ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

“Dentro dos padrões da técnica conhecida, numa região subdesenvolvida sempre existe deficiente utilização dos fatores de produção. Essa deficiência, sem embargo, não resulta necessariamente de má combinação dos fatores existentes. O mais comum é que resulte da escassez do fator capital. Desperdiça-se um fator – mão-de-obra – porque outro é insuficiente – capital. Entretanto, como é sabido, o capital não é mais do que o trabalho realizado no passado e cujo fruto não foi consumido. Chega-se, assim, à conclusão de que o trabalho é mal utilizado hoje porque o fruto do trabalho realizado ontem foi totalmente consumido. ” Celso Furtado

Fico me policiando para não me tornar um daqueles velhos rabugentos e ranzinzas que conheci ao longo da vida. Só que, diante da realidade que salta aos meus olhos, está tremendamente difícil de evitar o mau humor.

Nosso país está uma grande bosta! Aliás, uma bosta sempre foi. Agora, está simplesmente pior. Muito pior! Pelo andar da carruagem, parece que a diarreia vai continuar desatada e cada vez mais forte. De chicotinho! Com essa estória de Corona Vírus, acabaram de completar a cagada! Pelo que estão aprontando (vide meu artigo da semana passada), parece que vamos afundar na merda cada vez mais e de com força. Vamos aos fatos:

1. Instituto Nacional de Seguridade Social – I.N.S.S.

Este é, muito seguramente, a mãe de todas as cagadas em nosso coprológico país. Um monte de filhos da puta açambarca toda a poupança dos trabalhadores, sofregamente arrecadadas ao longo de décadas, e a torra com tudo que é imbecilidade e roubalheira possível e imaginável. Vide o famigerado “Fundo de Amparo ao Trabalhador” e o “Sistema S”: ambos, grandes sorvedouros de montanhas de nosso dinheiro e amparo de tudo que é político ladrão. Financiam os projetos mais malucos e sem futuro com a grana dos otários. Isso quando não fazem doação para ditaduras amigas, bastando para tal se dizerem “socialistas”. A liberação depende apenas da indicação de um político ladrão (olha o pleonasmo). Surrupia-se assim 36,5% de todos os rendimentos dos trabalhadores. Ao final de uns 40 anos sendo esfolados, são tratados a pontapés, tal qual um cão sarnento, tão logo ousem requerer algum “benefício”. Normalmente recebem uma esmola que mal dá para os remédios necessários às doenças da velhice. Isso, é claro, se não for membro da gangue de carrapatos federais.

Lógico que, se você for um dos filhos da puta graduados do STF, você simula uma incapacidade qualquer, quando faltar apenas DUAS semanas para a sua aposentadoria compulsória, a fim de que não lhe seja descontado nem o Imposto de Renda dos seus nababescos rendimentos. Esta é a versão moderna das 30 moedas de Judas! Uma fraude desabrida e cínica, advinda exatamente de quem deveria ser o exemplo máximo e o guardião da moral em nosso país. Passa, então, a receber ad aeternum a paga da sua canalhice. É, ou não é, um grande filho da puta?

Como diz meu velho pai: “Chamar essa turma de canalha é contraproducente. Eles têm orgulho disso! ”

O rombo atuarial que essa brincadeira acumulou come uma fatia de uns 15% do nosso PIB todos os anos e se prolongará pelos séculos afora, crescendo cada vez mais, já que as novas gerações de trabalhadores são absolutamente insuficientes para arcar com o custo dessa bomba relógio financeira. Assim, o Fundo de Pensão, que deveria ser a grande fonte de acumulação de capital para investimentos, transformou-se num sorvedouro que não dá nem para pagar as aposentadorias miliardárias dos chupins federais e fazer frente aos roubos bilionários.

2. Sistema Bancário Nacional

Paul Getty, que foi um dos homens mais ricos do mundo, dizia que o melhor negócio do mundo era uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor, seria uma empresa de petróleo mal administrada. Errou feio! Falou isso porque não conheceu os bancos brasileiros. Antigamente, os bancos ganhavam rios de dinheiro emprestando o mesmíssimo dinheiro umas dez ou doze vezes. Como faziam isso? Você ia ao banco e depositava um milhão. Seu vizinho, que queria construir uma padaria, ia ao banco e pegava emprestado também um milhão. Só que ele não sacava o dinheiro e levava para casa. Em vez disso, depositava na conta corrente e ia pagando os fornecedores que trabalhavam para construir a padaria. O fornecedor, por sua vez, também depositava na conta corrente e ia pagando os seus funcionários. Que por sua vez, também depositavam na conta corrente…e assim o banco emprestava o mesmo dinheiro quantas vezes quisesse. O negócio era tão bom que tiveram de limitar essa roleta a umas dez ou doze vezes o valor do dinheiro depositado. É o famoso Índice de Basileia. Indica se os bancos são “sólidos” e responsáveis pois, se todos correrem para tirar seu dinheiro do banco ao mesmo tempo, inexoravelmente o banco quebrará, pois empresta a prazo um dinheiro que deve devolver à vista, quando demandado. É sempre um grande risco, mas o governo e o Banco Central estão aí para isso mesmo, né?

Com essa engenharia financeira, os bancos conseguem cobrar juros baixíssimos, de uns 4% ao ano e mesmo assim, arcar com todos os custos da sua estrutura e ainda dar bons lucros aos acionistas. Só que isso só funciona nos países minimamente decentes. Países em que o volume de patifes e canalhas, eternamente mamando nas gordas tetas estatais, seja tão avassalador quanto o nosso, não funciona.

Por aqui, os bancos fazem a mesma roleta E COBRAM JUROS QUE VARIA DE 3% A 15% AO MÊS. Tudo isso porque a inadimplência é altíssima e a cobrança de dívidas é absolutamente impossível, na forma da lei. Assim, para compensar o risco altíssimo e a cobrança improvável, TOME JUROS! Com isso, o volume de alavancagem financeira da nossa população é baixíssimo. A rigor, um dos mais baixos do mundo. Estamos no mesmo patamar que a China antes do capitalismo chegar por aquelas bandas, depois de Deng Xiao Ping chegar ao poder, em 1979. A sacada de gênio do maquiavélico governo de Lula foi criar um tipo de empréstimo que TEM QUE SER PAGO, independente das leis e da justiça de merda que nós temos: O famoso consignado. O dinheiro é debitado diretamente dos pagamentos que o governo faz ao indivíduo. Como mais da metade da população vive de esmolas estatais, aposentados inclusive, foi uma verdadeira mão na roda.

NUNCA, NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, TANTOS PAGARAM TANTOS JUROS A TÃO POUCOS.

Assim, os bancos estão entupidos de dinheiro, mas sem poder emprestar, já que nossa população todinha está no SERASA e devendo até as cuecas. Já o governo, mesmo arrecadando 40% do PIB, gasta sempre mais do que arrecada e acumula uma dívida equivalente a sua arrecadação bruta de dois anos. Por isso, o grande negócio dos bancos, no Brasil, é emprestar ao governo. O juro é pequeno, mas garantido. Mesmo assim, os juros da sua dívida monstruosa comem metade de tudo o que o governo arrecada. Não sobra nada para investimentos.

Esta é a razão pela qual os bancos brasileiros apresentam os melhores índices de Basileia do mundo e, mesmo assim, geram volumes assombrosos de lucros anuais. O rombo infinito do governo é quem paga a conta.

Aí, chegamos à citação de Celso Furtado: O Brasil é pobre, e continuará pobre eternamente, porque gasta toda sua poupança pagando aposentadorias exorbitantes aos nababos federais, junto com os juros de um débito governamental que está engolindo o país e dando esmolas a milhões de vagabundos analfabetos, de forma a manter a corja no poder. Por isso que nosso investimento é tão baixo. Vai acumular capital como, nessa esbórnia?

Existem diferentes formas de acumulação de capital. Dentre outras, poderíamos citar as seguintes:

a. Forma mais comumente associada ao capital: Dinheiro, ações, depósitos à vista, aplicações financeiras, etc.

b. Patrimônio Físico: Imóveis, fábricas, máquinas e equipamentos, estradas, toda propriedade física adquirida ou construída com dinheiro.

c. Patrimônio Natural: representado por florestas, montanhas, rios, praias, mangues, lagos, minérios, etc. São dádivas divinas e, neste aspecto, o Brasil é absolutamente privilegiado.

d. Patrimônio HUMANO: Tão importante que fiz questão de colocá-lo em letras maiúscula. É o capital que foi investido na educação e no desenvolvimento das pessoas, de modo a gerar cidadãos responsáveis, pacíficos, ordeiros e trabalhadores, a par com um preparo intelectual que lhes propicie alta produtividade e qualidade em tudo o que intentem realizar. Manifesta-se através de baixa criminalidade, ordem e paz social, segurança jurídica e, finalmente, desenvolvimento econômico. É exatamente neste que nós nos lascamos!

O Brasil vive de vender seu patrimônio natural! Faz isso a preço de banana, para ter de que viver. Só não quebrou ainda porque tem minério e soja para exportar de montão. Não agrega valor nenhum a nada.

Quanto ao nosso patrimônio humano, que seria o fator decisivo para qualquer pretensão de desenvolvimento, já foi totalmente dilapidado. Fomos transformados em um país de prostitutas e veados, todos cheios de tatuagens, piercings, brinquinhos nas orelhas, cabelo raspado nas laterais, coque no alto da cabeça e barba desenhada, tudo isso arrematado com uma sesquipedal ignorância, uma imbecilidade acachapante e uma arrogância monumental.

AAAAAARRRRRRRGGGHHHHHH!!!!!!!!

Com essa decadência moral, regredimos de uma situação em que 40% do PIB era fruto de nossa base industrial, para a atual situação em que a indústria representa tão somente 8%, padrão compatível com país de 5ª categoria,

Hoje, a maioria absoluta da população é formada por embrutecidos parasitas de migalhas governamentais, liderados por hordas de bandidos altamente inescrupulosos e cínicos, principalmente aqueles que deveriam ser os luminares de moralidade e da ética. Não é de se estranhar que o patrimônio físico do país esteja sempre à míngua de investimentos que assegurem, pelo menos, a sua manutenção, aliado à dilapidação do capital natural.

Enquanto o povo alemão reconstruiu suas cidades históricas, pedra por pedra, após a guerra, nossas cidades históricas ESTÃO DESMORONANDO! Ostentam apenas farrapos da beleza que tiveram um dia.

Na pisada que vamos, só afundaremos cada vez mais na merda! Só não vê quem não quer. Quem viver, verá!

5 pensou em “CAMADAS SUCESSIVAS DE MERDA

  1. Domingo é um bom dia para aprender. Hoje aprendi que Celso Furtado, que nunca tive vontade de ler, reconhecia a natureza do capital, e expressou isso de forma cristalina:

    “capital não é mais do que o trabalho realizado no passado e cujo fruto não foi consumido”

    Enquanto isso, nove em cada dez universitários brasileiros (que só leram Eduardo Galeano e Márcia Tiburi) juram que capital é uma coisa que o rico tem e o pobre não tem porque o tatatataravô do rico roubou do tatatataravô do pobre.

    Enquanto isso, em uma pesquisa da OCDE sobre os países com o sistema tributário mais complicado, o Brasil ficou em ÚLTIMO! Conseguimos ser piores que Tanzânia, Gana, Mongólia e Egito!

    No ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation, estamos em 144º, atrás do Afeganistão e do Nepal. No ranking da Fraser, estamos um pouco melhor, em 120º.

    Nossa carga tributária sobre pessoas jurídicas é maior que todos os países da OCDE; mas nossos universitários juram que a causa de todos os nossos males é não cobrarmos imposto sobre dividendos.

    Quando percebermos, estaremos todos falando Mandarim e coçando a cabeça tentando descobrir como aconteceu.

    • Sistema tributário? O Brasil ficou em ÚLTIMO! Conseguimos ser piores que Tanzânia, Gana, Mongólia e Egito!

      No ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation, estamos em 144º, atrás do Afeganistão e do Nepal. No ranking da Fraser, estamos um pouco melhor, em 120º.

      Olho para esses números, que se forem acrescidos ao nosso “fantástico desempenho” nos rankings escolares internacionais nos deixam a certeza de continuares para todo o sempre sendo o país do futuro. Que venham os chineses e que se apiedem de Sancho, mandando-o para um campo de reeducação onde possa pelo menos, após 20 horas de trabalhos forçados, acessar alguns minutos o JBF, de XiBerto Ping Ling…

  2. Tudo isso arrematado com uma sesquipedal ignorância, uma imbecilidade acachapante e uma arrogância monumental.

    Nelson Rodrigues, o segundo maior de todos os fubânicos (Millôr foi o primeiro) o aplaudiria de pé.
    Sancho, que na fila de maior em termos fubânicos ocupa discreta posição, o aplaude a cada crônica.

    Mas (estranho mas), quem é mesmo Sancho na fila do pão?

    Quando o leio não consigo deixar de pensar no gigante esmeralda que li desde criança nos gibis da Marvel.

    Quantos Adônis são necessários para fazer desta merda de país algo decente? Alguém se habilita a responder?

    Complemento com overdose de Adail Augusto Agostini, que disse:
    Ah, quantas “marias-vai-com-as-outras” – a engrossar o coral retumbante da “chorumelação”, dos “faniquitos”, dos “ai-ai-ais”, dos “meu-deus-que-eu-não-acho-a-porta”, dos “que-será-de-mim” – nessa procissão lamuriante de “madalenas-arrependidas”, a ecoar os seus lamentos histéricos e permanentes nesse antecipado “vale-de-lágrimas” – pré-anunciado pelos eternos profetas do “fim-do-mundo” e do “bem-que-eu-te-avisei”.

    É de gente de tal calibre que se faz um jbf, que tem em Berto o grau máximo do políticamente incorreto. Avante, fubânicos. Este Brasil precisa dessa gente que solta o verbo, sem medo de dizer PHODDA-SE!!!!!

    Beijão de Sancho no coração de todos.

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