GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Meus leitores podem testemunhar que no espaço da minha coluna não ataco Bolsonaro, não jogo pedras em seu governo, não falo mal dos filhos dele nem escarneço dos seus ministros.

Acho Bolsonaro tosco.

Alguém disse que esse é um governo de malucos e eu estou bem quieto.

O que penso?

Temos a Família, Tradição e Propriedade no governo.

Uma TFP com seus valores, atualizados e nem por isso melhores do que os do Plínio Corrêa de Oliveira.

A versão atual mistura aquela antiga TFP com a, digamos assim, “filosofia”, ou ideologia do chamado guru do Olavo de Carvalho, acrescentando a tudo isso uma pitada da misturada de idéias pseudo-conservadoras do clã, no caso o núcleo político formado pelo patriarca Jair Messias e os três filhos alojados em diversas fases do legislativo nacional.

– Oquei, parodio, mas muitos desconhecem o que é esse negócio de TFP e mesmo com a atualidade da vigência (eu não diria vigor) do Olavismo, ou Carvalhismo, suas idéias não se apresentam com a clareza necessária à compreensão mediana dos seus propósitos.

Pois bem, vamos entender.

A Tradição, Família e Propriedade (TFP), no Brasil registrada como Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, é uma organização civil de inspiração católica tradicionalista fundada primeiramente no Brasil em 1960 pelo professor catedrático, deputado federal Constituinte em 1934, escritor e jornalista católico paulista Plinio Corrêa de Oliveira. Ela é pautada na tradição católica e no combate às ideias maçônicas, socialistas e comunistas. A sociedade baseia-se na obra “Revolução e Contra-Revolução” e propõe uma vigorosa reação (Contra-Revolução) com base no amor à ordem cristã e na aversão à desordem (Revolução).

Seria pouco se fosse só isso: juntados os elementos mencionados, pegue uma dose de entreguismo bajulatório do Brasil aos Estados Unidos, que muitos elegeram Roberto Campos, ou Bob Fields, injusta ou injustamente, como seu ícone, e temos a receita de bolo.]

Acrescente o fermento das redes sociais – as retrógradas – leve ao forno e espere inchar.

Pois, eu dizia, recorro ao testemunho unânime para afirmar que estou aqui, fingindo de morto, e a razão é simples.

Por incrível que pareça pode “dar certo”, na medida em que dar certo represente uma série de soluções que dêem resultados.

O que quero dizer com isso é o seguinte, que darei apenas como exemplo: Pense em uma empresa cujo objetivo é dar lucro. Ela pode conseguir esse fim por variados métodos, como incrementando as vendas por medidas de publicidade, melhoria dos produtos, políticas de preços, redução de gastos e de desperdícios na produção e muitas outras que geram melhoria dos ganhos.

Também pode conseguir lucros despedindo empregados, “enxugando a máquina”, segurando salários, diminuindo benefícios sociais e, até, criminosamente, matando impostos, se me compreendem.

Ontem mesmo os noticiosos anunciavam com orgulho que a Bolsa de Valores atingiu uma pontuação recorde.

Então, é isso.

O governo Bolsonaro pode dar certo: uma das medidas defendidas por certos setores da economia, certamente os patronais, é o corte das vantagens que os trabalhadores conseguiram acumular ao longo de décadas, como licenças, férias integrais, auxílio transporte e alimentação, plano de saúde, horas extras, décimo-terceiro, melhores condições de aposentadoria e o escambau.

Acabe com tudo isso, ou diminua e crie dificuldades, e o capital floresce. Quanto menos encargos o capital sofre mais ele brilha, se expande, o que gera empregos, consumo, incremento da classe média e tantas coisas boas.

O pano de fundo é uma sociedade babaca de felizes Forrest Gumps.

É por isso que estou aqui no meu canto, esperando para ver “dar certo”.

Não foi o que pediram?

Então, toma!

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