A PALAVRA DO EDITOR

O deputado federal Daniel Silveira não cometeu nenhum crime inafiançável, e muito menos em flagrante. Não cometeu crime inafiançável porque não torturou ninguém, não traficou drogas e não participou de nenhum ato terrorista. Não praticou qualquer ação armada contra a ordem legal, nem fez algum gesto racista. Não cometeu latrocínio, nem extorsão sob ameaça de morte, nem sequestro. Não estuprou, nem atentou contra o pudor. Não envenenou água potável. Não fez tentativa de genocídio. Em suma: não é autor de nenhum dos crimes que a lei relaciona como inafiançáveis, e que permitiriam a prisão em flagrante de um deputado – que tem, de qualquer jeito, de ser aprovada pela Câmara como acabou sendo, e por vasta maioria. É a única maneira de se prender um deputado no Brasil – não há outra.

Isso é o que está escrito no artigo 53 da Constituição Federal, mas, no Brasil-2021, o que vale não é o que está escrito na Constituição, e sim o que está na cabeça dos 11 ministros do STF. Para eles, um vídeo em que o deputado detona uma carga concentrada de desaforos contra o STF é um “crime inafiançável”. E por que o flagrante, já que ele não foi detido pela polícia enquanto estava gravando? Os ministros apresentaram sua doutrina a respeito: um vídeo de internet é uma espécie de “flagrante perpétuo”, que não pode mais ser desmanchado depois que foi feita a gravação. O produtor do filme …E o Vento Levou, por exemplo, poderia ser preso em flagrante se o STF julgasse que ele cometeu algum crime – racismo, talvez – na sua obra? O filme é de 1939, mas, se o flagrante é perpétuo, a “flagrância”, como dizem os juristas, teria de durar para sempre, não é mesmo? Eis aí onde estamos.

O que o deputado fez, na frente de todo mundo, foi um dos destampatórios mais primitivos jamais registrados na longa história de calamidades do Congresso Nacional, com ataques aos ministros e elogios ao AI-5 do regime militar. Mas, foi um discurso, e não outra coisa – quer dizer, palavrório e xingação de mãe, mas sem nenhum ato concreto ligado a nada do que disse. É o que se chama no dicionário de “opinião” – no caso, opinião grosseira e da pior qualidade. Mas grosseria não é crime, e sim falta de educação. A lei também não obriga ninguém a ter opiniões de boa qualidade, nem proíbe que um cidadão goste do AI-5; muita gente gosta, aliás. É motivo suficiente, isso sim, para o deputado receber da Comissão de Ética e do plenário da Câmara as punições mais pesadas que a lei permite: suspensão ou cassação do mandato, caso os colegas considerem que Silveira violou os seus deveres como parlamentar. É, por sinal, o que parte deles já está organizando.

O STF, se a “separação de poderes” valesse alguma coisa – e os fatos mostram que ela está valendo cada vez menos -, não teria de prender ninguém, e sim pedir providências a quem de direito, ou seja, à própria Câmara dos Deputados. É estranho que se comporte, ao mesmo tempo, como vítima, polícia, promotor e juiz. Mais ainda, transforma em grave ameaça à democracia nacional um deputado que não tem liderança nenhuma no seu próprio partido, e muito menos na Câmara, que não chefia ninguém nem comanda organização alguma, armada ou não – um clássico criador de nadas, e não um perigo público que justifique o desrespeito à Constituição para ser contido. O STF age como se estivesse salvando o Brasil do abismo; está apenas rolando na calçada com Daniel Silveira.

Esse tumulto acontece justo na hora em que o mesmo STF devolve o mandato ao senador pego (este sim, em flagrante) com R$ 33 mil escondidos na cueca. Mas aí é caso de ladroagem – e isso, no Brasil de hoje, não é problema.

11 pensou em “BRIGA DE RUA

  1. deputado bundão metido a valentão é um cagão que pediu desculpas pelos ataques e ofensas aos ministrinhos do Supremo. Em vídeo publicado por ele mesmo em rede social. O
    vagaba e frouxo disse que se excedeu e se arrependeu.

    EIS O QUE DISSE O MEGANHA BORRA BOTAS: Assisti meu vídeo várias vezes. Eu não consegui compreender o momento da raiva que ali me encontrava e peço desculpas a todo Brasil porque vi, de várias pessoas, juristas renomados, senhoras senhores, adolescentes, qualquer tipo de classe, que perceberam que me excedi, de fato, na fala. Um momento passional…

    No pronunciamento da carceragem da PF, o MACHÃO ARREPENDIDO pediu desculpas várias vezes pelas “palavras duras” que utilizou e CAGADO DE MEDO afirmou reconhecer a importância do STF. O pilantrão bolsonarista pediu desculpas 4 vezes por vídeo. FALOU O IMBECIL: Assisti ao vídeo três vezes e precisei perceber com calma e cautela que as minhas palavras foram duras. Em momento algum vejo ponto positivo na minha fala. Reconheço e mais uma vez peço desculpas.

    MAIS UMA VEZ FALOU O DEPUTADO CAGÃO E DEFENSOR DO BUNDA SUJA: Já disse que me arrependi. E me arrependi de fato. Não estou sendo demagogo ou hipócrita. Já solicitei aos pares a desculpa, a quem se sentiu ofendido. E também pedi desculpas a todo o povo brasileiro que se ofendeu. fez um apelo aos deputados para que seja libertado. Segundo o tabacudo molenga, o episódio “serviu para amadurecimento”. Não sou bandido, não sou criminoso. Me equivoquei, reconheci. Jamais gostaria de fazê-lo novamente. Serviu para amadurecimento. Apelo para que votem pela minha soltura porque não sou criminoso.

    P.S.: – RESUMO DA ÓPERA : CAGÃO!!!

  2. O Deputado Daniel falou merda? Sim.

    Arregou depois? Também.

    O Deputado é um defensor do Bolsonaro? Se fosse não teria feito a merda que fez, de tumultuar o ambiente quando a Câmara estava encaminhando as maiores reformas que este país já passou.

    Jair Bolsonaro, ao não se pronunciar, deixou um “soldado” para trás? “Soldado” que age à revelia do seu Capitão não só tem que ser deixado para trás, como tem que ser punido.

    Quer dizer que v, João, concorda com a prisão do Deputado? Aí é que está, apesar de toda a merda que ele disse, de ter atrapalhado o governo (acho que tem método nisso), ele tem o direito constitucional (Art.53 CF) de falar o que quiser, quando quiser.

    É difícil ser um democrata quando se tem que defender quem v. não gosta.

  3. O deputado em questão é tão burro que pediu o AI-5 e quando foi preso, invocou a liberdade de expressão. Ora, o AI-5 suprimiu expressamente essa liberdade. É um nazifascista e merece a cassação.

  4. Parece-me que o deputado seguiu a risca o que diz a constituição inacabada.Outros também seguem a risca o tal modelo ,entretanto nada lhes tira tal direito. É uma questão de lado, por isto na pesquisa votei por “um dia normal em banânia” . É preciso ter cuidado com a lei . Principalmente com uma : A Lei do Retorno .

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