RODRIGO CONSTANTINO

A nota divulgada pelo presidente Bolsonaro nesta quinta gerou enorme celeuma no país. Do lado dos patriotas que foram às ruas no dia 7 para um lindo espetáculo cívico pedindo liberdade, e que estão indignados com os arbítrios supremos, houve um misto de decepção e revolta inicial. Do lado dos autoritários de esquerda, a reação inicial foi atacar Bolsonaro, chamado de frouxo, tigre de papel, rato.

Minha própria reação foi exacerbada: enxerguei fraqueza no tom excessivamente conciliatório, sugerido por Temer, e cheguei a constatar que era o fim na luta contra o arbítrio do sistema. Nos grupos de bastidores da direita, o sentimento era de frustração e revolta, além de certo desespero: “eles venceram”. Mas nada como um dia após o outro…

Refletindo com mais calma sob vários ângulos, fica mais claro que jornalistas experientes como Augusto Nunes têm um ponto: Bolsonaro pode ter feito uma jogada inteligente. E cá entre nós: a esquerda já saiu da euforia acerca da “covardia” do presidente para a preocupação e até revolta com o “papelão” de Temer na possível pacificação da República. E quando a esquerda não gosta muito de algo, eu já passo a gostar mais!

Falam num acordo costurado por Temer, Ciro Nogueira e Artur Lira, que traga mais harmonia aos poderes. O inquérito ilegal das Fake News, por exemplo, seria transferido para a PGR, seu caminho legal. Entre outros pontos de recuos mútuos. Não vamos esquecer que o principal fator de revolta do lado patriótico é o ativismo de Moraes, que foi indicado ao STF pelo Temer.

Se fui precipitado e injusto em minha reação inicial – e torço muito por isso – volto atrás e assumo o erro sem problema. Nunca tive compromisso com erro. Sigo desconfiado de acordo com esse sistema, mas não sou revolucionário, e sim um liberal com viés conservador. Se houver recuo do lado de lá também, então o Brasil ganha. E meu compromisso é e sempre foi com o povo brasileiro.

A situação colocada pela greve dos caminhoneiros agravou bastante o quadro. Cheguei a criticar os métodos na véspera, alegando que poderia prejudicar o povo, os mais pobres. Tem uma turma do “vai ou racha”, do “tudo ou nada”, que quer ver o circo pegar fogo pois acha que o seu lado leva a melhor na guerra: esquerdistas que apostam na queda de Bolsonaro e bolsonaristas que apostam numa ruptura revolucionária de direita. Esse nunca foi meu perfil, e tentei em diversos momentos alertar para o perigo de levarem o país nessa direção. Ninguém quer uma convulsão social, uma guerra civil.

O que Bolsonaro fez foi acenar para a pacificação, e resta saber o custo dela. Paz na escravidão não serve, e se o arbítrio continuar, haverá caos certamente. Mas há uma possibilidade de mudança de postura. Afinal, Bolsonaro colocou a bola no campo do STF, demonstrou capacidade de ceder, rechaçando a narrativa midiática de que é um golpista. Ele nunca quis fechar o STF, e sim fazê-lo retornar ao seu campo, dentro das quatro linhas da Constituição.

Ninguém sabe ao certo se isso vai mesmo acontecer. Mas se os ministros mais ativistas insistirem em suas ações e falas, ficará mais escancarado ao mundo todo quem de fato acena para o golpismo. Espera-se que o tal acordo tenha sido feito de uma posição de força do presidente, com base na multidão que ele arrastou para as ruas no feriado da Independência. Os veículos de comunicação que agem como partido de oposição ficaram perdidos e sem discurso. Queriam o Bolsonaro “golpista”, da ruptura.

Se houver um recuo de ambos os lados, o Brasil ganha. O sistema é forte demais, poderoso, ainda que podre. Antes da nota do presidente, gravei o podcast da Gazeta e comentei exatamente isso: ninguém pode menosprezar a resiliência dos “monstros do pântano”, que estão aí desde sempre, passando por confisco do Collor, FHC, PT. São sobreviventes num ambiente hostil, controlam o jogo, são os tais donos do poder. Não se peita o sistema impunemente, e o Brasil não vai virar a Suíça num mandato de direita.

É absolutamente compreensível a angústia dos patriotas, a decepção com os recuos do presidente. Muitos foram nas ruas acreditando numa bala de prata, numa intervenção divina – ou ao menos militar. Mas uma ruptura tem enorme custo e é bem arriscada, pode lançar o país no caos e o resultado final é incerto. Poucas revoluções acabaram bem na história. Por isso o conservador é mais prudente, cauteloso, paciente. As mudanças podem vir de dentro do sistema, sem sua implosão? Ou seu estágio de putrefação já é avançado demais para isso?

Eis a dúvida. Mas quero crer na possibilidade de reformas graduais, sem mergulhar o país numa guerra civil. Se há ainda essa chance, então Bolsonaro pode ter acertado. Cabe agora ao STF devolver a bola com suavidade, ciente do risco de dar uma bicuda nela.

11 pensou em “BOLSONARO COLOCA A BOLA NO CAMPO DO STF

  1. “Mas uma ruptura tem enorme custo e é bem arriscada, pode lançar o país no caos e o resultado final é incerto”

    Corrigindo esse trecho, do texto do Rodrigo Constantino. Uma ruptura não poderá lançar o Brasil no caos, é certo que lançará. Não estamos mais em 1964, que as notícias demoravam a circular. Hoje, na hipótese improvável, de tomar o poder por golpe de estado, imediatamente os cidadãos terão conhecimento e vão reagir. A comunidade financeira internacional corta vínculos automaticamente, a corrente comercial com o exterior mingua na hora. Será o caos completo social e econômico. Sonhar com um golpe e a implantação de um regime não democrático terá, no mínimo essas consequências e muitas outras.
    “O resultado final (redundância, o resultado já é o final) não é incerto é trágico”.
    Esse canalha chamado Constantino, sabe bem o que acontecerá no caso, improvável, de um golpe de estado. Constantino resolveu jogar na lata do lixo sua fantasia de liberal e economista e vestiu o couro do gado bolsonarista com chifre e tudo para ficar bem caracterizado.

    • Constantino passou de canalha para gado bolsonarista com chifre e tudo. Falou o cara que vem nesta gazeta escrota, mas democrática, para ofender a tudo e a todos.

      Quanto ódio, o período de choro na cama deve ter piorado a doença. Espero que não seja terminal.

      Não há diálogo possível com uma pessoa neste estado, apenas orações e pedidos a Deus que o conforte.

    • Esta prorrogação do A. Moraes provavelmente foi tomada antes do acordo costurado por Michel Temer. A coisa tratada vai muito além da prisão do Deputado.

      Quando e se houver um recuo dos inquéritos ilegais (está escrito no acordo) todos os atos dos mesmos se tornarão inócuos.

      Vamos aguardar mais um pouco antes de falar coisas desprovidas de razão ?

      PS.eu ia falar: “antes de falar merdas” mas hoje eu estou muito diplomático.

  2. Preso por ter cão, preso por não ter cão. se parte para o enfrentaremos é nazista autoritário, se procura um acordo é covarde e traidor. Só quero saber se o plenário vai estabelecer prazo para o Lira ler em plenário os pedidos de impeachment do Presidente Bolsonaro. Aí quero saber se o plenário também vai estabelecer prazo para o Pacheco ler em plenário os pedidos de impeachment dos ministros do STF!

    • O problema não é o que fez ou iria fazer . O problema é cada quinta-feira ficar pedindo um sinal do povo brasileiro pra ele tomar uma atitude . O problema é ele pedir para ouví-lo na Paulista porque teria um discurso mais duro . O problema é ele falar em convocar o Conselho da Republica e depois dizer que era o conselho de ministros ( pra que precisaria anunciar algo que lhe é corriqueiro ? )
      Posso estar muito enganado , mas alguma vez Bolsonaro falou o nome do Daniel Silveira ou do Eustáquio ?

  3. Nossos mártires da liberdade continuam sendo estuprados pela GESTAPO do STF.

    Eu só acredito que o famigerado STF foi enquadrado se for limitado estritamente a questões constitucionais. E mais nada! E isso, se for provocado por alguma parte legítima. E se forem libertados todos os que foram encarcerados indevidamente, inclusive com a devida indenização aos mesmos pelas arbitrariedades que sofreram.

    Chega de estrelismo dessas dondocas emplumadas e desses facínoras disfarçados de vingadores.

    Minha opção era partir pra porrada. Vamos ver se a diplomacia de Bolsonaro resolve uma parte mínima dessa bronca tão entranhada no tecido da administração da nação.

  4. Respeito as opiniões contrárias, mas no meu entender o capitão teve que botar a viola no saco e amarela-se todinho. Língua mais rápida do que o cérebro só podia dar nisso, ter que pedir ajuda de um velho cacique do pmdb e arreglo para o grande inquisidor Alexandrino, o nosso Tomaz de Torquemada. Decepção é o sentimento que embala esse velho coração.

  5. A coisa está no seguinte pé : Alguém disse que outro alguém falou que faria o que não fez , mas mesmo não fazendo o que certamente deveria ter feito ,o fez de forma descabida , apesar da maioria quere-lo feito de forma pragmática por quem de direito. De modo que achar o que foi perdido no meio da multidão que acreditava ver um problema a seu pedido resolvido ,e foi protelado , resta esperar o passar dos dias , talvez meses e se não aparecer resultados satisfatórios , juntar o que sobrou e pedir asilo no Haiti , porque temos analistas demais e falta de material para análises . E aí só dá briga. Melhor deixar os protagonistas irem a imprensa e falar , printar o que dizem e confrontar com a verdade. Ai sim , iremos a manifestações com o que falaram e não com o que pensamos ter escutado , ou o que alguém em seu lugar falou . A esquerdalha fala besteiras ( redundância )pois quer o pior para nação ( são tatus e as vezes urubus ) . Alguns dos nossos exageram no tempero , o que deixa a coisa difícil de engolir .
    Bom , usei o meu direito constitucional de escrever besteira , como todo mundo o faz, e estando longe do meio da beirada do centro do poder , vou entrar em recesso por falta de informação mais precisas , pois preciso. Espero por boas novas como a maioria , e aceito a frase que diz : As vezes para seguir em frente é preciso dar um passo atrás .

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