JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

Bastou o presidente Bolsonaro afirmar não financiar filmes como Bruna Surfistinha com dinheiro público, para os olhares se voltarem, novamente, para Raquel Pacheco e a sua história de vida.

A paulista de Sorocaba, agora com 35 anos de idade, suou bastante trabalhando na profissão mais antiga da humanidade, porém, deu-se bem entre as mulheres de vida fácil – ou será vida difícil? Divulgando o seu trabalho e contando com a curiosidade pública pôde tirar proveito da fama, comercializando suas atividades laborativas.

Agindo assim protagonizou filmes pornográficos e produziu roteiros, participou de reality show, foi entrevistada no programa Jô Soares, atuou como disc jockey e como escritora, até conseguir ser notícia no New York Times.

Não tenho conhecimento se já lhe atribuíram rótulos depreciativos, escrachados ou maldosos, mas o que ninguém pode dissociar dela é o aguçado senso de oportunidade e a coragem de se expor ao ridículo e ao preconceito contra o seu trabalho.

O sucesso começou, em 2005, ao postar em um blog suas peripécias amorosas como garota de programa no cotidiano da prostituição. Nele, tal qual o diário de uma adolescente, a jovem discorria sobre costumes e preferencias de seus parceiros de cama, o que aumentou o número de visitas ao site.

A página ganhou popularidade na internet e a tornou uma celebridade. Aproveitando o embalo da fama decorrente de seu blog, Raquel lançou o livro “O Doce Veneno do Escorpião – O diário de uma garota de programa”. Os picos de vendagens abriram-lhe espaço para publicar, em 2006, “O que aprendi com Bruna Surfistinha”, o segundo livro.

“Na cama com Bruna Surfistinha” foi o terceiro, em 2007, destinado exclusivamente ao público adulto – dá para imaginar o conteúdo, né! Não li nenhum dos três, mas assisti ao filme “Bruna Surfistinha”, subvencionado pela Ancine, até então ligada ao Ministério da Cultura. Sucesso estrondoso de bilheteria.

Agora, mulher experiente e bem-sucedida na vida, Raquel não perde oportunidade de ser notícia para não cair no esquecimento público, embora afiance querer voltar para o anonimato. Pois sim! Seus vídeos pornôs continuam na internet e não deixam dúvidas de que dominava bem a profissão, tamanho a sua desenvoltura.

No programa “A máquina” da TV Gazeta, ela deixou escapar esta polêmica declaração: “Eu comecei a me masturbar entre os cinco e seis anos. No programa Rá-Tim-Bum – exibido pela TV Cultura entre 1989 e 1992 – passava uns meninos pelados tomando banho e eu ficava sentada na madeira da cama, assistindo e me masturbando”.

Raquel é favorável à prostituição legalizada. Numa colocação digna de psicólogo-sexólogo ou de conselheiro matrimonial, afirma: “O que a mulher não faz em casa, o homem procura fora!”.

Tratar de sexo abertamente e com seriedade é saudável e necessário. O conhecimento de suas peculiaridades controlará excessos e eliminará preconceitos. Já disseram que “O sexo é chama indispensável quando somente aquece a paixão. Complica tudo quando incendeia a razão e se torna o ópio da vida, a fera que o ser humano não pode domar”.

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