BUSCANDO A LONGEVIDADE

Remonta aos primórdios da civilização a incansável procura pelo segredo da longevidade. Segundo registros históricos, no Egito Antigo, Cleópatra, a Rainha do Nilo, já se banhava numa tina abastecida com uma mistura de leite, mel e pétalas de rosas, para hidratar e preservar a maciez da pele. Isso, para manter-se sempre bonita e sensual.

A fonte da eterna juventude nunca foi encontrada, porém, o fato de modo algum foi empecilho para que o homem mantivesse viva a fantasia da imorredoura mocidade. Embora seja impossível frear a marcha do calendário, a medicina deu saltos enormes para retardar o envelhecimento.

Apelidávamos de idosos pessoas na casa dos 50 anos de vida. Hoje, ninguém chama de velho alguém com 70 anos de idade, antes de conhecer suas habilidades decorrentes de caminhadas, exercícios físicos e prática de esportes. Uma soma de fatores positivos permitiu alcançarmos enorme avanço nas condições e na qualidade de vida do homem moderno.

A descoberta das vacinas, a invenção dos antibióticos e a melhoria nas condições sanitárias, foram alguns dos responsáveis pela adição de anos na expectativa de vida das pessoas.

Dados estatísticos revelam que, nas últimas quatro décadas, o ciclo de vida do brasileiro aumentou em 11 anos. Doenças crônicas do coração e dos pulmões, assim como as artrites aparecem, na atualidade, entre 10 e 15 anos depois do que ocorriam em gerações passadas. Os cinquentões de hoje, são os sessentões de ontem.

Com essas conquistas o próprio conceito de velhice foi reformulado. Não se imagina agora um sessentão se aposentar, para se acomodar num sofá e usufruir o restante dos dias de sua vida, aboletado diante da tela de um televisor. É improvável isso acontecer, porque o idoso de hoje prima pela boa saúde e encontra disposição para enfrentar desafios. Acomodar-se, jamais.

Esse trololó surgiu por conta de pedido de um amigo morador do sudeste brasileiro. Rugas renitentes teimavam em abandonar o rosto de boneca de sua amada esposa. Ela então exigiu do marido a “fórmula mágica da estação” para manter intata sua aparente juventude. Acontece de o placebo ter habitat, nome, origem animal e rigorosa fiscalização quanto a sua obtenção.

Tartaruga Tracajá

O amigo, sem jeito e envergonhado, apelou para eu lhe arranjar uma porção da gordura do dito animal. Tratava-se de um réptil ovíparo protegido da extinção por inúmeros órgãos de preservação ambiental daqui e doutras nações, chamado tracajá. Mesmo surpreso disse-lhe que veria o que poderia fazer para lhe atender.

Fiquei diante de um dilema aparentemente insolúvel. Devia atenções ao amigo e achava-me na obrigação de considerar o seu pedido. Todavia, nem em sonho tentaria obter gordura de nenhuma espécie de tartaruga, fosse cágado, jabuti, tracajá ou qualquer outro membro da família dos quelônios.

A solução seria recorrer a algo parecido à dita gordura, já que nenhum de nós dois tinha conhecimento nem da aparência nem da consistência de tal placebo. Já me sentindo aliviado por sair da agrura, eis que de repente, do nada, deu-se o estalo:

– Esperem! E se na gordura da tartaruga tracajá estiver, realmente, a eterna fonte da juventude? Não custaria nada experimentar, né!

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