A PALAVRA DO EDITOR

Há muito, muito tempo, quando era presidente o amado e aclamado Juscelino Kubitscheck, mineiro, pé-de-valsa, simpático, sorridente e construtor de Brasília, anos sessenta, se não me engana a memória, foi nessa época que fizemos a aquisição de um belo porta-aviões.

Juca Chaves, o pardo, ou bardo, também me falha a lembrança, deitou e rolou com suas modinhas críticas, que logo caíam no gosto e na boca do povo.

Uma das músicas falava do “presidente bossa-nova”: “Bossa-nova mesmo é ser presidente”… (veja no YouTube clicando aqui).

Mas eu quero falar da outra, sucesso absoluto, que dizia: “Brasil já vai à guerra, comprou porta-aviões”.

Era uma sacanagem, que criticava o gasto e, a seu ver (do Juca), desnecessário, pois não havia o menor sinal de guerra no horizonte que pudesse envolver o Brasil e justificar o reforço bélico.

O tempo passa, o tempo voa, estamos aqui, uns cinqüenta anos depois, prontos para a batalha.

Quem sabe, o porta-aviões, se ainda ativo, servirá para massacrarmos nossos irmãos venezuelanos.

Juca precisava fazer novas modinhas – a não ser que seja eleitor do Messias – para que tentemos rir das patacadas desastrosas do momento do nosso País, quando pretendemos invadir, de mãos dadas com os Estados Unidos, nossa vizinha Venezuela.

Fazê-lo, ou mesmo imaginar essa possibilidade, deveria ser um crime – crime de irresponsabilidade.

Somos a América do Sul. Por aqui, tivemos governos à esquerda e à direita, ao centro e a mais ou menos uma coisa ou outra, e nunca um presidente dos Estados Unidos teve a audácia e a cachimônia de ameaçar pôr por aqui suas botas!

Se ousasse ameaçar fazê-lo, declararíamos, todos juntos, inclusive a Venezuela, nossa união incondicional contra os poderosos americanos do Norte – e não pensem que necessariamente perderíamos, lembremos do exemplo do Vietnã.

Mas, se perdêssemos, seríamos subjugados com honra e dignidade.

Mas agora, somos outra gente, elegemos o presidente da subserviência e abaixamos as calças fazendo continência para o poderio morte-americano: Boca de forno, faremos tudo que Mr. Tramp mandar.

Segundo Jair Bolsonaro, vamos supor que haja uma invasão da Venezuela, a decisão será dele, ele mesmo o disse.

Transparece dessa suposição que, caso haja a invasão pelos norte-americanos, Jair Bolsonaro poderá – e é quase certo que o faria – ir à guerra contra a Venezuela!

Leio e interpreto suas palavras, por isso deixo de lado as aspas.

Jair Bolsonaro disse, nas linhas e entrelinhas, o seguinte: – A decisão de participar da invasão será minha, que, na qualidade de presidente da república, antes de invadir vou ouvir o Conselho de Defesa Nacional e depois o Parlamento Brasileiro para tomar a decisão de fato, de invadir.

A simples possibilidade aventada pelo presidente de decidir invadir a Venezuela, ainda que, antes, submetendo o assunto à por ele esperada cumplicidade do Conselho de Defesa Nacional e do Parlamento, é suficiente para que seu afastamento seja imediatamente cogitado e executado.

Se não estamos vivendo sob um governo de loucos e de burros, ou de burros malucos, alguém me acorde!

Sei que Bolsonaro não terminará o governo – renunciará ou será deposto.

Seja qual for a opção, que se faça rápido, antes que nos enterremos até o pescoço em suas idéias absurdas, estapafúrdias e perigosas.

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