CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

E de uma exclamação liberta, ou de uma interrogação prisioneira, processada no querer do poeta, nasce o verso!

Não compreendo, no entanto, o apreço e a dependência abusiva da poesia por Eros. As setas exclamativas que saem do arco do cupido, ferem de amor “o fingidor”. E das tochas indagativas, lançadas por esse menino travesso, emana o fogo impiedoso da paixão.

Daí são consumidos os peitos dos poetas: e haja dor, haja verso e haja sangue…

Mais do que “gosta de apanhar”, a poesia depende das feridas abertas por Eros. E nós, os poetas, consagrados à Deusa Poesia, somos sacrificados aos caprichos desses dois.

3 pensou em ““CAPRICHO DOS DEUSES”

  1. Somos flechadas a todo momento, tanto pelo cupido como pela peripécias e rasteiras que por vezes fere profundamente . Temos a poesia para sanar as dores da vida.

  2. Capricho maravilhoso, Constância.

    Bela e leve é a arte de declamar..

    É incontestável afirmar que, quem declama, dá a voz a alma que tem a poesia..

    Quem ouve a declamação, vivencia cada verso do poeta pois, quem declama externa os sentimentos ali contidos.

    A interpretação vocal, somada aos suaves gestos, dá o tom elegante e sublime daquela mensagem rimada.

    Na reconhecida condição de trovador fuleiro, me atrevi a escrever estas toscas trovas:

    A poesia assim, declamada
    Ecoa e se aloja lá no pensamento
    Quietinha… fica tão bem guardada
    Lá no potinho, do nosso sentimento

    Na voz do declamador
    A poesia transpira
    As rimas se enchem de amor
    Parece até que respira

    Declamas em versos e trovas
    A lua e o sol que encandeia
    A lua, que alumia as alcovas
    O sol, que aquece a nossa aldeia

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