ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

O homem, como ser social, desempenha, ao longo de sua vida, vários papéis a partir de construções sociais idealizadas pela sociedade em que está inserido. Ele apreende essas condutas e vai se organizar segundo suas necessidades, motivações e capacidade de resolver os conflitos que surgirem.

A construção do tempo deve transcender a passagem inexorável das horas, dias, meses e anos.Ter lucidez de viver o presente com as experiências do passado e a perspectiva de qualidade de vida futura. O caminho em direção a essa construção é uma conquista a ser alcançada pela tonificação de novo projeto de vida para cada faixa etária, ou seja, respeitar os limites físicos e enfrentar os novos desafios com seu potencial máximo de energia.

Envelhecer depende do delicado equilíbrio entre as limitações e as potencialidades das fases vivenciadas pelo homem durante sua vida. Se no decorrer dessas fases houve um bom desenvolvimento de maturidade pessoal, é possível concluir o ciclo existencial com o refinamento da própria personalidade. A velhice, com sucesso, é condição individual e grupal de bem-estar físico e social no ambiente, consideradas as circunstâncias de história pessoal e de sua geração.

O repentista Odilon Nunes de Sá (1900-1997), um dos mais importantes nomes da poesia popular na Paraíba, deixou de herança uma bela e criativa sextilha sobre a velhice:

Admiro a mocidade
Não querer envelhecer:
Velho ninguém quer ficar,
Moço ninguém que morrer;
Sem ser velho não se vive,
Bom é ser velho e viver.

8 pensou em “BREVE REFLEXÃO SOBRE ENVELHECER

  1. Precisamos aceitar a velhice, olhar isso com generosidade e alegria para ser mais feliz e mais tranquilo. Viver mais é um sonho cada vez mais possível e plenamente alcançável, se nos preocuparmos desde cedo com nossos hábitos de hoje. Ao contrário de pouco tempo atrás, quando já se podia considerar idoso uma pessoa acima dos 50 anos, o estereótipo do velho com uma bengala na mão virou coisa do passado. Os idosos de hoje estão vivendo intensamente seus dias, usufruindo muitas coisas que antes seriam privilégios dos mais jovens. O artigo me tocou porque já estou encaminhando para a melhor idade. Saliento que a sextilha de Odilon Nunes de Sá (1900-19970 é plena de sabedoria.

  2. Vitorino,

    Grato por seu excelente comentário sobre um tema que as pessoas não costumam refletir. Concordo com seus argumentos, principalmente, sobre a necessidade de se preocupar desde cedo com os hábios de hoje. Aproveito a oportunidade para compartilhar um texto de autoria desconhecida com o prezado amigo:

    O VELHO E O IDOSO

    O idoso se renova a cada dia que começa, o velho se acaba a cada noite que termina.
    Enquanto o idoso tem seus olhos postos no horizonte de onde desponta o sol que ilumina a esperança, o velho tem sua miopia voltada para as sombras do passado.
    O idoso tem planos, o velho tem saudades.
    O idoso curte o que lhe resta da vida,o velho sofre o que o aproxima da morte.
    O idoso leva uma vida ativa, cheia de projetos e preenche de esperanças, para o velho as horas se arrastam destituídas de sentido; suas rugas são feias porque foram vincadas pela amargura, ao passo que as do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso e pela alegria de viver!

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. Parabéns pela perfeição do texto, prezado Aristeu Bezerra!
    Saber envelhecer é uma arte…Devemos ter cuidado para que a velhice não nos enrugue mais o espírito do que o rosto,
    “Um homem não está velho, até que comece a se lastimar em vez de sonhar.”…

    Gostei muito da sextilha sobre a velhice, do repentista paraibano Odilon Nunes de Sá. Muito inteligente e verdadeira. Realmente, “Velho ninguém quer ficar,..
    Moço ninguém que morrer;..”

    Grande abraço e uma ótima semana!

    Violante Pimentel Natal (RN)

    • Inspiradíssima, como sempre e particularmente hoje a Violante. Palavras dela: Saber envelhecer é uma arte…Devemos ter cuidado para que a velhice não nos enrugue mais o espírito do que o rosto,
      “Um homem não está velho, até que comece a se lastimar em vez de sonhar.”…

      O sonhador Sancho segue lendo Aristeu, um Ari que é muito NOSSO.

      Abração sanchiano para Arisnosso, Viturino e Violante.

      • Sancho Pança,

        É gratificante receber seu formidável comentário. Grato por sua generosidade a Violante, Vitorino e a minha pessoa. Tenho uma grande admiração por poesia, então aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar um poema do poeta gaúcho Mário Quintana com o prezado amigo:

        SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

        A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
        Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
        Quando se vê, já é 6ª-feira…
        Quando se vê, passaram 60 anos…
        Agora, é tarde demais para ser reprovado…
        E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
        eu nem olhava o relógio
        seguia sempre, sempre em frente…

        E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

        (Mário Quintana, em Nariz de vidro.)

        Saudações fraternas,

        Aristeu

      • Obrigada pelo carinho, com que se referiu a mim, prezado Sancho Pança!
        “Nunca desista dos seus sonhos”, pois a velhice é um estado de espírito! Sejamos sempre jovens!!!

        Grande abraço, amigo!

    • Violante,

      O seu valioso comentário complementou o meu artigo. Você tem o talento de escrever de forma simples objetiva, coerente, clara e interessante.
      Quanto ao envelhecimento, temos que agradecer pela oportunidade de fazer aniversário, pois graças a ele, cada dia podemos compartilhar momentos com aquelas pessoas que mais gostamos, podemos desfrutar dos prazeres da vida, desenhar sorrisos e construir com nossa presença um mundo melhor.
      Compartilho um poema breve que este artigo me inspirou com a prezada amiga:

      VIVER BEM SEMPRE

      Cada ciclo da vida
      Pode ter qualidade
      Cuide bem da saúde
      Cultive amizade
      Quem possui sabedoria
      Sabe usar a energia
      Vive bem toda idade.

      Um final de semana pleno de paz, saúde e alegria

      Aristeu

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