XICO COM X, BIZERRA COM I

Neto é aquela criaturinha que faz o olho da gente brilhar, quando ele chega por perto com seu sorriso moleque e sotaque de anjo. Ele pede o que quase não pode e a gente dá mesmo sabendo do quase não dever dar. Aquele bombom que maltrata os dentes, aquele chocolate ou até, crime maior, um pouquinho de coca cola, tudo escondido do pai e da mãe. Tudo dentro daquele Contrato de Cumplicidade que em seu artigo primeiro diz: ‘Não revelar aos Pais nada do errado que seu avô comete’. Até porque quando eles forem avós farão o mesmo com os filhos do meu neto. Parece que estou vendo. A gente ensina a paz, mas não resiste a uma luta de espada imaginária entre dois super-heróis, ele e eu. Doces encargos do avô. Esse homem de cabelos brancos nunca cansa de ver o mesmo filminho, repetidas vezes, sabendo o final tanto quanto o neto que lhe obriga a isso. Mas, se ele gosta, é bom ver aquele mesmo filminho, repetidas vezes, sabendo o final tanto quanto ele. Contar histórias é outra tarefa própria dos avós. E a gente conta uma, duas, três, dez vezes a mesma história. Não sei qual dos olhos brilha mais, se o nosso ou o dele. Certo mesmo é que quando ele reconta para nós a história que contamos, é nosso olho que brilha mais. E o avô ri grande que nem menino pequeno. De alegria porque percebe que ele assimilou direitinho os conceitos de união, paz, amizade, amor que a gente tentou passar nas histórias que a gente contou. E aí, inevitável, uma lágrima molha o brilho do olhar de avô. São 7 anos e ele continua, cada vez mais, a inventar cheiros para o meu jardim. Como não me plantar num inverno de alegrias para florar risos no meu olhar de avô? Salve Bernardo, que me dá a alegria de ser avô. Feliz 7 anos, meu amiguinho/amigão, meu imenso companheiro. São 2555 dias inventando cheiros no meu pé de alegrias.

3 pensou em “BRILHO NO OLHAR DO AVÔ – 7 anos de Bernardo (07.10.2020)

  1. Xico,

    Você foi grandioso!

    Tocou fundo na consciência de cada avô. E avô é pra ter consciência coisa nenhuma!!!…

    Avôs, sabemos, têm que ser coniventes porque somos “os pais com açúcar”, como diria Dr. Pedro Bloc.

    Todas as facilidades com os netos são possíveis, senão, nada valeria ser avô.

    Temos a autoridade para as permissões. Nós temos tudo pára conceder o muito que nossos pequeninos desejam.

    Vivi as cenas com emoção renovada. Você traduziu as minhas aparentes “culpas” diante das besteiras que eu deixei que eles fizessem e até facilitei misérias para eles experimentarem..

    Mas, quando os avôs recebem esse diploma, junto já estão as ilimitadas concessões que eles podem fazer Tudo nos foi dado por Deus, que criou nossa classe.

    Também sou avô, não de um Bernardo, mas de 11; e de quebra, 12 bisnetos.

    Deu inveja, foi?

    Um abração de seu leitor e admirador,

    Carlos Eduardo

  2. Só tenho 2, meu caro ‘colega’ Carlos Eduardo. Bernardo e Vinícius. Aliás, 2 e meio: em maio chega o terceiro. Mas ‘tô longe de ’empatar’ com vosmecê. Invejo-o por isso, inveja da boa. Abraco

  3. Lindo, Xico!

    O amor de avô tem de ser eterno!

    Bernardo é uma das suas razões de viver e ser feliz!

    Vinícius é a outra eternidade dos avós!

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