BASTA DE POLARIZAÇÃO

No estudo da Física aprende-se que polarização é uma propriedade das ondas eletromagnéticas, na qual elas são selecionadas e divididas de acordo com a sua orientação de vibração. Uma das maravilhas da ciência pura.

Contudo, a polarização contempla outras interpretações não tão fenomenais quanto a do exemplo citado, notadamente, se direcionada para o estudo científico da organização e do funcionamento das sociedades humanas. Trato aqui da polarização extremada na religião e na política.

É quando vem à baila a ação do papa Gregório IX, ao formar tribunais na Igreja Católica que perseguiram, julgaram e prenderam ou condenaram à morte judeus e praticantes de outras seitas, no combate à heresia. Entre os séculos XV e XIX o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, atuando na Espanha e em Portugal, sacrificou cerca de 17 mil pessoas com requintes de crueldade.

Nada, porém, comparável com os números alarmantes de vítimas decorrentes de posicionamentos políticos polarizados, ou seja, a maldita polarização política. E não são poucos os exemplos escabrosos de mazelas, preconceitos, ódios e comportamentos coletivos irracionais, quando o assunto discorre sobre divergências de atitudes políticas entre extremos ideológicos.

Em Cuba (1959), quando Fidel Castro liderou a guerrilha para apear Fulgêncio Batista do poder e acabar com a corrupção no país, polarizou a nação em torno do seu nome. Instalado no governo mostrou a sua verdadeira face e a razão de ali estar empoleirado – consta que 80 mil cubanos morreram afogados tentando escapar da ilha sob o jugo do ditador comunista.

A Alemanha polarizada em torno de Hitler, anestesiada pelo sonho de dominação do mundo e da instalação de uma raça ariana pura, exterminou 6 milhões de judeus e de outras minorias tidas como inferiores. Destruída, levou consigo outras duas nações – Itália e Japão – integrantes do Eixo na II Guerra Mundial.

Stálin para consolidar o comunismo, na Rússia, sacrificou 25 milhões de pessoas; e, Mao Tse Tung, na China, ceifou 70 milhões de vidas. Isso para citar apenas alguns exemplos conhecidos das mazelas causadas por polarizações inconsequentes.

O Brasil também vivenciou momentos dramáticos de polarização política. Esqueçamos o passado distante e nos atenhamos aos últimos 60 anos. Em 1964, ante o risco de descambarmos para o comunismo, a quase totalidade da população apoiou as forças armadas na cruzada para livrar o país da influência vermelha. O que se supunha uma operação rápida, levou 21 anos sob um regime militar controverso.

A mesma população, insatisfeita com o regime e, novamente polarizada, ergueu a bandeira das Diretas Já pela redemocratização do país. Após gestões democráticas ineficientes e um impeachment a nação, novamente, viu-se polarizada. Foram 16 anos de governo petista, o qual dispensa comentários.

Observando sem paixões o cenário nacional, sentimos certo direcionamento para uma polarização bizarra que, por melhor das boas intenções, está contabilizando atrasos para o país. Nem tanto a Deus nem tanto ao Diabo. Encontremos um meio termo. Na polarização, vozes moderadas tendem a perder poder e influência.

Precisamos achar o nosso rumo. Falta-nos o equilíbrio político sem radicalismos, onde a única bandeira a ser desfraldada seja a do Brasil da ordem e do progresso… acrescido de justiça social. Basta de tanta polarização!

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