BARTÔ GALENO, O BAIXINHO QUE SATISFAZ, JÁ É UM SETENTÃO…

Quem conhece esse clássico que tocava muito em parque de diversão e foi parada de sucesso nas rádios do interior, no final da década de 70, do paraibano Bartolomeu Silva, que é uma verdadeira lenda viva do nosso cancioneiro brega romântico?!?!?! EI-LO: No toca-fitas do meu carro / Uma canção me faz lembrar você / Acendo mais um cigarro / E procuro lhe esquecer / Do meu lado está vazio / Você tanta falta me faz / Pois cada dia que passa / Eu te amo muito mais. / Encontrei no porta-luvas um lencinho que você esqueceu / E num cantinho bem bordado o seu nome junto ao meu… Esse autêntico hino gandaieiro composto por Bartô Galeno e Carlos André, sem dúvida alguma estará na cápsula do tempo, pois quase me mata de beber cachaça nos cabarés de Maria do Bago Mole e Maria Gorda na Rua da Madeira.

De Palmares à Arapiraca, de Garanhuns à Caicó ou de Maceió à cidade de Mossoró, passando por Palmeira dos índios e Carpina, as casas embelezadas por LUZ NEGRA e entupidas com mulheres de corpo ou tipo violão, abasteciam seus frequentadores com verdadeiras pérolas de Bartô Galeno, como Malena, Esta Cidade é Uma Selva sem Você, Olhos Que Eu Não Posso Ver, Pelo Menos Uma Palavra, Nosso Amor Já Morreu e Nesta Casa Onde Morou Felicidade fizeram o prazer de muitas pessoas, algumas delas, foram pra cama com uma mulher pela primeira vez… Seu principal parceiro nas composições era Carlos André. Da parceria veio músicas como “Amor Vagabundo” e “Cadeira Vazia”, “Coração mentiroso”, “Chorei por amor”, “De que vale a minha vida agora”, “Longe de você” e a emblemática “No toca-fitas do meu carro”.

Desde 1975, o cantor e compositor Bartô Galeno lançava um LP a cada ano, todos eles com músicas que o público nunca esqueceu. Ele tem uma rica discografia e uma baita história no mercado musical brasileiro, pois na época vendia discos tanto quanto Roberto Carlos. Por isso, faz parte das lembranças, memórias e vida de muitas pessoas. Quantos anônimos por aí afora, não têm uma história desta para contar: “Meu pai amava muito suas músicas, infelizmente ele já faleceu, mas fez questão de colocar o nome da minha irmã de Malena, ele gostava bastante”. Para quem não sabe, Malena é o nome de uma música que o cantor fez em homenagem para uma namorada.

Conforme nos conta o locutor, e apresentador de programas musicais, Ronaldo Sá, quando afirma que, apesar da futura estrela do estilo brega ter nascido em Sousa(PB), aos 10 anos foi residir em Mossoró(RN) e na adolescência, Bastinho Silva, como era conhecido ganhou um concurso na Rádio Rural da cidade “A Mais Bela Voz”. Em seguida, resolveu migrar para Recife e logo após para São Paulo. Teve a participação importante na sua carreira, que foi a do mossoroense Oséas Lopes, hoje CARLOS ANDRÉ, que também saíra daqui a fim de tentar a sorte no Sudeste do país. “Bastinho Silva não soa bem como nome artístico”, opinou o parceiro. Já que seu nome próprio é Bartolomeu, resolveu adotar Bartô Galeno. Até então o seu forte era compor.

Mas São Paulo não era o ideal, porque na época estava no auge do movimento da Jovem Guarda, promovido basicamente pela gravadora CBS, e todas as atenções estavam voltadas para o Rio de Janeiro. Bartô Galeno mudou-se para lá. Parcerias de peso e seu talento fizeram com que 40 músicas fossem gravadas com suas assinaturas. Os nomes de Carlos André, Fernando Léllis, Fernando Mendes, Odair José e tantos outros atingiram o ápice do sucesso.

Agora, foi com Genival Santos (com a música machista de grande sucesso que diz “Se errar uma vez, dou castigo para não se acostumar; se errar outra vez, mando embora para aprender a me respeitar”), que alavancou sua carreira de maneira extraordinária. Aí passou, também, a cantar, que ninguém é de ferro. Em 1975, grava o seu primeiro Long Play(LP), tendo como carro-chefe a música “Só Lembranças”, até hoje cantada e servindo de piada quando alguém passa um cheque sem fundos ou desaparece alguma coisa sem chances de recuperação: “Só lembranças… Só lembranças…” . O cantor brega Bartô Galeno é um pequeno no tamanho, mas um gigante na humildade e um vencedor em quase 50 anos de carreira.

3 pensou em “BARTÔ GALENO, O BAIXINHO QUE SATISFAZ, JÁ É UM SETENTÃO…

  1. Tirei o cabaço com uma loura das pernas grossas ao som do mestre Bartô Galeno e o irascível Waldick Soriano, no puteiro da Tia Zefa, lá em Carpina-PE. Puteiro esse que ficava perto do campo do Santa Cruz Futebol Clube.

    A loura era muito fogosa, e eu novinho, imagine! Era três sem tirar de dentro. Depois perdi a loura de vista porque, segundo as más línguas ela se “ingrassou” com o posseiro que a tirou da Zona Dura e a pôs numa zona mais confortável. Foi criar galinha, bodes, cabras e ter filhos.

    Dez anos depois topei com ela na feira de Carpina e ela me falou que ainda sentia saudades dos meus beijos… mas que estava casada… não podia me dá mais pois seu homem era muito ciumento…

    Que saudade da lourinha rabuda!

  2. Não tem como apagar o papel desse pessoal, brega, piegas, etc. na música brasileira. Lembro de uma vez Reginaldo Rossi ter dito que o importante era vender 500 mil cópias, não importando se eram 490 mil no Alto José do Pinho e 10 mil em Copacabana.

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