorciaram-se no ano de 1973. O casal teve um filho que hoje aos 57 anos chama-se Jason Connery, filho único do ator e mora nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova Iorque. No começo dos anos 2000 a ex-mulher do famoso personagem James Bond, Diane(que morreu em 2011 aos 77 anos), afirmou que a relação entre pai e filho sempre foi muito difícil difícil. A discussão familiar chegou a ponto de Jason ameaçar mudar seu sobrenome para que o pai pare de acusá-lo de usar a fama dos Connery. Atualmente ele trabalha como ator e diretor. “Se você trocar seu sobrenome, eu te mato”. Também teria dito Sean durante uma briga: “Você não vai ficar com um centavo dos meus milhões”, dispara Sean Connery para o filho.

Há cerca de 15 anos Jason Connery, hoje com 57 anos, fez o seguinte relato a imprensa americana: “Fico chateado em ter de responder a artigos cheios de informações truncadas e mentirosas”. Ele afirmou também que estava cansado de tantas mentiras e abordagens sobre sua vida pessoal. “Estou realmente cansado de ler que meu pai e eu temos uma relação difícil e que ele seria um tipo de monstro ou mesmo tirano. Isso não é verdade”. Jason contou também que ele e o pai vivem em diferentes países há muitos anos, e essa distância os fez seguir rumos diferentes. “Mesmo assim, aprendi com meu pai a importância de se trabalhar contra a desonestidade e os ataques pessoais”, contou o filho do galã. Sobre suas finanças, Jason Connery disse que sempre trabalhou pelo seu sustento e que recentemente pediu um empréstimo ao pai, que teria dito sim.

Os fãs do ator Sean Connery (1930-2020) ficaram emocionados ao se depararem nas redes sociais com aquela que foi a última foto do astro vinda à público. O registro foi compartilhado no Twitter pela nora de Connery, a cantora e crítica de moda Fiona Ufton, casada com o filho único do ator, o também ator e cineasta Jason Connery.

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BALTHAZAR, VERDADE PURA, NUA E CRUA

Muito conhecido pelo seu estilo romântico e prestes a completar 70 anos, o sergipano Balthazar, lançou seu primeiro LP, em 1975, intitulado “Cartas de amor”, música de sua autoria, um dos sucessos do disco. O outro sucesso foi o samba-canção “Vontade de voltar”, de Raul Sampaio. Também foram incluídas no disco as músicas “Passagem só de ida”, com Pedro Paulo e César Roberto, “Sarah”, Chico Xavier e Nem e “Se ainda existe amor”, do maluco beleza Raul Seixas que estrondou em todo o país. Em Sua carreira, Balthazar começou cantando rock com Raul Seixas, mas não deslanchou. Aí, preferiu a estrada fácil da música popular brasileira conhecida como brega, cafona ou romântica e se deu bem. Compôs e cantou verdadeiros hinos na década de 70.

Eis estrofes de alguns sucessos: Hoje eu tenho certeza foi tudo mentira/ Até o lugar que nasceu você quis esconder pra mim/ Sua carinha de santa por pouco não enganou/ Alguém que viveu de mentiras e tanto lhe amou/ Vai, vai, você pra mim já é passado. E CONTINUA: Compre uma passagem só de ida/ Não quero adeus, nem despedida/ Só quero ver você partir… OUTRA: Sarah, onde é que você se esconde? / Sarah, minhas cartas por que não responde? / Sarah, não me deixe ficar tão triste/ Sem saber se você ainda existe… E VAI MAIS ALÉM: Eu não sei se você morreu na guerra/ Eu não sei se você sobreviveu/ Será que você vive em Israel? / Ou será que você está no céu? E LÁ VEM RAULZITO: Você de uns dias pra cá/ Vem mudando demais/ O seu modo de ser/ Tem muita tristeza no olhar/ Mas evita me olhar, para eu não perceber/ Eu vim conversar com você procurando saber/ O que foi que eu lhe fiz/ Eu peço não deixe acabar esse amor/ Que você dedicou sempre a mim/ Sei que o amor é igual/ Como o tempo que voa/ Se não lhe tenho bastante/ Meu bem me perdoa, me perdoa…

O nordestino Balthazar Góes Neto é parente, não muito distante, de Lampião, o rei do cangaço. Já no Rio de Janeiro, além de ser grande amigo, dividiu apartamento com o ídolo negro Evaldo Braga. Compartilhava do sucesso e dos percalços pessoais, enfrentados pelo cantor. Balthazar acredita que sua entrada na Phonogram foi exatamente pela voz e pela amizade que tinha com o ídolo negro que morreu em 1973 de um acidente de carro no auge da carreira. Ele foi casado com a cantora Diana (ex-mulher de Odair José) durante oito anos. Como pai, Balthazar só perde para Abraão, pois segundo seus cálculos, são mais de 26 filhos. Apesar dos três filhos oficiais, por muito tempo Balthazar ficou expert em conhecer filhos, bastava encerrar a apresentação, para vir moças com filhos nos braços apresentando-os como filhos. Balthazar lamenta não saber nada sobre um filho que teve com uma japonesa. Ela voltou para sua terra com o filho no ventre. Balthazar imagina que seu filho possa até ser um samurai…



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ODAIR JOSE, O BOB DYLAN TUPINIQUIM

Na década de 1970, sua música era amplamente aceita pela sociedade, mas desprezada por uma elite intelectual. Mesmo assim, Odair José não mudou, mas seu público sim. Como diz o próprio Odair: “Vejo como se eu estivesse herdando o público do Raul Seixas”. Hoje, seu trabalho não é mais ouvido pelas classes populares, que apreciam pagode, sertanejo e funk, por exemplo. Por outro lado, os jovens realmente parecem ter redescoberto sua música e tudo isso tem uma participação decisiva e preponderante por causa do lançamento do livro EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO (2002), de Paulo César de Araújo. O livro de Paulo César de Araújo ajudou a mudar a maneira como as pessoas veem o trabalho dos chamados artistas bregas, conferindo legitimidade a essa turma.

Odair José, o gênio rebelde e audacioso é conhecido por muitos como O Bob Dylan brasileiro é um cantor e compositor da música romântica copiado no mundo inteiro. Isso mesmo, no mundo inteiro, inclusive na China, donde tem uma penca de seguidores!!! Até onde se sabe, só Frank Sinatra, Beatles e os Rolling Stones não interpretaram suas excelentes composições. Sacanamente, e por que não dizer, por puro preconceito, indiferença ou menosprezo, sempre foi tratado como PERSONA NON GRATA pelas rádios, TV’s e até os “moralistas” da igreja católica foram indiferentes, frios e insensíveis com ele, além de ser perseguido covardemente e censurado pela Ditadura Militar por tratar de temas polêmicos para época.

Está bem viva em nossa memória ou retina ao acompanhá-lo em nossa juventude que, quando não havia nada parecido na música popular brasileira, na década de 1970, mesmo sem o aval e o desprezo por completo das gravadoras, a música “Eu vou tirar você desse lugar” entrava para o ranking das mais pedidas nas rádios, contando a história de um homem apaixonado por uma mulher que se prostituía na Zona. Na sequência emplacou com “Uma Vida Só”, conhecida popularmente pelo seu refrão, “PARE DE TOMAR A PÍLULA”, que foi uma de suas músicas censuradas pelo governo militar. Outra música de forte apelo popular que é uma crônica do cotidiano do nosso povo foi “Deixa Essa Vergonha De Lado”, na qual traz uma face do preconceito da época e refletia o apoio a nobre função de empregada doméstica que no início da década de 70 ainda não era legalizada.

Só quem foi da boemia ou vagueou nos restaurantes e nos bailes da vida nas eternas madrugadas sem fim, com a alma nostálgica tem a dimensão do que foram as lindas poesias muito bem interpretadas por este mestre da paixonite aguda, como por exemplo a linda melodia: MINHAS COISAS do ano de 1970, letra esta, que não agredia o ouvido, apenas machucava os corações. Eis seus refrães:

As minhas coisas de repente estão tristes / Compreenderam que não existe nada mais entre nós / Meu violão caiu de cima do armário / Suas cordas arrebentaram dando adeus a minha voz / O meu casaco com você se acostumou / Sentiu tanto a sua falta que de tristeza desbotou / Se eu soubesse que eu iria lhe perder / Não teria acostumado minhas coisas com você…

Até meu carro já não tem velocidade / Pois ele sente saudade de quando andava com você / Meu telefone que sabia quase tudo de repente ficou mudo / E mais nada quer dizer / O meu relógio sempre certo trabalhou / Depois que ficou sabendo nada mais ele marcou / Se eu soubesse que eu iria lhe perder / Não teria acostumado minhas coisas com você / Não teria acostumado minhas coisas com você…

Pois bem!!! Enquanto a cervejinha gelada não chega à mesa, curtam na íntegra o hino do Bob Dylan tupiniquim que está de volta à mídia desde o início dos anos 2010, do começo deste século, pois continua fazendo jus ao estilo musical que o consagrou nas paradas de sucessos que tanto a gente cantou e dançou nos assustados de casas familiares ou nos bailes da vida.

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LINDOMAR CASTILHO, O CIUMENTO CAFONA QUE ULTRAPASSOU A MURALHA DA VIOLÊNCIA MACHISTA

Há 40 anos, mais precisamente no topo da carreira, aclamado com Discos de Ouro, Platina e inclusive um Grammy, o machão cafona casou-se com a também cantora jovem Eliane de Grammont, exigindo que ela deixasse o glamour artístico e se dedicasse ao lar e a filha recém-nascida. Ciúmes, alcoolismo e uma convivência entre tapas e beijos foram responsáveis pelo fim do casamento, que durou aproximadamente dois anos. A propósito, quando o machão brasileiro vai entender que mulher não é propriedade do homem ou em que momento nós vamos abandonar esse sentimento de posse misturado com arrogância…

Pois bem, logo após a separação, Eliane retoma sua trajetória musical, grava “AMÉLIA DE VOCÊ”, que por si só exprime sua vivência conjugal com Lindomar, e se apaixona pelo primo de seu ex-marido, que também era músico, com quem inicia um relacionamento. Na madrugada do dia 30 de março de 1981, Eliane de Grammont e seu novo namorado – Carlos Randall, estavam se apresentando no “Café Belle Époque”, no centro de São Paulo, quando seu ex-marido entra e dispara cinco tiros em suas costas e um tiro no abdômen do namorado. O primo sobreviveu, mas sua ex-mulher faleceu no local. O crime chocou o país.

Aos 26 anos e com poucos meses de separada, quando cantava em um bar, a jovem Eliane levou cinco tiros pelas costas e morreu no palco. O embriagado homicida que premeditou o delito covarde e bárbaro, antes de ir ao local do crime, havia comprado além de um revólver três oitão, balas do tipo “dundun” que ao perfurar a vítima explodem dentro do corpo causando lesões mortais. A filhinha de então, LILIANE, foi criada pelas duas tias (irmãs de Eliane), enquanto o pai cumpria pena em regime fechado. Na cadeia o cantor ainda lançou o disco “Muralhas da Solidão”, ganhando a liberdade em 1996, tendo ficado 7 anos preso, e o restante no semiaberto. Após o cumprimento da pena, Liliane procurou o pai, perdoando-o pela tragédia cometida contra sua própria mãe em 1981, num ato pouco aceitável pela maioria das pessoas.

Diga-se de passagem parece mais uma história inventada, aquela que chamaríamos de “estória” com “E” maiúsculo, sinopse pronta para qualquer filme de sucesso, mas foi à pura realidade de Lindomar Castilho, um dos maiores seresteiros do país, tendo sido intitulado como o “Rei do Bolero”, que matou sua ex-mulher, que foi condenado, cumpriu sua pena, e que pelo resto de seus dias terá este capítulo como tema principal em sua história de vida, mancha que encobrirá qualquer música de sucesso que fez parte do passado. O cantor, hoje auto refugiado no seu próprio lar, quando questionado a respeito do crime declara: “Eu carrego comigo um sentimento de culpa enorme. Não é apenas arrependimento. Cometi o crime, independente do meu querer ou não querer. Não sei como explicar aquilo. Hoje, sempre que posso, peço perdão a minha filha e a família Grammont”.

Tragédia incompreensível à parte, em 1965, o estudante de direito Lindomar Cabral lança seu primeiro disco pelo selo Continental, mas foi na década de 1970, na gravadora RCA, com o nome artístico de LINDOMAR CASTILHO que alcança a marca de 500 mil cópias com Eu Vou Rifar Meu Coração (1973). Permaneceu no topo das paradas musicais com “Você É Doida Demais”, parceria com Ronaldo Adriano, “Feiticeira” (1975) e “Nós Somos Dois Sem Vergonha” (1976) e mais uma vez a bela parceria com Ronaldo Adriano, tornam-se as mais tocadas na época do lançamento. Em sua obra, o músico de voz grave fala sobre boemia, ciúme, tragédia e decadência que, coincidentemente, a arte imitou a vida ou vice versa.

O excelente biógrafo Paulo César Araújo nos relata que, as canções de Lindomar têm como principal tema a desilusão amorosa, com letras sentimentais e referências à traição, ao desamparo e ao abandono, o que é verdade!!! O exemplo maior é a canção VOU RIFAR MEU CORAÇÃO… Lindomar Castilho é classificado como tenor de grande extensão vocal, afinada e de notável alcance, que consegue ser ouvido através de distância expressiva, com músicas de sucesso e carreira consolidada no Brasil e no exterior. Torna-se conhecido como “Rei do Bolero” e “Namorado de las Américas”. É um dos maiores intérpretes de boleros da música brasileira, ao lado de Altemar Dutra (1940-1983), Agnaldo Timóteo (1936), Nelson Ned (1947-2014) e Waldick Soriano (1933-2008). Esses cantores potencializam a interpretação das canções e são associados à música romântica popular.


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ENTRE ESPUMAS, ROBERTO MULLER, VIVE HOJE EM CADEIRA DE RODAS

No ano de 2017, através do programa de Geraldo Freire da Rádio Jornal do Comércio da cidade de Recife-PE, o Pingo de Ouro ROBERTO MULLER, recebeu das mãos do cantor e compositor pernambucano Nando Cordel, uma cadeira de rodas onde auxilia sua locomoção até hoje. Lá, num simples apartamento do bairro do IPSEP na capital pernambucana foi feita a doação da cadeira e no momento da entrega a pura emoção tomou conta tanto de Nando como da secretária/cuidadora, Dagmar Pereira, hoje esposa de Roberto Muller. “Muito honrado porque esse rapaz aqui já fez muita coisa boa para o povo. É uma honra para mim estar aqui perto desse grande homem”, disse Nando Cordel.

Em pleno ano de 2020, aos 83 anos de idade, Roberto Müller que vive de uma aposentadoria de menos que dois salários mínimos e o dinheiro que deveria receber, anualmente, dos seus direitos autorais, a gata comeu, pois recebe uma mixaria depois de quase 70 discos gravados. Hoje, encontra-se em Recife morando em um bairro popular, aos cuidados de sua querida e amada Dagmar, vítima de AVC, sofreu um infarto, sofre do mal de Alzheimer e necessita da solidariedade dos colegas cantores, dos amigos e fãs. A difícil situação vivida por Roberto Müller foi tornada pública por um vídeo gravado pelo cantor Tarcys Andrade que pede o apoio de todos, para garantir uma melhor qualidade de vida a este grande artista.

O crítico de música e profundo conhecedor de MPB, Jornalista José Teles, descreve muito bem como hoje se encontra Roberto Muller, que ganhou o epíteto de Pingo de Ouro, por medir 1,53 de altura, mesmo assim, ele namorou altas estrelas do rádio, entre elas Clara Nunes. O apartamento é modesto, no térreo de um edifício caixão, no IPSEP, bairro da Zona Sul do Recife. Logo à entrada, uma estante recheada de troféus, discos de ouro, medalhas. As paredes da sala, do corredor e de dois quartos estão cobertas por fotos emolduradas. Não cabe tudo ali dentro. Na área externa, um puxado, com vaga para um carro, protegida por grades, abriga mais lembranças: partituras, recortes de jornais e revistas, toda vida artística do dono.

Ali, naquele pequeno museu, mora o piauiense José Ribamar da Silva, 83 anos, nome artístico: Roberto Muller, um dos cantores mais populares do País entre os anos 60 e 70. As fotos espalhadas pelas paredes do apartamento mostram o piauiense ao lado de uma Gretchen em plena forma, nos ano 70, com Chacrinha, em cujo programa recebeu discos de ouro, com Agnaldo Timóteo, e Jerry Adriani, de quem foi amigo. Naturalmente, não faltam fotos em solenidades com prefeitos, com o presidente José Sarney, a governadora Roseana Sarney, a lista é extensa.

Em 1963, após dois compactos, lançou seu primeiro álbum “NUNCA MAIS BRIGAREI CONTIGO”, conquistando definitivamente um lugar de destaque no cenário artístico nacional. A partir de então, Muller tornou-se presença obrigatória nos programas de televisão. Finalmente, depois de se apresentar na “discoteca do chacrinha”, na extinta TV Tupi, ganhou o título de “Pingo de Ouro do Brasil” do próprio Abelardo Barbosa. Roberto Muller tem o dom de cantar a dor de cotovelo, a música romântica dos apaixonados. Neste ano ele completou 65 anos de carreira e 83 de idade e tem cerca de 70 discos gravados entre LPs e CDs. Entre os muitos prêmios ao longo da carreira estão inclusos seis discos de ouro.

Na sua discografia há um bolero, com letra trágica de tango, que o Brasil escuta há 52 anos. Um hit que estourou entre o ocaso da Jovem Guarda e a eclosão da Tropicália, em 1968: “Não foi o meu maior sucesso, mas foi a que mais me deu dinheiro”, diz Muller. EIS A LETRA: Uma noite sentou-se a minha mesa/ E entre tragos lhe dei todo o meu amor/ Transcorreram só duas semanas/ Como em sonho, minha vida se acabou/ Desde então os rios do meu pranto/ Confortaram a cruz da minha dor/ Ninguém sabe que meus males são tão grandes/ Que me partem, o coração/ Mas conforta e eu sei que está em minhas mãos/ Aliviar-me desta amargura/ Se um amor nasceu de uma cerveja/ Outra cerveja beberei para esquecer/ Um amor que surge numa mesa/ Entre espumas terá que terminar…

Roberto Müller é dono de sucessos inesquecíveis e imortais no cancioneiro popular, destacam-se: Entre Espumas, Velha Moça, Luz Negra, Mulher de Cabaré, Colecionador de Chifres, Com homem Não se Brinca, Farrapo de Calçada, Uma Cruz em Meu caminho, Vida de Cão sem Dono, Pagando sem estar devendo, Tudo menos traição, Por favor Minta pra ela, são alguns de seus vários sucessos. Da mesa de bar ao radinho de pilha, pode apostar que as rimas fáceis e as sofridas histórias de amor fazem um tremendo sucesso entre a moçada que curte a música “brega”. Cantores como Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, Carlos André, Bartô Galeno, Odair José e Roberto Muller são ícones que encantam gerações com melodias simples e repletas de criatividade. A bem da verdade, o Pingo de Ouro do Brasil que também é conhecido como o Lord do Brega, sempre se apresentava em seus shows, impecavelmente bem vestido de terno e gravatas vistosas. A música ENTRE ESPUMAS é nostalgia pura por ser uma composição real, um testamento autêntico que fala da nossa vida no nosso cotidiano. É por essa e outras e os versos de Entre Espumas que o brega é chique…

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MORRE O AGENTE SECRETO JAMES BOND AOS 90 ANOS DE IDADE

A cinematografia da espionagem está de luto, O ator escocês Sean Connery, ícone do cinema e primeiro a interpretar o espião James Bond, morreu aos 90 anos, segundo a BBC divulgou neste sábado (31). De acordo com a família, ele morreu durante a madrugada, enquanto dormia, nas Bahamas. Com 94 papéis ao longo de mais de 50 anos de carreira, atuou em sete filmes do “007” nas décadas de 1960, 1970 e 1980 e foi apontado em inúmeras enquetes como o melhor James Bond do cinema. Como o detetive, ele estrelou “O satânico Dr. No” (1962), “Moscou contra 007” (1963), “007 contra Goldfinger” (1964), “007 Contra a chantagem atômica” (1965), “Com 007 só se vive duas vezes” (1967), “007 – Os diamantes são eternos” (1971) e “007 – Nunca mais outra vez” (1983). Connery também atuou no drama “Os intocáveis”, de Brian de Palma, pelo qual venceu o Oscar em 1988 na categoria de melhor ator coadjuvante.

Entre seus personagens de destaque, estão também o protagonista William von Baskerville no longa “O nome da rosa”, de 1986, adaptação da obra de Umberto Eco, e o professor Henry Jones no filme “Indiana Jones e a última cruzada”, de 1989. Vários famosos foram as redes sociais para demonstrar seu sentimento ao grande ator Sean Connery. Eis o que disse o ator britânico Daniel Craig que interpreta James Bond desde 2006: “Sean Connery morreu aos 90 anos. Ele foi o primeiro ator a interpretar James Bond nos cinemas, em ‘Dr. No’, em 1962. E anunciou estas palavras inesquecíveis: ‘Meu nome é Bond… James Bond’. Ele era e pode ser sempre lembrado como o James Bond original. Descanse em paz”.

E continua os votos de pesar das grandes estrelas ao redor do mundo. O ator e ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, afirmou: “Sean Connery era uma lenda, um dos melhores atores de todos os tempos. Ele proporcionou entretenimento sem fim para nós e inspiração para mim. Não estou só falando porque ele foi um fisiculturista que se classificou para o Mister Universo! Ele era um ícone. Meus pensamentos estão com a família dele”.

Já Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, produtores da franquia 007, demonstraram seus sentimentos assim: “Estamos devastados com a notícia do falecimento do sr. Sean Connery. Ele foi e sempre será lembrado como o James Bond original, cuja entrada memorável na história do cinema começou quando ele anunciou aquelas palavras inesquecíveis, ‘Meu nome é Bond, James Bond’. Ele revolucionou o mundo com seu retrato corajoso e espirituoso do agente secreto sexy e carismático. Ele é, sem dúvida, o grande responsável pelo sucesso da série de filmes e seremos eternamente gratos a ele”.

Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia: “Fiquei com o coração partido ao saber esta manhã do falecimento de Sir Sean Connery. Nossa nação hoje lamenta um de seus filhos mais amados. Foi um privilégio ter conhecido Sean. Quando falei com ele pela última vez, já estava claro que sua saúde estava piorando – mas a voz, o espírito e a paixão que todos nós amamos ainda estavam lá. Eu vou sentir falta dele. A Escócia sentirá falta dele. O mundo vai sentir falta dele.”…

O apresentador de televisão, o brasileiro Luciano Huck, escreveu: “RIP Sean Connery. O mundo hoje está menos elegante que ontem”. Atriz Maitê Proença: “O mais elegante e eterno Bond. Você nos encantou, siga em paz!”. Tony Ramos: “Referência de ator disciplinado e atento”. Sean Connery roubava as cenas’, lembra o jornalista Célio Silva. O apresentador Brito Júnior: “James Bond Morreu. Na minha opinião, Sean Connery foi o ator que melhor encarnou o Agente 007, a serviço de sua majestade. Já sabemos o que vai passar na TV nos próximos dias.

Connery estava aposentado do mundo artístico há mais de dez anos e aproveitava parte de seu tempo livre jogando golfe, uma de suas paixões. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas, de acordo com a BBC, ele tinha problemas de saúde e estava nas Bahamas. Em 2006, ele fez uma cirurgia para retirar um tumor no rim.

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A BELEZA DA ROSA QUE ERA A FIGURA DO CACHORRÃO ZÉ RIBEIRO

O radialista Geraldo Freire da Rádio Jornal do Comércio da cidade de Recife-PE, amigo íntimo do veterano cantor José Ribeiro costumava chamá-lo ou trata-lo por CACHORRÃO. José Ribeiro é natural de Barbacena, Minas Gerais. Antes de ficar famoso pelo seu romantismo, Ribeiro tentou a carreira como cantor de baião. O sotaque mineiro e a voz explicitamente nasalada foram os vilões da história do cantor. Ele queria de todo jeito ser um cantor de baião, mas entrar no ritmo não foi fácil. O rol agregava apenas representantes nordestinos. O sucesso como cantor romântico foi a vingança do artista que, em 1972, estourou de norte a sul do país fazendo parte do elenco da gravadora mais importante do Brasil, a CBS. A música A BELEZA DA ROSA é até hoje uma das mais tocadas no nordeste do Brasil.

O romantismo impregnado nas músicas dele, vem da inspiração no ídolo Anísio Silva. O LP Meu Coração Não Te Esquece (CBS-1973), tem como diretor artístico Renato Barros(falecido em julho de 2020), o líder do grupo Renato e Seus Blue Caps. Das 12 faixas do disco, seis fizeram sucesso nas rádios do Brasil, entre elas Na Porta da Cozinha, Meu Coração Que Não Te Esquece, Um Amor Vai, Outro Vem e A Maior Saudade Minha. Por um bom tempo José Ribeiro morou em Pernambuco na capital Recife no bairro da Boa Vista, no centro da cidade e costumava fazer shows nos arredores da capital pernambucana.

O profundo estudioso e analista da MPB, o recifense José Teles, nos relata que Zé Ribeiro foi um dos mais bem sucedidos cantores de um estilo, derivado da jovem guarda, rotulado de brega. Foi também um dos mais originais. Suas canções são permeadas de bom humor, mesmo quando retratam situações constrangedoras. Sua interpretação também era contida, nunca resvalava para a choradeira sentimentalóide de boa parte de praticantes do gênero. José Ribeiro foi colega de gravadora de Roberto Carlos na antiga CBS (a atual Sony Music), tiveram o mesmo produtor, Mauro Motta, e diretor artístico, Evandro Ribeiro, este segundo, eminência parda na CBS durante três décadas: “Encontrava muito Roberto Carlos na gravadora, mas não somos amigos!. Disse Ribeiro.

Depois de dez anos no Recife, José Ribeiro se mudou para João Pessoa e depois pata Fortaleza. Voltando ao começo de sua carreira que teve Renato Barros como seu produtor, Zé Ribeiro estourou com Beleza da rosa, ele dividiu as paradas com o Rei Roberto. Se não vendeu mais do que ele, chegou perto: “O primeiro LP pela CBS vendeu 800 mil cópias. O segundo, já saiu da fábrica com cem mil cópias vendidas. Não apareci mais na época, porque a CBS tinha Roberto como prioridade. Ninguém podia aparecer na frente dele. Eu corria noutra faixa. Eles queriam alguém para o público de Roberto Müller e Carlos Alberto (dois remanescentes da época do bolerão de fim dos 50, começo dos 60).

Ele canta a música BELEZA DA ROSA desde 1972, e garante que não se importa de repeti-la, as vezes, três vezes num mesmo show. Assim como canta com prazer outros clássicos do seu repertório, Na porta da cozinha ou Canção dos namorados (ambas assinadas por ele e Joel Teixeira), a primeira a maioria dos fãs consideram que seja autobiográfica. A letra é impagável: Entrei pela porta da sala/ Ela chegou pela cozinha/ Perguntei onde ela estava/ Respondeu na casa da vizinha… Ribeiro garante que não é experiência pessoal: “Na época eu ainda trabalhava em banco. Ouvi uma história parecida num programa policial A Patrulha da Cidade, e contei ao meu parceiro. Então fizemos a letra. Por fim, o mineiro José Ribeiro faleceu em 2018 aos 84 anos, na região metropolitana de Fortaleza.

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A COROA VERÔNICA CONTINUA ENXUTA E SEMPRE FOI O AMOR DA VIDA DE MAURÍCIO REIS

Conforme rezam as religiões cristãs, principalmente à católica, Verônica foi uma mulher caridosa que, comovida com o sofrimento de Cristo ao carregar aquela pesada cruz, deu-lhe seu pano de cabeça em forma de véu para que o filho de Deus aqui na terra pudesse limpar seu rosto. Cristo aceitou o oferecimento e, após utilizá-lo, devolveu-o à bondosa senhora Verônica. E então, a imagem de seu rosto estava milagrosamente impressa naquele pano de linho branco. Pois bem!!! No campo musical, no final da década de 1960 o nome feminino ou uma mulher chamada VERÔNICA foi uma bela fonte de inspiração romântica para ser feita uma bem sucedida composição por C. Blanco que ocasionou um baita sucesso na língua castelhana e em termos de Brasil, o pernambucano Fernando Adour fez uma milimétrica e caprichosa versão e entregou de mão beijada ao vozeirão lindo com voz de tenor, o paraibano (radicado em Pernambuco), Maurício Reis.

A propósito, o pernambucano Fernando Adour é produtor musical e excelente versionista(considerado o Rossini Pinto do Nordeste). Sua primeira direção musical foi com a música “Pare de tomar a pílula” de Odair José, um sucesso impressionante no ano de 1973. Em 1978 fez cerca de 20 versões para Julio Iglesias, na época, artista desconhecido no Brasil. No começo da carreira a cantora colombiana Shakira foi produzida, também, por Fernando Adour. Compositor de estilo romântico, fez muitas versões de músicas em inglês, italiano e espanhol, em especial no período final da Jovem Guarda. Quanto aos brasileiros há um rosário de VERSÕES escritas(ou traduzidas) por este produtor artístico, arranjador vocal, vocalista e compositor.

Há exatamente 48 anos chegava ao Brasil a versão da música VERÔNICA (letra de C. Blanco de 1968), gravada pelo eterno e inesquecível poeta do cravo branco, Maurício Reis. De brega é só o nome: pois ela tem poesia, música, sentimento e muito bom português!!! No ano de 1973 em diante, Maurício Reis fez parte da infância, adolescência e juventude de todos nós com esta romântica melodia que dilacerou corações dos eternos namorados durante quase cinco décadas: Verônica, me sinto tão só / Quando não estais junto a mim / Verônica, eu quero dizer / Que te amo tanto / Que não posso mais / Que te quero tanto, amor…

Tive o prazer de ver essa fera cantando ao vivo em comícios de políticos nos palanques da vida. O saudoso cantor Maurício Reis cantava o amor verdadeiro, caipira, interiorano e sincero com àquela cafonice inesquecível do seu modo de trajar(cinto afivelado e sapato Cavalo de Aço, além do seu cabelo Black Power). Uma passagem agradabilíssima que como fita de cinema faroeste, nos mostrava felizes em tempo integral em nossa adolescência. Quem não curtiu em festas de rua de final de ano, ao lado de uma paquera, no alto de uma Roda Gigante, suas músicas intituladas Lenço Manchado, Dançarina, Mercedão Vermelho, Locutor, Amor fingido, Ilustríssima Madame, verônica (Um clássico dos anos 70). A música VERÔNICA foi o top de linha: top dos top.

Com uma carreira de 30 anos, Maurício Reis Lançou 27 álbuns ente LPs e CDs. Nascido em Santa Rita, na Paraíba, tinha escolhido o Agreste pernambucano para morar e a cidade sorteada foi Gravatá, onde manteve residência fixa até sua morte por afogamento. Exatamente no dia 22/07/2000, há 20 anos, chegava ao fim a vida de um artista de sucesso. João Maurício da Costa ou simplesmente Maurício Reis, O artista faleceu naquele trágico 22 de julho de 2000, aos 58 anos de idade, num fatal acidente automobilístico ocorrido no município pernambucano de Bonito. Maurício Reis havia saído de Gravatá, onde morava há sete anos, para fazer um show na cidade de Xexéu-PE. O carro estava sendo guiado pelo filho do cantor, o tecladista Maurício Inácio, que sobreviveu.

Como boa parte das músicas de hoje em dia não tem história e sim pornografia explícita, o BREGÃO DO BOM de Maurício Reis, como a sua música mais conhecida no Brasil é louvada há quase meio século, desde 1973, era cantada sim, com a alma, pois não é à toa que ele deixou uma neta com o nome Verônica em homenagem a sua música de maior sucesso. Então, ouçamos a música cinquentenária tão bem interpretada pelo poeta do cravo branco, Maurício Reis, esse vozeirão metálico com uma voz de tenor: Verônica!!!

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

GENIVAL SANTOS, O MAIOR DISTINTIVO DA DITA MÚSICA BREGA

O cantor Genival Santos, paraibano da cidade de Campina Grande, com seus mais de 40 anos de carreira, iniciada no programa Flávio Cavalcanti passou a ser conhecido pelo Brasil inteiro por suas músicas: “Meu Coração pede Paz”, ”Se errar outra vez”, “Sendo Assim” e “Eu não sou brinquedo”. Despontando nas paradas de sucesso com “ EU TE PEGUEI NO FLAGRA. Na época o cantor barrou grandes nomes da música vendendo mais de 80 mil cópias logo em sua estreia. são quase 30 discos gravados e mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o país. Genival ficou conhecido com hits do brega como Se Errar Outra Vez e Eu Lhe Peguei no Flagra. Ele morreu em Fortaleza, onde morava há mais de 30 anos, quando estava com 71 anos de idade, em novembro de 2014.

Há quem diga, principalmente os bons amantes das letras bem apuradas, que os bregas não são realmente boas melodias. A música é pobre, a letra é machista e ofensiva, e a música seguindo dentro dos velhos chavões da década de 70/80. Hoje em dia o herdeiro do brega, – o sertanejo universitário – desprezou todas as opções estilísticas do brega e se posiciona somente como um clone do country pop americano. Cada um com seus gostos e preferências. Agora, não se há de negar que, onde tivesse um botequim, lá estava rodando um disco de Genival Santos. Um digno, um dos maiores, se não o maior, emblema da dita música brega. Atire a primeira pedra quem nunca tomou muitas lapadas de Conhaque Dreher com limão tendo como tira-gosto uma latinha de sardinha coqueiro ao molho de tomate…

E viva o brega de Genival Santos a Reginaldo Rossi, até Odair José que hoje é chique e tá na moda… Quem quiser que jogo tudo isso no liquidificador e aprecie o seu sabor de paixonite aguda e viaje na maionese pelas serestas das esquinas da vida saboreando essas letras:

Encostei o meu carro na praça, pra lhe dizer, que eu vou tirar você deste lugar… Hoje quem me vê assim/ Maltrapilho, embriagado/ Nem sequer pode supor/ Que fui gente no passado… Vivo agora pelas ruas/ Durmo em banco de jardim/ Só encontro lenitivo no balcão de botequim… Eu lhe peguei no fraga/ E não quero explicação… Se errar uma vez/ Dou castigo/ Para não se acostumar/ Se errar outra vez/ Mando embora/ Pra saber me respeitar…

Pois bem!!! Genival Santos se foi, porém sua música permanecerá para o povo simples, para os boêmios, para os solitários, para quem é eternamente gamado e precisa de sua música, enfim, tem todo direito de se lambuzar com um Long Play de Genival Santos.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

IMAGINE JOHN LENNON AOS 80 ANOS DE IDADE

A propósito, a canção IMAGINE tornou-se no hino imortal de John Lennon que ousou imaginar um mundo em paz.

Eis a tradução da magistral e profunda mensagem de paz composta pelo garoto de Liverpool:

Imagine não haver o paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum Inferno abaixo de nós
Acima de nós, só o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo o presente
Imagine que não houvesse nenhum país
Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também!
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo será como um só
Imagine que não há posses
Eu me pergunto se você pode
Sem a necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade dos homens
Imagine todas as pessoas
Partilhando todo o mundo
Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo viverá como um só

Nascido no dia 9 de outubro de 1940, o compositor fez história como vocalista dos Beatles e, com as letras de suas canções, tentou criar um mundo melhor, sem guerras ou conflitos. Na sua biografia consta que ele é filho de Julia e Alfred Lennon, o pequeno John Winston Lennon nasceu enquanto seu pai, um marinheiro mercante, viajava a trabalho. Com uma criatividade invejável, o menino recebeu seu nome em homenagem ao avô, John, e ao Winston Churchill. Com cabelos compridos e o clássico óculos de armação redonda, John Lennon foi uma figura bastante controversa. Nascido há exatos 80 anos, no dia 9 de outubro de 1940, ele era um símbolo do ativismo pela paz, mas também tinha atitudes questionáveis.

Conforme descreve uma reportagem escrita por Pamela Malva e Alexandre Petillo, o casal afirma categoricamente que não é surpresa dizer, por exemplo, que ele chegou a ser investigado pelo FBI em meados da década de 1970. Isso porque, para o governo norte-americano, John era o roqueiro mais influente do mundo e tinha o objetivo declarado de incitar as massas. Na época, todavia, o serviço secreto chegou à conclusão de que o excesso de drogas teria deixado o músico inofensivo. Ainda assim, os ideais afiados do ex-integrante dos Beatles eram tão repercutidos pela mídia que logo se tornaram o seu atestado de morte. Foi apenas na década de 1960 que John finalmente conheceu o universo do ativismo. Ao lado de Yoko Ono, ele participava de manifestações e fazia questão de demonstrar seus pontos de vista na música – cujas letras ele escrevia junto da namorada.

O estudioso da banda mais famosa do mundo o jornalista Felipe Cruz escreveu o seguinte: depois que os Beatles se separaram, em 1970, John Lennon dedicou os anos seguintes da carreira solo para promover seus ideais pacifistas e de igualdade social. Num terrível golpe do destino, ele foi vítima da violência que combatia, assassinado por um fanático dez anos depois, em frente a sua casa, em Nova York, com quatro tiros nas costas. Se estivesse vivo, Lennon completaria, nessa sexta-feira, 9 de outubro, 80 anos de idade. A força e a atualidade de suas letras, no entanto, sobrevivem. Relembre cinco músicas escritas por ele e que falam de temas que, infelizmente, 40 anos após a sua morte, continuam mais urgentes do que nunca, vejam só!!!

POLÍTICA: Uma das canções de protesto mais famosas de Lennon, Gimme Some Truth, falava das notícias em uma época em que o termo “fake news” não existia. Escrita durante os anos da Guerra do Vietnã e lançada em 1971, ela abre com a frase: “Estou farto de ouvir essas coisas, de hipócritas tensos, míopes e tacanhos. Tudo o que eu quero é a verdade. Apenas me dê um pouco de verdade.

PAZ: Ativista pela paz, John Lennon compôs dois hinos atemporais. O primeiro deles, Give Peace a Chance, foi escrito em 1969 durante seu protesto Bed-ins For Peace. John tinha acabado de se casar com Yoko, em março daquele ano, e aproveitou o interesse da imprensa para falar sobre a paz mundial deitado em um quarto de hotel. A letra simples e direta dizia: “Tudo o que estamos dizendo é para dar uma chance a paz”.

FEMINISMO: Composta por John Lennon e Yoko Ono dois anos após o fim dos Beatles, Woman Is the Nigger of the World causou bastante controvérsia quando foi lançada, em 1972. O casal afirma na letra que a mulher é o negro do mundo, para descrever a subserviência e a misoginia a que as mulheres são submetidas em qualquer lugar.

RELIGIÃO: Em God, mais uma música que causou polêmica, John Lennon tocou no sensível tema da religião, em que descreve Deus como um “conceito pelo qual medimos a nossa dor”. Na letra, ele fala que não acredita em I Ching, Bíblia, Jesus, Tarô, Hitler, Kennedy, Buda, Gita, Ioga, Elvis e até nos Beatles. Para em seguida dizer que acredita apenas nele próprio e Yoko Ono. A faixa traz ainda a famosa frase dita quando os Beatles se separaram: “O sonho acabou”.

John Lennon, fundador e vocalista dos Beatles, teve uma morte trágica em 8 de dezembro de 1980, numa segunda-feira, cerca de 22 horas. O músico foi assassinado por Mark David Chapman quando chegava ao Edifício Dakota, prédio no qual morava em Nova York. Foram 5 tiros, quatro acertaram o astro. O porteiro do edifício Dakota, o cubano Pablo Perdomo que tirou o 38 das mãos de Mark David Champman, o assassino de John Lennon, indagou-lhe: “Você sabe o que você fez?”, “Sim, eu matei John Lennon”, respondeu o sujeito que não tentou fugir da cena do crime. Nem ofereceu resistência aos policiais que lhe deram voz de prisão. O assassino foi condenado e pegou prisão perpétua.

Preso em flagrante, Mark Chapman confessou em depoimento o motivo do assassinato, pois ele era fã dos Beatles e considerava John Lennon um ídolo, mas tudo mudou quando começou a praticar a religião de forma séria. Após a mudança, ele passou a se denominar um “cristão renascido”, e passou a odiar as letras dos Beatles, como “God”. Na canção de 1970, o astro afirma não acreditar em Jesus ou na Bíblia, e descreve Deus como um conceito. As letras e declarações do músico, como em 1966 quando Lennon disse que Beatles eram mais populares que Jesus, enfureceram Chapman. Em depoimento, o criminoso falou sobre “God”:

Nos anos 1980, o Dakota, edifício que morava John Lennon tornou-se um dos POINTS turísticos mais badalados de Nova York. A qualquer hora do dia ou da noite, havia curiosos na porta do edifício querendo ver seus moradores ilustres. O Dakota é um prédio com as paredes revestidas em mogno e chão de mármore, sempre foi o lugar que abrigou astros e estrelas como a atriz Judy Garland, o bailarino Rudolf Nureyev e o casal John Lennon e Yoko Ono, que estavam morando lá desde o ano de 1973. Localizado na esquina da rua 72 com a Central Park West, em Manhattan, o Dakota entrou para a histór5ia como o edifício residencial mais famoso do mundo.

John Lennon era casado com Yoko Ono na época do assassinato. Uma das fotos mais marcantes do casal é uma, na qual o músico aparece nu e abraçado na esposa. A imagem icônica fez muito sucesso, e foi tirada no mesmo dia do assassinato. A fotógrafa Annie Leibovitz fez a imagem no apartamento do casal em 8 de dezembro de 1980, e saiu do local as 15:30, horas antes do assassinato de John Lennon na frente da entrada do prédio.