DEU NO JORNAL

Deltan Dallagnol

A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados em 2018

Na última terça-feira (23) blogs petistas revelaram uma informação que tem dado um nó na cabeça da esquerda lulista: a de que Ronnie Lessa, ex-policial militar, acusado de assassinar Marielle Franco, teria afirmado em seu acordo de delação com a Polícia Federal que Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), seria o mandante do crime. A delação de Ronnie Lessa ainda não foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a polícia não confirmou publicamente a informação.

Se a informação for verídica, o que apenas o avanço ou conclusão das investigações poderá comprovar, algumas lições poderão ser tiradas do caso Marielle, que já se arrasta há quase 6 anos sem solução. Embora essas 3 lições possam ser aproveitadas por todos, servem de aprendizado ainda maior para aquele seu colega de esquerda que passou anos perguntando: “quem matou Marielle?”

A primeira lição, e talvez a mais importante, é de que a rápida solução de crimes e a punição efetiva dos criminosos deve ser uma bandeira de todos, da direita e da esquerda. Se for confirmado que Brazão de fato foi quem ordenou a morte de Marielle, é impossível não imaginar que o crime poderia ter sido evitado, já que em março de 2017, quase um ano antes da morte da vereadora, Domingos Brazão havia sido preso pela força-tarefa da operação Lava Jato do Rio de Janeiro, que o investigava pela venda de decisões judiciais.

Nessa mesma operação, foram presos cinco dos sete conselheiros do TCE-RJ, sendo que o sétimo, que era o ex-presidente do tribunal, foi quem fez a delação premiada que entregou os outros cinco por um esquema de corrupção que desviou, segundo a PGR, R$ 35 milhões entre 2006 e 2015. Brazão acabou ficando preso por pouquíssimo tempo e, apesar de afastado do cargo por um período, não foi punido até hoje.

A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra ele e os demais conselheiros em 2019 e até agora, quase 5 anos depois, o STJ não proferiu sentença, falhando no principal propósito do Poder Judiciário, que é o de entregar justiça aos cidadãos em tempo razoável. Esse Judiciário, que fracassou em punir Brazão, é o mesmo que determinou a sua recondução ao cargo de conselheiro do TCE. Sim, a justiça brasileira autorizou o retorno de Brazão ao cargo que ele teria usado para receber subornos.

O leitor mais atento já percebeu aonde quero chegar: se for verdade que Brazão mandou matar Marielle, é possível que ela estivesse viva hoje se tivéssemos uma justiça efetiva, já que a Lava Jato conseguiu chegar em Brazão um ano antes do brutal assassinato de Marielle. Isso também significa que, enquanto a esquerda se ocupava de atacar a Lava Jato por ter revelado a corrupção de seus políticos de estimação como Lula, a operação atuava para proteger a sociedade de criminosos poderosos. Isso poderia ter salvado Marielle, mas a esquerda preferiu destruir a Lava Jato para livrar Lula.

A segunda lição do caso Marielle é sobre a importância da delação premiada, que foi demonizada pela esquerda e seus porta-vozes na imprensa durante toda a Lava Jato. No caso de Marielle, desde a delação de Élcio de Queiroz, parceiro de Ronnie Lessa no assassinato, o que temos visto é ou um silêncio seletivo ou uma comemoração hipócrita de quem criticava as delações da Lava Jato. Na segunda-feira (22), lulistas notórios como André Janones, Guilherme Boulos, Zeca Dirceu e Jandira Feghali festejaram a notícia da delação de Ronnie Lessa com indiretas a Jair Bolsonaro, a quem a esquerda tem associado o crime desde 2018.

O que é inadmissível é a visão da esquerda, que demoniza as delações quando elas atingem seus aliados mas as celebra quando, na visão deles, a delação é instrumentalizada contra seus adversários políticos. A esquerda tem agido assim não só no caso de Marielle, mas também no do tenente-coronel Mauro Cid. Criminosos, sejam de que lado forem, devem ser tratados e responsabilizados de maneira igual, sem seletividade.

A terceira lição pode ser resumida em um clássico ditado, que parece ser essencial relembrar à esquerda: mentira tem perna curta. Por anos, líderes políticos, nomes importantes da esquerda e os blogs sujos do PT fazem acusações sem provas de que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares têm algum tipo de relação com o crime.

Agora, ao serem confrontados com a informação, revelada pelos próprios blogs petistas, de que quem foi apontado como mandante do crime é um antigo cabo eleitoral de Dilma Rousseff, as narrativas da esquerda foram para o espaço, e o feitiço se voltou contra o feiticeiro. O plot twist, que deu um nó na cabeça da esquerda lulista, é digno de Game of Thrones. Ou será que a premiada série sobre a mafiosa Família Soprano seria mais adequada?

Pronto. Agora você já pode enviar este artigo para seu colega esquerdista e perguntar: o que você acha disso?

Um comentário em “CASO MARIELLE: 3 LIÇÕES PARA A ESQUERDA

  1. A sensatez do texto é condizente com a competência de Deltan, vítima da justiça que livrou da cadeia Domingos Brazão e, como diz no texto, reconduziu ao cargo de conselheiro. Quando esse fato ocorreu, a Rede Globo, fez a divulgação da visita de Lessa ao condomínio onde Bolsonaro morava e, apesar de ficar comprovado que ele estava em Brasília nesse dia, buscaram uma ligação entre tal visita e o Bolsonaro. Até o momento, não vi uma linha sequer, um comentário sequer, de qualquer pessoa ligada ao PT sobre essa participação de Brazão. Não há o que dizer e tudo que disseram e alardearam não foi por água abaixo com essa delação. Pronto. A pergunta “quem mandou matar Marielle?” foi respondida. Alguém se habilita a falar sobre o assunto ou vamos esperar o STF anular as provas, a delação, revogar a prisão e mandar a PF investigar a participação de Bolsonaro novamente?

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