CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

A civilização egípcia antiga, que viveu nas férteis margens do Nilo, especialmente a do período entre 3200 a.C. até 32 a.C. soube tirar proveito da fertilidade do rio.

Aproveitando as cheias do grande Nilo, os egípcios foram criativos. Na agricultura, então, deram show. Importada da Ásia, a cana de açúcar adaptou-se de imediato ao solo egípcio.

Com o domínio da cultura da cana, os egípcios partiram para a fermentação do caldo extraído da gramínea. Inicialmente para curar moléstias. Depois enveredaram para a fabricação da água que pega fogo. A água ardente.

Produzida em quantidade, a aguardente obtida da uva e da cerejeira foi exportada para a Europa e para o Oriente Médio. Depois introduziram a pinga extraída da cana de açúcar. Após a invenção de equipamentos para a fermentação do caldo da cana, os destilados também foram aparecendo mundo afora.

Na Escócia, o whisky, na Itália, o vinho da uva, na Rússia, a vodka de centeio e no Japão, o saquê de arroz. Para não ficar de fora das empreitadas dos destilados, como já dominavam o destilado da uva, os portugueses entram na dança e trazem a cana de açúcar para o Brasil.

Entre 1532 e 1548, os portugas instalam um engenho da Capitania de São Vicente para extrair a garapa da cana. Na época, os engenhos eram conhecidos como casas de cozer méis. No começo, o caldo que recebeu o nome de Cagaça era servido apenas para os escravos, posteriormente o nome da fermentação foi oficializado como cachaça.

Devido à importância comercial, a cachaça tornou-se moeda corrente. Servia para comprar escravos na África. De repente, os engenhos se espalharam pelo país. Dos 192 engenhos em funcionamento em 1585, o número passou para 349, no ano de 1629.

A cachaça nada mais é do que o caldo de cana fermentado e destilado. No processo de fermentação, o caldo é invadido por microrganismos conhecidos por leveduras. Os microrganismos transformam o açúcar da garapa aquecido em álcool.

É claro que existem diversos relatos sobre a origem da cachaça no Brasil. Um dia, cansados de tanto fabricar açúcar, os escravos do engenho resolveram parar um instante para o natural descanso. Enquanto descansavam, observavam que depois de passar pela tubulação do alambique, a garapa ou caldo de cana fermentava se transformando em vapores.

Na fermentação, na medida em que a temperatura variava, o caldo se evaporava e condensava. Neste processo, no teto do engenho formavam pingos de cachaça, que caiam. Daí o nome pinga dado à cachaça.

Alambique é um equipamento utilizado na produção de bebidas alcoólicas. Então, com a instalação do aparelho de destilaria foram surgindo ideias. Durante a passagem pela serpentina do alambique, o álcool se condensa e quando esfria, passa a pingar. O líquido obtido das primeiras pingadas é muito forte, geralmente causa problemas estomacais. É a chamada cachaça de cabeça, obtida de apenas 10% da condensação. Quem toma a cachaça de cabeça, sente o gole queimando, enquanto desce goela abaixo.

Quando o caldo de cana fervia, fazia subir à superfície uma espuma. Essa primeira espumada, era distribuía aos animais. A segunda espuma que aparecia no lado de cima do tacho, também de baixa qualidade, era destinada aos escravos.

Estudioso do tema, o historiador Câmara Cascudo logo deduziu. “onde moi um engenho, destila um alambique”. Segundo o historiador, foi em São Vicente, São Paulo, no Engenho São Jorge dos Erasmos que travaram a primeira experiência com a cachaça, no ano de 1532. Na oportunidade, misturaram espuma, melaço e água.

Tá na cara que o brasileiro é chegado a uma branquinha. Motivos, não faltam. A lista da curtição é extensa. Por lazer, esquentar o frio, curtir o momento, gostar de bicadas, beber por tradição ou sorver uns tragos no balcão para estreitar amizades de botequins.

Todavia, o prazer de beber uma pinga da boa virou paixão nacional. A “preciosa” é boa companheira nos instantes de divagação. Esquenta o ânimo, desinibe o tomador da “branquinha”

Na verdade, o destilado é apreciado por ter um gosto deferente. Ser o par perfeito para casar com qualquer tipo de tira gosto e, especialmente, por ser bem baratinho. O preço de uma talagada de cana não pesa no bolso de ninguém. Por isso, a “gengibirra” cai no gosto do povo. A cachaça é limpa. A “birita”, outro dos apelidos, é obtida quando se aproveita justamente a fermentação e a destilação do caldo de cana ou do melaço.

Realmente, produzir cachaça no Brasil é um bom negócio. Existem dois tipos de produção da cachaça. A artesanal e a industrial.

A artesanal, mesmo não dispondo de boas condições de produção e de padrão de qualidade, os apreciadores a qualificam como a de melhor sabor, graças ao alambique de cobre que é utilizado na produção.

A cachaça artesanal gera mais de 500 mil empregos. Minas Gerais lidera a produção nacional, enquanto a Paraíba é a campeã no Nordeste na produção de cachaça de alambique.

A cachaça industrial é destinada a um público de melhor poder aquisitivo. Por ser produzida por máquinas, tem padronização e fermentação, incrementada por produtos químicos. Em 2019, o Brasil exportou cachaça industrial para 167 países. Faturou US$ 14,4 milhões.

O título de estados mais produtores de cachaça no Brasil são Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.

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