BOLSONARO OU BRANCALEONE

Vou repetir aqui o que escrevi no texto da semana passada: O Presidente e seus filhos precisam entender bem que o povo não quer a cabeça de Lulla numa estaca, queremos o crescimento econômico e a queda do desemprego. É isto que disse Janaína Pascoal – Matéria de O Antagonista 27/03/2019: “Deixem 64 em 64 – Ontem, fui muito criticada, em Plenário, em razão de ter defendido a necessidade de o Brasil virar a página. Sabendo que desagrado gregos e troianos, insisto: Deixem 64 em 64! Temos 2019 e diante para cuidar! É preciso dar um passo adiante! Se o Governo e seus apoiadores não saírem de 64, não pararem de se pautar pelo que fez, falou e fala o pessoal do PT, o país estará fadado ao fracasso! Todos perderemos!”

O Presidente Bolsonaro parece estar querendo criar a Comissão da Verdade versão direita volver. Se perde em temas inúteis e ultrapassados, como essa comemoração do 31 de março de 64. Lembra Brizola quando criou o feriado do Dia de Zumbi, que agora é o Dia da Consciência Negra. Mais uma inutilidade na nossa vida.

Como eleitor do Capitão será que tenho o direito de pedir ao Presidente que leia o seu discurso da vitória de 28/10/2018? Que seja fiel ao que discursou naquele dia tão comemorado pela maioria dos brasileiros que estavam felizes com a saída do esquema corrupto e podre que ocupou o Executivo por tantos anos. Vejam esse trecho do belíssimo discurso lido pelo Capitão no dia da sua eleição: “Acredito na capacidade do povo brasileiro, que trabalha de forma honesta, de que podemos juntos, governo e sociedade, construir um futuro melhor. Este futuro, de que falo e acredito, passa por um governo que cria condições para que todos cresçam. Isso significa que o governo federal dará um passo atrás, reduzindo a sua estrutura e a burocracia, cortando desperdícios e privilégios, para que as pessoas possam dar muitos passos à frente”

Essencial para isso são os projetos enviados ao Congresso pelo Governo Bolsonaro, mas que não estão sendo abraçados pelo Presidente. Como um pai desatento o Capitão prefere ter uma agenda pouco proveitosa, fora do Brasil, do que envolver-se decisivamente com o debate político crítico para a sorte do Brasil. Vamos todos nós 60 milhões de eleitores que escolhemos Bolsonaro, lembra-lo que o Brasil está acima de todos. Para que os brasileiros possam dar muitos passos à frente, como é prometido no seu discurso, é preciso que os Bolsonaros parem com os fuxicos, as mágoas passadas, que sejam conciliadores, ao invés de revanchistas. Estão praticando uma política que não é inteligente. É “rousseffica”.

Conheço bem o Ministro Paulo Guedes e sei que o motivo dele fazer parte desse Governo é, além de colocar as contas públicas em ordem, mudar a mentalidade do brasileiro em relação aos seus deveres e direitos. Não esperar de qualquer nível de governo soluções para suas demandas individuais, e sim condições para vencer os obstáculos. Assim como está escrito neste trecho do brilhante discurso de 28/10: “Nosso governo vai quebrar paradigmas. Vamos confiar nas pessoas. Vamos desburocratizar, simplificar e permitir que o cidadão, o empreendedor, tenha mais liberdade para criar e construir o seu futuro. Vamos desamarrar o Brasil” Ao invés disso, Bolsonaro parece estar criando ancoras no passado.

O Ministro da Economia gostava muito de usar uma analogia entre a ambição do PT pelo governo e seu despreparo para governar, comparando ao filme “O Incrível Exército de Brancaleone”, aquela divertida sátira do cavaleiro medieval e seu esfarrapado exército em busca de um reino. O que não desejamos é que o Governo Bolsonaro se transforme num Exército de Brancaleone e que abandone seu plano de voo inicial. Ou O Presidente entende que para manter Guedes e Moro (os dois selos de qualidade) ele precisa dar sangue, suor e lágrimas pelas reformas, ou ele vira Brancaleone e nós teremos guerra, peste e fome.

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